7 de janeiro de 2017

Advaita e física quântica - Sambodh Naseeb


"Tudo começou com Max Planck, em 1900. A física clássica Newtoniana nos legou 3 preconceitos que os atuais físicos quânticos contrapõem. 
Estes são: 1) O Determinismo: que é o conceito de que são as leis físicas que determinam todos os movimentos. 2) A localidade: que todas as relações de causa e efeito estão acontecendo dentro do tempo e do espaço. 3) 
A objetividade: que os objetos e coisas são separados e independentes uns dos outros.

Há 2.600 aos atrás, Buda ensinava seus discípulos que “eventos acontecem, mas não há nenhum indivíduo separado a fazê-los”

Devemos nos deter no ponto “nenhum indivíduo separado”. Ou seja, há causa de muita controvérsia na filosofia, psicologia e hoje na neurociência a questão de indivíduo existir ou não existir. Mas a questão, essencialmente, não é esta. O fato é que, se olharmos para as três leis quânticas postuladas acima, fica mais fácil compreender.

Nenhum indivíduo pode existir separado, logo a ideia de um indivíduo independente é realmente apenas uma ideia da mente. Estamos em uma sopa quântica, onde todos os eventos funcionam como uma teia gigantesca, onde todas as partes se relacionam umas com as outras (em essência, não são partes, mas quando vistas por um observador, tornam-se partes). Quando há um observador olhando para esta teia, o colapso quântico cria a imagem de um indivíduo separado de um objeto, fazendo aparecer a relação sujeito que vê e objeto que é visto. Sem você como um observador, há apenas ondas de potencialidades. É sua mente que converte as ondas (campo vazio-luminoso) em alguma coisa (mundo manifesto). Dito assim, entendemos melhor quando os mestres falam do vazio. 

Quando Buda nos diz que somos o Puro Vazio, devemos entender que este Vazio é a Pura Potencialidade da Consciência Universal (campo das possibilidades), ao qual fazemos parte porque estamos dentro dele, e em realidade unos com ele. Como corpos, aparecemos dentro dessa Consciência. E neste exato momento, a Consciência pode ser vista como uma tela de computador onde aparecem imagens. Essas imagens aparecem na tela, e surgem da tela. Imagens e tela não podem ser separados. Consciência Universal (campo de possibilidades) e Consciência Individual (mente) funcionam não-separados, como a analogia do oceano e da onda. No Vedanta hindu, os textos dos Upanishades dizem que a “parte” é igual ao “todo” em sua essência. Toda a parte carrega a marca do todo. Em outras palavras, Brahman é essencialmente igual ao Atman. Na terminologia cristã, usou-se a simbologia do Pai e do Filho, sendo as palavras de do mestre: “Eu e o Pai Somos Um”.

Dessa forma, compreender que o indivíduo existe e não existe, ao mesmo tempo, fica um pouco mais compreensível, embora a mente não consiga engolir esta declaração, afinal ela, que vive no campo da dualidade, sente dificuldade em compreender que opostos possam existir simultaneamente. Aristóteles pode ser muito mais aceito pela mente que Heráclito.

Mas o fato é que esta Consciência é tanto transcendente ao espaço-tempo como imanente a ele. Está e não está. Existência e não-existência dançam dando base à declaração de Buda: “O Vazio é Forma. E Forma é Vazio”. O indivíduo existe do ponto de vista da mente separada, mas em verdade não existe separado de absolutamente nenhum objeto a sua volta, já que o seu background é um Campo Único de Possibilidades que chamamos aqui de Consciência.

Aqui entendemos porque alguns guias espirituais irão falar do ponto de vista do vazio sobre o indivíduo, e porque outros irão falar do ponto de vista do ego separado. É uma questão de metodologia. A abordagens negativa e a abordagem positiva. Apenas abordagens. A experiência da lua não é igual ao dedo que a aponta. Como negativo e positivo anulam-se entre si, fique a vontade para flutuar por onde sua natureza se sente mais atraída. Osho falou de ambos os caminhos, mas tendia a usar uma terminologia baseada no falso ego, e começar daí sua caminhada. Osho disse: Comece da sua experiência básica e vá em frente. Mas muitos indivíduos sente-se inclinados a uma outra abordagem, onde já de saída a não dualidade é explícita, e este é o caso do Dzogchene o Zen, no Budismo, o Vedanta Advaita - a desconstrução do eu é o início do caminho. Você já começa compreendendo que o eu não é independente, nem fixo, nem separado de nada sua volta. O eu é vazio de substância inerente. O eu é composto e dependente. Digamos que Advaita comece como o Prajnaparamita de Buda, o Sutra do Coração, onde a noção de que Vazio é Forma e Forma é Vazia é convidada a ser contemplada profundamente.

Para encerrar, lembramos que no novo paradigma da ciência que estuda objetos subatômicos, há uma premissa básica: é a Consciência e não a matéria a base da Vida. E como nada acontece fora deste campo de possibilidades que é a Consciência ou Inteligência, como dizia o neoplatônico Plotino, a relação entre o sagrado e o mundo, entre o divino e você não é dualista. Eis o por que de chamarmos esta visão da unidade da vida de não dual. Ela parece dois, mas em essência é o Um aparecendo como dualidade.

Nesse ponto é que chegamos na beleza e profundidade do caminho espiritual profundo e meditativo. Com algumas pessoas, acontece esta história que se chama “caminho espiritual”. 

O sábio iluminado Ramana Maharshi propõe o método investigativo “Quem Sou Eu?”, para despertar a observação, o Eu Real - observação vazia de conteúdo que percebe e no qual acontece pensamentos. 
Ao mesmo tempo o reconhecimento de que esta observação é nada separada desses pensamentos transitórios que surgem e desaparecem no campo da Consciência. Há muitas abordagens místico-experimentais. Com Osho e Buda, a ênfase dada é na meditação, no silêncio. O ponto central é que a EXPERIÊNCIA da não-experiência é o que realmente cristalizará em você este insight tão profundo e aparentemente paradoxal e contraditório. Como dizia Osho, o meditador estará entrando no campo da supralógica, além da lógica binária proposta pela mente. O meditador passa a resonhecer a sabedoria imediatamente, porque seu insight é direto, quando não há obstáculos mentais no caminho. 

A ênfase de alguns mestres em dizerem que você não existe é apenas metodologia inicial, um primeiro passo para apontar mais enfaticamente o vazio da consciência. Após resgatar a observação, num segundo momento tudo começa a ser visto como inseparável, onde tudo é nada e nada é tudo, onde forma é vazio e vazio é forma. A grande magia da vida é compreendida. 

Tony Parsons diz: “A vida vai continuar jogando com você, derrubando-te uma e outra vez, até que a unidade tome o controle e só haja isso. Então a vida continuará como sempre mas já não haverá ninguém que possa ser derrubado”.
Os físicos se surpreendem maravilhados como ao ler uma poesia, quando estudam a relação partícula/onda, por exemplo, as ondas podem aparecerem em dois lugares ao mesmo tempo e os elétrons podem saltar de uma órbita atômica para outra sem passar por espaços intermediários. 

O milagre da existência é muito mais profundo do que nossa razão possa compreender. Eis porque o fundamento e a resposta para a Vida é sempre o Amor. Mas o Amor só pode ser compreendido completamente no salto quântico da mente para o coração, da mente para a não-mente. 

O Amor é a resposta para a Vida. É a descoberta e o despertar de que matéria, energia e consciência são Um. 

Osho disse: “A vida não é algo a ser explicado mas um grande mistério a ser vivido”. Simplesmente Amor."
Sambodh Naseeb

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