31 de agosto de 2012

Escolhas Conscientes - Eckhart Tolle

"Pergunta: Vou te passar algumas situações comuns que geralmente acontecem. 
Por exemplo: Devido aos cortes no orçamento, você pode perder o emprego, e você não tem certeza se você deve aceitar trabalhar ganhando menos na mesma empresa, ou arriscar ganhar mais em uma outra empresa; ou com o nascimento de seu novo bebê, você precisa se mudar, e você não sabe  se deve permanecer no bairro em que mora, que tem uma boa escola pública e onde as casas estão em seu orçamento, ou ir para outro bairro mais barato.(...).Todos nós tivemos esses tipos de experiências, e muitas vezes quando temos que decidir algo, nós simplesmente não sabemos o que fazer.


Eckhart Tolle - O primeiro passo é, geralmente recolher informações. 
Você tem que olhar para os fatos da situação: Os prós e os contras. Mas, mesmo assim, você ainda pode não ser capaz de chegar a uma conclusão. 
Por exemplo, se você está escolhendo entre duas casas de três quartos, e estão praticamente o mesmo preço, e elas estão no mesmo tipo de bairro, você não vai chegar muito longe. 
Prós e contras são um nível de tomada de decisão, mas não é o mais importante.

Nós em geral temos sempre uma voz falante na cabeça. 
Muitas pessoas nem sequer sabem que têm essa voz. Mas ela está falando sempre, criando um monólogo interminável interior. 

Às vezes, a voz é mesmo envolvida em um diálogo, porque ela se divide em duas e você começa a falar para si mesmo. A conversa é tão incessante que é como ter um som de zumbido contínuo de uma geladeira ou um ar condicionado no quarto com você e depois de um tempo, você não ouve mais.

Durante escolhas difíceis, essa voz não é muito útil. Muitas vezes ela critica, mantendo um breve comentário sobre você e todas as coisas que você fez de errado ou você simplesmente não fez. Ele critica os outros também. É como viver com alguém que não não suporta rsrs.. Você não gostaria de viver com uma pessoa assim. Mas já que você não pode se livrar de sua mente, você está preso. O resultado? Você desanima. Você não pode ver o lado positivo do que poderia vir de suas decisões.


A voz em sua cabeça também cria uma enorme quantidade de problemas que não são realmente problemas. São apenas coisas que ainda não aconteceram, coisas que poderiam acontecer amanhã ou na próxima semana, ou nunca.. Ouvir os problemas irreais tem outro nome: preocupação. 
Isso é o que a voz na sua cabeça faz. Ela diz "se isso, se aquilo". É puro lixo. Ela agoniza, e você não pode mais sentir a alegria da vida.

Vamos ao invés de ficar se preocupando, vamos a ação. 
Por exemplo, quando você está em um hotel e você vê que não há água quente. Naturalmente, você deve ligar para a recepção e dizer: "Eu estou tentando tomar um banho. Você pode me ajudar por favor?" Nestes casos, algo pode ser feito. 
Mas quando você está na situação em que você ainda está pensando e você não sabe para onde ir, a voz em sua cabeça começa a queixar-se de tudo, até mesmo as coisas não relacionadas com a situação: o clima, como a economia é ruim, como sua vida não era para ser desta maneira e por todo mundo, mas você parece entender as coisas. 
Queixar-se não acrescenta nada, exceto peso. 
Dá-lhe um grande peso para transportar nas suas costas enquanto você está tentando descobrir o que fazer, e que o impede, em muitos casos, você de tomar qualquer decisão.

Agora imagine que aquela voz dentro de sua cabeça, de repente pára. Você percebe, Uau, é tão bem tranquila!. Isto é exatamente o que você precisa fazer para uma escolha eficaz. Você precisa estar presente. Você precisa ser livre de qualquer coisa que não seja o que está acontecendo agora.

Claro, você não pode simplesmente estalar os dedos e, de repente a mente ficar em silencio. Algumas pessoas experimentam isso pela primeira vez durante os esportes radicais. Escalar uma montanha, por exemplo, encontrar pontos de apoio e as pegas, eles percebem que não está pensando em tudo. Eles são totalmente presente, porque se entrou em ter pensamentos, eles iriam cair da montanha. Outros vão para a natureza. Eles olham para a beleza ao redor deles, eles ouvem os pássaros e o farfalhar das folhas e de repente eles percebem que isso é o que é estar presente. 

Mas você não tem que esperar para se engajar em alguma atividade perigosa ou ir para o deserto. Você pode optar por estar presente em qualquer lugar, em qualquer situação, deslocando o foco de sua atenção para longe do pensamento e para a vitalidade do seu corpo inteiro, para o momento presente, aquilo que é realidade.


Quando você está presente, suas percepções sensoriais, sua audição, sua visão aumentam instantaneamente. Você vai sentir uma quietude, uma que você não tem que fabricar. Estava lá o tempo todo, sob todos os pensamentos que sobre "o que fazer".
Você será capaz de ver a diferença entre: aqui está a situação e aqui está o que minha mente está dizendo sobre a situação; ou, em outras palavras, entre: "eu poderia perder meu emprego" e "eu poderia perder meu emprego, o que significa que eu vou perder a minha casa e tenho que levar minha filha para fora de sua escola e morar com meus pais, então eu tenho que arranjar outro emprego até o final da semana, mesmo se não há emprego e não estou qualificado o suficiente para obter um. "

Isso não significa que você ignora o futuro, e isso não significa que você não pode mais pensar sobre o que você vai fazer amanhã. Significa apenas que o 
foco de sua atenção está no momento presente. 
Você precisa planejar certas coisas, mas sempre volta para o imediatismo e vivacidade do que está realmente acontecendo.

Como podemos começar a fazer isso? É uma maneira de começar a reconhecer que a voz em sua cabeça. Uma vez que você ouve o que você está pensando, você pode ser capaz de parar de pensar. Outra forma é perguntar a si mesmo: "Qual é o problema que eu tenho agora?" Muitas vezes, isso você acorda. Você tem que admitir: Tudo bem, agora eu não tenho um problema. Por exemplo, neste exato momento, você não perdeu o seu emprego. Você pode perdê-lo mais tarde, mas neste exato momento você tem um trabalho. Sim, você ainda 
pode ter uma situação desafiadora, que mais tarde irá exigir ação. Mas isso não é um problema, não é? É um evento. Além disso, se surgir um problema, seguindo esta compreensão, então sim, você vai fazer algo sobre isso.
Depois de entender o que sua situação realmente é, e que não é o que a voz que fala na sua cabeça, então, é claro, você pode parar de lutar. A situação existe. Você não tem que se preocupar com isso ou se afogar em bebida ou chorar ou debater ou pedir a outros para o conselho. 
Você pode parar de resistir, porque o que estava te fazendo doente era o seu 
próprio pensamento sobre a realidade, não é.

Na verdade, você é capaz de ir em frente com sua atividade normal e é aí que a intuição vem de dentro Porque quando você se conectar com a calma, você também se conecta com uma inteligência criativa que é maior do que o pensamento analítico. 
Muitas vezes, a decisão correta, então surge espontaneamente. Pode não acontecer imediatamente. Pode levar um tempo, mas este período de tempo dá a sua intuição o espaço que ela precisa, de silêncio para a superfície.

Em última análise, eu acredito que, se você escolher uma forma ou de outra não importa. Se você está presente quando você tomar sua decisão, então você vai estar presente na próxima situação e estará preparado para fazer escolhas conforme as necessidades surgirem. 
Claro, você sempre poderia ter feito as coisas de formas diferentes, mas a importância final não é o que você faz, e sim como se faz, o estado de consciência que você trouxe para o seu processo, que espero faça você sentir a vitalidade de todas as suas experiências."
Eckhat Tolle em Entrevista com Ophah

30 de agosto de 2012

Tudo e nada...

Sou dos mares
e marés

Sou abismo
e ventania

Trago flores e
espinhos
cantoria...

Sou amante
navegante

Emoções me tomam
Canções me levam
Amores me completam
Desvios...
Tenho sede
ora fome
Orações nascem puras
e cintilam..

Ares vivos
de paixão
adoração
Visões nuas
Simplesmente
Ser...

Sou daqui,
e dali
Sou do além lugar
e do onde for
Sou sua
e de ninguém
Eu Sou...

Nada peço
Nem trago
Despedaço em flor
e renasço

Poesia
Verbo
Gesto
Imensidão...

Amor puro
me embriaga
Me derramo em lágrimas
nascente
Cachoeira
Água pura
Pedra lisa
Oceano
e Mar...

29 de agosto de 2012

Resignação e Aceitação...

"Osho qual a diferença entre resignação e aceitação?

Aceitação é bela, resignação é feia. Aceitação é uma vitória. 

Existe uma grande diferença entre as duas. 
Existencialmente elas não são a mesma coisa.

Alguém se torna resignado quando sente sem esperança, quando nada é possível. Os desejos não foram vencidos, os desejos permanecem ali. Você quer ir, você quer se tornar, você quer isso e aquilo, mas você vê montanhas de obstáculos no caminho, e você sente que não é possível conseguir. Então você se consola. Você diz: "Está bem; não preciso ir, não existe nenhum lugar para ir". Mas você sabe que o desejo está lá, e que existem lugares e coisas que você quer, o desejo está lá a espreita. 

Nenhuma frustração destrói o desejo. Ele permanece esperando por uma nova oportunidade, e quando você estiver com mais energia, estiver mais positivo, mais sonhador, o desejo retorna e a resignação vai embora.

Aceitação é completamente diferente. Aceitação não significa aceitar a derrota. Ela simplesmente significa que não existe mais derrota nem vitória. Toda essa idéia é estúpida! Contra quem você será vitorioso? É o seu mundo: você é parte dele e o mundo é sua expressão. Não existe ninguém que seja seu inimigo, e contra quem você irá lutar. Você está lutando com sua própria sombra.

Veja bem isto - não existe inimigos na existência. A existência não é estranha a você, não é contra você, é sua casa e você não está fora dela, você está completamente imerso nela, completamente a vontade nela, esta é a vitória, é a sua vitória e não existe outra vitória além desta - isto é relaxamento, isto é aceitação.

Com essa aceitação, coisas começam a mudar. Com esta aceitação transformações acontecem. Ninguém muda a si mesmo, mas se você aceitar, mudanças acontecem. Não é por sua causa, nem por causa de ninguém. Quando seu ego não está presente, mudanças acontecem naturalmente.

Este é um dos segredos da vida: lute e será vencido; se entregue e a vitória será sua.

Logo, não digo a vocês que é bom se resignar. Neste caso é melhor lutar, porque um dia vocês irão compreender que estão lutando consigo mesmos - a mão esquerda está lutando com a mão direita, e ambas as mãos são sua. Dessa maneira nenhuma vitória é possível, nenhuma derrota também. Tudo depende de você: você cria a energia vitoriosa e você cria a energia da derrota. Toda a existência é Um, nós somos parte de uma mesma energia.

Se você segue lutando, um dia ou outro a sua mente se iluminará: sua consciência compreenderá e você então irá relaxar. Com resignação isso nunca acontecerá. Resignação é repressão. Então, você tem que escolher, escolher entre lutar ou aceitar. Resignação é pior que lutar porque por baixo a luta continua, silenciosa, surda. Ela simplesmente se tornou inconsciente, subterrânea.

É melhor continuar lutando conscientemente, e um dia a aceitação acontece - e você abandona qualquer luta para sempre, e relaxa na aceitação.

Se você tiver que lutar, lute! Depende da sua intensidade em lutar. Coloque toda sua energia nisso, arrisque tudo, e logo aquilo acontecerá. Não existem mudanças radicais pela metade; mudanças radicais acontecem quando se chega ao extremo. Resignação irá prende-lo no meio do caminho...(...)

É uma espécie de suicídio. Não posso abençoar a resignação, todo meu esforço é contrario a isso. Uma pessoa resignada é uma pessoa azeda, reprimida, frustrada..raivosa...com raiva do mundo inteiro. Como ela não conseguiu nada, seu orgulho a mantém resignada, mas ela ainda tem seu orgulho presente, escondido. Ela diz: "Eu estou bem". Ela não quer dizer as pessoas "Eu não estou nada bem", porque isso para ela é humilhação.

Olhe para dentro novamente. Resignação não irá ajudá-lo, nem a aceitação ou a luta - tudo isso são apenas diferentes caminhos. A luta irá trazer naturalmente e inevitavelmente a aceitação. É por isso que prefiro que escolha a luta. Resignação é apenas um atraso, é uma maneira de postergar.

A aceitação quando acontece é fruto da consciência de que não somos diferentes da vida, depois de muito lutar nos rendemos a ela, e isso é um relaxamento, é para sempre."
Osho em The sun behind the sun

28 de agosto de 2012

Círculo Supervirtuoso - Hermógenes


"Os infelizes agridem.
Os felizes agradam.
Cultivar "não violência" é o caminho para a felicidade.
Toda truculência é sintoma de conflito, vazio, tédio, rancor e medo que intoxicam a alma imatura.

Uma pessoa sábia é espontâneamente mansa e benevolente, pois já se libertou de desejos, apegos, medos e aversões.
Comungando com a Unidade Essencial de todos os seres, o sábio já expurgou o egoísmos que embota o homem bruto.

Por tanto se amar a si mesmo, o egoísta, permanentemente ofendível, é um violento defensor de seus mesquinhos interesses e um feroz inimigo de seus desafetos.

O estado de "não violência" é natural no homem isento do obsessivo desejo de possuir, dominar, crescer e mandar.
Procure imunizar-se contra o ódio e a predisposição para agredir.
Lembre-se: sabedoria gera "não violência" e esta, por sua vez, frutifica em sabedoria.
Eis um feliz circulo supervirtuoso. (...)

Jesus confirmará eternamente que quem pedir receberá; quem se engajar na busca por certo encontrará; quem persistentemente bater terá a porta aberta.
Compromisso austero, de validade absoluta e eterna.

Para proteger-nos contra a tão normal imprudência de pedir o que é bom apenas em aparência, de optar por objetivos, rumos e projetos frustradores, de calejar os dedos batendo em portas que, para nossa segurança e felicidade, conviriam continuar fechadas, o mesmo Jesus avisou - "Buscai primeiro o Reino de Deus e sua justiça, e todas as coisas ( ninharias normalmente pedidas e buscadas) vos serão acrescentados."

Pronto! Já sabemos que prioritariamente devemos pedir e buscar o Reino e nosso ajuntamento a ele, que a porta certa na qual bater é também a do Reino.
Quando já alinhados na infinitude e plenitude do Reino e por ele extaticamente possuídos, todas as coisas efêmeras pelas quais normalmente aspiramos nos serão acrescidas. Que você quer mais?"
Professor Hermógenes em Dê uma chance a Deus

27 de agosto de 2012

O Despertar da Meditação...


"Enquanto que para muitas pessoas a Meditação ainda é vista apenas como um relaxamento, Osho passou a vida inteira se dedicando em seus discursos públicos a detalhar sobre este caminho de purificação e clareza.

Meditação é muito mais que relaxamento do corpo e da mente.
Meditação é um caminho de vida e de transformação.

É um processo pelo qual transmutamos a nossa energia e nos tornamos mais conscientes de quem realmente somos.
O nosso padrão natural é o sonambulismo. Vivemos como se já estivéssemos prontos. Acreditamos que já temos capacidade de amar, de aprender, de dar valor a uma amizade, às belezas da vida. Mas nada sabemos. Nossa civilização não tem coração.

Tem tecnologia usada para satisfazer egos doentes, carentes, patológicos. Mas não tem amor. Não conhecemos a vida como ela é. Nossa educação é pobre. Nossos relacionamentos não satisfazem e precisam ser mudados de quando em quando. São pessoas carentes querendo encontrar felicidades com outras pessoas carentes. O resultado é zero.
A sensação de que o outro não pôde me dar o que eu queria gera mágoa, frustração, sentimento de fracasso – pontos que, infelizmente, ocorrem diariamente num grande número de casamentos.

Estamos sempre insatisfeitos, pedindo sempre mais, e sem saber bem o que nos faz pedir sempre mais e mais. Uma carência quase absoluta. Um vazio que apenas gera angústia e desejo. E este desejo, uma promessa que nunca é cumprida...

Neste grau de insanidade temos a falsa crença de que sabemos como educar nossas crianças! Então vemos escolas despreparadas, professores estressados, pais que não compreendem mais suas posições diantes dos filhos (pois já não são respeitados, afinal nunca sequer souberam respeitar “a si mesmos”). E pouco se fala de uma educação para o Ser, para o Real Viver.“Vamos renovar os currículos”, a gente ouve. Mas nunca ouví: “Vamos renovar nossas almas”.

A Meditação é uma resposta a esta vida automática e sem propósito que estamos vivendo.
O caminho da Meditação é a saída para o medo que controla a maioria das pessoas. Medo que impede de nos vermos como amor. Medo que cria a grande ilusão de que estamos separados uns dos outros e da vida. Medo que impede de olharmos para dentro de nós mesmos e despertarmos para o que realmente somos: consciência de luz, de amor, de sabedoria, de amizade, de criatividade e participação.

Quando começamos a meditar, muitas coisas acontecem. Uma delas é nos darmos conta de como criamos as armadilhas.
Despertamos para o fato de que somos responsáveis pelo nosso sofrimento. E isso, para a maioria das pessoas é apavorante, pois não terão mais em quem descontar e pôr a culpa. Não, não é culpa de ninguém. Não, não é nem culpa nossa. É apenas ignorância natural. Faz parte do caminho. Pode ser vencida com responsabilidade. Pode ser ultrapassada com um caminho que nos abra os olhos para como estamos reagindo a cada evento que nos acontece.
Reação significa automatismo, falta de inteligência. Ação, bem ao contrário, condiz com a aptidão para estar aberto ao fato, disposto a olhar para o que está acontecendo, agir com inteligência ao momento. Isso é o que significa responsabilidade – a habilidade de responder ao momento.

Estou reagindo com consciência ou estou reagindo com a mesma moeda? Vingança é inteligência ou simplesmente um instinto precário e embrutecido? Então, a meditação faz surgir muitas coisas que estavam ocultas. E é por este motivo que muitas pessoas desistem. A segurança da rotina é mais viável que a vida. A vida é um campo aberto de possibilidades. Ela nunca está pronta. Está sempre se movendo para um pico mais elevado. Muita gente reclama da rotina, mas se prende a ela com unhas e dentes.

Por que? Pelo medo de mudar. Neste caminho escuto muitas coisas. As pessoas que iniciam a meditar tem certos desconfortos. Ouvi certa vez: “Eu comecei a meditar, mas parei. Ao invés de minha mente se aquietar ela ficou muito pior. Eu não sei porque vem tanto pensamento. Fiquei quase louca”!
Sim, naturalmente. Meditação não é um anestésico. Meditação não é mentalização (práticas em que você imagina luzes, lugares bonitos, pensamentos elevados, etc). A meditação é uma prática para observar a mente. Observar como ela é.
Meditação não é reprogramação. É simplesmente autoconhecimento. Puro e simples. Ela não funciona como calmante. Nenhum caminho espiritual que se preze pode ser um calmante. Nós não precisamos de consolos. Precisamos de libertação. Consolos já temos demais na vida, pois tudo que se faz é para distração, entretenimento. Distrair-se para que? Para não olhar para
si. Para não resolver as pendências. Para não ver a vida como ela é. A indústria do entretenimento é a maior de todas hoje em dia? Eis o porque. Ela existe como uma necessidade.
Sem ela o ser humano explode. Mas acaba sendo uma saída não muito inteligente, porque não resolve nada. É consolo. É para distrair, é mais um circo, e sempre de curta duração...

A meditação lhe faz consciente dos pensamentos. Há pendências no passado. Há preocupações com o futuro.Pendências e preocupações são a base da confusão mental.Então, a prática da meditação lhe mostrará nitidamente suas pendências. Algo que você não está fazendo? Uma ação que está adiando? Uma culpa que está guardando? Uma raiva armazenada. Tudo isso precisa ser visto e curado. Por outro lado, ela também mostrará a nossa tendência a preocupações – que na verdade são fantasias, pura imaginação, histórias e crenças que estão habituadas a aparecer e que já temos como verdade. É preciso questionar:

É mesmo verdade? É mesmo real que preciso controlar tudo na minha vida? É mesmo verdade que não posso errar? É mesmo verdade que sou confuso ou apenas ESTOU confuso nesse momento diante de tais e tais fatos?

Ser confuso é uma coisa.Estar confuso é outra.
Ser triste é uma coisa.Estar triste é outra.
O caminho da meditação existe para colocar a casa em ordem. E a casa somos nós mesmos!

Como é possível tranquilidade e ao mesmo tempo viver em uma mente desordenada?
Meditar não é fugir da vida. Meditar é encontrar a vida. E nós mesmos estamos sempre no caminho de nossa própria vida.
Osho disse: “Saia de seu próprio caminho”. O único obstáculo, por incrível que pareça, são idéias errôneas que cultivamos na mente.Essas idéias funcionam como um filtro. Elas não deixam a vida aparecer em sua aparência real. A vida é distorcida por nossa própria interpretação. E quando filtros negativos, cheios de medo, angústia e ansiedade estão em nós, o que vemos na vida é isso – um reflexo de nós mesmos.

Criar um espaço meditativo em sua vida é abrir-se para o momento, despertar confiança no poder de ser você mesmo, acordar sua essência de amor, e fazer amizade com tudo que existe.

Isso é possível. Assim como tudo é possível com um pouco de disciplina e vontade, o caminho do bem viver passa por isso também. É possível, mas requer coragem, perseverança, e foco.
É preciso se juntar com pessoas que estão há mais tempo na viagem. Ouvir delas o que é o caminho. Aprender alguns atalhos de como driblamos a mente de suas artimanhas de auto-sabotagem. E principalmente é preciso muito interesse, muito empenho em realmente querer o melhor para si. Querer sair da posição de vítima. Não se satisfazer com uma vida morna. Ansiar por um viver com totalidade e celebração.

Há um ditado: “Quando pronto, o mestre aparece”. E o que é o mestre? Algumas pessoas acham que o mestre é apenas aquele guru todo trajado de branco ou ocre, que vem a sua vida e você automaticamente estará iluminado, cheio de graça e o sofrimento desaparecerá para sempre. Uma ilusão infantil. O mestre pode ser qualquer acontecimento na vida. Um acidente, um sofrimento muito forte, uma mudança drástica de emprego, uma perda no relacionamento, uma doença, etc. E é claro que pode ser personificado também em um professor, que ajuda no caminho de se autoconhecer e descobrir que em si próprio está a pérola da vida.

O Plano Maior envia no momento certo o mestre perfeito.
Nunca sabemos qual será o nosso próximo passo, e nem sabemos qual será o mestre na próxima esquina do caminho. Mas certamente sabemos de uma coisa: enquanto houver briga interna, enquanto houver reclamação, enquanto houver falta de entrega, de confiança, de aceitação plena da vida como ela É, muitos mestres aparecerão para nos despertar, criando um fogo interior para queimar nossas limitações e despertar a luz de nossa consciência.

Meditação é um caminho.(...)
Os ensinamentos dos iluminados não são simples de assimilar. E aí que novamente a meditação entra de forma maravilhosa. Ela permite com que a mente fique mais sutil para compreender a vida, de modo que tudo aquilo que ouvimos da boca dos sábios possam ser vividos na nossa vida também. Acredito que apenas desse modo os ensinamentos são úteis. Eles podem promover mudança. Eles não são teóricos. Pois se forem teóricos se tornam apenas uma filosofia. Meditação não é uma filosofia apenas.
Meditação é vida, é transformação constante. É aprender a se relacionar com a mudança como o rio que corre e sempre se renova. A vida precisa de atenção constante, de abertura, de flexibilidade. É por isso que se diz que pra viver realmente a vida você tem que se tornar a vida. Se você estiver separado da vida não aceitará as mudanças. É como se o Plano Menor (a mente humana) quisesse ganhar do Plano Maior (a vida em sua total dimensão, em sua rede complexa de acontecimento e possibilidades entrelaçadas). Existe possibilidade disso?

Quando um pensamento que aparece em nossas mentes condizem com o Plano Maior, com a rede da vida, então muitas coisas começam a acontecer a partir dele. Mas quando um pensamento é apenas um pensamento lixo, um resíduo de alguma crença errônea, um desejo que não condiz com seu crescimento naquele momento, então, nada poderá fazer aquilo dar continuidade. E se você brigar com a vida inevitavelmente sempre perderá.

Muitas vezes a vida parecerá injusta. Aí podemos lembrar que o plano do pensamento, das opiniões, contém uma expansão Menor. Mas no Plano Maior, tudo está acontecendo como deve acontecer. E muitas vezes, tardiamente, é que nós percebemos que tudo estava perfeito.
A ignorância é sempre da mente limitada. Pois é natural que nossas mentes não possam compreender a imensidão da vida e os motivos pelos quais tudo acontece.

A meditação e os ensinamentos dos sábios podem nos ajudar a fazer um acordo com a Realidade Maior. Uma clareza que vai além do entendimento. Quando o nosso coração amansa e sabe
que tudo que está acontecendo é perfeito e útil para nós. Então vem uma aceitação natural. E dessa aceitação natural nasce uma espontaneidade que faz com que tudo se harmonize num Todo Maior."
Swami Naseeb em O Despertar da Meditação

25 de agosto de 2012

A Prova da Verdade - Ramesh



"Pode haver alguma prova da Verdade?
Maharaj, por vezes, coloca essa questão como que para ele mesmo. Pode a Verdade ser compreendida intelectualmente?

Além de um intelecto afiado, diz Maharaj, o aspirante deve ter fé para capacitá-lo a compreender os fundamentos básicos da Verdade. E a fé deve ser do tipo que pode aceitar a palavra do Guru como a própria Verdade de Deus.

A fé é o primeiro passo e nenhum progresso adicional é possível a menos que o primeiro passo seja dado.

Há pessoas simplórias, que, embora não sejam dotadas de um intelecto afiado, têm fé abundante. Maharaj dá-lhes um Mantra e pede-lhes para cantá-lo e meditar até que sua psique seja purificada o suficiente para receber o conhecimento.
Com os intelectuais Maharaj tem que lidar de forma diferente. O intelectual compreende o que as várias religiões propagam, os códigos éticos e morais que prescrevem, também os conceitos metafísicos que expõem; mas ele continua não iluminado.


O que ele procura realmente é a Verdade, o fator constante que não está sujeito a qualquer alteração. E, além disso, ele quer provas, mas não é capaz de dizer que tipo de prova poderia satisfazê-lo.
A prova como tal seria algo sujeito ao espaço e ao tempo, e o intelectual é inteligente o suficiente para saber disso.
A Verdade, para ser Verdade, deve estar além do tempo e do espaço. Maharaj diz que qualquer pessoa inteligente deve admitir que o "Eu sou", o sentido de presença consciente, de 'ser', é a única verdade que cada ser senciente conhece e essa é a única 'prova’ que ela pode ter. E ainda, a mera existência não pode ser equiparada com a Verdade pela simples razão de que a própria existência não está além do tempo e do espaço, como está a Realidade.

Maharaj lança em seus discursos luz abundante sobre este impasse. Um cego pode dizer: “prove para mim que existem cores, só então acreditarei em todas suas adoráveis descrições do arco-íris”. Sempre que tais questões são colocadas para Maharaj, ele responde dizendo: “prove para mim que existe algo como Mumbai, Londres ou Nova York!”
Em toda parte, diz ele, é a mesma terra, ar, água, fogo e céu.

Em outras palavras, não é possível buscar a Verdade como um objeto, nem pode a Verdade ser descrita. Ela só pode ser sugerida ou indicada, mas não expressa em palavras, porque a Verdade não pode ser concebida.

Qualquer coisa concebida será um objeto e a Verdade não é um objeto. Como Maharaj coloca: você não pode 'ir às compras' atrás da verdade, como algo que está certificado com autoridade e marcado como 'Verdade'. Qualquer tentativa de encontrar a prova da Verdade envolveria uma divisão da mente em sujeito e objeto, e, assim, a resposta não poderia ser a Verdade, pois não há nada objetivo sobre a Verdade, que basicamente é pura subjetividade (no sentido de ter relação com o sujeito).

Todo o processo, diz Maharaj, é como um cão perseguindo sua própria cauda. Na busca de uma solução para este enigma devemos analisar o problema em si. Quem é que quer a prova da Verdade ou Realidade? Podemos entender claramente o que somos? Toda a existência é objetiva. Todos nós 'existimos' como objetos apenas, como meras aparições na consciência que conhece-nos. Existe realmente uma prova de que 'nós mesmos' (que procuramos a prova da Realidade) existimos, diferentemente de objetos de cognição na mente de outra pessoa?

Quando procuramos a prova da Verdade, o que estamos tentando fazer é equivalente a uma sombra que procura a prova da substância! Maharaj, portanto, exorta-nos a ver o falso como falso, e, em seguida, não haverá mais a busca pela Verdade. Você entende o que quero dizer? Ele pergunta.

Você não sente intuitivamente qual é a ponto? O que é buscado é o próprio buscador! Pode um olho ver a si próprio?

Por favor, entenda, ele diz: sem tempo, sem espaço, não cognoscíveis sensorialmente é o que somos; temporais, finitos e sensorialmente cognoscíveis, é o que parecemos ser como objetos separados. Considere o que você era antes de ter adquirido a forma física.
Você precisava de qualquer prova sobre qualquer coisa àquela altura? A questão de ter provas surge apenas na existência relativa e qualquer prova fornecida dentro dos parâmetros da existência relativa só pode ser uma inverdade!"
Ramesh Balsekar em Consciousness Speaks

24 de agosto de 2012

Viver e Sentir...


Se for para viver sem sentir
é melhor trancar a gaveta e
jogar a chave fora.

Vida sem sentimento é desperdício
é rasa, é mesquinha,
é nada.

Não tem nenhum valor
nenhuma cor,
nem sabor,
é morta.

Viver e sentir são sinônimos

Em cada sentimento
uma vivência
uma experiência
um universo
uma eternidade.

Quando as vezes escuto
que alguém tem medo de sentir
para não sofrer.
Vejo que a maior dor
é o próprio medo
é a própria fuga,
não do sentir,
mas da vida..

Sentir é interagir
deixar ser
se abrir,
fluir...

Sentir é poder acolher
e deixar ir
É ser líquido
é ser livre
é ser pleno...

Se sentimos temos a vastidão saborosa de cada instante
se não sentimos,
podemos sobreviver muito tempo, mas,
famintos...

22 de agosto de 2012

Sabedoria e Amor - Jeff Foster


"A Sabedoria diz: Eu Sou Nada.
O Amor diz: Eu Sou Tudo.
Entre os dois minha vida flui."
- Nisargadatta Maharaj

Sabedoria, ou clareza, é o reconhecimento de que você é o oceano, a vastidão, o espaço aberto da consciência, (ou qualquer palavra que queira usar, pois palavras não são importantes nesta dimensão), além da forma, e isto é a beleza profunda da realização.

Mas, não paramos por aqui.

Porque sempre há o Amor - que é o reconhecimento de que este espaço aberto, na verdade é inseparável de tudo o que aparece, que o vazio não é outra maneira de se manifestar.

A consciência é radicalmente inseparável de tudo o que acontece nela mesma.
E assim, não existe consciência DOS pensamentos - a consciência É cada um dos pensamentos.
Não é a consciência DA dor; a dor está saturada de consciência, é feita de consciência, é consciência.

Cada onda é feita do oceano. Você não pode nem mesmo falar sobre a consciência, e "tudo o que aparece NA consciência". Esta metáfora é útil, usada temporariamente para que apontar um entendimento mais profundo que o reconhecimento da sabedoria, da clareza é de alguma forma totalmente incompleta sem o reconhecimento do amor.
Realmente eles são a mesma coisa.

Coração e mente, não-dualidade e dualidade, o humano e o divino, o absoluto e o relativo - não importa o que você nomeie - sempre aponta para o fato de que cada pensamento, cada sentimento por mais desconfortável, intenso, inesperado que seja, é bem-vindo a você.
Você é a capacidade para tudo. Você é o espaço que acolhe cada um deles.

Este é o acolhimento radical, absoluto que sempre procurou, além de todas as nossas idéias sobre o despertar, sobre a iluminação, e sobre a tentativa de se libertar.
É o que chamo da mais Profunda Aceitação - não a aceitação do que "fazer", mas a aceitação de que você já É."
Jeff Foster em Satsang

21 de agosto de 2012

Antes do Eu Sou - Mooji


"Pergunta: Mooji, você sempre lança a pergunta “Quem é você?” na nossa cara… Então, agora eu lhe pergunto: “Quem é você?”
Mooji: Eu sou o atemporal, o imutável, o Real.

Pergunta: De onde você veio?
Mooji: De lugar nenhum.

Pergunta: Mas você está aqui!
Mooji: Sim, sempre assim.

Pergunta: Por que você veio?
Mooji: A pergunta “por que?” é irrelevante. Eu nunca vim, eu nunca irei; eu sou a existência além de qualquer razão ou causa; Eu Sou, além da mente e de seu mundo, assim como você.

Pergunta: Mas eu posso vê-lo, sentado aqui perante mim!
Mooji: Sim, antes de “mim”, eu sou. O que você vê não é o que eu sou.

Pergunta: Eu não entendo…
Mooji: Você não pode entender a Verdade, você pode apenas conhecê-la, realizando que você é a própria Verdade. Não pense que a mente o ajudará. O papel dela é lhe confundir, é provocar dúvidas em você – um trabalho que ela faz muito
bem. [Risadas]

A única coisa é que ela precisa da sua cooperação para enganá-lo – um trabalho que você faz muito bem [Risadas]
É um jogo, e é por isso que é chamado de leela - o jogo de Deus. É a sua própria Maya brincando com você.

Pensamentos vêm e vão; o Ser, não. Você testemunha os pensamentos. Você é a tela imutável na qual os pensamentos são percebidos, e você é quem os percebe também – essa é a charada da existência.
Enquanto você se identificar com a mente-ego, você não percebe o óbvio – a sua própria presença sem forma.

Pergunta: Como eu posso encontrar esta presença da qual você está falando?
Mooji: Ela não pode ser “encontrada”. Ela apenas é, e você já é isso. Pode você traçar uma linha entre você e o Ser?
Encontre primeiro aquele que tenta encontrar alguma coisa, e então veja se ainda existe algo para encontrar.

Pergunta: Mas, na verdade, eu não sei o que é “presença sem forma”!
Mooji: Claro que você não sabe! Ela também não pode ser “conhecida”. Quem é que está buscando? O que é isso que quer saber?

Pergunta: Eu!
Mooji: Certo, e o que é “eu”? Apresente-se.

Pergunta: Tudo isso: meu corpo, minha mente, meus pensamentos, desejos também, minha alma…

Mooji: Quem ou o que diz isso? Quem vê isso? Antes que elas alcançassem sua boca, de ode é que essas palavras emergiram?
Você me dá uma lista de coisas, você diz: “meu” corpo. Eu digo: corpo de quem? Ele lhe pertence, assim como o seu carro ou suas roupas? Você também diz: “minha mente”, não diz? Significando que é sua, não você. Até mesmo “minha
alma” – você diz: “minha alma está se deleitando” ou “minha alma estava pesada com mágoas…”

A alma está mudando; você permanece por trás, você testemunha o que acontece m sua alma. Então, quem é você?

Pergunta: Eu, eu mesmo…
Mooji: Anterior aos pensamentos e às palavras, anterior ao seu surgimento, aquilo que nem os precede nem os segue – o que é aquilo?

Não toque neste “eu”. Isso é apenas uma palavra, apenas um conceito. Olhe. Não pense. Permaneça em silêncio. Observe.

Pergunta: Nada… Eu vejo absolutamente nada (nothing)!
Mooji: ”Nada” (No thing) está correto. “Nada” querendo dizer sem forma, além da forma, além do tempo. Você não é uma “coisa”; como poderia ser? Qualquer coisa, mental ou física, aparece, flutua ou se move, através da sua consciência. E nós somos a testemunha desta consciência, do seu conteúdo e atividade.

Você pode confirmar isso?

Pergunta: Sim… sim… então eu sou o mesmo que você?
Mooji: Sim. Apenas remova o pensamento “o mesmo que”.
Pergunta: Eu sou você.

Mooji: Sim. [Pausa] Eque tal apagar o “você”? Você pode fazê-lo?

P: [Longo silêncio]
Mooji: Quando você disse “eu sou você”, a palavra “você” se refere a Mooji? Você se refere a este corpo sentado nesta cadeira? [Mooji sacode seu corpo como se fosse um boneco]

Este corpo é Mooji? Quem é Mooji?
Este corpo não é diferente daquele corpo ou todos os outros corpos [apontando para as pessoas na sala]. Ele é feito dos elementos e é comida elementar. Os vermes ou o fogo estão esperando por ele. É isto que você é?

Muitos místicos dizem estas coisas: “Tudo é Um, Eu sou você, você é eu, sem diferença…”. Mas se não é a sua experiência, são apenas palavras para você, palavras vazias, e isto pode ser sentido imediatamente. É melhor não dizer nada, ficar quieto.
Então, novamente, o que é você?

Pergunta: Eu sou.
Mooji: Sim, muito bem. Agora solte o “eu sou”.[Longo silêncio]

Pergunta: Quem é que vai apagar/soltar o “eu sou”?
Mooji: Você é que me diz!

[O questionador sorri]
Pergunta: Se eu não sou nada, então nada apaga coisa nenhuma, o apagar acontece.

Mooji: De fato. Muito verdadeiro. Agora, nem se preocupe com “apagar” e “acontecer”. Não pegue nenhuma arrogância. Não pegue nenhuma ideia. Não pegue absolutamente nada."
Mooji em Antes do Eu Sou, Diálogos com Mooji

20 de agosto de 2012

A única questão - Satyaprem



"A sua única questão deve ser "quem sou eu?" – se seu interesse é pela Paz, é preciso averiguar isso.

Averiguando com precisão, uma série de pensamentos serão desmascarados.
E, ao contrário do que se pensa, isso não é tão difícil – desde que você tenha disposição e carinho para com a Verdade.

É certo que você continua sendo a Consciência, quer você saiba disso ou não. Mas no momento em que a Consciência é desperta no seu coração, nasce a sede de encontrá-la – e, permanecendo agudo, não tem chance de não encontrar, pois a possibilidade do encontro está muito perto de você.

Algumas pessoas declaram terem encontrado a si mesmas e serem a Consciência, daí, dois dias depois, algo considerado negativo ocorre, pensamentos considerados negativos surgem e logo se desconfia que a Consciência sumiu e deve ser procurada novamente. Calma!
Preste atenção: os pensamentos não têm a menor relevância para a Consciência que você é – e você só não aceita isso porque foge da suprema liberdade que essa realização traz consigo.


Habitualmente, você tem dado mais importância aos pensamentos do que a qualquer outra coisa. Um pensamento passa e você corre atrás dele. Imagine se o céu fosse atrás de todas as nuvens que passam... que loucura seria!
Pensamentos são apenas pensamentos: aparece um dia, some no outro dia. Aliás, aparece em um milésimo de segundo e some.

Por que dar tanta credibilidade a algo tão fugaz? A todo aparecimento está implícito o desaparecimento.Por isso o nosso encontro consiste em encontrar e repousar naquilo que não desaparece. A Consciência que você é não pode ser vista, por isso não pode ser perdida. Se ela aparecesse você já teria a encontrado, mas também já a teria perdido. Por isso não foque nos sentidos nem nas experiências, foque na não-experiência e no desaparecimento de todas as ideias e conceitos e descubra sua natureza límpida, virgem e original. (...)

É muito comum que você pense que está olhando para dentro, ainda que esteja olhando para fora. Isso acontece porque a mente tem uma série de camadas e, é claro, porque ela pensa o que quiser. Satsang promove um corte no sistema, de modo que ele pare de promover respostas pré-fabricadas a respeito do seu encontro consigo mesmo.

Esteja atento e note as respostas e opiniões que sua mente tece a respeito de quem você é, de quem o outro é, a respeito do mundo, da vida, de Deus... Você vive as opiniões, sem uma mínima investigação ou preocupação quanto à veracidade dos fatos. Ideias que vieram do passado são projetadas no futuro sem que você as experimente no momento presente.

Exclusivamente por este motivo, Satsang traz, a princípio, um ar de provocação. Os conceitos pré-fabricados, quando expostos, tornam-se vulneráveis e tendem a desaparecer. O desaparecimento é a meta. Mas, nesse momento, diante da
possibilidade de perder as referências passadas, externas a você, a mente se apóia onde e como puder na tentativa de manter-se no trono.

O Silêncio surge quando você não vê mais diferenças entre eu e você. Nesse momento, o verdadeiro Rei – o Silêncio – repousa no trono e a mente assume seu lugar de servente.
Por isso insista, não se satisfaça com as respostas da mente a respeito de quem você é. Essas respostas vieram de outros.

Vá para dentro e encontre a sua, originalmente e plenamente.
Se você quer saber onde o dentro fica, você foi “contaminado” pelo vírus da Consciência e está iniciado o nosso caso de amor."

19 de agosto de 2012

Relacionamento Homem e Mulher - Osho - 3a


"Mas uma coisa você precisa lembrar: faça isso sem meditação e o amor está fadado ao fracasso; não existe possibilidade de ele ter sucesso.
Você pode fingir e pode enganar os outros, mas não pode enganar a si mesmo.

Você sabe lá no fundo que nenhuma promessa que o amor lhe fez foi cumprida.
Só com meditação o amor começa a assumir novas cores, uma nova música, novas canções, novas danças, porque a meditação lhe dá condições de compreender o oposto polar, e basta essa compreensão para o conflito desaparecer.

Todo conflito do mundo é causado por mal-entendidos. Você diz alguma coisa e a sua mulher entende outra. A sua mulher diz alguma coisa e você entende outra. Tenho visto casais que viveram juntos por trinta ou quarenta anos; mesmo assim parecem tão imaturos quanto eram no dia em que se conheceram.
A reclamação ainda é a mesma: "Ela não entende o que eu estou dizendo". Quarenta anos juntos e você ainda não conseguiu encontrar um jeito de a sua mulher entender o que você está falando. E você, consegue entender o que ela lhe diz?

Mas eu acho que não existe nenhuma possibilidade de isso acontecer, exceto por meio da meditação, porque a meditação lhe dá as qualidades do silêncio, da consciência, de saber ouvir com paciência, de conseguir se colocar no lugar do
outro.

As coisas não são impossíveis, mas nós não experimentamos o remédio certo.

Eu gostaria que você lembrasse que a palavra "medicina" tem a mesma raiz de "meditação". A medicina cura o seu corpo; a meditação cura a sua alma. A medicina cura a sua parte material; a meditação cura a sua parte espiritual.

As pessoas estão vivendo juntas e seus espíritos estão cheios de feridas; por isso, coisas pequenas machucam tanto.(...)
As pessoas não estão entendendo nada. Por isso, qualquer coisa que façam sempre acaba em desastre.
Se você ama um homem, a meditação será o melhor presente que você pode dar a ele. Se ama uma mulher, não adianta dar maquiagem para ela; a meditação é uma dádiva muito mais preciosa, e tornará a sua vida uma grande alegria.

Nós somos potencialmente capazes de sentir uma grande alegria, só não sabemos como.
Sozinhos, ficamos tristes. Juntos, nossa vida é um inferno.
Até um homem como Jean-Paul Sartre, um homem de inteligência brilhante, tem de admitir que o inferno são os outros, que viver sozinho é a melhor coisa, não conseguimos nos entender.
Ele se tornou tão pessimista que disse ser impossível se entender com os outros, que o inferno são os outros. No nível mais comum, ele está certo.

Com a meditação, o outro se torna o seu céu. Mas Jean-Paul Sartre não tinha ideia do que era a meditação.

Essa é a desgraça do homem ocidental. O homem ocidental está perdendo as flores da vida porque não sabe nada sobre meditação, e o homem oriental também está perdendo porque não sabe nada sobre o amor.

E para mim, assim como o homem e a mulher são as duas metades de um todo, o mesmo acontece com o amor e a meditação.

A meditação é o homem; o amor é a mulher.
No encontro da meditação e do amor está o encontro do homem e da mulher.

E nesse encontro criamos o ser humano transcendental, que não é homem nem mulher. E a menos que criemos o homem transcendental na Terra, não há muita esperança."
Osho em "A Essência do Amor: Como Amar Com Consciência e se Relacionar Sem Medo"

18 de agosto de 2012

Relacionamento Homem e Mulher - Osho - 2a


"Mas um dos mais estranhos fenômenos é que, embora tenham convivido durante milhares de anos, homens e mulheres continuam sendo estranhos. Eles continuam gerando filhos, mas continuam sendo estranhos.
A perspectiva feminina e a masculina são tão contrárias uma a outra que, a menos que se faça um esforço consciente, a menos que se faça disso uma meditação, não existe esperança de que tenham uma vida pacífica.

Um dos meus maiores interesses é saber como casar a tal ponto a meditação com o ato de fazer amor que todo caso de amor se torna automaticamente uma parceria na meditação, e toda meditação torne você tão consciente que não precise mais cair de amores, mas possa se elevar no amor.

Você pode encontrar um amigo conscientemente, deliberadamente. O seu amor se aprofundará à medida que a sua meditação se aprofunda, e vice-versa; quando a meditação desabrochar, o seu amor também desabrochará. Mas num nível totalmente diferente.

Mas a maioria dos casais não está conectada na meditação.
Eles nunca se sentam em silêncio durante uma hora, juntos, para sentir a consciência um do outro. Ou eles estão brigando ou fazendo amor, mas nos dois casos estão relacionados com o corpo, a parte física; a biologia, os hormônios.
Eles não estão relacionados com o âmago mais profundo um do outro. As suas almas permanecem separadas.

Nos templos, nas igrejas, nos tribunais, só os seus corpos são casados. As suas almas estão a quilômetros de distância uma da outra. Embora você esteja fazendo amor com a sua parceira, nem nesses momentos você está presente, ou ela está presente.

Talvez o homem esteja pensando na Cleópatra, em alguma atriz de cinema. E talvez seja por isso que todas as mulheres ficam com os olhos fechados: para não ver o rosto do marido, nem ser incomodada. Ela está pensando em Alexandre, o Grande; em Ivan, o Terrível; e se olhar para o marido acaba a fantasia. Ele se parece com um rato.
Até nos momentos mais belos, que deveriam ser sagrados, meditativos, de profundo silêncio - nem nesses momentos você está sozinha com o ser amado. Existe uma multidão ali. A sua mente está pensando em outra coisa, a mente do parceiro está pensando em outra pessoa.

Então o que você faz é apenas robótico, mecânico. Alguma força biológica está escravizando você, e você chama isso de amor.(...) Quando está fazendo amor, será que a mulher está realmente presente? Será que o homem está mesmo ali? Ou será que vocês estão apenas fazendo um ritual, algo que tem que ser feito, um dever a ser cumprido?
Se você quer um relacionamento mais harmonioso com o parceiro, terá que aprender a ser mais meditativo. Só o amor não basta. O amor sozinho é cego; a meditação lhe dá visão.

A meditação lhe dá entendimento.
E depois que o amor for tanto amor quanto meditação, vocês se tornam companheiros de viagem. O relacionamento deixa de ser comum. Torna-se um companheirismo na jornada de descoberta dos mistérios da vida.
Homens solitários, mulheres solitárias acharão essa jornada muito entediante e muito longa, como já descobriram no passado. Como viram esse conflito eterno, todas as religiões decidiram que as pessoas que queriam empreender a busca religiosa deveriam renunciar ao outro - os monges deveriam praticar o celibato, as freiras deveriam praticar o celibato.(...)

O caminho não é tão longo, o objetivo não está tão distante.
Mas, mesmo que você queira ir à casa do seu vizinho, precisará das duas pernas. Se for pulando em uma perna só, que distância poderá percorrer?
Homens e mulheres juntos, numa profunda amizade, num relacionamento amoroso e meditativo, como um todo orgânico, podem atingir o objetivo a qualquer momento que quiserem.
Porque o objetivo não está fora de você; ele é o centro do ciclone, é a parte mais íntima do seu ser. Mas você só pode encontrá-lo quando está inteiro, e você não ficará inteiro sem o outro.

O homem e a mulher são duas partes do mesmo todo. Portanto, em vez de perder tempo brigando, tentem se entender. Tentem se colocar um no lugar do outro; tente ver com os olhos do homem, tente ver com os olhos da mulher.

E quatro olhos são melhores do que dois. Você tem visão total; todas as quatro direções são acessíveis para vocês." [ continua...]
Osho em em A Essência do Amor: Como Amar Com Consciência e se
Relacionar Sem Medo
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