23 de abril de 2013

Tempo e Eternidade - Krishnamurti


"O tempo é velhice, o tempo é sofrimento, o tempo não respeita ninguém. 

Há o tempo cronológico, medido pelo relógio. Este é indispensável; do contrário, não poderíamos ter condução, viajar, preparar uma refeição, etc. 

Mas, nós aceitamos outra espécie de tempo, ou seja "amanhã eu serei, amanhã mudarei, futuramente me tornarei isto ou aquilo"; psicologicamente, criamos este tempo - amanhã. 

Mas, existe esse dia imediato? Eis uma pergunta que tememos 
fazer a sério. Porque nós desejamos o amanhã: “amanhã terei o prazer de me encontrar com você, amanhã eu compreenderei, minha vida será diferente. 

Amanhã conhecerei a iluminação. E desse modo o futuro se torna a coisa mais importante de nossa vida. Ontem você se deleitou sexualmente, fruiu vários prazeres, e deseja repeti-los no dia seguinte, ou logo depois.

Faça a si próprio esta pergunta, e descubra a verdade respectiva: "Existe realmente um amanhã fora do pensamento" que projeta o amanhã? 

O futuro, com efeito, é uma invenção do pensamento. 

Se, psicologicamente, não houvesse um amanhã, que aconteceria, hoje, em sua vida? Uma tremenda revolução, não é? 
Sua ação se transformaria radicalmente, não é assim? Você seria, agora, um ente total e não um ente projetado do passado para o presente e daí para o futuro.

Tal equivale a viver e morrer todos os dias. 
Faça-o, e verá o que exprime viver completamente hoje. 
E isso não é amor? Ninguém diz "Amanhã amarei". Ou amamos ou não amamos. 

O amor não reside no tempo; nele só está o amargor, porque o amargor, tal como o prazer, é pensamento. Devemos, pois, descobrir o que é o tempo, 
e descobrir se existe um "não amanhã" (no tomorrow)

Isso é viver; há então aquela vida eterna - porque, na Eternidade, não existe tempo." 
J. Krishnamurti em o Despertar da Inteligência

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