30 de setembro de 2014

O Vazio Vivo - J.Krishnamurti


"Você não é nada, é o vazio consciente vivo do ser. 

Você é a energia consciente universal livre do conteúdo psicológico identificador do pensamento. 

Cultural e psicologicamente você pode ter o seu nome e título, a sua propriedade e conta bancária, você pode ter poder, riquezas e ser famoso, mas apesar de todas essas salvaguardas, você é como o nada.

Você pode ser totalmente inconsciente desse vazio, desse nada ser, ou você pode simplesmente não querer estar ciente disso, mas ele está lá, está sempre presente, faça o que você fizer para evitá-lo. Você pode tentar fugir disso em caminhos tortuosos, através de violência pessoal ou coletiva, por meio da adoração individual ou coletiva, através de conhecimento ou de diversões, mas esteja você dormindo ou acordado, ele está sempre lá.

Você pode observar sobre o seu relacionamento com este nada, esse vazio, sua ausência de conteúdo psicológico e seu medo só se ficar consciente sem escolha alguma das fugas. 

Você não está relacionado a ele como uma entidade individual em separado; você não é o observador vê-lo, sem você, o pensador, o observador, não existe. Você e nada são uma só coisa você e nada são um fenômeno comum, e não dois processos separados.

Se você, como o pensador, têm medo dele e o encara como algo contrário e oposto a você, então qualquer ação que você possa fazer sobre ele, o levará inevitavelmente a ilusão e, assim, novos conflitos e miséria. 

Quando há a descoberta, a vivência desse nada que você é, então o medo - que só existe quando o pensador está separado de seus pensamentos e assim tenta estabelecer uma relação com eles - cessa completamente."
J.Krisnamurti em Satsang 

25 de setembro de 2014

Agonia e o Êxtase - Osho


"O homem está constantemente indagando, uma indagação contínua. Até a última respiração ele continua crescendo. Até o momento de sua última respiração ele pode mudar todo seu padrão de vida.
Ele pode dar um salto quântico.

Não há nenhuma necessidade de ele continuar seguindo o padrão que seguiu. Até o último momento ele pode sair. Ninguém pode impedi-lo, é sua liberdade. O homem é o único animal na existência que tem liberdade - e, devido à liberdade, existe a agonia.

Agonia, significa: eu não sei quem eu sou.

Eu não sei para onde estou indo e por que estou indo. Eu não sei, o que quer que eu esteja fazendo eu devo fazer ou não. A questão permanece continuamente; nem por um único momento a questão vai embora. O que quer que você faça, a questão está lá: Você tem certeza? Isso é realmente o que você deve fazer? Esse é o lugar onde você deve estar? A questão não o deixa nem por um momento. E isso é tão profundo quanto algo pode ser em você. Toca o âmago de seu ser. Esta é a agonia - o sentido não é conhecido, o propósito não é conhecido, o final não é conhecido. É como se fôssemos acidentais, como se tivéssemos nascidos por algum acidente.

Nenhum outro animal, nenhuma árvore, nenhum pássaro á acidental; eles são planejados. A existência tem todo um programa para eles. O homem parece ser completamente diferente.

A existência deixou o homem totalmente livre.

Quando você se torna consciente dessa situação, surge a agonia. E é auspicioso senti-la. Por isso eu digo que não é uma dor, um sofrimento, uma infelicidade comuns. É muito extraordinário e de um enorme valor para toda a sua vida, para seu crescimento, que você sinta agonia, que cada fibra de seu ser sinta o questionamento, que você se torne simplesmente uma dúvida.

E, naturalmente é assustador. Você é deixado em um caos. Mas desse próprio caos nascem as estrelas.

Se você começar a se encher de medo, se não começar a se encher de medo, se não começar a escapar de sua agonia....Todos estão tentando escapar, encontrando maneiras: apaixonando-se, fazendo isto e aquilo, ficando de algum modo engajado em algo, alguma coisa, porque tem medo. Se houver uma lacuna entre as duas e a dúvida surgir na sua cabeça, e você começar a se sentir agonia, você continua, prossegue correndo; não para. As pessoas começam a correr desde o nascimento e vão assim até a morte. Elas não param, não se sentam à beira da estrada debaixo de uma árvore.

Para mim, as estátuas de Buda e Mahavira no Oriente, sentados em uma postura de lótus debaixo de uma árvore não significam nada histórico. (...) Essas são pessoas que pararam de correr. Estas são as pessoas que saíram da estrada na qual toda a procissão da humanidade está caminhando. São os verdadeiros egressos, os que nunca voltarão para a estrada.(...) A estrada é o mundo, onde todos estão indo para algum lugar, tentando encontrar alguma coisa, e na verdade basicamente tentando se esquecer de si mesmos, porque isso dói. Lembrar-se de si mesmo dói, e a única coisa que todos estão fazendo é ficar engajado, concentrado - na busca daquilo. Tornar-se um pintor, tornar-se alguém e continuar se tornando. Não pare, porque se parar vai tomar consciência de sua dor; a ferida vai começar a se abrir. Então, não lhe dê essa chance; Esta é a estrada.(...)

Agonia é a experiência de que você entrou no mundo como uma placa limpa, uma tábula rasa; nada está escrito nela. Esta é sua face original.

Então, você pode fazer duas coisas. Uma delas é, tendo medo desse vazio, você pode começar a correr atrás de uma coisa ou outra - ganhar dinheiro, poder, erudição, ascetismo, tornar-se sábio, um estudioso, um político - que de alguma forma lhe dê uma sensação de identidade, que de algum modo esconda seu próprio caos interior.

Mas, independentemente do que você faça o caos estará ali e irá permanecer ali. É uma parte intrínseca sua. Por isso, aqueles que entendem não tentam de maneira alguma escapar dele. Ao contrário, tentam penetrá-lo.

Estas são as duas maneiras: ou correr dele, como todos os demais estão fazendo, ou penetrá-lo. Atingir seu próprio centro, não importa quão doloroso, atemorizante possa parecer, mas atingir o centro, porque esse é você. E é bom pelo menos uma vez estar no centro de seu ser.

No momento em que você atinge esse centro, a segunda palavra se torna significativa : êxtase.
O êxtase é a flor da agonia.
A agonia não é contra o êxtase.
A agonia é o caminho para o êxtase.

Você simplesmente tem de aceitá-la - o que mais se pode fazer? Ela esta ali. Você pode fechar os olhos - isso não significa que o sol tenha desaparecido; ele continua lá. E todos estão tentando fechar os olhos; o sol brilha demais. Então, feche completamente os olhos. Esqueça o sol, não olhe para ele. Como se ele não estivesse ali. Acredite que ele não está ali.

Essas pseudo-religiões estão tentando lhe ensinar exatamente isso; tente alcançar Deus, tente alcançar o céu...

Nenhuma delas diz para você para você não seguir ninguém e não buscar nenhum paraíso ou o céu, pois todas elas estão tentando iludi-lo.

Eu digo: encontre a si mesmo, encare a si mesmo. Faça um giro de 180 graus.
Olhe para o caos que está aí, para a agonia que está aí. E se essa for sua natureza, então, por mais dolorosa que seja temos de nos relacionar com ela. E o milagre é: é doloroso passar por ela, mas será maior a bem-aventurança quando você a tiver transposto e atingido o centro de seu ser.

A agonia está em volta do centro, e o êxtase está exatamente no centro. Talvez a agonia seja apenas uma casca protetora - o êxtase é tão valioso que necessita de proteção, e a natureza criou esse muro de proteção - sem falar dos outros. Até mesmo você começa a fugir dele. Quem vai entrar na sua agonia, se você mesmo está fugindo dela?

No momento em que você pensa nela, a agonia parecer ser um dom enorme da natureza. Ela muda sua própria cor, sua fragrância, seu significado. É um muro de proteção, tão protetor que até você começa a fugir dele.

Não fuja de si mesmo, aconteça o que acontecer. A coragem de um homem é julgada pela entrada em seu próprio caos interior. Você é digno de se considerar um ser humano quando atingiu o centro. E a partir do centro, você pode ver seu entorno. Você é bem-aventurado - e não só você é bem-aventurado; vista do centro, toda a existência também é bem-aventurada.

A agonia e o êxtase são dois lados de seu ser. Ambos fazem de você uma unidade orgânica, um todo.

Assim, não estou lhe dizendo como se livrar da agonia.

É isso que as pseudo-religiões vêm lhe dizendo há séculos. Estou lhe dizendo como se relacionar bem com a agonia, como se apaixonar pelo caos.

Quando você se apaixona pelo caos, pela liberdade que o caos proporciona, pelo espaço ilimitado que o caos proporciona, entre nele até atingir o centro.

Encontrar a si mesmo é encontrar tudo.

Então não haverá falta de nada, então não restará nenhuma dúvida. Então, pela primeira vez você terá a resposta. Embora você não possa transmitir a resposta para mais ninguém, você pode comunicar a maneira como você a encontrou.

Essa é a função do mestre. Ele não lhe dá a resposta. Ele não o torna mais sábio. Ele simplesmente lhe mostra o método, como ele se encontrou. Ele o encoraja a dar um salto para dentro de seu caos, para dentro de sua agonia. O mestre é simplesmente uma prova de que você não precisa ter medo. Se esse homem pôde encontrar seu próprio centro, passando por toda a agonia, não há razão por que você também não possa fazê-lo. E quando você conhece o sabor do êxtase, toda a sua vida pela primeira vez, terá algo que pode ser chamado de celestial. Uma nova qualidade surge em você, uma nova chama. Mas essa é a nossa natureza , a natureza de todo mundo."

Osho em A Jornada do Ser Humano

22 de setembro de 2014

Não se identifique, observe! - Osho


"Observe a ganância, observe o sexo, observe a cólera; a dominação, o ciúme.
Uma coisa deve ser lembrada: não se identifique; simplesmente observe, torne-se um expectador. Geralmente, a qualidade de testemunha cresce e passa a ser capaz de notar todas as nuances da manifestação.

São muito sutis. 


Você passa a ser capaz de ver o quanto são sutis as funções do ego,
como são sutis duas formas. Não é uma coisa grosseira. É muito sutil e delicada e profundamente oculta. Quanto mais você observa, mais seus olhos se farão capazes de ver, mais perceptivos se tornarão e, quanto mais você ver, mais profundamente caminhará e maior distância se estabelecerá entre você aquilo que você faz. 

A distância ajuda porque, sem distância, não pode haver percepção. Como
você pode distinguir uma coisa que está demasiado próxima? Se seus olhos estiverem tocando o espelho, como você poderá ver?

Uma distância é necessária. E nada pode dar-lhe distância, a não ser o
testemunhar. Tente e verá.(...)

A testemunha é um estranho. Por sua própria natureza, a testemunha nunca pode tornar-se alguém que está de dentro.

Procure essa testemunha e, então coloque-se no topo da colina: tudo se passa no vale, sem que você tenha a menor participação. Você simplesmente vê: o que você tem com aquilo? É como se tudo tivesse se passando com outra pessoa.(...)

Lembre-se, simplesmente, de uma coisa: você tem que ser um observador, porque, então, a identificação se romperá, então a raiz será cortada. E, desde que a raiz seja cortada, de vez que você descubra que você não é aquele que atua, tudo se modifica de repente. E a modificação É súbita, não há graduação nela.(...) 

No momento em que você corta a raiz da mente, a identificação, a SAMSARA, tomba com ela, todo o mundo se desmorona como um castelo de cartas. Basta uma pequena brisa de consciência, e toda a casa cai. De súbito, você está ali; não mais no mundo pois você transcendeu. 

Você pode viver da mesma maneira antiga, porque você já não é antigo. É um ser perfeitamente novo — isso é um renascimento. 

Os hindus o chamam DWIJ, duas vezes nascido. 

Um homem que a isso chegou é duas vezes nascido; a Iluminação é um segundo nascimento: o nascimento da alma. Isso é o que Jesus quer dizer quando fala em ressurreição. 

A ressurreição não é o renascimento do corpo, é um novo nascimento da consciência."
Osho em O Livro dos Segredos

19 de setembro de 2014

Sobre o Pensamento - J. Krishnamurti


"O pensamento pode resolver nossos problemas? 
Já resolveu um problema pensando nele? 
Qualquer tipo de problema – econômico, social, religioso – já foi alguma vez realmente solucionado por meio do pensar? 

Em nossa vida diária, quanto mais você pensa num problema, tanto mais
complexo, mais obscuro, mais incerto ele se torna. Não é assim em nossa vida diária real? 

Pensando sobre certas facetas do problema, você pode ver mais claramente o 
ponto de vista de outra pessoa, mas o pensamento não pode ver o problema em sua inteireza, em sua completude, ele só pode ver parcialmente, e resposta parcial não é a resposta completa; portanto, não é uma solução.

Quanto mais pensamos num problema, quanto mais o investigamos, analisamos, discutimos, tanto mais complexo ele se torna. Então, será possível olhar para o problema de modo abrangente, total? Como é possível isso? 

Parece-me que essa é a nossa dificuldade maior, pois os nossos problemas estão sendo multiplicados – há perigo iminente de guerra, há todos os tipos de perturbação no nosso relacionamento – e como podemos compreender tudo isso de modo abrangente, como um todo?

Obviamente, isso só pode ser resolvido quando pudermos olhá-lo como um todo – não em compartimentos, não fragmentados.
Quando isso será possível? Certamente, só será possível quando o processo de pensar centrado psicologicamente – o qual tem sua origem no “eu”, no ego, no fundo da tradição, do condicionamento, do preconceito, da esperança, do desespero – tiver chegado ao fim.[1]

O pensamento como ferramenta fundamental da mente é importante no lugar que lhe cabe, mas não tem importância alguma psicologicamente. 

Psicologicamente o pensamento é uma intrusão, um mal, que aprisiona a consciência humana.
O pensamento é reação da memória, tem origem na memória. A memória é experiência na forma de conhecimento, armazenada nas células do cérebro formando o conteúdo mental que se identifica a si mesmo. Você pode observar o seu próprio cérebro, não precisa se tornar um especialista.
As células cerebrais retêm a memória, sejam de ordem prática, lógica, objetiva, e psicológicas, sejam de ordem cultural, técnica, cientifica, social, econômica etc.etc., e ele, o pensamento é um processo material, não existe nele nada de sagrado, nada de santo, espiritual.
Assim, então, o pensamento criou tudo que temos feito: ir à lua e plantar uma estúpida bandeira lá; ir às profundezas do mar e lá viver; toda a complicada tecnologia e suas máquinas. Criou todos os deuses, crenças, filosofias, toda tradição de cultura. O pensamento foi responsável por tudo isso.
O pensamento também foi responsável por todas as guerras. É isso tão óbvio que você nem precisa fazer perguntas sobre isso. Seus pensamentos dividiram o mundo em Grã-Bretanha, França, Rússia, etc. E o pensamento criou a estrutura psicológica do “eu” e da própria sociedade. Esse “eu” não é santo, não é uma coisa divina, tipo espírito ou coisa assim, apenas uma entidade psicológica formada e identificada pelos próprios pensamentos, que projetando-se nas reações dão continuidade a si própria como tal."[2]

[1] J.Krishnamurti em This Light in Oneself p 56
[2] J.Krisnamurti em The Collected Works vol VI

16 de setembro de 2014

Experiências - Mooji


"Alguns de nós tiveram experiências tremendas. De magnitude bíblica, mas elas passam. E então nós dizemos: Em 1978 eu tive esta experiência...eu estava atravessando uma ponte...um jacaré saltou e arrancou a minha perna com uma dentada, e de repente satori!! (risos...) Em 1978, e desde então nenhuma experiência se aproximou dessa.. (risos...)

Tente perder a outra perna, talvez... (risos...)

Ok! Não irá funcionar.. porque a mente está comparando agora. "eu tive esta experiência maravilhosa e gostaria de ter uma... pode me dar uma igual novamente?

Mas mesmo essa nova experiência irá passar, não é?

Quem presta atenção nisso? Porque, Aquilo naqual aquela experiência teve lugar, está aqui também.

Portanto, talvez, aquilo que estejamos buscando é uma experiência contínua. Mas se é uma experiência contínua, o que a estará experimentando? O que irá observá-la? Não está Isso, aqui e agora?

É muito importante o que estou dizendo, quero compartilhar isso.Talvez, inconscientemente ou ainda não entendemos ou reconhecemos que talvez seja a mente que continua a procurar por experiências, e se conseguissemos ter uma experiência como aquela e podéssemos esticá-la eternamente, estaria bem com isso! ( risos...)

Nem iluminação, esquece isso porque eu consegui a minha longa experiência.. ( risos..) Será isso verdadeiro?

Porque inúmeras experiências vão vir, vão acontecer por através do seu corpo-mente, e eventualmente você ficará habituado a elas e dirá: Está bem, está tudo bem.(...) Seja o que for que vier, está bem, mas não é o despertar. Isso é algo que talvez possa vir ou talvez nada especial. Exceto a antiga tirania, essa não existe mais. A velha paranóia, os medos da vida, da morte não existem mais. Talvez não aconteçam mais experiências espetaculares.E elas nem tem que acontecer, exceto se você está equiparando experiências espetaculares com a Liberdade.

Buda não disse: "Eu estava sentado com Ananda e de repente o Ganges desapareceu!( risos...)

Nada disso está no que ele falou, isso não tem a menor importância.(...) Não se trata da experiência, ele saberia que ela não é real, ela não é o objetivo.

Quem observa as experiências?
Quem observa aparecerem e desaparecerem?É isso que traz você para o seu lar. Portanto, é esta tela que estamos olhando. (...)

Não digo absolutamente porque algumas práticas são necessárias e irão diluir as energias letárigicas; e também é um caminho e uma maneira da consciência buscar seu próprio reflexo perfeito; mas de modo geral, posso dizer que a consciência não pode ser o resultado de algum exercício, porque a consciência já está presente, na qual a tentativa de a encontrar é observada.Não se preocupem se não compreenderem, porque irei repetir isso muitas e muitas vezes. Porque é aqui que o erro está ocorrendo.(...)

Todas as atrocidades no planeta resumem-se à falta de compreensão de quem somos. Todas as dores e sofrimentos, todo o mal, o egoísmo, a ganância a corrupção, tudo isso se deve a uma má compreensão de quem somos.

Ao mesmo tempo, uma compreensão não meramente intelectual, mas apreendida dentro do coração, irá ser a luz que brilha neste mundo novamente.

Não é uma projeção fantasiosa, linda, utópica. Porque cada um, e temos provas também, através de um Buda, um Cristo ou seja quem for isso a 2.500 ou a 6000 anos atrás, sabemos de pelo menos um que conseguiu. Um que reconheceu : Eu não sou nada disso.Não com cinismo, apenas na clara luz da observação, o coração floresce de novo em completa paz, alegria e liberdade.

E 2500 anos mais tarde, novos budistas estão se formando; as pessoas não conseguem esquecer esta pessoa.

Mais importante que o Buda,é o que o Buda descobriu, e isso continua aqui, em cada um, a mesma coisa. Portanto cada um, pode dizer-se é o Buda a espera de despir-se.

Apenas uma compreensão, não necessariamente magia, ou algum tipo de ginástica espiritual, ou efeitos especiais...embora possam estar lá... Mas apenas um ser humano voltando de novo ao seu lar, para a verdade dentro do seu coração.

Não é de mais conhecimento que precisamos.
Não é de mais dinheiro, ou pessoas de sucesso, de fama.
É apenas daquele que sabe e é Aquilo.
Satsang é para isso."
Mooji em Satsang

13 de setembro de 2014

Sobre a Confusão - Osho


"Confusão é uma grande oportunidade. O problema com pessoas que não são confusas, é enorme - é que elas pensam que sabem, e elas não sabem. As pessoas que acreditam que possuem clareza é que é o verdadeiro problema; sua claridade é muito superficial. De fato elas nada sabem sobre claridade; o que chamam de claridade é apenas uma estupidez.

Idiotas são muito claros - claros no sentido de que não tem a inteligência para se sentirem confusos.

Sentir-se confuso necessita de uma grande inteligência.

Apenas os inteligentes sentem confusão; por outro lado, o medíocre segue se movendo na vida, sorrindo, acumulando dinheiro, lutando por mais poder e fama. Se você os vê, até sente um pouco de inveja; eles parecem tão confiantes, eles sempre parecem felizes.

Se eles vão se tornando mais e mais famosos, ficando mais ricos e seu poder aumentando, você começa a sentir um pouco de inveja. Você está tão confuso e eles são tão claros sobre suas vidas; eles tem uma direção, eles tem uma meta, eles sabem como conseguir aquilo que desejam, e eles manejam bem suas vidas, eles estão sempre alcançando êxito e subindo os degraus da fama. E você, está parado aqui, confuso sobre o que fazer, o que não fazer, sobre o que é certo, o que é errado. Mas isso tem sido sempre assim; os medíocres continuam certos. Só os mais inteligentes se sentem confusos, caóticos.

Confusão é uma grande oportunidade. Ela simplesmente diz que através da mente não existe saída. Se você está realmente confuso, sinta-se abençoado. Agora, algo de imenso valor é possível. você está no limiar desta descoberta.
Se você está confuso, significa que a "lógica" da mente está falhando; agora a mente não pode se sustentar por mais tempo, ela não lhe dá mais nenhuma certeza.

Você está cada vez mais perto da morte da mente. E esta é uma grande oportunidade que pode acontecer a qualquer um ao longo de sua vida, uma grande benção - porque uma vez que você veja que a mente é confusão e que não existe caminho através da mente, por quanto tempo você irá continuar se agarrando à mente? Cedo ou tarde você terá que pular fora dela; mesmo que você não pule fora dela, ela irá cair por conta própria. Confusão irá acontecer, se tornará mais e mais forte, que por puro peso, ela irá cair. E quando a mente cai, a confusão desaparece.

Não posso dizer que você conseguirá com certeza, porque essa palavra só se aplica à mente e ao mundo da mente. Quando existe confusão, pode haver certeza; quando a confusão desaparece , a certeza também desaparece.

Você simplesmente é - claro, nem confuso nem com certeza, apenas claridade e transparência. E esta transparência tem uma beleza, esta transparência é graça, isso é de extrema beleza.

Este é o momento mais belo da vida, quando não existe nem a confusão nem a certeza. Simplesmente É, um espelho que reflete aquilo que é, com nenhuma direção, nenhum lugar a se ir, nenhuma ideia em se fazer algo, nenhum futuro, ser totalmente presente no momento, ser tremendamente presente.

Quando a mente não existe, não pode existir o futuro, não se pode programar o futuro. Então, este momento é tudo; este momento é a sua completa existência. Toda a existência converge neste momento, e este momento se torna tremendamente significativo. Isto tem profundidade, tem altitude, tem mistério, tem intensidade, tem fogo, isso te enlaça, possui você e te transforma.

Mas não te dá nenhuma certeza; certeza é dada por ideologias. Certeza não é nada além de um remendo na sua confusão. Você está confuso. Alguém diz: Não se preocupe, e diz isso com tamanha autoridade, convence você com argumentos, com escrituras e remendam sua confusão, a recobrem com um cobertor. (...) Você se sente bem por algum tempo, porque a confusão está fervendo por baixo. Você não têm que se ocupar dela por um tempo, ela foi reprimida.

A pessoa inteligente hesita, pondera, vacila. O não-inteligente nunca vacila, nunca hesita. Onde o sábio sussurra, o tolo grita sobre os telhados.

Lao Tzu diz: Eu talvez seja o único homem no mundo, que tem a cabeça completamente confusa. Todos se parecem tão certos, tão convictos, exceto eu. Ele está certo: ele era tremendamente inteligente, que não podia ter certeza sobre nada.

Eu não prometo a você que com certeza você irá saltar fora da mente. Eu posso prometer apenas uma coisa, que você se tornará claro. Então nesta claridade, nesta transparência, você estará pronto para ver as coisas como elas são."
Osho em The Book of Wisdom

11 de setembro de 2014

Observe! - Osho


"Não julgue, porque no momento em que começar a julgar você esquecerá de
observar. E isso acontece porque no momento em que começa a julgar — “Esse pensamento é bom” — justamente nesse espaço de tempo você não estará observando. Você começou a pensar, envolveu-se. Não conseguiu permanecer alheio, parado à margem da estrada, só observando o tráfego.

Não se torne um participante avaliando, julgando, condenando; nenhuma atitude deve ser tomada a respeito do que está se passando na sua mente. Você precisa observar os seus pensamentos como se fossem nuvens passando no céu. Você não faz julgamentos sobre as nuvens — essa nuvem negra é ruim e essa nuvem branca parece um sábio. Nuvens são nuvens, elas
não são nem boas nem ruins.

O mesmo acontece com os pensamentos — são meras ondinhas passando na sua mente.
Observe-os sem julgá-los e você terá uma grande surpresa. Quando a sua observação se tornar constante, os pensamentos passarão a ficar cada vez mais esparsos. A proporção é exatamente a mesma; se você estiver com 50% da atenção na observação, então 50% dos seus pensamentos vão deixar
de existir. Se estiver com 60% da atenção, então só restarão 40% dos pensamentos.

Quando você for 99% pura testemunha, só de vez em quando surgirá um pensamento solitário — 1 % passando na estrada, não haverá mais tráfego nenhum. Esse tráfego da hora do rush não existirá mais.

Quando você deixar de lado 100% dos julgamentos, passará a ser apenas uma testemunha; isso significa que você se tornou simplesmente um espelho — porque o espelho nunca faz nenhum julgamento. Uma mulher feia mira-se no espelho e ele não faz nenhum julgamento. Uma mulher bonita mira-se no espelho e não faz nenhuma diferença. Quando não há ninguém diante dele, o espelho tem a mesma pureza de quando há alguém sendo refletido em sua
superfície. Nem o reflexo o afeta nem o não-reflexo.

O testemunhar se torna um espelho. Essa é a maior conquista da meditação. Se consegui-la, você já estará na metade do caminho, pois trata-se da parte mais difícil. Agora você sabe o segredo, e o mesmo segredo tem simplesmente de ser aplicado em outros objetos.

Dos pensamentos você precisa passar para experiências mais sutis ligadas às
emoções, aos sentimentos, aos estados de espírito. Da mente para o coração, nas mesmas condições: nenhum julgamento, só testemunho. E, surpresa, a maioria das suas emoções, sentimentos e estados de espírito começarão a se dissipar. Agora, quando está sentindo tristeza, você está realmente triste, está tomado de tristeza.

Quando está com raiva, ela não é parcial.

Você fica cheio de raiva; cada fibra do seu ser vibra de raiva.
Observando o coração, a impressão que se tem é que agora nada mais pode possuir você. A tristeza vem e vai embora, você não fica triste; a felicidade vem e vai embora, você também não fica feliz. Seja o que for que se passe nas camadas mais profundas do coração, isso não afeta você.

Pela primeira vez você tem uma amostra do que seja maestria. Não é mais um escravo à mercê da vontade alheia; nenhuma emoção, nenhum sentimento, ninguém pode mais perturbá-lo com ninharias."
Osho em Saúde Emocional

7 de setembro de 2014

Você, Deus e a Verdade - Osho




"Quando você conheceu Deus: Deus se torna você. Quando você conheceu a verdade, a verdade torna-se você; digerida, ele corre no seu sangue, toma-se os seus ossos, torna-se o seu tutano, torna-se a sua presença.

Não há necessidade de compreendê-la. De fato, não há ninguém para compreendê-la, ninguém é deixado para trás, você tornou-se ela. A sua compreensão tomou-se ela. A necessidade existe porque não compreendemos. Então, continuamos a procurar explicações, e nenhuma explicação pode ser dada.

Este é o paradoxo da experiência religiosa: aqueles que conhecem não
precisam de nenhuma compreensão sobre ela.
Eles estão tremendamente contentes conhecendo-a; é mais do que suficiente.

Eles podem dançar, podem cantar, podem rir, mas não estão, de maneira alguma, procurando explicá-la. Eles podem vivê-la, podem ficar quietos sobre ela - podem sentar silenciosamente ou podem tomar-se loucamente extasiados com ela — mas não se incomodam em explicá-la.

Esta é a razão pela qual todas as grandes escrituras do mundo: os Upanishads, o Tao te Ching, os dizeres de Jesus, o Dhammapada de Buda, são simplesmente colocações, não explicações. Os Upanishads não provam Deus, eles simplesmente afirmam; eles dizem: É assim. Não é um argumento. Não estão propondo nenhuma hipótese, estão simplesmente declarando: É
assim. É uma declaração. Não produzem nenhuma prova de porque eles declaram isto, porque declaram que existe. Eles simplesmente dizem: E assim — pegue ou deixe, mas é assim. E não há necessidade de nenhuma prova: eles são a prova.

Mas, para aqueles que ainda estão na noite escura da alma, tropeçando, tateando, alguma explicação é necessária. Estará muito, muito longe da verdade, será uma mentira — mas, ainda assim, é necessária.

Então, os místicos falam. Eles têm que falar, têm que derramar os seus seres,
sabendo que isto pode ajudar uns poucos.

Ajuda somente umas poucas pessoas. Ajuda somente aquelas pessoas que estão prontas para confiar — do contrário, nunca ajudam.

Se você argumenta, está perdido — porque um místico não pode argumentar, não pode convencê-lo.

Nesse sentido, o místico é muito frágil.

Nesse sentido, logicamente, ele é muito frágil: ele não pode argumentar e não pode provar. Você pode chegar perto dele, pode sentir o seu ser, pode olhar nos seus olhos, pode pegar na sua mão, pode apaixonar-se no seu amor, pode confiar neste homem louco, o místico pode ir com ele numa jornada desconhecida. Será uma corajosa aventura de confiança. 

Se você duvida, de repente, é cortado. Se você duvida, então, não há nenhuma possibilidade de uma ponte. A pessoa tem que confiar."
Osho em Eu sou a Porta

5 de setembro de 2014

Moksha - Swami Dayananda


"Qual é a diferença entre conhecimento do Ser e realização do Ser?

De acordo com o moderno Vedanta, o conhecimento do Ser é intelectual e a realização do Ser é experiencial, e devido a esta diferença o estudo da shastra ( escritura ) está dirigido ao conhecimento do Ser, que entretanto se converterá em meios para a realização do Ser. 

Quando o shruti ( o texto revelado ) é o meio de conhecimento para reconhecer o Ser que está sempre presente, como pode haver um conhecimento indireto de atma que se converta em realização direta por meio de algum método único? Shravanam ( escutar ) mananam ( refletir ) nididhyasanam ( contemplar) se prescrevem no texto revelado somente para a realização do Ser.

A confusão de se fazer distinção entre o conhecimento e a realização vem de não reconhecer a presença invariável do atman em todas as situações e de não compreender o texto revelado como meio para reconhecer essência de atma. Essa é a razão por que muitas vezes escutamos que só obteremos do texto revelado o conhecimento intelectual. Todas as formas de conhecimento acontecem no intelecto. Não há tal coisa como conhecimento intelectual. Pode haver dois tipos de conhecimento; um é o direto e o outro é o indireto. Quando o atma está invariavelmente presente o conhecimento de atma só pode ser direto. 

A eliminação dos pensamentos não é conhecimento; não é auto-descobrimento. Os pensamentos não escondem o atma. Os pensamentos vêem, Eu Sou. Os pensamentos se vão, Eu Sou. Compare isto com: a serpente é, a corda é; a serpente não é; a corda é. Assim que existe um erro de comparar os pensamentos com o 'eu'. Se não é quem sou, este erro original nunca se corrige mediante a eliminação dos pensamentos. O Vedanta não aceita os pensamentos por causa do sofrimento. O erro de tomar os pensamentos como o atma é a causa do sofrimento.(...)

O sofrimento é o resultado de uma confusão entre o real e o aparente. Uma onda não está separada ou é independente da água, mas a água não depende da onda. Assim também é um pensamento, ele não é independente de atma, consciência, mas atma é independente dele. O erro de tomar o pensamento como o atma é obviamente a causa do sofrimento. Inclusive se o pensamento é um problema, a solução de "livrar-se dos pensamentos" é um erro. O pensamento "eu sou pequeno" é um problema. Portanto, indague se és realmente pequeno. Confundir o pensamento pelo 'eu' é o problema e a solução é o conhecimento do "Eu Sou real, os pensamentos são aparentes".

A realidade dada a mente tem que ser destruída mediante o conhecimento do atma invariável, manifesto em todos os pensamentos. O Atma não está oculto dos pensamentos. A onda não oculta a água; na mesma onda vemos água. A onda não necessita se diminuir para que vejamos a água; na mesma onda vemos a água. Não há ocultação em absoluto. O Atma não pode ser ocultado por nada, só mesmo a ignorância. Sempre é manifesto. EU SOU é a consciência livre de pensamentos, apesar dos pesares. Este é o darshana ( visão divina) do ser único. O que é real é sempre uni (único), só o uno é real. Este conhecimento destrói a velha mente tonta que se mantém contra mim. O pensamento continua mas se reconheço ele como mithya ( aparente ), de modo que é tão bom como não existente. Nossa sombra não é um problema. Mithya não é um problema - é útil. a mente é útil, e isso é tudo.

A palavra "bodha" significa conhecimento, o reconhecimento que precisa ter lugar na mente, não em outra parte. 
O atma está sempre presente e sempre é o mesmo, uno e não-dual, saiba você ou não, assim como o cristal de açúcar é doce, saiba você ou não. 

O atma é tudo e ao mesmo tempo está livre de tudo. A ignorância disso tem que desaparecer. A ignorância é eliminada só pelo conhecimento. A ignorância da onda é eliminada só mediante o conhecimento da onda. Para conhecermos temos que empregar o pramana ( meio de conhecimento ) apropriado.

O pramana aqui está na forma de palavras e sua atuação não está em suas mãos. Quando estás atuando com os pranamas da percepção e a inferência, és o conhecedor. Mas as palavras vem do mestre. Mesmo que as escute não é percepção. Quando se pronuncia a palavra 'manga' você vê uma manga em sua mente porque é uma coisa conhecida. Quando digo 'eterno' não é um objeto visto e por tanto não tem nenhum sentido. "O atma é eterno", é algo que deve ser compreendido.

Não se trata de saber que o atma é eterno, e depois tenha que realizá-lo. Se o que é eterno não é percebido não se compreende a eternidade. Por isso quando alguém diz: Swamiji entendo muito claramente que o atma é eterno, mas como chegar a realização? Tenho que lhe dizer o seguinte: Em primeiro lugar se dê conta do seu erro; que é a única realização que necessitas. Você ouviu a palavra eterno mas não a compreendeu. Só crê que compreendeu, mas isso não é certo. Do mesmo modo, palavras como como consciência, infinito, divino, supremo, espiritual, quando não se compreendem corretamente não tem nenhum sentido."
Isso é um problema realmente. Na atuação da autoridade dos Vedas ( shabda-pramana), as palavras são manejadas pelo mestre e essas palavras me fazem ver que sou livre.

O atma é evidente por si mesmo, mas o Brahman não é conhecido. Para conhecê-lo, a percepção e a inferência não servem de nada. Temos que utilizar a palavra falada de fora, ( shabda ). Quando se está escutando as palavras, então és um conhecedor por seu nome. O próprio conhecedor escuta: "Tú és Brahman". Isto significa que o conhecedor tem que renunciar ao status: "Eu sou um conhecedor". Este conhecedor, que se identificou com o complexo corpo-mente-sensação se dissolve a si mesmo como resultado do conhecimento.

Em todas as demais atuações do pranama, o conhecedor segue sendo o sujeito relacionado com o objeto conhecido. Esta é a diferença entre shabda-pranama que revela que de fato "Eu Sou Brahman" e todos os demais pranamas. Na atuação de todos os outros meios de conhecimento, como a percepção, a inferência, a presunção etc.. o conhecedor se mantém e desfruta do pranama-phala, o resultado da atuação do pranama. Aqui o conhecedor se mantém relaxado, exposto ao ensinamento que esclarece que o conhecedor é e sempre foi o próprio Brahman. Portanto, este pranama é uma coisa completamente diferente. Tem que ser manejado. Por isso a palavra falada é importante aqui. Deve-se ter uma disposição aberta " Estou deixando que o pranama atue sobre mim". Assim como permite-se que um cirurgião te opere porque tens fé ( shraddha ) nele, assim também necessitas de shraddha para permitir que o pranama atue sobre você.

O atma é o vidente por si mesmo, e a fonte que nunca cessa. Nem sequer pisca. Sempre permanece como testemunho. Mas é um testemunho somente com referência ao que se vê. Por si mesmo é pura consciência. Este atma auto-consciente é Brahman. Este é o ensinamento. Devido a este ensinamento, uma mudança ( vritti ) tem lugar na mente, que destrói a ignorância e ela mesma desaparece. Este vritti: "Tudo que existe sou eu mesmo", é chamado de atmaikya-bodha ou aparoksha-jnana.(...) Sem este conhecimento não se obtém a liberdade.

Mas, porque insistir em que unicamente atmaikya-bodha te dará moksha? Existem muitas pessoas e seus gostos são muito diferentes; portanto, devem haver muitos caminhos disponíveis para se obter moksha.
Para alguns a adoração será o suficientemente boa; para outros, o pranayama; para alguns será outra coisa. Existem muitos métodos, por que não seguir só um deles? É claro que podes escolher. Entre estes métodos estão disponíveis muitas outras opções. Mas para moksha não há opção, porque o problema é a ignorância e nenhuma outra coisa resolverá a ignorância exceto o conhecimento. "
Swami Dayananda em Vivekacudamani, talks on 108 selected verses.
Fonte aqui

2 de setembro de 2014

Liberdade, vulnerabilidade e confiança - Prem Baba


"Prem Baba: Após um dia inteiro de chuvas fortes, trovoadas e ventania, novamente o sol está brilhando. O dia está tão claro, tão iluminado. O que não é garantia de que não possam vir novas chuvas e uma mudança no tempo. Assim a vida evolui neste plano.

E a questão é: como não se identificar com essas oscilações do tempo? Como ser o mesmo diante de todas essas oscilações?

Equanimidade mental é o sinônimo de ter a mente fixa em Deus. E colocar a mente em Deus é como colocar a sua bagagem no bagageiro do trem e viajar descansado.
Mas, a mente é a louca da casa; ela prefere carregar o peso, porque para colocar a bagagem no bagageiro requer certa confiança. No núcleo da mente condicionada está o medo, e um dos principais aspectos do medo é o controle.
“Será que Deus sabe o que é bom para mim?”

É muito importante que você possa tomar consciência da sua falta de confiança, porque é ela que tem feito você carregar esse peso tão grande.

Os caminhos de Deus são misteriosos e nem sempre você consegue entender
racionalmente qual é o plano Dele para você. E você acaba criando muitas
expectativas em relação à sua própria vida e espera que Deus corresponda a essas suas expectativas, mas Deus conhece o seu coração e só Ele sabe o que você realmente precisa. Essa confiança implica em uma fragilidade, implica em uma vulnerabilidade. O ser humano teme essa vulnerabilidade, por isso a liberdade é um fenômeno tão raro.

A liberdade está intimamente relacionada com essa vulnerabilidade. Uma folha não sabe para onde o vento vai levá-la e se você é uma folha carregada de expectativas, a vida pode se tornar muito difícil. A vida pode se tornar um campo de muitos desafios porque você vai tentar controlar a direção do vento. O vento está soprando para a direita, mas você quer ir para a esquerda e você não confia que essa direção que o vento está te levando é uma direção que vai te levar para um lugar bom. Você está realmente convicto que sabe o que é bom para você. O vento é o princípio afirmativo em você. Esse princípio se orienta para a luz, união, construção, amor, prosperidade, paz, mas esse “eu controlador” se sobrepõe a essa direção. Esse eu controlador é o próprio medo. Ele acaba forçando as coisas para que a direção siga pelo caminho que ele acredita que é o melhor, mas acaba sempre gerando separação, destruição, sofrimento.

Essa relação do medo e confiança é muito profunda na alma humana. Conscientemente você deseja confiar, você deseja se entregar para o fluxo da vida, mas é tomado por esse medo inconsciente que faz você agir estupidamente.
Ha poucos dias eu lhe perguntei: o que é que Deus quer de você? Você sabe? Se não, pergunte, pergunte para Ele. Ele mora no seu coração. Pergunte a Ele: “O que é que você quer de mim?” porque nesse estado de separação, você pode dialogar com Ele. “O que você quer de mim?” não se canse de bater nessa porta, mas esteja preparado para quando ela se abrir. (...)

Às vezes o que ele necessita frustra tudo o que o ego acredita que precisa, e como confiar? Como colocar a mala no bagageiro e confiar que ninguém vai roubar e que se roubar está tudo certo também?(...)

 A lógica divina difere em gênero, numero e grau da lógica humana. O
que a entidade precisa passar aqui para dissolver os karmas que precisam ser
dissolvidos, o que ela precisa viver para poder alcançar um patamar superior no nível da alma? O sucesso material não quer dizer necessariamente que significa sucesso no nível do espírito. Pode até ser que seja, mas nem sempre. O que você realmente precisa, para poder se libertar das dívidas kármicas e poder ter o gosto da paz, da liberdade? Nem que seja em uma
próxima vida.

Eu tenho te ensinado a ficar atento às sincronicidades, atento aos sinais porque a sincronicidade e os sinais estão conectados com a sua intuição e a intuição é a voz de Deus dentro de você.
Sincronicidade está sempre mostrando o próximo passo na sua jornada. Eu tenho percebido que o que dificulta você de seguir os sinais, ou os comandos de Deus, que é a mesma coisa, é o apego a um desfecho determinado para as coisas. Isso faz com que você não aceite aquilo que está vindo para você. 

Esse apego a um desfecho determinado faz você ter necessidade de ter essa expectativa atendida, mas isso é uma limitação. Você está congelado em uma forma. Você quer que a vida se encaixe dentro dessa forma. E na vida são infinitas as possibilidades. 

Deus quer para você talvez algo que está muito além dessa forma. De forma prática te ajuda muito você ter consciência dessas suas expectativas, ter consciência do seu controle, do seu medo. Porque estando consciente, quem sabe você pode arriscar mesmo que com muito medo, colocar a mala lá em cima. Experimenta. Veja o que acontece.

Eu já vi de tudo. Já vi pessoas terem uma viagem confortável e deliciosa e outra que foi roubada no mesmo momento em que colocou a mala lá no bagageiro e aí entra numa crise daquela se questionando: “Por que eu fui confiar? Por que fui seguir esse ensinamento?” Ela não tem consciência que estava precisando se livrar daquela bagagem e precisava passar pela experiência de deixar ir embora.

O que é certo ou errado nesse mundo, me diga? Se a sua mente é muito condicionada ela começa enlouquecer nesse momento. Ela precisa da forma, ter um lugar para ela pousar se não ela se desespera. É claro que é válido você ter um plano de voo. É bom você ter algumas referências, até um plano de onde vai pousar. O veneno está no apego a esse plano. O apego a esse plano irremediavelmente te leva para o sofrimento porque é impossível controlar esse voo. Cada vez mais você é convidado a se entregar para o Mistério. Não queira eternizar nada. 

Hoje você está com alguém. Ok desfrute esse momento, mas não queira
eternizar isso. Não crie expectativa em relação ao futuro. Pode até ter um plano de voo, mas não se apegue porque amanhã tudo pode mudar e não quer dizer que seja uma coisa ruim.
Deus sabe o que você precisa. O que te machuca é o seu controle e a vítima em você, culpa Deus. A vítima culpa Deus, mas quem te machuca é o seu próprio controle.

Você já viu o ditado que o homem faz seus planos e Deus dá risada? (risos) Mesmo dando risada acho que você tem que fazer seu plano e não se apegue a ele, ou você vai ver Deus dando uma gargalhada. E aí se as coisas não saem de acordo com suas expectativas, você cai na vítima, começa a
reclamar. É um grande delírio achar que você controla a vida. É um grande delírio do ego.

Agora o tempo está claro, o sol está iluminando. Amanhã eu não sei. E às vezes você se vicia em olhar a previsão do tempo, não sai de casa sem visitar o astrólogo, o tarólogo para saber como vai ser amanhã. Essa relação entre o medo e a confiança é realmente muito profunda na alma humana. Por isso que eu digo que a essência do Parivartam é transformar o medo em confiança. Se tem medo, tem ódio.
Aí você está preso no tempo psicológico.
Sempre no passado ou no futuro, tentando controlar a vida.(...)
Tudo o que você faz nesse mundo custa dinheiro, mas na base da economia está lá o medo da escassez, está o controle e aí, como não ter miséria? Isso é verdadeiro no macro e é verdadeiro no micro. Por que você briga
tanto com a sua mulher, seu marido? Por que você briga tanto com seu namorado ou namorada? Ou seus amigos, seus familiares? Seus pais? Qual é a raiz dessa guerra, se não é esse medo pavoroso? Medo que faz você querer controlar até a respiração do outro; que queira ter cada minuto das suas expectativas atendidas, se não você coloca a besta fera para fora, mas só para se proteger do medo que você tem de não ter a vida sob o seu controle. Às vezes o medo é tão grande que até nem você mesmo respira, fica travado.

Estou lhe convidando para ir além desse medo; para ir além desse controle, a viver essa experiência de estar vulnerável.
Experimentar deixar Deus te levar. Esteja atento a sua intuição, atendo à sincronicidade. Escute o que eu estou lhe dizendo: o seu coração sabe o caminho.
Quando ouve o coração toca uma musiquinha assim (um celular tocou no salão). A voz do coração, a voz do guru encarnado, do guru que é a própria vida, falam a mesma coisa. Quando você está presente, você ouve essa voz. Quando você está aqui podendo olhar o que é transitório sem se identificar, você está ouvindo esta voz.
Se você puder relaxar um pouco, tudo fica mais fácil.
Abençoado seja cada um de vocês. Que possamos nos afinar com os códigos divinos da confiança.
Até o nosso próximo encontro.
NAMASTE"
Prem Baba em Satsang
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