18 de junho de 2011

Equilibrado e vazio...


Em verdade estais suspensos como os pratos de uma balança entre vossa alegria e vossa tristeza. É somente quando estais vazios que estais em equilíbrio - Sêneca

Com este belo pensamento de Sêneca quero hoje refletir com vocês.

A divisão mental nos coloca em constante oscilação. Nada é em si absoluto, se pararmos para refletir. No mais profundo da tristeza existe a alegria, no mais profundo da alegria existe a tristeza; no âmago da vida está a morte, no âmago da morte está a vida; no calor o frio, no alto o baixo e assim por diante.
Os opostos nunca foram realmente opostos, são complementares, são necessariamente complementares, já que um não existe sem o outro. Só se conhece um pelo outro, como só se conhece a luz pela escuridão, o dia pela noite, o frio pelo calor...

A dimensão em que vivemos tem essas leis, são as leis da complementaridade, Yin, Yang, em eterno fluxo contínuo, seja no micro seja no macro, as leis são as mesmas.

Esta é a dimensão relativa como nos falam os orientais. Tudo aquilo que lidamos é relativo, dessa forma é que podemos viver e nos relacionar, tendo consciência da relatividade desta dimensão, isto é, a dimensão da mente em que vivemos, constante fluxo, movimento, e eterno ir e vir, daí o que Sêneca nos aponta.

Ter consciência desta lei nos coloca também em fluxo, qualquer apego, qualquer retenção, fixação seja lá do que for, será contra esta lei universal, a impermanência dos budistas, com isso estaremos criando problemas para nós mesmos. Aceitar esta lei e acolhe-la com amor, nos libera para desfrutarmos dela, e de todas as belezas e ensinamentos que ela nos trás. Ser passante, ser peregrino, não fixado neste mundo, acolher o que vier, e transcender, sempre.

Importante termos consciência de que a mente tenta fixar-se, tenta enquadrar, tenta controlar a realidade, a existência ou mesmo alguns aspectos, e com isso, o que acontece é a dor, a doença. Isso nos mostra que estamos indo contra uma lei natural importante.

Quando aprendemos a confiar, a nos deixarmos levar pela sabedoria da existência, de Deus, com o coração aberto e livre, acontece uma verdadeira transformação interior. Quando deixamos de tentar controlar a vida, de controlar a existência, o que acontece um relaxamento, um profundo relaxamento, acolhemos a vida e o viver como graça, como presente e dançamos juntos com a vida, seja lá como for.

Quando percebemos que a mente tem essa qualidade, de ser polar, de ser fracionada e em fluxo, percebemos que existe algo imutável que apenas observa esse fluxo livre da mente. Algo que percebe o pensamento acontecer, o pensamento partir, a emoção chegar, a emoção partir, algo que não se sabe dizer o que é, mas que permanece silente e pacífico haja o que houver. Esta posição do observador é o puro silêncio além da mente. Não julga, não oscila, não se move.
Apenas permanece. O eterno-imutável, consciente.

A dimensão silenciosa é nossa natureza pura, original, além dos conflitos, dualidades, escolhas, juízos, além dos extremos, além dos complementares.
Aquele que alcança a dimensão do silêncio relaxa no Ser.

Tudo observa, tudo desfruta, tudo pensa, tudo sente, mas não se mistura, não se fixa em nada, trás em si a consciência da impermanência, e com isso vive profunda e plenamente em total paz, em total amor com a existência e tudo que lhe acontece, relaxado no Ser.

Recebe e envolve a vida com um vasto e includente amor.
Reconhece o livre fluxo da existência relativa, porém tem plena consciência de que a sua natureza essencial é aquela além dos conflitos, além das escolhas, além da impermanência.
Tudo acontece, tudo que aparentemente se move, se transforma, acontece em Si, na vastidão interior do Ser.
Permanece em equilíbrio, permanece em Amor, e desfruta da Vida, da existência em profunda compaixão.

O equilíbrio do silencio, é nossa fonte única, verdadeira, e é também nossa meta suprema.
Amor
Lilian

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts with Thumbnails