31 de outubro de 2012

Vida meditativa - Neale Walsch

"Lembre-se: o silêncio mantêm os segredos, portanto, o som mais doce é o som do silêncio. 

Essa é a canção da alma.

Alguns escutam o silêncio na oração, outros cantam a canção em seu trabalho, alguns procuram os segredos na contemplação tranquila. Quando se alcança a maestria, os sons do mundo se apagam, as distrações se aquietam.

Toda a vida se transforma em meditação.
Tudo na vida é uma meditação na qual se pode contemplar o Divino e vivendo dessa forma, aprendemos que tudo na vida é bênção. Já não há luta, nem dor, nem preocupação. Só há experiência.

Respira em cada flor, voa com cada pássaro, encontra beleza e sabedoria em tudo, já que a sabedoria está em todos os lugares onde se forma a beleza.
E a beleza se forma em todas as partes, não há que procurá-la, porque ela virá a ti. Quando ages nesse estado, transformas tudo o que fazes numa meditação e assim, num dom, num oferecimento de ti para tua alma e de tua alma para o Todo.

Ao lavar os pratos desfruta do calor da água que acaricia tuas mãos.
Ao preparar a ceia sinta o amor do universo que te trouxe esse alimento e, como um presente teu ao preparar essa comida, derrama nela todo o amor de teu ser.
Ao respirar, respira longa e profundamente, respira lenta e suavemente, respira a suave e doce simplicidade da vida, tão plena de energia, tão 
plena de amor.

É amor de Deus o que estás respirando....
Respira profundamente e poderás senti-lo.
Respira muito, muito profundamente e o amor te fará chorar... de alegria.
Porque conheceste teu Deus e teu Deus te presenteou com tua alma.

Faz da tua vida e de todos os acontecimentos uma meditação.

Caminha na vigília, não adormecido.

Sempre és Um com Deus, sempre és bem-vindo à casa.
Porque teu lar é Meu coração e o Meu é o teu.
Neale Donald Walsch

29 de outubro de 2012

Abrindo-se ao Divino - Sri Aurobindo

"Para aqueles que desejam viver a vida espiritual, o Divino deve vir sempre em primeiro lugar, todo o resto é secundário.

A Verdade para você é sentir o Divino em você, abrir-se a Mãe e trabalhar para o Divino até que você esteja consciente dela em todas as suas atividades. 
Deveria haver a consciência da presença divina em seu coração e a guia divina em seus atos.

Livrar-se inteiramente do desejo demora muito tempo. (...)
Você precisa ir bem para dentro de você e entrar em uma completa dedicação à vida espiritual. Toda adesão a preferências mentais deve ser abandonada, toda insistência em objetivos e interesses e apegos vitais deve ser afastada, toda ligação egoísta a família, amigos, país, deve desaparecer se você quer ser bem sucedido no Yoga.

É necessário observar e conhecer os movimentos errados em você; pois eles são a fonte de suas dificuldades e têm que ser persistentemente rejeitados se é para você ser livre. O mundo vai atrapalhar você enquanto alguma parte de você pertencer ao mundo. É somente se você pertencer inteiramente ao Divino que você pode tornar-se livre.

Os caminhos do Divino não são como os da mente humana ou de acordo com os nossos padrões, e é impossível julgá-los ou estabelecer para Ele o que 

Ele deve ou não deve fazer, porque o Divino sabe melhor do que nós podemos saber.Não impor sua mente e vontade vital ao Divino mas receber a vontade do Divino e segui-la é a verdadeira atitude na sadhana... Dar-se, entregar-se e receber com alegria tudo o que o Divino dá, e não se afligindo ou revoltando, é o melhor caminho. Então o que você receber será a coisa certa para você.

Não importa que defeitos você possa ter em sua natureza. A única coisa que importa é você se manter aberto à Força. Ninguém pode se transformar por seus próprios esforços sem qualquer ajuda; é somente a Força Divina que pode transformá-lo. Se você se mantém aberto, todo o resto será feito por você.

Abandonar o esforço pessoal não é o que lhe é pedido, mas chamar cada vez mais pelo Poder Divino e através dele governar e guiar o esforço pessoal.

Se há dificuldades, tropeços ou falhas, deve-se olhar para eles quietamente e chamar para dentro tranqüila e persistentemente a ajuda Divina para removê-los, mas não se permitir ficar transtornado ou angustiado ou desencorajado... a mudança total da natureza não pode ser feita em um dia.

Tudo o que resiste desaparecerá no tempo certo com o progressivo desabrochar da natureza espiritual.

Ser inteiramente sincero significa desejar somente a Verdade Divina, entregar-se cada vez mais à Mãe Divina, rejeitar toda exigência e desejos 
pessoais diferentes desta única aspiração, oferecer cada ação na vida ao Divino e fazer isto como o trabalho dado, sem introduzir o ego. Esta é a base da vida divina.

Fixe em sua mente e coração a resolução de viver para a Verdade Divina e para isto somente; rejeite tudo que é contrário e incompatível com isto e 
afaste-se dos desejos mais baixos; aspire por abrir-se ao Poder Divino e nenhum outro. Faça isso com toda sinceridade e a ajuda presente e viva de 
que você precisa não lhe faltará.

O supraconsciente é o verdadeiro fundamento, e não o subconsciente. Não é analisando-se os segredos da lama de onde nasce a flor do lótus que 
explicamos sua existência. O segredo da flor do lótus está no arquétipo divino que floresce para sempre nas alturas, na luz.

Pureza é aceitar nenhuma outra influência a não ser a influência do Divino. Dentro do coração existe um centro de Consciência, e dentro dele 
você pode enxergar o mundo inteiro. "
Sri Aurobindo - Ensinamentos

27 de outubro de 2012

Aquilo que Permanece - Papaji

"Pergunta: O que é liberação?

Papaji: Liberação é conhecer sua própria e fundamental natureza, seu próprio Ser. Nada mais! 
Liberação é a coisa mais fácil de se obter. 
Você não precisa nem pensar..!

Pergunta: E o que é este 'Ser'?

Papaji:  Isso é indescritível. Não é intelectual e nem mesmo transcendental. Pense naquele único sem nem mesmo o conceito de segundo. Então, descarte também este conceito de Um!

Pergunta:  Papaji, você com frequência fala de 'entrega'...mas, entregar-se aquê?

Papaji:  Àquela Fonte através da qual você fala, através da qual vê, respira, experimenta e toca, através da qual a Terra gira e o Sol brilha, e pela qual você pode fazer esta pergunta. 
Tudo acontece por meio desta Consciência, na qual, mesmo o 'vazio' está 
alocado. 
A este Supremo Poder que se encontra além do além - seu próprio Ser - a ele você deve se entregar.

Pergunta: Esta Consciência, a qual você se refere, é eterna, sem nascimento e sem morte?

Papaji: A Consciência está além de conceitos de nascer ou morrer, até mesmo além dos conceitos de eternidade ou de vazio ou de espaço. 
Aquilo em que se acham acomodados o espaço, o vazio e a eternidade é 
chamado de Consciência, em cujo interior tudo tem existência.

Pergunta:  Mas, ainda assim nascimento e morte continuam aparentes!

Papaji:  Sim, criação e destruição acontecem sem cessar. Todas estas manifestações são como borbulhas e ondulações sobre o oceano.

Deixe que prossigam...o oceano não as vê como separadas.
As borbulhas, as ondulações e as grandes ondas - podem parecer a si mesmas como separadas, mas o oceano não é perturbado com isso... 

Deixe que se movimentem sobre ele, que tenham diferentes formas e diferentes nomes, deixe que surjam e que desapareçam. 

Você é aquilo que brilha através de todas as modificações.
A Consciência permanece inalterada."
Papaji em Satsang

26 de outubro de 2012

Ser Presença - Gilbert Shultz

"No espaço de saber - que é o que você é – mantenha seu ser autentico. 
Ele é claro, aberto e natural. 

Não há nada lá, exceto sua própria e verdadeira natureza. 

Assim, não há nada lá para se temer. Pensamentos vêm e vão. Você não é um pensamento. 
Sem um pensamento, você não desaparece. Quando a mente está clara e vazia, você não desaparece.
Esses pontos são significantes, e ainda assim são fatos simples.

Você não desaparece porque O QUE você verdadeiramente é está sempre invisível. Quando você era jovem, o corpo era o corpo de uma criança. Agora o corpo mudou. Você é o mesmo em essência. De fato você não mudou nada em seu verdadeiro ser essencial.

Veja se você pode descobrir o que é isso. 

O ego teme a morte. Ele é apenas não-ser. O ego não tem nenhum 
ser. Ele é simplesmente uma série de imagens e pensamentos que aparecem na mente. Ele toma emprestado o conceito de SER e parece estar vivo. Ela 
não tem nenhuma vida por si mesmo.

Esses pontos são significantes para um claro entendimento da situação. Eles podem ser impalatáveis – mas esses pontos não podem ser ignorados se é para acontecer a transcendência das fixações. 

Medo do não-ser é apenas uma fixação na mente – nascida na mente como um conceito e um apego aos estados corporais e a auto-imagem.

Estados emocionais surgem de uma mente fixada. Nenhum deles dura. Todos eles desaparecem sem exceção. 

Contudo você sempre permanece. 

Quando foi que você não esteve bem aqui e agora? 

As circunstancias estão sempre aparecendo como mudanças dentro delas mesmas e ainda assim você permanece presente mesmo quando você pensa que você foi para o passado ou para o futuro.

Você não pode estar em nenhum outro lugar exceto aqui 
e agora – porque . . .
ISSO é tudo o que É e ISSO é tudo o sempre SERÁ.

Pensamentos e estados emocionais fazem todo o drama da vida PARECER substancial. Nem mesmo um pedacinho deles permanece.
Tudo aparece e desaparece. Onde estão os dramas do ano passado agora? 

Sua total segurança está em simplesmente estar presente ‘ao que é’. De fato não há nada em que se apegar. Não há nenhuma segurança objetiva fixa.

Se você pára tudo por um momento, é possível ver que esse espaço do agora – o espaço de saber – é claro e vazio.
Essa presença do que é não pode ser evitada nem dela se pode escapar porque ela é tudo o que sempre É."
Gilbert Shultz em A Invisibilidade do próprio Ser

25 de outubro de 2012

Compreendendo a Paciência - Osho

"Pergunta – Amado Osho, qual é a essência da paciência?

A paciência tem sido explorada pelas pessoas. Há séculos temos a pobreza, e os povos foram aconselhados a apenas serem pacientes – “É um teste de sua confiança em Deus”. 
A eles foi apenas dito que fossem pacientes, que “é apenas uma questão de alguns anos e então vocês adentrarão o paraíso”.

A paciência tem sido usada como parte da exploração de povos em todas as áreas, mas ela é uma linda qualidade. 
Ser paciente, para mim, significa confiança – confiança na natureza, na existência, em você mesmo. 
As coisas estão melhores a cada dia; o que quer que aconteça, a sua paciência encontra algo melhor para você. É uma alquimia muito grandiosa; transforma sofrimento em bênção. 

É um grande instrumento em suas mãos; você apenas precisa entender que o instrumento deve ser usado por você, e não pelos outros sobre você.
Há mudanças constantes na vida – a vida é um fluxo. 

Heráclito diz: “você não pode pisar duas vezes no mesmo rio”. Eu digo a você: “você não pode pisar nem mesmo uma vez no mesmo rio”. O rio está continuamente se movendo. Há altos, há baixos, há dias e há noites. 

A paciência consiste em ver as coisas de forma que tudo se torne uma alegria para você.
Por exemplo, você pode pensar que todos os dias foram encapsulados entre duas noites escuras. Isto lhe trará miséria e tristeza: “oh, que vida, apenas um pequeno dia, e duas grandes noites escuras”. Um homem de entendimento verá cada noite como tão pequena entre dois lindos dias ensolarados.

A vida é a mesma – é a sua perspectiva que muda.
Há pessoas que não olharão para as rosas, e sim para os espinhos. Elas sentirão profundo desespero pelo fato de a existência não produzir rosas sem espinhos, mas estarão prestando mais atenção aos espinhos do que às rosas. Um homem de entendimento amará a rosa, e enxergará o espinho como a proteção da flor. 
A mesma roseira está fornecendo seiva a ambos – à rosa e ao espinho. O espinho deve ter alguma função natural. Sua função é proteger a rosa – é um soldado, um guardião.

Uma vez que você veja a vida de um ângulo diferente, seu coração começa a pulsar de um jeito diferente. 

Tudo pode ser visto com olhos negativos, e há pessoas que pensarão em tudo desta forma. Elas se tornarão bons críticos, mas serão grandes fiascos na vida. Mas há uma maneira de se ver a vida com olhos positivos.

Eu estava visitando um palácio em Jaipur, na Índia. Jaipur é uma das cidades mais lindas do mundo; o homem que a estava criando, Maharaja Jai Singh, queria superar a beleza de Paris, mas morreu antes de completar o projeto. Então, Jaipur se tornou uma cidade incompleta, mas possuidora de tremenda beleza. 
Nenhuma outra cidade indiana possui esta sua qualidade.
No palácio, o neto de Maharaja, que agora tomou o lugar do avô, disse-me: “por favor, não repare se você vir alguma coisa incompleta no palácio”.
Eu disse: “qual o problema”?
Ele disse: “Meu avô tinha uma certa visão de que nada deveria ser feito completo, porque se fosse, teria um certo ar de morte. As coisas deveriam permanecer incompletas, pois assim têm a possibilidade de crescimento. E por coincidência, ele não pôde completar Jaipur; ele morreu. 

Esta foi a filosofia de toda a sua vida: ele nunca fez nada completo. Alguma coisa sempre estará faltando, e as pessoas que enxergam com olhos negativos imediatamente notam a coisa que está faltando. O palácio como um todo é tão lindo, mas toda a preocupação destas pessoas se concentra na pequena pedra que está faltando, e elas ficam frustradas.”

Talvez Maharaja Jai Singh tinha algum entendimento da vida.

Na vida nada é perfeito, tudo tem alguma imperfeição. Imperfeição significa que a vida ainda está se desenvolvendo, que a evolução ainda está acontecendo. 
O dia em que tudo estiver completo será o pior dia da existência, pois neste dia tudo se tornará morto. Não haverá crescimento, não haverá necessidade de evolução; tudo estará confinado. Não olhe para as imperfeições; olhe para a tremenda beleza que circunda as pequenas imperfeições.

É uma mudança de perspectiva que traz paciência a você. Então você entende que tudo é bom, e que tudo será ainda melhor, pois há séculos vem se tornado melhor e melhor. 

Não há necessidade de se preocupar com o amanhã; amanhã será melhor. A existência toda está engajada em melhorar a si mesma. Você apenas tem de ser um pouco paciente; você não deve ter pressa. 

Você não deve pedir que tudo lhe seja dado agora.
Tudo vem no tempo certo.
Tudo vem quando você está maduro.
Tudo vem quando você merece. Esta é a minha experiência.
Nos últimos trinta anos eu não senti, nem mesmo por um único momento, nenhuma impaciência, e testemunhei que tudo segue se tornando melhor e melhor. 
A própria existência está envolvida neste processo; somos parte dela, não há motivos para se preocupar. Mesmo algo que parece escuro hoje pode se revelar apenas o começo de uma nova aurora. 
A noite é mais escura logo antes do amanhecer.
Apenas observe a vida. Tente entender a vida, e a paciência virá até você por conta própria."
Osho em O Livro dos Segredos III

24 de outubro de 2012

Rafi em busca de Deus - Conto Zen

"Rafi percorreu por muitos anos em busca de Deus...
Se Deus existia, queria encontrá-lo. Senti-lo em seu coração.
Conheceu muitos lugares sagrados. Viveu com pessoas que oravam a Deus o dia inteiro; outras que entoavam cantos sagrados a Ele, outras que 
dançavam para Ele, outras que jejuavam ...

Mas, nunca sentira a real presença de Deus em seu ser.

Um dia, ao entardecer, cansado de tanto procurar por Deus, sentou-se à beira do rio e se pôs a chorar.
Um choro longo e profundo. Próprio daqueles que tiveram suas esperanças 
fortemente ameaçadas pela força contrária a sua vontade.

Perguntava-se, entre soluços, como fora possível tantos anos de estudos, meditações, jejuns, danças...e nunca ter sentido a presença de Deus em seu ser.
E agora? O que iria fazer? O que iria buscar?
Não, não havia mais nada a ser buscado...
Deus também não estaria lá.
Estava esgotado...
Chorou tanto que acabou adormecendo ao lado do rio.

Em seu sono profundo, um sonho, um belo e raro sonho...
Estava dormindo à beira do rio e acordou de repente com a presença de uma pequena luz azul.
Esta luz pairava feito paina a sua frente e Rafi pôde sentir, pela primeira vez em sua vida, um sentimento diferente, puro e luminoso.

Rafi levantou-se, secando as lágrimas que ainda persistiam e sentiu aquela luz o envolvendo mansamente.

Rafi sentiu uma enorme paz em seu ser e aos poucos pôde ouvir uma voz serena vinda daquela luz bem próxima aos seus ouvidos, ao seu coração...

E esta lhe falava: Se choras por mim, sentirás dificuldade em me encontrar.
O único caminho para chegares até mim é através da tua alegria, do teu coração aberto, da tua paciência e da tua fidelidade.
Sendo assim, passas a permitir que eu floresça pouco a pouco nos campos do teu coração. É preciso amar os caminhos que te conduzem até mim 
com todas as suas lentidões, com suas mudanças repentinas, com seus desvios, sem apressá-lo...
Eu desconheço o tempo, mas conheço cada fio de luz que te compõe.
Viver na Minha Presença significa engrenar no ritmo que move todas as coisas do Céu e da Terra para assim, aprender a desfrutar de cada instante.
Tu és a Minha Criança!
Protege-te docemente, descansa teu ser, que te cuido Eu.
Ter fé é viver o grande no pequeno.
Até o grande carvalho, um dia, foi suavíssima penugem.
Saiba que aprecio muito mais a fidelidade às coisas pequenas, que estão ao teu alcance, do que as grandes que de ti não dependem.
Relaxa teu espírito, Eu estou contigo.
Sê humilde em tuas aspirações e encontrarás tudo de que necessitas para que não duvides da Minha Presença em teu ser.

Rafi chorava sem cessar.
Seu coração fora tocado fortemente.
Sim, aquela luz era Deus a lhe falar!
És a minha criatura, que tanto amo.
Encerra tua dor, pois me tens contigo eternamente.
E assim, a luz desceu silenciosa sobre as mãos de Rafi.
Quando Rafi acordou, já era noite.

Sentia o aroma doce das águas do rio.
A noite era fresca e a lua mansa brilhava no céu.
Lembrou-se do seu sonho e quando viu, uma pedra, pequena e azul ainda brilhava em suas mãos."
Rafi e a Pedra azul - Conto Zen

22 de outubro de 2012

Sobre a meditação - Pema Chödron

"Meditação é ver claramente o corpo que temos, a mente que temos, a situação doméstica que temos, o trabalho que temos, e as pessoas que estão em nossas vidas. 

É ver como reagimos a todas essas coisas. É ver nossas emoções e pensamentos simplesmente como são agora, neste exato momento, neste exato lugar, neste exato assento. 

Não tem a ver com tentar fazer algo ir embora, nem tentar se tornar melhor do que somos, mas ver claramente com precisão e gentileza. (…)

Isso não é um projeto de aprimoramento; não é uma situação em que você tenta ser melhor do que você é agora. Se você tem um temperamento ruim e você sente que agride a si mesmo e aos outros, você pode pensar que sentando em meditação por uma semana ou um mês fará seu temperamento ruim acabar — que você será aquela pessoa doce que você sempre quis ser. 

Que nunca mais uma palavra dura irá sair dos seus lábios de lírio branco. O problema é que o desejo de mudar é fundamentalmente uma forma de agressão contra si mesmo. 
O outro problema é que nossos curtos circuitos, felizmente ou infelizmente, contém nossa riqueza. 
Nossas neuroses e nossa sabedoria são feita do mesmo material. Se você jogar fora sua neurose, você também vai jogar fora sua sabedoria. Alguém que é muito agressivo também tem muita energia; aquela energia é o que enriquece. É a razão pela qual as pessoas amam aquela pessoa. 

O objetivo não é tentar se livrar da sua raiva, mas de fazer as pazes com 
ela, de ver claramente com precisão e honestidade, e também de ver com gentileza. Isso significa não julgar você mesmo como uma pessoa má, mas também não forçar a si mesmo dizendo que “é bom que eu esteja com raiva deles” o tempo todo. 
A gentileza envolve não reprimir a raiva mas também não atuar com ela. É algo muito mais sutil e mais coração aberto do que isso. Envolve aprender como, assim que você perceber totalmente o sentimento de raiva e o conhecimento de quem você e do que você faz, de soltar e deixar ir. 

Você pode se soltar da rotineira historinha ridícula que acompanha a raiva e pode começar a ver claramente como você mantém a coisa toda acontecendo. 

Por isso, seja raiva ou desejo ou ciúme ou medo ou depressão – o que quer que seja – a idéia não é de tentar se livrar disso, mas de fazer amizade com isso. 

Significa conhecer isso completamente, com um tipo de suavidade, e aprender como, uma vez que você experimentou isso inteiramente, deixar ir.”
Pema Chödron em The Wisdom of No Escape

21 de outubro de 2012

Totalidade - Tony Parsons

"Tudo o que existe é Totalidade. . . energia sem limites aparecendo como tudo. . . o céu, as árvores, os sentimentos, os pensamentos, o que for. 

É o mistério de nenhuma coisa ao mesmo tempo ser tudo.

Não há nada além do todo sem limites, porém, e porque é livre, ele pode parecer estar separado de si mesmo. . . pode parecer ser a estória de mim. Não há nada certo ou errado nesta aparência, que é plenitude aparentemente acontecendo.

A energia contraída parece surgir no ser humano e cria um senso de separação, da qual surge um senso único de identidade. . . uma consciência de si mesmo. O eu nasce e a estória de mim parece começar. O mim é a história e a história é o mim, e um não pode existir sem o outro. Ambos só aparecem e funcionam numa realidade subjetiva e objetiva dualista. Tudo parece ser experimentado pessoalmente como uma série de eventos em tempo real, acontecendo a um verdadeiro mim. Dentro dessa estória do tempo, o propósito da viagem e a livre vontade e escolha parecem ser reais.

Esse senso de separação não é apenas uma idéia, um pensamento ou uma crença. É uma energia contraída incorporada a todo o organismo que influencia cada experiência. Como conseqüência o mim experiencia uma árvore, o céu, uma outra pessoa, um pensamento ou um sentimento através de um véu de separação. É como se o pesamento mim fosse alguma coisa e todo o resto fosse um monte de outras coisas diferentes acontecendo comigo. 

O que surge deste senso de remoção é um sutil sentimento de insatisfação. Um sentimento de que algo está perdido ou escondido.

Para a maioria das pessoas esta sensação de insatisfação não é tão aparente, e porque acreditam que são indivíduos com livre arbítrio e poder de escolha eles parecem motivados a tentar criar uma história de sucesso. . . bons relacionamentos, boa saúde, riqueza, poder pessoal ou qualquer outra coisa.

No entanto, para alguns há uma maior sensibilidade para algo mais que parece estar faltando. Este sentimento gera o desejo de uma sensação mais profunda de preenchimento. Pode ser uma investigação sobre religião, terapia ou o significado da iluminação. Porque o mim se convenceu de que ele tem meios para influenciar a sua história, ele também assume que pode encontrar um preenchimento mais profundo através de sua própria escolha, determinação e ação.

O mim pode, por exemplo, ir a um pregador ou um terapeuta ou um instrutor de iluminação a fim de encontrar o que ele acha que precisa.

Muitas vezes, porque o mim sente que perdeu alguma coisa, pode haver um sentimento de inadequação, então ele acha que o aprendizado atenderá a necessidade de fazer algo que traga uma transformação pessoal. 

Tornar o mim digno e compensador. Toda esta atividade aparentemente acontece dentro da estória de mim, que funciona numa realidade artificialmente dualista. Então o mim está procurando no finito o que é infinito. É uma coisa a procura de outra coisa, e o que ele realmente almeja permanece inalcançável por já ser tudo. É como tentar apanhar o ar com uma rede de borboleta. Não é difícil, é maravilhosamente impossível. A futilidade essencial da busca inevitavelmente resulta na sensação de um mim que se sente ainda mais desprezível e separado.

No entanto, na atividade de busca podem dar-se experiências, ao longo do caminho, que encorajem o mim a investigar além e tentar mais. 
A terapia pessoal pode trazer uma sensações de equilíbrio pessoal nas estórias. Práticas como a meditação podem trazer um estado de paz ou silêncio. A auto-indagação pode trazer uma experiência aparentemente progressiva de compreensão e reforçada consciência. Mas para a consciência funcionar é preciso algo à parte, para seja realização. 

A consciência simplesmente alimenta a separação, e um estado de desapego pode surgir e ser confundido com iluminação. Todos estes estados vão e vêm dentro da história do mim.

A base de todos os ensinamentos para se tornar iluminado é a idéia de que uma mudança de crença ou experiência pode levar a um conhecimento pessoal da unidade, auto-realização ou de descobrimento da verdadeira própria natureza. Todo o investimento em um caminho de aperfeiçoamento prossegue alimentando a estória do mim em alcançar algo. 

Mesmo a sugestão de entrega pessoal ou a aceitação pode ser inicialmente atraente e trazer um estado satisfatório. . . momentâneo. 

Existem muitos dos chamados "ensinamentos" não-dualistas que alimentam a história do mim em tornar-se liberado.

No entanto, a unidade que se almeja é sem limites e livre. Não pode ser compreendida ou mesmo abordada. Nem há qualquer coisa que precise ser feito ou mudado, ou feito melhor, do que aquilo que já é tudo.

A experiência do mim pode ser muito convincente porque "o mundo" em que este vive parece ser dominado por vários "mins" em várias estórias. Mas a arquitetação de mim é inconstante e não tem nenhum fundamento. Toda a estória de mim é apenas uma dança de totalidade que é sem significado ou propósito.

Uma exposição profunda e intransigente da arquitetação artificial da separação e da história de mim pode aliviar as limitações que a mantêm bloqueada e revelar como a busca só pode reforçar o dilema. A aparente sensação de separação, no entanto, é em sua essência uma energia tão fortemente contraída que nenhum grau de clareza conceitual jamais vai desfazer.

Quando há uma abertura para a possibilidade do que está além da busca de si mesmo, então parece que a energia contraída pode evaporar-se na liberdade sem limites que ela já é. E esta ainda é apenas uma outra estória que tenta apontar e descrever um paradoxo total. . . o aparente fim de algo que nunca foi real. . . a estória de mim.

Tudo o que há, é liberdade sem limites."
Tony Parsons em Satsang

20 de outubro de 2012

Trabalho e Amor - Gibran

"Quando trabalhais, sois uma flauta através da qual o murmúrio das horas se transforma em melodia.

Quem de vós aceitaria ser um caniço mudo e surdo quando tudo o mais canta em uníssono? 

Sempre vos disseram que o trabalho é uma maldição, e o labor, uma desgraça. 
Mas eu vos digo que, quando trabalhais, realizais parte do sonho mais longínquo da terra, desempenhando assim uma missão que vos foi designada quando esse sonho nasceu. 

E, apegando-vos ao trabalho, estareis na verdade amando a vida. 
Disseram-vos que a vida é escuridão; e no vosso cansaço, repetis o que os cansados vos disseram. 
E eu vos digo que a vida é realmente escuridão, exceto quando há um impulso. 
E todo impulso é cego, exceto quando há saber. 
E todo saber é vão, exceto quando há trabalho. 
E todo trabalho é vazio, exceto quando há amor. 
E quando trabalhais com amor, vós vos unis a vós próprios e uns aos outros, e a Deus. 
E que é trabalhar com amor? 
É tecer o tecido com fios desfiados de vosso próprio coração, como se vosso bem-amado fosse usar esse tecido. 
É construir uma casa com afeição, como se vosso bem-amado fosse habitar essa casa. 
É semear as sementes com ternura e recolher a colheita com alegria, como se vosso bem-amado fosse comer-lhe os frutos. 
É pôr em todas as coisas que fazeis um sopro de vossa alma.

O trabalho é o amor feito visível. 
E se não podeis trabalhar com amor, mas somente com desgosto, melhor seria que abandonásseis o vosso trabalho e vos sentásseis à porta do templo a solicitar esmolas daqueles que trabalham com alegria.

Pois se cozerdes o pão com indiferença, cozereis um pão amargo, que satisfaz somente a metade da fome do homem. 
E se espremerdes a uva de má vontade, vossa má vontade destilará no vinho o seu veneno.

E ainda que canteis como os anjos, se não tiverdes amor ao canto, tapais os ouvidos do homem às vozes do dia e às vozes da noite."
Poema de Kahlil Gibran

19 de outubro de 2012

Verdade e Beleza - Robet Happé

"Vivemos atualmente em uma era de mudanças que está transformando literalmente cada aspecto de nossas vidas.

É altamente recomendável que sejamos flexíveis e abertos a novas possibilidades.

As experiências que se apresentam a cada um de nós precisam ser vivenciadas, para que possamos desenvolver uma versão mais leve e refinada de nós mesmos.

A criação existe por causa do trabalho duro que cada indivíduo faz para melhorar a si mesmo e ao mundo à sua volta.
Viver não é estar em conflito e em competição com os outros. 
Esta é uma visão falsa da vida.

Viver é uma evolução de si mesmo para vir a ser aquele amor que buscamos nos outros.
É amor sem expectativas.
A vida em si é uma experiência espiritual. E espírito é amor!

Quando permitimos que os medos em nossa mente controlem o coração, não conseguimos mais enxergar claramente, e nossas expressões se tornam poluídas pelo medo ao invés de amor.

Isso gera confusão, é claro, mas ao mesmo tempo criar um anseio por um retorno ao amor.
Tal anseio é interpretado como saudade e, de fato, trata-se da voz da sua alma estimulando a mente em desenvolvimento a confiar que o amor não conhece o medo.

Quando nossos pensamentos se tornam mais amorosos e úteis, quando reconsideramos os valores do nosso coração e espírito, quando passamos a ser aquilo que esperamos que os outros sejam, então o sol no coração 
irrompe, afastando as nuvens do medo presentes na mente.

Quando passamos por essas experiências e aprendemos suas respectivas lições, depositamos finalmente a confiança em nós mesmos e deixamos que o amor nos guie.
O amor é nossa casa e no amor não há separação.
O processo de crescimento até este nível de consciência implica no abandono de infantilidades e de crenças simplistas e ingênuas às quais tantas 
pessoas se apegam.

A questão é discernir a verdade e a beleza de todas as coisas. 
Quando sabemos a verdade, logo reconhecemos as trivialidades e armadilhas que as forças das sombras colocaram no nosso caminho para impedir nosso processo de crescimento.

Foi-nos dado a escolha entre servir às sombras que se expressam através do controle, da desonestidade e do medo, ou a luz que se 
expressa através do amor, da sabedoria e da responsabilidade.

Aqueles que despertam ao ponto de entenderem que há uma escolha encontram-se na viagem de volta à compreensão plena.

Eles confiam em seus sentimentos e sabem intuitivamente o que tem valor.

Há um poder silencioso no fundo de nós que nos conecta à nossa essência espiritual.

Quando abrimos conscientemente nossas mentes a esta força divina, somos guiados a nos unirmos ao todo da vida e logo compreendemos por nós mesmos nosso verdadeiro propósito neste planeta incrível."
Robert Happé

18 de outubro de 2012

Gratidão - Jeff Foster

"Seu desejo mais profundo já foi cumprido, e você foi o último a saber. 

Tudo o que você sempre desejou já está presente, aqui e agora - que é o último lugar que você olharia. 

O milagre para acabar com todos os milagres está acontecendo, e é neste momento exatamente como ele é. Sim - isso, isso é a graça. 

Cada respiração. Cada sensação. Cada som. Aquilo que já foi permitido. Isso que não pode ser bloqueado. 

Mesmo a dor, mesmo o tédio, até o mesmo desespero, todas as ondas indesejadas e mal-amadas da experiência humana, estão finalmente autorizadas a inundar no espaço onde "você" não é, e nunca foi. E o paradoxo é este: nada disso pode tocá-lo mais, nem mesmo a maior dor. E, no entanto, você experiencia tudo isso, você sente tudo mais intensamente do que jamais antes, incapaz de bloquear, incapaz de se afastar. 

Quem iria se afastar, e de quê? Esta é a vida em sua plenitude, sem reservas.

Então, o que resta a não ser simples gratidão? 

Gratidão pelo fato de que nada jamais aconteceu. E se nada acontecer de novo, saiba isto, caro amigo - você esteve aqui para testemunhar o milagre da vida. 

Você o conheceu. 
Provou disso. 
O sentiu. 
O viu. 
O reflexo de uma lua minguante na janela de um carro. 
O sabor da água.
A fragrância do algodão. 
As profundidades silenciosas da meditação. 
A intensidade feroz do medo. Tem sido o suficiente. 

Oh, tem sido mais do que suficiente. Tem sido muito, realmente. Muita graça.

assim o eu separado afastou-se, e procurou por mais, em busca de um futuro que nunca vem, e não pode vir. 

Você só foi buscar a si mesmo..."
Jeff Foster em Gratidão

17 de outubro de 2012

A Paz é Consciência...

"No escutar total não existe mente, nenhum pensamento, nenhum você. Apenas o escutar permanece. 
Quando eu digo para você estar simplesmente atento do que está acontecendo agora, você precisa fazer algo para estar atento? Isso é um fazer? Que tipo de fazer é isto? 

Escutar os pássaros ou me ouvir é um “fazer”? Realmente não podemos chamar isso de fazer. Ao invés disso, ele é um “acontecer”. Cantar e atenção do cantar estão simplesmente acontecendo. 

Permanecendo na atenção desse acontecimento é o espaço sem pensamento e sem esforço do qual falávamos antes. 
Este espaço sem esforço e sem pensamento é iluminação. Quando você retorna para este espaço e você permanece lá, você está de volta ao seu próprio estado natural.

Isso é sua própria consciência, seu próprio estado, seu próprio espaço. Este espaço não é parte da mente ou de seus pensamentos. Ele é tão puro, tão virgem, tão cheio de contentamento. Neste estado, você está afinado com a força de vida do aqui - agora, força de vida da existência está pulsando aqui - agora todo o tempo. 

Quando você está afinado com ela, você recebe o presente de alegria, benção e silêncio. Este é seu estado natural. Você é parte dessa existência. Você é 
existência. Simplesmente permaneça totalmente em unicidade com a existência. Você é Ela! Deixe-me tentar explicar este espaço em minhas próprias palavras. Pura consciência é seu estado natural. 

Portanto, cada individuo já é, de certa forma, iluminado, e sempre foi porque consciência é sua natureza. Não é correto dizer que somente alguns poucos escolhidos se tornarão iluminados e o resto das pessoas não se tornarão iluminadas. Iluminação pode acontecer para qualquer pessoa. 
Você só precisa acordar.
As pessoas estão simplesmente adormecidas e sonhando. 

Elas estão sofrendo em seus sonhos. Você está sonhando que você quer acordar. E você está também sonhando que isso é difícil, cheio de esforço, ou até mesmo impossível acordar. É por isso que você não consegue acordar. Mas estar acordado e consciente é sua natureza e seu próprio espaço. Você está preso nas misérias de seu sonho ao invés de estar simplesmente acordado e atento e destacado do sonho. 

É só um sonho! Não é seu sonho. Você é consciência. 

Você é a atenção testemunhando o sonho. Você não é o corpo e a mente que está tomando parte nos acontecimentos do sonho.
Você é a consciência testemunhante na qual eles estão ocorrendo. Você é pura existência. Você é pura consciência. Você é pura paz. 
Durante seu sono e sonho, este espaço está lá de alguma forma, em algum 
lugar. Até durante seu sono e sonho, consciência, atenção, e acordamento existem. De outro modo, como você poderia acordar de seu sono para o despertar? 

Quando a luz aparece, a escuridão desvanece. 

Escuridão como tal não existe. Escuridão não é nada mais que ausência de luz. Similarmente, quando o acordar acontece, o sono desaparece. Por outro lado, durante o sono, atenção e consciência permanecem presentes como um fundo sobre o qual o sono ocorre. 

Por causa da consciência que está presente durante o sono, você sabe que você dormiu bem ou não após você ter acordado. A paz do sono não é uma experiência que é experienciada no corpo ou na mente de um experimentador.

Aquela paz é consciência, existência e paz em si mesma. Isso é o que você é. Nós experimentamos o que somos durante cada noite de sono. Experimentamos iluminação durante o sono, ainda que em total ignorância. Uma vez reconhecido e realizado o fato de que não somos o corpo nem a mente, mas a consciência e paz eterna na qual eles aparecem como um sonho, nossa busca termina. Faz um giro de 180 graus!

Retorne e permaneça em seu estado natural! Reconheça que você é aquele despertar. Isto é tudo."
Kiranji em Satsang

16 de outubro de 2012

Conhecimento e Sabedoria - Osho

"Assim, o primeiro a ser entendido é que o conhecimento e a sabedoria são diferentes.

Conhecimento é informação, sabedoria é entendimento; 
O conhecimento é coletado de fora, a sabedoria é um crescimento interior; o conhecimento é tomado de empréstimo, a sabedoria é sua, autenticamente sua; o conhecimento é aprendido, a sabedoria não é aprendida de ninguém.

Você precisa ficar mais alerta, de tal modo que possa perceber mais, sentir mais, ser mais. Sabedoria é ser, conhecimento é apenas um acúmulo periférico.

Um outro ponto: quando você é uma pessoa de conhecimento, quando armazenou muito conhecimento, seu ego fica fortalecido, e você pensa: "Sei muita coisa". E o ego é uma das barreiras a percepção da realidade; ele não é uma ponte, pois fica desconectada, em vez de conectar.

Quado você é uma pessoa de sabedoria, o ego desaparece, pois uma pessoa de sabedoria descobre que não existe nada que você possa conhecer. Como você pode conhecer? A vida é tão misteriosa, tão imensamente misteriosa, não há como conhecê-la realmente.

Se você puder conhecer apenas a si mesmo, isso é mais do que suficiente, mais do que se pode esperar. Se uma pequena luz acende no seu coração e o seu ser interior se torna luminoso, isso é mais do que suficiente. E é isso que é necessário; nessa luz, você fica ciente de que a realidade é um mistério supremo e é isso que queremos dizer quando usamos a palavra Deus. Deus significa exatamente a mesma coisa que natureza, com apenas uma diferença. No conceito de natureza está implícito que, se ela não foi conhecida até agora, será conhecida mais tarde; mas ela pode ser conhecida, é passível de ser conhecida; esse é o significado da palavra natureza.

Teoricamente, a natureza é passível de ser conhecida. (...) Ao usar a palavra Deus, ou divindade, passamos para outra dimensão, dizemos que algo é conhecido e ainda existe mais para se conhecer, sempre permanecerá incognoscível, algo será para sempre indefinível.

O mistério é vasto, é infinito e somos parte dele. Então como a parte pode conhecer o todo? Isso é impossível, a parte não pode conhecer totalmente o todo, só pode conhecer até um determinado limite.

Uma pessoa de sabedoria entende o mistério da vida e é por isso que Buda permaneceu em silencio sobre a vida; ele não disse uma única palavra sobre ela. (...)

A verdade nunca é conhecida totalmente. Você a sente, você a vive, você tem grandes experiências com ela, grandes visões, grandes mistérios abertos, mas cada mistério o leva a outros mistérios. À medida que cada parte se abre, você percebe que mil e uma portas ainda estão esperando para serem abertas. Cada porta o leva a novas portas, então como você pode expressá-la? (...)

Uma pessoa de conhecimento fica declarando que sabe tudo, essa é a prova da sua ignorância. Só uma pessoa ignorante diz que sabe; o sábio sempre diz que não sabe, este é o sinal, a indicação da sua sabedoria.

Mais um ponto importante; quando você sabe algo divide a realidade em conhecedor, conhecido e conhecimento. Imediatamente a realidade fica dividida em três coisas. ( ...) 

O conhecimento divide, e o que divide não pode levá-lo a verdade suprema. A sabedoria unifica; na sabedoria a pessoa não sabe quem é o conhecedor, quem é o conhecido e o que é o conhecimento. 

É por isso que na sabedoria você se torna um místico, torna-se uma coisa só com a realidade, perde todas as distinções, as diferenças, as fronteiras, as definições. 
Na sabedoria você fica indefinido, tão indefinido quanto a própria realidade."
Osho em Tao, sua História e seus Ensinamentos.

15 de outubro de 2012

Sobre a Mágoa - Krishnamurti

"Em nossa consciência, estamos machucados.
Cada ser humano desde a sua infância, é ferido. Ferido pelos pais - estou falando psicologicamente  ferido pela escola, através da comparação, da competição, sendo cobrado naquela matéria para ser o primeiro da classe, e assim por diante na faculdade, na vida, é um constante processo de ser ferido.
Todos nós sabemos disso.

Somos todos seres humanos, somos magoados profundamente e podemos não estar conscientes disso. E sendo feridos, existem todas as formas de ações neuróticas. 

Isso faz parte da nossa consciência; parte da nossa consciência exposta ou oculta que está ferida. 

Agora, é possível não ser ferido de forma alguma?
Essa é uma questão muito importante a ser colocada. Porque as consequências de se ferir são: construção de um muro em torno de si, o afastamento de nossas relações uns com os outros para não se machucar mais...e nisso existe o medo, um gradual isolamento.
Agora, nós estamos perguntando, se é possível não apenas estar livre das feridas do passado, mas também nunca se machucar novamente. Não por insensibilidade, ou indiferença, pela desconsideração de todas as relações, mas sim questionar o porque e o que é que está sendo ferido. 
Esta ferida é como dissemos, parte de nossa consciência, onde várias ações constraditórias e neuróticas acontecem.Então nós estamos examinando, como examinamos a crença, estamos examinando a mágoa, que faz parte da nossa consciência, vejam que não é algo fora de nós, isso faz parte de nós.

Agora, o que é que está ferido, magoado, e é possíveo nunca se machucar? Entendam, um ser humano que é livre totalmente, nunca será ferido por qualquer coisa, psicológicamente, interiormente.

Essa não é uma questão importante?
E o que é que está machucado? Nós dizemos: esse sou eu. Eu estou magoado.O que é esse eu?

Desde a infância tem sido construída uma imagem de si mesmo. Nós temos muitas, muitas imagens. Não apenas imagens que as pessoas nos dão, mas também as imagens que nós mesmos contruímos. Como um americano, que é uma imagem, como um hindu, um especialista. Assim, o "eu" é a imagem que eu construi sobre mim, como um grande homem, ou que eu sou muito bom nisso ou naquilo e essa imagem se machuca, certo? Você tem uma imagem de si mesmo; você é um cozinheiro maravilhoso, um carpinteiro maravilhoso, grande orador, ( eu não sou!), ou escritor, um ser espiritual, um líder. Nós criamos essas imagens para nós mesmos.
Temos outras tantas imagens que não mencionarei no momento; essas imagens são a totalidade do "eu".

Quando digo que estou magoado, entende-se que a imagem está ferida. Se tiver uma imagem de mim mesmo, se eu tiver, você vem e diz: Não seja idiota! Eu fico magoado. Ou seja, a imagem que construí a meu respeito como não sendo um idiota, vem então você e me diz: Você é um idiota, e isso me magoa. E carrego essa imagem, que foi ferida para o resto da minha vida. E cuido dela, para que não me magoar mais, afastando qualquer afirmação a respeito da minha idiotice. Isso é o seu problema ( risos)

Isso é sério, porque as consequências de se ferir são muito complexas, e a partir dessa ferida, poderemos querer nos preencher, poderemos desejar nos tornar isso ou aquilo, para escapar dessa terrível dor.
Então é preciso compreender isso.

É possível não ter absolutamente nenhuma imagem a respeito de si mesmo? Porque você ainda tem imagens sobre si mesmo?
Você pode ter uma aparência muito bonita, inteligência brilhante, e eu posso querer ser como você, e se eu não sou me machuco.
Assim, a comparação pode ser um dos fatores que provocam as feridas psicologicamente. Então porque comparar? 
Vocês entendem todas essas perguntas?

Assim, é possível se viver nesse mundo moderno, ter uma vida sem uma única imagem de si mesmo?"
J. Krishnamurti em Satsang

É possível perceber que o que se magoa, que se fere é o ego, ( o falso eu) que precisa manter as imagens acumuladas ao longo da vida, pois são essas imagens que o reforçam, que lhe dão a falsa idéia de que ele existe.

As ofensas, as mágoas, sempre agem sobre as imagens do ego. Se pararmos e investigarmos isto, veremos que isso já é um aprisionamento enorme, e que carregamos as imagens e ao mesmo tempo, tememos tudo o que possa abalar essas imagens que carregamos. Daí a prisão como nos mostra Krishnamurti. Dessa maneira, a liberdade não é possível, o que existe é uma escravidão constante.


Para nos libertarmos da mágoa, é necessário que nos desvencilhemos primeiro das imagens que tanto carregamos, pois são elas as responsáveis por todos os medos e todas as consequências que acontecem quando nos sentimos ameaçados.


Viver sem imagens é viver no Self, na consciência pura, livre, autêntica, desprendida e aberta. Centrados na essência não temos que provar nada a ninguém e muito menos defender imagens, nem em corresponder a imagens que os outros tenham de nós. Isso é a mais pura liberdade fruto da consciência, e ela é inabalável, pois não depende de nada, nada mesmo...

Reflitam sobre isso...
Amor
Lilian
Related Posts with Thumbnails