30 de maio de 2014

O Amor inunda o Vazio - Jeff Foster


"Sentimos um buraco cósmico dentro de nós, um bem aparentemente vazio que parece que precisa ser preenchido, e então tentamos preenchê-lo, com 
dinheiro, com drogas, com sexo, com sucesso, com fama, com conhecimento, 
com todos os tipos de experiências temporais e estados. 

Mas tudo passa, tudo se move, tudo é esquecido, mesmo o mais feliz, mesmo o espiritualmente elevado, mesmo a mais chocante mudança de vida, 
insights ... e o buraco ainda está lá, com fome, como sempre e o que fazer, o que fazer? 

Nada pode ser feito para preencher um buraco inexistente.

Esquecemos que na realidade, não há nenhum buraco na experiência presente.

Há apenas a Totalidade, esta vasta capacidade que você é, essa consciência antes do vazio e da forma, cheio até a borda com a vida, e nós somos isso, e nós fomos sempre isso: tão radicalmente total que ele ainda permite a sensação de um buraco em si.
Até mesmo um buraco está todo aqui. 

Até mesmo um sentimento de falta é dada permissão cósmica para encontrar 
espaço, neste caloroso abraço de nós mesmos.

Amor inunda o vazio, e a busca de casa nunca tivesse acontecido.(...)

Disse uma vez o Dalai Lama, que um monge tibetano, que passou mais de dezoito anos em um campo de trabalhos forçados numa prisão chinesa, disse-lhe que em algumas ocasiões ele teve de enfrentar o perigo. 
Perguntou a ele: "Perigo? Que tipo de perigo?" Pensando que ele falaria algo sobre prisão e tortura chinesa. Ele respondeu "Muitas vezes eu estive perto de perder a compaixão pelos chineses".

Ao contrário da crença popular, não existem pessoas "más" neste mundo, há
somente aqueles que estão absolutamente certos de que a sua visão e a sua versão da realidade é singularmente correta, e que estão totalmente receosos em se abrir à possibilidade de conhecer outras pessoas numa intimidade vulnerável e diante da alegria da dúvida.

O "mal" é simplesmente uma visão estreita, uma dolorosa constrição e rejeição do fluxo da totalidade da vida, o esquecimento da nossa verdadeira natureza como a capacidade e a vastidão, e a total ausência de uma "pessoa" sólida e separada.É se agarrar com medo às histórias ao invés de se deixar ir ao livre oceano da consciência.

Não há "más pessoas" no mundo, apenas aqueles que secretamente vivem a vida com medo da vida e que agem com base neste medo.

O MAL é simplesmente VIVER para trás.
Viver no sentido contrário.
Este reconhecimento é a base da grande compaixão por aqueles que nos apressamos a julgar e a rotular como "maus".

28 de maio de 2014

Eu Sou a Consciência - Meher Baba



"EU SOU a Consciência.

Acredite que eu sou o Antigo. 

Não duvide disso nem por um momento. Não há nenhuma possibilidade de eu ser alguém mais. 

Eu não sou este corpo que você vê. É só um casaco que coloco quando venho visitá-los. 

Eu sou a Consciência Infinita. 

Eu sento com vocês, brinco e riu com vocês, mas estou trabalhando simultaneamente em todos os planos de existência.

Perante a mim estão os santos e os mestres e santos perfeitos das fases
iniciais do caminho espiritual. 

Eles são formas diferentes de mim. 

Eu sou a Raiz de cada um e de cada coisa. 

Um número infinito de ramos brotam de mim. 

Trabalho através de cada um e sofro em cada um de vocês e para cada
um de vocês. 

Minha felicidade e meu infinito senso de humor sustentam-me
em meu sofrimento. 

Os incidentes divertidos que acontecem aliviam meu fardo. 

Pense em mim; mantenha-se alegre em todos os seus desafios e eu estarei com você ajudando-lhe."
Meher Baba em The everything and the nothing

26 de maio de 2014

Ramesh Balsekar - Ensinamentos


"Quando o conhecimento acontece de aprofundar-se por si mesmo, a compaixão e amor começam a vir para a superfície de nossa vida diária.
Outros parecem notar a diferença e ficam surpresos.
Quando é percebido que nossas vidas são realmente vividas e que “nós” não vivemos, que é Consciência que funciona, através de todos os bilhões de mecanismos humanos (e todos os mecanismos animais), a perspectiva em relação à vida muda inexoravelmente.

**
Uma coisa notável sobre a aceitação do fato da iluminação é que você não irá
nem mesmo refletir se o que você está fazendo em qualquer momento é certo ou errado: pela simples razão de que você SABE que você não está realmente fazendo nada, que o organismo mente-corpo está sendo usado pela Totalidade para trazer todas as supostas conseqüências pertinentes para o organismo.


**
A maior ilusão tragicômica é a da duração: o "passado" é uma memória,
uma impressão, uma crença, o "futuro" é uma conjectura, uma suposição, uma
presunção, o "presente" torna-se o passado durante o lapso de tempo que leva para o processo de percepção e concepção ser completado no cérebro (talvez uma décima parte de um segundo, mas no entanto uma duração).
Portanto, nós realmente "vivemos" no passado e o "presente" pode ser somente a sensação de presença no momento eterno, inevitavelmente fora
do tempo e duração e portanto "intemporalidade", que é o que somos na eternidade antes que o tempo sequer existisse.

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Se você e os seus pensamentos são partes desse universo, você não pode
ficar fora deles para descrevê-los. Para conhecer a realidade você não pode ficar fora dela e defini-la: você deve penetrá-la, ser ela, senti-la.
Então, não há necessidade de dizer “Eu sou tudo isso” – há simplesmente “tudo isso” que naturalmente inclui tudo. O homem comum tenta se situar fora de si mesmo e suas emoções e sensações, seus sentimentos e desejos. O resultado é confusão, e aflição. Enquanto a mente está assim dividida, a vida é um conflito perpétuo, tensão, frustração, e desilusão: quanto mais a mosca luta para se livrar do mel, mais rapidamente ela fica presa.

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O que fará a iluminação para mim que antes eu não tinha? E a resposta é, a
felicidade que eu alcanço aceitando totalmente que eu não posso ser “aquele que faz” e nem você pode ser “aquele que faz” significa imediatamente o total colapso da carga de culpa e vergonha que eu venho carregando pelo outro e a carga bem maior de ódio pelo outro pelas suas ações em machucar-me.

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A perecibilidade e mutabilidade do mundo são partes e parcelas de seu amor e vitalidade. Esta talvez seja a razão pela qual os poetas estão no seu auge quando falam de mudança e da transitoriedade da vida nesse mundo.
Parece ser tão mais fácil para os poetas de verem que a vida, mudança,
movimento – insegurança – são tantos nomes para a mesma coisa. O que os poetas estão fazendo é gritar silenciosamente: Aceite a vida como ela é! Não há realmente nenhum sentido em temer a mudança e o movimento que
são a própria essência de todas as coisas belas.

**
Quando cada momento torna-se uma expectativa, a vida é desprovida de plenitude, e a morte se mostra apavorante, pois parece que então a expectativa deve chegar a um fim. Para a mente-dividida de esperança e expectativa, a morte é de fato o fim, mas para a mente inteira não dividida, a morte é outro momento, completo em si mesmo, para ser vivido em completude.
A morte é o desconhecido no qual todos nós somos vividos antes do nascimento."
Ramesh Balsekar - Ensinamentos

25 de maio de 2014

O Olhar inocente - Eckhart Tolle


"Você realmente precisa rotular mentalmente cada percepção sensorial
e cada experiência? Precisa sempre estar ativando seu julgamento de gosto ou não gosto pela vida, que o leva a estar constantemente em conflito com
pessoas e situações?

Não despertarás espiritualmente até que cesse essa compulsão inconsciente de colocar nomes ou ao menos que esteja ciente disso, então você será capaz de observar como tudo isso acontece.

A mente não pode conhecer uma árvore, só pode ter dados ou informações sobre a árvore. Minha mente não pode te conhecer, só pode ter rótulos, julgamentos, fatos e opiniões sobre você. Só o Ser conhece
 diretamente.

Certa vez, fui com meus sobrinhos no aquário.
Na Expo 2008 de Zaragoza, uma das visitas mais esperadas era conhecer o
Aquário. A qualquer hora havia uma longa fila para entrar. A organização
teve a ideia de retirar as placas com os nomes dos peixes, para ver se assim
as filas andavam mais rápido, assim, como as pessoas não teriam o que ler
sobre os peixes, as visitas sairiam mais rápido.(...)

Uma vez lá dentro, quando chegavam a um tanque, como não haviam placas de identificação dos peixes, davam uma rápida olhada nos peixes e partiam para outro.
Eu disse a eles que não havia pressa, eles paravam um pouco para observar os peixes, mas me ignoravam. Então, vimos todo o aquário em um instante. Eles só fizeram o que tinha sido ensinado na escola, nomeando, rotulando, verificando se a etiqueta era correta. Meus sobrinhos não são diferentes neste aspecto, a maioria das crianças de hoje fazem o mesmo. 

Isso também me acontece. Às vezes eu olho e não vejo . Um véu de conceitos e rótulos me impedem. 
Tenho visto muitas vezes no Jardim Botânico os grupos de crianças de uma escola que vão de árvore em árvore, também, quadro de cartaz em cartaz informativo, informando o nome, verificando se a árvore tem folhas com a forma como ele diz em seu livro sobre o ambiente natural. 

O que não fazem, é algo que não é ensinado nas escolas: somente ver , contemplar. Porque, obviamente, como você está indo para ver, como você vai dar uma nota para isso ?

E aí eu pergunto: o que os professores sabem de apenas ver, de contemplar , sem rótulos?

Com que idade as crianças começam a perder esse olhar inocente? 

Quantas horas de terapia, meditações, oficinas, terão que fazer quando crescerem para tentar recuperar aquele olhar inocente que um dia foi perdido? 

E é esse olhar inocente que nos faz ver maravilhas, é ele que que dá sentido à vida. (...)Isso é chamado de carvalho não é um carvalho. Porque isso são apenas palavras. E as palavras, conceitos não são a realidade."

***

Nós somos tão atrelados às palavras que a mente acaba ficando cheia delas. Nomes, adjetivos, conceitos, racionalizações, juízos, deduções, enfim... palavras, palavras, palavras...

A sociedade humana é feita de palavras. Falamos, lemos, escrevemos, estudamos, enfim.. estamos desde a mais tenra idade mergulhados em palavras.

Não existe de fato nada de mau nisso, só que, acabamos por esquecer que, as palavras não são a realidade. As palavras são códigos, são símbolos que criamos para podermos nos comunicar, transmitir uma informação a outro - mas aquele valor imenso que nós damos as palavras, aquele valor imenso que tomamos como verdadeiro, como real por causa das palavras -, em realidade nunca existiu; vejam como a natureza vive em completa ausência de palavras... e sempre foi assim..

O homem sim, não vive sem palavras, a natureza vive muito bem, sem palavra alguma. 
Não digo que não haja comunicação na natureza, claro que existe, e muita. Todos os animais tem as suas maneiras próprias de se comunicar, sejam através de sons, odores... expressões corporais. Isso é forte, e é real. Eles se expressam, e não criam conceitos sobre a realidade. Aquilo que é, é.

O homem com seu cérebro evoluído, criou toda uma linguagem, criou um infinidade de letras, de línguas, de palavras, de ideias, e assim se tornou escravo de tudo isso, e assim, aquele olhar simples, o olhar puro da criança, que apenas vê o que está a sua frente, contempla, com diz Eckhart Tolle, este olhar se perdeu, ficou soterrado embaixo de um monte de palavras.

Quando nos atentamos que, as palavras são um meio ótimo de comunicação, mas que elas não são a realidade, nos atentamos que a realidade é infinitamente maior, mais ampla, e extrapola qualquer explicação de façamos dela, teremos compreendido que as palavras, os conceitos, os rótulos que "colamos" na realidade são apenas sonhos, como afirma Nisargadatta, e são absolutamente dispensáveis.

Ver aquilo que é, se deleitar com o que acontece, contemplar sem julgar, é um profundo relaxamento e um encantamento que não tem explicação...
E nem precisa... rs
Amor
Amidha Prem

23 de maio de 2014

Pureza de Coração - Prem Baba


"Pergunta: Prem Baba ji, pranam. Você poderia, por favor, explicar o que é ser puro de coração?

Prem Baba: Um coração puro é um coração que não julga. É um coração
que não acusa que não compara; que não deseja. Um coração puro, aceita;
perdoa. Agradece e ama. Ama de forma desinteressada. Um coração puro é aquele que não se identifica. Ele só observa. O fluxo de vida e de amor não é interrompido. O coração puro se expressa através de uma mente equânime. 


Assiste as misérias e as alegrias e não se identifica. O coração puro é um símbolo, representa o seu eu mais profundo. O coração puro está além dos dramas de controle, que é o jogo da natureza inferior.
Certa vez eu assisti uma cena que me tocou profundamente. Eu estava no templo de Shiva em Nilkant e vi um homem muito simples que estava se
movendo em direção a um lugar para fazer um puja, e para se chegar neste lugar ele tinha que subir uma escada.
Ele escorregou nesta escada e caiu. Eu estava próximo assistindo a cena. Ele se levantou e fez pranam para o degrau da escada que derrubou ele. Eu vi o que se passava na mente dele. Ele entendeu que Shiva estava levando
embora um karma dele. Ele agradeceu.
O coração puro sempre vibra em gratidão. Vê o Universo como um amigo
que está sempre inspirando a evolução. O coração puro está sempre celebrando a vida; celebrando o sol, a lua e as estrelas, o vento, as flores, o
sorriso e também tudo aquilo que se expressa através de um ser humano,
porque ele compreende que tudo é sagrado. Tudo que se manifesta neste
plano são expressões do jogo divino. (...)

Estou te ensinando caminhos. 
Caminhos de volta para casa. E os caminhos ainda não são a sua casa. Os 
caminhos estão te levando para casa.
Para alguns a abordagem do yoga é a mais adequada naquele momento da vida. Para outros a abordagem do tantra é a mais adequada, mas todos os caminhos estão te levando para o testemunhar. A chave é o testemunhar. A técnica é uma ponte. Mas a ponte não é a sua casa.
Em algum momento você vai precisar ir além da técnica. Chega um momento que você tem que abandonar até mesmo a não técnica.

Numa determinada fase da jornada evolutiva é muito importante você aprender a não se identificar com a natureza inferior. Não se identificar com os jogos da luxúria; com os jogos do orgulho, da vingança. Mas para que
você possa não se identificar com esses jogos, primeiro você precisa reconhecê-los, que significa identificá-los. Então, o primeiro estágio do despertar deste estado profundo de sono, é a identificação desses jogos. Identificação no sentido de um reconhecimento. Isso está acontecendo através de mim. Essa identificação ou reconhecimento só é possível se você estiver se observando. Uma auto-observação focada e dirigida. Então, desde as primeiras práticas de yoga, quer seja o yoga corporal ou quer seja o Jñana yoga, eu estou te levando para acordar esse observador, porque se você pode observar aquele eu que está atuando, você não é o eu que está atuando. Se
você pode observar os ciúmes, você não é o ciúmes. Se você pode observar a
inveja, você não é a inveja.

Todo o meu trabalho é para acordar esse observador em você, e fazer com
que ele se fortaleza. Essa observação te leva à desidentificação. Conforme o observador vai crescendo, você começa a reconhecer que você não é aquele eu que está atuando. As técnicas que eu estou lhe ensinando têm o objetivo último de acordar o observador e de se colocar total na ação. Todos os
trabalhos de cura que eu ofereço são para abrir caminhos dentro de você, até que esse observador possa ser tocado. E quando você pode já então observar com distanciamento, você começa a ter notícias do êxtase, porque quando você não se identifica com as nuvens e está focada no espaço vazio entre elas, você começa a ter vislumbres do céu. Mas você pode se identificar também com o êxtase e se existe uma identificação; existe uma dependência; existe um apego e todos os apegos precisam ser cortados, até mesmo o apego ao êxtase, você se torna somente uma testemunha. Testemunha que assiste tudo o que se passa. Esse é um coração completamente puro.
No começo do trabalho sobre si mesmo, faz-se necessário uma técnica. Para quem está começando o yoga é um excelente caminho, porque ele te ajuda a disciplinar a sua mente: desenvolve concentração, desenvolve a sua
firmeza, dá a você um centro. Mas você precisará, em algum momento, libertar-se do apego à técnica. Mas você não deve ir atrás disso, não deve desejar ou buscar por isso. É um amadurecimento da sua própria prática.

É um florescimento.
O tantra é o caminho da espontaneidade; o caminho da aceitação. Nessa visão tudo é sagrado. Se você é humano, é do humano que você precisa começar. Se você é um ser sexual, não há nada de errado, apenas esteja completamente presente ali. As técnicas utilizadas dentro da abordagem tântrica são somente para abrir espaço para a inocência, para a espontaneidade e para a observação.
Para alguns que estão começando, eu também indico o caminho do tantra,
isso depende do perfil do buscador. Depende do momento em que ele se encontra.

Eu compreendi que remédio bom é aquele que cura. Então, o Mestre espiritual é como um médico, ele dá a medicina mediante um diagnóstico. O diagnóstico é a visão espiritual, ele te olha e te enxerga. Vê onde você está e onde você pode chegar. E te dá a medicina para completar esse trânsito.

Na verdade o Mestre te leva de onde você está para onde você deve chegar,
e para isso ele usa alguns instrumentos. Então, os instrumentos são adequados de acordo do momento daquele buscador.

Um instrumento não é melhor que o outro. Um instrumento não é superior
ao outro. Uma medicina não é melhor que a outra. Todas são necessárias de acordo com o momento e a necessidade do buscador, porque o buscador está se movendo dentro do caminho e nesse movimento ele usa veículos, até que
chega um momento em que ele tem que abandonar todos os veículos; chega um momento que ele simplesmente é; que ele se torna a meditação.(...)

Quanto mais você se aproxima de mim, mais eu vou destruindo essa sua fantasia, porque esse ‘eu’ que quer agradar o professor, que quer fazer a coisa certa e que tem tanto medo de fazer a coisa errada, não é você. Sua
mente inferior não está permitindo que você tenha acesso à realidade de quem é você. Esse eu está freneticamente ocupado em querer ser importante,
querer reconhecimento, quer ser amado e, portanto é tão exigente consigo mesmo. É um tirano cruel que exige nada mais que a perfeição. E todo o
sofrimento que ele causa aciona um círculo vicioso de misérias, mas esse
‘eu’ não é você. E você só pode se aproximar de si mesmo, através da observação - a auto-observação e a totalidade na ação. São os dois ingredientes que invocam a presença.

A mente é um lugar de peregrinação. É como se você fosse um rádio que tem
muitas diferentes frequências de ondas passando por você. Desde as frequências de natureza inferior, quanto às frequências de natureza superior. Frequências agradáveis, frequências desagradáveis, mas você precisa ter o poder de mudar de estação. Você escolhe mudar de estação e coloca outra música.

Então, o coração completamente puro é aquele que não se identifica com essas frequências que passam no rádio, só assiste. Em um primeiro momento, faz-se necessário amadurecer o suficiente a ponto de renunciar aos dramas de controle. São todos esses dramas que o falso eu cria para ter controle sobre a vida, controle sobre o outro. Se você pode renunciar esses dramas de controle, você pode compreender que eles nascem de uma ilusão, e que eles em si mesmo são uma ilusão. Mas para isso você precisa de um distanciamento. Você precisa reconhecer e se distanciar. É só assim que você pode realmente começar a se mover em direção à liberdade."
Prem Baba em Satsang

20 de maio de 2014

Sahaja Yoga - Osho


"Sahaja Yoga é a mais difícil de todas as modalidades de yoga, porque não existe nada mais difícil do que ser Sahaja - viver sem nenhum esforço, ser natural e espontâneo.

O que significa Sahaja? Sahaja significa: deixe o que tiver que acontecer aconteça, não resista a isso. Ser Sahaja significa fluir como o ar, como a água, e não permitir que o intelecto interfira naquilo que está acontecendo.


Assim que o intelecto começar a se intrometer, assim que ele começar a interferir, nós deixamos de ser Sahaja, natural, e nos tornamos Asahaja, antinatural. Assim que decidimos o que deve ser, ou como não deve ser, nós imediatamente nos tornamos antinaturais. E nos tornamos naturais quando aceitamos aquilo que acontece, aquilo que é. 

Logo, a primeira coisa é compreender o que Sahaja yoga é a yoga mais difícil. Não pense que isso é fácil como o termo sugere. Existe uma ideia errada que Sahaja yoga é um caminho fácil do Sadhana, ou disciplina espiritual.
Pessoas citam Kabir: " Sadho, sahaj samadhi bhali" - "O melhor êxtase é o natural." Claro que é o melhor, porque não requer nenhum esforço, e por isso mesmo é o mais difícil. Não há nada mais difícil para o homem do que ser natural. O homem se tornou anti-natural, ele tem trilhado um longo caminho, se distanciado do estado natural, e atualmente é mais fácil para ele ser anti-natural do que ser natural.


Mas nós precisamos compreender algumas coisas neste contexto, porque o que estou ensinando a vocês é Sahaja Yoga. Impor doutrinas e dogmas na vida é perverter a própria vida. Mas nós fazemos isso: nós todos impomos doutrinas e ideias em nós mesmos. Aquele que é violento está tentando não ser violento. Aquele que é raivoso está tentando ser pacífico. Alguém que é cruel está tentado ser uma pessoa gentil. O ladrão está tentando ser generoso, e o perverso em se tornar santo. Esta é a maneira que nós somos: nós sempre estamos tentando impor algo naquilo que somos. Mas qual é o resultado disso?

Nós não só falhamos quando não conseguimos, nós falhamos também quando conseguimos. Porque seja como for, ele pode tentar, o ladrão não será generoso; ele poderá doar para a caridade e poderá ter a ilusão de ser generoso; mas a mente de um ladrão encontrará um meio de roubar através da caridade.

Toda a inaturalidade da nossa vida é que, estamos sempre tentando ser diferente daquilo que realmente somos. No Sahaja yoga, dizemos: não tente ser ninguém além de você mesmo; conheça a si mesmo e seja isso.(...) 

Sahaja yoga diz: Conheça a si mesmo, a não tente se distanciar disso nem por um milímetro; não tente ser diferente disso. No momento em que você assume a sua real natureza, seja ela de pecados, de miséria, de agonia, o seu inferno particular, você imediatamente pula fora de tudo isso, e estará livre para sempre; você sairá completamente. (...)

Ser Sahaja, ser natural significa: Aquilo que é, é; não existe nada que possa negar aquilo que é. Eu tenho que viver isso; e eu irei viver isso; Aquilo que é, é. Conheça aquilo que é, e viva aquilo que é. Isso é fato; a viva este fato. Que sua vida seja plena em facticidade.

Sahaja yoga significa: não se iluda. Conheça e aceite a si mesmo exatamente como você é, sem nenhuma reserva. Se você fizer isso, mudanças ocorrerão instantâneamente. As mudanças acontecem simultâneamente à compreensão e a aceitação. Então, você não terá que esperar mais.

Alguém precisa esperar até amanhã para saber que sua casa está pegando fogo ? A pessoa sai da casa o mais rápido possível, numa fração de segundos! No dia em que virmos nossa vida inteira como ela é - e é como uma casa pegando fogo - o momento de mudança acontece. Mas nós temos nossos próprias maneiras de nos enganarmos. A casa está pegando fogo, e nós decoramos seu interior com flores. Nossas mãos estão acorrentadas e nós cobrimos essas correntes com ouro, e assim enquanto virmos o brilho do ouro nós deixamos de ver as correntes. Nós estamos cheios de culpas e feridas, mas temos coberto nossas feridas com ataduras coloridas, e nós vemos as cores vivas e não vemos as feridas embaixo.

Esta decepção é tão profunda e tão vasta que gastamos nossa vida nisso, e o momento de transformação nunca chega. Nós estamos adiando este momento. A morte chega, mas não o momento que foi adiado. Nós morremos, mas não mudamos; nós simplesmente somos incapazes de mudar.

A mudança só pode acontecer realmente, a cada momento . Sahaja yoga diz: viva aquilo que é, e você será transformado. Você não tem que fazer nenhum esforço para mudar; a verdade muda. Jesus diz: "A verdade liberta."

Mas nós não sabemos o que é a Verdade. Nós vivemos uma vida de mentiras, vivemos pseudo-realidades; mas nós enfeitamos nossas mentiras antes, para podermos viver com elas. E mentiras aprisionam, enquanto a verdade liberta. Mesmo a verdade mais dolorosa é melhor do que uma mentira mais agradável. A mentira agradável é realmente perigosa. Ela cega você; ela será uma escravidão. E até mesmo a verdade dolorosa é libertadora, até mesmo sua dor é libertadora. Por isso, viva sua vida mesmo na verdade dolorosa, e não se esconda em mentiras, por mais prazeroso que isso possa ser. Essa é a essência do Sahaja yoga. E então acontecem samadhi, êxtase ou a iluminação, ou qualquer coisa que queira denominar. Você não precisa procurar por samadhi, ele acontecerá naturalmente em você.

Aquilo que chamamos de meditação, e o que temos aqui é o processo de Sahaja Yoga. Aqui aceitamos tudo o que acontece; você aprende a se abandonar completamente e aceitar tudo o que acontece em si mesmo. Caso contrário seria impensável que pessoas educadas e cultas, pessoas que são influentes e sofisticadas pudessem chorar, e gritar, pular e dançar descontroladamente como pessoas malucas. Isso não é algo comum, é algo extraordinário e de grande valor também. (...)

Bertrand Russell disse nos seus últimos dias, que a civilização roubou do homem muitas coisas preciosas, e a dança foi uma delas.(...)
Os ganhos da civilização são pequenos e suas perdas são enormes. O homem civilizado perdeu sua naturalidade e simplicidade, perdeu a sua natureza essencial. E cada vez mais é vítima de todos os tipos de perversões.

Meditação é o meio de tornar-se natural e simples, recuperar sua natureza essencial novamente."
Osho em Come, follow me


18 de maio de 2014

Consciência Manifesta - Eckhart Tolle



"A alegria do Ser é a alegria de estar consciente.

A consciência já é consciente. Ela é o não manifestado, o eterno. O universo porém, só está se tornando consciente pouco a pouco. A consciência em si é infinita e, portanto, não evolui. Nunca nasceu e não morre. Quando ele se transforma no universo manifestado, parece estar sujeita ao tempo, e a um processo evolutivo. Nenhuma mente humana é capaz de compreender plenamente o motivo desse processo. No entanto, podemos ter um vislumbre dele dentro de nós mesmos e vivenciá-lo como participantes conscientes.

A consciência é a inteligência, o princípio organizador por trás do surgimento da forma. Ela vem elaborando formas por milhões de anos para que possa se expressar através delas no plano manifestado. 

Embora o nível não manifestado da consciência pura possa ser considerado outra dimensão, ele não está separado dessa dimensão da forma. A forma e a ausência dela se interpenetram. O não manifestado inunda essa dimensão como consciência, espaço interior, presença. Como ele faz isso? Por meio da forma humana que se torna consciente, e assim, cumpre seu destino.

A consciência encarna na dimensão manifestada, ou seja, toma forma. Quando faz isso entra num estado semelhante ao sonho. A inteligência permanece porém, a consciência fica inconsciente de si mesma. Perde-se nas formas, identifica-se com elas. Isso poderia ser descrito como a descida do divino à matéria.

No nosso planeta, o ego humano representa o estágio final do sono universal, a identificação da consciência com a forma. É uma etapa necessária na evolução da consciência.

O próximo passo na evolução humana não é inevitável, mas pela primeira vez na história do planeta, pode ser uma escolha consciente. Quem está fazendo essa escolha? Você está. E quem é você? A consciência que se tornou consciente de si mesma.

O cérebro humano é uma forma altamente diferenciada pela qual a consciência entra nesta dimensão. Ele contém aproximadamente 100 bilhões de células nervosas ( os neurônios ) quase o mesmo número de estrelas que existem na nossa galáxia, e poderia ser considerado um cérebro macrocósmico. Esse órgão não cria a consciência. No entanto, ela o criou - como a mais complexa forma física sobre a Terra - para sua expressão. Quando ele sofre um dano, isso não significa que perdemos a consciência, e sim que, ela não consegue mais usar essa forma para entrar nessa dimensão. É impossível perder a consciência, porque ela é, em essência, quem nós somos. Só podemos perder aquilo que temos, e não algo que somos.

Embora não possamos conhecer a consciência, somos capazes de nos tornar conscientes dela como nós mesmos. Temos como senti-la diretamente em qualquer situação, não importa onde estejamos. Podemos senti-la aqui e agora como nossa verdadeira presença, o espaço interior em que as palavras dessa página são percebidas e se transformam em pensamentos. Ela é o EU SOU subjacente. Por exemplo, as palavras que você está lendo e nas quais está pensando são o primeiro plano, enquanto o EU SOU é o substrato, o pano de fundo implícito em cada sensação, pensamento e sentimento.

Compreender a espiritualidade é ver com clareza que o que nós percebemos, vivenciamos, pensamos ou sentimos não é, em última análise, quem somos, que não podemos nos encontrar em todas essas coisas transitórias.

É provável que Buda tenha sido o primeiro humano a entender isso - razão de ter sido a anatta ( a noção de não-eu) um dos pontos centrais do seus ensinamentos. Quando Jesus disse: "Negue a si mesmo", sua intenção era formar: Desfaça a ilusão do eu separado. Se o eu - o ego- fosse de fato quem somos, seria um absurdo negá-lo.

O que permanece é a luz da consciência, sob a qual percepções, sensações, pensamentos e sentimentos vêm e vão. Isso é o Ser, o mais profundo e verdadeiro eu. Quando sabemos que somos isso, qualquer coisa que ocorra na nossa vida deixa de ter importância absoluta para adquirir uma importância apenas relativa. Respeitamos os acontecimentos, mas eles perdem sua seriedade plena, seu peso.

Quando as formas com as quais nos identificamos, que nos dão a percepção do eu, desmoronam ou são removidas, o ego entra em colapso, uma vez que ele é a identificação com a forma. No momento em que não há mais nada com que possamos nos identificar, quem somos nós? Assim que as formas ao nosso redor morrem, ou quado sua morte se aproxima, nossa percepção da Existência do EU SOU, fica livre das ligações com a forma; o espírito é libertado de sua prisão na matéria. Passamos a compreender nossa identidade essencial como informe, como uma presença onipresente do Ser, antes de todas as formas, de todas as identificações. Entendemos nossa verdadeira identidade como a consciência propriamente dita, não como algo ao qual a consciência se vinculara.Essa é a paz de Deus"
Eckhart Tolle em Em Comunhão com a Vida.

16 de maio de 2014

Osho fala sobre Buda 4/4


"A ênfase de Gautama Buda na compaixão era um fenômeno novo para os místicos antigos. Gautama Buda estabelece uma histórica linha divisória em relação ao passado; antes dele, bastava a meditação, ninguém dera ênfase à compaixão, paralelamente à meditação. E o motivo era que a meditação traz iluminação, faz o indivíduo desabrochar, expressa a suprema expressão do Ser. De que mais precisamos? No que diz respeito ao indivíduo, a meditação basta. A grandeza de Gautama Buda está em ter introduzido a compaixão antes mesmo que começamos a meditar. Devemos ser mais amorosos, mais bondosos mais compassivos.

Existe uma ciência oculta por trás disso. Antes de se tornar iluminado, se um homem tiver o coração cheio de compaixão, existe a possibilidade de que depois da meditação, venha a ajudar os outros a alcançar a mesma beatitude, as mesmas alturas, a mesma celebração a que teve acesso. Gautama Buda possibilita que a iluminação se torne contagiosa. Mas, se a pessoa sentir que voltou para casa, por que haveria de se preocupar com os outros?

Buda torna a iluminação altruísta pela primeira vez; transforma-a numa responsabilidade social.É uma grande mudança. Mas a compaixão deve ser aprendida antes de ocorrer a iluminação. Se não for aprendida antes, nada haverá a aprender depois da iluminação. Quando alguém entra em êxtase consigo mesmo, até a compaixão parece impedir a sua alegria - é uma espécie de perturbação do seu êxtase.

Por isso é que se tem notícias de centenas de iluminados, mas muito poucos são os mestres. Ser um iluminado não significa necessariamente que a pessoa poderá tornar-se um mestre. Tornar-se um mestre significa que alguém é capaz de enorme compaixão, que se sente envergonhado de se transferir sozinho para os lugares maravilhosos propiciados pela iluminação. O indivíduo quer ajudar as pessoas cegas, na escuridão, tateando no caminho. Ajudá-las torna-se uma alegria, não é uma perturbação.

Na verdade, o êxtase torna-se mais rico quando vemos tantas pessoas desabrochando ao redor; não somos uma árvore solitária que vicejou numa floresta em que não vicejam outras árvores. Quando a floresta inteira viceja conosco, a alegria é multiplicada por mil; usamos nossa iluminação para promover uma revolução no mundo.

Gautama Buda não é apenas um iluminado, mas um revolucionário iluminado. Sua preocupação com o mundo, com as pessoas é imensa. Ele ensinava aos discípulos que quando meditassem e sentissem o silencio, a serenidade, uma alegria profunda borbulhando em seu interior, não se apegassem, oferecendo tudo aquilo ao mundo inteiro. E não devemos nos preocupar, pois quanto mais dermos, mais seremos capazes de conseguir. O gesto de dar é de enorme importância quando sabemos que dar não nos priva de nada; pelo contrário, multiplica nossas experiências. Mas o homem que nunca teve compaixão não conhece o segredo da doação, não conhece o segredo da partilha. (...)

Compaixão significa basicamente aceitar a fragilidade das pessoas, suas fraquezas, sem esperar que se comportem como deuses. Isso é crueldade, pois jamais serão capazes de se comportar como deuses e cairão em sua estima, perdendo igualmente respeito próprio. (...) Um dos elementos fundamentais da compaixão é infundir dignidade em cada um, tornar cada um consciente de que o que aconteceu a você pode acontecer a ele; de que ele não é um caso perdido, não é indigno, de que a iluminação não precisa ser merecida, é da própria natureza de cada um.

Mas estas palavras devem partir do homem iluminado, pois só então podem gerar confiança. Quando partem dos estudiosos não iluminados, elas não geram confiança. Através do homem iluminado, a palavra começa a respirar, começa a ter um batimento cardíaco próprio. Torna-se viva, vai direto ao coração, não é uma ginástica intelectual. Com o erudito, contudo, a coisa é diferente. Ele próprio não está certo daquilo de que fala, do que escreve. Encontra-se na mesma incerteza que você.

Gautama Buda é um dos marcos na evolução da consciência; sua contribuição é grande, incomensurável. E em sua contribuição a ideia da compaixão é a mais essencial. Mas é preciso lembrar que, sendo compassivos, não nos tornamos maiores; caso contrário, tudo vai por água a baixo. A coisa se transforma numa manifestação do ego. É preciso lembrar de não humilhar a outra pessoa ao se mostrar compassivo; caso contrário, não estamos sendo compassivos, por trás das palavras estamos saboreando a humilhação.

A compaixão precisa ser entendida, pois é o amor amadurecido.
A compaixão não se dirige a ninguém. Não é uma forma de relacionamento, mas simplesmente o seu próprio ser. Você se concede o prazer de ser compassivo com as árvores, os pássaros, os animais, os seres humanos, com tudo - incondicionalmente -, sem nada pedir em troca. (...)

As últimas palavras de Gautama Buda na Terra foram: "Seja uma luz para si mesmo. Não siga os outros, não imite, pois a imitação, a decisão de seguir gera estupidez. Você nasceu com enormes possibilidades de inteligência. Nasceu com uma luz em seu interior. Ouça a pequena e tranquila voz dentro de você e isso o guiará. Ninguém mais pode guiá-lo, ninguém mais pode ser um modelo para sua vida, pois você é único. Nunca houve alguém igual a você, e jamais haverá de novo alguém que seja exatamente como você. É essa a sua glória, a sua grandeza - o fato de ser absolutamente insubstituível, o fato de ser simplesmente você mesmo, e ninguém mais."

A pessoa que segue alguém se torna falsa, vira uma pseudo, torna-se mecânica. (...) Seguindo os outros, você pode cultivar belo caráter mas não poderá ter uma bela consciência, e se não tiver uma bela consciência nunca poderá ser livre. Poderá ficar trocando de prisão, poderá trocar constantemente seus grilhões, suas formas de escravidão.(...) Você se tornará uma entidade falsa, perderá toda sinceridade, deixará de ser verdadeiro consigo mesmo.(...)

Buda define a sabedoria como a capacidade de viver à luz de sua própria consciência, e a tolice como a insistência em seguir os outros, imitar os outros, tornar-se uma sombra de alguém.

O verdadeiro mestre cria mestres, e não seguidores. O verdadeiro mestre o devolve de volta a si mesmo. Seu empenho consiste em precisamente em torná-lo independente dele, pois há séculos você tem sido dependente, o que não o levou a lugar nenhum. Continua a tropeçar na escura noite da alma.

Somente sua luz interior pode tornar-se o alvorecer. O falso mestre o convence a segui-lo, a imitá-lo, a ser apenas uma cópia dele. O verdadeiro mestre não permite que você se torne uma cópia, quer que você seja original. Ele o ama! Como poderia levá-lo a ser uma imitação? Ele tem compaixão por você, gostaria que fosse absolutamente livre - livre de qualquer dependência externa.

Mas o ser humano comum não quer ser livre. Quer ser dependente. Quer ser guiado por alguém. Por quê? Porque assim pode jogar a responsabilidade nos ombros de outra pessoa. E, quanto mais alguém joga a responsabilidade nos ombros de outros, menor será a possibilidade de se tornar inteligente um dia. É a responsabilidade, o desafio da responsabilidade, que gera sabedoria.

Temos de aceitar a vida com todos os seus problemas. Precisamos enfrentar a vida desprotegidos; cada um deve buscar seu próprio caminho. A vida é uma oportunidade, um desafio para que nos encontremos. Mas o tolo não quer seguir o caminho mais difícil, o tolo escolhe o atalho. Pensa com seus botões:
"Buda já alcançou, por que haveria de me preocupar? Posso observar seu comportamento e imitá-lo. Jesus já alcançou, por que haveria eu de continuar buscando? Posso simplesmente tornar-me uma sombra de Jesus. Posso simplesmente continuar a segui-lo hoje, aonde quer que ele vá."

Mas como é que, seguindo alguém, você poderá desenvolver sua própria inteligência? Desse modo, não estará dando à sua inteligência qualquer oportunidade de explodir. É necessária uma vida de desafios para que a inteligência se manifeste, uma vida aventurosa, uma vida capaz de arriscar e explorar o desconhecido. Só a inteligência pode salvá-lo, ninguém mais - a sua própria inteligência, naturalmente. A sua própria consciência é que se pode tornar o seu nirvana.

Seja uma luz para si mesmo, e alcançará a sabedoria; permita que outros se tornem líderes ou guias para você, e continuará sendo estúpido, continuará perdendo todos os tesouros da vida - que eram seus!

A vida é uma peregrinação de extraordinária beleza, mas só para aqueles que se dispõem a buscar."
Osho em Encontro com Pessoas Notáveis.

14 de maio de 2014

Osho fala sobre Buda 3/4


"Toda a religião de Gautama Buda, pode ser reduzida a uma única palavra. E esta palavra é liberdade. É a essência da sua mensagem, sua própria fragrância. Ninguém mais elevou tão alto a liberdade. É o valor supremo na visão de Buda, o summum bonum; não pode haver mais alto.

E parece fundamental entender por que Buda dá tanta ênfase à liberdade. Não há ênfase em Deus, nem no céu, nem no amor, mas apenas liberdade. Existe um motivo para isso: tudo o que é valioso só se torna possível num clima de liberdade. O amor também só pode crescer no solo da liberdade; sem liberdade, o amor não cresce. Sem liberdade, o que cresce em nome do amor é apenas luxúria. Sem liberdade, não há Deus. Sem liberdade, o que pensamos ser Deus é apenas nossa imaginação, nosso medo, nossa ganância. Não existe céu sem liberdade: a liberdade é o céu. E se você acha que pode existir um céu sem liberdade, é porque esse céu não tem valor nem realidade. É uma fantasia, um sonho.

Todos os grandes valores da vida crescem em um ambiente de liberdade; por isso a liberdade é o valor mais fundamental e também a culminância mais elevada. Se quiser entender Buda, você terá de experimentar algo da liberdade de que ele fala.

Sua liberdade não é a do exterior. Não é social, nem política, nem econômica. Sua liberdade é espiritual. Falando de "liberdade" ele se refere a um estado de consciência isento de qualquer desejo, alheio a qualquer ganância, a qualquer ambição de ter mais. "Liberdade", para ele quer dizer uma consciência sem mente, um estado de ausência da mente. Ela é totalmente vazia, pois se houver alguma coisa, haverá de tolher a liberdade.

Essa palavra vazio - shunyata - tem sido mal compreendida, pois tem uma conotação negativa. Sempre que ouvimos a palavra "vazio" pensamos em algo negativo. Na linguagem de Buda, o vazio não é negativo; o vazio é absolutamente positivo, mais positivo que a chamada plenitude, pois o vazio está cheio de liberdade; tudo o mais foi afastado. Ele é espaçoso; não há mais limites. Ele é infinito - somente num espaço infinito é possível a liberdade. O vazio de Buda não é um vazio comum; não é apenas a ausência de alguma coisa, é a presença de algo invisível.

Por exemplo, quando esvaziamos o quarto, à medida que vamos removendo os móveis, os quadros, e tudo que está lá, o quarto vai ficando vazio, por um lado, porque não há mais móveis, quadros nem objetos, nada ficou lá dentro; mas por outro, algo invisível começa a enchê-lo. Essa coisa invisível é espaço; o quarto se torna maior. À medida que tiramos as coisas, o quarto vai ficando cada vez maior. Quando tudo tiver sido removido, até as paredes, o quarto estará do tamanho do céu.

É esse o processo da meditação: remover tudo; remover tão completamente as coisas de si mesmo que não reste nada - nem mesmo você. Nesse silencio extremo encontra-se a liberdade. 
Nessa extrema quietude brota o lótus de mil pétalas da liberdade. E uma envolvente fragrância é liberada: a fragrância da paz, da compaixão, do amor e da bem-aventurança." [ continua...]
Osho em Encontro com Pessoas Notáveis

13 de maio de 2014

Osho fala sobre Buda 2/4


"Buda traz ao mundo uma visão totalmente nova da meditação. 
Antes de Buda a meditação era algo que se tinha de fazer uma ou duas vezes por dia, uma hora pela manhã, outra hora à noite, e era tudo.
Buda trouxe uma interpretação completamente nova de todo o processo da meditação. Dizia ele: Esse tipo de meditação não é de grande valia. A meditação não pode ser uma coisa que se faz à parte da vida, apenas por uma hora ou quinze minutos. A meditação deve tornar-se sinônimo de vida; dever ser como a respiração. Não se pode respirar durante uma hora pela manhã e uma hora à noite, caso contrário a noite nem chegaria. Tem de ser como a respiração; mesmo durante o sono, ela continua. (...)

Buda afirma que a meditação deve ser transformada nesse fenômeno constante; só então pode transformar-nos. E ele desenvolveu uma nova técnica de meditação.

Sua maior contribuição para o mundo foi o vipassana.
A própria palavra vipassana em páli, a língua em que se expressava Gautama Buda... ele tinha perfeito conhecimento do sânscrito,a linguagem dos intelectuais, dos brahmins, dos sacerdotes, mas essa não era a linguagem do povo. (...) O páli é uma língua das pessoas simples. Vipassana é uma palavra cujo significado literal é "olhar", e o significado metafórico é "observar, testemunhar". Buda escolheu uma meditação que pode ser considerada a meditação essencial. Todas as outras meditações são diferentes formas de testemunhar, mas o ato de testemunhar é uma parte essencial de todos os tipos de meditação; não pode ser evitado. Buda apagou tudo o mair, mantendo apenas a parte essencial: testemunhar.

Existem três passos no ato de testemunhar - Buda é um pensador científico. Ele começa com o corpo, pois é o mais fácil de testemunhar. É fácil testemunhar minhas mãos se movendo. Posso testemunhar minha caminhada pela estrada, posso testemunhar cada passo à medida que caminho. Posso testemunhar enquanto me alimento. De modo que o primeiro passo no vipassana consiste em testemunhar os movimentos do corpo, e é o passo mais simples.(...) Testemunhando o corpo, você ficará espantado com as novas experiências. Ao mover a mão com atenção e consciência, você percebe uma certa graça e um certo silencio na mão. Também pode fazer o movimento sem testemunhar; ele será mais rápido, mas perderá essa graça. Buda costumava caminhar tão lentamente que muitas vezes lhe perguntavam porque fazia assim. Ele dizia: "Faz parte da minha meditação: caminhar sempre somo se estivesse caminhando num regato frio no inverno...lentamente, com atenção, pois a água está muito fria; conscientemente porque a corrente é muito forte; e testemunhando cada passo, para não escorregar nas pedras e cair."

O método é o mesmo, muda apenas o objetivo a cada passo. O segundo passo consiste em vigiar a mente. Passamos agora a uma esfera mais sutil: vigiar os pensamentos. Se você conseguiu observar seu corpo, não haverá nenhuma dificuldade; Os pensamentos são ondas sutis - ondas eletrônicas, ondas de radio - mas são tão materiais quanto o seu corpo. Não são visíveis, assim como o ar não é visível, mas o ar é tão material quanto as pedras; o mesmo acontece com seus pensamentos, materiais porém invisíveis. É este o segundo passo, o passo intermediário. Você se encaminha para a invisibilidade, mas ainda estamos na esfera da matéria...observando os seus pensamentos. A única condição é não julgar.

Não julgue, pois assim que começa a julgar, você esquece de vigiar, de observar. (...) O motivo de não ser permitido é que assim que começa a julgar - "Eis aqui um bom pensamento" - terá deixado de vigiar esse mesmo espaço. Começou  pensar, ficou envolvido. Não foi capaz de manter-se à parte, ficando à beira da estrada para simplesmente contemplar o tráfego. Não se torne um participante, seja avaliando, valorizando ou condenando; não deve ser assumida nenhuma atitude a respeito do que se passa em sua mente. Limite-se a observar seus pensamentos, com se fossem nuvens passando no céu. Você não faz julgamentos a respeito delas; essa nuvem negra é muito má, essa nuvem branca parece um sábio. Nuvens são nuvens, nem boas nem más. O mesmo se dá com os pensamentos: apenas uma pequena onda passando pela sua mente.

Observe sem nenhum julgamento e novamente terá uma grande surpresa. À medida que se instala o processo de observação surgirão cada vez menos pensamentos. (...) Trata-se de uma grande conquista na meditação. Você já tem meio caminho andado, e foi esta a parte mais difícil. Agora, conhece o segredo, e o mesmo segredo precisa apenas ser aplicado a diferentes objetos.

Dos pensamentos, é necessário evoluir para experiências mais sutis - emoções, sentimentos, estados de ânimo. Da mente para o coração com a mesma condição: nada de julgamento, apenas testemunhar. E a surpresa estará em que quase sempre suas emoções, sentimentos e estados de ânimo se apoderam de você ... Quando se sente triste, você se torna triste, é possuído pela tristeza. Quando está zangado, não é um sentimento parcial. Você fica cheio de raiva, cada fibra do seu ser pulsa com essa raiva. Observando o coração, a experiência será constatar que já agora nada o possui. A tristeza vem e vai; você não se torna triste. A alegria vem e vai; você tampouco se torna alegra. O que quer que se mexa nas camadas mais profundas do seu coração, não chegará a afetá-lo. Pela primeira vez você saboreia algo próximo do domínio de si. Já não é um escravo empurrado daqui e dali, deixando-se perturbar, ao menor motivo pelas emoções, os sentimentos ou as outras pessoas.

Ao tornar-se uma testemunha da terceira etapa, você também se tornará pela primeira vez um mestre: nada o perturba, nada o subjuga, tudo se mantém a distância, bem lá no embaixo, e você está no topo da colina.

Quando assumir a perfeita capacidade de observação do seu corpo, da sua mente e do seu coração, você nada mais poderá fazer, terá de esperar. Quando a perfeição for alcançada nessas três etapas, a quarta virá por sua própria conta, como recompensa. É um saldo qualitativo do coração para o Ser, bem no centro da sua vida.

Não cabe a você dar o salto: ele simplesmente acontece - é preciso ter isso em mente. Não tente forçar, pois se tentar dar esse salto, o fracasso é absolutamente certo. É um acontecimento. Você trabalha nas três primeiras etapas, mas a quarta é uma recompensa da própria vida, um salto qualitativo. De repente, a sua força vital, a sua capacidade de observar se instalam no próprio cerne do seu ser. Você voltou para casa.

Pode der a isso o nome de autorrealização, iluminação, suprema libertação, mas nada existe além. Você chegou ao fim de sua busca, encontrou a verdade da existência e o grande êxtase que ela traz em sua sombra, ao seu redor." 
[continua...]
Osho em Encontro com pessoas notáveis


12 de maio de 2014

Osho fala sobre Buda 1/4


"Gautama Buda representa o próprio cerne da religião. Ele não é o fundador do budismo - o budismo é um subproduto - , mas o início de um tipo totalmente diferente de religião no mundo. É o fundador de uma religião sem religião, e não propõe a religião, mas a religiosidade, o que vem a ser uma mudança radical na história da consciência humana. Antes de buda havia religiões, mas nunca religiosidade pura. O homem ainda não estava maduro. Com Buda, a humanidade entra na idade madura. Nem todos os seres humanos entraram nela, é verdade, mas Buda indicou o caminho; Buda abriu a porta sem porta.(...)

Gautama Buda deu início a uma espiritualidade que não é repressiva, nem ideológica. O que é um fenômeno muito raro. A espiritualidade do tipo comum é muito repressiva. Ela precisa de repressão. Não transforma as pessoas, apenas as aleija. Não as liberta, escraviza-as. (...) Lembre-se disso: Buda não é repressivo. E, se você considera repressivos os monges budistas, é porque eles não entenderam Buda. Introduziram sua própria patologia em seu ensinamentos.

Buda não é ideológico. Não fornece uma ideologia porque todas as ideologias são da esfera da mente. E se elas pertencem à mente, não podem nos conduzir para além da mente. Nenhuma ideologia é capaz de lançar pontes para o território além da mente. É preciso deixar de lado todas as ideologias e só então, a mente também ficará de lado.

Buda tampouco acredita em ideais - pois todos os ideais criam tensão e conflito no homem. Eles dividem, geram angústia. Somos uma coisa, eles querem que sejamos outra. Entre esses dois pontos, ficamos divididos, dilacerados. Os ideais geram miséria, esquizofrenia. Quanto mais ideais forem, mais as pessoas serão esquizofrênicas, divididas. Só uma consciência não ideológica pode evitar a divisão. Como poderemos guardar silêncio, como poderemos entender a paz e a quietude?

A pessoa ideológica está constantemente lutando consigo mesma. A cada momento existe conflito. Ela vive em conflito, vive na confusão, pois não é capaz de decidir quem é realmente - o ideal ou a realidade? Ela não confia em si mesma, passa a ter medo de si mesma, perde a confiança. E quando alguém perde a confiança, perde toda a glória. Pode então tornar-se escravo de qualquer um - de qualquer padre, qualquer político. Está prontinho para cair em alguma armadilha. (...)

Buda ofereceu um modo de vida que não é repressivo nem ideológico. Por isso é que não fala de Deus, não fala do céu, não fala de nenhum futuro. Não nos apresenta nada a que possamos nos agarrar, o que faz é tomar-nos tudo. Nos toma tudo, até o nosso eu. Vai tirando tudo, e no fim das contas tira até a ideia do eu, do ego. Deixa para trás apenas o puro vazio. O que é muito difícil. (...)

Buda acaba com todos os ideias, todo o futuro e finalmente leva também a última coisa que para nós é muito, muito difícil entregar: leva o nosso próprio eu. E deixa para trás um vazio puro, inocente, virgem. A esse vazio virgem dá o nome de Nirvana. O Nirvana não é uma meta, é apenas o nosso vazio. Quando largamos para trás tudo que acumulamos, quando deixamos de acumular tesouros, quando já não somos avarentos e apegados, de repente surge esse vazio. Ele estava lá desde sempre.

O vazio está aí. Nós acumulamos muito lixo, de modo que o vazio não é visível. É exatamente como nossa casa: podemos estar sempre acumulando coisas, até que parece não haver mais espaço. Chega o dia em que fica difícil até que parece não haver mais espaço. Mas o espaço não foi para lugar nenhum; pense bem, medite nisso: o espaço não foi a lugar nenhum; pense bem, medite nisso; o espaço não foi a lugar nenhum. (...)

Assim também é o vazio interior, o seu Nirvana, o seu nada. Buda liberta, em vez de coagir. Buda ensina como viver - não em função da alguma meta, não para alcançar o que quer que seja, mas para ser feliz aqui e agora. Ele ensina como viver na consciência das coisas. Não que a consciência nos proporcione alguma coisa: a consciência não é um meio para atingir nada. É um fim em si mesma, ao mesmo tempo o meio e o fim; seu valor é intrínseco.

Buda não nos ensina coisas do outro mundo. É preciso entender bem isso. (...) O outro mundo não passa de um modelo melhorado do mesmo mundo em que vivemos agora. (...) De modo que o outro mundo não é tão diferente assim deste mundo, e nem pode ser. É uma continuidade. Ele sai da nossa mente; é um jogo da nossa imaginação. (...)
Buda não nos fala do outro mundo, ele simplesmente nos ensina como estar aqui neste mundo. Como nos manter alerta, conscientes, atentos, para que nada invada o nosso vazio; para que possamos viver aqui sem sermos contaminados nem poluídos; para que possamos estar no mundo, sem que o mundo esteja em nós. (...)

Lembre-se: você só é na medida em que é consciente. Se quiser ser mais, seja mais consciente. A consciência propicia o ser. A inconsciência o leva embora. Quando fica bêbado, você perde o ser. Quando adormece profundamente, também perde o ser. Ainda não observou? Quando está atento, você desfruta de uma qualidade diferente - está centrado, enraizado. Quando atento, você sente a solidez do seu ser, é quase tangível. Quando inconsciente, vagando daqui para ali, com sono, é menos sua capacidade de ser. Ela está sempre na proporção direta da consciência.

Toda mensagem de Buda, portanto é que sejamos conscientes. E por nenhum outro motivo especial, simplesmente por estar consciente, pois a consciência propicia o ser, a consciência o cria. E cria um você tão diferente do que você é que você nem pode imaginar. Um você do qual o "eu" desapareceu, no qual não existe a ideia do eu, nada que o defina...um puro vazio, um infinito, o vazio sem limites. 
[ continua...]
Osho em Encontro com Pessoas Notáveis.

11 de maio de 2014

Como ser uma boa mãe?


Como ser uma boa mãe?
Essa pergunta me foi feita outro dia, por uma senhorinha linda!!! Ela se dizia frustrada por acreditar que não foi uma boa mãe, nem avó e que deveria ter sido mais firme, mais sábia, e que por isso seus filhos seguiram caminhos que ela acreditava, não serem assim tão "bons" para eles...

Vi que este questionamento é comum a muitas mulheres e, por mais incrível que pareça, ainda atormenta muitas mães, e as fazem desacreditar de si mesmas, e mais, faz com que se vejam como erradas, fracas, incompetentes, quando se trata de... maternidade...
Por isso resolvi refletir com vocês neste dia das mães...

Ser mãe não é padecer no paraíso, contrariando Coelho Neto, digo que ser mãe é um privilégio!! Ser mãe é Ser a própria Vida!
A vida acontece através de cada um de nós, independente de sexo, idade, e tudo o mais, somos a vida acontecendo, experimentando a si mesma, se revelando...
A vida que faz nosso coração bater é a mesma que faz o planeta girar, que faz o sol brilhar, e os rios correrem todos em direção ao mar...
Não somos isolados de nada, e aquilo que realizamos também é, no fundo, uma realização da vida para si mesma...
Tudo aquilo que acreditamos que somos nós que realizamos, em última instância também é a Totalidade.

O que é ser mãe?
Ser mãe é ser uma manifestação da criação da vida, um canal de luz, de graça e de expressão da Existência. A vida cria a si mesma, e ela escolhe a mulher, seu útero, para realizar toda a beleza de mais uma vida acontecendo nesta dança infinita que é o Viver.

Mãe é a revelação de um sonho divino, é a canção do amor sem limites, é a poesia da existência...

O amor não tem parâmetros, e amar é sempre um mergulho no desconhecido, onde não somos mais que pétalas ao vento, sendo levadas pelos caminhos que o amor deseja...
Mãe é a mais pura expressão da vida e do amor acontecendo...
A união das sementes da Terra, com o Espírito do céu, unidos pela graça luminosa do Amor...

Quando a mente se interpõe nessa poesia divina, acontecem essas dúvidas, os medos, a racionalização, a fragilidade do "deveria ser", do "deveria agir", do "deveria realizar"... a mente tem a incrível capacidade de criar divisão onde nunca existiu...
A mente condicionada segue padrões sociais, segue padrões culturais, religiosos, e com isso se cria uma angústia interna, uma sensação de inadequação, de estarmos na periferia de nós mesmos. Assim, nos sentirmos divididos, entre aquilo que sentimos em nosso coração e aquilo que as "regras externas" ditam.

Como é possível se dividir o céu? Se dividir o espaço? Se dividir o Amor? Se dividir a Totalidade?
As dúvidas acontecem para nos enganar e nos desviar daquilo que É, daquilo que está diante dos nossos olhos, dentro do nosso coração... daquilo que é absolutamente óbvio...
O Amor só sabe amar, e amando cria, realiza, gera, promove, aproxima, constrói, edifica, cuida, protege...

O Amor é a expressão máxima do SER MÃE.
Qualquer dúvida vem da comparação, vem da idealização... Nós não somos comparáveis, nem idealizáveis..
Somos únicas, e nesta unicidade tudo é possível, tudo é acolhido e valorizado simplesmente por sermos seres Únicos.

Quando me deparo com esta pergunta: Como ser uma boa mãe? 
A única resposta que posso dar é: SEJA você mesma! Toda! Inteira!
Seja autêntica, seja você mesma...abra-se ao Amor, abra-se à Verdade... e deixe a Vida realizar seus planos através de você...

A Vida tem seus planos para todos nós... nenhum esforço é necessário, basta que não criemos barreiras imaginárias à realização de toda a beleza e grandeza que a Vida tem para cada um de nós...
A bondade é nossa natureza fundamental, essencial. Quando estamos centradas no coração, no amor, somos "boas" naturalmente. Não uma bondade formatada, presa a regras e padrões, mas uma bondade fluida, doce - firme quando necessário -, mas transparente, viva, adequada... pulsante...
A bondade acontece quando o coração está aberto, estamos presentes, e acolhemos o momento com simplicidade e completa aceitação.

Os filhos não nos pertencem. São filhos da Existência, filhos de Deus, e o próprio Deus se encarrega de conduzi-los pelos caminhos que deseja.

Por isso, não se preocupe em ser "boa" mãe...
Seja feliz, descubra a felicidade em si mesma e toda a beleza, a radiância da maternidade afloram e transbordam através de você, mergulhe nesse momento mágico da sua vida e desfrute de todas as experiências, ensinamentos, de todos os sentimentos divinos que estão acontecendo em você...
Através de você a Vida transborda em amor, beleza, bondade, cuidado, prazer, alegria... generosidade...
E todos aqueles que estão à sua volta serão banhados nesta graça...

Feliz Dia das Mães a todas!! -  e também as titias, vovós, madrinhas, bisavós...!
Que a Vida seja cada vez mais valorizada, cuidada, amada e protegida,
e que os filhos possam cada vez mais receber, desfrutar e celebrar esse Amor infinito...
Amor
Amidha Prem

8 de maio de 2014

O Interior não é uma pessoa - Osho


"O transcendental é a única verdade,
Além da divisão, além da dualidade,
Apenas um puro céu,
Uma fragrância que você não pode agarrar nas mãos,
Um silêncio que dança no seu coração,
Uma paz que perpassa pela compreensão.


O Ocidente jamais entrou na subjetividade; tem estado continuamente interessado no objeto.

O aquilo tem sido seu interesse, não o isto; o distante tem sido seu interesse, mas não o óbvio; o outro tem sido seu interesse, mas não o si mesmo.

O Ocidente encontrou grandes verdades acerca do mundo objetivo, mas nem mesmo uma pequena sombra do mundo interior. Na verdade ele nega o mundo interior. Suas razões são as de que o mundo interior não preenche os requisitos científicos.

Mas se não há ninguém dentro de você, você acha que alguma coisa estará exterior a você?

É exatamente como perguntar a um cego acerca da luz, ou a uma pessoa surda acerca da música.
Apenas porque um cego não pode ver o sol, o sol não desaparece.

Apenas porque você está focado no exterior, isso não quer dizer que o interior seja não existencial.

Segundo Gautama Buda, “O interior não é uma pessoa, o interior é somente um eterno espaço de vida”.

Por mais incrível que pareça a Índia não pode compreender Gautama Buda por uma simples razão: eles pensam que sentar-se silenciosamente, apenas ser, é inútil.

Você tem de fazer alguma coisa, você tem de rezar, tem de recitar mantras, tem de ir a algum templo e adorar um deus feito pelos homens.“O que você está fazendo sentado aí silenciosamente?”

E esta é a maior contribuição de Gautama Buda: que você pode encontrar a sua eternidade e o seu ser cósmico somente se você puder sentar-se silenciosamente, sem propósito, sem nenhum desejo e sem nenhum anseio, apenas desfrutando o estar no espaço silencioso no qual milhares de Lótus florescem.

Neste silêncio, neste vazio, neste salto quântico da mente para a não mente, você entra num espaço diferente, que não é nem exterior, nem interior, mas
transcendental a ambos...

Você não pode dizer uma única palavra sobre o transcendental, mas você pode experienciá-lo.

Nesta noite abençoada (neste exato momento), estamos entrando no transcendental.

Agora lembre-se destas três palavras: o “exterior”, que se tornou uma fixação no Ocidente; o “interior”, que se tornou uma fixação na mente indiana; e o
transcendental”, que é a mensagem dos seres despertos – acordados.

Os seres despertos não pertencem a nenhuma raça, não pertencem a nenhuma escola de filosofia, eles simplesmente pertencem à própria existência.

Aqueles que se reúnem aqui, hoje, não mais são objetivos, nem subjetivos, mas simplesmente afogam-se no transcendental."
Osho em o Cipreste no Jardim

6 de maio de 2014

Abra seus olhos! - Osho


"Participante - Eu estou tateando no escuro. Osho, você poderia tirar-me disso?"

Osho - Eu não vejo escuridão em lugar algum. Você é que está mantendo os olhos fechados. A escuridão não existe. É criação sua. O sol está em todo lugar, a luz está em todo lugar, estamos em pleno meio-dia. Mas você continua apertando os seus olhos, mantendo-os fechados. Daí a escuridão. Agora, ninguém pode forçar os seus olhos a se abrirem. (...)

Existem algumas coisas que você tem que fazer por si mesmo. Esta é uma das coisas mais fundamentais da vida. Se não fosse assim, mesmo em sua liberdade, você seria um escravo. Se eu pudesse tirá-lo da sua escuridão, ou qualquer outra pessoa, aquela luz não seria muito luminosa. Você estará aprisionado naquela luz, você não veio de livre e espontânea vontade, você
não floresceu espontaneamente.

Alguma vez você já observou uma criança tentando abrir à força um botão de flor? O botão pode ser aberto, mas não será uma flor, alguma coisa ficará faltando, algo de grande significado. 

A alma estará faltando. 

A flor tem alma quando ela floresce espontaneamente, daí ela tem vida. Quando você a força, você a destrói. Tudo que é belo na vida pode apenas acontecer; não pode ser feito.(...)

Você está mantendo os seus olhos fechados, e despendendo muita energia para mantê-los fechados. A mesma energia que os está mantendo fechados, se relaxados, irá ajudá-los a se abrirem.(...)

Um mestre é compassivo com você, ele tem compaixão.

O que mais ele pode fazer? Um mestre verdadeiro não pode segurar suas mãos, porque isso o manterá sempre dependente. Trazer você para fora à força, é o mesmo que mantê-lo ainda dentro. Na hora em que o mestre soltar suas mãos, você voltará para o seu velho mundo, para a sua velha mente. Aquilo ainda não estava encerrado, ainda estava agarrado dentro de você.

Um mestre verdadeiro ajuda sem ajudar.... A sua ajuda é muito indireta, ele nunca vem imediatamente ajudá-lo. Ele vem de maneira muito sutil. Ele se aproxima de você como uma brisa muito frágil, não como uma ventania selvagem. Ele se aproxima de você como uma aura, invisível. Ele o ajuda certamente, mas nunca força você. Ele o ajuda apenas até onde você está pronto para ir, nunca um passo a mais. 
Ele nunca empurra você violentamente, porque qualquer coisa feita violentamente será perdida, mais cedo ou mais tarde.

Aquilo que você não desenvolveu de livre e espontânea vontade, você perderá. Você não pode desfrutar aquilo que não cresceu em seu ser espontaneamente. Você desfruta o seu próprio crescimento. Eu posso até mesmo dar-lhe a verdade, e você irá jogá-la fora, porque você não irá reconhecê-la.(...)

Ninguém pode ser acordado antes da sua hora, nem deve ser."
Osho em O Livro dos Segredos IV

4 de maio de 2014

Estados interiores - Eckhart Tolle


"O que você está atraindo para sua vida, mostra a qualidade da sua energia..

Quem nós pensamos que somos está intimamente ligado a como nos consideramos tratados pelos outros. Muitas pessoas se queixam de que não recebem um tratamento bom o bastante. “Não me tratam com respeito, atenção, reconhecimento, consideração. Tratam-me como se eu não tivesse valor”, elas dizem. 


Quando o tratamento é bondoso, elas suspeitam de motivos ocultos. “Os outros querem me manipular, levar vantagem sobre mim. Ninguém me ama.”
Quem elas pensam que são é isto: “Sou um pequeno eu’ carente cujas necessidades não estão sendo satisfeitas.”

Esse erro básico de percepção de quem elas são cria um distúrbio em todos os seus relacionamentos. Esses indivíduos acreditam que não têm nada a dar e que o mundo ou os outros estão ocultando delas aquilo de que precisam. Toda a sua realidade se baseia num sentido ilusório de quem elas são. Isso sabota situações, prejudica todos os relacionamentos. 

Se o pensamento de falta – seja de dinheiro, reconhecimento ou amor – se tornou parte de quem pensamos que somos, sempre experimentaremos a falta. 
Em vez de reconhecermos o que já há de bom na nossa vida, tudo o que vemos é carência. Detectarmos o que existe de positivo na nossa vida é a base de toda a abundância. 

O fato é o seguinte: seja o que for que nós pensemos que o mundo está nos tirando é isso que estamos tirando do mundo. Agimos assim porque no fundo acreditamos que somos pequenos e que não temos nada a dar.
Se esse for o seu caso, experimente fazer o seguinte por duas semanas e veja como sua realidade mudará: dê às pessoas qualquer coisa que você pense que elas estão lhe negando – elogios, apreço, ajuda, atenção, etc. Você não tem isso? 
Aja exatamente como se tivesse e tudo isso surgirá. Logo depois que você começar a dar, passará a receber. Ninguém pode ganhar o que não dá. O fluxo de entrada determina o fluxo de saída.
Seja o que for que você acredite que o mundo não está lhe concedendo você já possui. Contudo, a menos que permita que isso flua para fora de você, nem mesmo saberá que tem. Isso inclui a abundância. A lei segundo a qual o fluxo de saída determina o fluxo de entrada é expressa por Jesus nesta imagem marcante: “Dê, e lhe será dado".

A fonte de toda a abundância não está fora de você. Ela é parte de quem você é. Entretanto, comece por admitir e reconhecê-la exteriormente. Veja a plenitude da vida ao seu redor. 

O calor do sol sobre sua pele, a exibição de flores magníficas num quiosque de plantas, o sabor de uma fruta suculenta, a sensação no corpo de toda a força da chuva que cai do céu. A plenitude da vida está presente a cada passo. Seu reconhecimento desperta a abundância interior adormecida. Então permita que ela flua para fora. Só fato de você sorrir para um estranho já promove uma mínima saída de energia. Você se torna um doador. 

Pergunte-se com frequência: “O que posso dar neste caso? Como posso prestar um serviço a esta pessoa nesta situação?" 

Você não precisa ser dono de nada para perceber que tem abundância. Porém, se sentir com frequência que a possui, é quase certo que as coisas comecem a acontecer na sua vida. Ela só chega para aqueles que já a têm. Parece um tanto injusto, mas é claro que não é. É uma lei universal. 

Tanto a fartura quanto a escassez são estados interiores que se manifestam como nossa realidade. 

Jesus fala sobre isso da seguinte maneira: "Pois, ao que tem, lhe será dado; e ao que não tem, lhe será tirado".
Eckhart Tolle em Uma Nova Consciência
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