30 de dezembro de 2016

Relacionamentos e Consciência - Eckhart Tolle




"Quando os egos se encontram, quer em relacionamentos pessoais quer em organizações e instituições, mais tarde ou mais cedo acontecem coisas "más", dramas, dramas de uma ou de outra espécie, sob forma de conflitos, problemas, lutas de poder, violência física ou emocional, e outras coisas semelhantes. Isto inclui males coletivos, como por exemplo a guerra, o genocídio e a exploração - tudo devido à inconsciência acumulada. Além disso, muitos tipos de doenças são causadas pela resistência permanente do ego, que cria restrições e bloqueios no caudal da energia que percorre o corpo. Quando você se liga novamente ao Ser e deixa de ser governado pela sua mente, deixa de criar essas coisas. Deixa de criar ou de participar em dramas.(...)

O ego sempre quer alguma coisa das pessoas ou das situações. No caso dele há sempre um plano oculto, um sentimento de "ainda não é o bastante", de insuficiência e falta, que precisa ser atendido. Ele usa as pessoas e situações para conseguir o que deseja e, até mesmo quando é bem-sucedido, nunca fica satisfeito por muito tempo.

Em geral, vive frustrado com seus objetivos - na maior parte do tempo, a lacuna entre o "eu quero" e "o que acontece" torna-se uma fonte constante de aborrecimento e angústia.

O medo de não ser ninguém, o medo da não-existência, o medo da morte. Todas as suas ações, enfim, destinam-se a eliminar esse temor.

Por que o medo? Porque o ego surge pela identificação com a forma e, na verdade, ele sabe que nenhuma forma é permanente, que todas elas são transitórias.

Assim, há sempre um sentimento de insegurança ao seu redor, mesmo que externamente ele pareça confiante.(...)

Sempre que dois ou mais egos se juntam, sucede-se algum tipo de drama. E mesmo que você viva completamente só, continuará a criar o seu próprio drama. Quando você se lamenta, isso é um drama. Quando se sente culpado ou ansioso, isso é um drama. Quando deixa que o passado ou o futuro obscureçam o presente, está a criar tempo, tempo psicológico - a matéria-prima do drama. Sempre que não honra o momento presente, permitindo que ele seja, está a criar um drama.(...)

Em determinados casos, precisamos nos proteger ou defender uma pessoa dos atos prejudiciais de alguém. No entanto, temos que ter cuidado para não transformar isso numa missão de "erradicação do mal", uma vez que, provavelmente, nos converteremos na própria coisa que estamos combatendo. Lutar de modo inconsciente pode nos levar à inconsciência - o comportamento egóico desajustado - nunca seja vencida pelo ataque.

Mesmo se derrotarmos o oponente, ela se transferirá para nós ou esse adversário reaparecerá num novo disfarce. Nós fortalecemos tudo aquilo que combatemos, enquanto todas as coisas a que resistimos persistem.

Reconheça o ego pelo que ele é: um distúrbio coletivo, a insanidade da mente humana. Quando o identificamos pelo que ele é, deixamos de interpretá-lo erroneamente como a identificação de uma pessoa. E temos mais facilidade em não adotar uma atitude reativa em relação a ele. Já não o tomamos como algo pessoal. Não existe queixa, culpa, acusação nem ação equivocada. Ninguém está errado. É apenas o ego em alguém, só isso.(...)

Um dia, a meio de uma discussão, você apercebe-se de súbito que tem escolha e pode decidir deixar de lado a sua própria reação... só para ver o que acontece. Você rende-se.

Não quero dizer pôr de lado a reação apenas a nível verbal, dizendo «Pronto, tens razão» com um ar que expressa «Estou acima de toda esta inconsciência infantil». Fazê-lo é apenas deslocar a resistência para outro nível, com a mente egocêntrica ainda no comando, a invocar superioridade. Estou a falar de abandonar todo o campo energético mental e emocional que estava a lutar pelo poder e que você tem dentro de si.

O ego é matreiro, por isso você tem de estar bem alerta, bem presente e ser totalmente honesto consigo mesmo para ver se deixou verdadeiramente de se identificar com uma posição mental e, desse modo, se libertou da sua mente.

Se você se sentir de repente muito leve e profundamente em paz, é um sinal inconfundível de que se rendeu verdadeiramente. De seguida, observe o que acontece à posição mental da outra pessoa quando você deixa de lhe conceder energia através da resistência. Quando a identificação com posições mentais está fora do caminho, começa a verdadeira comunicação.

Tome consciência dos pensamentos que lhe ocorrem. Separe-os da situação, que é sempre neutra - ela é como é.
Existe a circunstância ou o fato, e você terá seus pensamentos a respeito deles. Em vez de criar histórias, atenha-os aos fatos.

Por exemplo: "Estou arruinado" é uma história. Ela limita a pessoa e a impede de tomar uma providência eficaz. "Tenho 50 centavos na minha conta" é um fato.
Encarar os fatos é sempre fortalecedor. Tome consciência de que, na maioria das vezes, suas emoções são criadas pelo que você pensa - observe essa ligação. Em vez de ser seus pensamentos e suas emoções, seja a consciência por trás deles. A causa primária da infelicidade nunca é a situação, mas nossos pensamentos sobre ela.."

Eckhart Tolle em A Prática do Poder do Agora

23 de dezembro de 2016

Seja diferente, Seja reluzente! - Feliz Natal!



"Enfeite a árvore de sua vida
com guirlandas de gratidão!

Coloque no coração laços de cetim rosa,
amarelo, azul, carmim,

Decore seu olhar com luzes brilhantes
estendendo as cores em seu semblante,

Em sua lista de presentes
em cada caixinha embrulhe
um pedacinho de amor,
carinho,
ternura,
reconciliação,
perdão!

Tem presente de montão
no estoque do nosso coração
e não custa um tostão!

A hora é agora!

Enfeite seu interior!
Sejas diferente!
Sejas reluzente! 


~Cora Coralina~
Feliz Natal a todos!!
É a Luz que nos trouxe até aqui,
é a Luz que nos guiará para sempre...
Muito amor e muita paz em todos os corações...
Cristo é vivo, em cada um de nós..
Amor
Amidha Prem

21 de dezembro de 2016

Aniversário Ventos de Paz...


Como flor ao vento,
Despeço-me da árvore,
Levo-a comigo,
Levo-a em mim
E recebo de braços e coração abertos 
a eternidade...

Como a aurora dos tempos,
Acolho em meu peito
o instante
fugaz, 
porém eterno,
Único,
Abençoado,
Instante que me define,
Nos define,
Mesmo que tantas vezes
o desprezemos...

O Amor nos envolve
nos preenche,
Numa espuma de Graças.

Somos filhos amados
desta Terra
Somos a Consciência Viva
e Vivente
Cada um é a Chama da Verdade 
Desperta,
Realizando a Si mesma
Reconhecendo a Si mesma
Descobrindo a Si mesma
Apaixonando-se por Si mesma...

A Vida somos nós,
Nem antes, nem depois,
Mas aqui
Agora,
Já...
Nada a dizer,
Nada a pedir.

Gratidão é meu nome...

***

 Hoje o blog Ventos de Paz completa 7 anos online.
Gratidão a todos que caminham junto comigo confiantes, 
nesta linda trilha Luminosa da Consciência...

Vivemos o instante transbordando em amor e paz...
Somos viajantes das estrelas, 
Somos a brisa do ar,
Somos chamas vivas da Verdade
Somos Amor explodindo em flor
Somos Ventos de Paz...

Todo Amor e Gratidão a cada um de vocês queridos amigos.
Que a chama luminosa do Amor e da Paz brilhe em cada um dos corações...
Saibam que meu coração está com cada um de vocês 
Eternamente...

Namastê
Lilian 




17 de dezembro de 2016

Pena e Compaixão - Prem Baba


Pergunta: Qual a diferença entre e pena e a compaixão?

Prem Baba: É a mesma diferença entre o dia e a noite; entre luz e trevas. 
A pena é egoística e a compaixão é altruística. 

Você somente sente dó de si mesmo – o outro é um reflexo de algum aspecto seu. Ao sentir pena, você não enxerga o outro e não o respeita. Você não está interessado nele – você quer somente se livrar do seu problema, porque o sofrimento do outro está lhe incomodando. 
Ele está espelhando o seu próprio sofrimento, o qual você se recusa a enxergar.

As lágrimas da pena são superficiais porque nascem de uma máscara do bondoso e caridoso. Essa máscara encobre o egoísmo. 
Por trás dela existe um congelamento, uma impermeabilização que te impede de fazer empatia e colocar-se verdadeiramente no lugar do outro. 

Porque você só faz empatia se houver amor e, se existe amor pelo outro, você respeita aquilo que ele precisa experienciar. 

Se você ama as pessoas na rua, coloque-se no lugar delas e verá que dar dinheiro não ajuda em nada. Em algum caso ou outro pode ser que ajude, mas, na maioria das vezes, você está apenas alimentando o vício de pedir e a ilusão de impotência, entre muitas outras fantasias que fazem com que elas fiquem nesse lugar.

Se o amor está transbordando do seu coração e se você realmente se importa com o outro, encontre um meio para ele se levantar. A compaixão é desinteressada. Você quer realmente ver o outro feliz; você quer vê-lo brilhar, respeitando o processo dele.

E como você se move da pena para a compaixão? Libertando-se da projeção."

Prem Baba em Satsang

11 de dezembro de 2016

Materialespiritual - Osho


"Não separo a Existência nestas duas velhas dicotomias, o plano material e o plano espiritual. Há apenas uma única realidade: a matéria é sua forma visível e o espírito, sua forma invisível. O corpo não pode sobreviver sem a alma, e a alma não pode existir sem o corpo.

Na verdade, essa divisão entre corpo e alma, que vem do passado, criou um grande peso no coração dos homens. Criou uma esquizofrenia na humanidade. Em minha forma de pensar, a esquizofrenia não é uma doença que eventualmente se abate sobre uma pessoa.

Toda a humanidade, até o momento, tem sido esquizofrênica. Muito raramente, apenas uma vez em centenas de anos, surge um homem como Jesus, ou Buda, ou Mahavira, ou Sócrates, ou Pitágoras, ou Lao-tsé, que é capaz de escapar deste padrão esquizofrênico em que vivemos.

Dividir a realidade em duas partes opostas, antagônicas, é perigoso porque significa dividir também o homem. O homem é uma miniatura do Universo. Divida o Universo e o homem terá sido divido também. Divida o homem e o mesmo ocorrerá com o Universo. Eu acredito na unidade orgânica e indivisível da existência.

Para mim, não há distinção entre o plano espiritual e o material. Você pode ser espiritualizado e funcionar no plano material. Seu funcionamento será mais feliz, mais estético, mais sensível. Seu funcionamento no plano material não será tenso nem cheio de
ansiedade e angústia.

Uma vez, um homem se aproximou de Buda e perguntou: “O mundo está tão cheio de desespero, as pessoas estão vivendo na miséria... Como você pode permanecer sentado em paz, silêncio e alegria?”

Buda respondeu: “Se uma pessoa está sofrendo, com febre, o médico deve deitar ao seu lado e sofrer também? O médico, por compaixão, precisa se deixar infectar, se deitar ao lado do paciente e ter febre? Isso irá ajudar o paciente? Antes, havia apenas uma pessoa doente, mas agora haverá duas — o mundo estará duplamente doente. O médico não precisa estar doente para ajudar o paciente, ele precisa estar saudável. Quanto mais saudável ele estiver, mais ele poderá ajudar”.

Não sou contra trabalhar por um mundo melhor no plano material. Seja qual for o trabalho que você estiver realizando — trabalhando em prol do equilíbrio ecológico, contra a fome, contra a pobreza, contra a exploração, a miséria, a opressão —, seja qual for o seu trabalho no plano material, ele será enormemente beneficiado se você aprofundar suas raízes espirituais, tornar-se uma pessoa mais centrada, calma, introspectiva, porque então
toda a qualidade de seu trabalho terá sido alterada. Você poderá pensar de forma mais interiorizada e seus gestos serão mais graciosos. A compreensão de ser interior irá ajudar muito outras pessoas.

Não sou um espiritualista, nem tampouco um materialista, no sentido tradicional dessas palavras. Charvaka; Epicuro, na Grécia; Karl Marx e outros são todos materialistas. Dizem que apenas a matéria é verdadeira e que a consciência é um subproduto, que não possui realidade própria. E há pessoas como Shankara e Nagarjuna que dizem o mesmo, só que ao contrário. Dizem que a alma é real e o corpo, irreal, maya, ilusão, um subproduto, que não possui realidade própria.

Para mim, ambos estão metade certos e metade errados. E uma meia-verdade é muito mais perigosa do que uma mentira completa. Uma mentira completa é, ao menos, inteira, tem uma certa beleza, mas uma meia-verdade é feia e também perigosa. Feia porque é apenas metade de algo, como um homem que fosse dividido em duas partes. Dividir um homem é perigoso, porque ele é uma unidade orgânica. No entanto, fizeram isso através dos tempos, fazendo com que este pensamento se tornasse rotineiro, quase um condicionamento.

Não pertenço a nenhuma escola, nem à escola dos materialistas nem à escola dos assim chamados “espiritualistas”. Minha abordagem é total, holística. Acredito que o homem é, ao mesmo tempo, material e espiritual. Na verdade, uso as palavras “espiritual” e “material” apenas porque sempre foram usadas. O homem é psicossomático, não-material e espiritual, porque este “e” cria uma dualidade. Não há um “e” entre o material e o
espiritual, nem mesmo um hífen. Eu usaria apenas uma palavra e diria que o homem é “materialespiritual.

Espiritual significa o centro de seu ser, enquanto material é a circunferência de seu ser. A circunferência não pode existir sem o centro, assim como o centro não existe sem a circunferência.
Meu trabalho é o de ajudar seu centro a tornar-se claridade, pureza. Então essa pureza será refletida também na circunferência. Se o seu centro for belo, sua circunferência
acabará se tornando bela e, se sua circunferência for bela, seu centro será afetado por essa beleza.

Há uma história que ilustra o que estou dizendo.
Dois místicos estavam conversando.



O primeiro disse: — Tive um discípulo uma vez, mas, apesar de todo o meu esforço, não consegui que ele atingisse a iluminação.
O que você fez? — perguntou o outro.

Fiz com que ele repetisse mantras, olhasse para símbolos, usasse vestimentas especiais, pulasse para cima e para baixo, inalasse incenso, lesse invocações e se mantivesse de pé durante longas vigílias.

Ele não lhe disse nada que pudesse ajudá-lo a compreender por que nada disso estava aumentando o estado de consciência dele?

Nada. Certo dia, apenas se deitou e morreu. A única coisa que ele disse foi irrelevante: “Quando é que vou poder comer algo?”

Claro que para uma pessoa espiritual é irrelevante falar sobre comida. O que isso tem a ver com o espírito?
Não sou esse tipo de pessoa espiritual. 
Sou tão hedonista quanto Carvaka, tão materialista quanto Epicuro, tão espiritual quanto Buda ou Mahavira.
Sou o começo de uma visão totalmente nova."
Osho em Eu Sou a Porta



Hoje o amado Osho estaria completando mais um aniversário.
Deixo aqui a minha sincera homenagem, em profundo amor e gratidão 
por tanta luz, sabedoria, alegria e todo amor
compartilhados com milhões de pessoas
ao longo de sua vida...

Hare Om Osho!




3 de dezembro de 2016

Gom - Chamtrul Rinpoche


"É a palavra tibetana “gom” que é traduzida para o português como “meditação”. 
Mas o que “gom” significa realmente? 
Significa habituar-se, familiarizar a mente 
com algo que é positivo.

Assim, através da meditação, uma mente que era frequentemente estressada, que carecia de concentração e clareza, que muitas vezes experienciou cobiça, inveja, ódio, raiva, e assim por diante, em vez disso pode sem esforço manter-se calma, clara e focada, e, naturalmente, responder a qualquer coisa com compaixão, amor, paciência, generosidade, e assim por diante.

Além disso, é através da meditação que nossa mente é acordada de sua falta de consciência da realidade, libertando-nos assim do samsara, e além disso, atingindo o estado iluminado de um Buda para o benefício de todos.

Todos, sem exceção, tem o potencial de mudar. 
Qualquer um que duvide disso, 
ainda tem que meditar.”

Chamtrul Rinpoche

26 de novembro de 2016

Estado de alerta e moralidade - Osho


"Três palavras devem ser compreendidas: uma é "religião" ou espiritualidade; a segunda é "moralidade"; e a terceira é "legalidade".
Religiosidade ou espiritualidade não subsiste em idéias morais - está além do moral e do imoral, está além do certo e do errado; não possui consciência externa ( conscience ): vive da pura consciência-em-si ( cousciousness). Existe um tremendo "estado-de-alerta", e a pessoa age a partir desse "estado-de-alerta". Quando acontece de a  ação surgir do "estado de alerta", ela é inevitavelmente boa.

Mas o homem vive num "estado não alerta". Toda a vida do homem é cheia de "estados não alertas" - ele é quase como um robô. Ele vê, e contudo, não vê; ele ouve e contudo, não ouve; Ele existe, mas somente no sentido literal da palavra, não realmente, não como um Buda, ou um Cristo, ou um Zarathustra... ou como Dionísio, Pitágoras, Heráclito. Não, ele não existe com tal intensidade, com aquele "estado de alerta".

Desse modo, a moralidade se torna quase uma necessidade - ele á um substituto. Quando não se pode ter a coisa verdadeira, então, é melhor ter alguma coisa não-verdadeira do que não ter nada absolutamente, porque o homem precisa de um certo código de comportamento. Se este flui do estado de alerta, então, não há nenhum problema.

As pessoas estão vivendo apenas numa espessa nuvem de inconsciência. Suas vidas não são aquela vida de luz, mas a de escuridão e, vindo dessa escuridão, dessa confusão, dessa fumaça, o que você pode esperar? Elas estão fadadas a fazer algo tolo, algo errado.

A menos que todos os homens se tornem um buda, permanecerá a necessidade de alguma espécie de moralidade. A moralidade não é algo grandioso: é um substitutivo pobre da religião. Se você pode ser religioso, então, não há a necessidade de moralidade.(...) Todas as ideologias políticas e religiosas não são nada mais do que tranquilizantes não-medicinais. Todo o propósito é o de fazê-los viver no sono, de modo que vocês possam ser explorados, oprimidos, escravizados e, ainda assim, não estarem alertas para o que lhes está acontecendo.(...)

Você me pergunta, Sangvai, Por que deve haver uma diferença entre o padrão moral e o padrão legal...?
Há uma diferença entre os padrões moral e religioso. "Religião" significa que você "vive a partir da sua consciência". "Moralidade" significa que você "vive de acordo com os mais altos padrões que a sociedade impôs sobre você" e não de acordo com a sua própria luz. E o padrão legal é o mínimo.

O padrão moral é o máximo, a maior expectativa da sociedade; e o padrão legal é a expectativa mínima: "Pelo menos, deve-se cumprir o legal". O legal é o limite mais baixo e o moral é o limite mais alto, daí a diferença. A diferença existe.

Há muitas coisas imorais que não tem nada a ver com a lei. Você pode estar fazendo muitas coisas imorais, mas não pode ser apanhado legalmente, porque a legalidade consiste, no mínimo, no limite mais baixo.

Dizem que o melhor professor é aquele que é capaz de explicar o que está dizendo ao aluno mais estúpido da classe. Se o mais estúpido pode compreendê-lo, então, é claro, todos os outros, compreenderão. A lei pensa na pessoa mais estúpida.(...) A moralidade pensa no mais inteligente, no mais humano. Daí a diferença entre as duas - e a diferença continuará.

E eu tenho de lembrá-lo de uma terceira coisa também: do padrão espiritual. Este é o maior, o transcendental, além do qual não existe nada. Os budas vivem de acordo com o moral e os assim chamados cidadãos vivem de acordo com o legal. Estas são as três categorias de seres humanos.(...)
Até agora, o ser humano apenas parece ser humano: lá no fundo ele não é nada mais do que um animal mascarado de ser humano. Sua humanidade não tem nem a espessura da pele: basta arranhá-lo um pouquinho do animal sai. O ser humano com o qual no trivial, que só isso já prova a sua mediocridade...Não pode nos dar nenhum índice de sua inteligência.

O homem continua argumentando sobre grandes coisas, mas prossegue vivendo de maneira totalmente diferente. Seus pensamentos são muito elevados; sua vida é muito imatura. Na verdade, ele cria todos esses grandes pensamentos para encobrir sua imaturidade. (...)

Nossos filósofos, nossos psicanalistas, teólogos, permaneceram abstratos, falando sobre grandes coisas, só para escapar da medonha realidade.
Meu esforço aqui é ajudá-lo a tornarem-se cientes da feia realidade, porque estar ciente dela mudará a feiura em beleza. O estado de alerta é o milagre."
Osho em Teologia Mística

19 de novembro de 2016

Viver e agir - Pedro Kupfer


"Viver é agir. Agir é inevitável. Pelas ações construímos uma relação com a existência. Não podemos dizer que viver seja nada diferente de fazer ações. Vegetar não é viver. Uma pessoa em coma está viva, mas não podemos dizer que esteja vivendo.

Assim, usando nossa capacidade de escolha, e percebendo que não podemos fugir ao fato de que viver é fazer, nos relacionamos com os demais e com o mundo. Essas ações são sempre feitas a partir da constatação de que temos opções e uma faculdade chamada livre arbítrio, através da qual realizamos essas escolhas.

Agir implica mudar, implica constatar que necessariamente, queiramos ou não, iremos deixar uma marca no mundo, em cada coisa que fizermos, desde as mais insignificantes decisões até as maiores que possamos tomar.

Porém, muitas dessas ações são feitas, consciente ou inconscientemente, baseados na premissa de que, para sermos felizes, devemos mudar o entorno, ou a nós mesmos, ou ambos, já que não conseguimos nos aceitar como somos.

Isso é o que o meu mestre, Swāmi Dayānanda, chamava de problema fundamental. O grande segredo, se há um neste jogo, é reconhecer que essas mudanças fazem parte da própria dança da vida, mas nenhuma delas poderá trazer para nós felicidade, pois felicidade é o que já somos. Seria sábio lembrarmos disso a cada momento.

Não podemos, e nunca conseguiremos, obter algo que já temos. Não precisamos nem devemos correr atrás do que já somos. Não há como “alcançar” o Ser. Não temos como “nos tornar” o Ser. Isso é impossível. O Ser é o que somos. O que sempre fomos. O que sempre seremos.

É necessário apenas reconhecer a nós mesmos como o Ser pleno que somos. Nada mais. A vida plena é mais uma vida de aceitação, equanimidade e harmonia, do que uma sucessão de experiências de êxtase e prazer constantes. Não negamos o prazer nem a segurança, mas tampouco buscamos a felicidade neles.

Não nos apegamos excessivamente aos momentos de alegria ou satisfação quando eles acontecem, nem sentimos saudades deles quando não estão presentes.

Isso, apesar das dualidades, apesar de sabermos como pleno, vivemos o relativo e nos relacionamos da maneira mais equânime possível com a subjetividade do nosso ego e dos egos das pessoas com quem convivemos.

Assim, fazemos o que o nosso bom-senso nos indica, mudamos o que acreditamos que precisa ser mudado, agimos no mundo da melhor maneira possível, mas sabendo que desde nenhuma ação virá a felicidade ou a realização pessoal.

Quando conseguimos deixar de lado a ansiedadae por realizar mudanças buscando nelas a felicidade, poderemos superar o apego a elas, descobrindo essa fonte de felicidade inesgotável, e que somos nós mesmos. A felicidade não é o fruto de alguma ação.

Ela se revela por si só, na medida em que compreendemos que não é das mudanças ou da realização dos desejos que ela virá, e a força que eles têm sobre nós desaparece.

Então, facamos o que o nosso bom-senso determina, aquilo para o que a nossa intuição aponta, e mudemos o que precisa ser mudado. Façamos o que temos que fazer.

Reconheçamos que há coisas, porém, que fogem à nossa alçada. Por exemplo, não conseguimos mudar o clima, portanto reconheçamos que não adianta nos queixar do frio ou do calor, do sol ou da chuva.

Não podemos mudar o tempo, portanto, não adianta desejar que ele páre ou voe. Aceitemos o passado como ele é, o presente como ele é, e não façamos demasiadas especulações nem projeções em relação ao futuro.

Não podemos mudar os outros, portanto, aceitemos eles como são, com suas virtudes e defeitos. Não podemos mudar muitas coisas em nós mesmos em termos de corpo, mente ou emoções, portanto, aceitemo-nos como somos nesses aspectos, e em todos os demais. Lembremos que somos dignos de amor, do jeito que somos agora.

Assim, não deixemos que o derrotismo tomem conta de nós. Não deixemos que a inércia se aposse do nosso coração. Façamos o que deve ser feito, contemplando sempre o bem comum. Cultivemos o discernimento para compreender a diferença entre o que pode e o que não pode ser mudado.

Apliquemos força, compaixão, energia, inspiração, raiva, se for preciso, para mudar aquilo que pode ou deve ser mudado, em prol da saúde, do bem-estar, do que é justo e adequado para todos, cuidando do bem comum. E relaxemos, sem perder o contentamento, em relação àquilo que não pode ser mudado.

Evitemos, o tempo todo dentro do que nos for possível, projetar nessas mudanças a capacidade, que já reconhecemos que elas não têm, de nos fazer felizes. É isso. 

Namaste!"

5 de novembro de 2016

A mente vive descontente - Osho


"A mente vive descontente – isso é intrínseco a ela.
A mente nunca pode estar satisfeita.

Quando você compreende isso, um milagre acontece, então você pode deixar a mente de lado, pois ela nunca vai lhe trazer satisfação.

Essa não é a natureza dela.

Se você compreender por que está insatisfeito, se não procurar desculpas lá fora, vai ver que o motivo é a maquinação da mente, e essa maquinação pode ser abandonada.
É muito fácil. O importante é enxergar isso.
Não acredite só porque eu digo – você precisa enxergar.

Observe-a. Olhe para o passado.

Muitas vezes você achava que, se conseguisse determinada coisa, ficaria feliz, mas quando a conseguiu não ficou. As pessoas vivem caindo sempre nas mesmas armadilhas.

Por isso, observe a mente e todas as peças que ela prega em você. Para haver transformação, nada mais é necessário, apenas ficar alerta ao mecanismo da mente.

E, através dessa compreensão, as coisas começam a acontecer sozinhas, sem esforço, em silêncio."
Osho em Consciência

29 de outubro de 2016

O maravilhoso mistério - J.Krishnamurti


"Quase todos nós estamos apegados a uma certa parte insignificante da vida, e pensamos que, através dessa parte, descobriremos o todo. Sem sairmos de nosso quarto, achamos que podemos explorar toda a extensão e toda a amplidão do rio e perceber a riqueza dos verdes prados que o margeiam. Vivendo em estreito aposento, pintamos uma pequena tela e pensamos ter "tomado a vida pela mão” e compreendido o significado da morte. Mas, tal não aconteceu. Para que aconteça, temos de sair para o ar livre. 

Mas é-nos extremamente difícil sair para o ar livre, deixar nosso pequeno aposento de estreita janela, para vermos as coisas como são, sem julgar, sem condenar, sem dizer "Disto eu gosto e daquilo não gosto” — porque a maioria de nós pensa que através da parte será possível compreender o todo. 


Examinando um raio, esperamos compreender a roda, não é verdade? São precisos muitos raios, e mais o cubo e o aro, para termos a coisa chamada "roda”; e precisamos ver a roda toda para podermos compreendê-la. Do mesmo modo, precisamos perceber o inteiro processo do viver, se realmente desejamos compreender a vida.

Espero estejais seguindo o que estou dizendo, porque a educação deve ajudar-vos a compreender o todo da vida, e não apenas preparar-vos para obter um emprego e seguir a rotina habitual — casamento, filhos, segurança, e vossos pequenos deuses. Mas, para suscitar a educação correta necessita-se de muita inteligência, discernimento, e por essa razão é tão importante que o próprio educador seja educado para compreender o processo total da vida, e não cuide meramente de ensinar-vos de acordo com determinada fórmula, velha ou nova.

A vida é um maravilhoso mistério — não o mistério de que falam certos livros ou certas pessoas, porém um mistério que cada um de nós tem de desvendar por si próprio. Eis porque tanto importa compreenderdes o que é pequeno, limitado, mesquinho, e passardes além.

Se não começais a compreender a vida desde jovens, crescereis muito feios, interiormente; sereis estúpidos e vazios, ainda que, exteriormente, tenhais dinheiro, andeis em carros de luxo e pareçais muito importante. Por isso é tão relevante que saiais de vosso quarto para ver a amplidão do firmamento. Mas, isso não podeis fazer se não tendes amor — não "amor físico’’ ou "amor divino’’, porém amor, puro e simples: amar os pássaros, as árvores, as flores, vossos mestres, vossos pais e, além do país, toda a humanidade.

Não será uma verdadeira tragédia se não descobrirdes, por vós mesmo, o que é amar? Se não conhecerdes o amor agora, nunca mais o conhecereis, porque, quando ficardes mais velhos, o que se chama "amor” será uma coisa muito feia — uma propriedade, uma espécie de mercadoria que se compra e vende. Mas, se começardes agora a ter amor no coração, se amardes a árvore que plantais, o cão vadio que afagais, então, quando crescerdes, não permanecereis no pequeno aposento de estreita janela, mas saireis para amar a totalidade da vida.

O amor é realidade; não é emoção, efusão de lágrimas; não é um sentimento. 

O amor, em si, é sem sentimentalismo. Este é um ponto muito sério e importante: que deveis amar enquanto estais jovens. 

Vossos pais e mestres talvez desconheçam o amor, e foi por esta razão que criaram um mundo terrível, uma sociedade perpetuamente em guerra contra si mesma e com outras sociedades. Suas religiões, suas filosofias e ideologias são todas falsas, porque sem amor. Eles só percebem uma parte; estão a olhar pela estreita janela, que poderá apresentar uma vista aprazível e extensa, mas que não é toda a amplidão da vida. 

Sem esse sentimento de intenso amor, não podeis ter a percepção do todo; por conseguinte, sereis sempre um ente digno de comiseração e, ao chegardes ao fim da vida, não tereis senão cinzas, um amontoado de palavras ocas."

J.Krishnamurti em  A cultura e o problema humano

22 de outubro de 2016

O que é ser um indivíduo ? - Osho


"Na sociedade, existe uma profunda expectativa de que você se comporte exatamente como todos os demais. No momento em que se comporta de forma um pouco diferente, você passa a ser um sujeito estranho, e as pessoas têm muito medo de estranhos.

As pessoas sempre querem participar de um grupo ao qual se ajustem.

Nesta sociedade, ninguém aceita a si mesmo. Todo mundo se condena. Esse é o estilo de vida da sociedade: condenar-se. E, se você não está se condenando, se está se aceitando do jeito que é, você tem que se afastar da sociedade.

E a sociedade não tolera ninguém que saiu do rebanho, porque ela vive de números; é uma política de números. Quando há muitos números, as pessoas se sentem bem. Números grandes fazem com que as pessoas sintam que tem de estar certas - elas não podem estar erradas, milhões de pessoas estão com elas. E, quando ficam sozinhas, grandes dúvidas começam a vir à tona: Ninguém está comigo. O que garante que estou certo?

É por isso que eu digo que, neste mundo, ser um indivíduo é o maior sinal de coragem.

Para ser um indivíduo, é preciso o mais destemido dos treinamentos: “Não importa que o mundo inteiro esteja contra mim. O que importa é que a minha experiência é válida. Eu não me importo com os números, com quantas pessoas estão comigo. Eu me importo com a validade da minha experiência — se estou simplesmente repetindo as palavras de outra pessoa, como um papagaio, ou se a fonte das minhas afirmações é a minha própria experiência. Se é a minha própria experiência, se isso é parte do meu sangue, dos meus ossos, do meu âmago, então o mundo inteiro pode pensar de outro jeito; ainda assim, eu estou certo e eles estão errados. Não importa, não preciso da aprovação deles para sentir que estou certo. Só aqueles que dependem das opiniões de outras pessoas precisam do apoio dos outros.

Mas é assim que a sociedade humana tem sido até agora. É assim que ela mantém você no rebanho. Se os outros estão tristes, você tem que ficar triste; se sofrem, você tem que sofrer. O que quer que eles sejam, você tem que ser também. Não se permitem diferenças, porque as diferenças acabam levando para o indivíduo, para o único, e a sociedade tem muito medo do indivíduo e da unicidade. Isso significa que alguém ficou independente do grupo, que essa pessoa não dá a mínima para o grupo. Seus deuses, seus templos, seus padres, suas escrituras, tudo ficou sem sentido para ela.

Agora ela tem seu próprio ser e seu próprio jeito, seu próprio estilo — de viver, morrer, celebrar, cantar, dançar. Ela chegou em casa. E ninguém pode chegar em casa junto com a multidão. Só se pode chegar em casa sozinho."

Osho em O Livro dos Segredos VI

15 de outubro de 2016

Sobre o stress e a infelicidade - Osho


"Quando há muita correria, correria pra lá e pra cá, o homem torna-se infeliz. Felicidade existe só em repouso completo. 

Você corre aqui e ali em busca da felicidade, mas sua aritmética está errada, seus cálculos estão com defeito. 

Você acha que vai encontrar a felicidade através da correria de de cá para lá, mas no final, fazendo tudo isso, só faz você infeliz. O resultado final de toda essa corrida é sobre infelicidade. 

Quanto mais você corre, mais miserável você vai sentir-se. 

A felicidade é um momento de descanso, quando não há mais correria, quando você está apenas em repouso, quando você está simplesmente lá onde você estiver, quando você não se mover até mesmo uma polegada. E então, nesse momento de descanso, não há felicidade, não há nada, mas a felicidade.

Medite sobre isso.
A intensidade do seu movimento, da a medida do quanto você está se privado da felicidade. E quanto mais você continuar correndo, mais e mais infeliz você se torna. 

A felicidade pode ser encontrada ao parar. 

E parada é a meditação, oração, adoração. Parar significa não ter nenhuma ideia ou qualquer pensamento do futuro. Enquanto você permanecer sonhando com o futuro a sua corrida vai continuar.

O momento presente é tudo, então por que correr? Onde você vai chegar nessa correria? Não há lugar para onde correr atrás, nem tempo para se fazer isso. Existência é comemorada neste exato momento e você é abstraído dele. Por isso você é tão infeliz.

E você é infeliz porque você está correndo. 

 Se você espera que a felicidade venha até você amanhã você não receberá nada além de miséria. 

Por que você não recebe a sua felicidade hoje? – Ele já está presente. 
Por favor, pare por um tempo. 
Está faltando a felicidade por causa de sua correria, e por disso você não tem tempo livre, sem tempo livre para curtir a felicidade."
Osho em Meditações para a noite

7 de outubro de 2016

Crença, dúvida, céu e inferno - Osho


"Todo mundo ensina a crença, mas ninguém ensina a dúvida, porque a dúvida é natural. Os verdadeiros mestres, como Gautama Budha, dizia a seus díscípulos : "Não creiam só porque eu digo que é assim. Não creiam apenas porque as sagradas escrituras dizem que é assim. Não creiam só porque as massas crêem em certa coisa. A menos que você experimente, jamais acredite em nada. Siga duvidando - siga duvidando até o fim."

A dúvida é uma qualidade natural, intrínseca do seu ser; é dada por Deus. Use-a, porque ela tem tremendo poder em si. Ela é um instrumento para se descobrir a verdade.
Não sugiro que você se torne profundamente convencido de nada; sugiro que você duvide e que duvide totalmente, de modo que você possa descobrir a verdade. A dúvida não é contra a verdade, a dúvida é uma metodologia para se descobrir a verdade. A dúvida não é um inimigo da verdade, mas o único amigo. A crença é o inimigo da verdade, porque é a crença que impede de descobrir, de investigar.(...)

Eu sou apenas um amigo. Estou aqui para explicar a você como eu descobri a verdade. A dúvida foi meu processo. meu próprio caminho para chegar à verdade. E eu gostaria que vocês se tornassem cada vez mais e mais afiados, inteligentes. Duvide mais cientificamente. Assim como na ciência, a dúvida o ajuda a descobrir, ela também ajuda na jornada interior.

Assim, a primeira coisa que eu gostaria de sugerir-lhe é esta: abandone a ideia de "profundas convicções".(...)
Quando você diz: Eu estou profundamente convencido de que nosso caminho é abandonar o ego...

Quem é este Eu estou? Quem está convencido? Ora, isso é uma contradição! Você diz: Eu estou profundamente convencido de que nosso caminho é abandonar o ego... "Eu estou" não é nada mais que um outro nome para o ego. Agora, você entrou numa confusão. Se o ego está convencido de que o único caminho é abandonar o ego, então, quem vai abandonar quem? E como? É como você puxa-se para cima pelos seus próprios cordões de sapato. Você vai aparecer só um tolo. Observe cada palavra que você usa. " Eu estou" não é nada mais que o ego.

A segunda coisa: ninguém jamais foi capaz de abandonar o ego, porque o ego não é uma realidade que você possa abandonar; algo para ser abandonado tem de, pelo menos, ser real, substancial. O ego é apenas uma noção, uma ideia. Você não pode abandoná-lo, você pode somente compreendê-lo. Você pode abandonar a sua sombra? Você pode correr tão depressa quanto queira, mas a sombra correrá na mesma velocidade, exatamente na mesma velocidade.

Há uma história taoísta sobre o homem que ficou com medo da sua sombra. Ele estava lendo uma história... Ele estava sozinho numa fazenda, numa pequena cabana, e no meio da escuridão profunda da noite, lendo uma história que estava dizendo que as sombras não são nada além de fantasmas. Ele ficou tão amedrontado que olhou novamente e a sombra estava ali. A lógica natural era que ele não estava correndo tão depressa como deveria; então, ele começou a correr cada vez mais e mais depressa. Quanto mais depressa ele corria, mais depressa a sombra o seguia. Ele ficou completamente exaurido e cansado, tanto que não pôde mais correr e simplesmente sentou-se debaixo da sombre de uma árvore. No momento em que ele sentou-se sob a árvore, sua sombra desapareceu.
Ele ficou espantado; ele não pôde escapulir da sombra enquanto estava correndo daquele jeito e agora que ele estava simplesmente sentado debaixo da sombra da árvore, a sombra desaparecera.

Esta é uma bela parábola de grande significado.
Você não pode abandonar o ego. Uma vez que você comece a tentar a abandonar o ego, você vai entrar numa fria; você vai ficar cada vez mais e mais preocupado e confuso. E esse não é o meio de se livrar do ego. O único meio de se livrar do ego é olhar-se para ele.
Primeiro tente descobrir onde ele está, se ele está aí ou não, em primeiro lugar. E a pessoa que vai para dentro, jamais o descobre; ele simplesmente desaparece.
O ego é apenas uma ideia, uma ideia daquela gente que jamais foi para dentro. E elas sofrem por causa do ego - porque ele é uma coisa falsa, ele cria sofrimento. Lembre-se: a realidade sempre cria bênçãos, e a falsidade sempre traz a miséria.


O inferno é a coisa mais falsa do mundo - o céu é a única realidade. Nós estamos dentro dele agora mesmo, neste exato momento. Nós não podemos estar em nenhum outro lugar.
Se você está num inferno, isso é criação sua, fantasia sua, você está vendo um sonho. Se você está no céu, isso não é fantasia sua, não é sonho seu, é assim que as coisas são. O céu é o ambiente das coisas.


Basta olhar para dentro e tentar descobrir, desvendar onde está o ego, e você se surpreenderá: você não poderá achá-lo em lugar nenhum. E quando você pode encontrá-lo em algum lugar, ele vai embora - sem que seja abandonado.

Mas, se você começar a abandoná-lo, isso será como correr para fugir da sombra. Você ficará desnecessariamente exausto, cansado e começará a se sentir muito culpado, por não ter sido capaz de se livrar do ego. Você começará a se sentir como um pecador, começará a se condenar. Toda a sua vida será destruída, somente por um simples erro: o de que você olhou para fora e saiu correndo, jamais olhou para dentro.

Uma simples experiência do mundo interior é o bastante para revelar o fato de que o ego é uma falsidade, de que nós não estamos separados, de que somos um só, de que somos parte de um único universo orgânico."

Osho em Teologia Mística - Discursos sobre o Tratado de São Dionísio.

1 de outubro de 2016

Meditação é esperar - Osho


Osho me responda: O que é meditação ?


Osho: Isso é estranho. Me lembra de uma história.

Um fã de criket levou sua namorada para um encontro - era uma noite de lua cheia e a praia estava em silêncio e eles se sentaram na praia, e estava lindo . Eles estavam de mãos dadas e se abraçando . E o fã de criket começou a falar sobre criket e continuou falando por três horas. Então, de repente, ele se deu conta de que devia esta sendo chato para a garota. Três horas é muito tempo! Então ele disse: 'Desculpe, perdoe-me. Eu fiquei falando por três horas sobre o meu hobby. Eu sou um fã do criket, eu sou louco por cricket. Devo ter aborrecido você completamente?
A moça disse: 'Não, não mesmo. Mas o que é cricket?

Agora você pergunta 'O que é meditação ? e toda a minha vida eu tenho falado sobre meditação. Mas ainda assim, eu entendo por que surja a pergunta . Você escuta , mas você não pode alcançar. Você entende intelectualmente o que é meditação, mas ainda permanece indefinida . Você não pode agarrar-se a ela. E você não pode agarrá-lo !

Não é que algo esteja errado com você. A meditação não pode ser agarrada , você tem que permitir que isso aconteça para que ela possa agarrá- lo. A meditação não é algo que você tem que fazer; a meditação é algo que você tem que esperar ! É algo que vem , e vem por conta própria. É como uma brisa. Não é que você pode retirá-la, que você possa gerenciar e encomendá-la . Você não pode pedir qualquer coisa que é valioso.

Você não pode pedir a Deus. Deus dei-me a meditação, Satori, Samadhi, Iluminação, Nirvana, - não podem ser encomendados. 

A própria ideia de pedir é bobagem . Você pode receber. Certamente você pode receber. Você pode convidar, você pode esperar com paciência. Assim, sempre que você está se sentindo feliz, sempre que você estiver se sentindo alegre , sempre que você estiver se sentindo harmonioso, em sintonia , então, basta sentar-se em silêncio. Espere por ele . 
Basta esperar por isso! Nada mais é necessário fazer.

Meditação não é uma ação. É só esperar. 
Relaxe e espere. Deite-se ou sente-se ou fique de pé - como você se sentir melhor - e espere por ela . Espere , alerta, e em breve você vai ouvir os sussurros , os passos silenciosos de algo que está chegando mais perto de você . Logo você verá que algo está entrando em seu coração, em seu ser. Você não pode vê-la , mas ela está lá. Você pode senti-la. É como um perfume que entra por suas narinas . É como a luz. Mantenha a janela aberta. Isso é tudo que você precisa fazer: basta manter a janela aberta, então quando a luz surge e as nuvens não estão lá e o sol está alto, os raios podem entrar em você.

Sobre a meditação você pode fazer apenas coisas negativas. 
Mantenha a porta aberta, mantenha-se acordado, mantenha-se alerta, e ela vem . Ela certamente vem . Ela imediatamente começa a fluir em você. É uma bênção. Você não pode puxar, você não pode manipulá-la. A meditação manipulada não vai ser de qualquer valor. Isso é o que as pessoas estão fazendo . Alguém está fazendo MT , alguém está fazendo alguma coisa - tentando manipular .

Aqui, quando você está fazendo o Chaotic meditação Caótica (Dinamica) ou a Kundalini ou a Nadabrahma , estas não são realmente meditações , você está apenas entrando em sintonia. Se você já as viu, é como os músicos clássicos indianos. Durante meia hora, ou às vezes até mais, eles simplesmente vão afinando seus instrumentos. Eles vão movimentando os botões , eles vão tornando as cordas apertadas ou soltas , e o que toca o tambor vai continuar verificando seu tambor - se está perfeito ou não. Durante meia hora eles vão fazendo isso. Isso não é música , isso é apenas preparação.

Kundalini não é realmente a meditação , é apenas preparação. Você está preparando seu instrumento. Quando ele está pronto , então você está em silêncio. Em seguida, começa a meditação . Então você está completamente lá. Você acordou pelos saltos, pela dança , pela respiração , gritando - estes são todos os dispositivos para torná-lo um pouco mais alerta do que você normalmente é. Uma vez que você está alerta , então espere.

Esperar é a meditação - esperando com plena consciência. E então ela vem, descendo sobre você, o rodeia , ela se lança ao seu redor, ela dança ao seu redor, ela limpa-o , purifica-o , transforma-o. 
Osho em Eu Sou a Porta

24 de setembro de 2016

Além dos filmes da mente - Ruper Spira


Participante: Posso ver agora que sou consciência, e posso experimentar, vejo agora, é fácil, porém muitas vezes eu vejo que não posso acalmar a mente fingindo ser consciência. Em seguida, haverá pensamentos de dúvida que possa surgir.

Rupert Spira: Você está certo, se você acha que está na mente vai ser extremamente difícil sair da mente e você terá uma batalha sem fim e é por isso que, em primeiro lugar, eu estou tentando mostrar que você não está no mente.

Concordo que se você acha que está na mente vai ter um problema real, você vai ter que trabalhar duro na esperança de que um dia, depois de vinte anos de intensa prática espiritual, poder encontrar-se e livre -se da mente.

Imagine um filme onde você é a tela em que o filme é projectado. O que você está perguntando é: o que eu tenho que fazer, a tela para sair do filme? Isso é o que você está pedindo é um absurdo, ilógico; Seu problema não é que você está na mente, mas que você pensa que está na mente.

Em vez de lutar com a sua experiência, explore a sua experiência e depois veja se há algo real com o qual lutar.

Participante: Eu acho que tem que continuar praticando mais e parar de acreditar na mente.
Ruper Spira: Quando você diz, "Eu tenho que praticar um pouco mais" está alimentando aquele velho hábito de lutar com a sua mente; isso não tem nada a ver com a prática, que tem a ver com a compreensão. Não me refiro a esse entendimento intelectual, mas uma compreensão que se vem da experiência, uma visão clara.
Participante: Sim, obrigada!"


Ruper Spira em Satsang

17 de setembro de 2016

O ego 'iluminado' - Adyashanti


"Uma das ilusões mais comuns após o despertar é a ilusão de superioridade. Isto é muito comum em círculos espirituais. As pessoas podem ficar presas num sentimento de superioridade, quer elas estejam despertas ou não; é uma armadilha no estado de sonho, tal como é uma armadilha quando alguém está atravessando do estado desperto não-permanente para o estado desperto permanente.

Mas após o despertar, a mente egóica pode entrar e começar a sentir um senso pessoal de ser melhor, como se o despertar tornasse alguém melhor do que outro. Isto é muito comum; é quase uma parte natural do processo.

Inerente a esta ilusão está a sensação de que sabemos alguma coisa. Porque nós despertámos, nós sabemos. Porque nós despertámos, nós estamos certos. Porque nós despertámos, nós estamos sempre certos.

Neste momento, o ego - que é o construtor do estado de sonho - pode se apropriar desta percepção e começar a criar o que eu chamo de um ego iluminado.

Não há nada mais desagradável do que um ego iluminado. É um ego que pensa que é iluminado, um ego que pensa que está desperto, um ego que está usando alguma da energia e realização do despertar para a construção de um novo e superior senso de eu."

Adyashanti em Satsang

13 de setembro de 2016

Céu e inferno - Osho


"Você diz: Eu estou confuso.
Isso é a mais pura verdade. Mas, eu não estou confuso. Sou absolutamente claro. O meu interesse não é na História, o meu interesse não é no mundo dos fatos: o meu interesse é na revelação da verdade. Seja lá quem tenha sido esse homem, Dionísio, ele era um buda. A prova intrínseca - está nas suas palavras. Essas palavras não podem ter sido ditas por nenhum outro, exceto por aquele que chegou lá.

Esta é a abordagem oriental. O Ocidente pensa demasiadamente em termos de História. "História" significa consciência do tempo. Se este homem existiu ou não; depois quem eram seus pais, em que data ele nasceu e quando morreu, e onde estão as provas de tudo isso.

Vocês ficarão surpresos de saber que o Oriente jamais teve algum tipo de interesse em história, pela simples razão de que história significa tempo. Tempo significa mente. Quando a mente pára o tempo pára. Você pode já ter sentido isso. Quando não tem nenhum pensamento em sua mente, resta algum tempo lá? A procissão dos pensamentos cria o tempo.

Este é o insight mais fundamental da Teoria da Relatividade de Albert Einstein: que o tempo é um fenômeno flexível, ele depende dos humores. Se você estiver feliz, o tempo voa; se você estiver infeliz, o tempo diminui a marcha. Se você estiver sentado ao lado de um moribundo, a noite parece ser quase sem fim - parece que a manhã não vai chegar nunca. E se você estiver sentado ao lado da mulher ou do homem que você ama, aí então, parece que o tempo tem asas - passa voando. As horas passam como minutos, os dias passam como horas, os meses passam como dias.

No que tange ao relógio, não há nenhuma diferença, quer você esteja alegre, triste, feliz, ou infeliz. O relógio gira, indiferente a você. Assim, existem duas coisas a serem lembradas: o tempo do relógio é uma coisa totalmente diferenciada do tempo psicológico; o tempo psicológico está dentro de você.

Einstein não era um meditador, caso contrário a sua Teoria da Relatividade teria atingido picos muito mais altos. Ele dizia apenas: "Quando você está alegra, o tempo passa rapidamente, quando você está miserável, o tempo diminui a marcha". É um grande insight, mas tivesse ele sido um meditador, o mundo teria sido imensamente enriquecido, porque então ele teria dito uma coisa a mais:" Se você está absolutamente sem mente, apenas pura consciência, o tempo pára completamente, desaparece, sem deixar marcas.(...)

Quando Jesus diz que o inferno é eterno, ele está dizendo o que Albert Einstein disse vinte séculos depois: que o inferno é tão doloroso, é uma miséria tão grande que é como se fosse eterno. Ele não é eterno, mas parece eterno.

E para equilibrar isso, você terá de olhar na mitologia hindu: o céu é momentâneo. Daí, então, você será capaz de compreender toda a questão: então ambos os lados dela ficam disponíveis a você. 
O inferno parece ser eterno e o céu parece ser momentâneo. Todos os seus prazeres parecem momentâneos. Mas os prazeres estão fadados a ser momentâneos. Todos os, assim chamados Mahatmas e santos, continuam dizendo isso: que os prazeres são momentâneos. Mas os prazeres estão fadados a serem momentâneos. Mas continua-se pensando que deve haver um prazer que seja eterno. Isso é impossível! Nenhum prazer pode ser eterno e nenhuma dor pode ser momentâneo.
Desse modo, no Oriente, temos um terceiro termo que não é "dor" nem "prazer": é "bem-aventurança".

A bem aventurança é atemporal - ela não é nem momentânea, nem eterna. Ela simplesmente não tem nenhuma relevância para o tempo. Tempo significa história.

Veja bem, o que você vai ganhar, mesmo que venha a saber quem é esse homem, o Dionísio? De que modo isso lhe ajudaria a compreender as afirmações dele? Isso o ajudaria a tornar-se um acordado, a tornar-se um meditador? Não. Você ficaria perdido numa floresta de palavras; você não seria capaz de sair dessa floresta; 

A erudição é uma enorme floresta - na verdade, é a única floresta que ficou no mundo; todas as outras desapareceram. Mas uma vez que se entre nela, não há fim.(...)

Lembre-se bem: que Buda não crê em nenhum paramatman; deve ter sido invenção. Buda não crê em nenhum Deus. "Buda é a pessoa mais divina e contudo, a pessoa mais sem deus". Ele é um dos mais lindos fenômenos que aconteceu na Terra; sem deus e divino ao mesmo tempo.
Mas você está vivendo de coisas tomadas emprestado, e isso acontece. 
Quando se vive a partir de coisas emprestadas, fatalmente você será confundido."
Osho em Teologia Mística

10 de setembro de 2016

Em Consciência plena - Ramesh Balsekar


"Pergunta: Essa 'fonte' da qual você fala, é separada em cada individuo ou é algo que encobre todo mundo?
Ramesh: É algo que encobre a todos. Está dentro de todos, de todo objeto.

Pergunta: Uma parte é separada e dada para mim e outra parte para outra pessoa?
Ramesh: Não, não. É tudo um. Essa é a totalidade da qual os místicos têm falado a respeito por centenas de anos, e que os cientistas têm falado desde que a mecânica quântica foi desenvolvida. Tudo o que há, é essa totalidade e unidade que não pode ser separada.

A Consciência impessoal é o Shiva ou Atman, ou o Ser, como Ramana Maharshi costumava dizer. E o jiva ou o ser que é o “ser egoísta”, é a consciência identificada. O que Ramana Maharshi costumava dizer é que a Consciência é o oceano todo.

A Consciência universal ou o Ser, é o oceano e o jiva ou a consciência identificada é uma bolha. Mas a bolha em si, enquanto permanece uma bolha, está aparentemente separada. Entretanto, o que é a bolha senão água? E quando a bolha estoura, para onde ela vai? Ela se torna o oceano.

Quando a compreensão acontece, não faz diferença quais palavras são usadas ou que mestre as usou. Cada mestre usou palavras diferentes apenas por uma razão: sua audiência era diferente, as circunstâncias diferentes, as pessoas diferentes e os tempos diferentes.

Nisargadatta me disse uma vez e fiquei surpreso quando ele disse: 'Muitos de meus colegas não gostam do que eu digo, pois eu não estou repetindo como um papagaio as palavras que meu guru usava. O que sai de meus lábios é o que você precisa, não o que os meus colegas e eu precisamos.” (...)

Pergunta: De acordo com o que você diz, a Consciência é todas as coisas.
Ramesh: Sim.

Pergunta: A Consciência criou o 'eu'?
Ramesh: Sim. O 'eu' não é nada além da Consciência. A forma é uma outra questão. Mas o 'eu' ainda é a Consciência que criou a identificação dentro do corpo na forma de um 'eu'.

Pergunta: Se o sentido de 'eu' vem da Consciência, a Consciência está ali, não é?
Ramesh: Ela está ali. Ela está aqui, e estará aqui mesmo quando este organismo corpo-mente não estiver aqui. Esse é o ponto.
É por isso que a questão básica do Zen é: “Qual era a sua face original? Qual era a sua natureza real antes de os seus pais nascerem?”
Sua natureza verdadeira não começou com o seu nascimento e não irá perecer com a morte do corpo.

Pergunta: No livro 'Antes da Consciência', Nisargadatta Maharaj diz: “a Consciência é tudo o que há”. Ele diz isso uma porção de vezes, mas às vezes ele fala da Consciência de uma maneira negativa, que deveríamos ir antes da Consciência.
Ele fala dela de duas maneiras diferentes, como o Absoluto e como algo que está nos impedindo. Ele sugere que temos de ir além da Consciência. Eu não entendo.


Ramesh: A Consciência, quando ele fala dela como um obstáculo, é a Consciência identificada. 

Antes da Consciência é a Consciência-em-repouso, que é a nossa natureza real. Então ele fala sobre o 'numenal' e o fenomenal. Na fenomenalidade, este sentido de presença é o estado desperto, e é quando sua mente está ativa.

Então o sentido de presença que ele considera ser uma obstrução, é o sentido de presença no estado desperto, que implica a contínua conceitualização da mente. 

A mente não conceitualiza, não pode conceitualizar no sono profundo, porque o sentido de presença está ausente. No 'Antes da Consciência', o que ele fala a respeito, é a ausência de ambos, a presença do sentido de presença e da ausência do sentido de presença onde a questão da

Consciência não surge de maneira alguma. Pois no estado de repouso, a Consciência nem mesmo está ciente de si mesma.

Pergunta: Por que ela não está ciente de si mesma?
Ramesh: Porque não existe 'outro' (algo separado) para estar ciente.

Pergunta: Então, o antes da Consciência é a Consciência-em-repouso? E não significa a ausência dela. Não é apenas a pura Consciência?
Ramesh: É a pura Consciência. Esse estado não está negando a Consciência. Ele nega essa alternância da presença e da ausência da Consciência que ocorre apenas na fenomenalidade,
portanto está negando a própria fenomenalidade.

Pergunta: Quem é que faz essa negação da fenomenalidade?
Ramesh: É a mente. Portanto, a Realidade última só pode existir quando ocorre a negação do próprio negador. Quando a própria mente é negada, não há nenhuma 'pessoa' para negar. Não há nenhuma 'pessoa' para pensar sobre um conceito a respeito da realidade. Esse é um estado onde nenhum conceito é possível.

Pergunta: Essa é a pura Consciência?
Ramesh: Sim, você pode chamá-la de pura Consciência, Consciência-em-repouso.

Pergunta: Anterior à consciência identificada?
Ramesh: Contanto que você a entenda, não há necessidade de nenhuma palavra.

Pergunta: Ela também é impura?
Ramesh: A partir do momento em que você a nomeia pura Consciência, ela fica impura.

Pergunta: Você diz que isto é “tudo um mundo de sonhos, uma ilusão”, e que nós criamos toda manifestação. Ao mesmo tempo você diz que para que a mente e a Consciência possam aparecer, tem de haver um corpo. O que vem primeiro, o corpo ou a Consciência?
Ramesh: Tudo o que existe é a consciência. Naquele estado original chame-o de realidade, chame-o de absoluto, chame-o de um nada, naquele estado não havia razão de estar ciente de nada. Assim a Consciência-em-repouso não estava ciente de si mesma. Ela tornou-se ciente de si mesma apenas quando esse repentino sentimento 'Eu Sou' surgiu.

O 'Eu Sou' é o sentimento impessoal de estar ciente. E foi aí que a Consciência-em-repouso tornou-se Consciência-em-movimento, quando a energia potencial tornou-se energia de fato. Elas não são duas. Nada separado sai da energia potencial.

A Consciência-em-movimento não está separada da Consciência-em-repouso. 
A Consciência-em-repouso torna-se a Consciência-em-movimento, e esse momento que a ciência chama de Big Bang o místico chama de o repentino surgimento da consciência (awareness)."

Ramesh Balsekar em Cousciousness Speaks

3 de setembro de 2016

O que é Vedānta - Swami Dayananda


"Vedānta é a solução para o problema que surge quando me vejo como um mortal imperfeito, sujeito a várias limitações. Essa é a conclusão à qual cada indivíduo chega ao julgar precipitadamente. Vedānta é o ensinamento que resolve este problema. Na visão do Vedānta, você é a solução para o problema que você sofre. "Eu sou Brahman, a totalidade " é Vedānta. Portanto, Vedānta é a solução.

Vedānta não oferece uma solução. A solução é o Vedānta. Onde quer que haja uma solução, essa solução é o Vedānta. A solução só pode ser na forma de "Eu sou a totalidade. Eu sou livre." Qualquer coisa que se revela neste pedaço particular de conhecimento é Vedānta, é o que se pode dizer. Porque Vedānta é o conhecimento encontrado no final dos Vedas e é chamado Vedānta (anta quer dizer "fim").

O Veda é um corpo de conhecimento proferido de uma geração para outra. Ele não tem autoria, uma vez que não foi dada autoria a qualquer indivíduo. É um corpo de conhecimento que foi revelado aos antigos sábios que, por sua vez, foi entregue para a próxima geração, que o entregou para a próxima e assim por diante, até ao nosso tempo.

Esta linhagem é chamada karna-paramparā em sânscrito, significa "de orelha a orelha." O conhecimento é ouvido através de um par de orelhas e por ter sido preservado é passado para outro par de orelhas e desta forma, todo o Veda é mantido intacto.

O Veda é dividido em quatro volumes: Ṛg, Yajur, Sama e Atharva. Estes quatro Vedas são novamente divididos em duas partes, separadas por assunto. A primeira parte de cada um dos Vedas é chamada de karma kaṇḍa. A última parte é chamada jñāna-kaṇḍa.

Karma-kanda é a seção que trata de rituais e orações, enquanto o jñāna-kaṇḍa lida apenas com realidades - a natureza do eu, o mundo e Deus; como esses três estão interligados e se existe uma diferença entre eles ou não. Este conhecimento das realidades liberta a pessoa porque a visão védica é que você é a totalidade e não há diferença alguma entre você, o mundo e Deus.

O ensino é geralmente na forma de um diálogo entre professor e aluno. Um diálogo particular, ou vários diálogos juntos, compõem uma Upanishad. Portanto, Vedānta é também conhecido como Upanishad, que forma o corpo de conhecimento e que é a solução para o problema humano fundamental.

E é por isso que nós não dizemos que o Vedānta oferece a solução. Nós dizemos que a solução é o Vedānta porque a solução está na forma de conhecimento, que é o Vedānta.
Om tat sat!"

27 de agosto de 2016

O mistério da Cura - Jeff Foster


"Abraçar e nos abrirmos à nossa dor - à tristeza, ao medo, ao pesar, às dúvidas - não necessariamente faz com que a dor seja menos intensa, ou que seja mais fácil de suportar no momento.

E não existem promessas aqui, no campo da Verdade, se desenrola momento a momento.

Cada momento pode se tornar mais e mais intenso até que se dissipe. Poderia nunca ir-se também. Mas este não é o ponto.

Nós abraçamos nossa dor com o fim de fazê-la 'desaparecer'. Isso é resistência e não aceitação.

Sem dúvida, não somos mártires, e não somos masoquistas, e não somos narcisistas, nem tampouco estamos obcecados com nosso sofrimento, nem tampouco, estamos morrendo de amores por ele. Só estamos interessados na Verdade deste momento.

Estamos enamorados da vida mesma. E sabemos que cada sensação, cada onda de medo, cada formigamento, cada palpitação, cada vibrante parte do corpo, não é outra coisa que a vida mesma, uma expressão plena de consciência, que está aqui para ser incluída; sabemos que não se trata de nenhum inimigo, ou ameaça à totalidade, somente uma expressão DA totalidade. E sabemos que fugir da nossa dor, reprimi-la, ignorá-la, negá-la, tratar de anestesiá-la, ou fazer com que 'desapareça' só nos converte em escravos dela, vivendo atemorizados e que em última instância, seria como se estivéssemos fugindo de nossos próprios filhos.

Compreendemos que o caminho para abrirmos é o caminho sem caminho, é o caminho da inclusão radical, de dizer SIM a qualquer coisa que surge em nós, SIM tanto ao tédio, quanto à felicidade, SIM tanto a alegria como a tristeza. E sabemos que este é o caminho menos percorrido: o caminho da coragem, o de submergirmos nús no desconhecido dia após dia. Sabemos que este é o único caminho para nós- isso, depois que tivermos tentado todos os outros caminhos!

Cura não significa eliminar imediatamente a dor. Significa abrirmos à dor e em sua imediates, e abrirmos à alegria, e abrirmos ao pesar, ao êxtase, e à nossa incapacidade de nos abrirmos e de conhecermos nós mesmos como esta abertura, essa imensidão onde tudo é incluído, e onde tudo é permitido, e onde tudo é bem-vindo, onde tudo está vivo."

Jeff Foster em Satsang

20 de agosto de 2016

A Felicidade - J.Krishnamurti

 


"A Felicidade não vêm quando estais lutando para alcançá-la. Eis o grande segredo — embora isso seja muito fácil de dizer. Eu posso dizê-lo em poucas e simples palavras; mas, pelo simples fato de me escutardes e de repetirdes o que ouvis, não ides ser felizes. Coisa estranha, a felicidade: ela só vem quando a não buscais. 

Quando nenhum esforço estais fazendo para serdes feliz, então, inesperadamente, misteriosamente, surge a felicidade, nascida da pureza, da beleza do viver pleno. Mas isso exige muita compreensão, e não que ingresseis em alguma organização ou procureis tornar-vos alguém. 

A Verdade não é coisa conquistável. Surge quando vossa mente e vosso coração foram depurados de todo impulso de luta, e já não estais tentando tornar-vos alguém; ela está presente quando a mente está muito quieta, escutando, num plano atemporal, tudo o que se passa. Podeis escutar estas palavras, mas, para haver felicidade, deveis descobrir como libertar a mente de todo temor.

Enquanto tiverdes medo de alguém ou de alguma coisa, não pode haver felicidade. Não haverá felicidade enquanto temerdes vossos pais, vossos mestres, enquanto receardes não passar nos exames, não progredir, não poder aproximar-vos do Mestre, da Verdade, não merecer louvores, lisonjas. Mas se, realmente, nada temerdes, vereis então — ao despertardes uma bela manhã ou ao dardes um passeio a sós — acontecer de repente algo extraordinário: sem ser chamado, nem solicitado, nem procurado, aquilo a que se pode chamar Amor, Verdade, Felicidade, se manifesta subitamente.

Eis por que tanto importa que sejais educados corretamente enquanto estais jovens. O que atualmente chamamos educação não é de modo nenhum educação, porque ninguém vós fala dessas coisas. Vossos mestres preparam-vos para passardes nos exames, mas não vos falam sobre o viver. Os mais de nós conseguimos apenas subsistir, arrastar-nos de alguma maneira pela vida e, por isso, a vida se torna uma coisa terrível. O viver realmente exige abundância de amor, de sensibilidade ao silêncio, grande simplicidade a par de abundante experiência. Requer uma mente capaz de pensar com toda a clareza, não tolhida pelo preconceito ou a superstição, pela esperança ou o medo. Tudo isso é a vida, e se não estais sendo educados para viver, vossa educação é completamente sem significação. Podeis aprender a ser muito asseados, a ter boas maneiras, e podeis passar em todos os vossos exames; mas, dar importância primária a essas coisas, enquanto toda a estrutura da sociedade está a esboroar-se, é o mesmo que estar a limpar e a polir as unhas, com a casa a arder. Vede, ninguém vos fala sobre nada disto, ninguém examina nada, junto convosco. 
Assim como passais dias sucessivos estudando certas matérias — Matemática, História, Geografia — deveríeis, também, passar uma boa parte de vosso tempo falando sobre estes assuntos profundos, pois isso dá riqueza à vida."
J.Krishnamurti em  A cultura e o problema humano
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