27 de agosto de 2016

O mistério da Cura - Jeff Foster


"Abraçar e nos abrirmos à nossa dor - à tristeza, ao medo, ao pesar, às dúvidas - não necessariamente faz com que a dor seja menos intensa, ou que seja mais fácil de suportar no momento.

E não existem promessas aqui, no campo da Verdade, se desenrola momento a momento.

Cada momento pode se tornar mais e mais intenso até que se dissipe. Poderia nunca ir-se também. Mas este não é o ponto.

Nós abraçamos nossa dor com o fim de fazê-la 'desaparecer'. Isso é resistência e não aceitação.

Sem dúvida, não somos mártires, e não somos masoquistas, e não somos narcisistas, nem tampouco estamos obcecados com nosso sofrimento, nem tampouco, estamos morrendo de amores por ele. Só estamos interessados na Verdade deste momento.

Estamos enamorados da vida mesma. E sabemos que cada sensação, cada onda de medo, cada formigamento, cada palpitação, cada vibrante parte do corpo, não é outra coisa que a vida mesma, uma expressão plena de consciência, que está aqui para ser incluída; sabemos que não se trata de nenhum inimigo, ou ameaça à totalidade, somente uma expressão DA totalidade. E sabemos que fugir da nossa dor, reprimi-la, ignorá-la, negá-la, tratar de anestesiá-la, ou fazer com que 'desapareça' só nos converte em escravos dela, vivendo atemorizados e que em última instância, seria como se estivéssemos fugindo de nossos próprios filhos.

Compreendemos que o caminho para abrirmos é o caminho sem caminho, é o caminho da inclusão radical, de dizer SIM a qualquer coisa que surge em nós, SIM tanto ao tédio, quanto à felicidade, SIM tanto a alegria como a tristeza. E sabemos que este é o caminho menos percorrido: o caminho da coragem, o de submergirmos nús no desconhecido dia após dia. Sabemos que este é o único caminho para nós- isso, depois que tivermos tentado todos os outros caminhos!

Cura não significa eliminar imediatamente a dor. Significa abrirmos à dor e em sua imediates, e abrirmos à alegria, e abrirmos ao pesar, ao êxtase, e à nossa incapacidade de nos abrirmos e de conhecermos nós mesmos como esta abertura, essa imensidão onde tudo é incluído, e onde tudo é permitido, e onde tudo é bem-vindo, onde tudo está vivo."

Jeff Foster em Satsang

20 de agosto de 2016

A Felicidade - J.Krishnamurti

 


"A Felicidade não vêm quando estais lutando para alcançá-la. Eis o grande segredo — embora isso seja muito fácil de dizer. Eu posso dizê-lo em poucas e simples palavras; mas, pelo simples fato de me escutardes e de repetirdes o que ouvis, não ides ser felizes. Coisa estranha, a felicidade: ela só vem quando a não buscais. 

Quando nenhum esforço estais fazendo para serdes feliz, então, inesperadamente, misteriosamente, surge a felicidade, nascida da pureza, da beleza do viver pleno. Mas isso exige muita compreensão, e não que ingresseis em alguma organização ou procureis tornar-vos alguém. 

A Verdade não é coisa conquistável. Surge quando vossa mente e vosso coração foram depurados de todo impulso de luta, e já não estais tentando tornar-vos alguém; ela está presente quando a mente está muito quieta, escutando, num plano atemporal, tudo o que se passa. Podeis escutar estas palavras, mas, para haver felicidade, deveis descobrir como libertar a mente de todo temor.

Enquanto tiverdes medo de alguém ou de alguma coisa, não pode haver felicidade. Não haverá felicidade enquanto temerdes vossos pais, vossos mestres, enquanto receardes não passar nos exames, não progredir, não poder aproximar-vos do Mestre, da Verdade, não merecer louvores, lisonjas. Mas se, realmente, nada temerdes, vereis então — ao despertardes uma bela manhã ou ao dardes um passeio a sós — acontecer de repente algo extraordinário: sem ser chamado, nem solicitado, nem procurado, aquilo a que se pode chamar Amor, Verdade, Felicidade, se manifesta subitamente.

Eis por que tanto importa que sejais educados corretamente enquanto estais jovens. O que atualmente chamamos educação não é de modo nenhum educação, porque ninguém vós fala dessas coisas. Vossos mestres preparam-vos para passardes nos exames, mas não vos falam sobre o viver. Os mais de nós conseguimos apenas subsistir, arrastar-nos de alguma maneira pela vida e, por isso, a vida se torna uma coisa terrível. O viver realmente exige abundância de amor, de sensibilidade ao silêncio, grande simplicidade a par de abundante experiência. Requer uma mente capaz de pensar com toda a clareza, não tolhida pelo preconceito ou a superstição, pela esperança ou o medo. Tudo isso é a vida, e se não estais sendo educados para viver, vossa educação é completamente sem significação. Podeis aprender a ser muito asseados, a ter boas maneiras, e podeis passar em todos os vossos exames; mas, dar importância primária a essas coisas, enquanto toda a estrutura da sociedade está a esboroar-se, é o mesmo que estar a limpar e a polir as unhas, com a casa a arder. Vede, ninguém vos fala sobre nada disto, ninguém examina nada, junto convosco. 
Assim como passais dias sucessivos estudando certas matérias — Matemática, História, Geografia — deveríeis, também, passar uma boa parte de vosso tempo falando sobre estes assuntos profundos, pois isso dá riqueza à vida."
J.Krishnamurti em  A cultura e o problema humano

13 de agosto de 2016

O Ego - Osho


"Tente entender isso. E comece a procurar o ego - não nos outros, isso não é da sua conta, mas em você. Toda vez que se sentir infeliz, imediatamente feche os olhos e tente descobrir de onde a infelicidade está vindo, e você sempre descobrirá que o falso centro entrou em choque com alguém.

Você esperava algo e isso não aconteceu. Você espera algo e justamente o contrário aconteceu - seu ego fica estremecido, você fica infeliz. Simplesmente olhe, sempre que estiver infeliz, tente descobrir a razão.

As causas não estão fora de você.

A causa básica está dentro de você - mas você sempre olha para fora, você sempre pergunta: 'Quem está me tornando infeliz?' 'Quem está causando a minha raiva?' 'Quem está causando a minha angústia?'

Se você olhar para fora, você não perceberá. 

Simplesmente feche os olhos e sempre olhe para dentro. 

A origem de toda a infelicidade, da raiva e da angústia, está oculta dentro de você, é o seu ego.

E se você encontrar a origem, será fácil ir além dela. Se você puder ver que é o seu próprio ego que lhe causa problemas, você vai preferir abandoná-lo - porque ninguém é capaz de carregar a origem da infelicidade, uma vez que a tenha entendido.

Mas lembre-se, não há necessidade de abandonar o ego. Você não o pode abandonar. E se você tentar abandoná-lo, simplesmente estará conseguindo um outro ego mais sutil, que diz: 'tornei-me humilde'...

Todo o caminho em direção ao divino, ao supremo, tem que passar através desse território do ego. O falso tem que ser entendido como falso. A origem da miséria tem que ser entendida como a origem da miséria - então ela simplesmente desaparece. Quando você sabe que ele é o veneno, ele desaparece. Quando você sabe que ele é o fogo, ele desaparece. Quando você sabe que esse é o inferno, ele desaparece.

E então você nunca diz: 'eu abandonei o ego'. Você simplesmente irá rir de toda essa história, dessa piada, pois você era o criador de toda essa infelicidade...

É difícil ver o próprio ego. É muito fácil ver o ego nos outros. Mas esse não é o ponto, você não os pode ajudar.

Tente ver o seu próprio ego. Simplesmente o observe."

Osho em Além das Fronteiras da Mente.

6 de agosto de 2016

Para os sensíveis - Jeff Foster



"Sensíveis,

Não se envergonhem de sua sensibilidade!

Ela tem lhes trazido muitas riquezas.

Vocês vêem o que outros não podem ver,
Sentem o que os outros têm vergonha de sentir.

Vocês estão mais abertos, menos sonâmbulos.
Vocês enxergam além daquilo que os olhos podem ver.

Vocês não fecharam seu coração, apesar de tudo.

Vocês são capazes de segurar os picos mais altos e baixos mais escuros e 

mais intensos em seu abraço amoroso.

Vocês sabem que nada pode lhes definir.Tudo passa.

Vocês são verdadeiras naves cósmicas.


Comemorem sua sensibilidade!
Ela os tem mantido flexíveis e abertos.

Vocês se mantem próximos ao maravilhamento.

E a consciência arde intensamente em vocês.


Não se comparem com os outros.
Não esperem que eles lhe entendam. Mas ensine-os.

Não há problema em sentir, profundamente.
Não há problema em não saber. Está tudo bem brincar na borda da vida.



A vida pode parecer 'difícil' para vocês, às vezes,

E muitas vezes vocês estão perto de se sobrecarregar.

Mas é ainda mais difícil para reprimir seus dons.

Todos vocês, os Sensíveis,
Tragam um pouco de gentileza a este mundo cansado!
Brilhem com sensibilidade corajosa!
Vocês são os portadores da luz!"

3 de agosto de 2016

Sobre a resistência à meditação - Osho



"Pergunta: Sinto muita resistência à meditação, e não tenho esse desejo por Deus de que você fala. Será que este é o meu lugar?

Osho: Se você sente muita resistência à meditação, isso mostra simplesmente que, no fundo, você está alerta quanto a algo que pode acontecer e mudar sua vida. Você tem medo de renascer. Investiu muito nos velhos hábitos, na velha personalidade, na velha identidade.
Meditar nada mais é do que tentar limpar o seu ser, tentar se tornar novo  jovem, tentar ficar mais vivo e  mais alerta. Se você tem medo da meditação, é porque tem medo da vida, tem medo da percepção, e a resistência surge porque você sabe que, se entrar em meditação, alguma coisa vai acontecer. Se não tem a menor resistência, talvez não leve a meditação muito a sério, não a encare com muita sinceridade. Então você pode brincar à vontade. O que há para temer?

É justamente por causa dessa resistência que você pode dizer que está no lugar certo. Este é exatamente o lugar certo para você. A resistência mostra que alguma coisa vaia acontecer. Nunca se resiste a algo sem uma causa.

Você deve estar vivendo uma vida muito morna. Tem medo de que algo se torne vivo, de que algo mude. Você resiste. A resistência é uma indicação, é um sinal bastante claro de que você tem suprimido muita coisa. Na meditação, essa supressão vem à tona, é liberada. Você também gostaria de ser libertado do fardo, mas investiu muito nele.

Por exemplo, talvez você carregue pedregulhos nas mãos pensando que são diamantes; e eu lhe digo: "Limpe-se. Solte esses pedregulhos. Eles se tornam um fardo e você não consegue se mexer por causa deles." E o pior é que não são diamantes. Olhe-os de novo. Se fossem diamantes você estaria feliz. Se fossem diamantes, você não teria me procurado. Não haveria necessidade. Se você veio aqui, é porque está em busca. Você pode dizer que não está interessado em Deus - eu também não estou interessado em Deus, - mas interessado em si mesmo. Está? Esqueça Deus. Se tiver interessado em si mesmo, então está no lugar certo. Se estiver interessado em seu ser, em sua totalidade, então esqueça Deus - pois ao desabrochar, você saberá o que é Deus. Quando sua fragrância for liberada, você saberá o que é Deus.
Deus é o supremo desabrochar, o supremo florescer; seu destino cumprido, é Deus."
Osho em A música mais antiga do Universo
Related Posts with Thumbnails