30 de abril de 2013

Florescer na Compaixão...


"Sempre que você medita, você se sente bem-aventurado; sempre que sente compaixão, fica em êxtase. Então surge a gratidão, não dirigida a ninguém em particular; a gratidão simplesmente surge. Ela não é dirigida a mim ou a Jesus, ou a Zaratustra, ou a Buda.
Ela é simplesmente gratidão.

Você se sente grato apenas por estar aqui, apenas por estar vivo, apenas por ser capaz de meditar, apenas por ser capaz de sentir compaixão.
Você simplesmente se sente grato.
Essa gratidão não se dirige a ninguém, mas sim, ao Todo.

Se você se sente grato em relação a mim, então é uma gratidão da mente. Se você meditar e florescer na compaixão, simplesmente se sentirá grato, mas não em relação a mim, e sim, em relação a Tudo.
E quando você se sentir grato em relação a tudo, então será realmente uma gratidão para comigo, para Buda, para Jesus, para Zaratustra, nunca antes.

Quando há uma escolha, e você me escolhe, então o seu mestre torna-se um ponto e não o todo. É isso o que acontece em toda parte.
Os discípulos se apegam ao mestre e os mestres ajudam os discípulos a se apegares. Isso não é bom; é feio.

Quando você realmente floresce, então seu perfume não é dirigido a ninguém; quando você realmente floresce o perfume se espalha em todas as direções. E qualquer um que passe perto de você, sentirá a sua fragrância e a levará consigo.
Se ninguém passar por você, então, nesse caminho solitários e silencioso sua fragrância continuará se espalhando, sem estar endereçada a ninguém.

Lembre-se: a mente sempre tem um endereço; o Ser não tem endereço.
A mente está sempre se movendo em direção a alguma coisa; o Ser simplesmente se move em direção a Tudo. É um movimento sem meta alguma;

A meta existe por causa do motivo. Você se move para alguma coisa por causa do desejo. Quando não há desejo, como você pode se mover?
O movimento existe, mas não a motivação. Então você se move em todas as direções. Então, você se derrama, transborda.

Então, seu mestre está em toda parte. Então eu estou em toda parte. E só quando chega esse momento é que você fica livre do mestre também. Então, você está livre de todos os relacionamentos, de todos os limites. E se um mestre não pode libertar você dele próprio, então ele não é absolutamente um mestre.

Portanto, você não precisa fazer nada por mim. Faça alguma coisa por você.
Meditação, compaixão - isso também será por mim. Então, você sentirá a minha presença não pela mente.

Agora, você pensa e sente: O que podemos fazer por Osho?
Isso é mente. (...)

Uma coisa você pode fazer por mim - abandonar essa mente. Permita que o seu ser floresça.
Então, você terá uma fragrância.
Então, o Todo ficará feliz, em todas as dimensões e direções.
Você estará sempre em êxtase, e sua gratidão não será limitada.
Não será dirigida a um ponto, e sim, a Tudo por toda parte.
Só então, chegará à verdadeira prece.
Essa gratidão é prece. (...)

Quando depois da compaixão surge a gratidão, a existência toda se torna um templo. Tudo o que você toca faz tornar-se uma prece.
Não pode ser de outra forma.
Profundamente enraizado na meditação, profundamente fluindo na compaixão, você não pode ser de outra forma. Você se torna uma prece; você se torna gratidão.

Mas lembre-se: a mente sempre tem um endereço. Ela tem meta, um desejo a realizar. 
O Ser não tem endereço. Não tem meta. Não tem nada a atingir.

O reino do Ser há foi alcançado e o imperador já está no trono.
Você se move porque o movimento é vida, mas não se move para nenhuma meta.
Quando não há meta, não há tensão. Então o movimento é belo e gracioso."
Osho em Raízes e Asas.

29 de abril de 2013

Ondas - Thich Nhat Hahn


"Quando você olha para a superfície do oceano, pode ver ondas subindo e descendo. 

Você pode descrever essas ondas em termos de alta ou baixa, pequena ou grande, mais vigorosa ou menos vigorosa, mais bonitas ou menos bonitas.

Você pode descrever uma onda em termos de início e fim, nascimento e morte. 

Esta pode ser comparada à dimensão histórica. Na dimensão histórica nós estamos preocupados com nascimento e morte, mais poderoso ou menos poderoso, mais bonito ou menos bonito e assim por diante.

Olhando profundamente, podemos também ver que as ondas são ao mesmo tempo água. Uma onda pode querer procurar sua verdadeira natureza. 


A onda pode sofrer de medos, de complexos. 

Uma onda pode dizer: “Eu não sou grande como as outras ondas”, “eu estou oprimida”, ”eu não sou tão bonita como as outras ondas”, “eu nasci e eu tenho que morrer”.

A onda pode sofrer com essas coisas. Mas se a onda se curvar e tocar sua verdadeira natureza ela tomará consciência que ela é água. Então o medo e os complexos desaparecerão.

A água é livre do nascimento e morte. 

A água é livre do alto e baixo, do mais bonito e menos bonito. 

Você pode falar nesses termos de ondas, mas em termos de água esses conceitos são inválidos.

Nossa verdadeira natureza é a natureza do não nascimento e não morte.

Nós não precisamos ir a nenhum lugar para tocarmos nossa verdadeira natureza.

A onda não precisa procurar pela água porque ela é água. Nós não precisamos procurar por Deus, não precisamos procurar pelo nirvana, a dimensão última, porque nós somos nirvana, nós somos Deus.

Você é o que está procurando. Você já é o que está procurando. Você pode dizer à onda, “minha querida onda, você é água, você não precisa ir e procurar pela água. Sua natureza é a do não nascimento e não morte, de não ser e de não não ser”.

Pratique como uma onda. 

Use seu tempo olhando profundamente dentro de você mesmo e reconhecendo que sua natureza é a natureza do não nascimento e não morte. 

Você poderá despontar para a liberdade e para a falta de medo.

Este método nos ajuda a viver sem medo e nos ajudará a morrer em paz sem lamentações."
Thich Nhat Hahn em Paz a cada passo

28 de abril de 2013

Silencio e Celebração - Osho



"Qual é a chave? 
O Silencio e o riso são a chave - silencio dentro, riso fora.
E quando o riso vem do silencio, não é deste mundo é divino.

Quando o riso vem do pensamento é feio. (...) Então, você está rindo de alguém, às custas de alguém, e isso é feio e violento.
Quando o riso vem do silencio, você não está rindo de ninguém. Está simplesmente rindo de toda a brincadeira cósmica. E é realmente uma brincadeira.(...)
É uma piada cósmica. Porque dentro você tem tudo, e está procurando por toda parte.
Existe piada melhor?
Você é um rei, fazendo papel de um mendigo nas ruas. Não apenas representando, enganando os outros, mas fingindo para si próprio que é um mendigo.
Você tem a fonte de todo o conhecimento e fica fazendo pergunta; você é a própria inteligência, e fica pensando que é ignorante; você tem o imortal dentro de você e tem medo da doença e da morte.
Isso é realmente uma piada!

Mas, exceto Buda, ninguém mais entendeu. Ele aceitou o riso de Maha-Kashyap, e imediatamente percebeu que ele tinha compreendido tudo.
A qualidade daquele riso era cósmica. Ele entendeu toda a piada da situação. Não há nada além disso. A história toda é como se o Divino estivesse brincando de esconde-esconde com você.

Os outros pensaram que Maha Kashyap era um louco, rindo e rindo diante do Buda. Mas Buda percebeu que aquele homem se tornaram sábio. Os loucos sempre têm uma sabedoria sutil, e os sábios sempre agem feito loucos.(...)

Por quê? Porque há coisas que os tais sábios não são capazes de compreender e que apenas os tolos podem, pois os tais sábios são tão tolos que sua esperteza e astúcia fecham as suas mentes.(...)
O louco não tem medo de ninguém. Ele fala sem se importar com as consequências; o louco é alguém que não pensa nas consequências. (...)

O homem astuto sempre pensa primeiro no resultado e só então age. 
O pensamento vem primeiro, depois a ação. Um homem tolo, louco, age. 
O pensamento nunca vem primeiro.

Sempre que alguém realiza o SUPREMO não se parece com o seus homens sábios. Ele não pode ser assim. Pode ser como seus loucos, mas nunca como seus homens sábios. 
Quando São Francisco se Iluminou, começou a chamar-se de louco de Deus. (...) Quando São Francisco ia até um rio, os peixes pulavam em sinal de alegria, pela presença dele. Milhares de pessoas foram testemunhas desse fenômeno. (...) São Francisco chegava e os peixes ficavam felizes. (...) Mesmo as árvores que já haviam secado, e já iam morrer, voltavam a ficar verdes e a florescer se São Francisco se aproximava. Essas árvores perceberam que aquele louco não era um louco comum, era um louco de Deus. (...)

Maha-Kashyap ficou em silencio, silenciosamente, o rio interior continuou fluindo, e o riso solto acontecia fora. Buda viu isso, e lhe entregou a flor. 

Essas são as duas partes:
O silencio interior - um silencio tão profundo que não há vibração em seu ser; você existe, mas não há ondas; você é um lago, sem ondas, sem nenhuma onda; O ser silencioso, quieto, sereno; dentro no centro, apenas silencio - e na periferia festa, riso. E só o silencio pode rir, pois só o silencio pode entender a brincadeira cósmica.

Então sua vida se torna uma festa vital; seus relacionamentos tornam-se algo festivo. Qualquer coisa que você faça em cada momento é um festival. Você come, e o comer é uma festa; toma banho, e banhar-se torna-se uma festa; você fala, e falar torna-se uma festa;
O relacionamento torna-se uma festa. Sua vida exterior torna-se uma festa. Não há tristeza nela. Como pode existir a tristeza com o silencio? 

Mas geralmente, você pensa o contrário. Pensa que se ficar calado será triste, que se ficar calado não poderá evitar a tristeza. Eu digo que o silencio que existe com a tristeza não pode ser verdadeiro. Algo está errado. Algo deve ter se perdido no caminho, deve ter se extraviado. Só a festa pode ser uma prova de que o verdadeiro silencio aconteceu.

Qual a diferença entre um silencio verdadeiro e um silencio falso? Um silencio falso é sempre forçado. É conseguido através do esforço. Não é espontâneo, não aconteceu a você. Você o fez acontecer, é forçado.

Você pode estar sentado imóvel, mas há muito tumulto no seu interior. Você reprime esse tumulto e então não pode rir. Você se torna triste, pois o riso é perigoso - se você rir, perderá o silencio, pois no riso você não pode reprimir.
O riso é contra a repressão. Se você quer reprimir, não deve rir; se você rir, tudo virá à tona. O que é real aparecerá no riso e o irreal será perdido. (...)

O riso necessita de uma respiração profunda; quando você ri, toda uma respiração profunda é liberada. Por isso ninguém respira profundamente e sim superficialmente, pois muita coisa foi reprimida em sua infância, e depois dela. Você não pode respirar profundamente. Se o fizer ficará com medo. (...)

Tente reprimir qualquer coisa. O que você fará? Você não respira. Você corta a respiração e só respira superficialmente, com a parte superior dos seus pulmões. Você não irá mais fundo, pois na barriga tudo está reprimido. (...)

Nada pode perturbá-lo se o verdadeiro silencio aconteceu. Então tudo o ajuda a crescer. Se você está realmente silencioso, pode sentar-se em um mercado e nem o mercado poderá perturbá-lo. (...) O barulho do mercado torna-se silencio dentro de você. (...)

Se o real acontece a você, e você não tem medo, ele não pode lhe ser tirado. Nada pode perturbá-lo. E quando digo nada, quero dizer nada mesmo. (...)

Essa é a chave - a parte interior é o silencio, e a parte exterior é a festa, o riso, a celebração.
Seja alegre, festivo e silencioso. Crie cada vez mais possibilidades ao redor de você - não force o interior a ser silencioso. apenas crie cada vez mais possibilidades ao redor de você para que o silencio interior possa florescer nelas. 

Isso é tudo o que podemos fazer.(...)
A meditação é apenas uma situação. O silencio não será uma consequência dela. Não, a meditação consiste apenas em criar a situação, o ambiente, em preparar o solo. A semente já existe. Você não precisa colocar a semente dentro de você. (...)
A meditação apenas cria a situação em que o silencio acontece. Esse deve ser o critério; sempre que o silencio acontece dentro, o riso entrará na sua vida; uma festa acontece fora."
Osho em Raízes e Asas

27 de abril de 2013

Vida é Liberdade...


- Afinal de contas: Está tudo certo ou tudo errado nessa Vida?
Hoje refletiremos sobre essa pergunta que me fizeram recentemente.
Trata-se de uma pergunta direta, e isso nos coloca frente a uma resposta direta;
- Digo que: Os dois! Está tudo certo e tudo errado. Depende de quem vê.

A Vida não tem como medir, nem como se entender, nem definir, isso é impossível.
Ela é ampla demais, viva demais, tem toda uma engrenagem de eventos infinita.
Vida é LIBERDADE.
Nenhum ser humano é capaz de definir a vida, nem de adivinhar o que quer que seja. Tudo isso é imaginação, é dedução, é presunção. E posso dizer, Graças a Deus que seja assim!!
Já imaginou se nós pudéssemos prever tudo, adivinhar tudo o que irá acontecer, e como? Que graça teria a vida dessa maneira? Nenhuma.

A Vida somos nós! Nós somos a Vida! Não existe vida sem que a consciência esteja presente. Nós não somos parte da Vida, nós somos a Própria Vida!!
Onde estou está a vida, onde você está, está a vida. Isso é óbvio.

Sempre acreditamos que somos parte da Vida, mas isso também não faz sentido, porque a Vida não se parte. A Vida é sempre inteira, sempre Total, e nós somos ela. Totais como ela. Ou seja, não existe parte nenhuma, nunca houve, não tem como haver esse conceito que "parte".
A "parte" é apenas um conceito, um pensamento, que se tornou útil, eu diria, para que a mente pudesse se orientar linearmente. Daí vem as divisões dos países, as fronteiras, as horas do dia, os dias do ano, o tempo, enfim.. Criamos nomes, para todas as coisas, criamos nomes e conceitos para definir emoções, sensações, definir aquilo que vemos, aquilo que sentimos, aquilo que existe, enquanto forma. Demos nomes a tudo e a todos. E depois, passamos a acreditar e a valorizar tanto esses nomes, esses conceitos, que acreditamos que eles tem vida própria, que é assim mesmo. Mas nunca foi! O planeta não conhece algo chamado Índia, ou Brasil, ou algo chamado árvore, ou pedra. Você conhece, a natureza... não!

E é aí que acontece a confusão. A mente é que precisa desses conceitos, desses nomes e divisões.
A Consciência não precisa de nada disso, é Totalidade.

Quando nós damos um nome a alguma árvore, algum animal, estamos "criando" imaginariamente divisões onde nunca houveram de verdade. O que difere uma árvore de uma rosa, um macaco de uma pedra, nada!! Somente as aparências são diferentes, mas essencialmente são a mesma e única Existência, se apresentando se manifestando, como diferentes formas, formas que não tem em si nenhuma importância, já que o que realmente importa é o que não pode ser visto, ou seja, a mesma e única Consciência viva se expressando, e brincando consigo mesma, nesta maravilhosa dança da Vida.

É por isso que os Mestres sempre nos chamam a atenção para que não fiquemos presos a nomes, formas, aparências. Pois são ilusões. Não tem existência em si mesmos. São tão efêmeros, são pura mudança. Como podemos entrar duas vezes no mesmo rio? O rio está em constante fluxo, mudando o tempo todo, e nós também, mudamos o tempo todo. É impossível se entrar no mesmo rio duas vezes. Até mesmo uma vez é impossível, porque no momento em que entramos, o rio já não é o mesmo e nós também não...

Mergulhar nessa consciência nos leva a perceber o valor inestimável do instante.
É impressionantemente belo, e único, cada instante da Vida. Precioso demais! Impossível de se definir.
Vemos que a Vida tem seu fluxo, e uma inteligência que guia cada evento, cada instante, tudo acontecendo como consequência e causa de infinitos eventos. Oceano Cósmico de absoluta beleza.
Nossa mente míope não alcança. O coração diz SIM e ama incondicionalmente, sem perguntar "por que"?. O coração é o único que vislumbra essa Beleza, sem compreender nada.
Apenas AMA e amando, VIVE.

Voltando a nossa pergunta inicial: Está tudo certo ou errado nessa vida?
O que posso dizer, ( além de sorrir é claro!! rs ) é dizer que os dois. O certo e o errado são apenas conceitos da mente de quem pergunta. O que é certo hoje pode ser o errado de amanhã, e vice-versa.
A mente fracionada, não entende a vida, e cada vez mais fraciona para ver se assim fica mais fácil de entender.
Logo, abandonemos essas perguntas sem propósito e mergulhemos do deleite de vivenciar, de saborear o instante único. Aquilo que É, como somente aqueles que amam são capazes de experimentar, mesmo sem nada entender...
O Amor diz Sim ao que vier.
O Amor basta...
Lilian


26 de abril de 2013

Sobre o Ciúme - Osho


"Sim, falo mais sobre e a raiva e sexo e menos sobre o ciúme, pois este, não é uma coisa primária. É secundário. É uma parte secundária do sexo.

Sempre que você tem um desejo sexual em sua mente, uma manifestação sexual em seu ser, ou se sente sexualmente atraído por alguém, o ciúme entra em cena, porque você não está amando. Se você ama, o ciúme não aparece.

Tente entender a coisa toda. Sempre que você está ligado sexualmente fica com medo, pois na verdade o sexo não é um relacionamento, e sim, uma utilização mútua. Se você está ligado sexualmente fica com medo que essa pessoa possa ir embora com outra. Não há um relacionamento real. É apenas uma exploração mútua. Vocês sabem disso, por isso tem medo.

Esse medo torna-se ciúme, e você começa a não permitir certas coisas. Começa então a vigiar. Toma todas as medidas de segurança para que o homem não possa olhar para outra mulher. Só o olhar já é um sinal de perigo. O homem não deve falar com outra mulher, pois falar...
E você sente medo de que ele possa ir embora. Então, você fecha todos os caminhos, todas as possibilidades do homem ir com outra mulher, ou da mulher ir com outro homem. Você fecha todos os caminhos, todas as portas.

Mas aí surge um problema; quando todas as portas estão fechadas, o homem se torna morto. A mulher se torna morta; ambos tornam-se prisioneiros, escravos e não se pode amar algo morto. Você não pode amar alguém que não é livre, pois o amor só é belo, quando é dado livremente, voluntariamente  quando não é tomado, pedido, forçado.


Primeiro você toma medidas de segurança. Então a pessoa torna-se morta, como um objeto. (...) Quanto mais você controla mais está matando, pois a liberdade é perdida. E a outra pessoa pode ficar ali por outras razões, mas não por amor, pois como você pode amar alguém que o possui? Você sente que essa pessoa é um inimigo.

O sexo cria o ciúme, que é secundário. Portanto a questão não é como eliminar o ciúme. Você não pode eliminá-lo pois não pode eliminar o sexo. A questão é como transformar o sexo em amor. Então, o ciúme desaparece.

Se você ama uma pessoa, o próprio amor é garantia e segurança suficiente. Se você ama uma pessoa, sabe, que ela não pode ir com ninguém; e se ela for nada pode ser feito. (...)

Quando você ama alguém, confia que ele não vai embora com ninguém. Se vai é porque não há mais amor e nada pode ser feito. O amor traz essa compreensão. Não há ciúme. Portanto se há ciúme saiba que não há amor. Você está fazendo um jogo; está escondendo o sexo atrás do amor.
O amor é apenas uma fachada."

Osho em Raízes e Asas.

25 de abril de 2013

O Olhar Integral - Jean-Yves Leloup


"No coração da sombra existe a luz. E no coração da luz existe a sombra. 
A experiência do ser é a experiência do círculo que mantém os dois juntos.
O momento de repouso que fazemos é semelhante à nossa respiração. 
O inspirar e o expirar é uma não-dualidade. Se só inspiramos, sufocamos, se só expiramos, morremos. 

 O sopro contem a inspiração e a expiração e o que é verdadeiro em nossa vida fisiológica é também verdadeiro em nossa vida psicológica.

Tornar-se adulto é passar da idade dos contrários para a idade do complementar, para um outro modo de olhar as coisas. Se alguém diz algo contrário ao que penso e sou capaz de entender esse contrário como complementar, vou crescer em consciência e em compreensão. Se em vez de rejeitar ou negar alguns elementos de minha vida obscura, sou capaz de acolhê-los, torna-me-ei mais inteiro.

A sombra é o que dá relevo à luz. 

Quando amamos alguém, um dos sinais de amor verdadeiro é que amamos os seus defeitos. É fácil amar os defeitos de nossos filhos. É difícil amar os 
defeitos dos adultos ou de nossos cônjuges. 

Esse amor de que falamos não significa complacência, não é dizer ao outro que me agrada o que ele tem de desagradável, pois isso seria mentira e hipocrisia. 
O amor de que falamos é dar ao outro o direito de ser diferente. É dar a 
ele o direito de experimentar sua liberdade. De experimentar em mim mesmo esta capacidade de amar o que é amável e de amar, também, o que não é amável. Dessa maneira passaremos, de uma vida submissa para uma vida escolhida. 
Nossa vida vale pelo olhar que é posto nela. Os olhares de juiz nos enchem de culpa. Há olhares benevolentes, misericordiosos e ao mesmo tempo, justos. Precisamos desses olhares porque todos nós temos necessidade de verdade e de sermos amados. Por vezes, os olhares que encontramos são muito amorosos, muito doces, mas falta a eles a exigência desta verdade. 

Outras vezes, os olhares que se colocam sobre nós são plenos de verdade e justiça, mas falta a eles a misericórdia e o amor.
Há um olhar integral do qual temos necessidade a fim de nos vermos tal e qual somos. Porque a verdade sem amor é inquisição e o amor sem verdade é permissividade.

Estas são reflexões gerais e cada um pode entrar
em particularidades que 
lhes são próprias, sentindo se existe em sua vida alguém que pode suportar sua sombra sem julgá-la, apesar de não se mostrar complacente com ela. 
Creio que todos nós temos a necessidade, pelo menos uma vez em nossas vidas, de um tal olhar pousado sobre nós. 

Nesse momento não teremos mais necessidade de mentir, de nos iludirmos, de usarmos máscaras. 
Podemos mostrar nossa verdadeira face, nosso verdadeiro corpo, com seus desejos e seus medos. 
Podemos mostrar nossa verdadeira inteligência com seus conhecimentos e suas ignorâncias. 

Mostrar-se com o coração verdadeiro, capaz de muita ternura e também capaz de dureza e indiferença. Mostrar-se como não-perfeito, mas aperfeiçoável. 
Sob este olhar nossa vida pode crescer. Porque o olhar que nos julga e nos 
aprisiona em uma imagem faz-nos ficar parados, enquanto que o outro olhar nos impulsiona a dar um passo adiante desta imagem que os outros têm 
de nós."
Jean Yves Leloup em Além da Luz e da Sombra

24 de abril de 2013

Aceitação e Intuição - Prem Baba


"A intuição é a voz do Guru dentro de você.

A conexão com o mestre, com o Grande Mistério aumenta, quando você se permite perceber os sinais, perceber a sincronicidade, que está mostrando o próximo passo na sua jornada evolutiva.

Mas se você está no controle, e as coisas tem que acontecer do seu jeito, você não pode ser guiado. Então, você fecha sua visão para a sincronicidade. E aí, obviamente, você está condenado ao sofrimento, porque você se sente sozinho, por isso que você sofre, se sente desprotegido.
Seu coração se alegra quando se sente guiado. Quando você percebe que não está sozinho, não é uma folha levada pelo vento, mas que existe uma inteligência cuidando de tudo isso, e você faz parte disso tudo, faz parte desse jogo, você é uma flor do jardim do criador.
Você se sente pertencendo.
E quando se sente pertencendo, não há motivo para tristeza.
Mas para poder vivenciar esse contentamento, é importante estar atento a intuição, atento as sincronicidades, a essas coincidências misteriosas, que tem algo para você. Tem sempre uma mensagem por trás de uma "coincidência".
Na verdade não existe coincidência. Tem sempre um recado da vida para você, que revela o próximo passo da sua jornada.

Tem um motivo, escondido no fato de estarmos aqui; assim como motivos escondidos nos fatos das coisas acontecerem do jeito que acontecem.
É importante que estejamos abertos para receber esses ensinamentos. E estar completamente aberto para a sabedoria da incerteza. É abrir mão mesmo, de querer controlar.É deixar o poder te levar.Ser guiado pelo poder. Poder Superior.

Assim você desenvolve a mais profunda aceitação, e consequentemente o mais profundo relaxamento. Esse relaxamento trás uma alegria, trás a oportunidade de desfrutar cada momento da vida. E desfruta tanto dos momentos bons, como dos momentos que não são bons. Porque você encara tudo como material de escola, dessa grade escola que é a vida, cujo curso é Amar Conscientemente.

Amar desinteressadamente.
Se você vai largando o pensador compulsivo, e se permite ser guiado pelo coração, você entra no canto do Mistério. Esse Mistério é revelado para você.

"Pensamentos que me afligem,
Sentimentos que me 
dizem,
Nos motivos escondidos na razão de estar aqui.
As perguntas que me faço,
São levadas ao espaço
E de lá eu tenho todas as respostas que pedi.
Quem me dera as pessoas que se encontram se abraçassem como velhos conhecidos,
Descobrissem que se amam e se unissem
Na verdade dos amigos
E no topo do Universo uma bandeira
que estaria no infinito iluminada,
Pela força deste amor, luz verdadeira,
Dessa paz tão desejada.
Pensamentos que me afligem,
Sentimentos que me dizem,
Nos motivos escondidos na razão de estar aqui
Contemplando a natureza deste mundo
Onde as vezes aparentes coincidências
Tem motivos mais profundos.
Se as flores se misturam pelos campos
é que flores diferentes vivem juntas
E a voz dos ventos na canção de Deus,
Responde todas as perguntas"...

O que Deus quer nos dar? Flores?
Mas as vezes tem espinhos, e as vezes espetamos os dedos nos espinhos e tem motivos para se espetar os dedos nesses espinhos.

Você escolheu isso antes de encarnar, para despertar o seu potencial, e aprender a se libertar das limitações, descondicionar sua mente, poder dissolver carmas antigos, acordar o seu poder, acordar sua shakti, aprender a amar conscientemente.
Então meu amado, é chegada a hora de aceitar que a rosa é linda e perfumada, mas também tem espinhos. E aí não há motivo para brigar com a vida, você vê tudo como presente.

Se está bom agradece, se está ruim agradece. 
"Graças infinitas vos dou por tudo aquilo que já po cossompreender e por tudo aquilo que ainda não compreendo."
Rezo para que você tenha coragem de aceitar e abrir, os presentes que a vida lhe dá."
Prem Baba em Satsang

23 de abril de 2013

Tempo e Eternidade - Krishnamurti


"O tempo é velhice, o tempo é sofrimento, o tempo não respeita ninguém. 

Há o tempo cronológico, medido pelo relógio. Este é indispensável; do contrário, não poderíamos ter condução, viajar, preparar uma refeição, etc. 

Mas, nós aceitamos outra espécie de tempo, ou seja "amanhã eu serei, amanhã mudarei, futuramente me tornarei isto ou aquilo"; psicologicamente, criamos este tempo - amanhã. 

Mas, existe esse dia imediato? Eis uma pergunta que tememos 
fazer a sério. Porque nós desejamos o amanhã: “amanhã terei o prazer de me encontrar com você, amanhã eu compreenderei, minha vida será diferente. 

Amanhã conhecerei a iluminação. E desse modo o futuro se torna a coisa mais importante de nossa vida. Ontem você se deleitou sexualmente, fruiu vários prazeres, e deseja repeti-los no dia seguinte, ou logo depois.

Faça a si próprio esta pergunta, e descubra a verdade respectiva: "Existe realmente um amanhã fora do pensamento" que projeta o amanhã? 

O futuro, com efeito, é uma invenção do pensamento. 

Se, psicologicamente, não houvesse um amanhã, que aconteceria, hoje, em sua vida? Uma tremenda revolução, não é? 
Sua ação se transformaria radicalmente, não é assim? Você seria, agora, um ente total e não um ente projetado do passado para o presente e daí para o futuro.

Tal equivale a viver e morrer todos os dias. 
Faça-o, e verá o que exprime viver completamente hoje. 
E isso não é amor? Ninguém diz "Amanhã amarei". Ou amamos ou não amamos. 

O amor não reside no tempo; nele só está o amargor, porque o amargor, tal como o prazer, é pensamento. Devemos, pois, descobrir o que é o tempo, 
e descobrir se existe um "não amanhã" (no tomorrow)

Isso é viver; há então aquela vida eterna - porque, na Eternidade, não existe tempo." 
J. Krishnamurti em o Despertar da Inteligência

22 de abril de 2013

Sobre a Iluminação - Adyashanti



"Iluminação é apenas não se perceber através do ego.
É não ver a vida, ou qualquer coisa, você mesmo, a vida, seu tênis, o cachorro, o gato, qualquer coisa, a partir do ego.
É não ver o mundo, e tudo o mais através da distorção que chamamos de ego, é permanecer na pura consciência.


É por isso que é chamado de Estado Natural.
Vejam que Estado Natural, não é através de lente alternativa, mas é sim a ausência de qualquer lente projetada sobre a realidade. É a dissolução de todas as distorções.

É isso que é a Iluminação, a percepção sem distorções.
Aquilo que percebemos, como sendo pensamentos, emoções, ou uma situação qualquer, relacionamentos, qualquer coisa é percebida diretamente e não pelas lentes do ego.É isso que é Iluminação.

Claro que existem compreensões profundas a partir disso. Ver através do véu é o poder realmente Ver, é a percepção além das histórias.

A maioria das pessoas acreditam que Iluminação é um Satori eterno. Uma iluminação eterna, um Despertar eterno.Uma experiência infinita.
Mas não é uma experiência infinita e nem tem nada a ver com experiência infinita.

Essa compreensão lhe dará mais profundidade de percepções e compreensões de que o sonho existe.
É apenas uma clara visão de que a realidade pode ser vista diretamente, sem as lentes do ego.
Isso é iluminação.

E é muito bom, se perceber a Realidade sem as lentes do ego. É alegria, é paz e é o fim da sua busca.

Não é que você encontrou alguma coisa, exceto sanidade. Não é que você atingiu alguma coisa, além daquilo que você sempre foi.

Isso é Nirvana: Ver as coisas como elas realmente são.
Logo, quando você vê as coisas como elas realmente são, naturalmente elas são boas.
A natureza real das coisas está além dos pensamentos, é puro vazio, vacuidade. É não-existência.
A natureza de tudo é insubstancial. E Essa visão é além da dimensão da consciência.

Pela perspectiva da Iluminação tudo está além da dimensão da consciência. Faz sentido para vocês?

O ego, (e a maioria das pessoas vive pelas lentes do ego - daí o termo 
egoico ) mas existe essa dimensão que é além da dimensão egoica  onde a pura percepção está lá, acontece sem interferências.
Aquilo que o ego chama de inimigos, nessa dimensão não existem. Aquilo que você chama de dualidade, nessa dimensão não existe. Aquilo que se chama auto-imagem não existe tão pouco, uma vez que não se percebe onde começa e termina esse Self, já que ele é Tudo; aquilo que o ego chama de "eu" nada mais são que os pensamentos a respeito dele.

Logo, alcançar a dimensão além da mente, o ego pode estar presente, os pensamentos e tudo o mais permanecem, sem problemas, e serão visto como tal, pensamentos, que passam. Não se precisa preocupar com isso, deixe-os vir. Eles fazem parte da existência. 

A Consciência os percebe, sem nenhum problema. Permanecer na Consciência de tudo, esse é o ponto.

Em geral, espiritualidade é associada a um estado alterado de consciência, algo extraordinário.
Você pode ficar repetindo o nome de Deus por cinco horas, você terá um estado alterado de consciência, você se sente diferente; Existem várias práticas que podem alterar seu estado de consciência.

Mas a coisa engraçada é que Iluminação não tem a ver com nada disso. 
Iluminação é a ausência de qualquer estado alterado de consciência.

A Consciência não precisa de nenhuma alteração para Ver aquilo que É.
Aquilo que é, não precisa de nenhuma alteração de consciência para ser percebido.
A alteração de consciência é necessária para se ver algo que é mais do daquilo que realmente É. Ou seja, criações além do Um.

Logo no momento que no Zen chamamos de Satori ou iluminação, na iluminação se enxerga como o ego desaparece, e com ele todas aquelas projeções ilusórias que criavam as divisões. 
Isso é o Despertar. E o que acontece hoje, amanhã, daqui a um ano, não importa, a percepção da Verdade, a experiência permanece.(...)

O que é realmente importante no Satori, é como o ego vem abaixo. Aquilo que você acreditava, confiava, vivia, desaba. 

A orientação mais importante que vemos a partir da visão egoica dual, é que percebamos que existe algo que mantém tudo isso; e que o ego é em si mesmo, um grande gasto de energia, e que mesmo não sendo verdadeiro, ele emerge dessa fonte constantemente até seu fim.
Esse ego é mantido aceso como uma brasa, ele é alimentado instante a instante.
A verdadeira disciplina espiritual é não alimentar esse ego, é não colocar mais energia nessa divisão egoica. Apenas isso, nada mais.
Adyashanti em Satsang

20 de abril de 2013

Essência Luminosa...


Brilha,
Ó Essência luminosa de todos os seres
Brilha
Com seus raios infinitos
Preenchendo todos os lugares
Em cada sopro
Cada coração...

Sinfonia Divina
Radiante
Se renova encantada
Em cada olhar,
Mesma simplicidade
Beleza
Paz...

Brilha,
Ó Essência luminosa
Faz-nos Ser
Faz-nos Ver
A Ti mesma em nós
A Ti mesma em todos
A Ti mesma a cada instante do eterno 
Viver...

Revela-Te
Ó essência bela,
Incendeia em nós a plena Consciência..
Da aurora do Despertar,
A última gota de imensidão...
Sois plena,
Do primeiro sopro 
Ao último desejo
Sois plena...

Desfaz-nos os limites ilusórios
Desfaz-nos as divisões insensatas
Desfaz-nos as miragens do não-saber..
Que possamos enxergar a Verdade óbvia,
Onipresença Divina em cada um de nós
Realizada
Manifestada
Absoluta...

Ó Essência luminosa
Esplendorosa
e Radiante
Revela-Te, Desperta-nos
Para Ti , em Ti..
Luz Divina 
Amor 
Paz...

19 de abril de 2013

Sobre a Libertação - Ramana


"Bhagavan, como um chefe de família se encaixa no esquema da Libertação?

Ramana Maharshi: Por que você pensa que é um chefe de família? Se você se tornar um asceta (sannyasi), um pensamento similar de que você é um asceta vai assombrá-lo. Quer você continue como chefe de família ou renuncie a tal condição e vá para a floresta, sua mente vai junto com você. 


O ego é a fonte de todo o pensamento. Ele cria o corpo, o mundo e faz você pensar que é um homem do mundo. Se você renunciar ao mundo, o pensamento de que você é um asceta substituirá o de que você é um chefe de família, e o ambiente da floresta substituirá o da casa.

Mas os obstáculos mentais ainda estarão lá. Eles inclusive aumentam em novos ambientes. Mudar de ambiente não ajuda em nada.


O obstáculo é a mente.
Ela deve ser superada, seja em casa ou na floresta. Se você pode fazê-lo na floresta, por que não em casa? Então, para que mudar de ambiente? Seus esforços podem ser feitos agora mesmo, qualquer que seja o ambiente em que se encontre. 

O ambiente jamais muda conforme o seu desejo.

Se os objetos tivessem uma existência independente, isto é, se existissem em algum lugar qualquer separado de você, então seria possível afastar-se deles. Mas eles não existem separados de você; eles devem sua existência a você, a seus pensamentos. Portanto, onde você poderia ir para escapar deles?

Para onde você pode ir para fugir do mundo e de seus objetos? Eles são como a sombra de um homem, da qual ele não pode fugir. 

Há uma história engraçada de um homem que queria enterrar a própria sombra. Ele cavou um buraco fundo e, vendo sua sombra lá embaixo, alegrou-se de poder enterrá-la nas profundezas. Começou a encher o buraco, e quando estava completamente cheio, ficou surpreso e desapontado ao ver a sombra em cima novamente. Da mesma forma, os objetos e os pensamentos sobre eles estarão sempre com você, até que você realize o Ser.

Por que os seus deveres ou ocupações na vida deveriam atrapalhar o seu esforço espiritual? Por exemplo, há uma diferença entre suas atividades em casa e no trabalho. No trabalho você está desapegado: você apenas cumpre o seu dever e não se importa com o que vai acontecer, não está preocupado com o ganho ou com a perda do seu chefe ou empregador. 

Os seus deveres com a família, por outro lado, são desempenhados com apego: você está sempre preocupado se as suas ações vão trazer benefício a você e sua família. Mas é possível desempenhar todas as atividades da vida com desapego e ver apenas o Ser como real. É errado pensar que se você permanecer fixado interiormente no Eu Real as obrigações da vida não serão bem desempenhadas. É como um ator no palco: vestido do personagem, ele age como tal e até sente que é parte da peça, mas na verdade sabe que na vida real não é o personagem, mas outra pessoa. 

Da mesma maneira, por que deveria a consciência do corpo ou o sentimento “eu-sou-o-corpo” lhe perturbar, uma vez que você saiba que na verdade você não é o corpo, mas sim o Eu Real? 

Nada que o corpo faça deve afastá-lo da permanência como Eu Real.

Permanecer fixado no Eu Real não irá interferir com o desempenho adequado e efetivo de quaisquer deveres que o corpo tenha, assim como o fato de o ator saber a sua verdadeira identidade não interfere no personagem que ele representa no palco.

A renúncia está sempre na mente, não em ir para a floresta ou locais solitários, ou em desistir de nossas obrigações. O importante é que a mente não se volte para fora, mas para dentro. Não compete ao homem decidir ir para este ou aquele lugar, abandonar ou não as suas obrigações. Tudo isso acontece de acordo com o destino.

Todas as atividades que o corpo deve vivenciar foram determinadas no momento em que ele veio à existência. Não cabe a você aceitá-las ou rejeitá-las. 
A única liberdade que você tem é voltar-se para dentro e aí renunciar às atividades. Ninguém pode dizer porque essa é a única liberdade deixada ao homem. Assim é o plano Divino.

Abandonar as atividades significa desistir dos apegos às atividades ou de seus frutos, abrindo mão da ideia de que “eu sou o agente”. As atividades que o corpo está destinado a desempenhar terão que acontecer. Não há que se falar em desistir de tais atividades, gostemos ou não delas.

Se nos mantivermos fixados no Eu Real, as atividades continuarão a acontecer do mesmo jeito e seu sucesso não ficará comprometido. Não se deve ter a ideia de que somos nós os agentes. Ainda assim as atividades continuarão. Esta força – qualquer que seja o seu nome – que trouxe o corpo à existência cuida para que as atividades que o corpo está destinado a desempenhar sejam realizadas.

Se as paixões fossem algo externo a nós, poderíamos guerrear com elas e conquistá-las. 
Mas todas elas vêm de dentro de nós. Quando olhamos internamente a fonte de onde elas vêm, nós as impedimos de surgir, e as conquistamos. É o mundo e seus objetos que fazem surgir nossas paixões. Mas o mundo e seus objetos são apenas criados pela nossa mente. Eles não existem quando estamos no sono profundo.

O fato é que qualquer quantidade de ações pode ser desempenhada – e muito bem desempenhada – por um Iluminado (Jnani), sem que haja identificação com elas ou a impressão de que é ele quem as faz. Um poder age através de seu corpo e o usa para fazer o trabalho."
Ramana Maharshi em Pérolas de Sabedoria - Vida e ensinamentos

18 de abril de 2013

Apenas o Absoluto é Real...


"O Buda, muito longe de negar que havia um Absoluto, garantiu que aqueles que alcançassem a iluminação deveriam se fundir com Isso e assim perceber 
Realidade em oposição ao mundo das ilusões e dos fenômenos. O que ele realmente disse, contudo, que tem levado pessoas a acusarem-no de ateísmo, é que não temos nenhum meio de expressar qualquer coisa sobre Isso. Palavras pertencem ao universo dos fenômenos e são aplicáveis apenas à ele. 

Quando alguém vai além dos fenômenos, em direção à Realidade, palavras 
precisam obrigatoriamente ser deixadas para trás. 
Nenhum ensinamento, nenhuma descrição, nenhum pensamento podem expressar o Absoluto — mas podemos experimentá-lo, se suficientemente evoluídos.
O que Buda combateu foram as numerosas tentativas que foram feitas, estão sendo feitas e continuarão a ser feitas, de dizer que o Absoluto é isso ou aquilo, um Deus pessoal, um Criador, um Deus-Pai. 

Ele insistentemente recusou responder qualquer pergunta sobre o assunto porque isso era inexprimível em palavras. Ele não iria permitir a seus discípulos imaginar um Absoluto a semelhança deles, como é a tendência do homem em todo lugar. Ele assinalou sutilmente que é melhor se ajustar para tentar alcançar a iluminação e, assim, experimentar o Absoluto por si próprio, em vez de perder tempo tentando ineficazmente falar sobre isso, já que nada que possa ser dito sobre Isso pode ser verdade em absoluto. 
Palavras iriam inevitavelmente modificá-Lo e moldá-Lo, resultando no máximo em uma aproximação grosseira. 
Palavras podem ser verdadeiras apenas em certo nível, mas apenas nesse nível, portanto serão apenas verdades relativas. Assim, como um entendimento que só funciona por meio de palavras pode conter o que não pode ser colocado em palavras? Apenas pela experiência direta.

Se esse fato tivesse sido assimilado, às custas do orgulho humano, teria havido muito menos intolerância, violência e sofrimento cometidos em nome da religião, entre os vários adeptos de seus seus próprios credos; todos afirmando de maneira confiante e dogmática que somente eles receberam a Verdade e que todos os outros estão errados e devem ser salvos de sua ignorância voluntária.(...)

Então, se não há nenhum Deus no sentido de um Deus pessoal — ou se for compreendido que conceitos de um Deus pessoal, um Criador ou um Deus-Pai, são apenas relativamente verdadeiros e adequados apenas a alguns estágios do desenvolvimento humano — porque há tantas referências aos “deuses” 
[no budismo tibetano], sugerindo toda uma hierarquia?

A palavra páli “deva” é traduzida como “deus”, mas na verdade significa “espírito”, um ser de um reino superior que, no budismo, pode influenciar seres humanos, ajudar e protegê-los. 

A Terra não é o único mundo de seres da cosmologia budista. 

Há incontáveis universos em diferentes planos de existência, isto é em diferentes estágios de desenvolvimento (espiritual). Alguns são mais elevados que nós (que somos a maioria). 

Alguns são inferiores. Há muitas referências a seres humanos renascendo em reinos superiores ou inferiores.Mas, no budismo, não há lugar para a hierarquia massiva da religião Hindu, que acrescentou o próprio Buda a essa hierarquia (até os cristãos fizeram Dele um dos seus santos), nem para a Trindade de Criador, Preservador e Destruidor, nada exceto um Absoluto inexprimível. 
Em Sua direção as pessoas estão evoluindo ou involuindo, alguns se tornando espíritos de planos superiores, outros afundando em mundos inferiores. 

E todos pertencem ao mundo dos fenômenos, não à Realidade. Apenas o Absoluto é Real. E nem podemos realmente dizer isso sem declarar algo menor que a Verdade. Mas Ela está lá para ser realizada por alguém com o desejo e determinação como os de Milarepa.(...)

Todo ser humano, todo ser, é um Buda em potencial. 
Depende de cada um realizar sua própria Natureza Búdica!"
Lobzang Jivaka em The Life of Milarepa

17 de abril de 2013

Posse, luta e amor - Osho


"A vida pode ser salva somente através de um salto irracional, através de algo que não seja intelectual, mas total.
Nada é salvo pela mente, pelo pensamento, pela lógica perderá.

Um verdadeiro buscador não pode reivindicar nenhuma posse. 
Um buscador significa aquele que deixou todas as suas posses ou todo sentimento de posses, o que é mais profundo e fundamental. Você pode deixar suas posses, isso é fácil, mas deixar o sentimento de posse é difícil pois ele vai mais fundo na mente.

Você pode deixar o mundo mas a mente continua apegada a ele. (...)
É assim que a mente funciona. Você deixa uma coisa e a mente exige outra. A coisa básica permanece a mesma, e não faz diferença se o objeto de posse muda. Isso não faz diferença.
A diferença, a revolução, a verdadeira mudança vêm apenas quando o subjetivo muda, quando o possessivo muda.

Essa é a primeira coisa a ser entendida.(...) Eles deixam suas casas e então querem a posse do templo, da igreja. Eles deixam tudo, mas não podem deixar suas mentes e a mente cria novos mundos para eles, continuamente. Portanto, não é uma questão de possuir um reino. (...) E onde quer que entre a posse, fatalmente existirão luta, violência, agressão. Sempre que você possui está lutando, pois aquilo que você possui pertence ao Todo. Você não pode possuir nada; pode apenas usar, desfrutar, isso é tudo.

Como podemos possuir o céu e como podemos possuir a terra? Mas nós possuímos. E essa posse cria posse cria todos os tipos de conflitos, de lutas, de guerras, de violência, e assim por diante.

O homem está sempre lutando, lutando e lutando continuamente. Os historiadores dizem que nos últimos três mil anos têm havido guerras quase que continuamente, em algum lugar da terra. Em três mil anos tivemos quatorze mil guerras.

Por que tanta luta? É por causa da posse.
Se você possui começa uma guerra com o todo.

Buda, Mahavir, Jesus todo disseram: Se você possui não pode entrar no reino de Deus. Jesus disse: É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus.

É impossível, pois quando você possui está constantemente lutando com Deus. Quando você reivindica alguma posse, de quem você está reivindicando? O todo pertence ao todo.
A parte não pode reivindicar o todo. A parte não pode nem mesmo reivindicar a parte. Toda reivindicação é uma agressão. Portanto aqueles que possuem não podem estar em contato profundo com o Divino.


A não-possessividade não significa que você não deva ter viver em uma casa. Viva em um casa, mas seja agradecido ao todo ao Divino. Use-a, mas não a possua.
Se você pode usar as coisas sem ser possessivo você se tornou um verdadeiro buscador.(...)

A mente está sempre procurando desculpas para lutar. Se você tem uma mente tem dentro de você um lutador em potencial, que está sempre procurando uma luta com alguém.
Por que a mente está sempre em busca de luta? Porque através da luta o ego é acumulado, torna-se mais forte. Através da luta seu ego cresce se você não luta, o ego desaparece.

Mahavir insistiu, assim como Buda, na não-violência. A razão básica para não lutar é que uma vez que você cessa a luta o ego não pode existir.
O ego existe na luta. É uma consequência da luta. Quanto mais você luta, mais ego existe.

Se você ficasse sozinho na terra, sem ninguém com quem lutar, teria ego? Você não teria ego. É preciso o outro para criar o ego; o outro é uma necessidade. O ego é um relacionamento. Não está em você.
Lembre-se: o ego não está em você. Está sempre entre você e o outro - em algum lugar no meio, onde existe a luta.

Existem dois tipos de relacionamentos: Um é o da luta, do medo, do ódio. Esse cria o ego.
O outro é o do amor, da compaixão, da simpatia. Esses são os dois tipos de relacionamentos.

Sempre que existe amor, cessa a luta, o ego desaparece. É por isso que você não pode amar, é difícil, pois amar significa abandonar o ego, abandonar a si mesmo. Amar significa não-ser.

Entretanto veja o estranho fenômeno - os amantes estão sempre lutando. Como os amantes podem lutar? Se há amor, a luta deve acabar e o ego desaparecer. Todo o seu ser anseia por amor; toda sua mente anseia pelo ego.
Então você faz um acordo - você ama e luta. O amante torna-se um inimigo íntimo e a inimizade permanece.  

Todos os amantes continuam lutando e amando. Fizeram um acordo. Em alguns momentos são amorosos. Então abandonam o ego. Mas a mente fica inquieta, e recomeça a lutar. (...)

Amor verdadeiro significa que a luta desapareceu; os dois tornaram-se um. Seus corpos existem separadamente mas seus seres se fundiram. Os limites se perderam; não há divisão. Não há "eu" nem " você". Nenhum existe."
Osho em Asas e Raízes

15 de abril de 2013

Não-nascimento e não-morte...


"No meu eremitério na França há um arbusto de japônica. O arbusto usualmente floresce na primavera, mas em um inverno que foi muito quente os brotos vieram antes. 
Durante a noite uma frente fria veio e trouxe com ela gelo. No dia seguinte enquanto fazia meditação caminhando, notei que todos os brotos no arbusto tinham morrido. Reconheci isto e pensei: 
“Neste ano novo não teremos flores suficientes para decorar o altar do Buda”.

Poucas semanas depois o tempo esquentou novamente. 
Enquanto andava em meu jardim, vi os novos brotos na japônica manifestando uma outra geração de flores: 
“Vocês são as mesmas flores que morreram no frio ou são diferentes?” As flores responderam para mim: “Thay, não somos as mesmas nem somos diferentes. Quando as condições são suficientes nos manifestamos e quando as condições não são suficientes nos escondemos. É tão simples quanto isso.”

Isto é o que o Buda ensinou. 
Quando as condições são suficientes as coisas se manifestam. Quando as 
condições não são mais suficientes as coisas se retiram. Elas esperam até o momento certo para elas se manifestarem novamente.

Antes de dar a luz a mim, minha mãe havia ficado grávida de outro bebê. Ela o perdeu e aquela pessoa não nasceu. Quando eu era pequeno costumava perguntar: era meu irmão ou era eu? Quem estava tentando se manifestar naquela época? Se um bebê foi perdido significa que as condições não eram suficientes para ele se manifestar e a criança decidiu se retirar de forma a esperar por melhores condições. “É melhor eu me esconder, voltarei em breve, meu querido.” 
Temos que respeitar sua vontade. Se você vê o mundo com estes olhos, sofrerá muito menos. Foi meu irmão que minha mãe perdeu? Ou talvez eu estava quase por vir mas eu disse: “Não é a hora ainda.” Portanto me retirei.

Nosso grande medo é que quando morrermos nos tornaremos nada. Muitos de nós acreditam que nossa existência inteira é apenas o nosso tempo de vida, 
começando no momento que nascemos ou fomos concebidos e termina no momento que morremos. Acreditamos que nascemos do nada e que quando morremos nos tornaremos nada. E, portanto, estamos cheios do medo da 
aniquilação.

O Buda tem um entendimento muito diferente de nossa existência. É o entendimento que nascimento e morte são noções. Elas não são reais. O fato de pensarmos que são verdadeiras cria uma poderosa ilusão que causa nosso sofrimento. 
O Buda ensinou que não há nascimento nem morte; não há vinda nem ida; não há igual, e não há diferente; não há eu permanente, não há aniquilação. Apenas achamos que há. 
Quando entendemos que não podemos ser destruídos, estamos libertos do 
medo. É um grande alívio. Podemos desfrutar da vida e apreciá-la de uma nova maneira.

O mesmo ocorre quando perdemos nossos entes queridos. 
Quando as condições não estão certas para suportar a vida, eles se retiram. Quando perdi minha mãe, sofri muito. Quando temos apenas 7 ou 8 anos de idade é difícil pensar que um dia perderemos nossa mãe. Ao final crescemos e todos perderemos nossas mães, mas se soubermos como praticar, quando a hora da separação chegar você não sofrerá muito. Rapidamente você perceberá que sua mãe está sempre viva dentro de você.

No dia que minha mãe faleceu, escrevi no meu diário. “Um sério infortúnio da minha vida chegou.” Sofri por mais de um ano depois de sua passagem. Mas uma noite, nas terras altas do Vietnã, estava dormindo na cabana de meu eremitério. Sonhei com minha mãe. Vi-me sentado com ela e estávamos tendo uma conversa maravilhosa. Ela parecia jovem e bonita, seu cabelo esvoaçante. Era muito prazeroso sentar lá e conversar com ela como se nunca tivesse morrido.
Quando acordei eram duas da manhã e eu senti fortemente que nunca havia perdido minha mãe. A impressão que ela estava ainda em mim era muito clara. 

Entendi então que a idéia de tê-la perdido era apenas uma idéia. Era óbvio naquele momento que minha mãe estava viva em mim.
Abri a porta e sai. Toda a colina estava banhada pela luz da lua. Era uma colina coberta com plantações de chá, e minha cabana estava localizada atrás do templo, no meio da colina. Andando devagar na luz da lua através da plantação, percebi que minha mãe estava ainda em mim. Ela era a luz da lua me acariciando assim como fazia frequentemente, muito carinhosa, muito doce...maravilhosa!

Cada vez que meus pés tocavam a terra, sabia que minha mãe estava lá comigo. Sabia que este corpo não era só meu, mas uma continuação viva da minha mãe e do meu pai e dos meus avós. Todos os meus ancestrais. Estes pés que eu via como meus eram na verdade nossos pés. 
Juntos minha mãe e eu estávamos deixando pegadas no solo úmido.

Daquele momento em diante, a idéia que eu tinha perdido minha mãe nunca mais existiu. Tudo que eu tenho que fazer é olhar para a palma da minha mão, sentir a brisa no meu rosto ou a terra sob meus pés para me lembrar que minha mãe está sempre comigo, disponível a qualquer momento.

Quando você perde um ente querido, você sofre. Mas se souber como olhar em profundidade, tem a chance de perceber que a natureza dele é a do não nascimento e não morte. Há manifestação e há a cessação da manifestação. Você tem que ser muito perspicaz e muito alerta para reconhecer as novas manifestações de uma pessoa. Mas com a prática e com esforço você pode 
fazer.

Portanto, pegando na mão de alguém que conheça a prática, faça uma meditação caminhando com ela. Preste atenção em todas as folhas, as flores, os pássaros e gotas de orvalho. Se puder parar e olhar profundamente, será capaz de reconhecer seu amado se manifestando novamente e novamente em muitas formas. 

Você novamente abraçará a alegria da vida.Um cientista francês, cujo nome era Lavoisier, declarou, “Nada se perde, nada se cria”. “Nada nasce, nada morre.” Embora ele não praticasse como um budista, mas como um cientista, ele descobriu a mesma verdade que o Buda. 
Nossa natureza verdadeira é de não nascimento e não morte. Apenas quando tocamos nossa verdadeira natureza podemos transcender o medo de não 
ser, o medo da aniquilação.

O Buda disse que quando as condições são suficientes, algo manifesta e dizemos que existe. Quando uma ou duas condições falham e a coisa não se manifesta do mesmo modo, então dizemos que não existe. De acordo com o Buda, para qualificar algo como existente ou não é errado. Na realidade, não existe uma coisa que exista totalmente ou não exista totalmente.(...)

Não é porque não percebemos algo que podemos dizer que ele não existe. É apenas nossa noção de ser e não ser que nos faz pensar que algo existe ou não. Noções de ser ou não ser não podem ser aplicadas a realidade.(...)
A realidade é livre de todos os conceitos e idéias."
Thich Nhat Hahn em No death, no fear.
Related Posts with Thumbnails