25 de novembro de 2017

Ser Consciente - Sambodh Naseeb


"Este ensinamento simplesmente mostra claramente a distinção entre Ser Ego e Ser Consciência, em outras palavras, faz a distinção do que é real e do que não é. Muitas vezes chamado de Caminho Direto, é o reconhecimento de que somos todos pura consciência sem fronteiras, uma inteligência sem forma, onde todas as formas podem aparecer infinitamente. 

Do mesmo modo que o oceano e as ondas, essa inteligência se manifesta para si mesma em um reflexo chamado mente. Dessa forma, aparece o mundo de maya, o mundo da aparente dualidade, o mundo dos muitos, dos seres diversificados, dos aparentes espíritos, do ego, da separação entre alegria e tristeza, entre iluminação e ignorância. Todos os opostos são aparentes, e fazem parte do mundo da onda.

No mundo da onda tudo existe no tempo e mudam de lugar. Tudo é impermanente. É o mundo do movimento, da mudança. Já o mundo do oceano é profundo, quieto, silencioso. O fundo do mar é cheio dos mistérios e surpresas. 
O oceano está em toda onda. A onda veio dele. 

A onda é uma forma diferente do oceano se manifestar. Tudo que vemos aqui no nosso mundo é um grande filme cósmico que parece acontecer aos seres que moram aprisionados no tempo. Mas tudo isso é apenas um movimento da energia cósmica, como num filme, criando os aparentes mundos e os aparentes seres que vivem nesses mundos. É possível se apegar às histórias do eu sobre sofrimento, suas frustrações, seus medos. Ser uma pessoa é estar destinado a mudar. Ser Consciência é simplesmente SER. 

Se sofrimento acontece, é isto. Se alegria acontece, é isto. Você não cria personalidade fixa, rígida. Você é simplesmente solto, fluido, como a água, pode tomar várias cores. E sabe profundamente que jamais nenhuma cor e nenhum sofrimento toca seu mundo interior de paz. Se o sofrimento é parte do sonho, algo ter feito algum sofrimento em você também faz parte do mundo de sonho.


Mas o oceano cria a onda para a onda se desmanchar e virar outra onda. Esta é a dança do oceano. Na verdade, o oceano sabe que nada é perdido quando uma onda desaparece. É o próprio movimento do oceano que faz com que uma onda suba e outra onda desça. Uma pessoa está sempre com medo das mudanças da vida. Ela tem de evitar que a vida se desmanche, e como ela é feita de cada pedacinho da vida, quando alguém que amamos vai embora, sentimos como se fosse dentro da gente. E sentimos assim porque na verdade somos um pouco daquilo. Só existe consciência. Aquela pessoa nos constituiu também.

A pessoa tenta evitar a todo custo qualquer demolição. E o que acontece a cada momento? Algo vai sendo esculpido, queira ou não, como rocha bruta, vai se transformando numa nobre pérola, numa divindade, ou em algo indizível. Está no desenho da vida demolir você de qualquer jeito. 


A ideia de “você” vai ser demolida sempre. Porque é falsa. Tudo é falso. E a sua mente tenta ser forte para aguentar a pressão. É o que todos tentam fazer. Seja forte, dizem. Mas há uma outra via para olhar isto. 

Há aqueles que simplesmente se entregam ao fluxo. 

O ego resiste à demolição, enquanto que a consciência se aproveita de todas as experiências para soltar e soltar. Toda a fala, todo movimento, toda palavra e todo silêncio, estão a serviço do Amor Consciente. A serviço de Ser Consciente.
Sambodh Naseeb

18 de novembro de 2017

Rompendo o ciclo da violência - Jeff Foster


“Se alguém te trata com crueldade, é muito provável que esse alguém tenha sofrido um tratamento semelhante de outros no passado.

E que só esteja repetindo padrões inconscientes tentando encontrar um amor que não aparece.

Tudo isso tende a se repetir até que a pessoa desperte do pesadelo de sua projeção, e até que reconheça o que você é, o que ela é, o que todos nós somos.
É uma desculpa?
Não.

Uma forma de começar a sentir compaixão por eles, de deixar de tomar seu comportamento como algo muito pessoal e sério, para começar a romper o ciclo da violência?
Talvez.
E esse 'talvez' é tudo quando se trata de amarmos uns aos outros.”

11 de novembro de 2017

Ego e Sofrimento - Eckhart Tolle


"Uma pessoa dominada pelo ego, não reconhece o sofrimento como sofrimento - ela o considera a única resposta adequada em qualquer tipo de situação.

O ego, na sua cegueira, é incapaz de ver a dor que inflige a si mesmo e aos outros.

A infelicidade é uma doença 'mental-emocional' que atingiu proporções epidêmicas. É o equivalente subjetivo da poluição ambiental do planeta.

Estados como raiva, ansiedade, rancor, ressentimento, descontentamento, inveja e ciúme, entre outros, não costumam ser vistos como o que são, e sim como condições totalmente justificadas.

Além disso, há uma compreensão errônea de que eles não são criados pela própria pessoa, mas por alguém ou por um fator externo.

'Eu o considero responsável pela minha dor.' Isso é o que o ego deixa subentendido.

O ego não consegue distinguir entre uma situação e a sua interpretação a respeito dela, sua reação a ela.

Podemos dizer 'Que dia horrível!', sem atentarmos para o fato de que o frio, o vento e a chuva ou qualquer elemento ao qual estejamos reagindo não são horríveis. Eles são como são.

O que é horrível é a nossa reação, a resistência subjetiva a eles e a emoção que é criada por essa resistência. (...)

Mais do que isso, o ego sempre interpreta mal o sofrimento porque, até determinado ponto, ele se fortalece por meio desse estado negativo."

Eckhart Tolle em O Despertar de uma nova consciência.

4 de novembro de 2017

Meditação - Jeff Foster


"A verdadeira meditação não é um 'fazer', não é uma tarefa que deve ser cumprida ou algum processo que leve o faminto buscador para uma meta ou um estado futuro, é mais o tipo de fascinação, pura, que pode sentir uma criança.

Uma fascinação com cada pensamento, com cada sensação, com cada sentimento, com cada som, com a fascinação mesma, com cada coisa que seja neste momento.
É um radical estar aqui, e perceber, em completa fascinação, como surge e desaparece o desejo de chegar 'lá'.

É estarmos conscientes de cada engenhosa tentativa do pensamento para escapar deste momento; notando que inclusive estes desejos são radicalmente aceitos no tranquilo e aberto espaço que somos; e dar-nos conta que inclusive 'eu sou quem se dá conta' ou 'eu sou quem controla' são pensamentos que, como tudo mais, tem permissão absoluta de surgir e desaparecer aqui.

Esta é a meditação sem meditador, e é a luz que nunca se apaga.

A verdade da meditação é muito diferente do sonho da meditação.

Muitas vezes entramos em meditação esperando felicidade, alegria, paz eterna, o fim de toda dor.

Mas a meditação tem sua própria inteligência, seu próprio caminho.

As vezes a dúvida, a tristeza, inclusive a decepção querem dançar conosco durante a meditação.

Deixe-os passar.

De lugar a eles.

Deixe que a meditação seja um grande campo no qual TODO pensamento, som, sensação, urgência, impulso, fantasia sejam bem vindos a entrar, permanecer por um tempo, e desaparecer.
Deixe que o sonho da meditação se rompa em mil pedaços.
Deixe que os planos venham abaixo.
Deixe que as expectativas se desvaneçam.

Deixe que a meditação seja o que é:
um espaço que acolhe tudo, uma imensidão que permite tudo, assim como o céu permite o clima, assim como o sol brilha sobre 'bons' e 'maus' da mesma forma, indiscriminadamente, oferecendo sua luz gratuitamente.

O sonho da meditação é o controle.
A verdade da meditação é o amor."
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