31 de julho de 2011

Perfume da alma...



O perfume era de uma fragrância inesquecível.
Tinha o aroma do lótus purpura,
E a delicadeza do jasmim.
Era fresco como a brisa da manhã,
Embalado pelo doce e sempre alegre
Canto dos bem-te-vis...

O céu era claro,
As ondas calmas
E o perfume perpassava pelas ruas e alamedas
Livremente...

Todos ali sentiam algo delicioso no ar,
Era impossível não ficar inebriado nesse clima,
Nem deixar de sentir na alma esse frescor...
Profundamente...

Suspiros,
Lágrimas,
Sorrisos,
Sentimentos leves e olhares se misturavam ali.
Os passos retardavam,
O coração batia mais forte,
E o mesmo sentimento de buscar aquilo,
Tentar entender o que se passava naquele lugar,
Que era diferente dos outros lugares,
Mas olhando assim, nada de diferente se encontrava,
Só dentro, algo radiante acontecia...
Verdadeiramente...

O perfume continuava,
O encantamento...também...
O tempo havia parado,
O sol se tornou poente,
A lua se pôs a nascer,
E logo logo, o céu estava qualhado de estrelas,
Uma mais brilhante que a outra...

Os passos se tornaram escassos,
As vozes se tornaram silêncio,
Os pássaros foram dormir em seus ninhos...
O perfume continuou ali...
Simplesmente soprando junto com a brisa da noite,
Acalentando invisível os sonhos daqueles que dormiam tranquilos...

O perfume continuou ali,
Calmamente...
Amorosamente...
O perfume continuou ali,
Indefinidamente...
~Lilian

Não dualidade...


"Não dualidade é ver através do sonho do aparente estado de separação.
Não existem indivíduos ou objetos separados.

A crença de que somos todos separados uns dos outros é a causa de todo sofrimento. Como no filme "The Matrix", as coisas que parecem "reais" não são o que parecem.
Não existe um "lá fora" - ou mesmo passado ou futuro; apenas isto que se apresenta no momento.

Para que serve a Não dualidade, e como ela se encaixa no sofrimento?
Não existe uma resposta, e a Não dualidade não "serve" para nada. Existe APENAS a VERDADE.
E a verdade é que todas as coisas assim chamadas "más" nunca aconteceram para um "você".

Quem você é realmente, é espiritual em substância.
Não há verdade na matéria.
O seu verdadeiro Ser é totalmente benígno e perfeito. Você não tem um "ego" humano. E não ter um "ego" significa não ter sofrimento."
Mandi Solk em Não dualidade

29 de julho de 2011

Vôos internos...




"Eu estava triste, o coração apertadinho, o tempo chuvoso no rosto. O pensamento andando em círculos em torno de um único ponto. Na berlinda, um daqueles problemas que a gente precisa resolver, mas não tem a mínima ideia de como. Daquele tipo espaçoso, metido à besta, que diz ser maior do que nós e a gente quase acredita. Todo mundo se depara com um mentiroso desses, de vez em quando. Eles não são seletivos, batem em tudo o que é porta. Astutos, encontram um jeito para entrar mesmo quando tentamos impedir. Alguns nem são novos como o impacto do desconforto faz parecer. Reaparecem, de tempos em tempos, com novidades da versão atualizada do seu programa. Novidades que, às vezes, tornam um pouco mais complicado o que já era difícil.

Eu estava lá há um tempão, olhando para o dito cujo, assustada como um passarinho que se flagra num alçapão. Não conseguia ver um fiapo que fosse de outra coisa qualquer além dele. Problema espaçoso, metido à besta, é assim: se a gente lhe der muita confiança, ele monopoliza o tempo do nosso olhar sem nenhum constrangimento. Mas, de repente, eu cansei do cativeiro. Da tristeza. Do aperto. Da chuva no rosto. Por algum lampejo de lucidez, percebi que nada daquilo me ajudaria a solucioná-lo naquele momento, embora fosse o que eu mais quisesse. Só se o gênio da lâmpada aparecesse ali e me concedesse um pedido, mas como a lâmpada mais próxima ficava no lustre, desconfiei não poder contar com aquela alternativa. Foi aí que peguei meu violão.

Comecei a tocar meio desanimada, cantarolando uma música aqui, outra ali, a voz ainda atrapalhada pelos respingos da tristeza, mas sem me importar com o detalhe de não saber tocar nem cantar de verdade. Depois de alguns minutos, envolvida com a brincadeira, eu já não sentia tão intensamente o peso do tal problema, aquele que eu não poderia resolver de uma hora pra outra. Não demorou para que o meu coração ficasse mais solto e o tempo chuvoso me desse uma trégua. Não foi mágica, apenas uma mudança consciente de foco. Troquei de canal para levar minha vida pra passear um pouco. Para soprar algumas nuvens. Para respirar melhor. Ao permitir que o pensamento se dissipasse, abri espaço para mudar meu sentimento. O problema continuava no mesmo lugar; eu, não. Nós nos encontraríamos outras tantas vezes até que eu pudesse solucioná-lo, mas eu não precisava ficar morando com ele enquanto isso.

Os pensamentos preparam armadilhas pra gente. Ao cairmos nelas, nos enredamos de tal maneira que esquecemos ser capazes de sair de lá. A vastidão da nossa alma fica reduzida a um cubículo, como se não tivesse espaço suficiente para abrigar uma variedade de sentimentos. Passamos a nos comportar como se tivéssemos apenas um lápis de cor e não a caixa inteira. Nós nos apegamos a alguns pensamentos e lhes conferimos exclusividade. Nós lhes damos o cetro e a coroa e afirmamos o seu poder sobre as nossas emoções. Ficamos presos neles, feito passarinho quando cai no alçapão. A diferença é que, por mais que tente, ele não pode sair de lá sozinho, ao contrário de nós. Passarinho tem asas do lado de fora. A gente, do lado de dentro.
Ana Jácomo

28 de julho de 2011

Dentro é agora...



"A mente propõe a lógica de que precisamos de tempo para chegar onde idealizamos.

Baseada na ideia de que as coisas acontecem através de um desenvolvimento no tempo, ela considera que se algo errado foi feito, o mesmo tempo levado para a realização será necessário para a correção do erro. Digamos que você tenha cometido um engano por vinte anos...

A lógica da mente é que você precisa de mais vinte anos para corrigí-lo. Mas isso é verdade?

Proponho que você seja absolvido desse processo. Note que está perdendo tempo e, principalmente, questione-se a respeito do que está tentando corrigir. Você ainda tem a ideia de que corrigindo seus erros se tornará puro e entrará finalmente no agora.
Mas a noção de evolução espiritual é uma história contada pelo ego; é uma história contada pelo pequeno você – é ele quem inventa as histórias, as religiões, as seitas... e, claro, se reinventa freneticamente.

O pequeno você não quer morrer de maneira nenhuma, mas estou aqui para propor que ele desapareça, apresentando uma única seta: olhe para dentro e veja se dentro você encontra algum “eu”.

Antes de tudo, saiba que dentro é sinônimo de agora. Por isso reforço que somente agora é possível olhar para dentro. Mas você prorroga, acreditando que depois que terminar de pagar a última parcela do seu apartamento estará pronto para olhar para dentro; sem se dar conta de que qualquer conteúdo encontrável o leva a um outro lugar que não aqui, que não agora.

Note que mesmo quando você tenta meditar, ao fechar os olhos, um vasto conteúdo não examinado salta em seu campo de percepção.

A grande maioria das pessoas acredita e aplica que você deve examinar e eliminar esses conteúdos, enquanto Satsang nos diz que devemos apenas notar que todo o conteúdo provém do passado e que aqui e agora nem o passado e tampouco seu conteúdo tem a menor relevância."

O Medo da mudança...


"Toda a mudança gera medo, porque toda mudança o leva ao desconhecido, a um mundo estranho.

Se nada mudar e tudo permanecer estático, você nunca terá medo algum.
Isto significa que se tudo estiver morto, você não terá medo.

Por exemplo, você está sentado e existe uma rocha ao seu lado. Não há nenhum problema: você olha para a rocha e está tudo bem. De repente, a rocha começa a se mover; você fica assustado. Vivo!

Movimento gera medo; e se tudo estiver parado, não há nenhum medo. Eis porque pessoas, com medo de cair em situações temerosas, arranjam uma vida sem mudanças. Tudo permanece na mesma e a pessoa segue uma rotina morta, completamente esquecida de que a vida é um fluxo.
Ela permanece numa ilha própria onde nada muda. A mesma sala, as mesmas fotografias, a mesma mobília, a mesma casa, os mesmos hábitos, as mesmas camas - tudo na mesma.Entre isso, no meio dessa mesmice, a pessoa sente-se à vontade.

As pessoas vivem quase que em seus túmulos.
O que chama de uma vida conveniente e confortável não é nada senão um túmulo disfarçado.

Então, quando você começa a mudar, quando começa na jornada do espaço interior, quando se torna um astronauta do espaço interior, tudo está a mudar depressa, cada momento tremendo de medo. Desse modo, mais e mais medo precisa ser enfrentado.

Deixe o medo estar lá. Pouco a pouco começará a desfrutar tanto das mudanças que estará preparado a qualquer custo.

Mudanças irão dar-lhe vitalidade... Mais vivacidade, alegria, energia.

Então você não será como um poço - fechado por todos os lados, estático.
Você se tornará como um rio correndo em direção ao desconhecido, em direção ao oceano onde desaparece."
Osho em Meditações para o Dia

Este texto do amado Osho me faz lembrar do ensinamento de Buda: O caminho do meio.
Nada deve ser levado ao extremo, e sim sempre buscarmos o equilíbrio.
O aconchego é bom, aquilo que é conhecido, é bom? Sim é muito bom.
Mas o novo, o desconhecido também pode ser bom! Faz parte da vida, é inerente a nossa vida, a mudança...
A mudança nos coloca em constante adaptação, somos como que "provocados" em cada situação nova, e isso é uma maneira de colocar a mente em cheque, de deixá-la "insegura" mesmo com todo seus aquivos de memórias, o novo sempre surpreende, trás elementos que a mente não tem como prever, e isso é que é fascinante!
Quando finalmente percebemos e fazemos as pazes com o novo, com a mudança, fica claro que mudança é a constante da existência. Mesmo aquilo que aparentemente está imóvel, e imutável, se olharmos a nível atômico por exemplo, é puro movimento, pura mudança, mesmo longe do alcance da nossa visão.

O medo não é negativo em si. O medo é um aspecto, uma emoção básica, necessária até eu diria, para que possamos ser verdadeiramente inteiros.
O olhar acolhedor, simplesmente acolhe, seja lá o que for, e se não rotularmos o medo de "negativo", a alegria de "positiva", enfim, se apenas sentirmos as emoções que vierem, e aprendermos com elas, identificando que são formas-pensamentos, que vem e vão, continuaremos centrados na consciência que apenas observa, silenciosa e presente...

As mudanças existem, tem sua função, e fazem parte de uma engrenagem maior, que não temos controle nem conhecimento.

Desfrutemos daquilo que muda. Desfrutemos igualmente daquilo que permanece conhecido.
Sabendo que ambas são parte da existência, e ambas nos trazem ensinamentos únicos e valiosos para nossas vidas...
Amor
Lilian

27 de julho de 2011

Ancorados na impermanência...


"Esqueça de ir além do tempo e espaço, já que mesmo ir além dos elogios e críticas parece fora de alcance. Mas quando começamos a compreender, não apenas intelectualmente mas emocionalmente, que todas as coisas compostas são impermanentes, então nosso apego diminui. A convicção de que nossas posses e pensamentos são valiosos, importantes e permanentes começa a se soltar.
Se fossemos avisados de que temos apenas dois dias de vida, nossas ações mudariam. Não ficaríamos preocupados em deixar os sapatos paralelos, em passar ferro na roupa íntima ou colecionar perfumes caros. Poderíamos ainda fazer compras, mas com uma nova atitude.
Se soubermos, mesmo só um pouco, que alguns de nossos conceitos, sentimentos e objetos familiares existem apenas como um sonho, desenvolvemos um senso de humor muito melhor. Reconhecer o humor em nossa situação evita o sofrimento.

Ainda vivenciamos as emoções, mas elas não podem mais nos pregar peças ou nos iludir. Ainda podemos nos apaixonar, mas sem medo de ser rejeitado. Iremos usar nosso melhor perfume e creme facial em vez de guardá-los para uma ocasião especial. Assim, todo dia se torna um dia especial. "
Por Dzongsar Khyentse Rinpoche

26 de julho de 2011

Qualidade imensurável...o amor.


"Osho, como posso amar melhor?

O amor se basta, ele não precisa de melhorias. Ele é perfeito como é e de maneira nenhuma precisa ser mais perfeito.

O próprio desejo demonstra um mal-entendido a respeito do amor e de sua natureza. Pode-se ter um círculo perfeito? Todos os círculos são perfeitos; se eles não forem perfeitos, não são círculos.

A perfeição é intrínseca a um círculo, e a mesma lei diz respeito ao amor. Não se pode amar menos nem mais, pois ele não é uma quantidade. Ele é uma qualidade, que é imensurável.

Sua própria pergunta mostra que você nunca provou o que é o amor e que está tentando esconder sua falta de amor no desejo de saber “como amar melhor”. Ninguém que conhece o amor pode fazer essa pergunta.

O amor precisa ser entendido não como um encantamento biológico — isso é sensualidade e existe em todos os animais; nada há de especial nisso. Isso existe mesmo nas árvores; essa é a maneira da natureza se reproduzir. Nada há de espiritual nisso e nada especialmente humano.

Assim, o primeiro ponto é fazer uma clara distinção entre sensualidade e amor. A sensualidade é uma paixão cega; o amor é a fragrância de um coração silencioso, sereno e meditativo. O amor nada tem a ver com a biologia, com a química ou com os hormônios.

O amor é o voar de sua consciência para reinos mais elevados, além da matéria e além do corpo. No momento em que você entende o amor como algo transcendental, ele deixa de ser uma questão fundamental.

A questão fundamental é como transcender o corpo, como conhecer algo dentro de você que esteja além, além de tudo que seja mensurável. Esse é o significado da palavra matéria. Ela vem da raiz sânscrita matra, que significa medida; ela significa aquilo que pode ser medido. A palavra metro vem da mesma raiz.

A questão fundamental é como ir além do mensurável e penetrar no imensurável. Em outras palavras, como ir além da matéria e abrir os olhos para uma consciência maior. E não existe limites para a consciência — quanto mais você fica consciente, mais percebe o quanto ainda existe à sua frente.

Quando a pessoa atinge um cume, um outro cume surge à sua frente. Essa é uma peregrinação eterna."

Osho em Amor, Liberdade e Solitude.

O Universo nos olhos teus...


O Universo canta em nós uma canção,
Que não é uma canção conhecida,
É um ritmo diferente,
Que chega assim de repente,
E nos desperta para uma sempre nova dimensão...

As vezes nos deparamos com cenas tão interessantes,
Que os olhos e lábios simplesmente paralisam,
Ficam vidrados,
Fixados,
E num segundo percebemos toda a grandeza do instante,
Toda a beleza da cena,
Que nossa alma perfumada alça voos tão altos,
Que jamais será a mesma novamente.

As vezes a vida nos presenteia com encontros luminosos,
Encontros que nos despertam para o infinito que já havia em nós,
Mas que estava adormecido,
E bastava que a luz tocasse aquela dimensão,
Que de sombria se torna leve, radiante...vibrante...inebriante...

As vezes somos levados por caminhos que nunca imaginamos,
Palavras, sons e silêncio, tomam aspectos tão novos em nossas vidas,
Que dali para frente somos novas pessoas,
Novas almas,
Novos tudo...

As vezes encontramos nosso mais profundo, nos olhos de alguém,
Eramos conhecidos mesmo sem saber disso,
Nos enxergamos nos olhos, na alma de alguém,
E temos a certeza de que sempre fomos conhecidos do Universo,
Bem ali na nossa frente,
O Universo também vê pelos olhos teus...

25 de julho de 2011

O que muda com a meditação?


Outro dia me perguntaram: O que realmente muda em nós quando praticamos a meditação?

Pratico a meditação há mais ou menos 10 anos. Foi um início tão natural, que quando me dei conta, já meditava sem nenhum ensinamento. Conheci a Self-Realization, do amado mestre Yogananda, e aprendi algumas técnicas lindas, que me ajudaram a aprofundar ainda mais,
depois o amado Osho, com algumas técnicas mais suaves, que foram as que mais me identifiquei.
Daí que aos poucos fui naturalmente praticando o zazen, juntamente com a hatha yoga, e isso foi silenciando a mente gradualmente.

Num momento que nem sei dizer qual foi, simplesmente percebi que a mente já estava silenciosa, e esses se ampliavam cada vez mais, a ponto de permanecer silenciosa a maior parte do tempo. Numa não-atitude, o relaxamento acontece naturalmente, e mesmo em atividade a mente é clara e relaxada.
O Osho diz uma coisa bem verdadeira sobre a meditação, ele diz que a mente é como nossas pernas, nós precisamos delas para caminhar, correr, mas quando estamos sentados apenas descansamos nossas pernas e elas também descansam.
Nossa mente é a mesma coisa. Precisamos dela, trabalhamos, raciocinamos, enfim, mas vão existir momentos que ela precisa descansar, ficar relaxada, e isso é meditação. A mente relaxada, se torna mais brilhante quando é requisitada para pensar, trabalhar, pois está descansada, está recuperada, e não está fatigada nem entulhada de pensamentos inúteis...pelo contrário, está límpida e pronta para o trabalho que vier.

Converso com algumas pessoas que praticam a meditação, e os relatos são os mais variados, pois estão muito relacionados ao nível de consciência que ainda se apresenta.

Uns sentem que a meditação trouxe uma melhora do corpo, das funções orgânicas, hormonais, principalmente as mulheres, com suas disfunções mensais, outros relatam uma diminuição do stress, uma calma mais persistente, e uma clareza em resolver problemas urgentes, sem aquele desconforto do rebote que parece que alonga o sofrimento por horas, mesmo depois que o problema já foi resolvido. Outros me relatam que não sentem nenhuma mudança palpável, concreta, mas que se sentem diferentes, mais leves e menos preocupados com a vida, com os acontecimentos...só isso já muda toda a relação com a realidade...
Enfim, a meditação é um estado natural da mente, que aos poucos mais e mais pessoas começam a descobrir e praticar.
Não se trata de meditar para se alcançar alguma coisa, ou algum estado...mas apenas em mergulhar numa paz perene que já está ao nosso alcance, aqui e agora, e independe de qualquer coisa concreta, de qualquer veículo, é nossa natureza original, simples e presente..basta apenas que olhemos para dentro e permaneçamos presentes, conscientes e atentos para os espaços de não-pensamentos que acontecem entre um pensamento e outro, só isso.

A adequação da respiração, da postura, enfim, tudo isso vai acontecendo naturalmente, e cada um acaba por descobrir a maneira mais prazerosa e relaxada de praticar.

Não sinto que a meditação seja algo extraordinário, pelo contrário, é algo tão ordinário e simples, como respirar...
O que acontece é que na nossa cultura não aprendemos a meditar desde pequenos como no oriente, por isso, a grande maioria das pessoas desconhece esse recurso natural de relaxamento da mente, e por isso sofrem tantos distúrbios emocionais e mentais, indo muitas vezes cair em medicamentos, ou fugas que não funcionam por muito tempo...

Posso dizer que a meditação é algo que acontece dentro da gente naturalmente, acontece e quando nos damos conta, estamos meditando, estamos mergulhados em plena paz interior, sem nenhuma condição, sem nenhuma expectativa, sem nenhum isso ou aquilo, apenas estamos sendo...só isso...essa paz e esse silêncio se perpetuam além do tempo, além do lugar, além de qualquer coisa...
É apenas um estar em si mesmo, e o si mesmo é tudo que há...
Amor
Lilian

Mente livre...



"Todos os ensinamentos de Buda estão centrados na Mente, de onde incomensuráveis tesouros surgem. Todas as faculdades sobrenaturais e suas transformações reveladas na disciplina, meditação e sabedoria são suficientemente contidas em sua própria mente e nunca saem dela.

Todos os obstáculos em obter-se bodhi surgem das paixões que geram carma e são originalmente não-existentes.

Cada causa e cada efeito é apenas um sonho. Não há mundo triplo a abandonar nem nada a ser procurado. A realidade interna e a aparência externa do ser humano e das mil coisas são idênticas.

O Grande Caminho é ilimitado e transcende a forma. Livre de pensamento e de ansiedade. Agora você entendeu o ensinamento de Buda. Não há nada faltando em você e você não é diferente de Buda.

Não há outra maneira de obter o estado de Buda além de permitir sua mente ser livre em si mesma.

Não contemple nem tente purificar sua mente. Deixe que não haja apego nem aversão, ansiedade nem medo. Esteja completamente aberta e absolutamente livre de todas as condições. Esteja livre para ir em qualquer direção que queira. Não aja para fazer o bem, nem procure o mal.

Quer ande ou fique, sente ou deite, e seja o que for que aconteça a você, tudo são as maravilhosas atividades do Grande Iluminado.
Tudo é alegria, livre de ansiedade – isto é chamado Buda.”
Mestre Doshin

24 de julho de 2011

Investigando a própria mente...


"Pergunta: Como podemos nos libertar de nossa mediocridade?

Krishnamurti: Senhores, o que é uma mente medíocre? Não defina - pode-se achar facilmente uma definição no dicionário -, mas observe vossa mente e trate de descobrir por que é ela vulgar, medíocre.

Diz o interrogante que a tradição, os ideais e um certo senso de moralidade social mantinham ocupadas, de maneira virtuosa, as pessoas medíocres como ele. Ora, isso não era uma "maneira virtuosa", mas uma maneira tradicional. Fazer o que a sociedade manda não é virtude; é meramente atuar como gramofone, e isso nada tem em comum com a virtude.

Virtude implica liberação da avidez, da inveja, da ambição de poder, e que a pessoa fique só. Somente então pode-se falar em virtude. Atuar mecanicamente, porque durante séculos fostes educados para pensar de uma certa maneira e ajustar-vos a um certo padrão, isso não é virtude.

Que é então mediocridade? Não sabem? Não sabem o que é uma mente medíocre? Ora, isso é muito simples. A mente ocupada é uma mente medíocre. Com o que quer que esteja ocupada - Deus, bebidas, sexo, poder - ela é uma mente medíocre. Compreendem, senhores? A mente que pratica virtude de manhã à noite é uma mente ocupada, e portanto, medíocre já que está interessada em si própria.

Podem dizer: "Não estou interessado em mim mesmo; estou interessado na Índia"; mas isso é apenas transferir a própria identidade pra a uma coisa e ficar ocupado com essa coisa. Toda ocupação - com um livro, um pensamento, com qualquer uma dúzia de coisas - denota mediocridade, porque a mente ocupada não é uma mente livre.

Só a mente livre pode dar atenção a uma coisa e depois "soltá-la" - e isso é bem diferente de ficar ocupado com ela. A mente ocupada jamais pode ser livre.

Examinem vossa mente, para ver quanto ela está ocupada com vossos interesses, com vossa família, vosso emprego; da manhã à noite, nunca há um momento em que esteja vazia - o que não significa um estado de apatia, de vegetação, ou de devaneio. Isso não é vazio.
Quando a mente está ocupada, se cansa e se opõe a pensar vagamente noutra coisa - e isso é apenas outra forma de ocupação. Não é disso que estou falando.

A mente não ocupada se acha em extremo vigilante, mas não em relação a alguma coisa. Seu estado é de atenção completa; e no momento em que existe esse estado, há criação. Essa mente deixa de ser medíocre; quer viva na aldeia, quer na capital, já não está dominada pelos ditames da sociedade. Mas isso requer profunda investigação de si mesmo, e não complacência dos pequenos êxitos; é resultado de um trabalho realmente penoso para descobrir o motivo da ocupação mental.

Não estão vendo, que andam ocupados com os assuntos de outras pessoas porque você são as outras pessoas, não são vocês mesmos. Não se conhecem. Estão ocupados com coisas que vos disseram serem importantes, mas, se tiverem um sentimento real a respeito de uma dada coisa, verá que já não haverá ocupação.

O homem dotado de profunda sensibilidade não é uma pessoa medíocre; porém, quando procura expressar essa sensibilidade em palavras e faz muito "barulho" em torno dela, quando com essas palavras busca a fama, a notoriedade, dinheiro ou o que quer que seja, então ele se torna medíocre.

Assim, a investigação da mediocridade é uma investigação de vossa própria mente, e com ela descobrirá que a mente ocupada permanece sempre medíocre."
Krishnamurti em O homem livre

23 de julho de 2011

Otimismo x Pessimismo...



"Há duas atitudes que dividem as pessoas em dois perfis: a primeira é uma contínua queixa, a outra um constante sorrir.
A vida é a mesma, se a chamamos de boa ou má, correta ou incorreta, ela é o que é, e não pode ser de outro modo.
Existem aqueles indivíduos que se queixam de manhã a noite, e nunca tem fim suas lamentações. Outros queixam-se da saúde, de si próprios, e transformam suas vidas em uma sucessão de lamentos.

O magnetismo é uma coisa necessária a todos os seres. A falta de magnetismo torna a vida penosa. A tendência à depreciação por tudo, rouba-nos uma grande parte desse magnetismo que é tão necessário à vida.(...)
O mundo é um lugar onde não podemos entrar sem um passaporte, e esse passaporte é o magnetismo; aquele que for desprovido dessa força será rejeitado em toda parte.(...)
Por isso, devemos buscar sempre para o lado brilhante de tudo, especialmente para aqueles que procuram Deus e a verdade, para esses há alguma coisa a mais, ou seja, olhar o mundo e ver que através de todas as obras há Deus que é justo e perfeito e tornar-se-ão certamente mais confiantes.

A atitude de ver tudo com um sorriso, é indício de uma alma santa.
Um sorriso dispensado a um amigo, um sorriso a um inimigo mesmo, vencerá finalmente, pois essa é a chave que abre o coração do homem.

Como a claridade do sol exterior ilumina o mundo inteiro, assim a claridade do sol interior, se ele externasse, iluminaria a vida toda, apesar de todos os erros aparentes, apesar de todas as limitações.

Deus é felicidade. A alma é felicidade. O espírito é felicidade.

Não há lugar para tristeza no reino de Deus. Aquele que priva o homem da felicidade, o priva de Deus e da Verdade.
Pode-se começar a aprender a sorrir, apreciando as pequenas coisas boas que se introduzem pelo caminho de nossa vida e não dando muita atenção a coisas que não são tão boas.
Não nos preocupemos demais com coisas desnecessárias na vida, as quais nada mais trazem senão desgosto. E encarando a vida com uma atitude de espírito de esperança, com uma perspectiva otimista, o homem terá força para levar luz onde há trevas.

Bom humor é vida, mau humor é morte.
A vida atrai a morte repele.
A luz do sol que vem da alma, surge através do coração e manifesta-se no sorriso do homem; é realmente a luz dos céus. Nessa luz muitas flores crescem e muitos frutos amadurecem..."
Hazrat Inayat Khan em A mensagem Sufi III

22 de julho de 2011

Maturidade é amor...



"As qualidades de uma pessoa madura são muito estranhas.Em primeiro lugar, ela não é mais uma pessoa. Ela não é mais uma personalidade, um ego. Ela tem uma presença, mas não é mais uma pessoa.

Em segundo lugar, ela é mais como uma criança- simples e inocente.
É por esta razão que digo que as qualidades de uma pessoa madura são muito estranhas porque a palavra "maturidade" dá a impressão de que se é experiente, de que se é velho, idoso, impressão de que se é experiente, de que se é velho, idoso.
Fisicamente a pessoa pode ser velha, mas espiritualmente é uma criança inocente. Sua maturidade não é apenas a experiência ganha através da vida. Dessa forma, ela não seria uma criança e nem seria uma presença; ela seria uma pessoa experiente - com conhecimentos, mas não madura.

Maturidade nada tem a ver com suas experiências de vida. Tem algo a ver com sua jornada interior, com as experiências interiores. Quanto mais a pessoa se aprofundar em si mesma, mais madura ela será. Quando ela tiver alcançado o mais profundo centro de seu ser, ela será perfeitamente madura. Mas neste momento a pessoa desaparece, apenas uma presença permanece; o conhecimento desaparece, apenas a inocência permanece.

Para mim, maturidade é outro nome para realização.

Você chegou à realização do seu potencial. Tornou-o efetivo, atual. A semente floresceu após uma longa jornada.
A maturidade tem uma fragrância. Ela dá tremenda beleza ao indivíduo. Ela dá inteligência, a inteligência mais aguçada possível. Ela o transforma em amor e nada mais. Sua ação é amor. Sua inação é amor, sua vida é amor, sua morte é amor. A pessoa é apenas uma flor de amor.

O Ocidente tem definições de maturidade que são muito infantis. O Ocidente quer dizer com maturidade que você não é mais inocente, que você amadureceu através de experiências de vida, que você não pode ser enganado facilmente, que você não pode ser explorado; que você tem algo como uma sólida rocha dentro de você - uma proteção, uma segurança. Essa definição é muito medíocre - muito comum. Sim no mundo certamente você encontrará pessoas maduras desse tipo. Mas a forma que eu vejo a maturidade é totalmente diferente, diametralmente oposta a esta definição. Maturidade não fará de você uma rocha; ela o fará tão vulnerável, tão suave e tão simples! [...]
Maturidade para mim, é um fenômeno espiritual."
Osho em Após a Meia Idade, um Céu sem Limites

21 de julho de 2011

O Ser - Ramana




Quem sou eu, que não sou este corpo?
Sou o ser (que é imaterial, imutável e imperecível).

Quem sou eu, que não sou esta mente que pensa?
Sou o ser (que é serenidade e paz).

Quem sou eu, que não sou os cinco sentidos?
Sou o ser (que é silêncio e comunhão).

Quem sou eu, que não sou as emoções?
Sou o ser (que é ponderação e equilíbrio).

Quem sou eu, que não sou sensações?
Sou o ser (que é satisfação).

Quem sou eu, que não sou desejo, necessidade, vontade?
Sou o ser (que é plenitude)

Quem sou eu, que não sou passado, presente e nem futuro?
Sou o ser (que é atemporal, eterno).

Quem sou eu, que não sou ego, personalidade?
Sou o ser (que é tudo).

Quem sou eu, que não sou os papéis que represento?
Sou o ser (que é a verdadeira natureza, a verdadeira identidade).

Quem sou eu, que não sou individualidade?
Sou o ser (que é uno).

Quem sou eu, que não sou orgulho e vaidade?
Sou o ser (que é simplicidade).

Quem sou eu, que não sou insegurança e medo?
Sou o ser (que é luz)."
O Ser - Ramana Maharshi

Meditação e Religião...


"A meditação é um puro método científico. Na ciência você chama a isso de observação, observação dos objetos. Quando você se volta para dentro, é a mesma observação, mas dando uma volta de 180 graus e olhando para o interior. A isso chamamos de meditação. Não é preciso um deus, nem é preciso uma Bíblia. Você não precisa ter um sistema de crenças como pré-requisito.

Um ateu pode meditar como qualquer outra pessoa, porque a meditação é apenas um método para se voltar para dentro.

Você não acredita em Deus? Isso não é um obstáculo à meditação. Não acredita na alma? Isso também não é um obstáculo à meditação. Não acredita em coisa alguma? Isso também não é obstáculo. Você pode meditar, porque a meditação simplesmente diz como se voltar para dentro: não importa se ali existe ou não uma alma, se existe ou não um Deus.Uma coisa é certa: você existe. Quem é você? Entrar em si mesmo é meditação - entrar mais fundo em seu próprio ser.

Talvez ele seja apenas momentâneo; talvez você não seja eterno; talvez a morte ponha um fim a tudo. Não impomos nenhuma condição na qual você deva acreditar. Dizemos apenas que tem de experimentar. Simplesmente tente. Um dia, acontece: os pensamentos não mais estão presentes. E subitamente, quando os pensamentos desaparecem, o corpo e você estão separados - porque os pensamentos são a ponte. Através deles você se une ao corpo; esse é o elo. De repente você desaparece - você está presente, o corpo está presente, e há um abismo infinito entre os dois. Então você sabe que o corpo morrerá, mas que você não pode morrer. Isso não é algo como dogma, não é um credo; é uma experiência - incontestável. Nesse dia, a morte desaparece; nesse dia, a dúvida desaparece, porque , agora, você não tem que estar sempre se defendendo.

Ninguém pode destruí-lo, você é indestrutível. Aí surge a confiança, ela transborda. E confiar é estar em êxtase; confiar é estar em Deus; confiar é sentir-se preenchido. Por isso não digo para cultivar a confiança. Digo para experimentar a meditação".

19 de julho de 2011

Portais do Não Manifesto..



"Todas as noites, quando entramos na fase sem sonhos do sono profundo, fazemos uma viagem à região do Não Manifesto.

É nesse momento que cada um de nós forma uma só unidade com a Fonte. É da Fonte que retiramos a energia vital que nos sustenta quando retornamos ao manifesto, o mundo das formas separadas.
Essa energia é muito mais importante do que o alimento: "Nem só de pão vive o homem." Mas não se chega ao sono sem sonhos de um modo consciente.

Embora o corpo ainda esteja funcionando, "nós" já não existimos mais nesse estado. Você consegue imaginar o que seria penetrar no sono sem sonhos completamente consciente? E impossível imaginar, porque nesse estado não há conteúdo.

O Não Manifesto não nos liberta, a menos que sejamos capazes de chegar a ele de modo consciente. Essa é a razão pela qual Jesus não disse que a verdade nos libertará e sim que "conheceremos a verdade, e a verdade nos libertará".
Não se trata de um simples conceito de verdade. É a verdade da vida eterna além da forma, que só se conhece de um modo direto. Mas não tente ficar consciente no sono sem sonhos. E altamente impro­vável que você consiga. Na melhor das hipóteses, você pode permanecer consciente durante a fase do sonho, mas não além dela. É o chamado sonho lúcido, que pode ser interessante e fascinante, mas que não é libertador.

Portanto, use seu corpo interior como um portal de entrada para o Não Manifesto e mantenha-o aberto, de modo que você esteja em conexão com a Fonte em todas as situações.

Não faz diferença, até onde interessa ao corpo interior, se o seu corpo exterior é velho ou novo, frágil ou rijo. O corpo interior não tem um tempo. Se você ainda não é capaz de sentir o corpo interior, use um dos outros portais, embora, em última análise, todos sejam a mesma coisa.

O Agora pode ser considerado como o portal principal. É um aspecto essencial de cada um dos outros portais, inclusive do corpo interior. Não podemos estar em nosso corpo sem que estejamos intensamente presentes no Agora.

O tempo e o manifesto estão indissoluvelmente ligados, do mesmo modo como o eterno Agora e o Não Manifesto. Quando dissolvemos o tempo psicológico através de uma percepção intensa do momento presente, nos tornamos, direta ou indiretamente, conscientes do Não Manifesto. Diretamente, sentimos o Não Manifesto como o esplendor e o poder da nossa presença consciente, ou seja, sem conteúdo, apenas a presença. Indiretamente, temos consciência do Não Manifesto dentro e através do campo dos sentidos.

Em outras palavras, sentimos a essência de Deus em cada criatura, cada flor, cada pedra e concluímos que “Tudo o que é, é sagrado”. Essa é a razão pela qual Jesus, falando sobre a sua essência ou a identidade de Cristo, diz nas palavras de Tomé: “Rachem um pedaço de madeira; lá estou eu. Levantem uma pedra e me encontrarão ali”.

Um outro portal para o Não Manifesto é a paralisação do pensamento. Isso pode começar de um modo muito simples, ao prestar atenção à própria respiração ou olhar concentradamente para uma flor, em um estado de alerta total, de tal modo que não haja espaço para nenhum comentário mental ao mesmo tempo.
Existem muitas maneiras para criar um espaço no fluxo contínuo de pensamentos. É disso que trata a meditação. O pensamento pertence ao campo do manifesto.

A atividade mental contínua nos mantém aprisionados no mundo da forma e funciona como uma tela opaca que impede de nos tornarmos conscientes do Não Manifesto, conscientes da inexistência da forma e da eterna essência de Deus, tanto em nós mesmos como em todas as coisas e criaturas. Quando estamos intensamente presentes, é claro que não precisamos nos preocupar com a paralisação do pensamento, porque a mente para automaticamente. Essa é a razão pela qual eu disse que o Agora é um aspecto essencial de todos os outros portais.

A entrega, ou seja, o abandono de qualquer resistência mental e emocional ao que é, também é um portal para o Não Manifesto. A razão disso é simples, já que a resistência interior nos isola das outras pessoas, de nós mesmos e do mundo à nossa volta, fortalecendo a sensação de separação da qual o ego depende para sobreviver. Quanto maior a sensação de separação, maior a nossa dependência ao manifesto, ao mundo das formas separadas.

E, quanto maior a ligação com o mundo das formas, mais dura e impenetrável será a nossa identidade com a forma. O portal é fechado e somos afastados da dimensão interior, a dimensão do profundo. No estado de entrega, a nossa identificação com a forma se dissolve e se reveste de uma espécie de “transparência” e, assim, o Não Manifesto consegue brilhar através de nós.

Depende de nós abrirmos um portal em nossas vidas que nos conduza a um acesso consciente ao Não Manifesto. Entre em contato com o campo de energia do seu corpo interior, esteja intensamente presente, deixe de se identificar com a sua mente, entregue-se àquilo que é. Podemos usar todos esses portais, mas só precisamos de um deles.

Assim que um desses portais é aberto, o amor se apresenta para nós como uma “realização da sensação” de unidade. O Amor não é um portal.
Ele é o que vem através do portal até este mundo. Enquanto estivermos completamente envolvidos pela nossa identidade com a forma, o amor não pode existir. Nossa tarefa não é buscar o amor, mas sim encontrar um portal através do qual ele possa entrar."
Eckhart Tolle em O Poder do Agora

Criatividade é sua natureza...


"Quando a patologia desaparece, todo mundo se torna criador.

Deixe que isso seja entendido tão profundamente quanto possível: só as pessoas doentes são destrutivas. As pessoas saudáveis são criativas. Criatividade é um tipo de fragrância da verdadeira saúde. Quando uma pessoa é realmente saudável e íntegra, a criatividade vem naturalmente a ela, surge o desejo de criar.

Criatividade não tem nada a ver com nenhum tipo de atividade especial, com pintura, poesia, dança, canto — não tem nada a ver com nada em especial. Qualquer coisa pode ser criativa; é você que confere essa qualidade à atividade.

A atividade em si não é algo criativo nem sem criatividade. Você pode pintar um quadro sem criatividade, você pode limpar o piso sem criatividade, você pode cozinhar sem criatividade. Criatividade é a qualidade que você acrescenta à atividade que você está realizando. Ela resulta de uma atitude, de uma abordagem íntima — de como você vê as coisas.

Portanto, a primeira coisa a lembrar é: não restrinja a criatividade a nada em especial. É a pessoa que é criativa — e, se a pessoa é criativa, qualquer coisa que ela faça...

Mesmo quando ela anda você vê que em seu jeito de andar há criatividade. Mesmo quando ela senta em silêncio, sem fazer nada — mesmo sua inatividade será uma atitude criativa.

O Buda sentado sob a figueira sem fazer nada revela-se como o maior criador que o mundo conheceu.Quando você entender isso — que é você, a pessoa, que é criativa ou sem criatividade — então o problema de sentir-se como se você fosse alguém sem criatividade desaparece.

Nem todo mundo pode ser pintor — e também não há necessidade disso. Se todos fossem pintores, o mundo seria muito ruim; seria difícil viver! Nem todo mundo pode ser dançarino, e não há necessidade disso. Mas todos podem ser criativos. Qualquer coisa que você faça, se a fizer com alegria, se a fizer com amor, se a sua razão de fazê-la não for puramente econômica, ela será criativa. Se algo cresce demais dentro de seu ser, se ele o faz crescer, ele é espiritual, ele é criativo, ele é divino.

Você se torna mais divino à medida que se torna mais criativo. Todas as religiões do mundo têm dito que Deus é o criador. Não sei se ele é o criador ou não, mas uma coisa eu sei: quanto mais sua criatividade aumenta, mais divino você se torna.

Quando sua criatividade atinge o auge, quando toda a sua vida se torna criativa, você vive em Deus. Assim, ele deve ser o Criador, pois as pessoas criativas são as que mais próximo dele estão."
Osho em Criatividade, Liberando sua força interior

18 de julho de 2011

A Unidade em ação..




"Este ensinamento é a unidade de todas as coisas.

Quando vemos a unidade, o outro é o mesmo que nós somos.
Nós respeitamos o outro porque respeitamos a nós mesmos.
Nós cuidamos do planeta porque o planeta não está separado de nós.

Com esta compreensão, não há como fazer o mal e não ver que estamos fazendo para nós mesmos.
Nós não podemos mais nos ver como vítimas do mundo ou de Deus.
E também não há como fazer o bem sem percebermos que o amor que damos é exatamente o amor que recebemos.

Esta é a beleza da unidade.
Por isso, é um ensinamento precioso e divino.
Sim, ele pode começar no intelecto.
Mas se for compreendido profundamente, atinge o coração e liberta a mente.

O amor é a unidade em ação.
Quando eu e o outro somos um, toda a separação aparente não mais nos afeta do mesmo jeito.
Então nós sabemos claramente que os sentidos e a mente são aparências.
Mas a diferença é que eu não acredito mais nas aparências.
As aparências são expressões passageiras aparecendo naquilo que eu sou: consciência sagrada, divina e inominável.
Esta é a Suprema Bênção. A Suprema Compreensão.
Por isso os chamamos de Ensinamentos Sagrados.
Eles começam na mente, mas se forem meditados, refletidos, estudados e amados, mudam a sua vida para sempre, abrindo os olhos e o coração para tudo que há de mais belo que existe."

17 de julho de 2011

Deus e o Si mesmo...


"Deus e o Si mesmo são um e o mesmo Ser, a Verdade imanifestada.
Deus que é perfeição está além da mente.

Deus como perfeição que é, nada cria nem de nada participa, apenas a mente em movimento tenta copiar a perfeição, mas a perfeição não está no movimento nem na mutabilidade das coisas.

A mente tudo cria, tudo dá e tudo tira quando em movimento, quando imanifestada em contemplação vê e se une a Deus.
Assim como Deus e o Si mesmo são um e o mesmo, a mente é apenas uma em toda a criação, apenas com níveis de condicionamento diferentes.

Quando se está sem pensar e sem nada sentir "em contemplação" se está no Si mesmo ou em Deus que também é apenas um em toda criação como presença consciencial, apenas observando sem em nada interferir.

Por que a mente dá e tira?
Para que todos estejam em movimento e, é este movimento que a mantém liderando a si mesma refletida em toda a criação dela e para si mesma.
O ato de ser isto ou aquilo é o ego criado pelo movimento da mente e condicionado ao ganha e perde."
Kutastha Chaitanya em Nirav Kanan Encontros

16 de julho de 2011

O Sagrado além dos conceitos...



"O esclarecimento de que falo não é simplesmente uma realização, não simplesmente a descoberta de nossa verdadeira natureza. Esta descoberta é apenas o começo, o ponto de entrada em uma revolução interior. A realização não garante esta revolução, ela simplesmente faz com que seja possível.

O que é essa revolução interior? Para começar, a revolução não é estática, ela está viva, permanente e contínua. Ela não pode ser compreendida ou feita para caber em qualquer modelo conceitual. Nem há qualquer caminho para essa revolução interior, pois não é previsível nem controlável e tem uma vida própria. Esta revolução é uma ruptura com o velho, com as repetitivas, estruturas mortas de pensamento e percepção que a humanidade encontra-se presa. Dentro a realização da realidade última é um despertar repentino direto e existencial para a nossa verdadeira natureza que abre a porta à possibilidade de uma revolução interior.

Tal revolução requer um esvaziamento contínuo fora das antigas estruturas da consciência, e do nascimento de uma inteligência viva e fluida. Esta inteligência reestrutura todo o seu ser-corpo, mente e percepção. Esta inteligência corta a mente livre de suas estruturas antigas que estão enraizadas dentro da totalidade da consciência humana.Se a pessoa não pode tornar-se livre das antigas estruturas condicionadas da consciência humana, então ainda está em uma prisão.

Tendo um despertar para a nossa verdadeira natureza não significa necessariamente que haverá uma revolução em curso na forma como se percebe, age e reage à vida. O momento de despertar nos mostra o que é verdadeiro e real, em última análise, bem como revelando uma profunda possibilidade no caminho, de que a vida pode ser vivida de um estado indivisível e incondicional do ser.

Mas o momento do despertar não garante estas possibilidades mais profundas, como muitos que experimentaram despertar espiritual podem atestar.Despertar abre uma porta para dentro para uma profunda revolução interior, mas não garante que ela terá lugar. Se ocorre ou não depende de muitos fatores, mas nenhum mais importante e vital do que uma intenção sincera e inequívoca pela verdade acima e além de tudo. Esta intenção sincera em direção à verdade é o que todo o crescimento espiritual depende, em última análise, especialmente quando ela transcende todas as preferências pessoais, agendas e objetivos.

Essa revolução interior é o despertar de uma inteligência não nasce da mente, mas de um silêncio interior da mente, a única que tem a capacidade de erradicar todas as velhas estruturas da própria consciência. A menos que estas estruturas sejam desenraizadas, não haverá o pensamento criativo, ação ou resposta. A menos que haja uma revolução interior, nada de novo e fresco pode florescer. Só o velho, o repetitivo, será condicionado na ausência dessa revolução.
Mas o nosso potencial está para além do conhecido, além das estruturas do passado, além de qualquer coisa que a humanidade criou. Nosso potencial é algo que pode florescer somente quando já não estamos presos nas influências e limitações do conhecido. Além do domínio da mente, além das limitações da consciência condicionada da humanidade, encontra-se o que pode ser chamado de sagrado. E é a partir do sagrado que uma nova consciência e fluido é nascido que enxuga o velho e traz à vida o florescimento de uma expressão viva e indivisível do ser. Tal expressão não é nem pessoal nem impessoal, nem espiritual, nem do mundo, mas sim o fluxo e floração de existência além de todas as noções de self.

Então vamos entender que a realidade transcende todas as nossas noções sobre a realidade. Realidade não é nem cristã, hindu, judaica, Advaita Vedanta, nem budista. Não é nem dualista, nem não-dualista, nem espiritual nem não espiritual. Devemos vir a saber que há mais realidade e de sacralidade em uma folha de grama do que em todos os nossos pensamentos e idéias sobre a realidade

Quando percebemos a partir de uma consciência indivisa, vamos encontrar o sagrado em cada expressão de vida. Vamos encontrá-lo em nossa xícara de chá, na brisa cair, na escovação dos dentes, em cada momento de viver e morrer. Portanto, devemos deixar a coleção inteira de pensamento condicionados para trás e deixar-nos ser guiados pelo fio de silêncio interior em direção ao desconhecido, além de onde todos os caminhos fim, para aquele lugar onde vamos inocentemente ou não em todos, não uma vez, mas continuamente.

É preciso estar disposto a ficar sozinho, no desconhecido, sem nenhuma referência ao conhecido ou no passado ou a qualquer condicionamento. É preciso estar onde ninguém ficou antes em completa nudez, inocência e humildade.
Deve-se ficar na luz negra, naquele abraço sem fundamento, inabalável e fiel à realidade além de todas as identificações, não apenas por um momento, mas sempre sem fim. Pois então o que é sagrado, não dividido, o todo emerge na consciência e começa a se expressar."
Adyashanti em A Revolução Interior

15 de julho de 2011

O Medo e o Amor...


"Se ama profundamente, você não sente medo.
O medo é uma negatividade, uma ausência.
Isso tem que ficar profundamente entendido. Caso contrário, você nunca vai entender a natureza do medo.

É como a escuridão. A escuridão não existe, ela só parece existir. Na verdade, ela é só ausência de luz.
A luz existe; apague a luz e a escuridão aparece. A escuridão não existe, você não pode acabar com ela. Faça o que fizer, você não pode acabar com ela. Não pode trazê-la, não pode projetá-la.

Se quiser fazer alguma coisa com a escuridão, terá que fazer alguma coisa com a luz, pois só podemos estabelecer relação com algo que tenha existência própria.

Apague a luz e a escuridão se fará presente; acenda a luz e a escuridão desaparecerá — mas você fará algo com a luz. Você não poderá fazer nada com a escuridão.

Medo é escuridão. É ausência de amor.
Você não pode fazer nada com relação a ele, e quanto mais fizer mais amedrontado vai ficar, pois mais você achará impossível.
O problema vai ficando cada vez mais complicado. Quanto mais você brigar com a escuridão, mais sairá derrotado. Você pode empunhar uma espada e matar a escuridão: isso só servirá para deixá-lo exausto.
E finalmente a mente pensará, “A escuridão é muito poderosa, por isso me derrotou”.

É aí que a lógica falha. É absolutamente lógico — se você luta contra a escuridão e não consegue vencê-la, não consegue destruí-la, é absolutamente lógico pensar que a escuridão é muito, muito poderosa.
Você é impotente diante dela. Mas a realidade é justamente o oposto. Você não é impotente; a escuridão é impotente.
Na verdade, a escuridão não está ali, é por isso que você não pode derrotá-la. Como você pode derrotar alguma coisa que não existe?

Não lute contra o medo; do contrário, você ficará cada vez mais amedrontado e um novo medo invadirá seu ser: o medo do medo, que é muito perigoso.
Em primeiro lugar, o medo é uma ausência e, em segundo, o medo do medo é o medo da ausência da ausência. Então você enlouquece.

O medo nada mais é que ausência de amor. Faça algo com amor, esqueça o medo. Se você ama bastante, o medo desaparece. Se ama profundamente, você não sente medo.

Quando amou alguém, mesmo que por um único instante, você sentiu medo?

O medo não existe em nenhum relacionamento em que, mesmo que por um único instante, duas pessoas se amaram profundamente e aconteceu um encontro, elas entraram em sintonia — nesse momento não se sente medo.

É como se a luz simplesmente estivesse acesa e a escuridão desaparece — eis a chave secreta: ame mais.

Se você sente que existe medo em seu ser, ame mais.
Seja corajoso ao amar; tenha coragem.

Seja aventureiro no amor; ame mais e ame incondicionalmente, porque quanto mais você ama menos medo sente. E, quando eu digo amor, quero dizer todas as camadas do amor, do sexo ao samadhi."
Osho, em Coragem: O Prazer de Viver Perigosamente

14 de julho de 2011

O Corpo sofredor...



Hoje queria refletir com vocês sobre um vídeo de Eckhart Tolle, que me chamou muito a atenção: O corpo sofredor, ou o corpo de dor.
(coloco o link abaixo para vocês).

Neste vídeo, ele com sua clareza nos coloca frente a frente com algo tão palpável, tão comum nas nossas vidas, nosso dia a dia, que fica impossível não compreender o mecanismos que está por trás desse tão conhecido corpo sofredor.

Existe no mundo uma verdadeira indústria do medo, do terror, do negativo, que se alimenta da insegurança e da desconfiança das pessoas. Com isso, a estranheza coletiva aumenta, passa-se a se ver inimigo por todo lado, e a mente cria fantasias terríveis por onde passa.
Cenas cotidianas, passam a ter uma conotação de tragédia, e como se não bastasse, o que já era ruim pode piorar, sempre!

Eckhart nos aponta como o corpo sofredor é sedutor...e vai conduzindo aqueles que com ele se identificam a tramatizar mais e mais a sua própria vida e a dos outros. Tudo vira um grande drama, dores, sofrimentos, queixas, reclamações, negatividade...
Quando paramos e refletirmos sobre esse corpo sofredor, o que se vê na verdade, é uma grande encenação, uma dramatização da realidade, apenas isso.

Se formos olhar com olhos puros, sem todas as encenações da mente, veremos que tudo acontece de forma natural, são apenas aspectos, fatos, coisas que lidamos ao longo de nossas vidas, ensinamentos, sem nenhuma gravidade em si, e mesmo que haja realmente gravidade, quanto mais se perde nesse corpo doloroso, só faz aumentar o sofrimento pela projeção que se coloca sobre o simples fato.

Quando caímos em reclamações, em julgamentos de coisas que nos acontecem, com dimensões de nossa vida que não sabemos lidar, e nos colocamos como vítimas, como frágeis e vulneráveis, sacrificados, estamos sem perceber alimentando esse corpo sofredor, que adora essa "grandiosidade", essa "dramaticidade negativa". Não se pode ser igual a qualquer pessoa, não, importante é ser sempre pior, mais sofrido, mais oprimido, mais sacrificado, mais perseguido, mais doente, mais injustiçado... e por aí se vai... o corpo sofredor sendo alimentado...

Se pararmos para observar nossos pequenos dramas, nossos filmes de sofrimento criados por nós mesmos, dia após dia, veremos que esses dramas todos nos dão a ilusão de identidade, a ilusão de que somos importantes, somos mais que os outros. Trata-se de uma armadilha do ego, que precisa manter-se vivo, pelos filmes diários, pelos dramas mentais que criamos para nós mesmos.

Quando mostramos a alguém que ele está aprisionado em seu filme de dor, em seu corpo sofredor, é muito natural que isso seja rejeitado, que esse olhar seja visto como indiferença ou insensibilidade. Pois o que o corpo sofredor mais gosta, é de que seja alimentado com a pena, com o sentimento de que aquela pessoa realmente é uma sofredora e que a vida realmente tem sido injusta demais com ela..
Quando mostramos que não existe isso, de vida injusta, que é tudo ou quase tudo, criação mental da pessoa, que ao invés de simplesmente acolher a realidade e usá-la como trampolim da melhor maneira possível, ao invés de ficar mentalmente aprisionado em histórias dramáticas contadas para si mesmo...o que acontece na maioria das vezes, é sermos mal vistos...pois não pactuamos com aquele personagem sofrido, e pobrezinho...

Levar consciência a esse corpo sofredor é uma tarefa árdua, é verdade. A inconsciência que vivem muitas pessoas, aprisionadas em seus mundinhos sofridos, acreditando que com isso estão sendo vistas, reconhecidas, e até valorizadas, por tantos sacrifícios que fazem, essa inconsciência muitas vezes rejeita qualquer consciência que aponte os pontos obscuros e provoque uma mudança real, de vítima da vida, para senhor, senhora da vida...

Não somos pobres, somos a própria Vida. Somos filhos do Universo, somos a própria consciência divina vivendo experiências humanas. Esta mentalidade negativa, sofredora, é algo que já está por demais desgastado nesse nosso planeta, e mais ainda, nesta época em que vivemos.
Já existe uma nova consciência que enxerga claramente a grandeza de cada ser humano, enquanto totalidade, enquanto divindade. Como ainda é possível ficar-se preso a essa mentalidade pequena, mesquinha, e sem saída, ultrapassada, que transforma a vida em um verdadeiro inferno, sem luz, sem amor, mendigando afeto pela pena? Isso é realmente muito pouco para tamanha grandeza que cada um de nós é em verdade.

Importante lembrar, como nos mostra Eckhart, que mesmo que não alimentemos esse corpo sofredor, ele ainda permanece ali escondido, encolhido. Trata-se de um mecanismo do inconsciente coletivo bastante forte, que todos nós precisamos estar muito atentos. Pois caso descuidemos de atenção, ele pode voltar, e nos contaminar com esses jogos dramáticos. A vigília é constante. A consciência é constante.

Importante estarmos atentos sempre que esse corpo sofredor emergir. Sempre que começarmos a sentir pena de nós mesmos, a reclamar da vida, a perceber apenas o lado negativo das coisas, dos fatos, quando começarmos a perceber a vida, as pessoas pelo olhar da falta, do erro, do juízo, saibamos que o corpo sofredor da mente está começando a ser alimentado. A consciência atenta sobre esses pensamentos e emoções é o melhor antídoto. Como bem nos diz Jesus: "Orai e Vigiai."
Não briguemos com eles, mas identificamos que estamos sendo envolvidos em névoas de negatividade, são nuvens que tentam encobrir o sol, a luz da consciência.

Nesses momentos mais atenção, mais consciência, mais percepção ao momento presente, ao fato, ao que é realmente, ao que está realmente acontecendo. Deixemos as histórias mentais de lado, e nos foquemos aos fatos apenas. Se nos atermos simplesmente aos fatos, e agirmos em função dos fatos, deixando os dramas de lado, só isso já nos terá aliviado em muito o peso dos sofrimentos. E se além disso, alcançarmos a consciência de que tudo o que acontece, está na verdade acontecendo para nossa consciência pura, luminosa, espiritual, que apenas observa tudo acontecer, sem nenhum envolvimento, que tudo é apenas cenas, que surgem e se dissolvem para a consciência que observa; com essa distância criada entre "você" e o problema, cada vez mais ficará mais claro que nada, absolutamente nada, pode nos tocar verdadeiramente. Que tudo acontece como um filme cósmico, onde somos os atores, os diretores, e os roteiristas.

Essa é consciência luminosa total, a consciência do Buda, a consciência livre, que não se abala, que consegue reconhecer o sonho cósmico, e dançar com ele, com cada cena dele...seja ela qual for...
Reflitam sobre isso.
Amor
Lilian

13 de julho de 2011

Bem-aventurança...


"A oração nada mais é que silêncio, puro silêncio. Você não diz nada a ninguém; o outro está absolutamente ausente. Não há conteúdo em sua consciência, nem ao menos uma pequena ondulação no lago da consciência. Tudo está calmo e silencioso.

Nada é dito, mas o coração, as batidas do coração, o fluxo do sangue, a própria graça que cerca esse silêncio e uma grande vontade de se curvar em reverência à existência, por tudo o que ela faz por nós...isso é oração.
Por isso, não ensino o que a oração é, só ensino o silêncio, afinal a oração é um resultado necessário do silêncio, é um florescimento do silêncio. Você trabalha para criar o silêncio e quando seu trabalho está completo, vem a oração.

É como a chegada da primavera, quando as árvores ficam cheias de flores. Crie silêncio e você terá criado a primavera. Agora as flores não estão longe, elas estão por chegar. Crie silêncio e você será abençoado pela oração.

A bem-aventurança é apreciada por todos. Em tudo que fazemos, procuramos a bem-aventurança. Em todo ato - certo ou errado, moral ou imoral, material ou espiritual - a busca é a mesma: a busca pelo supremo objeto amado, a bem-aventurança.
E no momento em que você está totalmente tranquilo e em silêncio, ela cresce dentro de seu ser.

Esse é o momento em que se nasce de fato. Antes disso só se nasce psicologicamente, não espiritualmente. Ninguém se torna uma alma antes disso. Só depois é que a pessoa se torna uma alma, se torna imortal, se torna um Deus.

A religião nada mais é que a simples arte de se dissolver no todo. O todo se chama Deus.
É por isso que o homem que alcançou Deus, é chamado de santo. Ele se tornou o todo, não é mais separado, abandonou a ideia idiota de ser separado. Ele não é mais como um cubo de gelo, ele se derreteu no oceano.
Esse é o momento de grande bem-aventurança. E, quando você o alcançar, nunca mais sai da bem-aventurança - não há como sair. Mesmo que você queira se sentir amargurado, não consegue.

A pessoa comum que vive segundo o ego, tenta ser feliz mas não consegue; fica sempre amargurada. E a pessoa que se entrega, ainda que tente se sentir amargurada, não consegue.
A bem-aventurança é a consequência da entrega, e a amargura é a consequência da resistência."
Osho em Meditações para a Noite

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