6 de junho de 2011

Além dos sentidos...


"Conhecemos muito a respeito dos sentidos externos, mas cada sentido possui uma dupla dimensão. Por exemplo: os olhos. Eles podem olhar para fora. Esta é apenas uma dimensão de sua função. Eles podem também olhar para dentro. Esta é sua outra função.
Os ouvidos, eles podem ouvir o que está acontecendo no exterior. Esta é uma função, uma dimensão. Você pode também ouvir o que está acontecendo no interior. Esta é a outra função, a outra dimensão.

Cada sentido possui duas portas. Uma se abre para o mundo externo, outra se abre para o mundo interno, mas usamos nossos sentidos somente de uma única maneira. Tornamo-nos fixos; esquecemos que esses mesmos sentidos podem ser usados para alcançar o interior.

Tendo adquirido as dimensões ocultas dos sentidos, muitas coisas podem tornar-se possíveis. Um novo mundo se abre diante de você. O interior é tão vasto quanto o exterior, o interior é tão imenso quanto o exterior. Você se encontra exatamente no meio; encontra-se entre o Universo interior e o Universo exterior.

O exterior é vasto. Dizem que é infinito, sem fim, sem começo, não há limites para ele. A mesma coisa também é verdadeira para o interior- nenhum limite, o espaço interior é , por sua vez, infinito. O exterior está sendo pesquisado pelos cientistas. O interior pode ser pesquisado pelos yogues. (...)
A ciência tente ampliar os sentidos externos. Hoje em dia através de aparelhos mecânicos, podemos olhar para o espaço distante. Os olhos externo são ampliados pela ciência. Podemos ouvir a longa distância. A tecnologia amplia nossos ouvidos.
A mesma coisa também é possível para os sentidos internos. Através da meditação, do yoga, do tantra - tecnologias internas - seus sentidos internos são ampliados. E, uma vez ampliados, muitas coisas são reveladas.

A menos que elas lhe sejam reveladas, sempre parecerão ser mitos, superstições. Ouvimos coisas a respeito de Buda, de Jesus, Krishna, nas quais não conseguimos acreditar, todos nos parecem mitológicos hoje em dia, porque tudo que eles dizem não podemos experimentar hoje em dia. (...)
Se seus sentidos interiores forem apurados, se seus sentidos interiores estiverem vivos, se você chegar a conhecer o modo de usá-los, poderá também entrar em sintonia com o divino. Você poderá ouvir, poderá escutar, entrar em contato com os mistérios. Eles existem sempre. Nós nos tornamos tão primitivos, nós é que perdemos contato com o interior.

O sutra nos diz: Tendo adquirido o uso dos sentidos internos, tendo vencido os desejos dos sentidos externos..
Porque, se os desejos dos sentidos externos ainda estão vivos, você não pode se mover para dentro. Desejo significa o modo de se ir para fora; o desejo é o caminho que leva para fora. Se sua mente ainda está desejando, você não pode se mover para dentro.

É por isso que há tanta insistência em se ir além do desejo. Não se trata de um conceito moral.
O estar sem desejo é um conceito científico. Se você quer se mover para dentro, sua mente precisa perder todo o desejo de se mover para fora. De outro modo, como você pode se mover para dentro? É pura matemática. (...) É impossível se mover em duas direções ao mesmo tempo.

Se você ainda é egocêntrico, pensa sempre em função de seu próprio ego; pensa sempre em função de sua própria individualidade, seu próprio interesse. Nesse caso, as mais profundas verdades da existência não podem lhe ser reveladas, você ainda não está pronto para elas. (...)

Lembre-se que quando alguém se torna totalmente consciente do seu mundo subjetivo, somente aí pode entrar em realidade.
Se você se move para dentro, move-se para o subjetivo. Se você move-se para fora, move-se para o objetivo. O objetivo não é a realidade, é apenas uma parte dela. O subjetivo também não é a realidade, é apenas uma parte dela. Quando você transcende a ambos, objetivo e subjetivo, você finalmente entra em realidade. A realidade consiste de ambos. (...)

De fato os dois são Um.
A isso denominamos de brahma, a realidade suprema. Não se pode entrar em realidade suprema através do objeto, nem do sujeito. Precisa perder os dois.

É por isso que para conhecer a realidade externa se precisa dos sentidos externos, para se conhecer a interna precisa dos sentidos internos, mas para conhecer brahma não precisa usar nenhum sentido, seja interno, seja externo. Se quiser entrar na realidade suprema, os sentidos precisam ser totalmente abandonados. (...)

O sutra nos diz: Pergunte á terra, ao ar e a água a respeito dos segredos que eles guardam para você...
Você pode perguntar diretamente aos elementos. Se você está disposto a abandonar todos os pensamentos, se está disposto a abandonar sua mente, sua ação mental, se está disposto a abrir espaço em você e se tornar vazio, pode perguntar aos elementos a respeito dos segredos que eles contêm para você.
Se estiver completamente vazio, os próprios elementos se revelarão a você diretamente.
A terra, o ar, os animais, as árvores, se revelarão a você diretamente.
E você descobrirá que o Universo é teu Ser. A terra, a lua, o sol, as estrelas, tudo está contido em teu Ser, que é infinito e eterno, é a totalidade de existência.
Mas para isso ser revelado a você, primeiro terá que esvaziar-se."
Osho em A Nova Alquimia

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