30 de novembro de 2010

Cântico ao Universo...


Que o dia decorra bem e a noite siga silenciosa e calma.

Que o meio do dia traga felicidades também.
No Universo todos os seres existem e vivem uns pelos outros.
Ninguém está fora desta relação includente.

Mais fundamental que o principio de sobrevivência do mais forte é o da solidariedade-amor de todos para com todos.
É isso que constitui a grande comunidade cósmica, terrena e humana e que dá origem à ajuda reciproca de um ajudar o outro a existir e a se desenvolver.
Todos se complementam: as especies, os ecossistemas e o universo inteiro.
O amor incondicional crê nas virtualidades latentes em cada ser.
Sabe por intuição que sempre sobra uma chama a ser alimentada e um sinal de esperança a ser interpretado.

Todos os sons por mais destoantes, entram na imensa sinfonia universal, por isso precisamos dos outros para ser e para nos libertar.
Temos algo a dar que somente nós podemos oferecer ao crescimento do todo.
E não podemos negar essa contribuição ao Universo
Cântico ao Universo por Thic Nhat Han

29 de novembro de 2010

Desejos...


"Quando você deseja algo, sua alegria depende disso.
Se esta for retirada de você, você se sente miserável.
Se for dada a você, você ficará feliz, mas só por uns momentos.

Isso também precisa ser compreendido.

Sempre que seu desejo é realizado, ele o é apenas naquele momento em que você sente o prazer. É passageiro, pois assim que você conseguir o que queria, sua mente novamente começa a desejar mais, desejar outras coisas.

A mente existe no ato de desejar e, portanto, a mente nunca pode deixá-lo sem desejos. Se você não estiver desejando nada, a mente morre imediatamente.
Esse é todo o segredo da meditação.

Um mendigo bate à porta do palácio do imperador de manhã cedo. O imperador estava saindo para passear pelo seu lindo jardim e não havia nenhum guarda com ele para impedir a aproximação do pedinte.

O imperador disse: “O que você quer?” O mendigo respondeu: “Antes de perguntar isso, pense duas vezes!”
O imperador nunca tinha visto um homem tão valente.

O imperador havia lutado em guerras, obtido vitórias, havia deixado claro que ninguém era mais poderoso do que ele, mas, subitamente, esse pedinte lhe dizia: “Pense duas vezes naquilo que está dizendo, pois você talvez não seja capaz de realizá-lo.”
O rei disse: “Não se preocupe, isso é problema meu.

Diga apenas o que quer e será feito!”
O mendigo disse: “Você vê minha tigela de esmolas? Quero que ela seja preenchida! Não importa com o quê, a única condição é que ela fique cheia.
Você ainda pode dizer não, mas se disser sim, estará correndo um risco.”

O imperador riu. Só uma tigela de esmolas!... e o mendigo pedia para ele ter cuidado? Ele ordenou a seu primeiro-ministro que enchesse a tigela com diamantes, para que esse mendigo soubesse com quem ele estava falando.
O mendigo disse novamente: “Pense duas vezes.”

E logo ficou claro que o mendigo estava certo, pois no instante em que os diamantes foram colocados na tigela de esmolas, simplesmente desapareceram!

Os boatos se espalharam rapidamente pela região. Milhares de pessoas vieram para ver o fenômeno.
Quando as pedras preciosas acabaram, o rei disse: “Tragam todo o ouro e prata, tragam tudo! Todo meu reino, toda minha integridade está em jogo.”

Mas no final da tarde tudo havia desaparecido e sobraram somente dois pedintes. Um deles era o imperador.
O imperador disse: “Antes que lhe peça perdão por não ter escutado seu aviso, por favor, me diga o segredo dessa tigela de esmolas.”
O mendigo disse: “Não há nenhum segredo. Eu a poli, fiz com que se parecesse com um prato, mas é um crânio humano.
Você pode colocar o que quiser aí dentro que irá desaparecer.”
Essa história é significativa.
Você já parou para pensar na sua própria tigela de esmolas?
Tudo some: poder, prestígio, respeito, riquezas.
Tudo isso desaparece e sua tigela de esmolas continua abrindo a boca e pedindo mais.
E esse ‘mais’ o tira daqui. Esse desejo lhe afasta desse momento.

Há somente dois tipos de pessoas no mundo: a maioria corre atrás de sombras e suas tigelas de esmolas permanecerão vazias até que eles entrem em seus túmulos.
Uma minoria bem pequena, uma pessoa em cada milhão, pára de correr, põe de lado todos os desejos, não pede mais nada. E subitamente encontra tudo dentro de si."
Osho em Meditações Diárias.

Retoma-te...


"Não busques para lá.
O que é, és tu.
Está em ti.
Em tudo.

A gota esteve na nuvem.
Na seiva.
No sangue.
Na terra.
E no rio que se abriu no mar.
E no mar que se coalhou em mundo.

Tu tiveste um destino assim.
Faze-te à imagem do mar.
Dá-te à sede das praias.
Dá-te à boca azul do céu.
Mas foge de novo à terra.

Mas não toques nas estrelas.
Volve de novo a ti.
Retoma-te."
Poema de Cecília Meireles

28 de novembro de 2010

O Céu interior...


"Para se conhecer a Existência, todas atitudes fixas devem ser abandonadas.
Seus olhos devem ser janelas, não projetores.

Seus ouvidos devem ser apenas portas, não projetores. (...)
Hoje em dia ninguém ouve ninguém. Você ouve o que espera ouvir. A expectativa funciona como um par de óculos. Seus olhos deveriam ser janelas - esta é a técnica.

Nada deve sair de seus olhos, porque se algo sai, uma nuvem é criada. Então você vê coisas que não existem e sofre sutil alucinação. Faça com que em seus olhos o ouvidos haja pura claridade.

Todos os seus sentidos deveriam estar claros, sua percepção pura - só então a Existência poderia ser-lhe revelada.
Quando conhecer a Existência, saberá que você é um Buda, um deus, porque na Existência tudo é divino.

Contemple primeiro o céu. Deite-se no chão e fique apenas olhando para o céu. Só uma coisa deve ser tentada: não olhe para nada. No início você cairá muitas e muitas vezes, esquecerá muitas e muitas vezes; você não poderá se lembrar continuamente, mas não se sinta frustrado; isso é natural, sendo o hábito tão antigo como o é. A cada vez que se tornar a lembrar, retire seus olhos do foco, faça com que fiquem soltos e olhe apenas o céu - sem fazer nada, olhando apenas.

Depressa chegará o momento em que você poderá olhar o céu, sem tentar ver alguma coisa ali.

Nesse momento tente isso com o céu interior.

Feche os olhos, então, e olhe para o interior, sem procurar coisa alguma, com o mesmo olhar ausente. Os pensamentos flutuam, mas você não procura por eles, nem olha para eles - está simplesmente olhando.

Se vierem, será bom, se não vierem, também será bom. E daí, será capaz de ver as brechas: um pensamento passa, passa também um outro - e a brecha. Então aos poucos, poderá ver o pensamento tornar-se transparente; mesmo quando o pensamento estiver passando você continuará a ver a brecha, você continuará a ver o céu escondido atrás das nuvens.

E quanto mais se tornar sincronizado com essa visão, mais pensamentos irão tombando, aos poucos diminuindo, e diminuindo, diminuindo. As brechas se tornarão mais largas: durante alguns minutos não haverá pensamentos; tudo se fará silencioso e quieto, interiormente- estão juntos o céu exterior e o céu interior, unidos pela primeira vez.

Tudo parecerá absolutamente beatífico, não haverá perturbação. E se essa maneira de ver se tornar natural em você - e tornar-se é uma das coisas mais naturais, basta desfocar, descondicionar.(...)

Itálico
O estado de Buda significa o mais alto despertar. Quando não há distinções, quando todas as divisões se perderam, atinge-se a unidade e só o um permanece. (...) Não, você não diz que o um permanece, mas que o dois desapareceu, que os muitos desapareceram. Agora o que existe é uma vasta unidade; já não há fronteira para nada.

...uma árvore fundindo-se em outra árvore, a terra fundindo-se nas árvores, ás árvores fundido-se no céu, o céu fundindo-se no além...

Você fundindo-se em mim, eu em você... Tudo fundindo-se...as distinções perdidas, desfazendo-se imergindo, como ondas, em outras ondas...uma vasta unidade vibrando, viva, sem fronteiras, sem definição, sem distinções...o sábio fundindo-se no pecador, o pecador fundindo-se no sábio...o bom tornando-se mau, o mau tornando-se bom...a noite fazendo-se dia e o dia fazendo-se noite...a vida desfazendo-se na morte, e a morte novamente modelando a vida...Então tudo se tornou um....

Só nesse momento é que o estado de Buda é obtido: quando nada há de bom, nada há de mau, nem pecado, nem virtude, nem trevas, nem luz, nada, nenhuma distinção...

As distinções existem por causa de seus olhos treinados.
A distinção é algo aprendido.
A distinção não existe na vida.
A distinção é projetada por você.
A distinção é dada ao mundo por você - não está nele."
Osho em Tantra a suprema compreensão.

27 de novembro de 2010

O grande Guru...


"Se pudermos entrar em sintonia com a Vida, fizemos tudo.
E só existe Vida.
A morte é apenas uma ilusão.
Ninguém e nada morre.

Sim, as aparências das coisas se transformam, transmutam, e desaparecem.
Mas a essência dessas mesmas coisas permanecem noutro plano dimensional.
Nada se perde.
Tudo está onde deve estar.
Nenhuma partícula de poeira existe sem que o universo queira.
Todos os nossos relacionamentos são presentes.
O universo se faz presente em você para celebrar a individualidade.
Nosso propósito é apenas desfrutar isso.
Aprender a desfrutar isso."
Swami S. Nasseb - A Vida é o grande Guru

Neste belo texto, Swami Naseeb nos aponta mais uma verdade.
Mesmo que ao longo de nossas vidas, de nossa caminhada espiritual, encontremos muitos mestres, muitos gurus...por mais iluminados que sejam, e nos conecte com o divino através de suas palavras, ensinamentos, silêncios, ações enfim...é importante que vejamos que, os verdadeiros mestres e gurus, nos apontarão para a única verdade...isto é: irmos em direção a nós mesmos...nossa essência mais profunda, e luminosa.

Aí nessa essência reside, se manifesta a verdade, a totalidade do SER.
Mesmo SER que se manifesta em TODA EXISTÊNCIA.

A aparente separação é pura ilusão.
Dentro e fora, jamais existiram na verdade.
A Totalidade se manifesta Una.
Buscar no profundo é encontrar o Todo.
Buscar o Todo é encontrar o Profundo.

Um mestre que nos faça olhar para o profundo, que nos mostre a grandeza do Ser que já existe em nós, partilha da mesma e luminosa verdade:
A de que não existem mestres. Tudo e Todos são manifestações do mesmo e Único Mestre.
Isto é, A Vida, Deus, a Existência é o grande Guru, o único e verdadeiro Mestre.
Amor
Lilian

26 de novembro de 2010

A Paz nascida nos corações...


Em tempos de violência e de medo, é importante que nós não percamos a consciência da paz.

Enquanto alguns causam o pânico e o medo, outros levam o conforto e a proteção.

Vemos que as cidades respondem como um organismo vivo, que quando se mostra dividido, e combatendo a si mesmo, gera doença e auto-destruição.

Os interesses da mente são infinitos.
Ela funciona em termos de perdas e ganhos, desejos e medos, e competitividade à toda prova.
Se nós buscamos uma paz social, devemos começar por nós mesmos. Viver na mente é viver em constante esforço, divisão, confusão.

O mundo, a realidade é um espelho do que eu sou. Se aprofundo em mim a pureza, a transparência, a bondade e a gratidão, estou irradiando essa luz ao mundo, à cada pessoa, à cada ser.

A consciência só conhece o silêncio, a verdade e a paz.
Não toma partidos, nem faz escolhas baseadas em interesses próprios.
É simples, é autentica, e inclui à todos em suas escolhas.
O Amor é a sua linguagem, e somente vive o presente, sem apegos, nem projeções.

Embora a realidade sempre nos surpreenda, é importante termos clareza de que existe uma inteligência maior que cuida de tudo, e que as mínimas coisas estão absolutamente inseridas em uma engranagem infinita e perfeita.
Nossa mente não consegue compreender o que se passa, mas se estamos centrados na consciência, do Ser, no Amor em nós, já estamos na dimensão da perfeita confiança e da compaixão.
Tentar entender a realidade é um esforço enorme, e impossível de se conseguir. Ela é imensa, e envolve tantos elementos, que nossas "lógicas" não seguram, não alcançam.

A verdade por sua vez é o agora, é o aqui.
Olhar de frente a realidade, a verdade, não exige nenhum esforço, é natural.
Acolher mesmo sem compreender é manter-se centrado. Tomar as decisões baseadas nessa consciência é manifestar o amor e a sabedoria, mesmo em momentos em que o medo e a violência nos cercam.

Se a luz da consciência, e da verdade estiver brilhando em nós, em nossos corações, estaremos em paz, e seremos capazes de olhar de frente a realidade, a vida, e nos adequarmos ao que a situação nos pede naquele momento. Sem projeções, sem nenhuma espectativa, apenas sendo, o que a situação nos pede.

A realidade não deve ser jamais menosprezada.
Ela acontece para que aprendamos, para nossa evolução.
Viver a realidade de olhos e corações abertos, é ser presente, é estar cada vez mais consciente, é encarar cada momento com total e completa confiança de que haja o que houver, faz parte de um infinito cenário cósmico, mesmo que nossas mentes não tenham nenhuma "idéia" do que seja.

Se o mundo precisa de paz, essa paz é fruto desse centramento, desse viver em verdade, dessa unicidade em cada um de nós.
Buscar a paz na verdade é Ser paz. Pois não existe outra paz que não seja o Ser.
Amor
Lilian


25 de novembro de 2010

Conceitos versus Realidade...


"Você é o Buda, apenas tem que relembrar.
Todo o problema é o mal-entendido.
Vemos tudo através das condições que nos deram.
Nos relacionamos com os objetos através do nosso condicionamento;através de um filtro.
E esse filtro precisa ser removido.
Esse filtro não tem um aspecto físico, claro.
Trata-se de um aspecto subjetivo.

Quero dizer: é um condicionamento imposto na nossa mente, que nos diz como as coisas são.

Portanto, em Satsang, quando você começa a investigar,começa a se dar conta de que a 'realidade' não é exatamente como você estava pensando, que as coisas não são como a sua avó dizia.

A sua avó dizia que quando você nasceu, entrou nesse corpo,vai ficar um tempo dentro dele... e quando a morte chegar, vai sair do corpo e aguardar numa salinha, onde será feito um balanço entre os prós e os contras da sua existência. E a partir disso, você vai para o céu ou para um outro corpo. E tudo se repete...

Essas versões são tão poderosas que a maioria dos humanos ainda acredita nisso.
É por isso que os Budas dizem que a humanidade está dormindo, que 99,99% está num sono profundo.
O sono profundo significa conceber as coisas e acreditar que a concepção que temos das coisas é o que as coisas são.

Parece um paradoxo, foi criado com essa intenção.E até hoje você tem vivido como se estivesse fora do "aqui e agora".
Mas quando eu peço que saia do "aqui e agora", você se dá conta de que não tem como sair.
Em Satsang, você está sendo confrontado com a realidade.

Você tem que examinar duas coisas: ou você continua acreditando nos seus conceitos ou você começa a viver de acordo com a realidade.
A realidade é que o "aqui e agora" é infinito e nunca saímos do "aqui e agora", porque não tem nada fora do "aqui e agora".O que fazer, então, a partir desse entendimento prático, básico?
O que você precisa fazer para ficar no "aqui e agora"?
NADA.

Até hoje você acreditou no contrário.
Mas, em Satsang, todo o investimento que você colocou em ficar "aqui e agora", se torna desnecessário."
Satyaprem em Conceitos versus Realidade

24 de novembro de 2010

Amor em expansão...


"O reino do meu amor há de se expandir.
Tenho amado mais meu corpo que qualquer outra coisa
Por isso estou identificado com ele e limitado por ele.

Com o amor que tenho dedicado a meu corpo, amarei todos aqueles que me amam.
Com o amor expandido daqueles que me amam, amarei os que fazem parte da minha vida.
Com o amor que sinto por mim e pelos meus, amarei os estranhos.

Usarei todo meu amor para amar tanto os que não me amam quanto os que me amam.
Banharei todas as almas em meu amor sem egoísmo.

No oceano do amor, nadarão meus familiares, meus compatriotas, todas as nações e todas as criaturas.
A criação inteira, as miríades de minúsculos seres vivos dançarão sobre as ondas de meu amor."
Amor em expansão por Paramahansa Yogananda

23 de novembro de 2010

A Dor no presente...


"Nenhuma vida é inteiramente isenta de dor e de desgosto. Não será preferível aprender a viver com eles do que tentar evitá-los?

A maior parte da dor humana é desnecessária. Cria-se a si própria enquanto for a mente inobservada a dirigir a sua vida.

A dor que você criar agora será sempre uma certa forma de não aceitação, uma certa forma de resistência inconsciente aquilo que é. Ao nível do pensamento, a resistência é uma certa forma de julgamento. Ao nível emocional, é uma certa forma de negatividade.

A intensidade da dor depende do grau de resistência ao momento presente, e essa resistência por seu lado depende de quão fortemente você estiver identificado com a sua mente. A mente procura sempre recusar o Agora e fugir a ele. Por outras palavras, quanto mais identificado você estiver com a sua mente, mais sofrerá. Ou poderá colocar a questão deste modo: quanto mais você honrar e aceitar o Agora, mais livre estará da dor, do sofrimento - e da mente egóica.

Porque é que a mente recusa ou resiste habitualmente ao Agora? Porque ela não consegue funcionar nem permanecer no poder sem o tempo, que é passado e futuro e, por conseguinte, para ela o Agora representa uma ameaça. De fato, o tempo e a mente são inseparáveis.

Imagine a Terra desprovida de vida humana, habitada apenas por plantas e animais. Teria ela ainda um passado e um futuro? Poderíamos nós falar de tempo de maneira que fizesse sentido? As perguntas "Que horas são?" ou "Que dia é hoje?" - se houvesse quem as fizesse — não fariam qualquer sentido. O carvalho ou a águia ficariam estupefatos com tais perguntas. "Que horas são?" perguntariam. "Bem, é claro que é agora. Que mais poderia ser?"

Sim, é certo que precisamos da mente assim como do tempo para funcionarmos neste mundo, mas a certa altura eles tomam conta das nossas vidas, e é aí que a disfunção, a dor e o desgosto se instalam.

A mente, para garantir que permanece no poder, procura constantemente encobrir o momento presente com o passado e o futuro e, assim, ao mesmo tempo que a vitalidade e o infinito potencial criativo do Ser, que é inseparável do Agora, começam a ficar encobertos pelo tempo, também a sua verdadeira natureza começa a ficar encoberta pela mente.

Um fardo de tempo, cada vez mais pesado, tem vindo a acumular-se na mente humana. Todos os indivíduos sofrem sob esse fardo, mas também o tornam mais pesado a cada momento, sempre que ignoram ou recusam esse precioso Agora ou o reduzem a um meio para alcançarem um determinado momento futuro, o qual só existe na mente e nunca na atualidade. A acumulação de tempo na mente humana, coletiva e individual, contém igualmente uma enorme quantidade de dor residual que vem do passado.

Se quiser deixar de criar dor para si e para os outros, se quiser deixar de acrescentar mais dor ao resíduo da dor passada que continua a viver em si, então deixe de criar mais tempo, ou pelo menos crie apenas o tempo necessário para lidar com os aspectos práticos da sua vida. Como deixar de criar tempo? Compreendendo profundamente que o momento presente é tudo o que você algum dia terá. Faça do Agora o foco principal da sua vida.

Atendendo a que antes você vivia no tempo e fazia curtas visitas ao Agora, estabeleça a sua morada no Agora e faça curtas visitas ao passado e ao futuro quando precisar de lidar com os aspectos práticos da sua situação de vida. Diga sempre "sim" ao momento presente. Que poderia ser mais fútil, mais insensato do que criar resistência interior a algo que já é? Que poderia ser mais insensato do que opor-se à própria vida, que é agora e sempre será agora? Submeta-se aquilo que é. Diga "sim" à vida - e verá como de repente a vida começará a trabalhar para si em vez de contra si.

O momento presente é por vezes inaceitável, desagradável ou terrível. É aquilo que é. Observe como a mente classifica esse momento e como esse processo de classificação, esse permanente ditar de sentenças, cria dor e infelicidade. Ao observar os mecanismos da mente, você sai para fora dos seus padrões de resistência e então poderá permitir que o momento presente seja. Isso dar-lhe-á um vislumbre do estado interior livre de condições exteriores, do estado de verdadeira paz profunda. Depois veja o que acontece, e tome providências se for necessário ou possível.

Aceite - e depois atue. Seja o que for que o momento presente contenha, aceite-o como se fosse escolha sua. Trabalhe sempre com ele, não contra ele. Faça dele um amigo e um aliado, e não um inimigo. Milagrosamente, isso transformará toda a sua vida."
Não crie mais dor no presente por Eckhart Tolle

22 de novembro de 2010

Mente e consciência...


"Em Satsang, o quadro que indica que você passou do entendimento à experiência de si, é onde você nota que há quietude decorrente da simples presença.
Você ouve o que está sendo dito, olha para onde está sendo apontado e disso decorre um aquietamento.
Você começa a notar que a atenção é silenciosa e sem conteúdo,
e a sua mente não está dizendo nada.
O notar não é um dizer, é um simples notar.
Sem dizer nada, você nota que a mente não está dizendo nada.

Se nota que a mente está melhorando o que está sendo dito, você ainda está dividindo.
Aquiete-se, ouça e veja onde esse apontamento o leva.
Minha proposta é simples: tudo que está sendo dito, não tem o propósito de levá-lo a lugar nenhum, senão aqui e agora.
Eu estou aqui simplesmente tentando convidá-lo a desapegar-se dessa obsessão em ir para o passado e para o futuro.

Note que nem no futuro nem no passado isso que é chamado de "Consciência" existe.
No tempo existem pensamentos, ideias, imagens e imaginação.
Aqui e agora: só Consciência.
Pode parecer contraditório, mas é simplesmente porque a linguagem não consegue dizer tudo.
Temos que ir por partes...
Mas, se você começa a notar que não há mais interesse na sua própria história -nem pregressa, nem futura -, que o seu interesse está pousado na presença aconchegante, quieta e silenciosa, você está comungando Satsang.

A partir daí, existe expansão.
Você não tem mais o mesmo tamanho.
Essa é a textura do aqui e agora.

Aqui e agora existe algo inerente, que se torna transparente.
É verdadeiro e pacífico. É Consciência.
Se você deixa isso penetrar além dos seus poros,a história a respeito de si e do mundo fica completamente sem importância.

É aqui onde entra o relaxamento, porque o que nos deixa tensos são as histórias -
é o que passou e o que virá.
Sem histórias, você se torna um bebê, uma criança:sem passado, sem futuro e sem preocupação.
Nesse momento o seu sistema se organiza e toda a energia vital fica disponível ao seu organismo.
Não vai mais para a mente. Cresce o campo de possibilidades, porque as tensões são removidas.
Tensões são pensamentos se debatendo dentro de uma caixa.
Se você se aquieta - e quietude é você -, o seu corpo faz o que tem que fazer e você não se mete.

O que estou dizendo pode ser experimentado por você.
Ouça e verifique.
Visite o buda que você é, o máximo que puder.
Visite a Consciência o máximo que puder, até que não haja mais a imaginária distinção entre você e a Consciência."
Satsang com Satyaprem: A mente fala a consciência nota

21 de novembro de 2010

Interser...


"Olhe esta folha de papel.
Se você for poeta, verá nitidamente uma nuvem nesta folha, passeando nesta folha de papel em branco.
Sem a nuvem, não há chuva.
Sem a chuva, as árvores não crescem.
Sem as árvores, não se pode produzir papel.
A nuvem é essencial para a existência do papel.
Se a nuvem não está aqui, a folha de papel também não está.
Portanto, podemos dizer que a nuvem e o papel "intersão".
"Interser" é uma palavra que ainda não se encontra no dicionário, mas se combinarmos o radical "inter" com o verbo "ser", teremos um novo verbo: interser.

Se examinarmos esta folha com maior profundidade, poderemos ver nela o sol.
Sem o sol, não há floresta. Na verdade, sem o sol não há vida.
Sabemos, assim, que o sol também está na folha de papel.
O sol e o papel intersão.
E se prosseguirmos em nosso exame, veremos o lenhador que cortou a árvore e a levou à fábrica para ser transformada em papel.
E vemos o trigo.
Sabemos que o lenhador não pode existir sem seu pão de todo o dia.
Portanto, o trigo que se transforma em pão também está nesta folha de papel.
O pai e a mãe do lenhador também estão aqui.
Quando olhamos dessa forma, veremos que sem todas essas coisas, esta folha de papel não teria condições de existir".
Por mais fina que esta folha seja, tudo o que há no universo está nela".
Monge Thich Nhat Hanh (Thây)

Este belo texto de Thây, nos convida a uma mudança de olhar. Um convite a um olhar profundo, para aquelas mesmas coisas simples, que lidamos todos os dias.

Se nos dermos conta, da infinidade de elementos que são absolutamente necessários co-existirem, para que as coisas mais banais da nossa vida aconteçam...ficaremos maravilhados na rede complexa que acaba se formando, mesmo sem sabermos. Num instante nos damos conta de que a existência inteira opera para que mínimas coisas aconteçam.

O interser é total, absoluto, indispensável.
Quando nossa consciência se expande, e percebemos o que está "invisível" à nossa volta, ficaremos impressionados na grandeza que nos cerca...e mais, no mais absoluto silêncio, sem fazer alarde, sem buscar reconhecimento....nada.

O invisível aos olhos não significa inexistência.
Cada vez mais, percebemos que os olhos físicos, enxergam apenas uma ínfima parte de um Todo absoluto que trabalha, uma inteligência que opera em silêncio, quase invisível...mas absolutamente presente...

Nós também estamos absolutamente inter-relacionados.
As aparentes divisões, separações, são mesmo só aparentes, pois a inter-dependência é Total.
O Universo funciona como um infinito oceano. Somos suas ondas. Se na superfície aparecemos de formas mais diversas, na profundidade somos a mesma e unica essência / consciência.

Termino com um belo poema de Thây, que nos ilumina ainda mais, a consciência pura do interser, do intersomos...
"Você é eu, e eu sou você.
Não é obvio que nós "intersomos"?
Você cultiva a flor em você mesmo, para que eu seja belo.
Eu transformo o lixo que há em mim, para que você não tenha de sofrer.
Eu apóio você, você me apóia.
Estou neste mundo para te oferecer paz.
Você está neste mundo para me trazer alegria".
Amor
Lilian

20 de novembro de 2010

Agradeço...


Se a roseira não deu flor,
Ainda escuto os pássaros cantarem...

Se a relva secou com o sol,
Ainda brincam nas árvores as pequeninas cigarras...

Se a chuva não veio regar a semente,
Ainda resta o orvalho da manhã para refrescar...

Se o dia amanheceu nublado e frio,
Ainda posso sonhar com a lua durante a noite...

Sonhos são canções,
São momentos de poesia da existência.
Sonhar com a relva verde,
Balançar na rede, um amor.
Sussurrar uma canção a quem se ama,
Enche de flor a paisagem do coração.

Nada a pedir.
Somente Ser.

Se o sabiá hoje não cantou na janela,
Ainda posso ouvir ao longe os bem-te-vis...

Se o vôo dos pardais hoje não veio,
Sei que eles voam em algum céu...

O céu existe para eles voarem,
Mesmo longe dos olhos meus...

Agradeço à simplicidade da Vida.
O que é, É.
O que existe,
O que se manifesta puro e simples,
O pequeno,
O instante,
O que aquece o coração...

19 de novembro de 2010

Vishnu Purana


"Nós te adoramos
Porque não nasceste nunca
E permaneces para sempre
Indestrutível.

Fora de ti só existe o vazio
Estás presente em nossos corpos e em todas as coisas
Tu és a natureza intrínseca de tudo o que pode existir
Nós nos prostramos diante de ti,
Resplandecente,
Semente de tudo que existe,
Onipresente,
Tu permaneces imutável,
Fora do alcance,
Ignorando a impureza.

O Ser supremo é teu centro
O Universo a Tua forma,
Tu és o Ser eterno
Que não nasceu nunca".
Vishnu Purana

18 de novembro de 2010

Incompreensões...


Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava.

Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente.
Clarice Lispector

Hoje queria refletir sobre as incompreensões que encontramos ao longo de nossas vidas.
Fomos ensinados, desde pequenos, que o amor é o encontro, é a partilha é a soma das partes.
Esse amor é lindo, sem dúvida, mas ainda primário, e ainda de certa maneira frágil, para suportar as tempestades, os vendavais da vida.

Amar sustentando incompreensões...
Não é suportando, é sustentando mesmo. Dar firmeza, dar suporte a toda sorte de incompreensões que forem surgindo ao longo do caminho...esse é um amor maduro...

Navegar em mar calmo, é fácil. Voar em céu azul, também.
Mas navegar em meio a ondas e tempestades, voar em meio à nuvens e raios...isso sim é desafiador.

É por isso que hoje vemos muitos relacionamentos desmoronarem, não por falta de amor, mas por fraqueza em lidar com as incompreensões mútuas.
Somos todos pessoas únicas, sem comparações.
Partilhar uma vida, é partilhar o sim e o não. É estar todo o tempo se descobrindo, se aprendendo no outro. O outro é na verdade, nós mesmos, espelhados, refletidos...manifestando aspectos que em nós mesmos ainda não descobrimos.
É claro que as diferenças aparecem logo. As arestas precisam ser lapidadas. A vida se encarrega disso perfeitamente.

Quando se vive somente de compreensões, se está vivendo somente a metade. Pois os aspectos incompreendidos, também precisam ser vividos profundamente e acolhidos com a mesma atenção e cuidado. Isso torna um relacionamento completo. Luz e sombra acolhidos generosamente com o coração.

O amor tudo toca, mas nada toca o amor...
Quando o amor é verdadeiro, está pronto a acolher inclusive as incompreensões, sejam elas quais forem. O amor tem sua própria compreensão...e não se trata de mente, nem de lógica...

O acolhimento se dá na alma, no coração que diz - sim -, e abençoa...não fica olhando para trás...integra, transcende e vai...

A soma das incompreensões na nossa vida, são mesmo uma grande benção.
Diria que se trata de uma das maiores lições que podemos aprender.
Quando somamos incompreensões, estamos fortalecendo infinitamente a nossa capacidade de amar...e de vivenciar plenamente o amor....
Lilian

17 de novembro de 2010

Satsang - Mooji


"Todos esses seres e os papéis que eles estão desempenhando, em cada momento, estão acontecendo pela vontade Divina. Você vai para qualquer cidade, qualquer vila, qualquer lugar… é preciso alguns papéis para manter uma vila existindo.

E quem é que provoca essas ações? São apenas papéis que aparecem.
Você nesse corpo sente uma urgência, uma atração de se mover em uma direção. Você tem o sentimento de que você tomou essa decisão, mas o anseio veio antes. Apenas quando ele veio para o campo da consciência, então algo diz “eu acho que vou fazer isso”. Antes de um pensamento ocorrer para você, você estava consciente dele? Você solicitou que certo pensamento viesse? Como um item “para levar”?

Além disso, os pensamentos são aleatórios. Você está meditando… “Paz…” E então vem “pizza”! [risos] E depois disso, “ah, sim, eu tenho que enviar um email…” Eles são aleatórios.
Mas assim que eles surgem, alguns pensamentos da mesma frequência se juntam e o processo de pensar começa. Na verdade é totalmente automático, mas por causa da identidade de que “isso sou eu”, alguns tipos de pensamentos se tornam sazonais – eles vão continuar voltando – porque eles ganham serviço de cinco estrelas. [risos].

Esses são os pensamentos favoritos – e eu não digo “favoritos” porque você gosta deles, eles podem ser favoritos porque você os odeia.
Mas eles têm alguma afinidade com a maneira que você atualmente pensa sobre você mesmo. E então um tipo de construção de identidade surge. Mas isso não é algo fixo, é como um auto-retrato constantemente em mutação. Porque ele surge no campo da mudança. E de alguma forma, aquilo que nós gostamos na esfera da mudança nós gostaríamos de tornar fixo – o que é impossível.

A natureza do Ser é alegria e paz. Mas quando o ser se esquece de si mesmo, então ele busca paz e alegria fora. Tenta obter isso dos relacionamentos, das atividades, dos pensamentos. Mas esse tipo de alegria não pode durar.

Então primeiro, encontre a si mesmo. Chegue ao completo reconhecimento, à clareza irrefutável, e então você pode desfrutar dessa atividade.

Então o amor estará fluindo a partir de você. E quando você vê outros seres, você não se importará nas diferenças das estórias, você vai olhar diretamente para seus seres, e saber que vocês são Um. Isso não é apenas comunicação, mas comunhão. Satsang com Mooji - São Paulo 2009

14 de novembro de 2010

A Realidade do Amor...



"O real amor não é possessivo.
O real amor é um relaxamento no presente.
O real amor é um suspiro da realidade, apontando para a beleza de cada ínfimo instante.
O real amor nunca termina, está sempre pulsando, está sempre aqui e agora.
O real amor pode ser despertado de inúmeras formas.
A meditação é uma delas.
O relacionamento é uma outra forma.

Todo relacionamento é uma porta para Deus.
Você percebe que o outro é um convite da existência para você se dissolver no amor.
O outro é uma passagem para o presente do amor.
E quando você penetra fundo no outro, o que descobre é o derretimento do amor.
Porque em verdade, a essência do outro é amor.
Nós estamos descobrindo o amor de muitas formas diferentes.
Mas sempre é o mesmo convite: reconhecer
o amor em todas as coisas."
Por Swami S. Naseeb www.naodual.blogspot.com

13 de novembro de 2010

Alcançando estrelas...


"Assim como a miséria pode ser contagiosa, a saúde também pode.
Uma pessoa iluminada está destinada a criar nos outros um desejo urgente, imediato, de possuírem a mesma luz.

Uma pessoa dançando e cantando com abandono vai certamente afetar outras pessoas porque elas também estão carregando a mesma canção oculta, a mesma dança — elas também foram aleijadas pela sociedade.
Elas também têm os mesmos olhos para a beleza, mas foram cegas pela sociedade.
Elas também têm energia para celebrar, mas esta sociedade não acredita em celebração.

Esta sociedade é absolutamente insana. Ela acredita em dinheiro, acredita em poder, acredita em violência, estupros, homicídios. Ela acredita em toda espécie de crimes, acredita em toda espécie de ficções, mas não entende nem um pouco sobre si mesma.
No momento em que uma pequena janela se abre em você, você é um ser transformado. O novo homem nasceu em você. (...)

Divirta-se — esta existência é para o seu divertimento, é a sua existência, é a sua casa. Ninguém é pecador, exceto aqueles que não celebram.
Para mim, celebração é a unica virtude.
Você conheceu o inferno, agora você está entrando no céu. Todo mundo tem sofrido por muitas vidas no inferno. O inferno não está situado em nenhum ponto geográfico do mundo ou do Universo; ele está em sua mente distorcida.

E o céu é outro nome para a mente que transcendeu a si mesma e alcançou o estado de não-mente. Por isso a minha insistência contínua no silêncio.
Abençoados são aqueles que permitem a si mesmos serem contagiados com a festividade, com o amor, com a paz, com o silêncio e a celebração."
Osho, em "Após a Meia-Idade: Um Céu Sem Limites

12 de novembro de 2010

Não-lugar...


"Um monge bateu à porta de um mosteiro.

Outro monge abriu a porta e perguntou para aquele que estava chegando: “De onde você vem?” E o monge que chegava, respondeu: “Para onde você vai?”

São duas perguntas: “De onde você vem?” e “Para onde você vai?”.

Eles, então, sorriram, fizeram ‘Namastê’ um para o outro e a porta foi aberta.
Qual é o sentido que isso tem para você? Qual é o sentido que isso tem para o senso comum?
Dentro do contexto histórico de um mosteiro Zen, eu não venho de lugar nenhum e você sabe que eu venho daquele lugar de onde você também vem.
Ou seja, ninguém vem, ninguém vai.

Porque Aquilo que você verdadeiramente é, não vem de lugar nenhum, nem vai para lugar nenhum.
Aquilo está sempre no mesmo lugar e, por incrível que pareça, não é um lugar, é a ausência de lugar. É um "não-lugar"
Não-lugar por Satyaprem

Aqui Satyaprem nos aponta para a verdade que nos escapa...
O Ser que nós somos verdadeiramente, é o TODO, é CONSCIÊNCIA, é o ABSOLUTO...
Aonde este Todo pode começar e terminar? Como sair dele, e voltar para ele? Existem idas e vindas? Como uma onda se extravia do oceano? Como o infinito pode ser cercado?

Se só existe o oceano da Existência, aonde se chega nele e se sai dele?
Isso tudo quem faz é a mente...que "acredita" que pode colocar divisões, parâmetros, linearidade na realidade...
Na verdade isso é ilusão, isso é Maya.

Nenhuma divisão cabe ao Todo.
Nenhum chegar, nenhum partir...somente o ficar, somente o Ser, somente o agora...
Tempo e espaço são ilusões da mente, que precisa de uma sequência de fluxo para compreender a realidade.
A consciência não precisa de nada disso, pois já é o Todo...não tem como não ser...
Aqui com esse conto Zen, Satya nos aponta essa consciência.
Aquele que vê não se engana mais. Não se deixa enganar pela mente que diz, eu vou, você vai, eu fui, você veio....de onde? :)
Se só um não-lugar é possível !
Amor
Lilian

11 de novembro de 2010

Imprevisibilidade...


"Se o roteiro de sua vida lhe fosse dado quando você estivesse chegando ao mundo - "Essa será sua vida; você se tornará violonista" - sua vida seria mecânica.

Somente o funcionamento de uma máquina pode ser previsto, o do homem não.
O homem é imprevisível.
O homem é sempre um canItálicoal aberto... uma fonte de mil e uma potencialidades.

Muitas portas se abrem e muitas alternativas se apresentam a cada passo - e você tem que escolher, você tem que sentir.

Mas, se você ama sua vida, será capaz de achar o que deseja."
Osho, em Criatividade - Liberando sua Força Interior

Vida com roteiro, ninguém quer, nem precisa!!
A grande beleza da vida é justamente a sua imprevisibilidade. Cada momento é Um momento. Cada cena, é Uma cena. Somos os atores desse infinito teatro da existência.
Quando começamos a "acreditar" que fazemos, que acontecemos....aí começam também os problemas !

Nossa mente não suporta essa imprevisibilidade...quer colocar as coisas em causa-efeito, isso-aquilo, agora-depois, quer que as coisas tenham lógica, sejam congruentes, sejam "arrumadas" e que façam sentido...
A existência não se preocupa com sentido nenhum. A existência É. (os adjetivos nós colocamos!)

A vida transcorre, numa sucessão infinita, energias flutuando daqui prá lá, de lá prá cá, e nesse oceano imenso de fatos, emoções, pensamentos, estamos todos nós, manifestando na dimensão física, essa imensidão energética, vibracional, além da forma...

Acordar para a verdade é se libertar desse "pseudo-controle" mental.
É simplesmente relaxar no presente, no agora, e se deixar acontecer...pois quer queiramos ou não, o momento presente vai acontecer mesmo...a existência é a verdadeira vontade, a única vontade...

Se dançamos com ela...criamos um céu dentro de nós....
Se dançamos "contra" ela...criamos um inferno...

Estar centrado na luz da consciência, é acolher no mais profundo do nosso ser, a grande vontade da existência, é ser também essa mesma vontade...enxergar as nuances luminosas, que nos apontam a escolha verdadeira, aquela que se adequa ao momento, se integra e nos faz crescer...tudo isso, momento a momento...instante a instante....
Por isso não existem regras pré determinadas, nem roteiros, nem mapas....
Isso nos torna maiores e mais luminosos, e principalmente mais conscientes, instante a instante...
Vida consciente é isso...
Amor
Lilian

9 de novembro de 2010

Transforme suas feridas...



"Todos já fomos feridos em nossa história de vida. Mas a minha experiência é: hoje em dia, muitas pessoas giram constantemente em torno de suas feridas.

Existe uma verdadeira mania de descobrir todas as feridas da infância para então poder remendá-las.
Atrás disso está a ideia da perfeição e do rendimento.

Achamos que deveríamos apagar todas as feridas com trabalho, deveríamos apagar em nós tudo o que torna doente. Mas esse caminho, leva a um beco sem saída. O verdadeiro caminho, consiste em nos reconciliarmos com nossas feridas. Para Hildegard von Bingen, a arte autogênese humana, consiste em serem nossas feridas transformadas em pérolas. Como se dá isso?

A transformação de minhas feridas em pérolas consiste para mim, em compreender minhas feridas como algo precioso. Lá onde estou ferido, também sou sensível para com as pessoas. Eu as entendo melhor. E mais: onde estou ferido entro em contato com o meu próprio coração, com meu verdadeiro ser.

Abandono a ilusão de ser absolutamente forte, sadio, perfeito. Assumo minha fragilidade. Isto me mantém vivo, e me torna mais humano, mais misericordioso e mais amável.

Lá onde estou ferido, lá também está meu tesouro.
Lá entro em contato com meu verdadeiro si-mesmo. Lá descubro também minhas capacidades.

Só o médico que já foi ferido pode curar, já diziam os antigos gregos.
A "transformação das feridas em pérolas" significa para mim, outra coisa mais: as feridas são um lugar da experiência de Deus.

Como compreender isso ? Tomo o exemplo do meu medo. Quando luto contra o medo, sou sempre perseguido por ele. Quando falo diante de Deus com meu medo e o admito, quando eu o interrogo sobre aquilo de que realmente tenho medo, qual é a verdadeira razão de meu medo, então penetro sempre mais fundo em meu medo; E com base em meu medo posso experimentar uma paz interior profunda. Com base no meu medo, posso sentir Deus, como aquele que me aceita com meu medo; Eu estou com meu medo em sua mão bondosa; Ou quando tomo minha suscetibilidade: eu a admito.

Apesar de meu caminho espiritual, ainda sou suscetível a críticas,a recusas, desconsiderações. Se eu me reconciliar com isso, minha suscetibilidade me levará cada vez mais fundo para dentro de meu coração ferido que anseia por amor, por aceitação incondicional.
Presumo então, no fundo do meu coração ferido, alguém que estende sobre mim, sua mão que me toca suavemente e me diz:

"Estou com você. Você não precisa ser tão forte como gostaria. Está bom assim. Você é precioso para mim exatamente como esta pessoa que você é. É exatamente assim que o amo."
Ansel Grün em O Livro da Arte de Viver.

Este belo texto de Anselm Grün, nos mostra aspectos bem interessantes.
A super valorização da dor, do sofrimento, do que já foi, do que já passou...enfim...uma mentalidade do passado...

Nossa vida é feita de momentos luminosos, de momentos sombrios...mas a vida é assim...luz e sombra, picos e vales...uma situação não é inteira se não contiver os dois fatores conjuntamente. Vivemos em uma dimensão onde o calor existe por causa do frio, o dia em função da noite, a alegria em relação a tristeza e assim vai...

O que podemos em relação a isso? Aceitar e transcender. Acolher e tirar lições.
O amor acolhe cada situação que a vida nos traz. Não temos controle, não estamos no comando, somos filhos da vida, a existência se manifesta como quiser. Nos resta acolher a cada instante, com a sua total unicidade e autenticidade, e de acordo com a consciência que manifestarmos naquele momento, dizer sim, tirar lições para nossa vida, e ir em frente...

Se ficamos remoendo, revivendo feridas, simplesmente por revive-las, para que nos sintamos mais adequados, nesta sociedade onde a felicidade parece incomodar, estamos no fundo nos auto-sabotando, e virando as costas ao momento presente, à pura presença, mais uma vez...

A dor acontece, é inevitável, mas o sofrimento é opcional...como já dizia o sábio...
Se ficamos presos as feridas do passado, é sinal que estamos atualizando mais e mais dor...isso não leva a lugar algum.

É importante que olhemos a vida com olhos abertos e coração acolhedor. Cada momento é uma obra divina da existência...seja ele qual for...e se nos acontece é para que cresçamos com aquilo.
Acolher a obra divina, sem julgamentos, e retirar lições e aprendizados, isso sim é a verdadeira oração...é transformar cada ferida numa pérola preciosa...e amorosa...
Amor
Lilian

7 de novembro de 2010

Comparações...


"Nunca se compare.
Comparação é uma doença, uma das maiores doenças.
E somos ensinados desde o inicio a comparar.
Sua mãe começa a comparar você com as outras crianças, seu pai também.

O professor compara você com o colega.(...) Desde o começo, fazem com que você se compare com os outros.
Essa é a maior doença: é como um câncer que destrói sua própria alma - porque cada individuo é único e a comparação não é possível.

Eu sou apenas eu mesmo, e você é apenas você mesmo. Não existe ninguém no mundo com quem você possa ser comparado.
Você compara uma calêndula, com um botão de rosa? Não compara.
Você compara uma manga com uma maçã? Não compara.
Você sabe que elas são diferentes! A comparação não é possível.

E o homem não é uma espécie, porque cada homem é único.
Nunca houve outro individuo como você antes e nunca haverá depois.
Você é totalmente único.
Este é seu privilégio, sua prerrogativa, uma benção de Deus. Ele o fez único.
Não compare. A comparação só traz problemas.

Se você for vítima dessa doença da comparação, naturalmente se tornará ou muito egoísta ou muito amargo; depende da pessoa com quem você se compara.

Se se comparar com aqueles que parecem maiores que você, superiores a você, melhores que você, ficará amargo. Você se tornará uma reclamação contra Deus, sentirá raiva. (...)
Se você se comparar com as pessoas que são de alguma maneira maiores que você, ficará amargo, muito amargo. Sua vida se tornará envenenada pela comparação.
Você estará sempre em estado de depressão, como se Deus o tivesse enganado, traído, como se o tivesse deixado na mão.

Ou se você se comparar com pessoas que são menores que você, em algum sentido inferiores a você, então se tornará muito egoísta. (...)
Mas um homem que compreende a unicidade de cada indivíduo pode ser religioso, só pode ser religioso, pois sente imensa gratidão por tudo o que Deus lhe deu.
Se você não fizer comparações, então não será maior nem menor, nem feio nem bonito, nem inteligente nem estúpido.

Se não fizer comparações, você será simplesmente você mesmo.
E nesse estado em que você é simplesmente você mesmo, surge a primavera, aparecem as flores, porque uma profunda aceitação da vida e uma profunda gratidão a Deus ajudam a atrair a primavera."
Osho em Filhos do Universo.

6 de novembro de 2010

A Onipresença de Deus...


"Como você sabe por sua própria experiência, a busca da felicidade pode enveredar por vários caminhos. De maneira instintiva, pode ser uma busca de prazer, conforto, segurança, ou uma busca de alguma posição conhecida na multidão humana.

Geralmente, quando atingimos um determinado nível de sucesso em termos de prazer, conforto, segurança e posição, reconhecemos que nenhuma dessas coisas satisfaz verdadeiramente este comando profundo, este clamor mais profundo por felicidade.
Podemos até ter momentos de linda revelação e certamente momentos de prazer, porém, ainda assim, geralmente por baixo de tudo isso está o medo de que nunca venhamos a encontrar paz permanente ou felicidade verdadeira.

Ou o medo de perdermos qualquer paz ou felicidade que tenhamos atingido causa-nos tensão e contração já que constantemente procuramos nos apegar. Normalmente sentimos uma profunda desconfiança de que a paz e a felicidade sejam realmente possíveis.

Às vezes, numa vida abençoada, surge o clamor pela busca espiritual, pela busca de Deus, pela busca da verdade. Reconhecemos que o normal significa “não dê ouvidos a esse comando”. Deixamos de lado o que chamamos de “vida mundana” e voltamo-nos para uma vida espiritual.

Infelizmente, o mesmo condicionamento que dirigia a vida mundana geralmente tenta dirigir a vida espiritual igualmente e então se torna uma busca de prazer espiritual, conforto espiritual, conhecimento espiritual ou segurança espiritual.

Mais cedo ou mais tarde, você terá que se desiludir com essa busca também.

Você encontra prazer, obviamente; alcança espaços de êxtase; sente-se seguro quando percebe que Deus ou a verdade está presente e sente-se confortado quando se sente amparado por essa presença. Porém, até reconhecer que jamais esteve separado dela, você será continuamente impelido a encontrá-la nalguma outra parte, a encontrar Deus, baseado na crença ou na esperança de que Deus vá lhe dar felicidade.
Esta crença ou esperança fundamenta-se numa compreensão bem infantil do que seja Deus – uma coisa, uma força, um lugar que lhe possam conceder prazer, conforto e segurança eternos.

Descobri que na verdade é impossível encontrar a felicidade.
Enquanto estiver buscando encontrar a felicidade “nalgum lugar”, você estará ignorando o que é felicidade.
Enquanto estiver procurando encontrar Deus nalgum outro lugar, você estará ignorando a verdade essencial de Deus, que é onipresença. Quando busca encontrar felicidade nalgum outro lugar, você está ignorando a sua verdadeira natureza, que é felicidade.
Você está se ignorando.

Eu gostaria de lhe oferecer o convite e o desafio de você parar de se ignorar e simples, radical e absolutamente ficar quieto – deixar de lado, por um momento apenas, todas as suas idéias de onde está Deus, ou de onde está a verdade, ou de onde você está.
Pare de olhar para qualquer lugar.
Pare de buscar.
Simplesmente seja/esteja.

Não estou falando de ficar num estupor ou de entrar em transe, mas de entrar mais fundo no silêncio do seu coração, onde a revelação da onipresença pode revelar-se como a sua verdadeira natureza.
Estou lhe pedindo para ficar quieto em pura presença.
Não criar isso, nem sequer o convidar, mas simplesmente reconhecer o que está sempre aqui, quem você sempre é, onde Deus sempre está.

Neste momento, por mais que você esteja buscando, pare.
Quer esteja buscando paz e felicidade num relacionamento, num trabalho melhor, ou mesmo na paz mundial, apenas por um só momento pare absolutamente.

Nada há de errado com essas buscas, mas, se você está engajado nelas para obter paz ou obter felicidade, você está ignorando a base de paz que já está aqui.
Uma vez que você descubra esta base de paz, então quaisquer buscas em que você se engaje serão informadas por esta descoberta.
Então o que você descobriu você trará naturalmente para o mundo, para a política, para os seus relacionamentos.
Esta descoberta tem ramificações complexas e infinitas, mas sua essência é muito simples.

Se você parar com toda atividade, só por um instante, nem que seja por um décimo de segundo, e simplesmente ficar completamente quieto, reconhecerá a intrínseca amplidão do seu ser, que já é feliz e está em paz consigo mesmo.

Por causa do nosso condicionamento, normalmente desconsideramos esta base de paz com um imediato “Sim, mas e a minha vida? Tenho responsabilidades. Preciso me manter ocupado. O absoluto não se relaciona com o meu mundo, minha existência”.
Esses pensamentos condicionados apenas reforçam mais condicionamento.

Porém, se você tirar um momento para reconhecer a paz que já está viva dentro de si, então, na verdade, você terá a escolha de confiar em todos os seus empenhos, em todos os seus relacionamentos, em todas as circunstâncias da sua vida.

Não significa que a sua vida estará isenta de conflitos, desafios, dores ou sofrimentos. Significa que você terá reconhecido um santuário onde a verdade de você mesmo está presente, onde a verdade de Deus está presente, independentemente das circunstâncias físicas, mentais ou emocionais da sua vida.

Este é um convite para o centro do seu ser.
Não se trata de religião ou ausência de religião.
Não se trata sequer de iluminação ou ignorância.
Trata-se da verdade sobre quem você é, a qual está mais próxima e mais profunda do qualquer coisa que se possa nomear.
A qualquer momento, numa fração de segundo, há a possibilidade de reconhecer a ilimitada, infinita e eterna verdade divina de você mesmo.

Diferentes culturas espirituais têm dado nomes diferentes a experiências da verdade.
Céu, nirvana, ressurreição, iluminação, satori, samadhi – todos são nomes que apontam para esta beleza divina suprema, inominável, vazia de sofrimento e preenchida pela graça.(...)
Se você não conseguir reter na memória uma só palavra sobre isso, simplesmente perfeito!
Meu mestre me dizia que o ensinamento mais verdadeiro é como um pássaro a voar no céu: não deixa rastros que possam ser seguidos, todavia não se pode negar sua presença."
Gangaji em The Diamond In Your Pocket

5 de novembro de 2010

A Paz Interior...

Sobre a Existência...


"A Existência é totalmente imparcial.

Se você projetar ódio, tristeza, ela não terá outra saída a não ser refletir isto.

O espelho da Existência não é como aqueles espelhos dos parques de diversão que distorcem a imagem refletida. O espelho da Existência é mais puro e cristalino que o espelho do telescópio Hubble. Ele reflete exatamente aquilo que encontra em sua frente.

Neste sentido a Existência é imparcial. Mas por outro lado ela é totalmente parcial também!
Pois ela devolve exatamente aquilo que o indivíduo projeta.

Você pergunta se a Existência é amorosa? Se você quiser que ela seja amorosa então torne-se um devoto!!
Se você estiver temeroso, a Existência lhe mostrará vários motivos para ter medo. Se você for amoroso então até na mais "temerosa" das situações você vai encontrar por trás, escondido, o fio do Amor! Os caminhos são basicamente dois.

Ou você começa desenvolvendo o Amor e termina na Consciência.
Ou você desenvolve a Consciência e termina no Amor.

O meu caso em particular foi o segundo. Neste caso específico você nunca trabalha diretamente com o Amor.
O Amor acontece junto com o desenvolver da Consciência. E este efeito somente fica estável no final.
O Amor seria o efeito de uma Consciência pura, uma Consciência sem condicionamentos, uma Consciência sem temor!

Querido amigo, não tente ser um devoto! Somente relaxe em sua busca.
Medite sem expectativas de atingir a Iluminação ou de ser um devoto cheio de Amor. Simplesmente relaxe em sua simplicidade, em sua ordinariedade.
Investigue mais e mais fundo as origens do temor. Mergulhe no temor. Seja o temor. Trema com este temor.
E então, depois de você ter se transformado totalmente neste temor, você poderá me responder: como próprio temor pode temer algo?
A única coisa que o temor poderia temer seria a ele mesmo. O próprio temor!
E quando este momento chega, do temor temer a si mesmo ele automaticamente transforma-se em Amor.

A alquimia completa-se.
Então um Devoto nasce!
Diálogos com Swami Nirav Kanan

4 de novembro de 2010

O Amor e o ego...


"O amor não é seletivo, assim como a luz do sol não é seletiva.
Não torna ninguém especial.
Não é exclusivo.
A exclusividade não tem a ver com o amor de Deus, mas com o “amor” do ego.
Entretanto, a intensidade do amor pode variar.

Pode haver uma pessoa que atue como um espelho do amor que você dirige a ela e que o devolva de modo mais claro e mais intenso do que outras e, se essa pessoa sente o mesmo em relação a você, pode-se dizer que as duas têm um relacionamento amoroso.

O vínculo que liga as duas pessoas é o mesmo vínculo que nos liga à pessoa sentada ao nosso lado no ônibus, ou a um pássaro, a uma árvore, a uma flor.
Só o que diferencia é o grau de intensidade com que o sentimos.
Mesmo em um relacionamento tido como viciado, podem existir momentos em que alguma coisa mais real se destaca, algo além das necessidades doentias do casal.

São momentos em que a sua mente e a do outro cedem por um curto período e o sofrimento do corpo fica, temporariamente, adormecido.
Isso pode acontecer durante uma relação física mais intensa, ou quando o casal está presenciando o milagre do nascimento de uma criança, ou na presença da morte, ou quando um dos dois está seriamente doente, ou qualquer coisa que faça a mente perder a força.

Nessas ocasiões, o Ser, normalmente escondido debaixo da mente, se revela e torna possível o verdadeiro entendimento.

O verdadeiro entendimento é uma comunhão, a realização da unidade, que é o amor.
Normalmente, esse entendimento desaparece rapidamente.
Tão logo a mente e a identificação da mente reaparecem, deixamos de ser quem somos e voltamos a brincar e a representar para satisfazer as necessidades do ego.

Voltamos, de novo, a ser uma mente humana, fingindo ser um ser humano, interagindo com outra mente, representando um drama chamado “amor”.

Embora possa haver curtos lampejos, o amor não consegue florescer, a menos que estejamos permanentemente livres da identificação com a mente e que a presença seja bastante intensa para dissolver o sofrimento do corpo.
Assim, o sofrimento não consegue nos dominar e destruir o amor."
O Amor por Eckhart Tolle

3 de novembro de 2010

Uma garrafa no Oceano...


"O homem é como uma garrafa cheia de água, fortemente arrolhada, lançada no meio do Oceano. Tem dentro de si a mesma substância de que é feito o Oceano, mas a sua mente (a rolha) o impede de tornar-se Uno com essa imensidão" Sri Ramakrisna

Essa imagem criada pela garrafa fechada, cheia de água do oceano, boiando em pleno Oceano...o que nos aponta?

O que nos faz nos sentirmos tão miseráveis e abandonados, e infelizes nessa vida?
O que nos impede de vivermos em pleno êxtase e alegria pura, felizes pelo presente, e abandonados em profunda confiança e gratidão?

A resposta é simples: A mente iludida pela separação...ou aqui no nosso texto...a rolha da garrafa!!
O Todo, ou Existência, ou Deus, como quiserem chamar é sempre Um, Absoluto e Total!!
O fato de sermos "diferentes" uns dos outros, de existirem "muitas" formas, "muitos" seres, "muitos" pensamentos, "muitas" emoções....o fato da existência ser tão rica e plural, não significa que deixou de ser manifestação do mesmo Deus....reflitam sobre isso...

O mesmo Deus, Todo, Existência que lê esse texto, é o mesmo Deus, Todo, Existência que escreveu essas palavras, é o mesmo Deus, Todo, Existência que realiza, faz, pensa, canta...enfim só Deus, Todo, Existência existe...

A mente é inerente a cada ser humano, e só através da mente, podemos ir além da mente...e com isso realizarmos o ápice da criação, o ápice da existência que é conhecer quem nós somos na verdade...isto é retirar a rolha da garrafa, é sair da ilusão de que a água do oceano dentro e fora da garrafa estiveram separadas um dia...isto é alcançar o estado de não-mente...é tomar consciência de que nossa dimensão verdadeira sempre foi e sempre será o Oceano...pois só existe o Oceano...seja "dentro", seja "fora" da garrafa...

Enxergar isso é alcançar a iluminação...é perder todos os "limites", é nadar no infinito do amor, da paz e do silêncio absolutos, em profunda e total gratidão...a garrafa foi finalmente aberta... :)
Amor
Lilian
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