30 de junho de 2013

Os Reinos da Paz - Thich Nhat Hahn - 3/4


"Quando você anda, se sabe que está dando um passo e está plenamente consciente de cada passo, isto é chamado de plena atenção no caminhar. Quando bebe chá, se fica com seu chá cem porcento e não se permite ser empurrado de volta ao passado, ao futuro ou aos seus pensamentos, então 
está praticando plena atenção no beber o chá.


Plena atenção é a energia que te ajuda a saber o que está acontecendo aqui e agora, que te ajuda a reconhecer o momento presente como seu verdadeiro lar e saber que as maravilhas da vida estão aqui. Inspirando, sei que o brilho do sol está presente. Expirando, sei que as folhas do outono estão caindo. Plena atenção é a energia que nos ajuda a estar consciente do que está acontecendo.

Na França há um comercial de iogurte que diz “Coma devagar, assim vai durar mais”. Se você estiver correndo, leva apenas alguns segundos para comer cada colherada devagar e permanecer com seu iogurte. Se pergunte se você é capaz de estar em paz e alegre enquanto está bebendo seu chá. Desafie-se hoje. Não perca sua atenção de forma que você possa estar inteiramente com seu chá de momento que começa até que tenha terminado de tomá-lo. Permita-se tempo suficiente para beber seu chá de forma que a paz e relaxamento sejam possíveis. Se livre das preocupações, medos e desespero. Não permita que eles estraguem sua vida. Se você tem uma chance de beber uma xícara de chá porque estragar isso com seus medos e incertezas? Se você for bem sucedido ao beber a xícara de chá, é uma vitória da paz. Paz para o indivíduo, para nós, para seu país e para o mundo.

Quando ando conscientemente daqui até ali, desfruto de minha inspiração, expiração e dos meus passos. Você pode desfrutar de cada momento de sua vida quando está atento e concentrado. 
Quando estiver concentrado, mergulhe profundamente no que está presente. Quando você contempla uma flor, se tiver atenção e concentração, entrará em contato profundamente com ela, que é uma maravilha da vida. Quando segura seu chá, se tiver atenção e concentração suficientes, você entrará em contato profundamente com ele e desfrutará de paz, alegria e liberdade que é oferecida a você ao beber seu chá. Liberdade é a nossa prática. Se você tiver alguma liberdade e solidez trazida a você pela sua atenção e concentração, paz e alegria são possíveis.

Você pode fazer o mesmo ao comer seu café da manhã. Mesmo que seu café da manhã não seja extraordinário, a alegria trazida a você por ter tempo suficiente para comê-lo pode ser grande. Se você souber como se sentar como uma pessoa livre, então vinte ou trinta minutos comendo sua refeição é um tempo para você desfrutar de paz. Porque você tem que se preocupar ou ter medo enquanto come seu café da manhã? Porque tem que correr? Muitos de nós não tomam seus cafés da manhã apropriadamente antes de ir trabalhar. Permitimos que nossa mente seja levada pelas nossas preocupações sobre o que acontecerá durante o dia. Não estamos com nosso café da manhã, não tomamos refúgio nele.

Fique com seu café da manhã do início ao fim. Desfrute o tempo todo. Se puder sentar com liberdade na sua mesa, então tomar o café será um tempo para viver, para ser feliz e livre. Se você for bem sucedido ao ter liberdade e paz durante seu café da manhã, terá paz e liberdade em outros momentos também.

Quando você almoça, desfrute de cada pedaço de comida – um pedaço de cenoura, tomate, tofu ou pão é uma maravilha da vida. O universo se juntou para oferecer a você essa comida. Fique com o pedaço de pão e tome refúgio nele. Se você comer seu pão com atenção, com concentração, entrará em contato com Alá, com Jesus, com o Buda. Você não tem que correr para achar o Buda, para achar Deus ou Alá. Eles estão no pão. Quando você toma refúgio no pão, entra em contato com a dimensão última. Tomar o café da manhã ou almoçar é uma prática profunda de paz - não procure paz e a dimensão última fora destes momentos.

Uma sala de meditação na verdade é maior do que a sala que você está sentado neste momento. 
Ela inclui o ar a terra que ficam lá fora e mesmo o banheiro que você usa. Você pode pensar que o banheiro não é tão sagrado quanto a sala de meditação, mas isso não é verdade. No espírito do Zen, o banheiro é tão sagrado quanto a sala de meditação ou a sala do Buda. É por isso que colocamos um vaso de flores nos banheiros, para mostrar que este é um lugar aonde devemos praticar. Quando você lavar suas mãos no banheiro, desfrute da água passando através de seus dedos – isto é Deus, isto é felicidade."
[continua....]

29 de junho de 2013

Os Reinos da Paz - Thich Nhat Hahn 2/4


"Isto é o reconhecimento de que você está aqui e agora, que está em casa. Isto não é mais esperança, é uma realidade, e você se torna consciente que é mais sólido. Se gastar três minutos andando, chegando e se sentindo em casa em cada momento, então a solidez se tornará uma realidade, um fato. Você sabe se você é sólido ou não. É sólido quando está plenamente estabelecido no aqui e agora. O passado não pode te pegar e o futuro não pode te pegar. 
É por isso que dizemos, “Eu sou solido, eu sou livre.”

Livre de que? Livre do passado, das minhas preocupações, do meu medo. É por isso que solidez e liberdade não são duas coisas distintas. Quando você é sólido, é livre, quando você é livre, é sólido. É como o aqui e agora. Solidez e liberdade são a fundação da sua paz e alegria. Cada passo consciente que fazemos ajuda a cultivar mais solidez e liberdade. Seja você mesmo, seja livre, se estabeleça no aqui e agora. Toque a vida profundamente e receba a nutrição e paz que você precisa tanto.

A onda está agora descansando na água. Você está descansando na dimensão última, em Alá, em Deus, na sua budeidade. Este é o reconhecimento que você está tocando a dimensão última no aqui e agora. Não é uma questão de tempo. A dimensão última é a sua fundação, sua base. Ao andar e respirar desse modo, você estará sempre em contato com Deus – não como uma noção, não como uma ideia, mas como uma realidade. Você pode tocar a Deus ao tocar uma flor, ao tocar o ar ou tocando outra pessoa. Fora dessas coisas não há Deus. Se você remover todas as ondas não sobrará água. Tocar as maravilhas da vida em você e ao seu redor significa tocar a dimensão última.

Quando você fizer uma xícara de chá, desfrute o momento. Pegue sua xícara conscientemente e sorria para ela. Se estiver cheio de ideias e pensamentos, não poderá fazê-lo. Não-pensamento torna possível que você pegue a xícara. Você não pensa em nada. Está apenas consciente que está pegando a xícara. Você coloca um saquinho de chá na xícara e se refugia inteiramente no ato de colocar o saquinho na xícara. Não pense sobre o passado ou sobre o futuro. Desfrute enquanto pega sua xícara e coloca o saquinho. Sorria pra eles. Você está em contato com as maravilhas da vida. Fique com elas; não corra atrás da vida. Pegue sua xícara com todo o seu corpo e mente.

Eu aprendi com meu mestre como acender incenso quando era um noviço de 17 anos. Ele disse, “Meu filho, inspire, peque o incenso e olhe para ele. ‘Este é um incenso.’ Coloque sua mão esquerda sobre a mão direita ao segurar o incenso e depois acenda-o. Você coloca 100% de seu corpo no ato de acender o incenso. Quando coloca o incenso no suporte, faça da mesma maneira, com todo o seu corpo e mente. Você está concentrado durante todo o tempo em que acende e oferece o incenso.

Plena atenção é o tipo de energia que pertence ao reino das formações mentais. É uma boa formação mental – uma muito importante. Quando você inspira, se sabe que está inspirando e pode tomar refúgio inteiramente na sua inspiração, isto é chamado de plena atenção na respiração. Sua inspiração se torna o único objeto de sua mente. Quando você inspira, não pensa em absolutamente nada. Você apenas está com sua inspiração – cem porcento."[continua...]
Thich Nhat Hahn em Peace Begins Here 

28 de junho de 2013

Os Reinos da Paz - Thich Nhat Hahn 1/4


"Temos nosso próprio território dentro de nós, que é composto de cinco reinos – nosso corpo, sentimentos, percepções, formações mentais e consciência. Temos que levar paz para nosso corpo e remover suas aflições, tensões e dores. Há também muitas tempestades, aflições e dores no reino das emoções. Temos que aprender como levar paz para o território dos nossos sentimentos e emoções.


Quando olho para minha caneta, tenho uma percepção dela. Se minha percepção corresponde à realidade da caneta ou não é uma questão verdadeira – porque vivemos com muitas percepções errôneas. Acreditamos que somos os únicos que sofrem, que os outros estão nos fazendo sofrer e 
que eles absolutamente não sofrem. Este é um tipo de percepção errada. Se tivermos tempo para inspirar e expirar e tivermos paz em nós mesmos, poderemos ver que as outras pessoas também sofrem assim como nós e que elas precisam ser ajudadas e não punidas.

È por isso que a paz não é possível sem remover os elementos das percepções errôneas. Quando nossas percepções nascem da raiva e do medo, não podem ser chamadas de percepções corretas. 

Nossas percepções errôneas fazem surgir o medo, raiva e desespero que nos levam a cometer atos de violência, punição e matança. É por isso que é muito importante praticar as meditações sentada e caminhando de forma que possamos levar paz ao reino de nossas percepções e assim remover os elementos que levam ao erro.

O quarto reino é o das formações mentais. Uma formação é algo que se manifesta quando muitas condições se juntam. Uma flor é uma formação física – a chuva, o sol, a terra, tempo e espaço se juntaram para a flor se manifestar. Nosso corpo é uma manifestação psicológica. Todas as formações são impermanentes e estão constantemente mudando. Nosso medo, raiva, discriminação, esperança, alegria e plena atenção são todas formações mentais. Na tradição budista identificamos 51 formações mentais. Quando contemplamos nossa mente, não estamos olhando para um espaço claro e vazio, estamos olhando para nossas formações mentais.

Finalmente há o reino da consciência. Temos que voltar ao lar de nossa consciência porque nossa consciência é a base de tudo. Nosso corpo, sentimentos, percepções e formações mentais nasceram da base de nossa consciência. Não apenas nosso corpo contém nossa consciência, mas nossa consciência contém nosso corpo.

Eu estou sólido, eu estou livre. O que significa estar sólido? Significa ficar no momento presente. Temos a tendência a ser empurrados de volta ao passado. Lamentamos algo ou sentimos culpa e nos perdemos nisso. Não somos sólidos porque somos vítimas do passado. Não somos capazes de viver no momento presente porque o passado se tornou um fantasma, sempre nos empurrando para trás, de volta para ele mesmo. Há aqueles que apenas pensam no passado, que não são capazes de desfrutar a vida no momento presente, que não são livres e sólidos.

Há também aqueles que estão presos nas preocupações, medos e incertezas sobre o futuro. Estas preocupações e medos não nos permitem estar no momento presente e tocar a vida. Quando dizemos, “eu cheguei, estou em casa”; ”você não pode me pegar, estou no aqui e agora”; ou “sou o mestre de mim mesmo”, então nos tornamos sólidos. “Eu estou sólido” não é um pensamento positivo. Se você for capaz de chegar e se sentir em casa, então se torna sólido naturalmente." [ continua...]

26 de junho de 2013

O Céu é Você! - Satyaprem


"A verdade é que estamos num pedacinho do céu, veja. Preste atenção. Isto é você! O corpo e a mente também são você, em aparência. Mas são tão nuvem quanto todos os objetos que você pode ver, imaginar ou sentir. Consuma isso.
A mente está sempre comparando, ela faz de tudo para não deixá-lo ficar na Observação, na Consciência que você é. Estamos aqui, portanto, para que você assuma a sua verdadeira identidade, a sua integridade.

Assuma a sua natureza e veja as propostas impostas pela mente. Ela quer que você respire diferente, se sinta diferente, coma diferente. Sempre tem algo em movimento, ela não pode parar, pois, se ela parar, você vê que ela não é necessária. 

Conta-se que Deus, solenemente, disse: "Eu mesmo não sou alguém e ainda sim eu sou". Esse "eu sou" é anterior a ser alguma coisa e isso é verdadeiro para quem quer que seja, para o que quer que seja.

A mente está sempre fazendo alguma coisa. E, entenda bem, não tem nenhum problema nisso. O que deve ficar claro é que é ela que faz, não é você. Deixe-a fazer, só não se envolva. Se há a ideia de que a mente deve parar, saiba que essa ideia está na própria mente.
Você não é a mente. E não existe mente parada. Mente parada é não-mente. E não-mente não é mente, é você. 

Quem divide, quem torna uma coisa diferente da outra, ou uma coisa oposta a outra, é a mente. 
E o que faz a segunda coisa nascer é a ideia da primeira. É a partir do pensamento "eu" que vem o "tu". 
De onde quer que você olhe, se tem o outro é porque tem você. E se tem você, necessariamente, terá o outro. No entanto, no Amor, naquilo que É, não tem outro. Não tem você, tampouco. Tudo desaparece.
E onde há nada e ninguém, há uma alegria sem razão de ser. Aqui estou usando a palavra "alegria" só para nos aproximar de um entendimento. Porque, necessariamente, há de ser perdida até essa noção de alegria consumida correntemente pelas pessoas. Essa alegria carnavalesca.

Inerentemente, tem uma alegria "cool". Como posso dizer isso melhor em português? Uma alegria serena. Calma. Tranquila. E de dentro dessa serenidade, você olha para todas as coisas no mundo. 
De repente, a vida perde a conotação grave que tem tido e assume a leveza do céu azul. "
Satyaprem em Satsang

25 de junho de 2013

No Coração do Homem - Osho


"Amado Osho, o que exatamente está me impedindo de ver o óbvio? Eu simplesmente não compreendo o que fazer ou o que não fazer. Quando é que eu serei capaz de ouvir o som do silêncio?

O que exatamente está obstruindo a minha visão de ver o óbvio? O simples desejo de vê-lo. O óbvio não pode ser desejado, o óbvio é! 
Quando você deseja, você se afasta: você começa a buscar o óbvio. Nesse exato momento você o tomou distante, ele não é mais o óbvio, ele não mais está próximo; você o colocou bem distante. Como pode você buscar pelo óbvio? Se você compreende que é óbvio, como pode você buscá-lo? Ele está simplesmente aqui! Qual a necessidade de buscá-lo ou desejá-lo? 

O óbvio é o divino, o mundano é o sublime e o trivial é profundo. 
Você está encontrando Deus a cada momento, nas suas atividades simples do dia-a-dia, porque não existe mais ninguém. 
Você não pode encontrar ninguém mais, é sempre Deus de mil e uma formas. 
Deus é bem óbvio. Apenas Deus é! Mas você busca, você deseja... e você perde. Nesta sua mera busca você coloca Deus bem longe, muito distante. Isso é uma viagem do ego.

Tente compreender... o ego não está interessado no óbvio porque com o mesmo ele não pode existir. 

O ego não está de forma alguma interessado no que está próximo, ele está interessado no distante, lá longe. Pense bem: o homem alcançou a lua, mas ele ainda não alcançou o seu próprio coração. 

O distante... o homem inventou viagens espaciais, mas ele ainda tem que desenvolver as viagens até a alma. Ele alcançou o Everest, mas ele não se interessa em ir para dentro do seu próprio ser. 

Perde-se o que está próximo e busca-se o que está bem distante. Por quê? Porque o ego sente-se bem; se a jornada é difícil o ego sente-se bem, existe algo a ser provado. Se é difícil, existe algo a se provar. O ego se sente bem em ir até a lua, mas ir para dentro do seu próprio ser? Isso não seria muito pretensioso.

Existe uma velha história:
Deus criou o mundo. E então, ele costumava viver na terra. Você já pode imaginar... ele tinha tantos problemas, todos vinham reclamar, todos batiam à sua porta nas horas vagas. 

À noite pessoas vinham e diziam: “Isso está errado, hoje nós precisávamos de chuva e está tão quente”. E alguém vinha logo depois e dizia: “Não traga chuvas por enquanto — eu estou fazendo algo e a chuva estragaria tudo”.

E Deus estava a ponto de ficar louco... “O que fazer? 
Tantas pessoas, tantos desejos, e todos esperando e todos necessitando serem atendidos, e eram desejos tão contraditórios! O fazendeiro queria chuva e o ceramista não queria chuva alguma pois ele fazia vasos e a chuva podia destruí-los; ele necessitava de sol quente por alguns dias...” E assim em diante.

Então, Deus chamou os seus conselheiros e perguntou: “O que fazer? Eles irão me enlouquecer, e eu não posso satisfazer a todos. Ou eles irão me matar um dia destes! Eu gostaria de encontrar um lugar para me esconder”.

E os conselheiros sugeriram várias coisas. Um deles disse: isso não é problema, vá para o Everest. Ele é o pico mais elevado dos Himalaias, ninguém irá alcançá-lo”.

Deus disse: “Você nem imagina! Eles o alcançariam em poucos segundos”, para Deus isso seria apenas uns poucos segundos: “Edmund Hillary iria alcançá-lo com Tensing e então os problemas começariam. E uma vez que soubessem, então eles começariam a vir em helicópteros e ônibus, e tudo seria... Não, isso eu não vou fazer. Isso resolveria as coisas só por alguns minutos”. 

Lembrem-se de que o tempo para Deus tem uma dimensão diferente. Na Índia diz-se que para Deus milhões de anos é um dia, alguns segundos então...
Daí alguém mais sugeriu: “E por que não ir para a lua?”

E Deus respondeu: “Lá também não é longe o bastante; mais uns poucos segundos e alguém iria alcançá-la”.

E os conselheiros sugeriram estrelas distantes, mas Deus falou: “Isto não resolveria o problema. Seria apenas uma espécie de adiamento. Eu quero uma solução permanente”.

Então, um velho ajudante de Deus aproximou-se dele e sussurrou algo em seu ouvido. E Deus disse: “Você está certo. Vou fazer isso mesmo!”.

O velho ajudante havia dito: “Só existe um lugar onde o homem nunca irá alcançar — esconda-se nele mesmo”. 

E esse é o lugar onde Deus está escondido desde então: no interior do próprio homem. E esse seria o último lugar no qual o homem pensaria encontrá-lo.

Perde-se o óbvio porque o ego não se interessa por ele. 
O ego está interessado em coisas duras, difíceis, árduas, porque aí existe um desafio. Quando você ganha, você pode clamar por vitória. 
Se o óbvio está aí e você ganha, que tipo de vitória é essa? Você não terá muito de um vencedor. É por isso que o homem segue perdendo o óbvio e buscando o distante. E como pode você buscar o distante quando você não pode nem mesmo buscar o óbvio?

“O que exatamente está obstruindo a minha visão de ver o óbvio?” O mero desejo está tomando-o distante. Abandone o desejo e você verá o óbvio.
Eu simplesmente não compreendo o que fazer ou o que não fazer.” 

Você não tem que fazer nada. Você tem apenas que ser um observador de tudo que está acontecendo ao seu redor. O fazer é de novo uma viagem do ego. Fazendo, o ego se sente bem — algo está aí para ser feito. O fazer é um alimento para o ego, ele fortifica o ego. Não faça nada e o ego cai por terra; ele morre, ele não é mais nutrido.

Então, simplesmente seja um não fazedor. Não faça nada que diga respeito a busca por Deus, e pela verdade. Em primeiro lugar isso não é uma busca, assim você não pode fazer nada a respeito. Simplesmente seja.
Deixe-me dizer-lhe isso de uma outra forma: se você está em um estado puro de ser, Deus vem até você. O homem nunca poderá encontrá-lo; Deus encontra o homem.

Simplesmente esteja em um espaço silencioso — não fazendo nada, não indo a lugar algum, não sonhando — e nesse espaço de silêncio repentinamente você encontrará Deus. Porque ele sempre esteve presente! Simplesmente você não estava em silêncio para que pudesse vê-lo e você não pôde ouvir a sua voz, pequenina e quieta.

“Quando serei eu capaz de ouvir o som do silêncio?” Quando? Você faz a pergunta errada. É agora ou nunca! Escute-o agora, porque ele está aqui, a sua música está tocando, a sua música está em toda a parte. Você simplesmente precisa estar em silêncio para que possa ouvi-la.

Porém, nunca diga “quando”; “quando” significa que você está colocando no futuro; “quando” significa que você começou a esperar e sonhar; “quando” significa “não agora”. E sempre é no agora, sempre é no momento presente. 

Para Deus existe apenas um tempo: o agora; e apenas um lugar: o aqui. “Lá”, “então” — abandone-os."
Osho em A Visão Tântrica: Discursos Sobre as Canções de Saraha

24 de junho de 2013

Ser Universal - Ramana 2/2


"Você vê a si mesmo com um filho, uma filha, etc. 
Você não tem escolha sobre esse fato. Você não pode dizer “Eu não ligo para o mundo, eu não ligo para nenhum relacionamento”. Você está bem no meio do mundo, você tem tudo a ver com esse mundo. 

"Em sua forma de lidar com o mundo há expressões apropriadas e há expressões inapropriadas. Se você age adequadamente em um relacionamento, você é um karmayogi, você se afina naturalmente com toda a criação. 

Porém os Vedas vão um pouco mais longe. 
Eles dizem que você não é apenas um filho, uma filha, etc, mas que você também é um participante de tudo o que há no universo, que inclui o sol, a lua, o ar, a água, o fogo, as leis e uma tradição de conhecimento. Você é o beneficiário de tudo isto e você tem que reconhecer este fato. Sua vida diária deve consistir em ações que são esperadas de você como uma pessoa relativa enquanto você faz seus diferentes papéis, tais como: pai, mãe, filho, filha, vizinho, cidadão, etc. 

Há certas ações que você deve fazer. 
Você não é uma pessoa isolada; você está relacionado com toda a criação. Todo o universo pulsa em um ritmo. Reconheça todas essas forças em harmonia e a você mesmo como parte desta. Quando você se mantém em harmonia com o ambiente ao seu redor, você está bem. 

Não seja indiferente ao nascer do sol; seja sensível, levante-se antes do nascer do sol e dê boas vindas a ele. Levante suas mãos para o alto e ofereça a sua gratidão ao Senhor na forma do sol. De forma semelhante aprecie as nuvens, o oceano, os rios, as montanhas, as plantas, as árvores. Diariamente ofereça suas preces aos deuses: Agni, Varuna, Soma, etc..., que são expressões fenomênicas do próprio Criador.

Você desfruta de uma cultura e tem acesso ao conhecimento transmitido pelas gerações que o precederam. 

Você é capaz de olhar à frente, pois você está amparado pelo ombro de gigantes. As pessoas que já morreram estão certamente presentes em você. Portanto, lembre-se delas regularmente. Não esqueça o esforço destas gerações. 

Desta forma, você torna-se uma pessoa sensível, responsável. Ofereça suas preces aos antepassados e cuide dos seres viventes que compartilham deste mundo, sejam plantas ou animais; eles também contribuem para o seu bem-estar, direta ou indiretamente. 

Também, ofereça comida àqueles que não estão tão bem como você. Trate o hóspede ou qualquer pessoa como o próprio Senhor, seja ele um santo ou uma pessoa comum. 

Você se sentirá abençoado que as pessoas venham até você. Tudo o que você tem não é seu próprio mas lhe foi dado em custódia. E ao final do dia faça uma prece: “Ó, Senhor! Abençoe-me e perdoe-me se eu tiver cometido, conscientemente ou não, ações que porventura não estejam em harmonia com o universo”.

Há obrigações que devem ser feitas estejam elas em conformidade ou não com os seus gostos e aversões. Elas têm que ser feitas. 

Faça de forma feliz aquilo que é esperado de você. Então você estará em harmonia com o Universo, com o Senhor, com os Deuses. 

Isto lhe dará uma visão, uma certa condição mental. E, então, você terá que se expor ao ensinamento sobre o Ser e com isto certamente você obterá o conhecimento de si mesmo. Gostos e aversões não são problemas, pois eles serão neutralizados por essa atitude. Isto é o que chamamos de dharma. Não é uma obrigação a uma religião; é algo inevitável. 

O indivíduo deve compreender o que é certo e o que é conveniente. Convenções, quando compreendidas, evitam conflitos e, portanto, são importantes. Nós aprendemos sobre elas enquanto crescemos e vemos as suas belezas. 

Isto é karmayoga; não há nada que se possa fazer separadamente. Viva a vida de forma apropriada e expressivamente; com relação a isso não há escolha. Aceite de forma feliz tudo o que vier para você e gostos e aversões serão incapazes de perturbá-lo. Desta forma karmayoga é a yoga da atitude com relação à ação e ao seu resultado."
Ramana Maharshi em Essence of the Teaching by Ramana Maharshi
Primeira parte clique aqui

22 de junho de 2013

Ser Universal - Ramana 1/2



"Uma pessoa se conhece a si mesmo e é conhecida por outros através de seus marcados gostos e aversões. No entanto, nem todos estes são conscientes, estando muitas vezes presentes a nível do inconsciente e não sendo conhecidos pelas próprias pessoas. 

E a pessoa é dependente desses gostos e aversões. 
As suas expressões na vida em termos de seus objetivos e respostas a situações são determinadas por seus gostos e aversões. Enquanto gostos e aversões mantiverem a pessoa sob controle, haverá dependência de determinadas situações. 
A pessoa deseja a ausência de situações indesejáveis e a presença de situações desejáveis. 

Contudo, ao mesmo tempo, há um amor pela liberdade, por independência. Amor por liberdade é encontrado até mesmo em uma criança. 
Quando é dito à ela : “- Não faça isso !”, ela tentará insistir e se não for possível começará a chorar. A criança que começa a andar, ao ficar em pé, quer andar sozinha sem nenhuma ajuda, mesmo sabendo que poderá vir a cair. 

O amor pela liberdade é inato e ninguém está satisfeito até que seja totalmente livre. Ninguém é bem sucedido a não ser que esta urgência pela liberdade seja satisfeita.

Este amor pela liberdade, pela independência, acoplado ao fato de que a pessoa está amarrada a seus gostos e aversões, gera uma sensação de desemparo, pois a liberdade, a ade­quação, depende da satisfação dos gostos e aversões pessoais. 

Então a pessoa torna-se desesperada e frustrada; e, se ainda não o é, é por causa da esperença de satisfazê-los. Agora, se a pessoa recebe o seguinte conselho: abandone todos os gostos e aversões, isto não irá adiantar. 

Ela desenvolverá um novo gosto: “Eu não devo ter gosto e aversões” e uma nova aversão: “Eu sou um inútil, pois não consigo me desfazer deles”. 
O conselho, claro, é um conselho espiritual. Este conselho é inútil porque ninguém mantém gostos e aversões por escolha, a pessoa é gostos e aversões!

Os Vedas dizem: “Você é colocado em uma certa situação, em um certo esquema. Cumpra o seu papel como uma pessoa relativa”. 

Qualquer relacionamento envolve mais de um. Aqui há o indivíduo e o mundo. Como indivíduo a pessoa vê a si mesma como uma pessoa relativa. Este é um fato inevitável. 

Podemos dizer que há relacionamentos próprios e relacionamentos impróprios. Você vê a natureza por vários aspectos e você encontra um certo tipo de arranjo. Animais, árvores, plantas, pássaros, etc, de um determinado ambiente, são específicos ao local onde eles se encontram. 
Por exemplo, o camelo é uma maravilha; muitas das regras de comportamento que são encontradas na maioria dos animais, não são observadas em um camelo, pois só assim ele poderá sobreviver num deserto. Ele se mistura, adapta-se ao seu ambiente. Todas as plantas e animais estão em harmonia com a natureza; eles foram programados para isso. 

Possuidor da capacidade de escolha, o ser humano tem que decidir o que é certo e o que é errado em qualquer situação. 

Quando a escolha é adequada, a pessoa está sintonizada com a situação, está sintonizada com a ordem - a ordem do adequado e inadequado. Esta ordem é chamada DHARMA.

Eu quero viver e fazê-lo de forma feliz. Eu não quero que o meu vizinho faça qualquer coisa que me perturbe. Da mesma forma eu não faço nada que venha a atrapalhar a vida do meu vizinho. 

Esta é a base para uma ética de bom-senso. 

Através de considerações semelhantes eu não ofendo, engano ou iludo os outros ou roubo coisas de alguém. Um grande número de valores torna-se natural quando observo a mim mesmo. 

Aquilo que eu desejo torna-se um valor pessoal e aquilo que eu não desejo torna-se uma coisa ou situação a ser evitada. Tudo isso é confirmado pelos Vedas." [ continua....]
Ramana Maharshi em Essence of The Teaching by Ramana Maharshi 
Segunda parte clique aqui

21 de junho de 2013

Universalidade - Osho


"O homem não tem um centro separado do centro do todo.
Há apenas um centro na existência; os antigos costumavam chamá-lo de Tao, Dharma. Essas palavras agora se tornaram antigas; então, você pode chamar esse centro de verdade. Há apenas um centro de existência. Não há muitos centros, do contrário o universo não seria realmente um universo, seria um multiverso. Ele é uma unidade, por isso é chamado de "universo"; tem apenas um centro.

Mas é preciso meditar um pouco sobre isso. Esse único centro é o meu centro, o seu centro, o centro de todo mundo. Esse único centro não significa que você é desprovido de centro, esse centro significa simplesmente que você não tem um centro seu. (...)
Cada um pode reivindicar esse centro como sendo seu. E, de certa maneira, ele é o seu centro mas não é apenas seu. O ego surge com a afirmação " O centro é meu, só meu. Não é o seu centro, é o meu centro; sou eu". A ideia de um centro separado é a raiz do ego.

Quando uma criança nasce ela chega com um centro próprio. Durante nove meses no útero da mãe ela funciona com o centro da mãe como o sendo o seu centro; ela não é separada;
Aí ela nasce. Então é utilitário pensar em si mesmo como tendo um centro separado; do contrário a vida vai se tornar muito difícil, quase impossível; Para sobreviver e para lutar pela sobrevivência na luta da vida, todos necessitamos de alguma ideia de quem são. E ninguém tem nenhuma ideia. Na verdade ninguém pode ter nenhuma ideia, porque no âmago mais profundo você é misterioso. Você não pode ter nenhuma ideia disso. No âmago mais profundo você não é um indivíduo, você é universal.

Por isso se você perguntar a Buda: "Quem é você?". Ele vai permanecer em silencio, não vai responder. Ele não pode porque agora ele não está mais separado. Ele é o Todo. Mas na vida corriqueira, até Buda tinha de usar a palavra "eu". Se ele sentisse sede, tinha de dizer: "Eu estou com sede. Ananda traga-me um pouco de água. Eu estou com sede".
Para ser exatamente correto, ele diria: "Ananda, traga um pouco de água. O centro universal está com um pouco de sede". Mas isso pareceria um pouco estranho. E dizer isso repetidas vezes - às vezes o centro universal está com fome, às vezes o centro universal está cansado - seria desnecessário, absolutamente desnecessário. Então ele continua a usar a velha palavra significativa "eu". Ela é muito significativa: ainda que seja uma ficção, ela continua sendo significativa; Muitas ficções são significativas.

Por exemplo, você tem um nome. Isso é uma ficção. Você chegou sem um nome, não trouxe um nome com você - o nome lhe foi dado. Então, pela repetição constante, você começa a se identificar com ele. Você sabe que o seu nome é Sally, Rahim ou David. Isto está tão profundamente arraigado em você que, se todas as três mil pessoas que estão aqui agora, adormecerem e alguém chegar e chamar, Rahim, onde está você? ninguém ouvirá, exceto Rahim. Rahim vai dizer: "Quem me chamou?" Até mesmo no sono ele sabe o seu nome; o nome atingiu o inconsciente, ele foi se infiltrando. Mas é uma ficção.

Mas quando digo que ele é uma ficção, não quero dizer que não seja necessário. É uma ficção necessária, é útil; do contrário, como você iria se dirigir às pessoas? Se você quisesse escrever uma carta para alguém para quem iria escrever? (...) Se ninguém tivesse um nome seria difícil. Embora na verdade ninguém tenha um nome, ainda assim esta é uma bela ficção, uma ficção útil. 

Os nomes são necessários para os outros poderem chamá-lo, o "eu" é necessário para você se referir a si mesmo, mas também é uma ficção.
Se você penetrar profundamente dentro de você, verá que o nome desapareceu, a ideia de "eu" desapareceu; ficou apenas um puro Ser, uma existência.


E esse Ser não é algo separado, não é seu nem meu; Esse Ser é o Ser de Tudo. Rochas, rios, montanhas, árvores, tudo está incluído. É totalmente inclusivo, não exclui nada. Todo passado, todo o futuro, este imenso universo, tudo está ali incluído. 
Quanto mais profundo você penetrar em si mesmo, mais descobrirá que as pessoas não existem, que os indivíduos não existem.
Então, o que existe é uma pura universalidade. 

Na circunferência nós temos nomes, egos, identidades. Quando saímos da circunferência em direção ao centro, todas essas identidades desaparecem.
O ego é apenas uma ficção útil.
Use-o, mas não se deixe enganar por ele."
Osho em Fama, fortuna e ambição

20 de junho de 2013

Amor além da ideia - Krishnamurti


"O pensamento será sempre limitado pelo pensador que é condicionado. 
O pensador é sempre condicionado e nunca está livre. 

Se o pensamento ocorre, imediatamente a ideia acompanha. ideia a fim de atuar está destinada a criar mais confusão. 

Sabendo de tudo isto, é possível agir sem a ideia? Sim. 

Este é o caminho do amor. O amor não é uma ideia; não é uma sensação; não é uma memória; não é um sentimento de transferência, um artifício de autoproteção. 

Só podemos estar cônscios do caminho do amor quando compreendemos todo o processo da ideia. 

Ora, é possível abandonar os outros caminhos e conhecer o caminho do amor, que é a única redenção? 

Nenhum outro caminho, político ou religioso, resolverá o problema. 
Isto não é uma teoria que você tem que ponderar e adotar em sua vida; deve ser real. (...)

Quando você ama, existe ideia? 
Não aceite isto; apenas olhe, examine, entre nisto profundamente porque todo outro caminho nós tentamos, e não há resposta para a miséria. 

Os políticos podem prometê-la. 
As chamadas organizações religiosas podem prometer felicidade futura, mas nós não a temos agora e o futuro é relativamente sem importância quando estou faminto. 

Nós tentamos todos os outros caminhos; só podemos conhecer o caminho do amor se conhecermos o caminho da ideia e abandonarmos a ideia, o que é agir."
J. Krishnamurti em The Book of Life

19 de junho de 2013

Explodindo em flor...


Quem somos nós?
Humanos em caminhada
Humanos encontrado o Ser
Humanos despertando a Consciência
da Verdade
da Honestidade
da Justiça
da Liberdade
da Totalidade...

Humanos somos nós
Humanos,
Dissipando as sombras
do Inconsciente,
Humanos,
Abraçados a igualdade
Humanos,
 Nos expressando em atos 
de Paz...

Quem somos nós?

Já não somos mais manipulados,
Já não somos mais comprados,
Enganados,
Ludibriados,
Explorados...

Nós Crescemos...
E agora e aqui
Enxergamos a Realidade...

Quem somos nós?
O Ato,
 O Fato,
 O Ser...
Não mais uma massa de manobras,
Nem tampouco os cegos que não querem ver...
Somos o agora vivo,
O agora ativo,
O agora sem medo
de Ser,
Sem medo 
de Dizer e Fazer
Tudo aquilo que é preciso...

Quem somos nós verdadeiramente?
A Vida!
Resolvendo-se,
Transformando-se,
Explodindo
em flor...
Agora e Aqui...

A semente
Germinou...

18 de junho de 2013

Mudança de mentalidade - Osho


"Osho, uma vez, você disse que este é um mundo maravilhoso, mas que ele estava em mãos erradas. Eu concordo com todo o meu ser. Eu sinto isso. Mas como poderemos deter essas mãos gananciosas que estão torturando a natureza e escravizando os homens, se não lutarmos e não brigarmos? Não 
é preciso destruir o velho, para se construir o novo?


Essa é uma das armadilhas mais velhas em que o homem tem caído. Sim, eu disse que o mundo é muito belo, mas que ele está em mãos erradas - e, imediatamente, a sua mente começou a pensar em como destruir aquelas pessoas erradas, como tirar o mundo dessas pessoas erradas, livrá-lo de suas mãos.
Ao invés de transformar a si mesmo, ao invés de transformar a sua própria mente, você imediatamente começa a pensar em termos de política. Eu falo religião e você imediatamente interpreta como política. 
E isso parece lógico, porque isso parece perfeitamente correto: 'Mas como poderemos deter essas mãos gananciosas que estão torturando a natureza e escravizando os homens, se não lutarmos e não brigarmos'?

Mas, se você lutar e brigar, você acha que será capaz de transformar o mundo e toda essa situação? Ao lutar e brigar, você simplesmente vai se tornar como aquelas pessoas contra as quais você está lutando e brigando. 
Essa é uma das leis fundamentais da vida. Escolha seus inimigos muito cuidadosamente! Os amigos você pode escolher sem qualquer cuidado. Não há qualquer necessidade de se preocupar com os amigos, porque amigos não têm impacto sobre você, eles não impressionam você tanto quanto os inimigos. É preciso tomar muito cuidado com os inimigos porque você terá que brigar com eles. 

Ao brigar, você terá que usar as mesmas estratégias e as mesmas táticas deles. E você usará essas estratégias e táticas por anos e anos. Elas irão condicionar você. É assim que tem acontecido ao longo das eras.
Agora, quando eu digo que este mundo é muito belo, mas ele está em mãos erradas, eu não quero dizer para você começar a lutar contra aquelas mãos erradas. O que eu quero dizer é: por favor, não seja aquelas mãos erradas, e isso é tudo.

Eu não ensino revolução, eu ensino rebelião, e a diferença é grande. Revolução é política e rebelião é religiosa. Revolução necessita que você se organize como um partido político, como um exército, e lute contra os inimigos. Rebelião significa que você se rebela enquanto indivíduo, você simplesmente sai fora, desiste de todo esse esquema. Pelo menos você não deve destruir a natureza.

E se mais e mais pessoas se tornarem 'desviantes', o mundo poderá ser salvo. Essa será a verdadeira revolução, não política. 
Ela será espiritual. Se mais e mais pessoas abandonarem as velhas mentes e seus caminhos, se mais e mais pessoas se tornarem mais amorosas, se mais e mais pessoas forem não-ambiciosas, se mais e mais pessoas forem não-gananciosas, se mais e mais pessoas deixarem de estar interessadas em poder político, em prestígio, em respeitabilidade. (...)

Se milhões de pessoas no mundo simplesmente escapassem das mãos dos políticos, os políticos iriam morrer por si mesmos. Você não consegue lutar contra eles. Se você lutar, você mesmo se torna um político. Se você lutar contra eles, você se torna ambicioso, você se torna ganancioso. Isso não irá ajudar.(...)

Todas as revoluções políticas fracassaram tão completamente que somente os cegos podem continuar acreditando nelas.

Isso é alguma coisa nova! Isso foi feito antes também, mas não em larga escala. Nós temos que fazer isso em larga escala: milhões de pessoas têm que se tornar 'desviantes'! Por 'desviantes' eu não quero dizer que vocês têm que deixar a sociedade e ir para as montanhas. 

Você segue vivendo na sociedade, mas você deixa a ambição, você deixa a cobiça, você deixa o ódio. Você vive na sociedade e é amoroso; vive na sociedade como um ninguém.
Nós podemos mudar o mundo todo, mas não pela luta. Não desta vez. Chega! Nós temos que mudar este mundo pela celebração, pela dança, pelo canto, pela música, pela meditação, pelo amor, não pela luta.

O velho tem que cessar, para que o novo surja, mas, por favor, não me interprete mal.
Certamente o velho tem que cessar, mas o velho está dentro de você, não fora. Eu não estou falando das velhas estruturas da sociedade, eu estou falando da velha estrutura da sua mente, a qual tem que cessar para que o novo surja. 

E é incrível, inimaginável, inacreditável como um simples homem abandonando a velha estrutura da mente cria um espaço tão grande para muitos transformarem as suas vidas. Um simples homem transformando a si mesmo, torna-se um desencadeador. E então, muitos outros começam a mudar. A sua presença se torna um agente catalisador.

Essa é a rebelião que eu ensino: você abandona a velha estrutura, você abandona a velha cobiça, você abandona o velho idealismo. Você se torna uma pessoa silenciosa, meditativa, amorosa. Você será mais uma dança e então verá o que acontece. Alguém, mais cedo ou mais tarde, irá juntar-se à dança com você, e depois, outras pessoas mais.(...)

A alegria é contagiosa! Ria e você verá outras pessoas começando a rir. Assim é com a tristeza; fique triste e alguém olhando para a sua face séria, de repente se tornará triste. 

Nós não somos separados, nós estamos juntos, ligados.

Assim, quando o coração de alguém começa a rir, muitos outros corações começam a ser tocados, algumas vezes até corações distantes".
Osho em The Guest

17 de junho de 2013

Espaço Interior - Eckhart Tolle


"Quando a consciência não está mais totalmente absorvida pelo pensamento, parte dela permanece no seu estado original, não condicionado, sem forma. Esse é o espaço interior.

A vida da maioria das pessoas é um amontoado desordenado de coisas: itens materiais, tarefas a fazer questões sobre as quais pensar. Esse tipo de vida se assemelha à história da humanidade, definida por Churchill, como "uma maldita coisa depois da outra". 

A mente dessas pessoas é ocupada por um emaranhado de pensamentos, um após o outro. Essa é a dimensão da consciência dos objetos, que é a realidade predominante de um grande número de indivíduos - e é por isso que a vida deles é tão confusa. Essa consciência precisa ser equilibrada pela consciência do espaço para que a sanidade retorne ao nosso planeta e a humanidade cumpra seu destino. O surgimento da consciência do espaço é o próximo estágio da evolução da nossa espécie.

O sentido da consciência do espaço é que, além de estarmos conscientes das coisas - que sempre se resumem a preocupações, pensamentos e emoções - existe um estado subjacente de atenção. Isso quer dizer que temos consciência não apenas das coisas ( objetos ), como também do fato de que estamos conscientes. É o que ocorre quando somos capazes de sentir um silêncio interior sempre alerta de fundo enquanto os eventos acontecem no primeiro plano. Essa dimensão está presente em todos nós. No entanto, para a maioria das pessoas, ela passa totalmente despercebida. Às vezes eu a aponto da seguinte maneira: "Você é capaz de sentir sua própria presença?"

Quando não estamos totalmente identificados com as formas, a consciência - quem nós somos - se vê livre do seu aprisionamento na forma. Essa liberdade é o surgimento do espaço interior. Ele chega como um estado de silêncio e calma, uma paz muito sutil enraizada dentro de nós, mesmo diante de algo que parece mau. De repente existe espaço em torno do acontecimento. Há também espaço ao redor dos altos e baixos emocionais, até mesmo da dor. 
E, acima de tudo, existe espaço entre nossos pensamentos. Desse espaço emana uma paz que não é "deste mundo", porque este mundo é forma, enquanto a paz e espaço.
Essa é a paz de Deus.

Dessa maneira, podemos desfrutar e estimar as coisas e os eventos sem lhes atribuir uma importância que eles não têm. Estamos em condições de participar da dança da criação e de ser ativos sem nos apegar ao resultado e sem impor exigências pouco razoáveis em relação ao mundo, como "satisfaça-me", "faça-me feliz", "faça-me sentir mais seguro", "diga-me quem sou ".
O mundo não pode nos dar nada disso, e quando deixamos de ter essas expectativas, todo o sofrimento que nós mesmos criamos chega ao fim.
Toda essa dor se deve à valorização exagerada da forma e à falta de consciência da dimensão do espaço interior.

Quando essa dimensão está presente na nossa vida, podemos aproveitar as coisas, as experiências e os prazeres sensoriais sem nos perdermos neles, sem nos apegarmos internamente a nada disso, isto é, sem nos tornarmos viciados no mundo.

Sempre que a dimensão do espaço se perde ou não é conhecida, as coisas assumem uma importância absoluta, uma seriedade e um peso que na verdade, elas não têm. Toda vez que o mundo não é visto da perspectiva do que não tem forma, da dimensão da consciência, ele se torna um lugar ameaçador e em última análise, de desespero.(...)

Podemos descobrir o espaço interior criando lacunas do fluxo do pensamento. Sem elas, o pensamento se torna repetitivo, desprovido de inspiração, sem nenhuma centelha criativa - e é assim que ele é para a maioria das pessoas.
Não precisamos nos preocupar com a duração dessas lacunas; Alguns segundos bastam. 

Aos poucos elas irão aumentar por si mesmas, sem nenhum esforço da nossa parte. Mais importante do que fazer com que sejam longas, é criá-las com frequência para que nossas atividades diárias e nosso fluxo de pensamento sejam entremeados com espaços de silencio e paz."
Eckhart Tolle em Em Comunhão com a Vida

***
Imagine uma sala cheia de pessoas em pé. 
A sala está lotada, e após alguns minutos aquelas pessoas vão sair por uma única porta. Sairão em fila, caminhando. Em poucos minutos a sala estará vazia, em completo silencio.
Assim é a nossa mente.
Uma sala vazia. Puro espaço.
Os pensamentos são como as pessoas, enchem a mente, enchem aquele espaço que já existia. Mas apesar das pessoas, a sala permanece do mesmo tamanho, o espaço permanece ali, intocado. Ele acolhe as pessoas, que entram e saem, e o espaço permanece o mesmo. As pessoas são pensamentos, emoções, eventos, objetos, sensações; o espaço onde tudo acontece é a Consciência pura que acolhe e observa.

O que Eckhart Tolle nos aponta neste belo texto é isso. Entrar em contato não só com as "pessoas-pensamentos" que preenchem nossa sala de mente, mas em contato com o próprio espaço original, perpétuo da Consciência, onde todos os pensamentos, emoções, experiências, sensações são acolhidos; Acolhidos, desfrutados, experimentados sim, mas sem nenhuma fixação, já que eles são puro fluxo, e acontecem neste espaço puro e perene, da consciência que não é uma "coisa", mas onde todas as "coisas" acontecem. Este espaço da Consciência é o que somos, verdadeiramente. E o amor é a prova maior dessa verdade... 

O amor é a pura e simples capacidade de acolher e integrar sem julgamentos... é puro espaço também...

A meditação nos proporciona descobrir tudo isso na prática, e transforma de uma vez por todas, nossa maneira de viver e de lidar com a vida e seus eventos; Não mais nos deixarmos enganar pelos eventos passageiros que acontecem... eles passam, no espaço puro, luminoso e consciente que nós SOMOS...
Namaste
Lilian



16 de junho de 2013

O Ego em ação - Adyashanti 2/2


"Uma vez o meu mestre me disse: “Se espera que a mente pare, você vai esperar para sempre”. 
De repente tive que refletir sobre a minha possibilidade de iluminação. Eu vinha tentando parar a minha mente havia muito tempo e eu sabia que tinha que encontrar uma outra via de acesso.

A instrução espiritual de “apenas parar” não se dirige à mente, aos sentimentos ou à personalidade. Dirige-se à reflexão ou pensamento posterior que assume o crédito e a culpa e diz: “Isso é meu”. Pare! Esse é o alvo do ensinamento de parar. 
Apenas pare com isso. E daí, nesse momento, sinta como esse sentido de “eu” se sente tão completamente desarmado. Quando se desarma o sentido de “eu”, ele não sabe o que fazer, se ir para frente ou para trás, para direita ou para esquerda. Eis o tipo de parar que é importante. O resto é só um jogo. 

Então, nesse parar, começa a emergir um diferente estado de ser, um estado indiviso. Por quê? Porque não estamos mais em conflito com nós mesmos.

A mente ouve estas palavras e pergunta: “O que é um estado de ser indiviso?” Isso também é perder o que está acontecendo agora mesmo. A gente sente um estado indiviso de ser; ele não pode ser encontrado nalgum espaço abstrato ou conceitual, porque o próprio espaço é um estado dividido. Tocamos o estado indiviso quando nos permitimos estar desarmados, quando não estamos tentando provar ou negar nada e ficamos naquele estado de ser desarmado sem resistência. 

Surge um estado de literalmente estarmos no corpo e além do corpo, e o corpo já não está mais em guerra consigo mesmo. A mente pode ou não estar tendo pensamentos, mas esses pensamentos não estão em guerra entre si. 
Torne-se curioso sobre a verdadeira natureza de si mesmo, sobre quem você realmente é, porque essa curiosidade o abre para o estado indiviso. A partir do estado indiviso, uma das primeiras coisas que se percebe é que você não sabe quem você é. Antes disso, quando você sabia quem você era, você era dividido – interminavelmente. A partir daqui, onde não há divisão, não há o pesado, restrito e confinado sentido de si. Você se torna um mistério.

A divisão facilita que se encontre um sentido de si. Se estivermos com raiva, por exemplo, é aí que ele está. Mas, quando há somente raiva e não há identificação com a raiva, até a própria raiva de repente se desdobra. E então o que eu sou? Não sou a “minha” raiva, se não sou aquele que está dividido – o que sou eu?

Permita que o mistério de ser se desdobre de uma maneira vivencial. Comece ao nível do ser mais do que do pensar. À medida que se desdobra o mistério, vamos ficando cada vez mais radiantes por sermos apenas esta consciência presente. E daí o sentido de identidade começa a deixar de se definir através da divisão e conflito internos. A mente descobre que não há um gancho para pendurar a identidade, de modo que a identidade começa a desestruturar-se em abertura. Misteriosa e paradoxalmente, quanto mais se desestrutura a identidade, mais vivos e presentes nos sentimos. O sentido de si é como se fosse açúcar a dissolver-se na água até que parece não haver mais um eu e todavia ainda existimos. 

É possível que Buda dissesse: 
“Dissolvido todo o açúcar, não há eu”. Ramana Maharshi poderia dizer: “Dissolvido o açúcar na água, água e açúcar são a mesma coisa – há somente o Eu”.
A máxima liberdade do ego inexistente é vermos que na verdade ele é irrelevante. Enquanto for percebido como relevante, ele continua a “tornar-se”. Todas as boas intenções do mundo simplesmente o abastecem. “Estou me livrando de mim mesmo cada vez mais a cada dia e um dia estarei completamente livre de mim mesmo e absolutamente não terei ego”. Como isso soa para você? É ego. 
Mas, quando num momento de discernimento se vê que o eu é irrelevante, termina o jogo.É como alguém que está jogando banco imobiliário e acha que sua vida depende de ganhar o jogo, quando de repente a pessoa se dá conta de que é irrelevante – não importa. Pode até continuar jogando. Pode ir buscar um sanduíche. Esta vida não trata de vencer o jogo espiritual; trata de acordar do jogo.

Há ainda em nós esta outra parte chamada “condicionamento”, que não é ego. Condicionamento é condicionamento; não é condicionamento egóico. Condicionamento é como se instalássemos um programa no computador mental. Quando se instala o programa, isso não significa que o computador tenha um ego. Simplesmente foi condicionado temporariamente. Na idade em que nos tornamos adultos, o corpo-mente já está completamente condicionado. Por esse condicionamento tem-se culpado o ego, mas o condicionamento não vem do ego. O ego é o pensamento que surge em seguida na esteira do condicionamento, que é onde acontece toda a violência real.

Quando se percebe que o condicionamento é como uma programação fornecida pela codificação genética, pela sociedade, pelos pais, professores, gurus, etc. (a mente também começa a condicionar-se a si mesma, mas essa é outra história), começamos então a reconhecer que o condicionamento não tem nenhum eu, que não há a quem culparmos. É inútil culparmos a nós mesmos, ou outra pessoa, mais do que culparíamos nosso computador quando colocamos nele um disco. Olhe no presente momento para ver qual condicionamento está aí e ver-se-á que não há culpa alguma nele. Ele faz parte da existência. Sem condicionamento ou programação em nossos corpos, pararíamos de respirar, o cérebro tornar-se-ia uma conversa mole, sem inteligência – o que também é condicionamento.

O que mantém o condicionamento firmemente ancorado dentro de nós é que o interpretamos como “meu”. Então, é claro, há culpa própria e alheia e tentamos nos livrar do condicionamento, porque cremos que “eu o criei”, “eu não o criei” ou “não consigo me livrar dele”, e a mente não gosta disso. A mente se ilude em pensar que pode livrar-se desse condicionamento, mas, 
quando a verdade se instala, começamos a ficar cada vez menos divididos. Quando surge o condicionamento, se não é reivindicado como “meu”, ele surge dentro de um estado indiviso. 

Este também poderia chamar-se de estado de ser não condicionado. Quando o condicionamento depara com um estado indiviso, há uma transformação alquímica. Há um milagre sagrado.Quando algo surge, pode-se ter a experiência de que “isto sou eu” ou de que “estou eu aqui de volta”isto não sou eu”Ambos são movimentos da mente, ou pensamento posterior, mais conhecido como ego. Mas quando ocorre o estado indiviso, podem acontecer duas coisas. 
primeira pode ser um despertar para a nossa verdadeira natureza, que é este estado não dividido, este ser indiviso. A segunda coisa que pode acontecer é que o condicionamento, a confusão que inocentemente foi transmitida pela ignorância, pode reunificar-se. Quando surge o condicionamento dentro de uma pessoa que está num estado indiviso, onde ela nem se apropria dele nem o nega, então pode haver um processo alquímico sagrado através do qual o condicionamento se reunifica totalmente por si. Como a lama na água, o condicionamento naturalmente apenas sedimenta no fundo. É como um milagre natural.

Isso pode ser muito delicado, pois, se houver a mínima apropriação ou a mínima negação de
apropriação, esse processo de certa forma se corrompe. Ele requer de nós uma suavidade e abertura interiores, porque este sentido indiviso é muito suave e não podemos procurá-lo como um martelo à procura de um prego. É por essa razão que os ensinamentos espirituais ressaltam a 
humildade, a qual nos ajuda a entrar na verdade de nosso ser de uma maneira suave e humilde. 

Não podemos forçar os portões do céu. Ao invés, devemos nos permitir ficar cada vez mais desarmados. Então a pura consciência de ser fica cada vez mais radiante e percebemos quem somos. Essa radiância é o que somos.

Quando fica muito claro, vemos que somos esta claridade, esta luminescência, e então começamos a perceber por nossa própria experiência o que significa este nascimento humano. Esta claridade volta para si mesma, para cada tantinho de confusão, para cada tantinho de sofrimento. Para tudo de que o eu procurava se afastar, retornará o Eu sagrado. Este Eu radiante começa a descobrir sua verdadeira natureza e quer libertar-se de si, desfrutar de si 
e verdadeira amar-se em todos os seus sabores e aromas. 
O verdadeiramente sagrado é o amor ao que é, não o amor ao que seria. 
Este amor liberta o que é.

O verdadeiro coração de todos os seres humanos é o amante do que é. 
É por isso que não podemos fugir de nenhuma parte de nós mesmos. 
Não porque sejamos um desastre, mas porque somos conscientes e estamos retornando para tudo de nós mesmos neste nascimento. 
Não importa quão 
confusos estejamos, retornaremos para cada parte de nós mesmos que foi deixada fora do jogo. 
Este é o nascimento de verdadeira compaixão e amor. 
Há muito tempo dizem as tradições espirituais que você tem que eliminar tanta coisa para alcançar o amor. Mas isso é um mito. 
verdade é que é o amor que realmente liberta."
Adyashanti em Satsang

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