30 de junho de 2011

Maravilhar-se...


"Só as pessoas cegas acreditam na luz. Aquelas que têm olhos não acreditam na luz, elas simplesmente a vêem.

A verdade não pode ser transferida. A verdade não pode ser entregue a você por outra pessoa, porque ela não é uma mercadoria. Não é um objeto. É uma experiência.

A verdade precisa de olhos meditativos. Se você não tiver olhos meditativos, então toda a vida resume-se a fatos mortos, sem qualquer relação entre si, acidentais, sem sentido, embaralhados... E só um fenômeno casual.
Se você vê a verdade, tudo entra nos eixos. Tudo se encaixa em harmonia, tudo começa a ter significância.

Lembre-se sempre de que a significância é a sombra da verdade.
E aqueles que vivem apenas nos fatos levam uma vida totalmente sem sentido.

Não acredito em acreditar. Isso deve ser entendido em primeiro lugar.
Ninguém me pergunta: "Você acredita no botão de rosa?" Não é necessário. Você pode ver: a rosa está ali ou não está. E preciso acreditar apenas em ficções, não em fatos.

A religião não é algo em que acreditar, mas algo para ser vivido algo para se vivenciar. Não é uma crença na sua cabeça, mas um aroma em todo o seu ser.

Ao ver o pôr-do-sol, por um instante você esquece seu estado de separação e passa a ser o pôr-do-sol. Esse é o momento em que sente a beleza dele. Mas, no instante em que diz "que lindo pôr-do sol", deixa de senti-lo — você volta para a sua entidade separada e fechada do ego. Agora é a mente falando. E esse é um dos mistérios: a mente pode falar e ela nada sabe, e o coração sabe tudo mas não sabe falar.

O mais belo momento da vida de uma pessoa é quando não há nem confusão nem certeza. Ela simplesmente é. Um espelho refletindo aquilo que é, sem nenhuma direção, indo para lugar
algum, sem idéia de fazer algo, sem nenhum futuro, só absolutamente no presente, intensamente no presente.

A sabedoria não tem nada a ver com conhecimento, absolutamente nada. Ela tem algo a ver com inocência. Algo da pureza do coração é necessário, algo da vastidão do ser é necessário para que
a sabedoria cresça.

Sempre que você ri, está mais perto do divino. Sempre que ama, está mais perto do divino. Sempre que canta, dança e toca música, vive a religião de verdade."
Osho em Faça seu Coração Vibrar

29 de junho de 2011

Escuta Inocente...


"Todo o corpo ouve. Está completamente fora da relação sujeito-objeto.

O escutar acontece, mas nada é ouvido e ninguém escuta. E como a escuta incondicionada é nossa real natureza, conhecemos a nós mesmo na escuta.

Mas raramente escutamos de verdade. Nós vivemos mais ou menos continuamente no processo de devenir. Projetamos uma imagem de ser alguém e nos identificamos com ela. E, enquanto nos tomamos por uma entidade independente, há uma fome contínua, um sentimento de incompletude.

O ego está constantemente buscando satisfação e segurança, daí sua perpétua necessidade de ser, de realizar, de alcançar. Desta forma, nós nunca contatamos a vida realmente, pois isto requer abertura de momento a momento.

Nesta abertura, a agitação estimulada pela tentativa de saciar uma ausência em você mesmo chega ao fim e, na quietude que fica, você é direcionado de volta para sua integridade.

Sem uma auto-imagem você é realmente um com a vida e com o movimento da inteligência. Apenas então nós podemos falar de ação espontânea.

Todos conhecemos momentos quando a pura inteligência, livre da interferência psicológica, surge, mas logo que retornamos a uma imagem de ser alguém, questionamos esta intuição perguntando se ela é certa ou errada, boa ou má para nós, e assim sucessivamente.

O quer que façamos intencionalmente pertence ao “ego-eu” e, embora apareça como ação, é realmente re-ação. Apenas o que surge espontaneamente do silêncio é ação e não deixa nenhum resíduo. Você nem sequer pode recordá-la. A ação intencional do “ego-eu” sempre deixa um resíduo que emergirá talvez no estado de sonho ou mesmo como uma fixação que podemos mais tarda chamar enfermidade.

Há apenas Consciência livre da agitação e da memória e, nesta quietude, todas as ações são espontâneas, pois cada situação pertence a sua abertura, e ela mesma lhe diz exatamente como proceder.
Na espontaneidade a ação ocorre, mas ninguém atua. Não há nenhuma estratégia, nenhuma preparação.

A ação real não surge do raciocínio, mas da observação receptiva. Por exemplo, quando você vê uma criança pequena atravessando a rua, você não pára e pensa, “Devo gritar pedindo ajuda ou devo ir e pegá-la, ou devo deixar que vá só?” Você age. Mesmo que você tenha realizado vinte vezes esta ação, é nova a cada vez. Pertence absolutamente ao momento.

Uma experiência é sempre referida a alguém, a um eu. É compreendida por referência ao passado, à memória, ao que conhecemos bem. Porém ela tem um sujeito, alguém que experimenta, e um objeto, algo experimentado. Mas o que somos fundamentalmente nunca pode ser experimentado, nunca pode participar da relação sujeito-objeto; por isto devemos abandonar todo o desejo de experiência.

O que então significa familiarizar-se mais consigo mesmo? Significa conhecer melhor o que você não é, sobre seu corpo, seus sentidos, suas emoções, sua mente. Este é um movimento diametralmente oposto à tentativa de agarrar-se ao conhecimento.

Ele deve vir a si mesmo. Portanto você deve escutar seu corpo, seus sentidos, sua mente, e é uma escuta que exige o abandono de tudo que acredita saber, todo condicionamento, todo esquema.

Quando permanecemos nesta escuta, as percepções afloram do que a psicologia chamaria de subconsciente e superconsciente. Mas não ponha ênfase nas percepções porque acentuar o percebido o ata à relação sujeito-objeto.

Primeiro, o interesse está no que percebe e, mais tarde, você perceberá que o que se enfatiza é a própria escuta, até que finalmente se dá conta que você mesmo está nesta escuta.

A escuta é a tela sobre a qual tudo aparece. É quietude. Seu corpo, seus sentidos, sua mente e todos os estados vêm e vão, mas você é essa presença atemporal.

A idéia de que haja alguma coisa a alcançar está profundamente enraizada, por isso continuamos vivendo no processo de vir a ser, projetando energia para adquirir ou conservar algo.

Mas a escuta inocente aprofunda a convicção de que não há realmente nada a ganhar ou a perder e os condicionamentos se desvanecem na mente, a agitação desaparece e apenas a quietude permanece.

Você é então como o pescador que não controla o peixe nem a água. Limite-se a observar e você terminará por sentir que tudo está contido nesse olhar, nesse silêncio, que nada existe separado disso.
Nesse momento, você está no umbral de seu ser real e nenhum desejo pode vir a interferir. Você é tomado pelo próprio Ser."
Jean Klein em A Simplicidade de Ser

Consciência Crística...




"Jesus Cristo é um vínculo entre o Oriente e o Ocidente.

O grande Mestre se ergue ante meus olhos, dizendo ao Oriente e ao Ocidente: "Uni-los. Meu corpo nasceu no Oriente, porém meu espírito e minha mensagem viajaram ao Ocidente".(...)

Para compreender o que significa a Consciência do Cristo, considere o contraste entre a sua consciência e a de uma pequena formiga. A consciência de uma formiga se encontra limitada pelo minúsculo tamanho de seu corpo; sua
onisciência reside em toda a sua forma física, de dimensões relativamente maiores. Se alguém tocasse qualquer parte de seu corpo, você logo o perceberia.

A criação é o corpo de Deus, e a consciência divina, presente na criação inteira, se denomina Consciência do Cristo. O Senhor está consciente de tudo quanto fazemos dentro de sua forma universal, tal como nós temos consciência de nosso diminuto ser individual. Através da união com a Consciência do Cristo, foi possível a Jesus saber da morte de Lázaro, sem que ninguém o informasse disso.

As maravilhas da criação de Deus não podem ser descobertas pelos animais; só aos seres humanos foi dada a capacidade potencial de alcançar a onisciência da unidade com a consciência do Cristo. Pergunto àqueles que não crêem em Deus: "De onde provém a inteligência que se manifesta no homem e no universo inteiro, se não é produzida por alguma "Fábrica" divina oculta atrás do éter?

Semelhantes mistérios induziram Einstein a afirmar que o espaço parece extremamente suspeitoso. O espaço oculta Deus; a Inteligência divina está presente nele, já que do "nada"do espaço provém tudo que existe.(...)

Jesus estava consciente não somente de sua forma física microcósmica, mas também de toda a criação como seu corpo macrocósmico; Ele podia afirmar verdadeiramente: "Eu e meu Pai somos um", pois experimentava sua presença em todos os átomos, tal como seu Pai.

Foi à onipresente Consciência do Cristo que Jesus se referiu com as seguintes palavras: "Não se vendem dois passarinhos por um ceitil? Pois bem, nenhum deles cairá em terra sem o consentimento de vosso Pai".

Cristo veio em um momento crítico da história, quando o mundo necessitava desesperadamente de esperança e regeneração espiritual. Sua mensagem não estava destinada a promover o nascimento de múltiplas seitas, cada uma das quais proclamando que ele lhes pertencia.

Ao contrário, a sua uma mensagem universal de unidade foi uma das maiores jamais dadas ao homem. Ele recordou à humanidade a verdade das escrituras: "Sois Deuses".
Paramahansa Yogananda em Jesus, um Cristo do Oriente e do Ocidente.

28 de junho de 2011

Relaxar no silêncio...



A maior preciosidade da vida é o relaxamento no próprio Ser.

Muitas voltas, muitos desejos, sonhos, buscas, não se comparam a doce e simples sensação de estar totalmente em casa, quando se está em si mesmo.

No mais ínfimo instante, a eternidade é tocada.
No mais profundo silêncio, a música suprema acontece.
Na profunda paz sem motivo, a realidade divina acontece.

No relaxamento em si as sombras desaparecem,
Aqueles caminhos diversos, que pegamos tantas vezes simplesmente se transformam em um não-caminho,
Aquelas falas tão convincentes, se transformam em além-da-palavra, além do que quer que seja.
Aquelas memórias tão importantes, se afastam simplesmente, e relaxamos no céu azul sem horizonte.

Aqui falta não há
Aqui há a plenitude simplesmente
Aqui tudo se transforma em pura luz, puro amor.

Uma morada tão vasta tão luminosa
Que todos são convidados a participar,
Todos são convidados e amados sem medida,
Os contornos se dissolvem naturalmente,
E onde haviam muitos, diferenças, agora há apenas o Ser-unidade.

O ego-anfitrião não mais está.
Mas a festa silenciosa continua, é Verbo..
Festejar,
Celebrar,
Viver,
Agradecer,
Amar,
Em plena PAZ...
~ Amidha Prem~

27 de junho de 2011

Intensidade no momento presente...



"Para alcançar o estado de iluminação, como se ele fosse algo que você pudesse acrescentar a si mesmo, ou algo que irá subitamente num ser miraculoso - o que você já é - mas o que você quer saber é se ele virá no futuro.

Iluminação - vamos chamá-la de "estado-sem-ego" não pode ser obtido no futuro ou no tempo.
Mas é somente olhando-o agora, pois o estado-sem-ego está aqui, agora.
O estado que você quer alcançar é um conceito mental que duela com o ser. Você nunca pode alcançá-lo porque é um conceito abstrato de quem eu quero ser. Não percebemos que você já é ele agora. Então o estado-sem-ego nada tem a ver com o futuro. Você não pode torná-lo uma meta. Quer você o chame de estado-sem-ego ou de iluminação, você não pode torná-lo uma meta. Meta implica futuro.

Porque o verdadeiro ponto de entrada para o estado-sem-ego ou de iluminação é o momento presente. Se você torná-lo uma meta que quer alcançar, você perde o ponto de entrada. E você está olhando o futuro, porque a meta implica em futuro.

Esse é o dilema de todo o buscador espiritual, porque eles ouvem palestras espirituais que dizem: há tal coisa como um estado-sem-ego, uma iluminação, e eu talvez possa obtê-lo também. E imediatamente o torna uma meta, projeta-o adiante, e ele se torna mente. Uma imagem mental de quem eu quero ser no futuro. E não percebe que a própria busca para realizar essa imagem, os impede de sê-lo agora. Porque o ponto de entrada está aqui, somente nesse momento.

O ego só pode ser transcendido acessando o poder do momento presente - nenhum outro modo. A iluminação está somente no poder do momento presente, em nenhum outro lugar.
Então somente os seres humanos que desistirem da busca percebem que ele já está aqui.

Portanto você tem que, de um modo ou de outro, ou porque você está totalmente frustrado com a busca espiritual, ou porque subitamente viu a verdade disso e desiste da busca, pois ela é futuro.

Basicamente há dois ensinamentos espirituais conflitantes: Um que se parece com o que eu disse - mas não é bem isso, e diz que não há nada que você possa fazer, portanto fique totalmente relaxado porque você não pode realizá-lo. Não existe nada absolutamente que você possa fazer sobre isso. Portanto deixe isso prá lá, dizem alguns mestres, e simplesmente divirta-se. O outro ensinamento diz que se você não quiser a iluminação tão intensamente quanto um afogado quer ar, não alcançará.

O que eu disse se parece mais com o outro que diz que você não pode torná-lo em algo para querer ou pegar. Mas realmente a verdade está em trazer os dois juntos. Mas como se pode juntar um que diz que não há nada que você possa fazer, com o outro que requer uma intensidade?
Você os coloca juntos e a própria intensidade que é erradamente interpretada como uma intensidade que direciona você para uma meta no futuro, tornando-a uma intensidade que o direciona para o momento presente.

É uma intensidade não comprometida, é somente esse momento. Então há uma intensidade aí que não o direciona para o futuro, mas o leva mais profundamente nisso.
Não há nada que você possa fazer, é verdade, no sentido em que fazer requer futuro e tempo o que não o ajuda. E sem dúvida se ficar alinhado com o momento presente não é realmente um "fazer". Neste sentido não há o que você possa fazer, mas pode permitir ao momento presente ser, e ir mais fundo nele - é uma questão de como se usa a linguagem- então nesse sentido eles estão certos, não há nada que você possa fazer, e os outros também estão certos, a intensidade é requerida, a intensidade com que você abraça o Agora.

Portanto não é um estado futuro, vir a tornar-se algo que você não é agora. E então você pode ter ouvido alguns mestres dizerem: "Você já é iluminado". E isso em termos profundos é verdade. Todo ser humano já é completo no profundo. No nível da forma talvez tenha ainda que fazer várias coisas: aprender ou experimentar várias coisas...mas na profundidade de quem você é, sua identidade essencial já é totalmente completa. Essa não necessita de mais tempos ou coisas a serem somada a quem você é em essência, e é isso que importa.Nesse sentido o futuro somente pode impedi-lo de ser isso., achar isso e ser isso agora.

Portanto para algumas pessoas é difícil se libertar dessa idéia, porque não passa de uma idéia na cabeça, de ter que conseguir algo, torna-se algo. Mas isso não é realmente verdadeiro. A verdade é que você já é isso, precisa apenas realizá-lo. Que você já é plenamente você mesmo. Você já é plenamente você mesmo. Você não precisa mais tempo ou mais nada para ser o que você já é agora.
Você já é eterno, divino, atemporal em sua essência. Tudo o mais está no nível da forma. E é uma dança, um jogo, uma brincadeira de formas, então algumas vezes se ganha, e outras se perde...você pode jogar...

Mas quando se trata da busca espiritual, a intensidade é importante sim, mas intensidade que o direciona para o Agora. Não a intensidade que quer realizar um estado imaginário no futuro em "se tornar iluminado lá".. mas em realizar com profundidade, intensidade algo que já se é aqui, agora."
Eckhart Tolle em Satsang

26 de junho de 2011

Desenvolvendo o Amor-Bondade...


"Buddhaghosa pergunta: Qual é a provável causa do amor-bondade?. A resposta é: Observar aquilo que é amável na pessoa à tua frente.

Traga à mente agora mesmo alguém que você ache amável. Pode ser uma pessoa com quem tenha tido um romance, ou uma criança, ou um amigo querido, ou um grande professor — alguém que faria seu coração saltar como um cervo na floresta se ela entrasse agora pela porta, uma pessoa cuja presença seja tão amável que já faz surgir um contentamento só de olhar.

Se você pode sentir isso por um amigo querido, então tente procurar aquilo que é amável em uma pessoa neutra. Então, finalmente, quando você derrubar todas as barreiras, veja isso em uma pessoa que te prejudicou.

É uma grande chave se você puder buscar algo para amar mesmo em um inimigo. Tenha claramente em mente que isso não significa apoiar ou abraçar a maldade. O ponto crucial aqui é ser capaz de cortar como um cirurgião muito habilidoso, reconhecendo o comportamente vicioso que gostaríamos que fosse aniquilado como algo separado da pessoa que faz isso.

O médico pode ser otimista. Uma cura é possível: a pessoa não é equivalente à ação ou à disposição. Além do mais há algo que podemos abraçar com afeição, com calor. Isso realmente parece ser a chave mestra que pode derrubar a última barreira e finalizar a prática.

Uma maneira de fazer isso é olhar para a pessoa que você despreza e tentar encontrar alguma qualidade que ela possa ter em comum com alguém que você admira e respeita profundamente. Há alguma coisa de fato para se ver que seja nobre, algo que se assemelhe ao que um grande ser espiritual mostraria? Foque nisso: há algo ali que você pode amar.

É como se você pudesse ver um pequeno raio de luz à partir de dentro, sabendo que sua fonte é muito mais profunda que as qualidades desprezíveis exteriores. É a essa luz que você presta atenção."Alan Wallace em The four Immeasurables: Practices to open the Heart

O amor acontece a nós sem nem nos darmos conta se existe alguma razão não é mesmo? O amor está além da razão.
Mas o desafeto, a estranheza por alguém, esta sim, sabemos exatamente a causa, a origem, o porque.
Neste texto Alan Wallace nos chama atenção para este fato, e nos aponta uma maneira simples e diria até didática, de nos desvencilharmos desses "entraves" afetivos que muitas vezes acontecem na nossa vida, e antes que se tornem barreiras, colocar atenção, e a luz da consciência ali é o mais sábio a ser feito.

Pararmos e observarmos os sentimentos que vêm, os pensamentos que vêm, e percebermos que é possível investigarmos aspectos luminosos profundos em qualquer pessoa.

Toda luminosidade vem da essência, toda paz, todo amor é fonte.

Por mais que a aparência seja nebulosa, confusa, ou de pouco brilho, a nossa atenção quando focada na essência fatalmente encontrará o raio de luz essencial, pois somos Um. A mesma essência em ti é a mesma em mim, já que a separação, a divisão é apenas superficial, externa. Quanto mais nosso foco for a essência, menos diferenças realmente encontramos, e sim mais e mais semelhanças.

Tudo que colocamos atenção tende a aumentar. Neste belo ensinamento budista, vemos um caminho de aprofundamento do nosso olhar sobre a existência, e um ensinamento luminoso de curarmos conflitos emocionais, que advém da inconsciência da verdadeira unicidade.
Amor
Lilian

Apenas ISTO!


"Alguém me fez um interessante questionamento, o que é "o que É"?
E como saber se o que É, é realmente o que É e não algo imaginado sobre o que É?

O que É?
No que É não existe nada de místico. Todo problema da mente humana pode ser resumido em somente um, ela pouco questiona-se sobre o que É. Pela sua própria natureza, por uma questão de sobrevivência o cérebro humano, principalmente o infantil, foi programado para imitar e seguir o grupo. O questionamento é um desenvolvimento posterior que muitas vezes nem acaba acontecendo, ou quando acontece, acontece ou de uma maneira ainda muito superficial, ou com base em todo o acúmulo de condicionamento anterior produzido por nossa educação e cultura.

No que É está tudo que conseguimos ver, e o que não vemos, tudo o que entendemos e tudo que ainda não entendemos. No que É existe o bem e o mal, o início e o fim, construção e destruição, "deuses" e "demônios".

No que É existe o fenômeno(o que vemos) e também o noumenon (essência), tanto o mundo da matéria quanto a energia potencial que deu origem a todo este universo físico.

Nada é excluído do que É, santos e pecadores, presas e predadores, vítimas e algozes.

Neste sentido o que É não é algo misterioso, obscuro ou de difícil entendimento. O que É é simplesmente isto, tudo o que existe entre o céu e a terra, também acima e abaixo deles, e ainda em quantas dimensões, universos paralelos e espaços-tempo existirem! Resumindo o que É é tudo que Há! Mesmo aquilo que não percebemos.

Qual o sentido de negar algo que não existe? A partir do momento que algo foi negado, este algo passa a existir em seu cérebro e consequentemente a fazer parte do que É!
Neste sentido fica muito difícil duvidar da existência do que É.

Quem vai questionar a validade do que É? Se algo questiona o que É, este algo precisa ter existência para questionar alguma coisa, tendo existência, ele é parte integrante do que É, e tudo que ele vê ao seu redor também o é! Inclusive aquilo que ele próprio nega, pois ao negar algo você dá existência a esta própria coisa negada, ou alguém já negou algo que não tenha existência alguma?

Concluindo, o que É é tudo que Há.
Como saber se não se está simplesmente imaginado o que É? Sendo o que É tudo que Há, se algo for imaginado, isto também faz parte do que É. Até mesmo seus sonhos e devaneios fazem parte daquilo que É!

A sutil diferença aqui, é que a pessoa Consciente do que É entende que os sonhos e imaginações fazem parte do que É, mas o que É não é limitado nem por sonhos, nem por imaginações(nem mesmo a mais difícil de se livrar, o ego humano).

O que É é Tudo que Há, e Isto não pode ser limitado, definido, ou entendido pela mente humana.

Para que tentar compreender o que É?
Aquele que Realizou o Insight naquilo que É, um insight profundo e definitivo, que se dá prioritariamente pelo incansável questionamento de tudo que se pensa que é(tudo que fizeram você acreditar que você é), está livre de qualquer sofrimento psicológico! Como sofrer se todos os opostos fazem parte do que É?

Quem é esta entidade que se dá ao direito de reclamar, querer melhorar ou criticar o que É? Ele então vive no mundo, mas não é mais do mundo! Ele é um ator, e de tão realista, as pessoas ao seu redor nem desconfiam de sua atuação.

Acreditam piamente quando ele reclama de algo, quando ele se alegra por algo, ou mesmo quando ele parece preocupado com algo. Não percebem que tudo faz parte do show, deste grande teatro chamado Vida e que este show tem que continuar...Sempre!

Se os envolvidos neste show, os atores com seus papéis, estiverem conscientes de todo drama da peça, de tudo que há envolvido nela, a atuação ao invés de um grande esforço, passa a ser uma grande diversão, uma grande alegria, um fluir no momento, sem resistências ou tensões. Nada há mais a atingir então! Você torna-se Isto!"
Swami Nirav Kanan em Encontro

24 de junho de 2011

Ainda ontem...


"Ainda ontem pensava que não era mais do que um fragmento tremulo,
Sem ritmo na esfera da vida.

Hoje sei que sou a esfera,
E a vida inteira em fragmentos rítmicos,
Movem-se em mim .

Eles dizem-me no seu despertar:
Tu e o mundo em que vives não passam de um grão de areia sobre a margem infinita de um mar infinito.

E no meu sonho eu lhes respondo:

Eu sou o mar infinito,
E todos os mundo não passam de grãos de areia sobre a minha margem.

Só uma vez fiquei mudo.
Foi quando me perguntaram:
Quem és tu? "
Poema de Kahlil Gibran

23 de junho de 2011

Quem é você? e O que É?




Osho, Quem é você? e O que É?

Você me pergunta quem sou eu. Eu lhe digo : "Eu não sou". Estou sempre dizendo aos que buscam que perguntem a si mesmos: "Quem sou eu?" não para que venham a saber quem são, mas para que chegue um momento em que a pergunta seja feita tão intensamente, que o perguntador não esteja mais presente, e só a pergunta permaneça. A pergunta não é feita para se obter uma resposta, mas sim para se transcender a própria questão.(...)
Itálico
Para mim a questão "Quem é você?" não tem nenhum sentido. "O que é?" é a única pergunta relevante. Não quem, mas o que pode ser algo total, pode se referir à totalidade, a tudo o que existe.

A pergunta " O que é?" é existencial. Não tem dicotomias, não divide. Mas a questão quem já divide no próprio momento em que é proposta. Ela aceita a dualidade, a multiplicidade de seres.

Só há ser, não seres. Digo que há apenas ser, que há apenas o existir. Um não pode estar separado do outro. Se não há o outro, então dizer que um existe não tem sentido. Assim, o ser não existe, só o existir. (...)

Quando você pergunta: "Quem é você?" isso para mim significa: "O que é?".
"O que é?" não é "eu", mas o próprio ser, a própria existência. Quando se mergulha fundo em uma única gota, encontra-se o oceano. Só na superfície a gota é apenas uma gota. Ela é a própria existência. Assim, a natureza última de uma simples gota de água é a mesma do oceano. É oceânica. Somente na ignorância alguém é uma gota de água. A partir do momento em que alguém sabe, sabe que é o próprio oceano.

O que é que existe? Há muitas camadas. Se alguém percebe apenas na superfície, aí existe a matéria. Matéria é a superfície. Tempos atrás, a ciência só investigava a superfície: acreditava-se que só a matéria era real, e nada mais. Agora, porém, a ciência deu mais um passo à frente. Ela afirma que não há matéria, só energia. Energia é a segunda camada. É mais profunda do que a matéria. Penetrando fundo na matéria não achamos matéria, sim energia. Mas também isso não é tudo, pois existe a consciência além da energia. Assim ao perguntar " Quem é você?" eu digo "Eu sou consciência" e essa resposta abrange tudo. Tudo é consciência: eu respondo tão somente como representante de tudo. (...)

A consciência existe, e quando digo que algo existe isso tem um significado particular: que isso nunca se tornará inexistente. Se algo pode cair na não-existência, isso significa que nunca existiu realmente. Era apenas um fenômeno; só aparentava existir.
Tudo o que muda é fenomenal; não é realmente existencial. Tudo o que muda está na superfície. O mais interno, o âmago supremo nunca muda. É, e está sempre presente. Nunca se pode dizer que era, nem se pode dizer que será. Uma vez que é, é. Só o presente se aplica a ele. (...)

Quando digo que a consciência existe, não me refiro a algo ligado ao passado ou ao futuro, mas a algo eterno, não interminável, porque a palavra interminável carrega um sentido de tempo. Quando digo que a consciência sempre existe no presente, quero dizer que ela é não temporal. Está além do tempo, e simultâneamente além do espaço, porque tudo o que está no espaço torna-se inexistente, assim como tudo o que está no espaço também se torna inexistente.

Tempo e espaço não são duas coisas: por isso os relaciono. São um só. O tempo é apenas uma dimensão do espaço. O "movimento no espaço" é tempo, e "tempo imóvel" é espaço. A existência é não-temporal, não-espacial.
Penso que agora você será capaz de entender quando eu digo que sou não-temporal e não-espacial. Mas o meu "eu" abrange tudo. Você está incluído nele, o questionador está incluído. Nada está excluído do meu "eu". Agora será mais fácil responder a sua pergunta."
Osho em Eu sou a Porta.

22 de junho de 2011

Apenas o Ser...



Você nos disse que a própria busca, seja ela qual for, impede a gente de VER verdadeiramente - ou seja - trata-se apenas de um jogo brilhante de aparências e de desvios de atenção... essa forma de ver as coisas acontecer ajuda-nos a dar uma compreensão de como TUDO provém da mesma fonte.

Tony Parsons: Sim, é da mesma fonte, sempre é. Isto acontece pelo fato das aparências julgar não querer ser o mesmo - ou achar que não é da mesma fonte.

Mas isto é apenas um jogo - ou um jogo que é chamado de Jogo Divino ou Brincadeira Divina de ...

Tony: Sim, e é absolutamente o Jogo Divino do Ser.
E o Ser não é, e nem está nenhum pouco interessado na idéia de alguém que observa ISTO ou não, porque não há nada que não seja... a própria não-realização também está "sendo" ISTO.

Assim, ISTO aparentemente sofre, ri, busca, encontra, e não encontra. E não há nada além disto. E, claro, ao mesmo tempo, tudo ISTO é totalmente imaculado, completo - porque só existe ISTO de modo que é TUDO que existe e nada mais. SER não tem, nem procura por nenhuma exigência.

Mas acontece que surge no SER uma aparente necessidade e obrigação de achar que há necessidade e exigência.

E o mistério do que é incontestável - é apenas um mistério.

Tony: E também a busca que se reflete no mundo em que vivemos, porque tudo o que fazemos é uma busca para isso. Toda religião, todo o esforço aparentemente pessoal, é simplesmente uma busca para esse desconhecimento.

É uma forma de resolução de atenção, de sentimento de separação?

Tony : É uma busca para não se sentir separado de algo. O buscador não pode ver ISTO, porque ISTO é atemporal - ISTO é o Ser Eterno, que está fora do tempo, fora do espaço, fora de ser viável para alguém. Então o que tentamos atingir não pode ser alcançado porque ele já é tudo que existe.

É meio difícil de perceber e aceitar ISTO - algo que eu tenho dificuldade em aceitar é que a busca espiritual não é nem melhor, nem maior, nem mais refinada do que a busca por dinheiro, poder, sexo ou qualquer outra coisa.

Tony: Absolutamente. Todo desejo no final das contas, é finalmente um desejo de busca para voltar para casa. E o que é estranho sobre esse paradoxo, esse mistério, é que tudo que está sendo feito - todos os buscadores, todo esse esforço pessoal, toda a construção de igrejas e impérios, é pura vitalidade. É um paradoxo incrivelmente estranho.

Em alguns textos antigos védicos, ou algo assim, não há nada disso sobre o que É, ou sobre o porquê disso tudo. Quer dizer, eu sei que o "Bhagavad Gita", diz apenas que é uma experiência ...

Tony: Não, não há razão e não há nenhuma experiência e não há nenhuma escolha. A base do argumento tradicional é que a unidade escolheu tornar-se dois, e se a unidade fez uma escolha para se tornar dois, poderia até fazer uma escolha para se tornar uno novamente.

É um conto de fadas baseado na ilusão de tempo causa e efeito. Nada jamais pode ser escolhido. O sonho de toda escolha e motivação é que há algo no momento em que pode avançar com a intenção de um lugar chamado duplicidade para um lugar chamado unidade.

Nunca houve nada, apenas há o SER, e ISTO é o eterno nada e o tudo ao mesmo tempo.
Não vai para lugar nenhum e nunca foi em qualquer lugar.
Não há qualquer lugar.
Não há tempo ou espaço, exceto na aparência.
Não há nada, mas apenas ISTO, e ISTO não é nada acontecendo.

E vejo agora que esta questão surge a partir do ponto de vista de separação e por isso acaba sendo inerente a duplicidade, de forma inquestionável. Trata-se apenas de uma questão sem resposta, mas isso acontece porque é a partir do ponto de vista da separação. O que é melhor é que nos vislumbres da totalidade não há dúvida alguma. Há apenas uma ausência de necessidade de não ter que saber nada, porque simplesmente É ISTO acontecendo. Então essa pergunta surge como um "laço".

Tony: Sim, um laço que tem toda razão, que engendra a separação e o "por quê" e sente a necessidade de procurar por algo. E como você diz, quando não há ninguém, não há nenhum laço e não há dúvidas. Não há nenhuma pergunta e não há nehuma necessidade de respostas. Não há conhecedor e muito menos nenhum conhecido ... e assim não há ninguém para perguntar "porquê".

Mas é a pergunta mais atraente dentro desse ponto de vista.

Tony: Ah, sim!. É, e estando em separação, adora perguntar "por quê". E assim esse fascínio todo tem gerado as religiões.
A questão de porquê o buscador segue o cristianismo, o budismo, etc, e tudo o que você poderia chamar de um ensino que busca tornar-se ALGO, é inevitável, e é baseado no equívoco fundamental de um indivíduo que se sente separado com a escolha e a vontade de seguir um caminho, ou seja, na eterna ilusão da busca de ser motivado a mudar de um estado para outro, para um melhor estado, para buscar e encontrar a resposta que não gere nenhuma dúvida.
Tony Parsons em Satsang

21 de junho de 2011

O Único desejo...


Muito se fala sobre desejo, busca, aquilo que queremos para nos sentirmos realizados, felizes...
Mas o que ninguém percebe é qual é a verdadeira causa do desejo? Ou melhor, o que o desejo realmente significa em nossas vidas? Vocês já se questionaram sobre isso?

Desde pequenos lidamos com o desejo, ele passa a ser tão comum, tão presente em nossas vidas, e passamos a vida inteira lidando com o desejo sem sequer compreender o que ele significa.

A necessidade é diferente do desejo, pois a necessidade está relacionada as questões de sobrevivência, como comida, água, sono. Está associadas ao equilíbrio e bem estar do corpo.

Já o desejo é algo mais, é algo criado pela mente, pelo pensamento, com a intenção de trazer prazer, felicidade, realização, porém, se estamos buscando algo que irá nos trazer prazer, realização, felicidade, supõem-se que não estamos de fato felizes nem realizados, aqui e agora não é? Pois se precisamos de algo, ou acreditamos quando realizarmos nosso desejo estaremos felizes...significa que a felicidade ainda está por vir, não está presente...

Por isso é importante refletirmos sobre o único desejo. Sim, digo único porque, só existe um mesmo, e não está ligado a possuir nada, nem está ligado a nenhuma pessoa, nem lugar, nem nada.
O único desejo, é desejo de se sentir inteiro novamente.
O desejo de ser feliz para sempre, a auto-realização.
Viver a cada momento, indefinidamente mergulhado na paz profunda, na plenitude, na felicidade incondicionada. Esse é o único desejo.
Todos os outros desejos que vamos tendo ao longo de nossas vidas, não passam de disfarces desse único e verdadeiro desejo. O desejo de voltar para casa, o desejo de recuperarmos nossa inteireza, nossa plenitude, aquele sentimento em que já não falta nada, tudo está absolutamente perfeito como está, e somos parte integrante de um todo perfeito, absoluto.

Essa consciência está além de qualquer desejo que conhecemos. É retornar à nossa fonte original, descobrindo quem somos nós em verdade.

Quando nos deixamos iludir pela mente, ficamos a merce dos pensamentos, dos conceitos, e perdemos de vista a totalidade da consciência auto-realizada. Com isso, acabamos por nos deixarmos levar pelo pensamento da falta, pelo pensamento do sonho, de que quando alcançarmos, ou conquistarmos tal coisa, ou alguém, ou algum cargo, enfim, isso nos trará o sentimento de realização, de felicidade. Só que ainda estamos condicionando a felicidade a algo, ainda não saímos da mente condicionada, apenas estamos trocando os desejos, mas ainda estamos iludidos por não termos ainda mergulhado na consciência além da mente, na consciência que não deseja, pois é auto-realizada, é plena em si mesma.

Para muitos, a realização dos desejos é a única solução para se sair deles. Mas eu pergunto, isso é possível? Realizar todos os desejos?
Não será o desejo apenas uma indicação de que ainda estamos andando em círculos, e tentando alcançar a felicidade, a plenitude, em algo que é temporário? em algo que é efêmero?

Em cada pessoa existe o desejo de ser feliz, Não conheço sequer uma pessoa que não tenha esse desejo em seu coração.
E para realizar esse desejo, fazem mil coisas, buscam em tantos lugares, e em nenhum lugar a realização é plena, absoluta, permanente, por melhor que seja, a felicidade passa, ela não permanece luminosa e clara por muito tempo.

O que os mestres do oriente nos apontam é justamente como se alcançar a felicidade duradora, é isso que o único desejo significa, felicidade sem fim, eterna.
Só pode ser eterna, se for incondicionada, ou seja, a felicidade, a auto-realização não está associada a nada, nem a ninguém, nem a nenhum objeto, pessoa, lugar, valor, nada.
A verdadeira felicidade acontece dentro, quando conhecemos nossa natureza verdadeira, quando saímos das "faltas" da mente, e repousamos na plenitude do Ser.

Na verdade sempre fomos o Ser, somos o Ser, e do Ser nunca saímos...
Apenas nos deixamos enganar pela mente, que cria dia apos dia, ano apos ano, o pensamento de desejo, que precisamos de algo para sermos felizes. Esse pensamento que nos engana é que realmente nos ilude, e "cria" uma falta em nós, onde verdadeiramente nunca existiu nenhuma falta.

A realização não vem de fora. Nem é algo a se atingir um dia. A realização, a felicidade verdadeira está além do desejo, é nossa natureza original, nossa fonte, nosso Ser.
A natureza vive em estado de felicidade. Os animais, as plantas vivem em eterna e absoluta felicidade auto-realizada. Só o homem cria sua própria falta, sua própria infelicidade.
Quando paramos para refletir sobre o desejo, vemos que somos nós que criamos a falta, para depois ir buscar a realização.
Nunca houve a falta de verdade. O que havia era o pensamento da falta. Mas se identificamos isso, vemos que é perfeitamente possível ser feliz, e realizado já aqui neste momento, basta apenas que identifiquemos o pensamento da falta, do desejo que nossa mente cria, e ir além dele, não se deixar mais enganar por ele.

Todo desejo criado, é uma maneira de realizar que não existe a falta, isto é, todo desejo é um mecanismo de se ir além da mente, além do pensamento da falta, além daquele que deseja.

Todo desejo é apenas uma estratégia de se chegar aonde nunca se saiu, ou seja, chegar na consciência plena, auto-realizada e incondicionada que nós somos em verdade aqui e agora, e que nunca precisou de nada, nem nunca precisará de nada para se realizar, pois é a Totalidade, Absoluta, é a própria Realização.

Esta paz perene, e eterna felicidade acontece naturalmente simplesmente mergulhado no Ser. Não é condicionada, não é temporária, não nos remete a nada, é plena em si mesma, é um transbordamento tão profundo, é a própria fonte de água pura. Não existe mais sede...
Amor
Lilian

19 de junho de 2011

A Verdade Suprema - Maharaj



Em seu estado de perfeição, a Consciência Total é inconsciente de sua consciência;
Então a consciência se levanta num gemido de Aum, e o sonho da criação começa.

É consciente de ser, e exulta nesta condição de ser.
Imersa no amor do estado de eu sou, expressa-se na dualidade.

Através da união do duplo aspecto masculino-feminino,
Através dos cinco elementos: Espaço, ar, fogo, água e terra,
Através dos três Gunas: Sattva, Rajas e Tamas
Manifesta-se na duração. No sonho do espaço-tempo
Manifesta-se como fenômeno, criando milhões de formas, soprando nelas a força da vida e a consciência imanente que a tudo permeia;

Através destas formas, em regozijoso amor por si mesma, a consciência funciona como Prajna.
Os seres sensíveis – meras imagens, assim concebidos – maravilha das maravilhas!
Como objetos uns aos outros se percebem, assumindo a subjetividade por si mesmos, cada um, em maravilhosa ilusão, vê-se como entidade separada, com julgamento e vontade independentes.

Cada um esquece seu potencial ilimitado como Absoluto, e aceita sua identidade limitada como aparência, um mero fenômeno;

Cada um toma o funcionamento de Prajna como suas próprias ações pessoais,
Ata-se a uma escravidão ilusória, e sofre dores e prazeres!

Aparece, então, o Guru misericordioso, pleno de Graça e Luz divina, e mostra a ele o que é realmente: Aquilo que ele acredita ser, nada mais é que um óvulo fecundado no útero da mãe, no qual está latente a luz da sensibilidade a noção de "eu sou", a consciência que ele é.

Com milhares de nomes designados, Rama, Krishna, Ishwara, Brahman, é o mesmo estado de "eu sou";

A luz da consciência, Mahamaya, em grandiosa ilusão, confunde sua própria natureza e a conduz erradamente.

Até que o Guru diga: Pare, veja a si mesmo como você é, em sua verdadeira glória. Sobre seu estado original atemporal, a numenalidade Absoluta, apareceu como uma doença temporária, o corpo-com-consciência, espontaneamente, sem causa ou razão, como parte do funcionamento de Prajna. E se desenvolve pelo seu tempo de vida até que, também espontaneamente desapareça – e a consciência, não mais consciente de si mesma, funde-se na Consciência – ninguém nasce, ninguém morre.

Diz Nisargadatta Maharaj de maneira simples e direta:
O que você era antes de adquirir o corpo?
Volte para a origem; permaneça tranquilo, e então o buscador desaparecerá e se fundirá na busca. Não mais consciente da Consciência, na Totalidade e unicidade, Eu sou sem dualidade.

Com penetração e intuição, com profunda convicção, fácil de apreender.
Isto-Que-É está além dos limites do intelecto. Só a objetiva e a fenomênica – presença ou ausência – o Intelecto poderá compreender.

Mas o que-Eu-sou não é presença nem ausência;
Ausência da presença da presença,
Ausência da presença da ausência,
É o que-Eu-sou."
Nisargadatta Maharaj em Sinais do Absoluto

18 de junho de 2011

Equilibrado e vazio...


Em verdade estais suspensos como os pratos de uma balança entre vossa alegria e vossa tristeza. É somente quando estais vazios que estais em equilíbrio - Sêneca

Com este belo pensamento de Sêneca quero hoje refletir com vocês.

A divisão mental nos coloca em constante oscilação. Nada é em si absoluto, se pararmos para refletir. No mais profundo da tristeza existe a alegria, no mais profundo da alegria existe a tristeza; no âmago da vida está a morte, no âmago da morte está a vida; no calor o frio, no alto o baixo e assim por diante.
Os opostos nunca foram realmente opostos, são complementares, são necessariamente complementares, já que um não existe sem o outro. Só se conhece um pelo outro, como só se conhece a luz pela escuridão, o dia pela noite, o frio pelo calor...

A dimensão em que vivemos tem essas leis, são as leis da complementaridade, Yin, Yang, em eterno fluxo contínuo, seja no micro seja no macro, as leis são as mesmas.

Esta é a dimensão relativa como nos falam os orientais. Tudo aquilo que lidamos é relativo, dessa forma é que podemos viver e nos relacionar, tendo consciência da relatividade desta dimensão, isto é, a dimensão da mente em que vivemos, constante fluxo, movimento, e eterno ir e vir, daí o que Sêneca nos aponta.

Ter consciência desta lei nos coloca também em fluxo, qualquer apego, qualquer retenção, fixação seja lá do que for, será contra esta lei universal, a impermanência dos budistas, com isso estaremos criando problemas para nós mesmos. Aceitar esta lei e acolhe-la com amor, nos libera para desfrutarmos dela, e de todas as belezas e ensinamentos que ela nos trás. Ser passante, ser peregrino, não fixado neste mundo, acolher o que vier, e transcender, sempre.

Importante termos consciência de que a mente tenta fixar-se, tenta enquadrar, tenta controlar a realidade, a existência ou mesmo alguns aspectos, e com isso, o que acontece é a dor, a doença. Isso nos mostra que estamos indo contra uma lei natural importante.

Quando aprendemos a confiar, a nos deixarmos levar pela sabedoria da existência, de Deus, com o coração aberto e livre, acontece uma verdadeira transformação interior. Quando deixamos de tentar controlar a vida, de controlar a existência, o que acontece um relaxamento, um profundo relaxamento, acolhemos a vida e o viver como graça, como presente e dançamos juntos com a vida, seja lá como for.

Quando percebemos que a mente tem essa qualidade, de ser polar, de ser fracionada e em fluxo, percebemos que existe algo imutável que apenas observa esse fluxo livre da mente. Algo que percebe o pensamento acontecer, o pensamento partir, a emoção chegar, a emoção partir, algo que não se sabe dizer o que é, mas que permanece silente e pacífico haja o que houver. Esta posição do observador é o puro silêncio além da mente. Não julga, não oscila, não se move.
Apenas permanece. O eterno-imutável, consciente.

A dimensão silenciosa é nossa natureza pura, original, além dos conflitos, dualidades, escolhas, juízos, além dos extremos, além dos complementares.
Aquele que alcança a dimensão do silêncio relaxa no Ser.

Tudo observa, tudo desfruta, tudo pensa, tudo sente, mas não se mistura, não se fixa em nada, trás em si a consciência da impermanência, e com isso vive profunda e plenamente em total paz, em total amor com a existência e tudo que lhe acontece, relaxado no Ser.

Recebe e envolve a vida com um vasto e includente amor.
Reconhece o livre fluxo da existência relativa, porém tem plena consciência de que a sua natureza essencial é aquela além dos conflitos, além das escolhas, além da impermanência.
Tudo acontece, tudo que aparentemente se move, se transforma, acontece em Si, na vastidão interior do Ser.
Permanece em equilíbrio, permanece em Amor, e desfruta da Vida, da existência em profunda compaixão.

O equilíbrio do silencio, é nossa fonte única, verdadeira, e é também nossa meta suprema.
Amor
Lilian

17 de junho de 2011

O Samurai e o mestre Zen...


Certo dia um Samurai, que era um guerreiro muito orgulhoso, veio ver um Mestre Zen.
Embora fosse muito famoso, belo e habilidoso, ao olhar o Mestre, o Samurai sentiu-se repentinamente inferior.

Ele então disse ao Mestre:- "Por que estou me sentindo inferior? Apenas um momento atrás, tudo estava bem. Quando aqui entrei, subitamente me senti inferior e jamais me sentira assim antes. Encarei a morte muitas vezes, mas nunca experimentei medo algum. Por que estou me sentindo assustado agora?"

O Mestre falou:- "Espere. Quando todos tiverem partido, responderei.

Durante todo o dia, pessoas chegavam para ver o Mestre, e o Samurai estava ficando mais e mais cansado de esperar.

Ao anoitecer, quando o quarto estava vazio, o Samurai perguntou novamente:

- "Agora o senhor pode me responder por que me sinto inferior?"O Mestre o levou para fora. Era uma noite de lua cheia e a lua estava justamente surgindo no horizonte.

Ele disse:- "Olhe para estas duas árvores: a árvore alta e a árvore pequena ao seu lado. Ambas estiveram juntas ao lado de minha janela durante anos e nunca houve problema algum. A árvore menor jamais disse à maior: 'Por que me sinto inferior diante de você?' Esta árvore é pequena e aquela é grande - este é o fato, e nunca ouvi sussurro algum sobre isso."

O Samurai então argumentou:- "Isto se dá porque elas não podem se comparar."

E o Mestre replicou:- "Então não precisa me perguntar. Você sabe a resposta. Quando você não compara, toda a inferioridade e superioridade desaparecem. Você é o que é e simplesmente existe. Um pequeno arbusto ou uma grande e alta árvore, não importa, você é você mesmo. Uma folhinha da relva é tão necessária quanto a maior das estrelas.
O canto de um pássaro é tão necessário quanto qualquer Buda, pois o mundo será menos rico se este canto desaparecer."Simplesmente olhe à sua volta. Tudo é necessário e tudo se encaixa.
É uma unidade orgânica: ninguém é mais alto ou mais baixo, ninguém é superior ou inferior. Cada um é incomparavelmente único.
Você é necessário e basta. Na Natureza, tamanho não é diferença.
Tudo é expressão igual de vida!"
Conto Zen

Neste conto vemos como que só a mente é capaz de comparar. Na existência cada ser, cada coisa está absolutamente incluída, presente e integrada ao Todo.
Todos os julgamentos, classificações, comparações advém da mente, que "tenta" dividir, comparar e com isso criar mesmo que de forma fictícia uma hierarquia, colocando aspectos que são considerados "melhores" em detrimento dos que são considerados "piores".

Mas o mais importante é observar que toda e qualquer comparação nasce do pequeno pensamento de "eu". São observações, pontos de vista, vistos a partir de um ponto, ou seja, são projeções do pequeno ponto do "eu" (ego).

Quando ampliada a consciência, percebe-se que até mesmo estes pontos de vista são ilusões, são criações imaginárias de "quem" vê.
Não existem na realidade. A existência sempre foi Total, permanece Total, e vai continuar Total, apesar de todas as divisões, classificações e julgamentos que possamos ilusóriamente projetar nela.

A unidade orgânica da existência permanece incomparável e única.
Tudo é expressão igual de vida.
Nenhuma mente pode sequer "tocar" nisso...
Amor
Lilian

Além da mente - Ramana




Por que agarrar-se ao pensamento "Quem sou eu?

Ramana Maharshi: Quando surgem outros pensamentos, não se deve insistir neles, mas indagar: "Para que surgem esses pensamentos?" Não importa quantos são eles. A cada um, deve-se indagar prontamente, "Para quem surgiu este pensamento?" A resposta seria "Para mim".

Se logo depois se fizer a pergunta "Quem sou eu?", a mente retorna à sua fonte e o pensamento se aquieta. Com a repetição dessa prática, a mente desenvolverá a habilidade, de permanecer em sua fonte. Quando a mente, que é sutil, aflora através do cérebro e dos órgãos dos sentidos, surgem nomes e formas grosseiras; quando permanece no coração, tais nomes e formas desaparecem.

Impedir que a mente divague e retê-la no Coração é o que se denomina "interioridade" (antar-mukna). Permitir que a mente saia do Coração é conhecido como exteriorização (bahir-mukha).

Assim, quando a mente permanece no Coração, o "Eu" que é a fonte de todos os pensamentos desaparece e o Eu superior que sempre existiu pode brilhar. O que quer que se faça, deve-se fazê-lo sem o "Eu" egóico. Desta forma, tudo aparecerá como natureza de Shiva (Deus).

Não existem outras maneiras de aquietar a mente?

Sri Ramana: Não existem meios adequados afora a indagação. Com outros meios, a mente mostra-se aparentemente controlada, mas acabará por manifestar-se. Também através do controle da respiração a mente se aquieta; mas só permanece assim enquanto a respiração está controlada, e quando esta volta ao habitual, a mente também voltará a agitar-se e a vaguear, compelida por impressões residuais.

A fonte é a mesma para a mente e a respiração. O pensamento é a natureza da mente. O pensamento "Eu" é o primeiro a surgir na mente; isto é egoidade. Daí originam-se a egoidade e a respiração. Assim, quando a mente se acalma, a respiração é controlada, e quando a respiração está controlada, a mente se acalma. Entretanto, no sono profundo, embora a mente esteja calma, a respiração não pára. Isso se deve à vontade de Deus, a fim de que o corpo possa ser preservado e as pessoas não tenham a impressão de que é a morte.

No estado de vigília e no samadhi, quando a mente se aquieta, a respiração é controlada. A respiração é a forma grosseira da mente. Até o momento da morte, a mente mantém a respiração física; quando o corpo morre, a mente leva consigo a respiração. Portanto, o exercício de controle respiratório serve apenas para acalmar a mente;mas não destrói.

Assim como a prática do controle respiratório, a meditação nas formas de Deus, a repetição dos mantras, o controle alimentar, etc., não passam de auxiliares para a calma da mente.

Através da meditação nas formas de Deus e da repetição de mantras, a mente é direcionada. Mas sua condição é errante. Assim como quando se dá a um elefante uma corrente para seu tronco, ele segue agarrado à corrente, também a mente se ocupa com um nome ou forma apenas.

Quando ela se expande na forma de inúmeros pensamentos, todos tornam-se fracos; mas quando os pensamentos são dissipados, a mente torna-se direcionada e forte; para essa forma mental, a auto-indagação torna-se fácil. De todas as normas restritivas, a melhor é a relativa à ingestão moderada de alimentos sáttvicos; observando-se esse costume, a qualidade sáttvica da mente se acentua, o que será de grande valia na auto-indagação.

As impressões (pensamentos) residuais dos objetos surgem interminavelmente, como as ondas de um oceano. Como afastá-las?

Sri Ramana: A medida que a meditação sobre o Eu superior se eleva mais e mais, os pensamentos vão sendo destruídos.

Qual a natureza do Eu superior?

Sri Ramana: Na verdade existe apenas o Eu superior. O mundo, a alma individual e Deus constituem aspectos dele, como a prata na madrepérola; os três surgem e desaparecem ao mesmo tempo.

O Eu superior existe onde não existe o pensamento do "Eu". A isso chama-se silêncio. O Eu superior é o mundo; o Eu superior é "Eu"; o Eu superior é Deus; tudo é Shiva, o Eu superior.

Tudo não é obra de Deus?

Sri Ramana: O sol nasce sem desejar, sem deliberação, sem esforço; e com sua simples presença, o sol emite fogo, o lótus floresce, a água evapora; as pessoas realizam suas várias funções e então repousam.

Assim como na presença do magneto a agulha se desloca, com a simples presença de Deus as almas governadas pelas três funções (cósmicas) ou pela quíntupla atividade divina realizam seus atos e, então, repousam, segundo seus respectivos karmas.

Deus nada tem a transformar; Ele não tem karma.

Assim como os acontecimentos terrestres não afetam o sol, ou os méritos e deméritos dos outros quatro elementos não afetam o éter difuso.

Sri Ramana Maharshi em Quem Sou Eu? ( Nan Yar)

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