31 de janeiro de 2017

Círculos - Osho 2/3


"Depois dos sete anos, no próximo círculo de sete anos, dos sete aos quatorze, algo novo é acrescentado à vida: os primeiros alvoroços da energia sexual da criança. Mas elas são apenas uma espécie de ensaio.

Ser pai é uma tarefa difícil. Assim, a não ser que você esteja pronto para assumir tal tarefa difícil, não se torne um pai. As pessoas simplesmente seguem se tornando pais e mães sem saber o que estão fazendo. Você está trazendo uma vida à existência e todo o cuidado do mundo será necessário.

Agora, quando a criança começa a brincar com seus ensaios sexuais, é o tempo em que os pais mais interferem, porque foi assim que fizeram com eles. Tudo o que eles sabem é o que foi feito com eles, assim eles seguem fazendo o mesmo com as suas crianças. As sociedades não permitem ensaio sexual, pelo menos não permitiram até o século XX, exceto nas duas e três últimas décadas em alguns países muito avançados. Agora já existem escolas mistas para as crianças, mas em um país como a Índia, mesmo agora, a educação mista começa a surgir apenas no nível universitário.

O menino de sete anos e a menina de sete anos não podem estar no mesmo internato. E este é o momento para eles, sem qualquer risco, sem perigo de gravidez, sem que quaisquer problemas surjam para suas famílias; este é o momento em que lhes deveriam ser permitidas todas as brincadeiras.

Sim, isso terá uma conotação sexual, mas será só um ensaio, não se trata de um drama teatral verdadeiro. E se você não permitir a eles nem mesmo esse ensaio, de repente então, um dia a cortina se abrirá e o verdadeiro drama começará… E eles não saberão o que está acontecendo e não haverá nem mesmo aquela pessoa escondida no palco para lhes soprar o que devem fazer. Você terá bagunçado a vida deles completamente.

Esses sete anos, o segundo círculo da vida, são significantes como um ensaio. Eles se encontrarão, se misturarão, brincarão e se conhecerão. E isso ajudará à humanidade a se livrar de quase noventa por cento das perversões. Se às crianças dos sete aos quatorze for permitido estarem juntas, nadarem juntas, estarem nuas juntas, noventa por cento das perversões e noventa por cento das pornografias irão simplesmente desaparecer. Quem irá dar atenção a essas coisas?

Quando um garoto conheceu tantas garotas nuas, que interesse uma revista tipo Playboy poderá ter para ele? Quando uma garota tiver visto tantos garotos nus, eu não vejo qualquer possibilidade de existir curiosidade a respeito do outro. Isso simplesmente desaparecerá. Eles irão crescer juntos naturalmente, não como duas espécies diferentes de animais. É assim que eles crescem agora, como duas espécies diferentes de animais. Eles não pertencem à mesma espécie humana, eles são mantidos separados. Mil e uma barreiras são criadas entre eles, e não lhes permitem qualquer ensaio de sua vida sexual que está chegando…

Se você tiver feito o dever de casa direitinho, se você tiver brincado com sua energia sexual exatamente com o espírito de um desportista (e naquela idade este é o único espírito que você poderia ter), você não se tornará um pervertido, um homossexual. Todo tipo de coisas estranhas não virão à sua cabeça, porque você está se movendo naturalmente com o outro sexo e o outro sexo está se movendo com você. Não haverá qualquer bloqueio e você não estará fazendo nada errado com quem quer que seja. Sua consciência estará clara porque ninguém pôs nela idéias do que é certo e do que é errado. Você simplesmente está sendo o que você é.

Dos quatorze aos vinte e um o seu sexo amadurece. E isso é significante para se entender: se o ensaio tiver sido bom no período dos sete aos quatorze quando o sexo amadurece, acontece uma coisa muito estranha que você nem mesmo deve ter pensado a respeito, porque não lhe foi dada a oportunidade. Eu disse a você que o segundo círculo de sete anos, dos sete aos quatorze, deu a você um vislumbre de antes da peça teatral. O terceiro círculo de sete anos da a você um vislumbre do que vem depois.Você está ainda com garotas ou garotos, mas agora uma nova fase começa em seu ser: você começa a se apaixonar.

Não é ainda um interesse biológico. Você não está interessado em procriar, você não está interessado em se tornar marido ou esposa. Esses são os anos dos jogos românticos. Você está mais interessado na beleza, no amor, na poesia, na escultura, que são fases diferentes de romantismo."

(continua...)
Osho em From the Dark to Light

28 de janeiro de 2017

Círculos - Osho 1/3


“A vida tem círculos de sete anos, ela se move em círculos de sete anos exatamente como a terra faz uma rotação em seu eixo em vinte e quatro horas. Ninguém sabe porque não são nem vinte e cinco nem vinte e três horas. Não há nenhum jeito de se responder isso. É simplesmente um fato. Assim, não me pergunte porque a vida se move em círculos de sete anos. Eu não sei. O máximo que eu sei é que ela se move em círculos de sete anos. E se você compreender esses círculos de sete anos, você compreenderá uma grande coisa sobre o crescimento humano.

Os primeiros sete anos são os mais importantes porque os alicerces da vida estão sendo assentados. É por isso que todas as religiões estão muito preocupadas em agarrar as crianças o mais rápido possível. Os judeus circuncidam as crianças. Que bobagem! Mas eles estão carimbando a criança como uma judia. Essa é uma maneira primitiva de carimbar. Ainda se faz isso com o gado aqui nas redondezas.

Aqueles primeiros sete anos são os anos em que você é condicionado, é preenchido com todos os tipos de idéias que irão atormentá-lo ao longo de toda a sua vida, que irão distraí-lo de sua potencialidade, que irão corrompê-lo, que nunca irão lhe permitir ver claramente. Elas sempre virão como nuvens diante de seus olhos e irão fazer com que tudo fique confuso. As coisas são claras, muito claras. A existência é absolutamente clara. Mas os seus olhos têm camadas e mais camadas de poeira.

E toda essa poeira foi arranjada nos primeiros sete anos de sua vida, quando você era tão inocente, tão confiante, que qualquer coisa que lhe fosse dita você aceitava como sendo verdadeira. E mais tarde, será muito difícil você descobrir tudo aquilo que entrou em seus alicerces. Terá se tornado quase parte de seu sangue, ossos, de sua própria medula. Você perguntará mil outras questões, mas você nunca perguntará a respeito dos alicerces básicos de suas crenças.

A primeira expressão de amor para com a criança é deixá-la absolutamente inocente em seus primeiros sete anos, sem condicionamento, deixá-la por sete anos completamente selvagem, uma pagã. Ela não deveria ser convertida ao hinduismo, ao islamismo, ao cristianismo. Qualquer um que esteja tentando converter a criança, não tem compaixão, é cruel, está contaminando a própria alma de um viçoso recém-chegado. Antes mesmo que a criança tenha formulado perguntas, ela já terá recebido respostas com filosofias , dogmas e ideologias pré-fabricadas. Essa é uma situação muito estranha. A criança não perguntou a respeito de Deus e você já está lhe ensinando. Por que tanta impaciência? Espere!

Se algum dia a criança demonstrar interesse por Deus e começar a perguntar a respeito, então tente dizer a ela não apenas a sua idéia sobre Deus, porque ninguém tem qualquer monopólio. Coloque diante dela todas as idéias de Deus que estiveram presentes em diferentes povos, em épocas diferentes, por religiões, culturas e civilizações diferentes. E lhe diga: ‘Você pode escolher dentre essas aquela que mais lhe atrai. Ou você pode inventar a sua própria, se nenhuma estiver adequada. Se todas lhe parecerem defeituosas, e você achar que pode ter uma idéia melhor, então invente a sua própria. Ou se você achar que não há jeito de inventar uma idéia sem falhas, então abandone toda essa história, ela não é necessária. Um homem pode viver sem Deus.’

Não há qualquer necessidade de que o filho tenha que concordar com o pai. Na verdade parece muito melhor que ele não tenha que concordar. É assim que a evolução acontece. Se toda criança concordar com o pai, então não haverá qualquer evolução, porque o pai terá concordado com seu próprio pai, e todo mundo estará no ponto em que Deus deixou Adão e Eva: nus e expulsos do jardim do Éden. Todo mundo estará lá. O homem tem evoluído porque os filhos têm discordado de seus pais, dos pais de seus pais e de todas as tradições. Toda essa evolução é uma tremenda divergência com o passado. Quanto mais inteligente você for, mais você irá discordar. Mas os pais valorizam as crianças que concordam e condenam as que discordam.

Até os sete anos, se a criança puder ser deixada inocente, não corrompida pelas idéias dos outros, assim tornar-se-á impossível distraí-la de seu crescimento potencial.Os primeiros sete anos da criança são os mais vulneráveis. E elas estão nas mãos dos pais, dos professores, dos padres….

Como defender as crianças dos pais, dos padres e dos professores é uma questão de tamanha proporção que parece quase impossível de se fazer. Não é uma questão de ajudar a criança. A questão é proteger a criança. Se você tiver uma criança, proteja-a de si mesmo. Proteja a criança dos outros que possam influenciá-la, pelo menos até os sete anos, proteja-a. A criança é como uma pequena plantinha, fraca e suave. Um simples vento forte pode destruí-la, qualquer animal pode comê-la. Você põe um fio protetor ao redor dela, mas não a aprisiona, você está simplesmente protegendo-a.Quando a planta estiver maior, o fio será removido.

Proteja a criança de todo tipo de influência de modo que ela possa permanecer ela mesma. E isso é só uma questão de sete anos, porque então o primeiro círculo estará completo. Aos sete anos ele estará bem enraizado, centrado, forte o suficiente. Você não sabe o quanto uma criança de sete anos pode ser forte porque você só tem visto crianças corrompidas. Elas carregam os medos e a covardia de seus pais, mães e familiares. Elas não são elas mesmas.

Se uma criança permanecer sem ser corrompida por sete anos… Você ficará surpreso ao encontrar tal criança. Ela será tão afiada como uma espada. Seus olhos serão claros, seus insights serão claros. E você verá nela uma tremenda força que você não poderá encontrar nem mesmo num adulto de setenta anos.
Se você é um pai (ou mãe), você precisará muito dessa coragem para não interferir. Abra portas para direções desconhecidas de modo que a criança possa explorá-las. Ela não conhece o que ela tem dentro dela, ninguém sabe. Ela terá que tatear no escuro. Não faça com que ela tenha medo do escuro, não faça com que ela tenha medo do fracasso, não faça com que ela tenha medo do desconhecido. Dê a ela suporte. Quando ela estiver indo para uma jornada desconhecida, ofereça a ela todo o seu suporte, com todo o seu amor, com todas as suas bênçãos.

Não deixe que ela seja afetada pelos seus medos. Você pode ter medos, mas mantenha-os consigo mesmo. Não descarregue esses medos em cima da criança, porque isso será interferência."
(continua...)

Osho em From the Dark to Light

21 de janeiro de 2017

Você está pronto? - Mooji


"Você está pronto para se encontrar com Deus?

Então, agora mesmo, não toque em nada, em nenhuma ideia 
-nem boa nem má.
Não se envolva em absolutamente nada.
Qualquer coisa que apareça, apenas deixe-a.
Não se agarre a nada, inclusive a sua auto-imagem.
E não esteja muito ocupado em deixar as coisas.
A dada altura, você as deixa à medida que elas surgem - nenhum bolso para guardar coisas.
Esteja livre de todos os envolvimentos.

Sem nome, sem forma, sem intenção, sem sonho, sem aspiração.
Não se mistura ou associe com alguma coisa.
Se alguém vier e bater no seu ombro porque precisa de ajuda com alguma coisa,
faça o que precisa de ser feito, mas não se identifique. Permaneça vazio no interior.
Não diga a ninguém.
Quando você deixa tudo, Ele virá para se encontrar com você.
Você reconhecerá Aquele que é o seu Ser.
Mas você não será capaz de falar sobre isso.
Não poderá ser uma experiência que "você" tenha.

O eu pessoal, o ego, não deve sobreviver a esta investigação.
Portanto, não deve haver um alguém que tenha atingido ou alcançado algo.
Sem nome. Sem assinatura.
Deixe que tudo seja queimado ou purificado.
O Mestre disse: Morra, mas não esteja morto.
Ou seja, morra para todas as suas noções pessoais de Deus, do mundo, e de você mesmo.
Então você irá encontrar Aquilo que é Eterno.
Este é o seu Eu Divino.
Faça isto.
Sente-se sozinho e simplesmente fique quieto (em silêncio).
Este é o meu convite.
Não fale comigo ou com alguém sobre isso.
Eu encontrarei você lá."
Mooji em Satsang

14 de janeiro de 2017

Sobre a educação dos filhos - Osho


"Há muitos erros na criação dos filhos, mas eu falarei apenas sobre o mais importante. 

Primeiro: a ideia de que seus filhos pertencem a você.
Eles vêm ao mundo por meio de você; você foi um canal de passagem, mas eles não pertencem a você. Eles não são suas posses. Com essa ideia de possessividade, muitos erros aparecem.

Quando começa a achar que eles pertencem a você, acaba reduzindo-os a objetos, porque somente os objetos podem ser possuídos, não seres humanos. É o ato mais feio que você pode cometer.
E seus filhos são tão impotentes, tão dependentes, que não podem se rebelar. Eles aceitam toda as suas decisões.

E para proteger suas posses, você os torna cristãos assim que eles nascem. Você os torna hindus, muçulmanos, budistas, judeus — não consegue esperar! E não consegue enxergar o absurdo nisso tudo?
Na política, uma pessoa é considerada adulta e pronta para votar aos dezoito anos. A religião é menos importante do que a política?
Mas, antes mesmo que a criança aprenda a falar, ela sofre a circuncisão; fica sabendo que é um judeu. É batizada, sem seu consentimento — pelo simples fato de que você não precisa pedir o consentimento de um móvel, onde colocá-lo, se deve mantê-lo ou jogá-lo fora.

Você age com seus filhos da mesma maneira, como se eles fossem objetos.
Se os pais estiverem atentos, conscientes, esperarão que o filho cresça para que ele possa escolher. Se ele tiver a vontade de se tornar um cristão, ele é livre para isso. Se quiser se tornar um budista, é livre para isso. Mas deveria escolher apenas quando decidir.

Eu acredito que, se dezoito anos é a idade mínima para a política, para a religião quarenta e dois anos deveria ser a idade mínima para as pessoas decidirem. E, na verdade, é nessa época que a religião se torna importante. Você viveu sua vida; viu todas as etapas da vida — quarenta e dois anos de idade é um momento muito decisivo.

É quando tem de decidir se continuará a mesma rotina de vida, ou se dará a ela uma nova dimensão. E essa nova dimensão é a religião.
Se a pessoa decidir ser religiosa — simplesmente religiosa, sem pertencer a qualquer organização, sem pertencer a qualquer igreja — perfeito. Ela escolheu a liberdade.

Mas é um problema pessoal, íntimo, ninguém pode interferir.
Mas os pais começam a interferir desde o começo. Por que a pressa? A pressa só serve para que, mais tarde,a criança reclame, pergunte por que ela é uma judia — porque ela não nasceu judia; nenhuma criança nasce judia, cristã ou hindu.

Todas as crianças nascem como uma folha em branco, um quadro vazio. Nada está escrito nelas… inocência pura.
A primeira coisa a ser lembrada é: não reduza a criança a um objeto, não se esforce para isso.

Dê individualidade a ela, não imponha uma personalidade a ela. A individualidade, ela traz consigo; a personalidade é imposta pelos pais, pela sociedade, pelo sistema educacional, pela igreja. Se você entender, não vai impor nada a seu filho, vai ajudar seu filho a ser ele mesmo.
Certamente isso é difícil. É por isso que todas as sociedades, de todas as épocas, escolheram o caminho simples: é mais simples impor alguma coisa à criança. Então ela se torna obediente, não se torna rebelde. Não causa a você problema algum, não se torna uma irritação.

Mas se você der a ela liberdade e ajudá-la a ser livre e individual, ela poderá lhe trazer uma série de problemas. As pessoas decidiram destruir a criança em vez de aceitar os problemas.
Se você tem tanto medo de problemas, é melhor não ter um filho. Mas dar vida a uma criança e depois destruí-la só para não ter problemas é muito desumano.
As crianças são a classe de pessoas mais escravizadas da sociedade humana, as mais exploradas — e exploradas “para seu próprio bem”.
- Osho em o Livro da Mulher

7 de janeiro de 2017

Advaita e física quântica - Sambodh Naseeb


"Tudo começou com Max Planck, em 1900. A física clássica Newtoniana nos legou 3 preconceitos que os atuais físicos quânticos contrapõem. 
Estes são: 1) O Determinismo: que é o conceito de que são as leis físicas que determinam todos os movimentos. 2) A localidade: que todas as relações de causa e efeito estão acontecendo dentro do tempo e do espaço. 3) 
A objetividade: que os objetos e coisas são separados e independentes uns dos outros.

Há 2.600 aos atrás, Buda ensinava seus discípulos que “eventos acontecem, mas não há nenhum indivíduo separado a fazê-los”

Devemos nos deter no ponto “nenhum indivíduo separado”. Ou seja, há causa de muita controvérsia na filosofia, psicologia e hoje na neurociência a questão de indivíduo existir ou não existir. Mas a questão, essencialmente, não é esta. O fato é que, se olharmos para as três leis quânticas postuladas acima, fica mais fácil compreender.

Nenhum indivíduo pode existir separado, logo a ideia de um indivíduo independente é realmente apenas uma ideia da mente. Estamos em uma sopa quântica, onde todos os eventos funcionam como uma teia gigantesca, onde todas as partes se relacionam umas com as outras (em essência, não são partes, mas quando vistas por um observador, tornam-se partes). Quando há um observador olhando para esta teia, o colapso quântico cria a imagem de um indivíduo separado de um objeto, fazendo aparecer a relação sujeito que vê e objeto que é visto. Sem você como um observador, há apenas ondas de potencialidades. É sua mente que converte as ondas (campo vazio-luminoso) em alguma coisa (mundo manifesto). Dito assim, entendemos melhor quando os mestres falam do vazio. 

Quando Buda nos diz que somos o Puro Vazio, devemos entender que este Vazio é a Pura Potencialidade da Consciência Universal (campo das possibilidades), ao qual fazemos parte porque estamos dentro dele, e em realidade unos com ele. Como corpos, aparecemos dentro dessa Consciência. E neste exato momento, a Consciência pode ser vista como uma tela de computador onde aparecem imagens. Essas imagens aparecem na tela, e surgem da tela. Imagens e tela não podem ser separados. Consciência Universal (campo de possibilidades) e Consciência Individual (mente) funcionam não-separados, como a analogia do oceano e da onda. No Vedanta hindu, os textos dos Upanishades dizem que a “parte” é igual ao “todo” em sua essência. Toda a parte carrega a marca do todo. Em outras palavras, Brahman é essencialmente igual ao Atman. Na terminologia cristã, usou-se a simbologia do Pai e do Filho, sendo as palavras de do mestre: “Eu e o Pai Somos Um”.

Dessa forma, compreender que o indivíduo existe e não existe, ao mesmo tempo, fica um pouco mais compreensível, embora a mente não consiga engolir esta declaração, afinal ela, que vive no campo da dualidade, sente dificuldade em compreender que opostos possam existir simultaneamente. Aristóteles pode ser muito mais aceito pela mente que Heráclito.

Mas o fato é que esta Consciência é tanto transcendente ao espaço-tempo como imanente a ele. Está e não está. Existência e não-existência dançam dando base à declaração de Buda: “O Vazio é Forma. E Forma é Vazio”. O indivíduo existe do ponto de vista da mente separada, mas em verdade não existe separado de absolutamente nenhum objeto a sua volta, já que o seu background é um Campo Único de Possibilidades que chamamos aqui de Consciência.

Aqui entendemos porque alguns guias espirituais irão falar do ponto de vista do vazio sobre o indivíduo, e porque outros irão falar do ponto de vista do ego separado. É uma questão de metodologia. A abordagens negativa e a abordagem positiva. Apenas abordagens. A experiência da lua não é igual ao dedo que a aponta. Como negativo e positivo anulam-se entre si, fique a vontade para flutuar por onde sua natureza se sente mais atraída. Osho falou de ambos os caminhos, mas tendia a usar uma terminologia baseada no falso ego, e começar daí sua caminhada. Osho disse: Comece da sua experiência básica e vá em frente. Mas muitos indivíduos sente-se inclinados a uma outra abordagem, onde já de saída a não dualidade é explícita, e este é o caso do Dzogchene o Zen, no Budismo, o Vedanta Advaita - a desconstrução do eu é o início do caminho. Você já começa compreendendo que o eu não é independente, nem fixo, nem separado de nada sua volta. O eu é vazio de substância inerente. O eu é composto e dependente. Digamos que Advaita comece como o Prajnaparamita de Buda, o Sutra do Coração, onde a noção de que Vazio é Forma e Forma é Vazia é convidada a ser contemplada profundamente.

Para encerrar, lembramos que no novo paradigma da ciência que estuda objetos subatômicos, há uma premissa básica: é a Consciência e não a matéria a base da Vida. E como nada acontece fora deste campo de possibilidades que é a Consciência ou Inteligência, como dizia o neoplatônico Plotino, a relação entre o sagrado e o mundo, entre o divino e você não é dualista. Eis o por que de chamarmos esta visão da unidade da vida de não dual. Ela parece dois, mas em essência é o Um aparecendo como dualidade.

Nesse ponto é que chegamos na beleza e profundidade do caminho espiritual profundo e meditativo. Com algumas pessoas, acontece esta história que se chama “caminho espiritual”. 

O sábio iluminado Ramana Maharshi propõe o método investigativo “Quem Sou Eu?”, para despertar a observação, o Eu Real - observação vazia de conteúdo que percebe e no qual acontece pensamentos. 
Ao mesmo tempo o reconhecimento de que esta observação é nada separada desses pensamentos transitórios que surgem e desaparecem no campo da Consciência. Há muitas abordagens místico-experimentais. Com Osho e Buda, a ênfase dada é na meditação, no silêncio. O ponto central é que a EXPERIÊNCIA da não-experiência é o que realmente cristalizará em você este insight tão profundo e aparentemente paradoxal e contraditório. Como dizia Osho, o meditador estará entrando no campo da supralógica, além da lógica binária proposta pela mente. O meditador passa a resonhecer a sabedoria imediatamente, porque seu insight é direto, quando não há obstáculos mentais no caminho. 

A ênfase de alguns mestres em dizerem que você não existe é apenas metodologia inicial, um primeiro passo para apontar mais enfaticamente o vazio da consciência. Após resgatar a observação, num segundo momento tudo começa a ser visto como inseparável, onde tudo é nada e nada é tudo, onde forma é vazio e vazio é forma. A grande magia da vida é compreendida. 

Tony Parsons diz: “A vida vai continuar jogando com você, derrubando-te uma e outra vez, até que a unidade tome o controle e só haja isso. Então a vida continuará como sempre mas já não haverá ninguém que possa ser derrubado”.
Os físicos se surpreendem maravilhados como ao ler uma poesia, quando estudam a relação partícula/onda, por exemplo, as ondas podem aparecerem em dois lugares ao mesmo tempo e os elétrons podem saltar de uma órbita atômica para outra sem passar por espaços intermediários. 

O milagre da existência é muito mais profundo do que nossa razão possa compreender. Eis porque o fundamento e a resposta para a Vida é sempre o Amor. Mas o Amor só pode ser compreendido completamente no salto quântico da mente para o coração, da mente para a não-mente. 

O Amor é a resposta para a Vida. É a descoberta e o despertar de que matéria, energia e consciência são Um. 

Osho disse: “A vida não é algo a ser explicado mas um grande mistério a ser vivido”. Simplesmente Amor."
Sambodh Naseeb
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