28 de novembro de 2010

O Céu interior...


"Para se conhecer a Existência, todas atitudes fixas devem ser abandonadas.
Seus olhos devem ser janelas, não projetores.

Seus ouvidos devem ser apenas portas, não projetores. (...)
Hoje em dia ninguém ouve ninguém. Você ouve o que espera ouvir. A expectativa funciona como um par de óculos. Seus olhos deveriam ser janelas - esta é a técnica.

Nada deve sair de seus olhos, porque se algo sai, uma nuvem é criada. Então você vê coisas que não existem e sofre sutil alucinação. Faça com que em seus olhos o ouvidos haja pura claridade.

Todos os seus sentidos deveriam estar claros, sua percepção pura - só então a Existência poderia ser-lhe revelada.
Quando conhecer a Existência, saberá que você é um Buda, um deus, porque na Existência tudo é divino.

Contemple primeiro o céu. Deite-se no chão e fique apenas olhando para o céu. Só uma coisa deve ser tentada: não olhe para nada. No início você cairá muitas e muitas vezes, esquecerá muitas e muitas vezes; você não poderá se lembrar continuamente, mas não se sinta frustrado; isso é natural, sendo o hábito tão antigo como o é. A cada vez que se tornar a lembrar, retire seus olhos do foco, faça com que fiquem soltos e olhe apenas o céu - sem fazer nada, olhando apenas.

Depressa chegará o momento em que você poderá olhar o céu, sem tentar ver alguma coisa ali.

Nesse momento tente isso com o céu interior.

Feche os olhos, então, e olhe para o interior, sem procurar coisa alguma, com o mesmo olhar ausente. Os pensamentos flutuam, mas você não procura por eles, nem olha para eles - está simplesmente olhando.

Se vierem, será bom, se não vierem, também será bom. E daí, será capaz de ver as brechas: um pensamento passa, passa também um outro - e a brecha. Então aos poucos, poderá ver o pensamento tornar-se transparente; mesmo quando o pensamento estiver passando você continuará a ver a brecha, você continuará a ver o céu escondido atrás das nuvens.

E quanto mais se tornar sincronizado com essa visão, mais pensamentos irão tombando, aos poucos diminuindo, e diminuindo, diminuindo. As brechas se tornarão mais largas: durante alguns minutos não haverá pensamentos; tudo se fará silencioso e quieto, interiormente- estão juntos o céu exterior e o céu interior, unidos pela primeira vez.

Tudo parecerá absolutamente beatífico, não haverá perturbação. E se essa maneira de ver se tornar natural em você - e tornar-se é uma das coisas mais naturais, basta desfocar, descondicionar.(...)

Itálico
O estado de Buda significa o mais alto despertar. Quando não há distinções, quando todas as divisões se perderam, atinge-se a unidade e só o um permanece. (...) Não, você não diz que o um permanece, mas que o dois desapareceu, que os muitos desapareceram. Agora o que existe é uma vasta unidade; já não há fronteira para nada.

...uma árvore fundindo-se em outra árvore, a terra fundindo-se nas árvores, ás árvores fundido-se no céu, o céu fundindo-se no além...

Você fundindo-se em mim, eu em você... Tudo fundindo-se...as distinções perdidas, desfazendo-se imergindo, como ondas, em outras ondas...uma vasta unidade vibrando, viva, sem fronteiras, sem definição, sem distinções...o sábio fundindo-se no pecador, o pecador fundindo-se no sábio...o bom tornando-se mau, o mau tornando-se bom...a noite fazendo-se dia e o dia fazendo-se noite...a vida desfazendo-se na morte, e a morte novamente modelando a vida...Então tudo se tornou um....

Só nesse momento é que o estado de Buda é obtido: quando nada há de bom, nada há de mau, nem pecado, nem virtude, nem trevas, nem luz, nada, nenhuma distinção...

As distinções existem por causa de seus olhos treinados.
A distinção é algo aprendido.
A distinção não existe na vida.
A distinção é projetada por você.
A distinção é dada ao mundo por você - não está nele."
Osho em Tantra a suprema compreensão.

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