31 de dezembro de 2015

O Ser sem fronteiras - Mooji



Reconheça o silencio natural de seu próprio Ser.
O silencio não é um comportamento. 
O silencio não é uma prática. 
É o perfume natural del Ser. 

Tratar de permanecer quieto não é a quietude. 
Encontre essa quietude dentro de ti que simplesmente É. 
Não precisa praticá-la.
Só se pode reconhecer. 
Está aqui.
Não se esconda. Não se apresse. 
Simplesmente deixe de identificar-se com o passado, 
futuro, presente ou com qualquer imagem pessoal de ti. 
Mantenha-se aberto a ser nada. 
Nenhuma coisa. 
De maneira que simplesmente em seu interior sejas como um espaço. 
Mas este espaço no é inerte, mas um espaço pleno de vitalidade. 
-Mesmo assim, não te definas como vitalidade. 
Não te definas como nada. 

Simplesmente permaneça na própria atenção natural. 
Seja consciente agora desse silencio e desse espaço que no requer esforço. 
Você não sabe se está dentro ou fora. 
Não existem bordas, não existem fronteiras para seu Ser. 

Experimente isto...

Mooji em Satsang

28 de dezembro de 2015

O não-caminho é o único caminho - Papaji


"Eu confio que vocês todos são leões.

Toda ignorância começou com os pastores. 

Pastores são para ovelhas. 
Eu confio que vocês são leões. Leões não são para serem arrebanhados; aonde eles andam é sua própria trilha. 
Não há rebanho de leões; há somente rebanho de ovelhas. Vocês são todos leões – então vá pelo seu caminho. 
Não andem em caminhos batidos feito ovelhas; um após o outro. 
Não sigam nenhum caminho. 
Leões, não seguem um ao outro como as ovelhas.

A maioria das pessoas são ovelhas, seguem pastores pelo mundo todo. 

A religião começou com pastores e as pessoas os seguem como ovelhas. 
Mas aonde vocês forem serão leões, e não há caminhos para leões. 
Onde o leão andar, é o caminho. 
Para o leão o não-caminho, é o único caminho. 
Então não se coloque no meio de ovelhas precisando de um pastor. 
O seu caminho é o não-caminho – isso é saber quem você é. 
Isto é não seguir como uma ovelha. Este é um novo caminho, decididamente desconhecido. Uma vez conhecido, isto é bem conhecido. 
Aquele que sabe completou o propósito do esforço de toda vida humana. 
Ele é feliz e em paz.
 Ele aproveita ambos: aqui e depois.

Por favor, não se torne uma ovelha. 
Não siga ninguém. 
Não olhe aqui e ali. 
Não olhe para nenhum lugar. 
Pare de procurar. Pare toda sua imaginação pelo futuro e conceitualização do passado. 
Mantenha seu ser neste momento, que é um não-momento. 
Descubra de onde esse momento vem, de onde o tempo vem, de onde o pensamento surge, e você verá que você sempre esteve em casa. 
Você não precisa de mais nada!"

Papaji em Satsang

26 de dezembro de 2015

Cristo e Buda - Jean-Yves Leloup e Lama Padma Santem



Jean-Yves Leloup - Quando um homem se encontra em um quarto escuro, ele precisa abrir todas as janelas. A janela que se dá para o Oriente e a que se dá para o Ocidente. Nós precisamos de todas as luzes. E hoje em dia, mais que em qualquer época, precisamos da Luz do Buda, e da Luz do Cristo.(...)
O que veremos aqui, não se trata da relação entre Jesus e Buda, mas entre Cristo e o Buda.
Tanto na tradição cristã como na tradição budista, nós fazemos a distinção entre três corpos.
Temos o corpo histórico, Nirmanakaya - é o corpo e a história de Jesus de Nazará. Que podemos comparar ao corpo e a história de Sidharta Gautama da tribo de Sakyamuni.
Da mesma maneira que Jesus se tornou o Cristo pelo recebimento do Espírito, no momento do seu batizado, Sidharta torna-se o Buda, aquele cujo estado búdico está desperto, no momento do seu Despertar. Aqui falamos do Corpo Desperto, ou do Corpo do Cristo, o Meshiah - aquele que é habitado pelo Espírito.
Além deste corpo histórico e deste corpo transfigurado, ou desperto, existe o corpo essencial, o Dharmakaya, que na tradição cristã falaremos do Logos, do Verbo, da Luz pela qual tudo existe.

É importante nos lembrarmos destes três corpos, ou dessas três dimensões, porque muitas vezes comparamos aquilo que não é comparável: O corpo histórico de Jesus, com a Budeidade, ou estado de Clara Luz; ou o corpo histórico de Buda, com o Logos, o Verbo, dizendo que Jesus é Deus e que o Buda não passa de um homem. Nesse caso, estamos comparando níveis de realidade que não são comparáveis.

É interessante vermos qual era a vida de Jesus de Nazaré, e a vida de Sidharta Gautama da tribo de Sakyamuni. Veremos que são duas vidas bastante diferentes, seja num contexto geográfico, seja num contexto religioso - o mundo judeu para Jesus e o mundo hindu para Sidharta, e vermos como cada um interiorizou essas duas tradições, e por vezes entrando em conflito com representantes de ambas as tradições. Então, comparamos dois seres históricos. Um que terá uma vida curta e cujo final será dramático, e outra que é uma vida longa, cujos ensinamentos poderão ser transmitidos a muitas e muitas pessoas. Do ponto de vista histórico, Jesus e Sidharta não se assemelham muito.
Mas, ao nível do seu corpo de ensino, do seu corpo de doutrina, isto é, quando Cristo fala através de Jesus ou quando é o estado desperto que se expressa através de Sidharta, veremos que tanto um quanto o outro, buscaram o despertar de todos os seres vivos, a salvação e a libertação de todos os seres vivos, e aí poderemos ver que seus ensinamentos como complementares, como havia dito, nós precisamos de todas as luzes.

Quando S.S. Dalai Lama, fala sobre os ensinamentos do Buda - Purifique seu coração - nós poderemos encontra muita ressonância com a tradição do evangelho.

Quando nos situamos no nível último, quando falamos de Jesus enquanto o Logos, o Verbo, como a natureza que dá existência a todas as coisas, esta Clara Luz original, e quando falamos do Buda enquanto Budeidade, neste momento estamos além de todas as comparações. 
A Fonte da realidade é a Fonte da realidade. Não existem duas realidades, mas existem infinitas maneiras de expressá-la. A Fonte é Uma.

Quando falamos de Jesus e de Sidharta, estamos comparando dois seres históricos; quando falamos de Cristo e de Buda, estamos falando de dois seres históricos habitados um pela Budeidade e outro pelo Logos, pelo Verbo; e quando falamos da Realidade Última tanto do Cristo, quanto de Buda, então entramos no silencio, esta Luz Original que está na Fonte dessas duas aparências, dessas duas grandes janelas, através das quais, a Luz do Despertar, a Luz do Vivente nos é transmitida.(...)

Continue lendo...

24 de dezembro de 2015

Sim é Natal!



Sim, é Natal...

É Nascente
É Vivente
É beleza, simplicidade,
É Paz..

É Natal na acolhida
No olhar sincero
Na partilha,
Na verdade,
Na aceitação das diferenças 
Na Consciência da Unicidade

Sim, é Natal..

Não nos preocupemos com palavras 
Nem com presentes,
Nem nada,
Façamo-nos sim, presentes,
Abracemos uns aos outros, 
Quebremos as barreira ilusórias da separação 
E sejamos Amor...

Amor onipresente,
Amor resplandescente,
Amor vivo e explícito
No Cristo vivo em nós...

Cada um é Cristo nascente
Em cada Ser é vivo e presente
É olhar e bondade na essência 
É sempre ser
Natal..

Sim é Natal!
Um Feliz Natal!
Natal de felicidade,
Nascente,
Cristo vivente, 
Cristo essência,
Cristo Amor...

~Amidha Prem~

23 de dezembro de 2015

Você é a paz que está buscando - Mooji


"Foque a atenção em localizar aquele que está sofrendo. Desta maneira descobre-se que não existe ninguém ali para sofrer. É a ideia que você tem de si mesmo que aparentemente sofre. E o que descobre isso? Novamente é compreendido que existe apenas a descoberta, mas nenhum descobridor individual.

Eu vim aqui compartilhar com vocês estas boas novas: Você é completo. Você é perfeição além do conceito de perfeição. Você é o princípio eterno – você já está aqui, imóvel, antes mesmo do conceito “eu sou” surgir. A partir do ponto de vista mais alto, você percebe tudo como sendo a sua brincadeira. Você é tudo que há.


Por mais que você tenha se esforçado em construir uma vida segura que satisfaça sua projeção, ainda sim sua criação não se igualará, em qualidade e bênçãos, à vida que está se desdobrando sem intenção humana.
Se você agarrar-se à intuição, à sensação “eu sou”, e não permitir que isto se conecte com nenhum outro conceito, se você apenas deixar que o “eu sou” incube em si mesmo – imediatamente, alegria e espaço prevalecerão. Espontaneamente existe a silenciosa e intuitiva convicção: “Eu sou o Ser atemporal, sem limites.” Isto não é um ensinamento, mas uma poderosa experiência interna – inexplicável.


Você já é a paz que você está buscando. Fique em silêncio e saiba disso.
Não há nada que você deva fazer ou mudar para ser o que você é. No entanto, existe algo que você deve reconhecer para deixar de ser aquilo que você não é: investigue quem você é. Através da auto-inquirição, o falso sentimento de eu, o ego, é exposto como uma aparição fantasmagórica na luz e na presença do real observador, o seu Ser.


A verdadeira autodescoberta é o reconhecimento e a realização do que este “eu” é. A realização total de que o “eu” é o supremo Ser e não uma “pessoa” é o que é chamado de Libertação. E crucialmente, a falta de clareza acerca do “eu” é o ás na manga da mente e é comumente negligenciado ou passado despercebido.

Permaneça fixo no coração. 
A todo o momento, onde quer que a atenção vá, traga-a de volta para o Ser-Consciência. 
Gradualmente, ela permanecerá lá sem esforço."

Mooji em Satsang

21 de dezembro de 2015

Osho fala sobre São Francisco de Assis


"São Francisco de Assis certamente estaria num hospício. Conversando com as árvores, dizendo à amendoeira:" Irmã, como vai você?" Se ele estivesse aqui, teria sido preso. "Irmã, cante sobre Deus para mim", dizia para a amendoeira. E não apenas isso - ele ouvia a canção que a amendoeira cantava! Maluco! Necessita de tratamento!

Ele conversava com o rio e com os peixes - e dizem que os peixes respondiam a ele. Conversava com as pedras e os rochedos. É preciso mais uma prova de que ele é louco?

Sim, ele é louco. Mas você não gostaria de ser louco como São Francisco de Assis? imagine só - a capacidade de escutar a amendoeira a cantar,e o coração que pode sentir as árvores como irmãs, o coração que pode conversar com as pedras, o coração que vê Deus em todo lugar, por todos os lados, em todas as formas...

Este deve ser um coração de extremo amor.
O amor total revela esse mistério a você. Mas para a mente lógica, certamente essas coisas são bobagem.

Para mim, essas são as únicas coisas significativas.
Torne-se louco, se puder, torne-se um louco do coração."
Osho em Ancient Music of the Pines
***


Hoje comemoramos mais um aniversário do blog Ventos de Paz.
A alegria é sempre presente nestes 6 anos online, 
em que compartilhamos toda essa Luz, tanto Amor, 
beleza, Sabedoria e
Paz...

Agradeço de coração a todos os amigos que estão nessa caminhada comigo,  
agradeço todo o carinho, todos os comentários, todos os compartilhamentos, e todo amor na bela presença de cada um de vocês aqui 
nesse nosso pequeno espaço.

Vivendo na unicidade do eterno agora, compartilhamos 
dessa paz que é a fonte de tudo e
desse amor onipresente, 
transbordante... 

Somos verdadeiramente, todos loucos do coração... :)

Gratidão à todos, 
beijos no coração... 
Namastê 
Amidha Prem 

20 de dezembro de 2015

Vivendo o Tao





"Pense no que vai dizer antes de abrir a boca. Seja breve e preciso, já que cada vez que deixa sair uma palavra, deixa sair uma parte do seu Chi (energia). Assim, aprenderá a desenvolver a arte de falar sem perder energia.


Nunca faça promessas que não possa cumprir. Não se queixe, nem utilize palavras que projectem imagens negativas, porque se reproduzirá ao seu redor tudo o que tenha fabricado com as suas palavras carregadas de Chi.


Se não tem nada de bom, verdadeiro e útil a dizer, é melhor não dizer nada. Aprenda a ser como um espelho: observe e reflicta a energia. O Universo é o melhor exemplo de um espelho que a natureza nos deu, porque aceita, sem condições, os nossos pensamentos, emoções, palavras e acções, e envia-nos o reflexo da nossa própria energia através das diferentes circunstâncias que se apresentam nas nossas vidas.


Se se identifica com o êxito, terá êxito. Se se identifica com o fracasso, terá fracasso. Assim, podemos observar que as circunstâncias que vivemos são simplesmente manifestações externas do conteúdo da nossa conversa interna. Aprenda a ser como o universo, escutando e reflectindo a energia sem emoções densas e sem preconceitos.


Porque, sendo como um espelho, com o poder mental tranquilo e em silêncio, sem lhe dar oportunidade de se impor com as suas opiniões pessoais, e evitando reacções emocionais excessivas, tem oportunidade de uma comunicação sincera e fluída.


Não se dê demasiada importância, e seja humilde, pois quanto mais se mostra superior, inteligente e prepotente, mais se torna prisioneiro da sua própria imagem e vive num mundo de tensão e ilusões. Seja discreto, preserve a sua vida íntima. Desta forma libertar-se-á da opinião dos outros e terá uma vida tranquila e benevolente invisível, misteriosa, indefinível, insondável como o TAO.


Não entre em competição com os demais, a terra que nos nutre dá-nos o necessário. Ajude o próximo a perceber as suas próprias virtudes e qualidades, a brilhar. O espírito competitivo faz com que o ego cresça e, inevitavelmente, crie conflitos. Tenha confiança em si mesmo. Preserve a sua paz interior, evitando entrar na provação e nas trapaças dos outros. Não se comprometa facilmente, agindo de maneira precipitada, sem ter consciência profunda da situação.


Tenha um momento de silêncio interno para considerar tudo que se apresenta e só então tome uma decisão. Assim desenvolverá a confiança em si mesmo e a Sabedoria. Se realmente há algo que não sabe, ou para que não tenha resposta, aceite o fato. Não saber é muito incómodo para o ego, porque ele gosta de saber tudo, ter sempre razão e dar a sua opinião muito pessoal. Mas, na realidade, o ego nada sabe, simplesmente faz acreditar que sabe.


Evite julgar ou criticar. O TAO é imparcial nos seus juízos: não critica ninguém, tem uma compaixão infinita e não conhece a dualidade. Cada vez que julga alguém, a única coisa que faz é expressar a sua opinião pessoal, e isso é uma perda de energia, é puro ruído. Julgar é uma maneira de esconder as nossas próprias fraquezas.


O Sábio tolera tudo sem dizer uma palavra. Tudo o que o incomoda nos outros é uma projecção do que não venceu em si mesmo. Deixe que cada um resolva os seus problemas e concentre a sua energia na sua própria vida. Ocupe-se de si mesmo, não se defenda. Quando tenta defender-se, está a dar demasiada importância às palavras dos outros, a dar mais força à agressão deles.


Se aceita não se defender, mostra que as opiniões dos demais não o afectam, que são simplesmente opiniões, e que não necessita de os convencer para ser feliz. O seu silêncio interno torna-o impassível. Faça uso regular do silêncio para educar o seu ego, que tem o mau costume de falar o tempo todo.


Pratique a arte de não falar. Tome algumas horas para se abster de falar. Este é um exercício excelente para conhecer e aprender o universo do TAO ilimitado, em vez de tentar explicar o que é o TAO. Progressivamente desenvolverá a arte de falar sem falar, e a sua verdadeira natureza interna substituirá a sua personalidade artificial, deixando aparecer a luz do seu coração e o poder da sabedoria do silêncio.


Graças a essa força, atrairá para si tudo o que necessita para a sua própria realização e completa libertação. Porém, tem que ter cuidado para que o ego não se infiltre… O Poder permanece quando o ego se mantém tranquilo e em silêncio. Se o ego se impõe e abusa desse Poder, este converter-se-á num veneno, que o envenenará rapidamente.


Fique em silêncio, cultive o seu próprio poder interno. Respeite a vida de tudo o que existe no mundo. Não force, manipule ou controle o próximo. Converta-se no seu próprio Mestre e deixe os demais serem o que têm a capacidade de ser. Por outras palavras, viva seguindo a via sagrada do TAO."
- Texto Taoísta

18 de dezembro de 2015

Sobre a Simplicidade - J.Krishnamurti


"Pergunta: O que é simplicidade? Significa ver muito claramente as coisas essenciais e abandonar todas as outras?

J.Krishnamurti: Vejamos o que a simplicidade não é. Não digais que isso é negação. Nada se pode dizer de maneira positiva, que é uma maneira imatura e irrefletida de nos expressarmos. Os que os fazem são exploradores, porque têm algo para dar-vos, algo que desejais e que lhes serve de meio de explorar-vos. 


Não estamos fazendo nada disso. Estamos tentando descobrir a verdade a respeito da simplicidade. Consequentemente, tendes de rejeitar umas tantas coisas e observar. O homem que muito possui teme a revolução interior e exterior. Averiguemos, pois, o que não é simplicidade. A mente complicada, não é simples, é? A mente engenhosa não é simples; a mente que tem um fim em vista e trabalha pela consecução do mesmo, como recompensa, como punição, não é uma mente simples, é? Senhores, não concordeis comigo. Não se trata de concordar. Trata-se de nossa vida. 

A mente que está pejada de saber, não é uma mente simples; a mente paralisada pela crença, não é uma mente simples, é? Pensamos, porém, que vida simples é possuir só uma tanga, ou talvez duas; queremos a ostentação externa da simplicidade, e facilmente nos iludimos com ela. Eis porque o homem muito rico venera o homem que renuncia.

Que é simplicidade? Pode a simplicidade consistir em rejeitar as coisas não essenciais e visar as coisas essenciais — o que implica escolha? Notai bem: não é isso escolha, não significa escolher? Escolho as coisas essenciais e rejeito as não-essenciais. Em que consiste esse processo de escolha? Pensai profundamente. Qual é a entidade que escolhe? A mente, não é verdade? Não importa como a chameis. Dizeis: "Escolherei esta coisa essencial". 


Como sabeis o que é essencial? Isso significa, ou que tendes um padrão estabelecido por outras pessoas, ou a vossa própria experiência vos indica o que é essencial. Podeis confiar na vossa experiência? Porque, quando escolheis, a vossa escolha está baseada no desejo; o que chamais essencial é aquilo que vos dá satisfação. E voltais, assim, ao mesmo processo, não é verdade? Pode a mente confusa escolher? Se ela escolhe, a sua escolha será também confusa.

Por conseguinte, a escolha entre essencial e não-essencial não é simplicidade. É conflito. A mente que está em conflito, em confusão, nunca pode ser simples. Assim, quando rejeitardes, quando perceberdes todas as coisas falsas e todos os artifícios da mente, observando-os, examinando-os, sabereis, então, o que é simplicidade. 

A mente que está vinculada plea crença, nunca é uma mente simples. A mente sobrecarregada de saber não é simples. A mente que se distrai com Deus, com mulheres e música, não é uma mente simples. 

A mente aprisionada na rotina da profissão, dos ritos, dos mantras, não é simples. Simplicidade é ação sem ideia, coisa raríssima, que significa criação. Enquanto não há criação, somos centros de malefícios, sofrimento e destruição. 

A simplicidade não é coisa que se possa cultivar e experimentar. A simplicidade, tal como uma flor que desabrocha, surge no momento exato em que cada um de nós compreende todo o processo da existência e das relações. Porque não costumamos pensar nela, porque não costumamos observá-la, não sabemos o que ela é. Apreciamos de certa maneira todas as formas exteriores da simplicidade: raspar a cabeça, vestir-se ou despir-se de certa maneira. Essas coisas não são simplicidade. Não se acha a simplicidade. 

A simplicidade não está entre o que é essencial e o que não é essencial. 

Ela nasce quando não há "eu", quando o "eu" não está envolvido em especulações, conclusões, crenças, ideações. 
Só a mente assim pode achar a verdade. Só essa mente pode receber o que é imensurável, aquilo que se não pode dar nome. Isso é que é simplicidade."

J.Krishnamurti em Quando o pensamento cessa

16 de dezembro de 2015

Toda criança é especial - Osho


"Osho, você disse que todas as crianças nascem como um Deus, contudo, meus dois filhos são bastante diferentes desde que nasceram. Um é sereno e muito bonito, mas a outra já parecia perturbado antes mesmo de ser influenciado por qualquer condicionamento.Como devo lidar com essa criança difícil?
Osho - Isto levanta uma questão básica. A existência em si é divina -
De onde vem então o demônio? De onde vem o mal, o moral, o inaceitável?

O bom está certo. Porque nós fizemos dele sinônimo de Deus - Bom significa Deus. Mas de onde vem o mal? Isto tem confundido a humanidade há muito tempo.Por mais que voltemos atrás, este problema sempre existiu na mente humana.

A solução é lógica, a solução que a mente pode dar é dividir a existência, criar uma dualidade. É dizer que existe Deus, aquele que é bom e existe o diabo, o demônio, belzebu, satã, aquele que é ruim.

A mente pensa que o problema está resolvido - Tudo que é mau vem do diabo, e tudo que é bom vem de Deus.
Mas o problema não está resolvido;
Só foi um pouco afastado. O problema permanece o mesmo.
Você o afastou um passo, mas não resolveu nada - Então, de onde vem o demônio? Se Deus é o criador, então deve ter criado o demônio em primeiro lugar, bem no princípio - ou Deus não é o supremo criador, e e demônio sempre existiu como o inimigo, como a força antagônica - então ambos são eternos.

Se o demônio não foi criado, não pode ser destruído, e assim o conflito continua eternamente.
Deus não pode vencer - e demônio estará sempre causando distúrbios.

Isto não é o problema para os teólogos cristãos, ou para a teologia muçulmana ou zoroastriana, porque todas estas três teologias seguiram a solução simples sugerida pela mente, mas a mente não pode solucionar isto.

Há uma outra possibilidade, que não vem da mente eserá difícil que a mente a entenda. Essa possibilidade surgiu no Oriente, particularmente na Índia;
Essa possibilidade é: Não há nenhum demônio, não há dualidade básica -
Só existe Deus; não há nenhuma outra força.

É isto que significa advaita, a filosofia não-dual; Só existe Deus.

Mas nós vemos que o mal existe. Os hindus dizem, que o mal existe na sua interpretação, e não em si mesmo.
Você o chama de mal porque não pode entendê-lo, porque está perturbado por ele.
É a sua atitude que o faz parecer mau.
Não há nenhum mal. O mal não pode existir. Só existe Deus, só o Divino existe.

Agora considerarei o seu problema sobre estas bases:
Duas crianças nasceram - uma é boa a outra é má. Por que você chama uma de boa? E por que diz que a outra é má? A realidade é essa mesma, ou é apenas interpretação sua?

Qual é a criança boa - e por quê? Se ela é obediente, é boa;
Se é desobediente, é má. A que o segue é boa e a que resistir é má.
Tudo o que você diz, uma delas aceita; Se diz: Sente-se em silêncio - ela se senta.
Mas a outra tenta desobedecer, tenta rebelar-se - Esta é má.
Isto é interpretação sua. Você não está dizendo nada sobre a criança;
Está dizendo algo sobre a sua mente.

Porque a obediente é a boa? Na verdade, os obedientes nunca são brilhantes, nunca são muito radiantes, geralmente são insípidos.
Nenhuma criança obediente tem sido um grande cientista ou um grande religioso, ou um grande poeta - nenhuma criança que seja obediente. Só os desobedientes se tornam grandes inventores, grandes criadores; Só os rebeldes transcendem o velho, chegaram ao novo e penetram no desconhecido.

Mas, para o ego dos pais, o obediente é considerado bom - porque isso ajuda o ego.

Quando a criança o segue, seja lá no que for que diga, você se sente bem;
Quando a criança resiste e nega, você se sente mal.

Mas uma criança realmente viva será rebelde.Porque deveria seguí-lo?
Quem é você? E por que ela deveria obedecê-lo: só porque é o pai?
O que você faz para ser um pai? Você é apenas uma passagem -
E isso também é bastante inconsciente.

O seu sexo não é um ato consciente - você é empurrado por forças inconscientes para dentro dele.
A criança foi só um acidente: não era uma expectativa sua; Você nunca esteve conscientemente atento a quem estava convidando para vir.
A criança chegou de repente como um estranho. Você assumiu a paternidade, mas não é o pai.

Quando digo que você assumiu a paternidade, é uma coisa biológica.
Você não seria necessário - Até uma seringa poderia ter feito isto.
Mas você não é o pai porque não está consciente. não fez um convite,
Não pediu para que uma alma particular entrasse no útero de sua esposa, de sua bem amada, você não trabalhou para isto.

E quando a criança nasce... O que você faz para isso?
Quando diz que a criança deve obedecê-lo, está suficientemente seguro de que sabe a verdade, para que ela o siga? Está suficientemente seguro e certo
de que compreendeu alguma coisa que a criança deve seguir?

Você pode se impor sobre a criança, porque ela é fraca e você é forte. Esta é a única diferença entre vocês dois.Mas você é tão infantil, tão ignorante - ainda não cresceu, não amadureceu.Sente raiva assim como a criança, sente ciúmes como a criança, e se entretém com brinquedos exatamente como ela - seus brinquedos podem ser diferentes, um pouco maiores, mas só isso.

O que é a sua vida? O que você alcançou? Que sabedoria conseguiu para que a criança o siga e diga sim a tudo o que você diz?

Um pai estará consciente disso: ele não forçará nada sobre a criança. pelo contrário, permitirá que a criança seja ela mesma, auxiliará para que ela seja ela mesma. Dará liberdade à criança, porque se ela sabe alguma coisa, tem que saber que o interior só cresce através da liberdade. Se ele experimentou qualquer coisa em sua vida, sabe muito bem que a experiência precisa de liberdade - quanto maior a liberdade, mais rica é a experiência.
Quanto menor a liberdade... não há possibilidade de experimentar.
Se não houver liberdade nenhuma, então você terá experiências imprestáveis, imitações, sombras, mas nunca algo real, nunca o autêntico.

Ser pai de uma criança significa dar a ela liberdade cada vez maior, torná-la cada vez mais independente, permitir que se mova no desconhecido - onde você nunca esteve.Ela o transcenderá, estará à sua frente, ultrapassará todos os limites que você conheceu. Ela precisará ser auxiliada, mas não forçada, porque se você começar a forçar estará matando, estará assassinando a criança.

O espírito necessita de liberdade - Cresce em liberdade e somente em liberdade. Se você é realmente um pai, Sente-se feliz quando a criança é rebelde. Nenhum pai quer matar o espírito da criança.

Mas vocês não são pais. Estão doentes de seus próprios males.
Quando você força uma criança a segui-lo, está simplesmente dizendo que quer dominar alguém. E como você não pode fazer isso no mundo, pelo menos você pode dominar, possuir essa pequena criança. Você está sendo um policial para a criança.
Quer satisfazer certos desejos insatisfeitos através da criança - dominar, ser ditador. Pelo menos pode ser um ditador para a criança; Ela é tão fraca, tão jovem e indefesa, dependente tanto de você, que pode forçá-la a qualquer coisa. Mas pela força você a estará matando. Não estará fazendo com que ela nasça, estará destruindo-a.

E a criança que obedece parece boa - porque está morta.
A que se rebela, parece má - Porque está viva.

Por termos perdidos nossas próprias vidas somos contra a vida.
Por já estarmos mortos antes que a morte tenha chegado, queremos sempre matar os outros. As maneiras são sutis. Você pode matar em nome do amor.
Pode matar em nome da compaixão. Pode matar em nome da manutenção.
Encontramos belos nomes - mas no fundo, está sentado o assassino."

Osho em Meu Caminho, O Caminho das Nuvens Brancas

13 de dezembro de 2015

O Absoluto não pode ser conhecido - Mooji


"O Absoluto não pode realmente ser conhecido.

Ele não pode ser conhecido fenomenalmente, como uma coisa que conhece outra coisa, pois não é um objecto de qualquer espécie.
Ele não pode ser conhecido dessa maneira porque você, você mesmo, é ele.
O núcleo do seu ser é esse Ser Absoluto, absolutamente.


Você tem pensado que você é um tipo particular de pessoa de um determinado país, e que têm meditado e praticado para chegar ao Absoluto. Mas aquele que aparentemente está fazendo todas estas coisas é apenas uma identidade que é criada ou imaginada no Absoluto.
Não é o Absoluto.

O Absoluto, que é a consciência imutável, está por trás de tudo isso.

Na verdade, não está por trás de nada e também não está na frente de nada, não está no meio de nada, nem do lado de fora de nada.
Nenhum destes termos se aplica a Ele.
E, no entanto, não é um mistério.
Se é um mistério, então, para quem é um mistério?
Aquele para quem é um mistério é apenas uma aparência surgindo na consciência pura.
A partir do reino da mente, o Absoluto não pode ser apreendido.
Ninguém pode apreende-lo.

Ser capaz de compreender algo que não está dentro da bolha da mente é quase impossível.
É igualmente difícil para a consciência, que assumiu a forma humana, ser o que é e ver através da ilusão de que não é a forma do corpo, mas pura consciência.
Poderia ser dito ser o maior desafio ou convite na vida: discernir o real do irreal e descobrir sua natureza eterna.

Quando você é guiado por um verdadeiro mestre/professor ou pela graça de Deus/Ser, tudo torna-se sublimemente simples.
Se minhas palavras ressoam em você, então pegue o que acabei de dizer e deixe tudo mais; vá para casa e não deixe ir o que eu lhe disse.

Tudo o que é necessário está encapsulada nestas palavras.
Continue a pensar sobre elas, continue contemplando e elas vão guiar você até em casa e o libertar.
Conforme esta flor for abrindo sua fragrância dentro de você, ela vai explodir com tudo o que não é verdade."

Mooji em Satsang

12 de dezembro de 2015

Água - Monja Coen


"Sua ausência nos faz doentes. E está faltando. Aqui e acolá. Culpa dos céus? Carma de uma área do país que falava mal de outra?

De chuva, de rua, de enchente, de poço, de fosso. De fossa, de bossa, de lágrima, de saliva, de sangue, de pleura. De fonte, de filtro, de beber, de banhar, de purificar, de lavar, de descarga, de piscina. De hospital, de clube, de presídio. De prédio, de casa, de fazenda, de convívio.

Em toda parte, presente. Sua ausência nos faz doentes. E está faltando. Aqui e acolá. Culpa dos céus? Vingança divina? Seria carma de uma área do país que falava mal de outra? Causas e condições. Boas e más administrações. Corretas e incorretas decisões.

Corrigindo o erro é que se aprende. Mais do que perder ou ganhar eleições é saber agir na hora certa para beneficiar o maior número de seres. (...)

Onde está Buda? O que é Buda? Um ser humano da antiguidade? Um estado mental? Uma deidade? Podemos também considerar como a capacidade de ver com clareza e tomar decisões corretas que beneficiem a todos. Decisões que beneficiem apenas um partido, um grupo, uma ideologia, uma forma de pensar não são consideradas decisões iluminadas. A palavra Buda quer dizer isso — o Iluminado, o Desperto.

Há tantos zumbis pela Terra. Como fazer com que despertem, com que acordem e concordem em unir inteligências, capacidades, interesses para o bem comum? Ganância, raiva e ignorância são os três venenos que desviam seres humanos do Caminho. Por isso há tiros, há terror, há assaltos, há facadas, há decepar, mutilar, matar e morrer.

Você pode imaginar um mundo onde não haja nada pelo qual matar ou morrer? Um mundo em que possamos viver em harmonia e respeito, nos interessando por culturas e pensamentos diferentes dos que nos ensinaram em casa, na escola, na rua, no bairro, na cidade, no estado, no país?

Abrir portais de percepção. Não pela droga, para o vício, para a farra e o desperdício. Abrir os portais da mente através da oxigenação das células — respiração correta — para nos percebermos humildes e simples criaturas, que necessitamos uns dos outros e cada um necessita de todos. Sobrevivência em humildade e respeito.

Procuremos o silêncio. Quando falta, há menos verde. Quando excede, há menos verde. Nos olhos do agricultor, a tristeza. Nas feiras, a pobreza. Nas pessoas, a fome. Crianças da África magérrimas. Que dor. Agora sabemos, um pouco, o que é sede, o que é cheiro de corpo sem banho, roupa sem lavar, pia suja — insetos, vermes se divertem.

Vamos cuidar? Sem ofender, sem xingar. Com gestos, palavras e pensamentos amorosos e gratos, inclusivos e castos. Vamos levar adiante a vida do DNA humano? Continue acreditando e criando causas e condições adequadas para que todos nós possamos despertar. E viver em harmonia, compartilhamento e paz.

É possível. Buda disse: "Minha Terra Pura jamais será destruída."
Mãos em prece."

11 de dezembro de 2015

Não cultue, celebre! - Osho


"Este é meu ensinamento: celebração, não a cultuação do devoto, mas a celebração. Quando você se torna um devoto começa a fazer uma hierarquia, onde há o mais alto e o mais baixo. Quando você cultua, você coloca alguma coisa no topo das outras. Quando você cultua, algo se torna sagrado e algo se torna profano...Uma parte de você se torna má e outra sagrada, e existe um conflito e uma repressão constantes. Toda a alegria é perdida. Um cultuador é basicamente alguém doente.

A celebração é uma dimensão totalmente diferente. Quando você celebra, celebra tudo, você não divide. Para um celebrante, uma oração é tão bela quanto beber um chá. O chá não é profano e a oração não é separada da vida. Tudo é um Todo. A igreja, o templo, a mesquita, e o pub são um todo.(...)

A celebração não divide. Ela une, torna as coisas unidas, ela cria um 'estar junto'. A dualidade desaparece e passa a existir unidade e com unidade há alegria, não há como não haver conflito. Não há mais luta, nem nada a ser vencido. O cultuador tem uma meta, e tem que alcançá-la.
O celebrante não tem mais meta, ele já alcançou. 
A cultuação é sempre voltada para o futuro; a celebração para o presente. 
Você celebra esse momento, o cultuador faz reverência a outro momento."
Osho em Eu sou a porta

Hoje o amado Osho estaria completando mais um aniversário.
Deixo aqui a minha sincera homenagem, em profunda gratidão 
por tanta luz, sabedoria, alegria  e amor
compartilhados com milhões de pessoas
ao longo de sua vida...

Hare Om Osho!
Namastê!

Eternity light of a candle



6 de dezembro de 2015

Não deve restar nenhum 'eu' - Swami Vivekananda


"O que chamamos Deus é, verdadeiramente, o Ser, do qual nos havemos separado e a quem adoramos como se estivesse fora de nós; porém, Ele é nosso real Ser, para sempre, o único Deus.

O mundo existe para mim, não eu para o mundo. Bem e mal são nossos servos e não nós servos deles. A natureza do bruto é permanecer onde está. É da natureza do homem buscar o bem e evitar o mal; é da natureza Divina não procurar nenhum dos dois, mas apenas ser eternamente venturoso. Sejamos Divinos! Torne seu coração como um oceano; vá além de todas as ninharias do mundo.

Todo o firmamento é a bandeja votiva de Deus, na qual o sol e a lua ardem como lâmpadas. Que outro templo é necessário? Todas as nossas vidas nos pertencem, como páginas a um livro; porém, somos a Testemunha que não se modifica, sobre a qual as impressões se gravam – como a impressão do círculo, que se forma diante de nosso olhar, ao agitarmos rapidamente um tição de fogo no ar.

Todo o livro está em nós mesmos. 



“Insensato, não podes ouvir? Em teu próprio coração, dia e noite, está sendo tocada aquela Eterna Canção: Satchidánanda, Soham, Soham – Existência, Conhecimento, Paz Perfeita, Eu Sou Isto, Eu Sou Isto! 

A Luz Divina interior se encontra obscurecida na maioria das pessoas. É como uma lâmpada em um barril de ferro: nenhum brilho o pode atravessar. Aos poucos, pela prática da pureza e do não-egoísmo, podemos tornar o ambiente obscuro cada vez menos denso, até que, afinal, se torne transparente como um vidro.


O bem está próximo da Verdade, mas ainda não é a Verdade. Depois de aprendermos a não ser perturbados pelo mal, temos de aprender a não nos alegrarmos com o bem. Devemos descobrir que estamos além do bem e do mal; devemos estudar o modo como se ajustam e compreender que ambos são necessários.

Quando a mente está tranquila , nem bem nem mal podem afetá-la. Seja perfeitamente livre; assim, nenhum deles lhe poderá molestar, e então desfrutará de liberdade e santa alegria. O mal é a cadeia de ferro e o bem a cadeia de ouro. Ambos são cadeias. Seja livre e saiba, de uma vez por todas, que não há cadeias para você. Coloque a cadeia de ouro afim de soltar a de ferro; então, lance fora as duas. O espinho do mal está em nossa carne; apanhe outro espinho do mesmo arbusto para extrair o primeiro, e então, jogue fora ambos e seja livre.

No mundo, tome sempre a posição de quem dá. Dê tudo sem esperar qualquer retorno. Dê amor, dê ajuda, preste serviços, ofereça cada pequena coisa que possa, mas mantenha de fora a idéia de traficar. Não coloque condições e nenhuma lhe será imposta. Deixe-nos oferecer de nossa própria generosidade, tal como Deus nos dá.
O Senhor é o único que dá; todos os outros são apenas comerciantes. Consiga Seu talão de cheques e será aceito em toda parte.
Deus é a inexplicável e inexprimível essência do amor, a ser conhecida e jamais definida.
Em nossas misérias e lutas, o mundo nos parece um lugar terrível. Porém, do mesmo modo que observamos dois cãozinhos brincando e mordendo e sabemos que aquilo, definitivamente, não nos concerne, por compreender que é apenas um jogo e mesmo uma rápida mordida não os poderá machucar, assim todas as nossas lutas são somente uma brincadeira aos olhos de Deus. Este mundo é apenas para brincar e Deus se diverte com isto. Nada nele pode tornar Deus raivoso.

Veja o oceano e não a onda; não diferencie a formiga do anjo. Cada minhoca é irmã do Nazareno. Como pode dizer que um é maior e o outro é menor? Cada qual é grande em seu próprio lugar.

Estamos no sol e nas estrelas tanto quanto aqui. 
O Espírito está além de espaço e tempo, existe em toda parte. Toda boca que louva a Deus é minha boca, cada olho que vê é meu olho. Não nos achamos confinados a nenhum lugar. Não somos o corpo; o universo é nosso corpo. 
Somos magos agitando varinhas mágicas e criando cenas diante de nossos olhos à vontade. 

Somos como aranhas em uma grande teia, correndo pelas várias bordas segundo desejarmos. A aranha está, agora, somente consciente do local em que se acha; mas, a seu tempo, ficará consciente também de toda teia. Nós, do mesmo modo, só estamos conscientes de nossa existência, no local onde se encontra o corpo; podemos usar unicamente um cérebro. Porém, ao alcançarmos supra-consciência, ficaremos conhecendo tudo, e poderemos usar todos os cérebros. Neste mesmo instante, é possível dar um impulso à consciência e ela irá além e atuará em nível supra-consciente.

Estamos nos empenhando em ser e nada mais; não deve restar nenhum “eu”... apenas, puro cristal a refletir tudo, mas ele mesmo sempre igual. Quando este estado for alcançado não haverá mais afazeres; o corpo se tornando um mero mecanismo, puro, sem necessidade de cuidados; não pode mais tornar-se impuro.
Saiba que você é o Infinito e, então, o medo desaparecerá. 

Repita sempre: “Eu e meu Pai somos um!” 

3 de dezembro de 2015

Professores e Mestres - Osho


"Sócrates era um homem sábio, não um homem de conhecimento. Os homens de conhecimento tem respostas seguras, absolutamente seguras, isso é parte de sua estupidez; de fato, só mentes estúpidas podem estar seguras.

A vida é um mistério tão vasto, insondável, incognoscível, que se você for realmente sábio, jamais estará seguro.

A sabedoria é cautelosa. A sabedoria duvida. A sabedoria nunca está segura. Por isso a sabedoria nunca pode ser confinada numa teoria. Todas as teorias são menores que a vida, todas as teorias são estreitas, e a vida não pode caber dentro delas, porque a vida é vasta, tremendamente vasta e infinita. Um sábio só sabe uma coisa: que não sabe. Um homem de conhecimento sabe, e sabe que sabe, e nisso está a raiz da estupidez de um homem de conhecimento.

Segue acumulando ensinamentos que ele mesmo não viveu; e sua memória segue acumulando teorias, palavras, filosofias, nunca tocadas por seu próprio ser. Se converte em uma enorme reserva de conhecimentos; se converte em uma Enciclopédia Britânica, mas é algo morto.

Quanto mais se enche a memória com conhecimentos, menos se vive em seu ser. Quanto mais se penetra na cabeça cada vez mais se converte em numa parte, num fragmento e menos se está unido ao ser enorme, ao universo, a existência. Em um sentido, se torna não-existencial, porque já não é uma parte dessa existência viva, radiante, vibrante. É um fenômeno congelado; já não flui com a vida. É um iceberg, gelado e estancado em alguma parte, aprisionado na cabeça.

Quando a consciência se converte em conhecimento, se congela; quando a consciência se converte em sabedoria, se retorna ao fluxo. Um sábio vive, vive totalmente, mas só sabe uma coisa: que não sabe. Aprender de um sábio é muito difícil, aprender de um homem de conhecimento é muito fácil. Ele pode te dar tudo que sabe, pode transferir o conhecimento de modo muito fácil, e a linguagem é o veículo suficiente. Tudo o que ele acumulou o fez através da mente, através da linguagem; pode ser comunicado facilmente. Um homem de conhecimento é um professor. Pode te ensinar, pode ensinar harmoniosamente coisas que não conheceu em absoluto. É por isso que não se duvida de um homem que sabe. Porque quando um homem sabe, conhece também a polaridade oposta da vida. Quando um homem compreende e sabe realmente, sabe também que tudo está unido ao seu oposto, tudo está encontrando-se e fundindo-se com sue oposto. Nada se pode afirmar em forma definitiva, porque no momento em que se diz algo definitivo, já definiu seu fluxo, já se converteu em um pedaço de gelo, e já não é mais um rio em fluxo. Agora se pode ser acumulado no armazém da mente.

Um homem que não é um sábio não é um professor, pode se um mestre, mas não um professor. Qual é a diferença entre eles?

Um professor está disposto a ensinar, um mestre nunca está disposto a ensinar. Um professor é agressivo, ativo; um mestre é não-agressivo, inativo. Um professor te seguirá e te forçará a levar seus conhecimentos sobre seus ombros. Um mestre espera. Você tem que arrebatá-lo, tens que beber dele. Ele não te seguirá, não te forçará, nem sequer irá bater na sua porta, simplesmente esperará. Poderá beber de seu ser, poderá entrar em seu vazio interno, o palácio interno do seu ser, seu reino interior, mas isso depende de você. Você terá que fazer todo o trabalho. O mestre é apenas uma presença. Se estiver atraído, alcançará sua presença.

Um professor chama, um professor tenta, um professor faz todo o esforço para que você possa compreender. Um mestre simplesmente está aí, aberto, absolutamente aberto para que você entre, mas não faz um gesto sequer. Porque este gesto pode ser agressivo, pode forçá-lo a entrar contra a sua vontade; isso é ruim, isso pode colocá-lo em um caminho errôneo.

Um mestre é uma presença silenciosa. Poderá aprender dele, mas ele não ensinará. Com um professor você será um estudante, existe uma relação, uma relação em ambas as direções; com o mestre só pode ser um discípulo, é só uma direção, você tem que aprender. Se não aprendes, não aprendes; se aprendes, aprendes; mas o mestre é tão feliz com seu próprio ser que não se incomoda. Se aprendes, ele te abençoa; se não aprendes, ele te abençoa; ele é uma bênção.

Não existem exames junto de um mestre, porque para a vida os exames não são possíveis. É tolice se pensar em termos de exames. É por isso que as universidades continuam produzindo gente estúpida. A inteligência não pode ser testada. Não pode haver uma prova para julgá-la. Quando muito pode se avaliar a memória. Quando muito pode se julgar a capacidade de recordar, mas não a capacidade de saber. Um mestre não tem exames. Você entra, aprende e participa. É uma abertura ao vasto ao infinito.

Um homem de conhecimento se converte em professor e milhões de pessoas são atraídas até ele, porque quando aprendes algo, seu ego se sente fortalecido. Muito poucas pessoas são atraídas até um mestre, porque , com um mestre terás que desaprender, com um mestre terás que morrer. Seu ego será destruído completamente. Só então, poderá entrar no templo, no santuário mais profundo do ser do mestre.

Um mestre é um sábio, mas sua compreensão é tão profunda que não poderá compreendê-la. Só poderá vivê-la. Um mestre sabe, mas sabe em profundidade, onde os opostos se encontram, onde a vida e a morte se tornam sinônimos, onde a existência e a não-existência não são opostas, onde todos os rios entram no oceano, nessa profundidade está o mestre.

É difícil compreende-lo porque a compreensão será superficial, e toda compreensão será mais ou menos uma má interpretação. Com um mestre, não tente compreendê-lo. Como vais compreendê-lo? Como vais compreender um fenômeno infinito? Poderá vivê-lo, poderá dissolver-se nele, poderá permitir que se dissolva em ti, isso é tudo o que é possível. É como o amor, não poderá compreender o amor. Seus caminhos são misteriosos. Não poderá compreendê-lo, não poderá prendê-lo em suas teorias. Existem milhares de definições, mas o amor ainda segue sem definição e nunca será definido. Sempre que se define, sente-se que falta algo. Este algo sempre faltará, porque esse algo é a profundidade. Uma definição não pode transmitir a profundidade, só pode estar na superfície.

Um sábio vive na profundidade, um sábio vive no centro; um homem de conhecimento vive na circunferência. Só há uma forma de alcançar um sábio, terás que que chegar ao seu próprio centro. De centro a centro é uma comunhão com um sábio."

Osho em Los tres tesoros

1 de dezembro de 2015

Não culpa e não perdão - Lama Padma Samten


"Antes mesmo do perdão existe a não-culpa. 

O perdão é um pouco perigoso no sentido de que ele aponta para alguém que 
está sendo perdoado. Enquanto que a culpa também aponta para alguém. 

Mas nós compreendemos a inexistência do sentido absoluto da identidade, aí não faz sentido apontar nem culpas, nem perdão. 

Nossa natureza é livre, basta refazer os votos. 

A culpa é um aspecto ilusório, construído, luminoso, como os aspectos todos do Samsara. Significa nós tomarmos algo particular como uma ação e identificarmos a pessoa ou a identidade a partir disso. Naturalmente a pessoa não é isso, a pessoa é uma condição de liberdade, não é uma condição de prisão. 

Pergunta: O que o Lama sugere quando nos culpamos por algo que
fizemos e ficamos envoltos pelo sentimento de culpa, remoendo esse sentimento? 

Lama Padma Samten: A pessoa precisaria olhar para si mesma com compaixão. A culpa significa um auto-interesse, ou seja, a pessoa gostaria de ter uma manifestação correta, mas não tem, então ela se avalia desse modo, culpando-se. A culpa está associada a uma visão. 

A pessoa olha para si mesma e é como se tivesse um nível de orgulho também, pois a pessoa gostaria de manifestar aquilo tudo certo, não conseguindo ela lastima que tenha feito aquilo, ela não tem como apagar aquilo que foi feito, então ela arde por dentro com essa culpa. 

É preferível que tenha compaixão por si mesma, que tenha compaixão pelos outros, que tenha apreciação por suas próprias qualidades positivas que pode manifestar, apreciação pelas qualidades positivas que os outros podem manifestar também. 

Quando a pessoa manifesta isso, a culpa desaparece. O caminho mais rápido, se (não lembrar de tudo isto), é a lembrança das qualidades positivas que temos. Nós dizemos: ainda que eu tenha feito coisas negativas, não é isso que eu aspiro, eu aspiro fazer coisas positivas; as pessoas se enganam e se atrapalham e fazem coisas negativas e eu também, mas eu tenho qualidades positivas, eu não preciso ficar preso nisso, eu posso fazer coisas boas."
Related Posts with Thumbnails