31 de outubro de 2013

A Dimensão Última - Adyashanti


"A dimensão última é aquela dimensão atemporal. 
Isto é a dimensão final. A dimensão que não vem, nem vai. Que nada pode ser adicionado e nada pode ser subtraído.

No Zen, nós dizemos: Quem era você antes de nascer? Isto é a última dimensão. 

Há muitas dimensões em nossa existência. Há obviamente a dimensão física. A dimensão da fisicalidade, o corpo como trabalha, funciona.
Há a dimensão psicológica. Onde você está na sua psicologia pessoal.E outras..

Mas o que nos traz juntos a Satsang é fundamentalmente a dimensão última. Todas as outras dimensões de nossa experiência, de nosso ser, estão conectadas. Todas têm a sua base, sua origem e são sustentadas pela dimensão última do Ser. 
Não importa de qual dimensão se possa falar a respeito, a física, a psicológica, a emocional, e outras mais sutis, mas todas elas tem sua origem e sua base na dimensão última, ou na realidade fundamental.

É isso que faz com que estejamos juntos, é a realidade fundamental do Self de cada um. A realidade fundamental dessa existência que nos cerca. E isso que está conosco, dentro de nós.

Até que estejamos enraizados na última dimensão de nosso ser, haverá sempre uma busca por algo. É inevitável.
Se não estivermos enraizados de verdade na dimensão fundamental do nosso ser, estaremos sempre buscando algo, como sucesso, fama, mais amor, mais aprovação, mais diversão, mais intoxicação ( risos...) Mais alguma coisa. Mais paz...

Apenas isso, todos esses caminhos que os seres humanos buscam felicidade. Na verdade todos os caminhos que buscamos felicidade, são na verdade caminhos em que buscamos a dimensão última.

Muitas das maneiras que buscamos a felicidade - e a dimensão última - estão muito distorcidas. Mas enfim, buscar felicidade, paz, é a dimensão última dentro de você buscando a si mesma, voltando a si mesma.
Então, se isso não estivesse acontecendo em você, se não houvesse nenhum inicio da dimensão última começando a despertar dentro de você, se não estivesse lá, você não estaria aqui.
Naturalmente ela nos coloca juntos. A dimensão última de alguma forma, começa a se abrir; para alguns de vocês a dimensão última está em amplo florescimento, em aplo reconhecimento. E não há mais busca, não há mais luta.
Para outras pessoas é apenas o começo, apenas os primeiros vislumbres de algo, de alguma coisa.. algo mas, algo por baixo de todos esses ataques de raiva que parecem que compõem a vida humana.

Muitos desses ataques de raiva, a propósito, no final, significam muito pouco na nossa vida, vocês notam isso? Todos esses eventos e problemas e situações, muito, muito importantes, todo esse tipo de coisas, que nunca parecem acabar, apenas ficam de lado...(...)

Todas as verdadeiras disciplinas espirituais, os verdadeiros caminhos que apontam para a dimensão última, todas estão lá na verdade, para ajudar a abrir os olhos, abrir nossos olhos, abrir nossa experiência, para esta dimensão última da existência.
O que torna isso difícil, na verdade não é realmente difícil. Despertar espiritualmente não é em verdade uma coisa difícil.

A dimensão última, ela mesma não está realmente escondida, uma vez que ela é a base da existência inteira de alguém. Por isso não é difícil, não está escondido...

É que na maioria dos seres humanos existe muito ruído, muito ruído, que está tentando resolver a si mesmo...Você sabe o que quero dizer com barulho tentando resolver a si mesmo? Estou tirando vários nomes, basta apenas entender: é ruído tentando não ser tão barulhento. Ou ruído tentando vencer outro ruído. Ou ruído buscando reconhecimento ou buscando ser compreendido, ou tentando não ser tão barulhento...
Veja, apenas ruídos, estática... ( risos...)

E infelizmente muitos seres humanos estão completamente capturados na estática, no ruído, e claro, por estarmos ligados, o ruído se torna muito, muito importante. Se não o víssemos como importante, tudo seria muito mais fácil, certo? Seria apenas reconhecido como uma estática, ruído, e colocaria a atenção em um lugar diferente.

Mas claro, nos seres humanos o ruído interno sabe como capturar sua atenção. Sabe como manter alguém ocupado com mais barulho.
Então, em vez de manter a atenção no que não é ruidoso, que é a dimensão última, aquilo que não é barulhento; mas o barulho não está realmente interessado no que não é barulhento; ele apenas quer se tornar um barulho melhor.. 
A dimensão última não é barulhenta..."
Adyashanti em Satsang

30 de outubro de 2013

O Sexo meditativo - Osho


"O tantra diz que em um ato sexual profundo, você pode meditar mais facilmente que em qualquer outro estado de mente – porque esse é um êxtase natural, biológico. 

Mas o que quer que seja conhecido como ato sexual existe em uma forma muito pervertida. Assim, sempre que essas coisas são ditas, você se sente 
desconfortável, porque tudo o que você conheceu em nome do sexo não é sexo. 

É apenas uma sombra, porque toda a sociedade cultivou a sua mente contra o sexo.
Todo mundo é reprimido; desse modo, o sexo natural é impossível. E sempre que você está em um ato sexual, um sentimento profundo de culpa está sempre presente. 

Esse sentimento de culpa se torna uma barreira e uma das maiores oportunidades é perdida. Você poderia tê-la usado para ir mais fundo em si mesmo. 

O tantra diz: no ato sexual seja meditativo, sinta todo o fenômeno como 
sagrado; não se sinta culpado. De preferência, sinta-se abençoado pela natureza ter-lhe dado uma fonte através da qual você pode entrar profundamente no êxtase, imediatamente. E, então, fique totalmente livre nele. 

Não reprima, não resista. Deixe a comunhão sexual tomar conta de você. Esqueça-se de si mesmo, jogue fora todas as sua inibições. Seja absolutamente natural e, então, você sentirá uma profunda música em seu corpo.
Quando ambos os corpos se tornam uma harmonia, então, você esquecerá completamente de que você existe – e, ainda assim, você existirá. 

Então, você esquecerá o “eu”: não haverá nenhum “eu”, apenas a existência brincando com a existência, um ser com o outro. E os dois se tornarão um. Não haverá pensamento: o futuro cessará e você estará no presente, naquele exato momento. Sem nenhuma culpa, sem nenhuma inibição, torne-o uma meditação e, então, o sexo é transformado. 

Então, o sexo em si se torna uma porta.
Se o sexo se tornar uma porta, pouco a
pouco o sexo deixa de ser sexual. E chega um momento em que o sexo se vai – somente o perfume permanece. Esse perfume é o amor. 

E mais tarde, até mesmo esse perfume desaparece e, então, o que permanece é o samadhi.
Osho em Tantra a Suprema Compreensão

28 de outubro de 2013

O Despertar da Consciência - Mooji


"Mooji, o que significa estar desperto?

Mooji - É simplesmente estar desperto para nossa natureza eterna, ao nosso Ser eterno.

Compreender que não somos nosso condicionamento. E não somente compreender isto intelectualmente,ou mentalmente, mas ser uma unidade com esta compreensão dentro do seu coração.

O que posso dizer sobre o despertar é que, você não é aquele que acredita que é; aquele que tem estado condicionado a crer que seja, isto é, uma pessoa determinada, homem ou mulher; que possui uma certa educação, certos pais, crê em certas coisas, tem uma religião, tem sonhos, memórias, e que tem forte sentido de identidade baseado na memória.
Todas essas coisas nos dão uma espécie de sentido de quem somos, sentido do nosso lugar no mundo.

Algo mais profundo que a personalidade, ou atrás da mente mesma ( que é nosso ser pensante ). A mente é como nosso aspecto pensante, ou ser pensante; Mas precisamente porque somos conscientes de nossos pensamentos, deve haver algo mais profundo que a mente pensante.
Aquele que está desperto é uma só coisa com essa consciência.A qual é independente da mente pensante.

É o estado do puro Ser.
Não é um estado de fazer, mas um estado de completa consciência.

Agora, a Consciência realmente não se pode descrever, todas as descrições e diferenças e percepções aparecem na consciência, assim, a consciência não é um objeto, não é uma coisa , não se pode estudá-la, porque tudo o mais acontece na consciência e passa pela consciência.

Assim, seria como se perguntasse a uma nuvem para que ela interpretasse o céu. Ou mesmo muitas nuvens juntas, para darem uma interpretação ou transmitir a realidade do céu. Isso não é possível...

Porque o céu é permanente, mas as nuvens não. Elas vem e vão.
Assim, se tivermos um pensamento sobre nós mesmos, sobre idéias a cerca de quem somos, são como as nuvens, não são permanentes, estão sempre mudando. E há uma verdade dentro de nós mesmos que não muda nunca, na verdade não precisa mudar, está mais além do que é mutável ou do que não é mutável. 
É o espaço de perfeito equilíbrio, e não quero muitas palavras sobre isso, porque não há palavras nele. É o Ser perfeito.
E todos os seres humanos, todos os seres vivos surgem deste lugar, desta fonte.

Assim, despertar significa estar completamente consciente e desperto para esta Verdade. Não como um pensamento, não como uma filosofia, não como uma crença. Mas como experiência direta.
Isto é o que se chama Despertar.

A oportunidade e o desafio para um ser humano, é ir mais além da identidade condicionada do "eu sou o corpo". E dar-se conta do "EU SOU O SER"

Quando damos este passo, nos damos conta de que o EU SOU O SER, EU SOU O ESPÍRITO e não a forma, então uma enorme alegria e paz nos envolve, e há uma alegria natural interior e uma abertura para compartilhar esse conhecimento com outros seres."
Mooji em Satsang

27 de outubro de 2013

Deus Amor - Meher Baba


"Deus é amor. 
E o amor deve amar. 
E para se amar deve haver um amado. 
Mas como Deus é Existência infinita e eterna, não há ninguém para Ele amar além Dele mesmo. 
para poder amar a Si mesmo ele deve imaginar-se como o amado a quem Ele como o amante imagina amar. 
A relação amado e amante implica separação. E a separação cria anseio e o anseio resulta em procura. 
E quanto mais ampla e intensa é a procura maior será a separação e mais terrível será o anseio. 

Quando o anseio é o mais intenso a separação está completa e a finalidade da separação, que tinha a finalidade de permitir que o amor pudesse experimentar a si mesmo como o amante e o amado, é cumprida; e a União é o que resulta. E quando a União é atingida, o Amante vem a saber que o tempo todo ele próprio era o Amado a quem ele amou e com quem desejou a União e que todas as situações impossíveis que Ele superou eram obstáculos que Ele mesmo colocou no caminho para Si mesmo. 

Atingir a União é tão incrivelmente difícil porque é impossível tornar-se o que você já é! 

A união não é nada além do conhecimento de si mesmo como o Sujeito Único.
Deus existe. Se você está convencido da existência de Deus, então cabe a
você procurá-Lo, vê-Lo e perceber-Lo.

Não procure por Deus fora de você.
Deus só pode ser encontrado dentro de você, pois sua única morada é o coração. Mas você tem enchido Sua morada com milhões de estranhos e Ele
não pode entrar, pois ele é tímido com estranhos. 

A menos que você esvazie sua morada desses milhões de estranhos com os quais você preencheu-a, você nunca irá encontrar Deus. Esses estranhos são seus velhos anseios — seus milhões de desejos. Eles são estranhos a Deus porque os desejos são uma expressão de incompletude e são fundamentalmente estranhos Àquele que é todo-suficiente e que não deseja
nada. 
A honestidade em suas relações com os outros irá limpar os estranhos para fora de seu coração. Então você vai encontrá-Lo, vê-Lo e perceber-Lo.
Os poetas-mestres Sufi frequentemente comparam o amor com o vinho. O vinho é a figura mais apropriada para o amor porque ambos intoxicam. 
Mas enquanto o vinho causa o auto-esquecimento, o amor leva à auto-realização (A realização do Ser). 
comportamento do bêbado e do amante são semelhantes; ambos ignoram os padrões de conduta do mundo e são indiferentes à opinião do mundo. 

Mas há mundos de diferença entre o curso e o objetivo dos dois: um leva à escuridão subterrânea e à negação; o outro dá asas à alma para seu 
vôo para a liberdade. 
A embriaguez do bêbado começa com um copo de vinho que exalta seu espírito e afrouxa suas afeições e dá-lhe uma nova visão da vida que promete um esquecimento de suas preocupações diárias. Ele passa de um copo para dois copos, para uma garrafa; do companheirismo para o isolamento, do esquecimento ao oblívio — esquecimento, que, na realidade, é o estado Original de Deus, mas que, com o bêbado, é um estupor vazio — e ele dorme em uma cama ou uma sarjeta. E ele desperta em um amanhecer de futilidade, um objeto de repulsa e ridículo para o mundo. 

A embriaguez do amante começa com uma gota do amor de Deus que lhe faz esquecer o mundo. Quanto mais bebe mais perto ele se aproxima de seu Amado e mais indigno do amor do Amado ele se sente. E ele anseia sacrificar sua própria vida aos pés de seu Amado. Ele também não se importa se dorme em uma cama ou em uma sarjeta e torna-se um objeto de ridículo para o mundo; mas ele repousa em êxtase e Deus, o Amado, cuida do seu corpo fazendo com que nem os elementos e nem doença alguma possam tocá-lo. Um dentre os muitos amantes desse tipo vê Deus face a face. Então, seu anseio torna-se infinito. Ele é como um peixe jogado na praia, pulando e se contorcendo para recuperar o oceano. Ele vê Deus em toda parte e em tudo, mas não pode encontrar o portão da União. O Vinho que ele bebe transforma-se em fogo no qual ele queima continuamente numa bem-aventurada agonia. E o fogo torna-se eventualmente o Oceano da Consciência Infinita, no qual ele se dissolve."
Meher Baba em The everythig and the nothig

25 de outubro de 2013

O milagre de Observar - Osho


"A meditação começa quando você se separa da mente e toma-se uma testemunha. 

Esse é o único modo de você se separar de qualquer coisa.
Se você olha para a luz, naturalmente, uma coisa é certa: você não é a luz, você é quem está olhando para ela. Se observa as cores, uma coisa é certa: você não é a cor, é o observador.

Observar é a chave da meditação. Observe a sua mente.

Não faça nada - nenhuma repetição de mantra, nem repetição do nome de Deus - apenas observe o que quer que sua mente esteja fazendo. 

Não a perturbe, não a evite, não a reprima; não faça coisa alguma. 

Seja apenas um observador.

O milagre de observar é a meditação. 

Enquanto você observa, pouco a pouco, a mente se toma vazia de pensamentos; mas você não está adormecendo, está se tornando mais alerta, mais consciente.

Quando a mente ficar totalmente vazia, toda a sua energia se tomará uma chama do despertar. 

Essa chama é o resultado da meditação. Então você pode dizer que meditação é um outro nome para a observação, o testemunhar, o observar - sem qualquer julgamento, sem qualquer avaliação. 

Pela observação você de imediato livra-se da mente...

Se você quiser entender exatamente o que é a meditação, Gautama Buda é o primeiro homem que lhe deu a definição certa e precisa: é testemunhar."
Osho em O Livro Orange

***
A mente tem a incrível capacidade de imaginar, raciocinar, lembrar e se fixar. É por isso que a meditação abre uma "brecha" na mente, e a coloca em uma "situação" nova, uma dimensão onde nem a imaginação, nem a lembrança e nem a fixação são possíveis. 

A meditação faz a mente entrar em "choque", porque não é um fazer, não é um vir-a-ser, não é uma ação, nem um pensamento, nem um raciocínio lógico, nem uma memória.

A meditação é uma oportunidade de reencontrar a dimensão primária, original, essencial silenciosa, pacífica, pura e sem nenhum propósito. Apenas Ser. Apenas testemunhar.

Nesse milagre do testemunhar, todas as barreiras caem, todas as falsas divisões são desmascaradas, a distância entre o observador e a coisa observada desaparece e o que resta é o que sempre esteve ali, o céu aberto, a clara luz... a pura presença...

Meditar é reencontrar a pura presença-amor, consciência pura, plena, além do tempo, e do espaço, além da forma, além de qualquer conceito... onde tudo e nada se encontram e dançam a eterna dança das esferas...

Meditar é Ser.
E Ser é testemunhar.
Amor
Amidhaprem

23 de outubro de 2013

Alinhamento interior - Eckhart Tolle


"O Agora assume a forma de qualquer coisa ou acontecimento. Enquanto resistimos a isso internamente, a forma, isto é, o mundo é uma barreira impenetrável que nos separa de quem somos além dela, que nos afasta da Vida única sem forma que nós somos.
Quando dizemos um SIM interior para a forma que o Agora adquire, ela própria se torna uma passagem para o que não tem forma. A separação entre o mundo e Deus se dissolve.

Somente quando resistimos ao que ocorre é que ficamos à mercê dos acontecimentos e o mundo determina nossa felicidade ou infelicidade.


A maioria dos egos tem vontades conflitantes.
Eles querem coisas diferentes em momentos distintos ou talvez nem saibam o que desejam. Só sabem o que não querem: o momento presente.

Estarmos alinhados com o QUE É, significa estarmos numa relação de não resistência interna com os acontecimentos. Isso corresponde a não rotular essa realidade mentalmente como boa ou má, e sim deixá-la ser o que é. Isso quer dizer que não podemos mais agir para provocar mudanças na nossa vida? Pelo contrário, quando a base das nossas ações é o alinhamento interior com o momento presente, elas se tornam fortalecidas pela inteligência da Vida em si.

Toda vez que você fica ansioso ou estressado, isso mostra que o propósito exterior assumiu o controle e você perdeu o propósito interior de vista. Terá se esquecido de que seu estado de consciência é primário e todo o resto secundário.

Contudo, o que desencadeou a ansiedade, a tensão ou o negativismo? Nosso afastamento do momento presente. E porque fizemos isso? Porque pensamos que outra coisa fosse mais importante. Acabamos por nos esquecer do propósito primário. Um pequeno erro, uma interpretação equivocada...um mundo de sofrimento."
Eckhart Tolle em Em Comunhão com a Vida.

***

Um pequeno erro, uma interpretação equivocada...um mundo de sofrimento...

Essa é a origem dos nossos "problemas", sejam eles grandes ou pequenos, não importa, a partir desse erro de interpretação tudo pode acontecer...

O que é esse erro de interpretação?
É fundamentalmente nos tomarmos por um alguém, por uma pessoa, nos tomarmos por um ego, particular que tem vontade própria, e que nossa vontade deve prevalecer sobre a realidade.
Aquilo que eu acho, aquilo que eu penso, aquilo que eu quero, precisa prevalecer sobre aquilo que É.

Esse é o erro de interpretação. Se só olhamos a vida a partir do nosso pequeno e ilusório ego, já estamos fadados ao sofrimento, isso porque a realidade segue seu fluxo, tem seu percurso onde tudo é possível, tudo mesmo! 
Então, como é possível uma pequena onda enfrentar o mar? Impossível...

Eckhar Tolle, nos chama atenção para esse alinhamento interno, que é fundamentalmente o reconhecimento da nossa natureza ilimitada, infinita, aberta, impessoal. 
Esse alinhamento muda tudo! Ele nos coloca disponíveis aquilo que É, e nessa disponibilidade podemos agir, fazer, decidir, ou não, mas sem entrarmos em conflito com a realidade. Nós simplesmente tomamos a realidade como nossa, como nós mesmos, e a partir daí tudo que se sucede, vem através dessa consciência luminosa e aberta.
A adequação ao momento é fundamental para a realização daquilo que chamamos felicidade...
Amor
Amidhaprem

Além dos "martelamentos" da mente- Satyaprem


"Aqui existe uma outra visão.
E ela não deixa de ser antagônica a tudo o que te é oferecido no mundo. E ela é antagônica por que ela pergunta e viabiliza além da pergunta uma visão.

Nós temos um compromisso, digamos assim, neste local, retornar para essa visão que altera tudo o que foi dito antes, tudo o que você pensa que é, que existe, inclusive você mesmo.

Então, quando tem uma coisa te martelando, é óbvio que este que está sendo martelado, está sendo observado, está sendo visto. E nós podemos perder um grande tempo, ou a vida inteira, tentando resolver os dilemas deste que está sendo martelado,deste que está traindo, deste que está sendo traído, disso, daquilo e daquilo outro.

No entanto, o que eu estou te convidando a ver é esse que está vendo, está sendo martelado. 
De novo, este que está observando este desconforto todo, esse martelamento todo, e veja, é infinita a problemática, não tem ninguém que você encontre que não tenha alguma coisa acontecendo, e referindo-se a si mesmo como objeto percebido, dentro da circunstância. É raro de verdade. Por isso é que o apelo aqui é RETORNA, porque há uma grande possibilidade a gente mude de endereço, mude de discursso, que de uma certa maneira ajeita aquilo que já está posto mas não é valorizado de maneira nenhuma.(...)

Mas de verdade o que ameniza nossa convivência, o que torna tudo mais bonito, mais tranquilo, é a consciência tomada de quem você é.
Você não é aquele que está sendo martelado. Você é a atenção, a consciência, a observação de que tem um martelamento acontecendo.

Veja, todos no mundo concordam: Eu estou sendo martelado; eu estou com problema,; eu estou doente; Todo mundo concorda. No entanto neste contexto aqui e agora, eu vou ter que discordar de você. Não posso concordar com você, porque se eu concordar com você, nós começamos a buscar um alinhamento, para aquilo que em si é desalinho. Quer dizer, isto que está sendo martelado, este que está sendo martelado não é você.

Se você aceita este convite e vê que este que está sendo martelado não é você, qual a necessidade de nós ageitarmos este martelamento?
Veja, martelamentos ou outras coisas avessas, inversas como carinhos, também estão acontecendo para aquilo que não é você.
Eu posso gastar grande energia da minha vida tentando parar com que martelem-me, fazer com que me dêem mais carinho, ou eu observo tudo isso como uma coisa que tem fim, coisas que vêm e vão. 

Se eu me identifico com esse martelamento, sem ponderar quem é que está sendo martelado, ou ainda, quem é que está observando este martelamento ocorrer, eu obviamente aumento a propenção desse acontecimento no tempo.
A simplicidade para entender isso é muito prática de verdade. Se você se opõe a alguma coisa, essa coisa cresce, ela absorve a tua energia. Se você não se opões a essa coisa, ela não tem razão de existir, então ela sucumbe, ela desaparece.

Dado o fato de que acontecimentos tem em si esse fator, aparece e desaparece, vem e vai, ondas. Então eu tenho que estar atento; a coisa está me martelando, por quanto tempo? Enquanto eu estiver identificado com o prego.( risos...)
No momento em que eu tiro o corpo fora, ou seja, que eu saio dessa identidade, o martelo perde a necessidade de existir.

É aquela velha história de que não existe sujeito sem objeto nem objeto sem sujeito.
Então, quando eu tenho um problema, é por que eu existo. Se eu dou uma respirada funda, e olho para o lugar certo e eu desapareço, naturalmente o problema perde substância.

Então lembre-se, o mundo não é mais nada do que a sua própria descrição dele. É você que conjuminou este negócio. Se você se abstém dessa formulação, você tende para esta não-coisa, você tende para este Ser sem descrição, tanto de ti mesmo como  das consequências. Você pode ir nas duas vias se você quiser; Se você para de contar histórias você desaparece, ou se você desaparece a história perde o sentido, não existe história sem um sujeito, sem um agente.

Então, eu entro, eu assumo uma forma, uma identidade e por conseguinte agora tem uma série de enredos que aparecem. Mas o apelo aqui é, veja se você consegue voltar para aquele lugar onde nada disso tem congruência, tem peso.
É tão novo e por ser novo é frágil, que a gente precisa de novo e de novo recuperar isso."
Satyaprem em Satsang

20 de outubro de 2013

Sobre os problemas do "eu" - Bob Adams 2/2


"As pessoas também me perguntam: "Se eu  aprofundo o sentido do eu, e vou até sua origem, isso significa que eu nunca vou ter um problema de novo?" 

Eu tenho que rir, quando me perguntam isso, porque no momento em que te identificas com o eu, e é o eu que tem problemas... Assim que, quando você diz: Nunca terei um problema de novo? Você está rejeitando sua própria finalidade. Porque o eu está sempre cheio de problemas, não só desta vida, como de existências anteriores. O truque está em seguir o eu até sua origem verdadeira, e então o eu desaparecerá completamente, absolutamente. E quando o eu desaparece, também desaparecem todos os ditos "problemas".

Em outras palavras, o mundo não muda, mas você muda. Suas reações mudam. Como as imagens projetadas em uma tela. Quando chega o momento em que você transcendeu ao eu, te convertes na tela e nas imagens refletidas nela. O que significa que o mundo não muda. 
Tudo no mundo é apresentado a você como sempre fez, mas vai ser como água nas costas de um pato ( risos...) escorre, não molha, não gruda...
Você simplesmente não estará apegado a nada, nunca mais. Agora estás identificado com a tela em branco, com o Ser...

Estou sendo claro?
Em outras palavras: A tela está consciente de si e das imagens. A tela não é mais afetada pelas imagens que são projetadas nela; Qualquer cena pode ser projetada na tela, o que é isso para ela? Nada. Absolutamente nada.

Da mesma forma, seu Eu ( Ser ), é como a tela. Nunca é afetado por problemas de nenhuma classe, de nenhum tipo. Os problemas se projetam na tela, vem e vão, mas você ( Ser) permanece sendo o Ser para sempre. Você jamais muda.

Quando começa a ser assim?
Cada vez que pensar que tem um problema, você deve se perguntar: A quem está acontecendo este problema? Afinal de contas, eu não sou o fazedor, eu não sou este corpo, eu não sou esta mente. 
Então, a quem está acontecendo este problema? E claro, a resposta será: 
A mim. Isso mostra que está ainda preso ao eu, permanece ainda no eu; vá aprofundando mais e mais em ti mesmo, permanecendo na Consciência pura 
( Ser imutável ). 

Repita isto todos os dias, e sempre que surgir o pensamento de "problema" na mente. Até o momento em que, transcende totalmente a ilusão do eu. E o sentido de eu desaparece, e você se converte em Consciência pura, não identificada.
E isso é tudo."
Robert Adams em Satsang

19 de outubro de 2013

Sobre os problemas do "eu" - Bob Adams 1/2


"É muito bom estar de novo com vocês, e sei que alguns de vocês não conseguem esperar até que eu comece a falar, mas digo a vocês que na verdade, é no silêncio que se recebe a melhor mensagem. 
O Silencio é outro nome para Deus.

Quietude é um nome para a Consciência, a Paz. Tudo se encontra em silêncio, nem tanto nas palavras, mas na quietude; Deveriam tratar de estar em silêncio durante todo o tempo que possam, especialmente quando estão em casa. Tratem de sentar-se em silêncio em tranquilidade, durante o tempo que possam. É do silêncio que recebem a mensagem. É em silêncio que a consciência pura se revela. Nunca tenham medo de sentarem-se em silêncio, é seu maior patrimônio.

Recebo muitas chamadas telefônicas. Uma das solicitações mais frequentes que recebo é como resolver problemas pessoais. Tive uma esta manhã, e a pessoa tinha tantos problemas, apesar de que havia começado a meditar desde os vinte e cinco anos, todavia tinha problemas. 
Só existe uma forma de eliminar todos os problemas - não importa o tamanho deles. Não importa o quão grave sejam. Há uma maneira de eliminar tudo. E essa maneira é dar-se conta de que "eu não sou o fazedor". Em outras palavras, o problema não tem absolutamente nada a ver contigo, mesmo que pareça, é só um aparência.

O que é um problema realmente?
Um problema é algo que não vai como você queria que fosse. O mundo não gira da maneira que você quer, isso é um problema. As coisas não estão indo na direção que você gostaria, ou que as coisas estão ocorrendo sem que você tenha o controle, por isso você acredita que tem problemas. Mas se olhar para qualquer pessoa nesse planeta, verá que o que é problema para um não é para outro.

De onde vêm estes problemas? Nos disseram o que é bom e o que é ruim, por isso se você não tem o bom que acha que deveria ter, temos um problema. Mas na verdade nada é somente bom e nada é somente ruim, existe apenas o pensamento bom e ruim que cobre a realidade, o fato, o momento. Portanto, se você se livrar desses pensamentos, dessa mente julgadora acabaram-se os seus problemas.

Quando a mente e o ego são transcendidos, um poder misterioso toma conta, e de uma maneira bem melhor do que você faria sozinho. Mas primeiro a mente e o ego precisam desaparecer.

É difícil para a maioria das americanos fazer esse tipo de coisa, porque foram ensinados a utilizar a mente. A mente é tudo para a grande maioria das pessoas, e elas creem que se não usarem a mente serão como vegetais.
Pelo contrário, o que é a mente? É só um aglomerado de pensamentos, do passado, do futuro. Em geral você se preocupa com o passado, e tem medo do futuro, porque a mente não coloca este tipo de coisas, não somente nesta vida, mas também experiências de vidas passadas.

Se começar a se dar conta de que "eu não sou o fazedor", onde está o problema? 
Para começar, o universo é seu amigo, e não pode te causar danos. O substrato de toda a existência é o amor. Portanto se você desenvolver uma consciência de amor, não haverá problemas, porque o amor cuidará de tudo. O amor é o mesmo que a consciência absoluta, inteligência pura. O amor é o mesmo que Parabhahma. Uma vez mais, é o substrato de toda a existência. Assim que, se tem amor suficiente não há problema.

O único problema é quando você acha que é humano e você pensa que você é o executor, em outras palavras, quando você acha que seu eu fez isso que algo de terrível vai acontecer. Mas novamente, algo de terrível é somente uma ideia preconcebida, não a verdade. Algo terrível, é um conceito que entrou na sua mente e que você o reforça acreditando nele, uma espécie de lavagem cerebral. Você acha que tem de viver de uma certa maneira, e se isso não acontece o conceito de "algo terrível" entra em cena. Você acha que tem que ter certos bens, um grande amor, e se isso não acontece, o conceito de "algo terrível" entra em cena. Quando você começar a compreender o que significa " eu não sou o fazedor", você se liberta de todos os problemas.

O que quer dizer " eu não sou o fazedor?" ( e isto é o que deverias fazer toda vez que pensa que tem um problema) 
Para começar, primeiro perceba que tudo, quero dizer TUDO foi determinado antes de vir a esta terra. Tudo foi planejado para você, até o dia em que você deixará este corpo. Tudo está predestinado. Se você sentir isso, aceitar isso, onde está o problema? Qual é o pior que pode acontecer na sua vida? Se você analisá-lo, não é assim tão ruim. Pode parecer ruim, mas não é. E lembre-se como funciona a aparência. É como por exemplo uma corda e uma cobra. Um homem sai do banho no escuro e esbarra em uma corda que ele acha que é uma cobra, e fica morrendo de medo. Quando ele descobre que não passava de uma corda, ele relaxa.

Assim é quando você pensa que tem um problema, você pensa, pensa, pensa é como ter uma cobra, mas na verdade é somente uma corda. Não é realmente um problema, é apenas a ideia preconcebida de que algo vai ocorrer se você não conseguir o que quer. Isto porque mais uma vez, você foi levado a acreditar que sua vida precisava ir de certa maneira, quando na verdade a vida não segue nenhuma regra, e pode ser de qualquer maneira. (...)

Não existem erros. Tudo foi predeterminado antes de vir a esta terra, portanto não reajo negativamente. Eu sinto que sou o universo, e que tudo está bem como está. (...) O ponto é que tudo, tudo o que acontece com você, foi determinado com antecedência, não há nada de ruim ou errado.

Então como devo lidar com as coisas? Primeiro perceba que "eu não sou o fazedor". Quando se der conta de que não és o fazedor, significa que seu corpo está passando pela experiência, mas você não.
O seguinte é se perguntar: " Quem está tendo esta experiência?" "A quem ela acontece?" Vem a mim. Me sinto mal. Sinto a depressão. Me sinto ferido. Sinto que me roubaram ou bateram no meu carro. Estou cansado. Estou com raiva. Estou magoado. Quem é este eu? Como pode o eu ser tantas coisas, cansado, deprimido, ferido, furioso? Por que se prender tanto a sensação do eu? Te prendes à sensação do eu, siga até a fonte. Quando você segue até a fonte desse eu, verá que a fonte de si mesmo é a consciência, ou Consciência Absoluta. Mas agora, a única maneira de segui-lo até a fonte e esquecendo o seu problema, já que não podes fazer duas coisas de uma só vez.


Portanto, é necessário se afastar conscientemente do seu problema. Você verá que os problemas realmente não existem, são fatos da existência acontecendo, só que você se ligou a eles, através dos conceitos que você tem em mente. Se você identifica sua verdadeira origem eles desaparecem. Se você se fixa a eles, eles persistem. 
O eu é a base de tudo. Quando mais você se desidentificar do eu, verá que os problemas dissolvem por si mesmos, e você começará a rir; Porque é praticamente impossível que seu Ser real, tenha um problema. Porque seu Ser real é onipresente, absoluto; Seu verdadeiro Ser é vacuidade, nirvana, inteligência pura. Seu verdadeiro Ser é onipresente, está presente em todas as partes ao mesmo tempo. 
Quando compreender quem você É, nunca nada irá incomodá-lo novamente." 
[ continua...]
Robert Adams em  Satsang

17 de outubro de 2013

Sobre o Dinheiro e a Prosperidade - Prem Baba


Temos usado o dinheiro para agregar valor a uma falsa idéia de eu. Se eu tenho dinheiro, eu tenho poder. Se eu tenho dinheiro, eu tenho poder sobre o sexo e tenho poder sobre o outro. 

Vocês estão lembrados da nossa conversa sobre o eu idealizado, o eu que foi criado em função do outro? Aquele eu que foi treinado para ser perfeito, para conquistar o outro? Esse eu idealizado tem três pés: sexo, dinheiro e poder. Você foi condicionado a acreditar que, se tem dinheiro, tem poder sobre o outro. Assim, você dedica a sua vida a procura de dinheiro para ter poder sobre o outro porque acredita que, se tiver dinheiro, você é mais e o eu idealizado se torna mais forte. Você colocou o dinheiro em primeiro lugar. 

O dinheiro se tornou o seu Deus. 
Você fez isso para encobrir um profundo sentimento de impotência. O eu idealizado é uma máscara que está encobrindo uma falta de sentido na vida; uma profunda carência que vem dessa falta de referência de quem é você. É assim que você se move no mundo. Você acorda de manhã e vai atrás de dinheiro, assim você tem o que fazer. Assim você escapa dessa angústia existencial de não saber quem é.

Nós estamos trabalhando para mudar esse paradigma. Estamos trabalhando para que você possa se mover no mundo a partir da confiança e não do medo. Para que você possa se mover no mundo sabendo que Deus está te guiando e que ele supre as suas necessidades. Quando você coloca Deus em primeiro lugar ele supre todas as suas necessidades. Você não dedica a sua vida a conquistar coisas, você dedica a sua vida a se tornar um canal de Deus; um canal do amor divino. E tudo que você precisa chega para você. Deus te dá o que você precisa, na hora em que você precisa. E é claro que esse fenômeno se dá através de você mesmo.(...)

Porque, embora Deus esteja em primeiro lugar, nós estamos na Terra e aqui assim como em todos os planetas existem determinadas leis que precisam ser respeitadas. Uma das leis é a lei do pagamento. Essa lei é verdadeira em todos os sentidos e em todos os planos.

Eu já disse que se você quer realmente completar a sua purificação do eu inferior há um preço a ser pago. Não é em dinheiro. O preço é nada de autocomiseração, nada de piedade com a mentira. 
Nada de piedade com o seu falso eu. Você não pode comprar um edifício maravilhoso por um preço de um barraco. Isso é verdadeiro também no plano psíquico. No plano material, essa lei se manifesta na relação com o dinheiro. 

A lei do pagamento significa ceder no valor do outro. É quando, ao invés do medo e da avareza usar o dinheiro, quem usa é o coração, o amor, o Ser. O dinheiro é neutro, é um instrumento que caracteriza a troca. 
Então se o eu idealizado, através do medo e da avareza, usa o dinheiro, vai gerar sofrimento. Se o amor usa o dinheiro, vai gerar prosperidade em todos os sentidos. (...)
Eu estou te ajudando a fazer essa transição do medo para a confiança. Mas, ninguém nunca deixou de fazer um grupo por causa de dinheiro. O obstáculo não é o dinheiro, mas sim a ignorância. Se você chega conscientemente dizendo qual é a sua situação e perguntando como eu posso te ajudar, então eu vou poder ajudar.

Eu quero que você coloque Deus em primeiro lugar e que o dinheiro seja uma conseqüência. Isso somente vai acontecer quando você ceder na lei do pagamento; quando você puder ceder no valor do outro. Quando você puder dar com alegria. Você dá e fala “Seja feliz e faça bom uso”. Mesmo se algum dia eu me tornar milionário eu sempre vou ter que cobrar de você. Alguma coisa eu vou ter que fazer com esse dinheiro, talvez doar para caridade, mas eu preciso te ajudar a fazer essa transição do medo para a confiança. Porque enquanto for vitima do medo, você está condenado a ser pobre. 
Porque o medo da pobreza em você atrai a pobreza. Isso é uma lei psíquica. Aquilo que você mais teme você atrai. 

Existe uma lei que determina que todas as falsas construções, ou seja, aquelas construções feitas através do eu idealizado e da máscara e não tem lastro no coração, um dia vão ter que cair. Toda a riqueza que você cria para fugir da pobreza um dia vai ter que ir embora porque você vai ter que encarar esse medo da pobreza. E somente quando superar esse medo é que você vai ser rico. E ficar rico não significa ter um monte de dinheiro na conta, significa você não ter que se preocupar com o dinheiro. 
Isso é ser rico. Isso somente é possível com confiança.

Eu nunca me preocupo com dinheiro. O dinheiro vem.(...)

Você realiza essa transição e se harmoniza com as leis da prosperidade quando em primeiro lugar você coloca os seus talentos e dons a serviço do divino. Esse é o básico, a fase zero. Devagarinho você verá que Deus está trabalhando através de você. Deus é um bom patrão, mas ele paga somente o que você precisa. O que você precisa ele te dá.
Porque você acha que está acontecendo essa crise financeira no mundo? Não é justamente o reflexo do trânsito do medo para a confiança? Como eu disse, se a construção não tem lastro no coração, ela vai ter que desabar para recomeçar a partir da verdade.

Acho que nós podemos concluir a nossa conversa nos perguntando: quem em mim quer dinheiro e para quê? Eu estou em harmonia com a lei do pagamento? Eu estou colocando Deus em primeiro lugar? Se a resposta for negativa, vá atrás do não nessa área da sua vida. 

Vá atrás de identificar a corrente de negação que existe na sua vida financeira. O não na área financeira geralmente utiliza o medo e a avareza. E normalmente há muitas imagens porque você deu ao dinheiro um valor que não é exatamente o real. Você deu um valor emocional de acordo com os traumas e choques que viveu no passado. Você agregou um valor emocional para o dinheiro e por isso ele se tornou tão problemático na sua vida. Você tem que primeiro purificar essas imagens do seu sistema para entender o dinheiro como um instrumento que está a serviço do Eu divino para dar o que você precisa e para você não ter que se preocupar. Para que você possa realizar a sua jornada sem se preocupar. É assim que eu lido com essa questão.
No mundo de Deus não há falta. 
Eu estou trabalhando para que você venha para esse mundo. Estou trabalhando para que você possa experienciar Deus para que ele não seja somente uma crença. Mas, para que você possa ter uma experiência direta de Deus. 
Porque se você tem essa experiência você perde o medo da escassez e da morte. 
Se você tem uma experiência direta de Deus e se livra do medo da escassez e da morte você se liberta da mentira e assim você ascende para os reinos superiores. Os portais nos planetas celestiais se abrem para você.”
Sri Prem Baba

16 de outubro de 2013

Relação e Relacionamento - Osho


"Quando falo de amor, estou falando desse amor: um amor que não é um relacionamento, mas um estado de ser. Lembre-se sempre que eu usa a palavra "amor", eu a uso como um estado de ser, não como um relacionamento.

Relacionamento é apenas um aspecto muito pequeno do amor. Mas a idéia que você faz do amor é basicamente a do relacionamento, como se isso fosse tudo.

O relacionamento é necessário apenas porque você não pode ficar sozinho, porque você ainda não está pronto para a meditação. Portanto, a meditação é um dever antes de você poder realmente amar. Deve-se ser capaz de ficar só, completamente só, e ainda assim ser imensamente feliz. Então, você é capaz de amar. Então o seu amor não é mais uma necessidade mas, um compartilhamento, não mais uma necessidade; Você não vai se tornar dependente das pessoas a quem ama. Você vai compartilhar - e compartilhar é lindo. 

Mas o que comumente acontece no mundo é, você não tem amor, a pessoa a quem você pensa que ama não tem amor no seu ser também, e ambos procuram amor um no outro. Dois mendigos mendigando um ao outro! Daí a luta, o conflito, a disputa contínua entre os amantes - sobre trivialidades, sobre insignificâncias, sobre idiotices! - mas ambos continuam competindo.

A disputa básica é que o marido pensa que não está recebendo o que lhe é de direito, a esposa pensa que não está recebendo o que lhe é de direito. A esposa pensa que está sendo enganada e o marido também pensa que está sendo enganado. Onde está o amor? 
Ninguém se incomoda em dar, todo mundo quer receber. E quando todo mundo está atrás de receber, ninguém recebe e todo mundo se sente prejudicado, vazio, tenso.

Os fundamentos básicos estão faltando, e você construiu um templo sem fundações. Ele pode ruir a qualquer momento. Você sabe quantas vezes seu amor desmoronou e ainda assim você continua fazendo a mesma coisa uma vez atrás da outra.

Você vive em total inconsciência! Você não vê o que tem feito da sua vida e da vida dos outros. Você segue em frente mecanicamente, como um robô, repetindo os velhos padrões, sabendo muito bem que fez o mesmo antes. E você sabe qual sempre foi o resultado, e no fundo também está procurando que aconteça o mesmo outra vez - porque não há diferença. Você está se preparando para a mesma conclusão, o mesmo colapso.

Se você pode aprender alguma coisa com o fracasso do amor, será tornando-se mais atento, mais meditativo, mais consciente. E por meditação eu quero dizer de se alegrar sozinho. Raríssimas pessoas são capazes de ser felizes sem nenhum motivo - só por sentar-se em silêncio e contentes. Outros vão achar que estão loucas, porque a ideia de felicidade é a de que felicidade tem de vir de outra pessoa. (...)

A meditação libera o seu esplendor aprisionado. E você fica tão feliz, uma tal euforia brota do seu ser, que você não precisa de nenhum relacionamento. Ainda assim, você pode se relacionar com as pessoas... e essa será a diferença entre relação e relacionamento.

Relacionamento é uma coisa: você se aferra a ele. Relação é um fluxo, um movimento, um processo. Você conhece uma pessoa, vocês estão amando, porque vocês têm tanto amor para dar - e quanto mais vocês dão, mais vocês recebem. Depois de ter entendido essa estranha aritmética do amor: quanto mais você dá, mais você tem.. Isso é exatamente contra as leis econômicas que se aplicam ao mundo exterior.
Depois de saber disso, se você quiser ter mais amor e mais alegria, você dá e compartilha, então simplesmente compartilha. E seja quem for que permita a você compartilhar sua alegria com ele ou ela, você se sentirá grato a ele ou a ela. Mas isso não é um relacionamento, é um fluxo como o de um rio.

O rio passa ao lado de uma árvore, cumprimenta-a, alimenta-a, dá-lha água... e vai em frente, dançando. Ele não se prende à árvore. (...) O vento chega, dança ao redor da árvore e segue em frente. E a árvore empresta o seu perfume ao vento.

Isso é relação. Se a humanidade crescesse, amadurecesse, essa seria a maneira de amar: as pessoas se conhecendo, compartilhando, seguindo em frente, sem possessividade, sem dominação. Do contrário, o amor se torna um jogo de poder."
Osho em Intimidade, como confiar em Si mesmo e nos outros.

15 de outubro de 2013

Sobre a Memória - Mooji


Mooji e a memória? Estou interessado na memória, porque você no início da semana estabeleceu uma conexão clara da memória como sendo uma função da personalidade...

Mooji - Não necessáriamente  Escute. 
A faculdade da memória tem andado sob a falsa jurisdição da personalidade. Quase como se fosse para a manter unida, como se fosse para manter a informação unida para dar um sentido da personalidade viva. Mas não é a sua verdadeira função.

Memória é também uma função cósmica.
A memória e a recordação acontecem também na Consciência. Espontaneamente !

No momento em que é necessário, é posto em prática, entra em ação.E quando cumpriu inteiramente seu papel, retorna ao vazio.

Tudo acontece desta forma.

A memória existe, mas não está a serviço do ego, desta maneira. Tudo está aqui, como sempre esteve desde o princípio. No jogo, tudo está lá, mas tudo retorna à autoridade correta.

Quando Ramana falou sobre quando ele tinha 16 anos de idade, isso foi memória. Mas não há identificação nisso. Essa história foi contada em nome e em benefício dos ouvintes.

A Consciência compartilha a sua experiência através da memória, para benefício da Consciência.
Para o prazer da Consciência.

Portanto, não precisa empregar algo para fazer o que quer que seja.. 
Tudo acontece espontaneamente a partir da sua Unicidade.

Todas as funções acontecem espontaneamente, apropriadamente.

A necessidade de reter favoritos, ou preferências, não é necessária.

O pensamento pode existir aí, desfrute dele, porque ele não pode lhe fazer mal.

Os dentes da serpente foram extraídos...
Mooji em Satsang

14 de outubro de 2013

O Supremo torna tudo possível - Nisargadatta


"Maharaj: A pessoa nunca é o sujeito. Você pode ver uma pessoa, mas você não é a pessoa. Você é sempre o Supremo que aparece em um dado ponto do tempo e do espaço como a testemunha, uma ponte entre a pura consciência do Supremo e a multifacetada consciência da pessoa.

Pergunta: Quando eu olho para mim,
descubro que eu sou várias pessoas lutando entre si para a utilização do corpo.

Maharaj: Elas correspondem às diversas
tendências (sanskaras) da mente.

Pergunta: Eu posso criar a paz entre elas?
Maharaj: Como poderia? Elas são tão
contraditórias! Veja-as como são - simples hábitos de pensamentos e sentimentos, leques de memórias e anseios.

Pergunta: No entanto, todas dizem 'eu sou'.
Maharaj: Apenas porque você se identifica com
elas. Uma vez que você percebe que o que quer que apareça diante de você não pode ser você mesmo, e não pode dizer 'eu sou', você fica livre de todas as "pessoas" e de 
suas exigências. O senso de 'eu sou' é próprio de você. Não é possível separar-se dele, mas você pode conectá-lo a qualquer coisa, como ao dizer: “eu sou jovem”, “eu sou rico” etc. Mas tais auto-identificações são manifestamente falsas e causa de escravidão.

Pergunta: Eu posso agora entender que não sou a
pessoa, mas aquele, que quando refletido na pessoa, lhe dá um senso de ser. Agora, e a respeito do Supremo? De que forma me conhecer como sendo o Supremo?

Maharaj: A fonte da consciência não pode ser um
objeto na consciência. Conhecer a fonte é Ser a fonte. Quando você percebe que você não é a pessoa, mas a pura e calma testemunha, e que aquela consciência sem medo é o seu próprio Ser, você É o Ser. É a fonte, a inesgotável possibilidade.

Pergunta: Existem muitas fontes ou uma para
todos?

Maharaj: Isso depende de como você olha para
isso, a partir de que ponta. Os objetos do mundo são muitos, mas o olho que os vê é um. Aquilo que é mais alto sempre aparece como um para o que é mais baixo e o mais baixo como muitos para o mais alto.

Pergunta: As formas e todos os nomes são todos de
um e mesmo Deus?

Maharaj: Mais uma vez, tudo depende de como você
olha para isso. No nível verbal tudo é relativo. Absolutos deveriam ser experimentados, não discutidos.

Pergunta: Como o Absoluto é experimentado?

Maharaj: Não é um objeto a ser reconhecido e
armazenado na memória. Em vez disso, está no presente e no sentimento. Tem mais a ver com o 'como' do que com o "o quê". 
Está na qualidade, no valor; sendo a fonte de tudo, está em tudo.

Pergunta: Se é a fonte, por que e como é que ela
se manifesta?

Maharaj: Ela dá a luz à consciência. Todo o
resto está na consciência.

Pergunta: Por que existem tantos centros de
consciência?

Maharaj: O universo objetivo (mahadakash) está
em constante movimento, projetando e dissolvendo inúmeras formas. Sempre que uma forma é infundida com a vida (Prana), a consciência (chetana) aparece através do reflexo da consciência na matéria.

Pergunta: Como é o Supremo afetado?

Maharaj: O que poderia afetá-lo, e como? A fonte
não é afetada pelos caprichos do rio, nem é o metal afetado pela forma da jóia. 
luz é afetada pela imagem na tela? Supremo torna tudo possível, isso é tudo."
Nisargadatta Maharaj em I Am That

13 de outubro de 2013

O Frescor - Osho


"Osho, de onde vem o frescor?

-Ele não vem de lugar nenhum; está sempre aqui. A existência é o próprio frescor. A existência é fresca, porque está sempre aqui e agora. Ela não é sobrecarregada pelo passado, não coleta nenhuma poeira do passado. Nunca é velha. O tempo não produz impacto na existência. O tempo não existe no que se refere à existência.

O tempo só existe para a mente; é uma invenção da mente. Na verdade, tempo e mente são sinônimos. Pare a mente e o tempo para.(...)

O tempo não consiste, como é ordinariamente concebido de três tempos, de passado, presente e futuro. O presente não faz parte do tempo; o presente está além do tempo. E o presente é sempre fresco. O presente faz parte da eternidade. O presente é a penetração do eterno no mundo sonhado do tempo, um raio de luz na escuridão da mente.

O passado não tem frescor - não pode ter é óbvio. É sempre sujo. (...) O passado é um cemitério. E o futuro não é nada senão uma projeção do passado morto. E, partindo do passado morto, o futuro não pode estar vivo - o morto só pode projetar o morto. Qual é o seu futuro? Um passado modificado, retocado aqui e ali; um pouco melhor, um pouco mais sofisticado, um pouco mais confortável, mas é o mesmo passado. Você está ansiando por repeti-lo.

Seu futuro não tem nada de novo; não pode ter. A mente é impotente no que se refere ao novo. Ela só pode se mover dentro do pequeno mundo do que é familiar, do que é conhecido - e o conhecido é o passado. O futuro não é senão um desejo de repeti-lo - de uma maneira melhor é claro. Por isso o futuro também não é novo. O presente é.

O frescor nunca chega e nunca parte. Está sempre aqui, está sempre agora. Você está aqui e agora e de repente o frescor - você está banhado na eternidade, inundado por algo que é atemporal. Chame-o de Deus, chame-o de Reino de Deus, chame-o de Nirvana, todos estes nomes se referem ao mesmo inominável. Todas essas palavras tentam expressar o inexpressável.

Simplesmente ponha a mente humana de lado. E com isso eu quero dizer para você por de lado o passado e o futuro. E observe. Neste exato momento todo o paraíso desce sobre você. Você fica inundado. Os pássaros estão cantando e seus cantos são frescos; não estão repetindo velhos cantos. Eles não têm ideia dos ontens e não estão cantando para futuros. Não estão ensaiando para os amanhãs. As árvores estão frescas. Tudo está fresco, exceto o homem.

Então, não pergunte de onde vem o frescor. Pergunte: "De onde vem esse embotamento, este mofo, esta morte?" Porque esta morte vem e vai. O frescor está sempre ali - ele é a verdadeira natureza da existência. É a presença de Deus.

A meditação não é nada senão um método para conectá-lo com o eterno, para conduzi-lo para o inconcebível e o misterioso. E este não está distante; está o mais próximo que pode estar. Até mesmo dizer que está próximo não é certo, porque ele é exatamente seu próprio ser, é você. O frescor é sua alma.

Sua mente é tediosa, totalmente tediosa. Saia da mente. Pelo menos por alguns minutos a cada dia, coloque a mente de lado, fique totalmente fora da mente. E então você saberá que o frescor sobre o qual está indagando está brotando de dentro de você. De onde ele vem? Ele vem do seu âmago mais profundo. Na verdade ele não vem. De repente você descobre que ele sempre esteve ali. Sempre esteve ali como uma corrente subterrânea, oculta por trás de muitas e muitas camadas de lembranças, sonhos e desejos.

Buda diz: "Torne-se sem desejo e saberá. Torne-se desprovido de desejo e você atingirá a esfera que está além do nascimento e da morte, e então entrará no ilimitado".

Mas por que o homem não vai para dentro ao encontro do seu próprio ser, que está tão perto? Ele está pronto para ir à lua, está pronto para ir a qualquer lugar! Ele está pronto para ir às estrelas, mas não está pronto para entrar no seu próprio ser. Por quê? Deve haver alguma razão profunda por trás disso. A razão é que, para entrar dentro de si, você terá de se perder de si mesmo. E o homem tem medo de se perder de si mesmo. Ele se apega, quer permanecer sendo ele mesmo. Não quer perder sua própria identidade. É idade muito pobre, e também falsa, mas ainda assim, alguma coisa é melhor do que nada. Essa é a nossa lógica.

Não sabemos quem somos, por isso nos apegamos ao corpo, à mente, ao que quer que nos tenha sido dado. (...) Nós nos apegamos a tudo o que nos foi impingido porque isso nos dá uma sensação de conforto como se conhecêssemos a nós mesmos. (...) Sua consciência não pode ser confinada a nenhum desses rótulos estúpidos. Sua consciência é tão infinita; ela não pode ser contida em nenhuma palavra. Ela é tão vasta quanto o próprio céu. Mas você tem medo de penetrar nessa vastidão. Essa vastidão parece o vazio, o vácuo. E então o homem se apega à sua própria identidade pequena, e arbitrária. Daí o medo de penetrar dentro de si mesmo.(...)

O homem não consegue abandonar seu ego. (...) O homem está pronto para ser qualquer coisa. Nós nos tornamos pedras. Só parecemos estar vivos. Se você realmente estiver vivo, não fará esta pergunta " De onde vem o frescor?" Você saberá; não haverá necessidade de fazer a pergunta. Você o estará vivendo a cada momento, ele estará surgindo em você.(...)

O frescor não vem de qualquer lugar, ele vem do mais profundo âmago. Deus não está fora de você; está no seu próprio centro, no seu próprio solo. O frescor vem dele, a vida vem dele, o amor vem dele, o êxtase vem dele. E quando a dança vem de dentro, ela tem uma qualidade totalmente diferente: ela é espiritual, ela é divina."
Osho em Inocência, conhecimento e encantamento.


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