31 de março de 2013

Manhã de Páscoa...


Manhã de Páscoa, 
Renascimento
Vida Nova
Encantamento
Compreensão...

Passada a amargura
Passado o desespero
Passada a insensatez
Nos fizemos novos
horizontes, laços
dimensões...

Transmutadas as feridas
Transmutadas as mágoas
As dores
Os medos
Transmutados os percalços do caminho
Somos novos
Sempre novos
Novos homens
e mulheres
Sempre novos
Vida
Corações
e mentes...

Cristo nasce pelo Amor
Cristo vive pelo Amor
Cristo encarna o Amor
e revela ao mundo o Todo Amor vivo e vivente
em cada um de nós...

Viver em Cristo é Ressuscitar com Ele
Nele e para Ele,
É conhecer a Aurora antes do amanhecer
É manifestar na Vida a simplicidade e beleza
do Ser,
E comungar pela grande Graça
de sermos todos
Um...

Feliz Páscoa a todos, hoje e sempre!!!
Cristo vive e se revela em cada ser, em cada instante, em cada coração...
Amor
Lilian

30 de março de 2013

Sobre a morte - Yogananda


"Pratique estas coisas e veja se o que digo não é verdade. 
Você pode aumentar a dor pela sensibilidade e diminuí-la pelo desapego mental.
 
Quando se perde um ente querido, em vez de desesperar-se irracionalmente, 
compreenda que ele foi para um plano mais elevado, segundo a vontade divina, e que Deus sabe o que é melhor. 
Alegre-se por ele estar livre. Reze para que seu amor e boa-vontade sejam mensageiros de estímulo que você envia para ele, em seu caminho para diante. 
Essa atitude ajudará muito mais. Naturalmente, não seríamos humanos se não sentíssemos falta dos entes queridos mas, ao sentirmos a solidão provocada por sua ausência, não devemos permitir que apegos egoístas 
prendam os outros à terra. A tristeza excessiva impede que a alma que partiu continue progredindo em direção à paz e liberdade maiores.
A maioria das pessoas que hoje vive na Terra não estava aqui há cem anos. Outras estavam aqui antes de nós. E nós, que agora caminhamos pelas ruas do mundo, não estaremos aqui dentro de cem anos. Tudo terá terminado para nós e a nova geração nem se preocupará conosco. Ela sentirá, como nós agora, que o mundo lhe pertence; mas, um por um, todos também serão levados daqui. 

A morte deve ser boa, ou Deus não teria ordenado que acontecesse a todos. Por que viver com medo dela?

Os que temem a morte não podem conhecer a verdadeira natureza de sua alma. "Os covardes morrem muitas vezes antes da morte; o valente prova seu gosto só uma vez." 
O covarde vive em sua mente, repetidas vezes, um filme de dor e morte. O valente morre de causas naturais ou é espiritualmente avançado, o corpo das sensações simplesmente adormece e, quando a consciência volta a despertar em outro plano, tem todas as sensações do corpo sem a forma física. Toda a consciência está na mente, exatamente como nos sonhos. Não é difícil imaginar isso. Quem morre, apenas se desfaz do corpo físico denso, que é apenas uma forma inferior da mente e a causa de todos os problemas para a alma.

Na morte, você esquece todas as limitações do corpo físico e compreende o quanto é livre. Nos primeiros segundos existe uma sensação de medo - medo do desconhecido, de algo estranho à consciência. 
Em seguida, porém, vem uma grande compreensão: a alma experimenta uma alegre sensação de alívio e liberdade. 
Você percebe que existe separado do corpo mortal.

Todos nós vamos morrer um dia, portanto é inútil ter medo da morte. Você não se sente infeliz com a perspectiva de perder a consciência do corpo no sono; aceita o sono como um desejável estado de liberdade. 

Assim é a morte: um estado de repouso, uma aposentadoria desta vida. 
Não há o que temer. Quando a morte chegar, ria dela. 
A morte é apenas uma experiência a que você está destinado para aprender 
uma grande lição: você não pode morrer.

Nosso ser real, a alma, é imortal. Podemos ficar por
algum tempo adormecidos neste estado chamado "morte", porém nunca seremos destruídos. Nós existimos e essa existência é eterna. 

A onda alcança a praia, depois volta ao mar, mas não se perde. Ela se torna una com o oceano, ou retorna, na forma de outra onda. este corpo veio e desaparecerá, mas a essência da alma que traz dentro dele jamais deixará de existir. 
Nada poderá extinguir essa consciência eterna."
Paramahansa Yogananda em Onde existe luz

29 de março de 2013

Jesus e a não-dualidade - Jean-Yves Leloup


"Sobre a frase “tudo o que não é assumido não é salvo”frequentemente me perguntam se Jesus assumiu a paternidade, se assumiu o envelhecimento. Respondo que Ele assumiu todas as faces do ser humano. A face do homem transfigurado no Monte Thabor e também a face do homem desfigurado na cruz.

Mas será que Ele assumiu a face da paternidade? 

O que os evangelhos nos contam é que Ele era muito paternal e muito maternal para com as crianças. Usava frequentemente a imagem da criança que mama em sua mãe, que para Ele era uma imagem de não-dualidade, onde dois fazem um. Os discípulos talvez pensem que é preciso que regridamos, que é preciso que nos tornemos criancinhas, que é preciso que retornemos à unidade indiferenciada, à unidade fusional da criança com sua 
mãe. Jesus precisa bem que não se trata disso. Não se trata de regredir, de voltar à infância tornando-se criancinhas, vivendo como criancinhas como fazem estes adultos que imitam as crianças e que não são crianças, são infantis. 

Trata-se de reencontrar a qualidade da inocência e, sobretudo, da confiança na vida, confiança nos viventes que compartilham nossa vida. 
Mas esta confiança precisa ser reconquistada e, então, é preciso fazer de dois, um.

Não se deve retornar ao um, mas sim assumir o
dois, assumir a dualidade que acabamos de falar, indo além do dois, além do Tu e do Eu. É preciso 
descobrir o terceiro incluído que nos une, o terceiro incluído secretamente, para falar como os físicos. 
Trata-se de fazer do dois, um; isso começa com a unidade entre o exterior e o interior. O que está no interior do cântaro está também no exterior, é o mesmo espaço. 
Descobrir isso é um ato de consciência.

Devemos também fazer um do alto e do baixo; mas
onde começa o alto e onde termina o baixo? Para uns o alto começa na cabeça, para outros no tornozelo. Como diz Lao-Tsé, o alto e o baixo se tocam, então não é preciso colocar em oposição o céu e a terra. O céu não está somente acima das nossas cabeças, ele é também o espaço que nos envolve. A terra está no céu, o céu está na terra.

Como diz ainda Lao-Tsé: “O céu está voltado para
a terra e a terra está voltada para o céu”. Os dois são inseparáveis mas algumas vezes opomos o céu e a terra dentro de nós. Então é preciso reencontrar a aliança entre a matéria e o espírito, entre o céu e a terra. Outra aliança que deve viver em nós é a aliança entre o masculino e o feminino. 

Este texto que tem quase 20 séculos é estranhamente atual, pois cada vez mais, em conferencias e seminários, fala-se da integração entre o feminino e o masculino, entre a anima e o animus.

Para podermos encontrar o outro, um outro
inteiro, é preciso que já tenhamos realizado em nós mesmos a unidade entre o masculino e o feminino. Não 
se trata de procurar a outra metade, mas trata-se de procurar o outro, inteiro. Há muitos encontros de metades, mas há poucos encontros de seres inteiros. 

Procurar sua outra metade é sempre se procurar a si mesmo, é procurar a metade que nos falta, a metade masculina ou a metade feminina. Ocorre que, quando tivermos vivido algum tempo com esta metade que veio de fora e graças a esta metade exterior integramos a nossa metade interior, poderemos nos perguntar o que faremos com essa que nos ajudou em nossa integração. 
Isso pode se transformar em um drama. Em um drama ou no momento em que verdadeiramente escolhemos. Porque eu não escolho mais para preencher a minha falta. Eu escolho por ele mesmo, pela sua diferença. O que era um casal transforma-se em uma aliança de dois seres inteiros onde existe algo divino. O encontro entre a Sofia e o Logos, entre Yeshoua de Nazaré e Miriam de Magdala é o encontro entre dois seres inteiros...

Podemos dizer a alguém: “Não tenho mais
necessidade de você, posso viver muito bem sem você, estou muito bem sozinho (é uma bela declaração de 
amor), mas escolhi viver com você.” 
Não falamos mais na ordem da necessidade, mas estamos na ordem do desejo. Não falamos da falta, mas da liberdade compartilhada. 
Nessa aliança existe algo de sagrado.

Jesus nos lembra no evangelho que somos capazes
de amar um outro não somente a partir da nossa sede mas a partir da nossa fonte. 

Neste momento importante de nossa vida paramos de pedir ao outro, de exigir, que ele preencha nossa sede, que ele preencha a nossa falta e podemos realmente amá-lo. 

Agora, o masculino não é apenas um macho, o feminino não é apenas uma fêmea. As relações entre homem e mulher não são mais as relações entre macho e fêmea com todos os jogos mais ou menos sadomasoquistas de sedução e de dominação. Agora, estamos na relação entre duas pessoas."
Jean-Yves Leloup em Palavras da Fonte

28 de março de 2013

Sementes de compreensão - Thich Nhat Hahn


"Muitas vezes perguntamos: "O que está errado?” 
Ao fazê-lo, convidamos dolorosas sementes de mágoa a se manifestarem. Sentimos depressão, raiva, sofrimento e produzimos mais sementes dessa natureza. Seríamos muito mais felizes se tentássemos nos manter em contato com as sementes saudáveis, alegres, dentro de nós e à nossa volta. 

Deveríamos aprender a perguntar, "O que não está errado?" e a manter contato com a resposta. Há tantos elementos no mundo e no nosso corpo, sentimentos, percepções e consciência, que são saudáveis, revigorantes e medicinais. Se nos bloquearmos, se ficarmos na prisão da nossa tristeza, não entraremos em contato com esses elementos salutares.

A vida está repleta de maravilhas, como o céu azul, a
luz do sol, os olhos de um bebê. Nossa respiração, por exemplo, pode ser muito prazerosa. Eu aprecio minha respiração todos os dias. Muitas pessoas, porém, só descobrem a alegria de respirar quando têm asma ou nariz entupido. Não precisamos esperar uma crise de asma para apreciar nossa respiração. A mente alerta para os preciosos elementos da felicidade é em si a prática da correta conscientização. Esses elementos estão dentro de nós e ao nosso redor. Podemos apreciá-los a cada segundo das nossas vidas. 
Se agirmos assim, serão plantadas em nos sementes de paz, alegria e felicidade, e elas se fortalecerão. 

segredo da felicidade é a própria felicidade. 

Onde quer que estejamos, à hora que for, temos a capacidade de apreciar o sol, a presença do outro, a maravilha da respiração. Não temos de viajar para nenhum lugar para isso. Podemos entrar em contato com esses elementos 
neste exato instante.

Quando plantamos alface e ela não cresce bem não pomos
a culpa na alface. Investigamos os motivos que a levaram a não se desenvolver. Pode ser que ela precise de mais adubo, mais água ou menos sol. Nunca pomos culpa na alface. No entanto, se temos problemas com nossos amigos ou com nossa família, culpamos os outros. Se soubermos como cuidar das pessoas, elas 
também se desenvolverão como alface. 

A culpa não produz nenhum efeito positivo, da mesma forma que as tentativas de persuasão pelo raciocínio e pela discussão. Essa e a minha experiência. Nada de culpa, nada de raciocínio, nada de discussão; apenas a compreensão. Se compreendermos e demonstrarmos que compreendemos, o amor se torna possível e a situação se modifica.

Um dia, dei uma palestra sobre a ausência de
culpa da alface. Depois da palestra, estava só, em meditação andando, quando virei uma esquina e ouvi uma menina de oito anos falando com a mãe, "Mamãe, lembre-se de me regar. Eu sou a sua alface." Fiquei extremamente feliz por ela ter compreendido tão bem minha mensagem. Ouvi, então, a resposta da mãe. "E, minha filha, e eu também sou sua alface. Não se esqueça de me regar também." A mãe e a filha praticavam juntas. Foi muito bonito.

A compreensão e o amor não são dois sentimentos, mas
um só. 

Imagine que seu filho acorda um dia de manhã e vê que já é bem tarde. Ele resolve acordar a irmãzinha para que ela tenha tempo de tomar o café da manhã antes de ir para a escola. Acontece que ela está de mau humor e, em vez de lhe agradecer pelo fato de tê-la acordado, ela lhe diz para calar a boca, deixá-la em paz e lhe dá um pontapé. É provável que seu filho se zangue, pensando, "Fui gentil ao acordá-la. Por que ela me chutou?" Ele pode sentir vontade de ir até a cozinha para lhe contar tudo, ou até mesmo pode revidar.

No entanto, quando ele se lembrar que durante a noite
a irmã tossiu muito, perceberá que ela deve estar doente. Talvez ela tenha se comportado de forma tão intratável por estar resfriada. Nesse momento, ele compreende, e sua raiva desaparece. Quando compreendemos, não podemos deixar de amar. 

A raiva não nos atinge. Para desenvolver a compreensão, é necessário que pratiquemos a atitude de ver todos os seres humanos com os olhos da compaixão. 

Quando compreendemos, amamos. E quando amamos, agimos naturalmente de forma que amenize o sofrimento das pessoas."
Thich Nhat Hanh em Paz a cada passo

27 de março de 2013

Buscar é perder...


Buscar é mesmo perder...
Toda busca cria o desejo de ser algo, de se possuir algo, de alcançar... 
Nessa busca aquilo que É, aqui e agora é perdido.
Perceba como as diferenças entre nós emergem daí. Emergem dos diferentes desejos, das diferentes buscas. 

As ondas quando são lançadas em direção a praia percorrem caminhos diferentes, estão trilhando caminhos distintos, estão sujeitas ao vento, as correntes, mas todas são lançadas em direção a praia; todas são expressões da existência daquele instante, a união da força do mar, dos ventos, das correntes, do fundo do mar, tudo isso cria uma trajetória da onda. Onda que apenas segue em direção a praia. Ela crê que é única, que sua trajetória é a melhor, a mais perfeita, a mais bela, mas ela mesma nada mais é que o resultado de todas as ocorrências daquele instante. Ela é apenas a aparência de todas as ocorrências na aparência de onda do mar. Ela continua sendo o oceano se apresentando enquanto onda...

Nós da mesma maneira, somos expressões da Totalidade, expressões do Absoluto.
A busca por alguma Verdade só nos faz perdê-la. 
A Verdade é o Aqui e Agora, são todas essas expressões naturais acontecendo nas formas mais diversas, nas sensações, nas emoções, nos pensamentos.
Buscar a Verdade é criar algo imaginário, criar um sonho e nesse sonho, cria-se a ilusão de ótica da divisão. Nos sentimos separados uns dos outros pelos sonhos e desejos que acontecem em cada um de nós.

Quando reconhecemos isso, percebemos a mente atuado sutilmente através de algo tão simples quanto um sonho ou um desejo, uma busca. Sutilmente estão presentes os elementos que nos fazem percorrer caminhos  tão diferentes, a praticar rituais, a fazer sacrifícios a nos perdermos em tantas e tantas buscas sem fim.

Sem busca, sem sonho, desejos, a mente não pode existir. Ela se alimenta do desafio, do vir a ser. A mente não tem como se agarrar aquilo que É aqui e agora. Como se buscar aquilo que já É aqui e agora? Como fazer do momento presente algo desejável, se ele é absolutamente presente, disponível, vivo, e extremamente imprevisível?
Nessa consciência, a mente desaba. Ela não tem como se sustentar, simplesmente porque perde todo o seu poder imaginativo, criativo e sonhador.

Quando conversamos com buscadores, o que vemos são diferenças; o que vemos é esse jogo de desejos, desafios, alcançar, se esforçar, não conseguir, novas buscas, novos desafios.. enfim..
Mas importante é vermos o que está na origem de tudo isso. O que torna cada buscador um eterno insatisfeito. O que torna cada um auto-sabotador de si mesmo.
O que está na origem é a mente desejosa, a mente agarrada ao vir a ser...lá! Esta mente ainda não é capaz de retornar para si mesma, mergulhar em si mesma, investigar-se amorosamente. Esta mente quando mergulha na meditação é capaz de ver, literalmente ver que  não existe nada a ser buscado, nada a ser alcançado, nada fora, nada que possamos fazer, nada que esteja por vir. Esta mente meditativa e auto observadora é a mente Búdica, luminosa e pura, que se deleita com o instante presente, pois vê nele a suprema beleza e perfeição nos mínimos detalhes de cada batida do nosso coração.

Certa vez me perguntaram porque havia tanto mal, tanta dor no mundo. E naquele momento mais do que a pergunta, o que senti foi a dificuldade de quem me perguntava em perceber justamente a luz, a beleza, o amor que acontecem junto com aquilo que ela chamava de "mal". 
Seu foco estava voltado para os fatos que geram dor e sofrimento, e não viam que ao mesmo tempo, tanto bem, tanta luz igualmente se propaga.

A vida é Totalidade. E é Totalidade sempre! 
Isso é que temos que tomar consciência. Dia e noite estão acontecendo neste exato momento no planeta, lembre-se sempre disso. Enquanto é dia no Ocidente é noite no Oriente e vice-versa. Isso nos ensina que luz e sombra são igualmente importantes. Onde está uma a outra também já está só que oculta. Mas o sol continua brilhando seja dia, seja noite...

O Tao é sempre completo. A Totalidade é completa. 
Se nossa mente foca em um aspecto e o valoriza, não quer dizer que o outro deixou de existir, não. Os dois aspectos luz e sombra, continuam sempre, são inseparáveis.
Daí que muitos fatos são tidos como "negativos", e assim como os fatos "positivos", ambos não tem explicação. Simplesmente acontecem, porque tem que acontecer, estão dentro da existência, são formas de sua expressão, são elos da corrente cósmica infinita, a divina dança do Senhor Shiva.

A mente auto-realizada é na verdade a não-mente. Pois a mente em si, é insatisfação, é desejo, é sonho, é busca eterna. 
A auto-realização é o fim da busca. É o fim dos diálogos da mente. É segundo os mestres inclusive o fim da espiritualidade. Toda espiritualidade nos aponta para a busca. A auto-realização é esse fim também. Nada mais a busca, nada mais a ser alcançado, simplesmente porque nada foi perdido. Se não houve perda, porque então a busca? Auto-realização também não é "encontro", já que nada sequer foi afastado de nada...

A dimensão da consciência é a dimensão da satisfação plena em Si.
Todos são o Ser. Tudo é o Ser. 
Não existe mais qualquer estranheza, desconfiança, diferença. 
Formas e aparências são simplesmente compreendidas, aceitas, admiradas, amadas e reconhecidas como próprias. Tudo perfeito do jeito que é, como é, e assim como é.

Auto-realização é Ser aquilo que se É. Viver a vida que se apresenta, com o coração aberto, disponível, confiante e repleto de gratidão por tudo o que acontece, ou não acontece.
Buscar é perder....
Amor
Amidha Prem

25 de março de 2013

Sofrimento e crescimento - Osho


"Partindo de uma mentira, qualquer coisa que diga torna-se uma mentira também. Partindo do medo, qualquer coisa que você diga torna-se medo novamente.
Se você tentar amar a partir do ódio, esse amor será apenas um ódio.(...)

Por isso, não crie nenhum conflito. Se você tem um problema, não crie outro. Fique só com um. Não lute, pois assim estará criando outro problema. É mais fácil resolver um problema do que dois. O primeiro está mais perto da origem; o segundo, mais afastado. 

Quanto mais distante, mais impossível se tornar resolvê-lo.
Se você tem medo, então tem medo. Porque fazer disso um problema? Você fica sabendo  que tem medo, assim com tem duas mãos. Por que criar um problema, se você tem apenas um nariz e não dois? Por que criar problemas por causa disso? 
O medo existe. Aceite-o, observe-o.
Aceite-o e não se preocupe com ele. O que acontecerá? De repente você sentirá que ele desapareceu. E essa é a alquimia interna, um problema desaparece se você o aceita, e torna-se cada vez mais complexo se você cria qualquer conflito com ele.
Sim, o sofrimento existe, e de repente vem o medo. Aceite-o. Ele está lá e nada pode ser feito sobre isso.


E quando digo que nada pode ser feito, não pense que estou falando de uma maneira pessimista. Quando digo que nada pode ser feito, estou lhe dando a chave para resolver o problema.
O sofrimento existe. É a parte da vida e do crescimento. Não há nada de mau nisso. O sofrimento torna-se um mal apenas quando é simplesmente destrutivo e nada criativo; torna-se um mal quando você sofre e não ganha nada com isso.

Mas eu lhe digo que o Divino pode ser alcançado através do sofrimento. Então ele se torna criativo;
A escuridão é bela se a alvorada vem em seguida; a escuridão é perigosa se é infinita, se não conduz à alvorada, mas simplesmente continua e continua, e você prossegue numa rotina, num circulo vicioso.

É isso o que está acontecendo com você. Para fugir de um sofrimento você cria outro. Então para fugir desse outro você cria outro. E isso continua sem parar. Todos os sofrimentos pelos quais você ainda não passou estão esperando por você.
Você fugiu de um, mas passou para um outro, pois a mente que criou um sofrimento criará outro. Assim, você pode fugir desse sofrimento para aquele, mas o sofrimento está sempre presente, pois a sua mente é a força criativa.

Aceite o sofrimento e passe por ele. Não fuja. Esta é uma dimensão totalmente diferente para se trabalhar.
O sofrimento existe.
Encare-o.
Passe por ele.
O medo estará lá, aceite-o. Se você tremer, então trema. Por que criar uma aparência de que não está tremendo, de que não tem medo? Se você é covarde aceite isso também.Todo mundo é covarde; As pessoas que você chama de corajosas são corajosas apenas na fachada. No fundo elas são tão covardes como qualquer um, ou ainda mais, pois para esconder a covardia criaram uma bravura ao redor de si mesmas, e algumas vezes agem de tal forma que todos pensam que não são covardes. Essa coragem é apenas uma tela protetora.


Como um homem pode ser corajoso se a morte existe? Como pode ser corajoso se ele é apenas uma folha ao vento? Como pode a folha deixar de tremer? Quando o vento sopra, a folha estremece.
Mas você não diz a folha: - "Você é covarde". 
Você diz apenas que a folha está viva. Por isso, quando você treme, e o medo toma conta de você, você é como uma folha ao vento; É bonito; Por que fazer disso um problema? (...)

Não se importe com a sociedade e suas normas, e sua condenação. Aqui ninguém irá julgá-lo. Não julgue os outros e não se deixe perturbar pelo julgamento dos outros.
Você é único. Você nunca existiu antes e nunca existirá novamente. Você é belo. Aceite isso. E qualquer coisa que aconteça deixe que ela aconteça e passe por ela. Breve, o sofrimento será um aprendizado. E então tornar-se-á criativo. 
O medo lhe dará destemor.
Da raiva surgirá a compaixão.
Da compreensão do ódio, o amor nascerá para você.
Mas isso não acontece num conflito com essas emoções, e sim na experiência feita com uma consciência alerta.
Aceite o que vier, e submeta-se à experiência."
Osho em Raízes e Asas

**
A vida é cheia de nuances, o sofrimento é uma delas. As emoções não são inimigas, são expressões, são ensinamentos. 
Mesmo que as convenções sociais reforcem que o amor é belo, a raiva é feia, que a compaixão é sublime, que o medo deve ser evitado, que o ódio é abominável... isso cria em nós mais conflito, mais divisões, mais confusão. 
Tudo isso não passa de convenções sociais, culturais e religiosas, só isso. 

Nossa estrutura psicológica, emocional é complexa, porque a mente é complexa; Somos seres multidimensionais e todas elas, todas mesmo, são importantes. Todas elas são caminhos, não são fim em si mesmas. Todas são verdadeiramente experiências, e como tal, são meios maravilhosos de crescimento, de auto conhecimento, de consciência; e maravilhosos meios também de nos humanizarmos profunda e verdadeiramente.

Evitar entrar em contato com o medo, a raiva, o ódio não passa de um mecanismo de auto sabotagem de todo o processo de crescimento. 
É "engessar" o crescimento e criar uma situação de aprisionamento na impotência. Nenhuma possibilidade de criar, de ser potente a partir desses eventos, pois só temos a chance de criar a partir deles, vivenciando-os na sua completa aceitação. Vivência, transcendência, transformação e crescimento é isso que o mergulhar nas emoções nos trás.

Um coração que ama de verdade, percorreu esse caminho. 
Mergulhou no medo, no ódio, na escuridão. Foi ao fundo do poço. Mergulhou nas sombras, nos seus abismos mais densos e profundos e o que surge desse mergulho, é a pura luz. 
Luz do espaço aberto. Luz da alma apaziguada. Luz da aceitação consciente.
Luz da simplicidade. Luz da paz.
Luz de quem se reconhece como igual aos demais, e ao mesmo tempo reconhece a sua grandeza autêntica, no caminho percorrido, nas experiência vividas, e na pura presença do Ser...
Amor
Lilian



Pergunte-me sobre o Amor - Rumi


"O mundo não é nada. 
Nós não somos nada. 
Nossa vida neste mundo não é nada além de sonhos e imagens. 
Sendo assim, por que continuar lutando? Se o sonhador sabe que está sonhando por que sofrer com os pesadelos? 

Oferecerei meu coração para aquele que sente a mesma doença. Eu pareço um falcão preso ao solo por sua moléstia. 
Não pertenço mais às pessoas da terra nem sou capaz de voar para o céu. 

Oh, pobre falcão como pôde viver com estes corvos? Você foi hipócrita fechando seus olhos para o Amor enquanto o fogo brilhava em seu coração. 
Como você pôde esconder o Amor quando as lágrimas fluem de seu coração como cachoeiras? 

A morte é um tipo diferente de vida para o Amor.
A alma se torna calma e tranquila. É união e não tortura e sofrimento.
É diferente da morte do ignorante que finda todo o tempo.
Seja como o sol pela graça e compaixão 
Seja como a noite para cobrir as faltas dos outros Seja como a água corrente pela generosidade 
Seja como a morte para a cobiça e o ódio 

Pareça ser aquilo que você é
seja aquilo que você parece ser. 
Se você pudesse se livrar de si mesmo apenas uma vez o segredo dos segredos se abriria para você. 

A face do desconhecido
oculto além do universo 
apareceria no espelho de sua percepção.
Pergunte-me sobre um Amor que o leva para a total insanidade como perder a vida ou a mente.

Uma aventura de centenas de longos dias.
Pergunte-me sobre o fogo e o sangue de centenas de desertos. 
Na verdade, sua alma e a minha são a mesma 
Este é o real significado de nossa relação.
Entre nós, não existe mais eu e você. 
Acredite em mim. Tudo o que aparece são as sombras e imagens. A mão que nos desenha é a mão do Amor 
Esta espetaculosa mentira não alcança a magnificente verdade.
O conhecido existe por causa do desconhecido. 
O homem não ama 
A menos que ilumine sua alma Ele não é um amante 
A menos que gire como estrelas ao redor da lua.
Saiba. Amantes compartilham apenas a busca pelo Amado. 
Ouça. As folhas não se movem sem vento.
União é o jardim do Paraíso. 
Separação é o sofrimento do Inferno. Oh alma, quem é o seu Amor? Você sabe? 
Oh coração, quem está dentro de você? Você sabe? 
Oh carne, você busca um caminho para escapar de forma desonesta. 
Quem está lhe puxando? 
Olhe. Quem está lhe buscando? 
É necessário maturidade para o caminho do Amor. 
É necessário estar fora dos problemas da terra. Curar a própria cegueira. 
A verdade preenche o universo. 
Você tem olhos para vê-la?"
Poema de Rumi

24 de março de 2013

Amor e Consciência - Swami Dayananda


"O Vedanta é um ensinamento sobre a natureza do próprio indivíduo, através do qual a pessoa descobre que o verdadeiro significado da palavra ‘Eu’ é o Ser, cuja natureza é absoluto contentamento e amor, livre de qualquer sentimento de limitação. Para apreciar a você mesmo nestes termos, é necessário que a sua mente possa estar consigo mesma, possuindo em uma medida relativa, aquilo que deseja descobrir em termos absolutos. 

Porque o ‘Eu’ (Ser) é contentamento absoluto, a sua mente precisa ser relativamente satisfeita, capaz de um certo contentamento em si mesma. Porque o ‘Eu’ é amor absoluto, você precisa também ser uma pessoa relativamente amorosa, capaz de aceitar pessoas e objetos conforme são. 

Uma pessoa intratável, sem amor, não irá descobrir o Ser, pois a sua mente estará sempre agitada, e portanto, nunca estará consigo mesma.
Como então você poderia adquirir uma mente que desfrutasse de um relativo contentamento, permanecendo consigo mesma, e portanto, sendo capaz de amar? Será que uma mente que está consigo mesma pode ser obtida 
através do amor que você tenha por uma outra pessoa? 

Se o amor que você desenvolve por alguma outra pessoa é um amor mais permanente, tolerante, isto já não significa que a sua mente está tranquila, tolerante? Veremos como o amor que você tenha por uma outra pessoa, por si só, não pode criar uma mente tranquila e tolerante.

Primeiro você precisa ter uma mente tranquila e tolerante, capaz de estar consigo mesma antes que possa facilmente descobrir um amor mais permanente por alguém. Logo, uma mente capaz de estar consigo mesma 
irá lhe servir de duas formas: ajudando-o a qualificar-se para o ensinamento de Vedanta e capacitando-o a descobrir um amor mais permanente no seu relacionamento com outra pessoa.

O amor por uma outra pessoa é algo que você descobre no seu interior, quando aquela pessoa lhe agrada. Você não pode decidir amar alguém, pois o amor não é uma ação que se execute. Se fosse, quando alguém lhe pedisse “por favor, me ame”, você poderia então decidir amar a pessoa amanhã.
Com referência à ação existe esta tríplice liberdade: fazer, não fazer, ou fazer de outra forma. Mas, com referência ao amor, esta liberdade não existe, pois o amor não depende da nossa vontade. Logo, o amor só pode ser descoberto em você mesmo.

Além disso, um objeto de amor, seja uma pessoa, um animal ou um objeto inanimado, não tem a capacidade inata de evocar em mim esta emoção que chamamos “amor”. Se fosse assim, esse objeto criaria amor em qualquer pessoa e em você mesmo todo o tempo. Mas não é assim que acontece. Para aquela mesma pessoa que você se vê fora de si de tanto amor, você eventualmente diz: “É melhor darmos um tempo”, significando que o seu amor acabou. 
Amor, na verdade, nada tem a ver com qualquer objeto que você ame, mas 
está em você, o sujeito. Os seus gostos e aversões particulares é que determinam o quê e quem será objeto do seu amor, da sua raiva e da sua indiferença. Mas a razão pela qual você ama alguém não é devido àquela 
pessoa, e sim devido a você mesmo; porque ela lhe agrada. Portanto, ao dizer “eu te amo”, você está realmente dizendo “você me agrada neste momento”. É como se você amasse o seu ser satisfeito. Qualquer objeto ou pessoa que evoque em você este ser satisfeito torna-se então objeto do seu amor.

Para que alguém se veja satisfeito através de uma outra pessoa, esta deverá preencher alguns de seus gostos e aversões particulares, que são altamente subjetivos e mudam de um momento para o outro. Em algumas situações você se percebe satisfeito, mas tudo está nas mãos do destino. E, geralmente, em algum momento, aquela pessoa não lhe agrada mais nem você a ela, pois ninguém consegue realmente preencher todos os mutantes gostos e aversões de outra pessoa o tempo todo. Quando o “ser satisfeito” se vai, o objeto de 
amor torna-se um objeto de indiferença ou mesmo de raiva. Portanto, não será através do amor por uma outra pessoa que a mente irá qualificar-se para estar consigo mesma.

Se o amor que você descobre por uma outra pessoa irá ou não tornar-se um amor mais permanente, é impossível saber. Votos matrimoniais existem justamente porque nós realmente não temos meios para saber se um amor irá ou não perdurar. Nós, muitas vezes, descumprimos promessas que firmamos, pois estar satisfeito não é fácil e satisfazer uma outra pessoa é igualmente difícil. Quando você se vê satisfeito com alguém e descobre um amor por essa pessoa, você se deixa arrebatar por sua paixão, ignora as limitações da outra pessoa, pois naquele momento elas nada significam para você. Enquanto elas permanecerem assim, sem maior importância, aquela pessoa parecerá ter algo que lhe agrada e o amor é então muito natural. Ao mesmo tempo, você é uma pessoa com as suas próprias raivas, ressentimentos, mágoas, culpas… que não desaparecerão só porque você está amando. 

O amor existe, sim, com referência àquela pessoa, mas com referência ao seu patrão, à sua sogra, ao governo, ao sistema econômico, você é a mesma pessoa zangada de antes da descoberta daquele amor. Porque você tem diversas coisas lhe irritando, a raiva estará sempre presente em seu coração, ainda que nem sempre expressa. 
Quando o frescor do amor que você descobriu se vai, sua raiva começa a se infiltrar no relacionamento. É quando você começa a ver as limitações da outra pessoa com referência às suas próprias expectativas. Se você não é uma pessoa já naturalmente amorosa, que antes de mais nada possua uma mente apta a estar consigo mesma, não será possível descobrir um amor mais permanente em nenhum relacionamento com outra pessoa. Isto é como esperar que apenas o seu nariz esteja saudável, quando todo o sistema está em desarmonia. É necessário lidar com o sistema como um todo. Arranjos feitos na relação não resolverão de fato, a menos que você mude completamente sua própria maneira de ser. 

Cedo ou tarde, a pessoa zangada dará vazão à sua zanga. 
Qualquer técnica para melhorar o relacionamento o fará temporariamente. Para descobrir um amor mais permanente no relacionamento com alguém, você precisa de uma mente meditativa, uma mente apta a estar consigo mesma.Possuir uma mente capaz de estar consigo mesma envolve a aquisição de certos valores e atitudes e ter clareza quanto à sua importância. Com estes valores à sua disposição, você está garantindo as condições apropriadas para ser capaz de amar. Acomodar a outra pessoa é um destes valores. Na verdade, a sua raiva é devido à falta de acomodação, pois você espera que todo o mundo se comporte conforme as suas expectativas. Para que se possa desenvolver um valor pela acomodação das pessoas, um fato precisa ser claramente compreendido: a outra pessoa age de uma forma específica porque é incapaz de agir de outra forma. “Ele poderia ter feito melhor”, você diz. Se ele pudesse, ele então teria feito. Que direito você 
tem de exigir que a outra pessoa aja conforme as suas expectativas? Ela não teria então o mesmo direito de esperar de você uma outra maneira de ser? 

Afinal, se você mudasse, ela não precisaria mudar. Se você tem o direito de esperar uma mudança da outra pessoa, ela tem também o mesmo direito de esperar que você deixe-a viver como ela é. Na verdade, apenas acomodando as outras pessoas, apenas permitindo-lhes que sejam como são, você poderá obter uma relativa liberdade na sua vida diária. 
Se você analisar isso tudo de uma perspectiva mais ampla, todos interferem na vida dos outros. Em geral, você olha para as situações de uma perspectiva mais limitada e vê uma pessoa tomando um grande vulto, com a sua influência parecendo tornar-se forte demais. Na verdade, você nunca está livre, nem da influência de alguma outra pessoa e nem tampouco de todas as forças do universo no que diz respeito ao seu corpo físico. Nem é possível realizar uma ação ou até afirmar algo sem estar, de uma forma ou de outra, 
afetando alguém. Portanto, ninguém é realmente livre, uma vez que todos nós estamos inter-relacionados.

Mesmo o Swami não é livre.(...) Se me perturbo com os comentários, é somente porque permito que me perturbem. Então tenho somente a liberdade que me conferem. Entretanto, se eu reverter o processo, concedendo-lhes a liberdade de serem o que são e pensarem o que pensam, só então eu serei livre. Você tem tanta liberdade quanto a que confere aos demais. 

Eu vejo a mim mesmo como livre, e lhe deixo livre para ter seus problemas. Logo, eu não preciso brigar com você. A minha liberdade somente pode ser equiparada àquela que eu puder lhe conferir para ter uma opinião a meu respeito. (...) Eu lhe concedo a liberdade de ser quem ele é. A única liberdade que eu possuo é de não me incomodar com suas opiniões.

Assim, você acerta contas consigo mesmo psicologicamente enquanto uma personalidade, o que nós chamamos yoga sadhana . Você não pode evitar a 
psicologia, pois precisa se organizar enquanto uma personalidade. Não é o caso de extinção de vasanas ou impressões, há somente um entendimento de que existem alguns problemas. Olhe para a sua vida pregressa e reconsidere aquelas situações, pessoas e eventos que realmente lhe prejudicaram. O que você vê não são apenas memórias, mas reações esquecidas. Uma reação 
não é algo que você faça conscientemente. 

Conscientemente você não pode ficar com raiva, pois a raiva não é uma ação, ela é uma reação que se apresenta quando você não tem controle sobre a situação. Estas reações criam um grande impacto sobre você, tornando-se parte da sua psique. A partir de uma individualidade, as reações criam uma personalidade. Elas são, em última instância, falsas e se devem a uma falta de atenção da sua parte. Elas não têm verdadeiras raízes na mente. Em si mesma, a memória não é algo desagradável. O desagradável são as reações penduradas que se tornaram como que reais. 

Portanto, traga à mente aquelas pessoas e momentos que lhe causaram algum tipo de incômodo ou quem você incomodou e de quem você carrega um certo sentimento de culpa.No assento de meditação, lembre-se de todas elas e permita-as ser como são. Quando você olha para o céu azul, as estrelas e os pássaros e as montanhas, você não tem do que se queixar; você se vê satisfeito e feliz. Nenhuma destas coisas faz algo para lhe agradar e ainda assim você está feliz, pois não quer que elas sejam diferentes do que são. Você as aceita conforme elas são, e portanto se vê satisfeito. 
O rio corre por seu próprio caminho. Você não quer que o volume d’água 
seja maior ou que o seu fluxo vá por uma direção diferente. Você, na verdade, busca estes pontos naturais porque eles não evocam aquela pessoa insatisfeita que você parece ser, zangada, difícil de se agradar. Aquela natureza insatisfeita, exigente em você não aparece. Você é um com a situação, você acomoda o que acontece sem que o mundo precise fazer nada para lhe agradar.
Este é o ponto em que a transformação precisa ocorrer. 

Veja-se como uma pessoa satisfeita com referência a estas poucas coisas e então traga esta pessoa satisfeita para lidar com todas as situações e pessoas que lhe desagradaram e que você também desagradou em uma ou outra ocasião. Aceite a si mesmo como você aceita as estrelas, os pássaros e as montanhas. Ore por uma mudança, se você achar que a outra pessoa 
precisa mudar ou então faça o que puder para ajudá-la a mudar. Mas, antes, acomode-as como são. Só assim você poderá realmente transformar-se totalmente enquanto pessoa. Não importa o quanto de Vedanta você venha a estudar. A menos que você acomode plenamente as outras pessoas, não funcionará com você. Você terá apenas um sentimento de que existe algo oculto, ainda por ser descoberto.
Você deseja mudar os outros para poder ser livre, só que isto nunca funciona. Aceite as outras pessoas totalmente e você então será livre. Só então você 
descobrirá o amor que é você mesmo.
Swami Dayananda em Satsang

23 de março de 2013

Consciência é Tudo...


"Existem coisas que você deve se lembra sempre se quiser viver uma vida boa. E o que eu falo é sobre Consciência. 

Consciência é TUDO, nunca se esqueça disso.
Consciência é a realidade absoluta, pura sabedoria e pura consciência é Brahman.

Se você realizar que Consciência é tudo, você estará em paz e se sentirá muito feliz.
Consciência é paz, amor, Deus e bênçãos. E se você se lembrar que você é Consciência, assim como tudo o mais, como estar triste ou descontente, ou deprimido ou ver algum problema? É impossível se ter algum problema ou alguma espécie de complicação quando se considera que tudo, absolutamente tudo é Consciência se manifestando.


Tudo, cada pessoa, cada situação, nada está fora da consciência. Mas quando você realiza que a Consciência se manifesta em tudo e em todos, tudo se transforma em bênção e nada pode perturbá-lo novamente. Embora seus olhos vejam, embora seus ouvidos ouçam, embora você seja, embora você se vá, realize que tudo isso é Consciência em todos estes eventos. Tudo é consciência, tudo mesmo! E novamente, isso significa que tudo é harmônico. Tudo é bom. Tudo é perfeito como é!
Esta palavra Consciência significa que tudo é perfeito. Perfeição.

Não existem erros, nada errado em qualquer lugar. Somente aparenta estar errado para você, logo, você deve reavaliar seus conceitos sobre a realidade.

"Porque isso parece errado para mim?", você diz a si mesmo.É porque as coisas não estão acontecendo como deveríam acontecer. Ou seja, as coisas não estão acontecendo como você pensa que deveríam acontecer. Em outras palavras, o mundo não está girando da maneira que você gostaria que estivesse. Então, você fica aborrecido, se torna raivoso, agressivo, você fica louco, fica deprimido, Mas, novamente realize que tudo é Consciência, e no mesmo instante você associa que tudo está perfeito do jeito que está.

Então, você diz a si mesmo: "Mesmo que não compreenda isso, é perfeito e bom." Ao fazer essa declaração,por perceber esta grandeza na declaração que você faz, você será colocado de volta em uma harmoniosa caminhada e tudo será resolvido em sua vida. Isso é verdade!
Não é que as coisas irão mudar a seu gosto. É que a sua atitude em relação as coisas e aos fatos será bem diferente quando se tem a percepção de que tudo é Consciência. Você será então capaz de ver através dos fatos que estão acontecendo na sua vida e através também da negação e da reação que você tinha em relação a eles. Através de todas as coisas que foram te incomodando ao longo da sua vida, você será capaz então de ver através dessas coisas. E você vai ver felicidade, verá a paz, verá alegria. Você se torna a pessoa mais feliz, quando passa a perceber, viver e realizar que Consciência é TUDO.

Isso significa que o universo é seu amigo. Você não tem inimigos, ninguém está contra você.
Ninguém quer te machucar. Você é livre! 

Você vai desenvolver uma grande dose de humildade, uma grande paz, amor bondade para as pessoas, lugares e coisas. Tudo isso acontece apenas por perceber que tudo é Consciência. 

Faça isso quando você despertar de manhã. Não comece a pensar sobre a sua vida e que você tem que fazer durante o dia.Mas assim que você se levantar de manhã, perceba imediatamente que tudo é Consciência.

Consciência significa que há algo vivo acontecendo, alguma coisa viva acontecendo.

O próprio ar que você respira.
O espaço que você ocupa é a consciência. É a sua verdadeira natureza. Tudo é consciência. Nada é deixado de fora, nada!
Você pode dizer para si mesmo: "Porque existe o mal acontecendo neste mundo, ou esta desumanidade no homem? 

Eu te pergunto então: Para quem isso acontece? Quem pensa isso? Quem vê isso? Quem acredita nisso? O ego. A mente.Só a mente enxerga a negatividade, a confusão, a complicação, o erro.
Mas quando você vive a realização de que tudo é Consciência, você transcende a mente e o ego, você vai além da mente e do ego. Você se torna o substrato de toda a existência, a energia subjacente onde o descansam todas essas imagens. O mundo e o universo parecem estar descansando no espaço, mas ele são realmente pura consciência.
O que estou dizendo é que tudo está bem. Muito bem.

A fim de provar isso, você tem que deixar ir essas coisas que o perseguiram por anos. Essas coisas que parecem estar erradas. Você tem que esquivar-se dessas coisas e voltar-se para a Consciência, que é sua amigo, seu amante, e que nunca vai te abandonar, nunca deixa você, que está sempre com você em todas as circunstâncias.

Tudo que você tem a fazer é conhecer esta verdade.
Isso é tudo que você tem que saber. Saber intimamente e coisas maravilhosas começarão a acontecer para você.

Não julgue o mundo ou julgue pelas aparências. Não julgue os outros. Se você se encontra em uma determinada situação, não ache que isso é ruim ou algo está errado com isto. Mas veja a situação pelo olhar da Consciência. Veja as pessoas que estão associadas com a Consciência. Lembre-se de que Consciência é uma bênção. 
É bondade. É Deus.
É a suprema alegria."
Robert Adams em Satsang ( The Collect Works by Robert Adams)
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