30 de abril de 2012

Consciência é a fonte - Nisargadatta


"A permanência na consciência remove todos os problemas passados e futuros e estabiliza a pessoa no presente – Aqui e Agora.(...)
Bem, é bom ter conversas desse tipo, mas embeber e realizar a essência é muito difícil, de fato. Por que? Porque você acredita firmemente que você é o corpo e vive de acordo, enquanto alimenta desejos apaixonados de que você vai conquistar algo bom no mundo, e mais tarde algo ainda melhor. Essas expectativas estão baseadas primeiramente numa noção errônea de que você é o corpo.(..)

A consciência é o sentido de se estar ciente, “eu sou” sem palavras, e ela apareceu inconscientemente e sem ser solicitada. Ela é a força vital universal manifesta e, portanto, não pode ser individualista. Ela se estende dentro e fora, como o brilho de um diamante.

Você vê um mundo de sonhos dentro de você e um mundo perceptível fora de você, previsto que a consciência prevalece. Do nível do corpo, você pode dizer dentro e fora do corpo, mas do ponto de vista da consciência, onde e o que é dentro e fora? Apenas no reino do sentido de estar ciente “eu sou” - a consciência – pode o mundo existir, e também uma experiência pode existir.
Segure-se neste sentido de estar ciente “eu sou”, e a fonte do conhecimento irá nascer dentro de você, revelando o mistério do Universo, do seu corpo e psiquê, da interação dos cinco elementos, dos três gunas e prakriti-purusha; e de tudo o mais. No processo dessa revelação, sua personalidade individualista confinada ao corpo se expandirá no universo manifestado e será realizado que você permeia e abarca o cosmos todo como seu “corpo” apenas. Isso é conhecido como o “Puro Super-Conhecimento” - shuddhavijnana.
Não obstante, mesmo no estado sublime shuddhavijnana, a mente se recusa a acreditar que ela é uma não-entidade.
Mas conforme afundarmos na consciência, desenvolveremos uma firme convicção de que o conhecimento “eu sou” - o sentido do seu ser – é a própria fonte do mundo. Apenas esse conhecimento faz você sentir que “você é” e que o mundo é. Na verdade, esse conhecimento manifesto, tendo ocupado e permeado o cosmos, reside em você como o conhecimento “você é”. Segure-se a esse conhecimento. Não tente dar-lhe um nome ou um título.

Agora chegando numa situação muito sutil: o que é isso em você que entende esse conhecimento “eu sou” - ou do seu ponto de vista “eu sou”, sem nome, título ou palavra? Afunde-se no centro mais íntimo e testemunhe o conhecimento “eu sou” e apenas Seja. Essa é a “bênção do ser” - o swarupananda.
Você deriva prazer e felicidade através da ajuda de vários auxílios e processos externos. Alguns gostam de apreciar uma boa comida, alguns gostam de ver um filme, alguns ficam absorvidos na música … e assim por diante. Para todas essas apreciações alguns fatores externos são essenciais. Mas para residir na “bênção do ser”, absolutamente nenhuma ajuda externa é requerida. Para entender isso, tome o exemplo do sono profundo. Uma vez que você esteja em sono profundo, nenhuma ajuda ou tratamento serão requeridos e você aprecia uma felicidade silenciosa. Por que? Porque nesse estado a identidade com um corpo masculino ou feminino é esquecida totalmente.

Alguns visitantes me perguntam, “Por favor mostre-nos o caminho que nos levará à Realidade”. Como eu poderia? Todos os caminhos levam à irrealidade. Caminhos são criações dentro do escopo do conhecimento. Portanto, caminhos e movimentos não podem transportá-lo para a Realidade, pois a função deles é enredar você dentro da dimensão do conhecimento, enquanto que a Realidade prevalece antes dessa dimensão. Para compreender isso, você deve fixar-se na fonte da sua criação, no início do conhecimento “eu sou”. Enquanto não atingir isso, você estará enrolado nas correntes forjadas por sua mente e ficará enredado nas correntes das outras pessoas. Portanto, eu repito, você se estabiliza na fonte do seu ser e então todas as correntes irão se romper e você será liberado. Você irá transcender o tempo, estará além dos tentáculos dele e prevalecerá na Eternidade.

E esse estado sublime pode ser atingido apenas ao beber incessantemente o néctar dos pés sagrados do guru – o guru-charan-amrita. Esse estado de beatitude extática – o ser afundando-se abençoadamente no Ser. Esse êxtase está além das palavras, ele é também o estado de estar ciente em total quietude.
A quintessência do discurso está clara. Sua posse mais importante é o “conhecimento” que “você é” anterior à emanação da mente.

Segure-se a esse “conhecimento” e medite. Nada é superior a isso, nem mesmo a devoção ao guru – guru bakti – ou a devoção a Deus – Iswara bhakti."
Nisargadatta Maharaji em Nectar of Immortality

27 de abril de 2012

Amor por si mesmo X egomania...


"Osho qual a diferença entre o amor por si mesmo e a egomania?

A distinção é sutil, mas muito clara - não é difícil. Se você tem egomania, ela vai lhe criar cada vez mais infelicidade. A infelicidade vai indicar que você doente. A egomania é uma doença, um câncer da alma. A egomania vai torná-lo cada vez mais tenso, vai torná-lo cada vez mais nervoso, não vai de modo algum lhe permitir relaxar. Vai levá-lo à insanidade.

O amor por si mesmo é exatamente o oposto da egomania. No amor por si mesmo não há self, apenas amor. Na egomania não há amor, só há self. No amor por si mesmo você vai começar a ficar cada vez mais relaxado. Uma pessoa que ama a si mesma é totalmente relaxada. Amar outra pessoa pode criar uma pequena tensão, porque o outro não precisa estar sempre em sintonia com você. O outro pode ter suas próprias ideias. O outro é um mundo diferente; há toda possibilidade de colisão e atrito. Há toda possibilidade de tempestades e trovões porque o outro é um mundo diferente. Há sempre uma luta sutil acontecendo. Mas quando você ama a si mesmo não há mais ninguém. Não há conflito - é puro silêncio, é um encanto enorme. Você está só, ninguém o perturba. O outro não é absolutamente necessário. E, para mim, uma pessoa que se tornou capaz desse amor profundo por si mesma torna-se capaz de amar os outros. Se você não consegue se amar, como pode amar os outros? Isso deve primeiro acontecer em um local íntimo, deve primeiro acontecer dentro de você para depois se disseminar para os outros.

As pessoas tentam amar os outros, não tendo nenhuma consciência de que nem mesmo amaram a si mesmas. Como é possível amarem os outros? O que você não tem não pode compartilhar. Você só pode dar aos outros aquilo que já tem com você.
Então, o primeiro e mais básico passo rumo ao amor é o amor por si mesmo; mas nele não existe self. Deixe-me explicar isso.

O "eu" só existe em contraste com o "tu". O "eu" e o "tu" existem juntos. O "eu" pode existir em duas dimensões. Uma dimensão é o "eu-isso": você e sua casa; você e seu carro; você e seu dinheiro; "eu-isso". Quando existe esse "eu" do "eu-isso", seu "eu" é quase uma coisa. Ele não tem consciência, não está ali. Você é como as coisas, uma coisa entre coisas; parte da sua casa, parte da sua mobília, parte do seu dinheiro.(...)
Um tipo de "eu" existe como "eu-isso"; outro tipo de "eu" existe como "eu-tu". Quando você ama uma pessoa, outro tipo de "eu" surge em você: o "eu-tu". Se você ama uma pessoa, você se torna uma pessoa.
Mas e quanto ao amor por si mesmo? Nele não há "isso" e não há "tu". O "eu" desaparece porque o "eu" só existe em dois contextos: o "isso" e o "tu". O "eu" é a figura; o "isso" e o "tu" funcionam como o campo.
Quando o campo desaparece, o "eu" desaparece. Quando você é deixado só, você existem mas não tem nenhum "eu", nem sente nenhum ""eu". Você é simplesmente um profundo sou.
Em geral, dizemos "eu sou". Nesse estado, quando você está profundamente amando a si mesmo, o "eu" desaparece. Só o "sou" , a existência pura, o Ser puro permanece. Vai transformar você em uma celebração, um regozijo. Não há nenhum problema em distinguir os dois.

Se você está ficando cada dia mais infeliz, então está na viagem do egomaníaco. Se está se tornando cada vez mais tranquilo, silencioso, feliz, integrado, então está em outra viagem -a viagem do amor por si mesmo. Se estiver na viagem do ego vai se tornar destrutivo para os outros - porque o ego tenta destruir o "tu". Se você está se movendo rumo ao amor por si mesmo, o ego vai desaparecer. E, quando o ego desaparece, você permite que o outro seja ele mesmo; você vai lhe dar total liberdade. Se você não tem nenhum ego, não pode criar prisão para os outros a quem ama; não pode criar uma gaiola. Você permite que o outro seja ele mesmo; você lhe dá total liberdade - liberdade para você e liberdade para o objeto do seu amor. Ego é cativeiro - cativeiro para você e para sua vítima.

Mas o ego pode lhe pregar grandes armadilhas. Ele é muito astuto e suas maneiras são sutis: ele pode fingir ser amor por si mesmo.(...) O ego é muito astuto, muito auto justificador e muito racionalista. Se não estiver muito alerta, ele pode começar a se esconder por trás do amor por si mesmo. A própria palavra "self" vai se tornar uma proteção para ele. Ele pode dizer: " Eu sou o seu self"(...) Tenha muita cautela.

Se você realmente quer crescer no amor, será necessária muita cautela. Cada passo tem de ser dado em um profundo estado de alerta para que o ego não encontre nenhuma brecha atrás da qual possa se esconder.

Seu eu real não sou eu nem é você; não é você nem o outro. Seu eu real é totalmente transcendental. O que você chama de "eu" não é seu verdadeiro Eu. É o "eu " imposto na realidade. Quando você chama alguém de "você", não está se dirigindo ao eu real do outro. Mais uma vez você lhe colocou um rótulo. Quando todos os rótulos são eliminados o eu real permanece - e o eu real é tanto o seu quanto o dos outros. O eu real é único.

É por isso que dizemos que participamos dos seres uns dos outros, somos membros uns dos outros. Nossa realidade real é Deus. Podemos ser como os icebergs que flutuam nos oceanos - eles parecem estar separados - mas quando nos fundimos, nada mais sobra. A definição vai desaparecer, a limitação vai desaparecer, e o iceberg não estará ali. Ele vai se tornar parte do oceano.
O ego é um iceberg. Derreta-o. Derreta-o no amor por si mesmo - assim ele desaparece e você se torna parte do oceano."
Osho em Destino, Liberdade e Alma

Quem É Você Realmente? - Gangaji



"Cada pensamento que você já teve sobre você mesmo, está aumentado ou diminuído. Não é o que você é, trata-se apenas de um pensamento.
A Verdade que você é não pode ser um pensamento, porque é a fonte, a raiz de todos os pensamentos.
A Verdade que você é não pode ser nomeada ou definida.
Palavras como alma, luz, Deus, Verdade, Self, consciência, inteligência universal, divindade, são apenas capazes de indicar a Verdade, são indicações da imensidão que verdadeiramente você É.

Seja qual for a maneira que você defina a si mesmo como filho, como mãe, pai, buscador, curador, doente, sofredor, iluminado, em todos, o que se encontra por trás deles é a Verdade de si mesmo. Não está longe de você, é pelo contrário, tão perto que você não acredita que seja você.

A Verdade que você é não pode ser tocada por qualquer conceito que você pensa que é.
A Verdade que você é está longe de todos estes conceitos. Você já é Liberdade.
A identificação com esses blocos de pensamentos fazem com que ignore a sua real natureza ou a confunda com aquilo que é passageiro.
Estes pensamentos criam a ilusão de que você está afastado da sua essência, daquilo que verdadeiramente você É. Criam a ilusão da separação e da necessidade de realiza aquilo que você É.
Basta que preste atenção ao seu profundo e reconheça que esta luz, esta consciência permanece no profundo esperando para ser reconhecida como a sua natureza verdadeira, aquilo que você realmente É.

Assim como os pensamentos aparecem na mente, as sensações aparecem no corpo, emoções que passam através da mente e do corpo, algumas dessas sensações definem que você realmente é?
Quando se rebela contra algumas dessas sensações, emoções você pode afirmar que você seja isso? Do mesmo modo você pode se afirmar como alguma emoção ou pensamento? Já que todos estes mecanismos chegam e se vão, são passageiros, nascem e morrem.

A Verdade que você É não chega nem se vai. Já estava presente antes de nascer este corpo e permanecerá após a morte do corpo.
Descobrir QUEM VOCÊ É, não é somente possível, como um direito de nascimento seu.

Todos os pensamentos que afirmam que você é o pensador, que aquilo é criado em você e que lhe definem como algo temporário ou passageiro ou que ainda não está pronto, que ainda precisa se aprimorar, estes também são apenas pensamentos, são truques da mente.
É o momento de você investigar a verdade destes pensamentos e meditar naquilo que eles realmente são, na origem de cada um deles. Nesta meditação você se abrirá a inteligência que você É e que reconhece a si mesma.

A mais importante pergunta que você pode fazer a si mesmo é: QUEM SOU EU?

Implícita nesta pergunta está todo o âmago da sua existência e tudo que a envolve. Todas as atividades, toda individualidade, coletividade, é motivada pela busca da auto definição.
Esta definição pode ser positiva ou negativa. Toda a sua vida será uma expressão dessa resposta. No momento em que você se define seja como for, esta questão terá um poder imenso, e repercutirá em todas as dimensões da sua vida.
A busca pela Verdade é imensamente aberta e ecoa no profundo de cada um de nós.
Todas as experiências de sucesso e fracasso, de vitória ou derrota vem acompanhadas da definição que você deu a si mesmo, e daí surgem a satisfação ou a insatisfação.

A menos que esta pergunta seja profundamente respondida e experimentada, você não estará convencido, e ainda permanecerá faminto por saber. Porque independente da definição que receba dos outros, faça sentido ou não, e não importando como você define a si mesmo, nenhuma definição será capaz de trazer uma certeza absoluta.
No momento em que você percebe que esta pergunta não possui nenhuma resposta, a satisfação a esta pergunta aparece. Eis o momento do despertar espiritual, da maturidade espiritual.

Neste momento é importante que investigue: Quem você realmente é.
Existe um poder imenso nesta simples pergunta: Quem sou eu? Traga sua mente a origem da não identificação. A base de toda identificação é : "eu sou alguém". Apesar desta resposta automática, você deveria investigar profundamente.
Não é difícil de vermos que por trás deste pensamento inicial : "eu sou alguém" , existem todas as formas de sofrimento como: "ser uma pessoa melhor", "alguém que precisa de mais prazer", "mais conforto", "mais realizações". Mas a base deste pensamento "eu sou alguém", a mente criou o "eu" com o sentido de identidade separada, isolada e então começa a busca pelo retorno a união "perdida".

A auto-indagação começa com esta simples pergunta: Quem Sou Eu? E a investigação profunda desta pergunta é capaz de desfazer as identificações criadas pela mente, todas aqueles adjetivos que dizemos a nós mesmos ou ouvimos dos outros, sejam eles importantes ou não, sejam eles novos ou velhos.
Nunca uma tão simples pergunta foi capaz de revelar tamanha grandeza.

QUEM É VOCÊ REALMENTE?
Como você sabe quem você é? Será realmente verdade?
Quando você retornar a esta pergunta: Quem Sou Eu? Você se identificará com sua aparência ou com o seu corpo. Você é um objeto ou a consciência deste objeto?
Objetos vem e vão; família, filhos, amantes, derrotados, vitoriosos, iluminados, ignorantes, mesmo estas definições chegam e se vão. A consciência dessas identificações é sempre presente. O engano é se identificar como um objeto nesta consciência, isto causa dor e cria o círculo interminável de sofrimentos.
No momento em que esta identificação termina e você descobre direta e completamente que você é a Consciência em Si mesmo, e que jamais perdeu a si mesma, apenas se deixou identificar com definições passageiras, e que a busca por si mesma passava por conceitos e definições que também são pensamentos.
Na pergunta o, "QUEM" é seguido por um puro e inocente (porém imenso ), poder de realização que aguarda para acontecer, sem qualquer identificação; é indefinível, ilimitado, apenas "algo" que reconhece a si mesmo inseparável de qualquer outro ser .

Você é livre, ilimitado e nada pode te prender , te limitar.
Nenhuma ideia que apareça sobre você, é verdadeiramente você. As ideias aparecem para você e desaparecem para você.
Você é a consciência, embora consciência também seja um conceito é o que podemos definir no momento, deixe-as irem também, e permaneça centrado naquilo que nunca nasceu e nunca morrerá. Experimente a alegria, a satisfação que já está aqui.
Permaneça na paz profunda da sua natureza essencial, anterior a qualquer pensamento que chega e posterior a qualquer pensamento que se vá."

26 de abril de 2012

A Verdadeira experiência...



"Lao Tzu disse: Estou sempre presente. Estou experimentando o sol e a beleza. Estamos todos imersos na mesma beleza, os pássaros cantando, as flores se abrindo. Eu não sou cego: tenho um coração.(...)

Você não tem que fazer nada. Quando a verdade chega para você, é pura simplicidade, ela alcança o centro do seu ser, porque não é uma criação da mente. Ela não é um pensamento, e algo existencial.

Sua experiência é perfeitamente verdadeira. Ela alcança seu coração como uma flecha.
E depois desta experiência você nunca mais será a mesma pessoa - você não pode ser. Apenas imagine um homem cego: se seus olhos ficarem curados e começarem a ver a luz, as cores, você acha que ele se ainda vai guardar as mesmas memórias de quando ainda era cego? Ele será uma nova pessoa.

Pode acontecer de você não esteja consciente de que a oitenta porcento das experiências da sua vida venham pelos olhos. Apenas vinte porcento venham dos outros sentidos. Não é por coincidência que uma pessoa cega atrai compaixão da grande maioria das pessoas. Um homem surdo, ou um que não sente cheiro, ou que não possa andar - é claro criam compaixão das pessoas, mas um homem que não possa ver, gera uma compaixão maior que qualquer outra deficiência. Um homem cego, vive apenas vinte porcento da sua vida. Oitenta porcento da sua vida não existe - nenhuma cor, nenhum quadro, nem flores, nem borboletas...nenhum campo verde do mundo, nenhuma montanha com suas neves eternas...nenhum céu cheio de estrelas, nenhum belo poente, nenhum nascer do sol. Sua vida é reduzia ao mínimo... (...)

A menos que suas experiências o transforme, não são experiências. São apenas nuvens na sua mente. Se você tem sentido a verdade, então isto irá transformar toda a sua vida. Isto irá impactar em cada ação sua em cada mínima atitude.

Não existe outro caminho de se saber se um homem realmente encontrou a verdade ou não. O único caminho é, todos os seus gestos, seus olhos, sua presença começa afetar você de uma maneira totalmente diferente do que você tem sido afetado por qualquer outro ser, por qualquer outro homem.

Ele pode nem dizer uma única palavra, mas seu silencio vai te envolver. Ele pode nem olhar para você, mas você não conseguirá esquecer aquele olhar. Eles lhe perseguirão, te seguirão como uma sombra.

Suas palavras são as mesmas palavras suas. Dicionários não são capazes de fazer qualquer distinção, mas você não é um dicionário - quando um homem como Gautama Buddha fala, ele usa as mesmas palavras que todo mundo usa, porém suas palavras tem um sabor, uma autenticidade, uma sinceridade do coração, um amor e compaixão imensos que cada palavra que sai da sua boca.

Se você estiver aberto, disponível - se a flecha atingiu seu coração - então ela abre as portas que estiveram fechadas por milhões de vidas. E por esta pequena janela, tremendas experiências podem fluir para seu interior e transformá-lo totalmente. "
Osho em Om Mani Padme Hum

24 de abril de 2012

O Poder da Presença...


"Perceber, de repente, que você está ou tem estado preso ao sofrimento pode lhe causar um choque. No momento em que percebe isso, você acabou de romper com a ligação. O sofrimento é um campo de energia, quase como uma entidade que se alojou temporariamente no seu
espaço interior. É a energia da vida que foi aprisionada, uma energia que não está mais fluindo.

Claro que o sofrimento está ali por causa de certas coisas que aconteceram no passado. Ele é o passado vivo em você.
E, se você se identifica com ele, se identifica com o passado. Uma identidade vítima acredita que o passado é mais poderoso do que o presente, o que não é verdade. É a crença de que outras pessoas e o que fizeram a você são responsáveis pelo que você é hoje, pelo seu sofrimento emocional, ou por sua incapacidade de ser o verdadeiro eu interior.

A verdade é que o único poder está bem aqui neste momento: o poder de sua presença. Uma vez que saiba disso, perceberá também que só você é responsável pelo seu espaço interior no presente instante e o passado não consegue prevalecer contra o poder do Agora.

A inconsciência cria o sofrimento. A consciência transforma o sofrimento em si mesma.

São Paulo expressa esse princípio universal de uma forma linda ao dizer: "Tudo é revelado ao ser exposto à luz, e o que for exposto à própria luz se torna luz."

Assim como não se pode lutar contra a escuridão, não se pode lutar contra o sofrimento. Tentar fazer isso poderia gerar um conflito interior e um sofrimento adicional.
Observar o sofrimento já o bastante. Observá-lo implica aceitá-lo como parte do que existe naquele momento."
Eckhart Tolle em O Poder do Agora

Aqui Eckhart Tolle nos foca no momento presente, seja ele qual for, como for o momento presente é real, é a REALIDADE. E por pior que seja a realidade, é e será sempre superior a qualquer fantasia, a qualquer imaginação, simplesmente porque ? porque é real. Para que o momento presente acontecesse, seja lá do jeito que for, todo o universo contribuiu com todos os eventos de todos os átomos, de todos os seres desde a criação. O que presenciamos aqui e agora é o resultado de toda e criação, e cada mínimo detalhe representa esta fabulosa teia da existência acontecendo bem diante dos nossos olhos.
Cada detalhe, por menor que seja, revela uma infinidade de eventos que culminaram naquele pequenino instante...

Entrar em contato com a realidade não é simplesmente ficar passivo, ou apático a ela, mas pelo contrário é trazer mais e mais consciência a tudo que acontece, seja no interior ( pensamentos, sentimentos, emoções ) seja no exterior. E perceber cada vez mais que, tanto o que acontece internamente como o que acontece externamente, são apenas aspectos complementares de uma mesma e única realidade que se revela. Revela-se à consciência que observa, e esta é a pura presença que não julga, mas observa e integra tudo nela mesma.

A observação consciente, trás em si o brilhantismo de fluir com o momento presente, e fazer as escolhas que o momento pede, não a partir de condicionamentos mentais passados, mas de uma maneira luminosa, vibrante e única. Fluindo sempre autentica, eterna e espontânea como a própria vida, como a própria luz...
Amor,
Lilian

23 de abril de 2012

A Criação e o som - Hazrat Inayat - 2a


"A vida silenciosa experimenta na superfície em razão da atividade. A vida silenciosa parece como a morte em comparação com a vida de atividade da superfície. Apenas para o sábio a vida eterna parece preferível à natureza momentânea e em constante mudança da vida mortal. A vida na superfície parece ser a vida real porque é nessa vida que toda a alegria é experimentada.

Na vida silenciosa não há alegria, apenas paz. O Ser original da alma é a paz e a natureza dela é a alegria, ambos os quais trabalham um contra o outro. Essa é a causa oculta de toda a tragédia da vida.

Originalmente a alma é sem nenhuma experiência; ela experimenta tudo quando abre seus olhos para o plano exterior, e mantém-nos abertos apreciando a vida na superfície até que se satisfaça. A alma então começa a fechar seus olhos para o plano exterior e constantemente busca paz, o estado original de seu Ser.
A parte interna e essencial de todo e qualquer ser é composta de vibrações finas e a parte externa é formada de vibrações grosseiras.

A parte mais fina chamamos de espírito e a parte grosseira de matéria, a primeira estando menos sujeita a mudança e destruição e a segunda mais sujeita a elas. Tudo o que vive é espírito e tudo o que morre é matéria; e tudo que morre no espírito é matéria e tudo o que vive na matéria é espírito. Tudo o que é visível e perceptível parece estar vivo, embora esteja sujeito à morte e decadência e resolvendo-se a cada momento em seu elemento mais fino, porém a visão do homem está tão iludida por sua cognição do mundo aparente, que o espírito que realmente vive é coberto sob a vestimenta da matéria e seu verdadeiro ser é escondido.

É o aumento gradual da atividade que faz as vibrações se materializarem, e é sua diminuição gradual o que as transmuta novamente em espírito. Como tem sido dito, as vibrações passam por cinco fases distintas enquanto mudam do sutil para o grosseiro, e os elementos – éter, ar, fogo, água e terra- tem cada um seu sabor, cor e forma peculiares a si próprios. Portanto, os elementos formam uma roda que no devido tempo os traz todos para a superfície. A cada passo na sua atividade eles variam e tornam-se distintos uns dos outros, e é o agrupamento dessas vibrações que causa a variedade no mundo objetivo. A lei que os faz dispersarem-se, o homem chama de destruição.

As vibrações transformam-se em átomos e os átomos geram o que chamamos de vida, então acontece que seu agrupamento através da força de afinidade da natureza, forma uma entidade viva. E na medida em que a respiração manifesta-se através da forma, o corpo torna-se consciente. Em um indivíduo existem muitos seres sutis e pequenos escondidos: no sangue, nas células do cérebro, na sua pele e em todos os planos de sua existência.
Assim como no corpo físico de um indivíduo vários pequenos germes que são seres vivos, nascem e são nutridos, também no plano mental existem muitos seres, denominados muwakkals – ou elementais. Essas são entidades ainda mais sutis nascidas dos próprios pensamentos do homem, e assim como os germes vivem no corpo físico os elementais habitam na esfera mental. O homem frequentemente imagina que os pensamentos são sem vida; ele não imagina que eles são mais vivos do que os germes físicos, e que eles têm nascimento, infância,
juventude, velhice e morte. Eles trabalham para o benefício do homem ou para prejudicá-lo, dependendo da natureza deles. O Sufi os cria, molda e controla. Ele os ensina e os governa durante sua vida, os pensamentos formam seu exército e cumprem seus desejos. Assim como os germes constituem o ser físico do homem e os elementais sua vida mental, também os anjos constituem sua vida espiritual. Elesdenominam-se farishtas.

Como regra as vibrações têm comprimento e largura, e elas podem durar a menor fração de um momento ou uma grande parte da vida do universo. Elas produzem diferentes formas, figuras e cores conforme surgem, uma vibração criando outra; assim, miríades delas surgem de apenas uma. Dessa maneira existem círculos sob círculos e círculos sobre círculos, todos os quais formando o universo.

Toda vibração após a sua manifestação funde-se novamente na sua fonte original. O alcance das vibrações é determinado pela sutileza do plano do seu ponto de partida. Falando de maneira mais simples, a palavra falada pelos lábios pode atingir apenas o ouvido do ouvinte, mas o pensamento procedente da mente alcança longe, atravessando rapidamente de mente para mente. As vibrações da mente são muito mais fortes do que as das palavras. Os sentimentos sinceros de um coração podem penetrar o coração de outro, eles falam no silêncio, espalham-se na esfera, fazendo com que a própria atmosfera da presença de uma pessoa proclame seus pensamentos e emoções.

As vibrações da alma são as mais poderosas e de longo alcance; elas correm como uma corrente elétrica de alma para alma.
Todas as coisas e seres no universo estão conectados uns com os outros – visível ou invisivelmente – e através das vibrações uma comunicação é estabelecida entre eles em todos os planos de existência.

Como um exemplo ordinário: se uma pessoa tosse numa assembleia, muitas outras começam a fazer o mesmo, assim como no caso do bocejo. Isso também se aplica à risada, euforia e depressão.
Isso mostra que as vibrações transmitem a condição de um ser para o outro. O visionário, portanto, sabe o passado, o presente e o futuro e percebe as condições em todos os planos de existência.
As vibrações trabalham através do acorde da simpatia entre o homem e o meio que o cerca e revela as condições presentes, passadas e futuras. Isso explica o porque do uivo dos cães predizer a morte, e o relincho dos cavalos a aproximação do perigo. Não apenas os animais mostram isso, mas mesmo as plantas em tempos de tristeza começam a morrer e as flores a murchar, enquanto que em tempos de alegria elas crescem e florescem.

A razão das plantas e dos animais poderem perceber as vibrações e saberem a chegada dos eventos enquanto o homem é ignorante disso, é porque ele tem cegado a si mesmo com o egoísmo.
A influência das vibrações é deixada na cadeira onde a pessoa senta, na cama onde dorme, na casa onde vive, nas roupas que ela usa, na comida que come e mesmo na rua onde anda.
Cada emoção surge da intensidade das vibrações que, quando ativas em diferentes direções, produzem diferentes emoções; e a causa principal de toda emoção é a atividade apenas.
Cada vibração enquanto ativa eleva a consciência à superfície mais externa, e a névoa causada por essa atividade acumula nuvens, as quais chamamos emoções. As nuvens das emoções obscurecem a clara visão da alma. Por isso a paixão é chamada de cega. O excesso de atividade de vibrações não apenas cega, mas enfraquece a vontade e uma vontade fraca enfraquece a mente e o corpo.
É o estado de vibrações ao qual o homem está sintonizado que conta para a nota de sua alma. Os graus diferentes dessas notas formam uma variedade de tons divididos pelos místicos em três categorias distintas.
A primeira, é a categoria que produz poder e inteligência e que pode ser retratada como um mar calmo. A segunda, é a categoria de atividade moderada, que mantém todas as coisas em movimento e é um equilíbrio entre poder e fraqueza, a qual pode ser retratada como um mar em movimento. E a terceira, é a categoria de atividade intensa que destrói tudo e causa fraqueza e cegueira, ela pode ser retratada como um mar tempestuoso.
Nas atividades de todas as coisas e seres o tom é reconhecido pelo visionário, assim como um músico reconhece a clave em que determinada musica está escrita. A atmosfera do homem revela a categoria de atividade de suas vibrações.

Se a atividade vibratória é controlada de maneira apropriada o homem pode apreciar toda a alegria da vida e ao mesmo tempo não ser escravizado por ela. É muito difícil controlar a atividade uma vez que ela foi iniciada e durante o desenvolvimento dela, pois é como tentar controlar um cavalo fugitivo. Mas é nesse controle que está tudo o que é chamado de as propriedades de um mestre.

Os santos e os sábios espalham sua paz não apenas no lugar onde sentam, mas até mesmo no bairro onde habitam; a cidade ou o país onde eles moram fica em paz, de acordo com o poder de vibrações que eles emanam de suas almas. Essa é a razão porque a associação com o que é bom ou ruim e com coisas de classe superior ou inferior, tem uma grande influência sobre a vida e o caráter do homem.
A intensidade de atividades produz vibrações fortes que na terminologia Sufi denomina-se jelal, e como já mencionado, trabalham como força e poder, a suavidade de atividades causa vibrações brandas chamadas jemal, que trabalham como beleza e graça. O conflito entre essas duas forças é denominado kemal, que causa destruição.

O padrão de certo e de errado, a concepção de bem e de mal e a idéia de pecado e de virtude são entendidos de maneira diferente por pessoas de diferentes raças, nações e religiões; portanto, é difícil discernir a lei que governa esses opostos. Entretanto, torna-se claro ao entendermos a lei das vibrações. Todas as coisas e seres na superfície da existência parecem estar separados uns dos outros, mas em cada plano sob a superfície, ficam mais próximos uns dos outros, e no plano mais profundo todos se tornam um. Portanto, cada perturbação causada a um pedaço da menor parte da existência na superfície, internamente afeta o todo. Assim, qualquer pensamento,fala ou ação que perturba a paz está errado, é ruim e é um pecado. Se traz paz está correto, é bom e é uma virtude. A vida sendo um domo, tem sua natureza como um domo.
Uma perturbação da menor parte da vida perturba o todo e retorna sobre apessoa que a causou. Toda paz produzida na superfície conforta o todo, e por consequência, retorna como paz ao produtor. Essa é a filosofia da recompensa pelas boas ações e da punição pelas más ações, dada pelas forças superiores."
Hazrat Inayat Khan em Vida Silenciosa

22 de abril de 2012

A Criação e o som - Hazrat Inayat - 1a


"A vida absoluta da qual surgiu tudo o que é sentido, visto e percebido, e dentro da qual tudo submerge novamente no devido tempo, é uma vida silenciosa, sem movimento e eterna que dentre os Sufis é chamada de Dhat. Todo movimento que surge originário dessa vida silenciosa é uma vibração e um criador de vibrações. Dentro de uma vibração são criadas muitas vibrações.

Como movimento causa movimento, dessa forma a vida silenciosa se torna ativa numa certa parte, e cria a cada momento mais e mais atividade, perdendo dessa forma a paz da vida silenciosa original. É o grau de atividade dessas vibrações que contam para os vários planos de existência. Esses planos são imaginados como diferentes uns dos outros, mas na realidade eles não podem ser inteiramente separados e soltos uns dos outros. A atividade das vibrações torna-os mais grosseiros, e assim a terra é nascida dos céus.

Os reinos mineral, vegetal, animal e humano são mudanças graduais de vibrações, e as vibrações de cada plano diferem umas das outras em seu peso, largura, comprimento, cor, efeito, som e ritmo.
O homem não é apenas formado de vibrações, mas ele vive e move-se nelas: elas o circundam assim como o peixe é circundado pela água, e ele as contém dentro de si assim como um tanque contém água. Seus diferentes humores, inclinações, afazeres, sucessos e falhas, e todas as condições da vida dependem de uma certa atividade de vibrações, sejam elas pensamentos, emoções ou sentimentos. É a direção da atividade das vibrações que conta para a variedade de coisas e seres. Essa atividade vibratória é a base da sensação e a fonte de todo prazer e dor; seu sessar é o oposto da sensação. Todas as sensações são causadas por um certo grau de atividade de vibração.

Existem dois aspectos de vibrações: finas e grosseiras, ambas contendo vários níveis. Algumas são percebidas pela alma, outras pela mente e outras ainda pelo olho. O que a alma percebe são as vibrações dos sentimentos, o que a mente concebe são as vibrações dos pensamentos, o que os olhos vêem são as vibrações solidificadas de seu estado etéreo e transformadas em átomos que aparecem no mundo físico, constituindo os elementos éter, ar, fogo, água e terra. As vibrações mais finas são imperceptíveis mesmo para a alma. A própria alma é formada dessas vibrações; é a atividade delas que a torna consciente.

A criação começa com a atividade da consciência, que pode ser chamada de vibração, e cada vibração começando da sua fonte original é a mesma, diferindo apenas em seu tom e ritmo causados por um grau de força maior ou menor por trás dela. No plano do som a vibração
causa diversidade de tom, e no mundo dos átomos diversidade de cor. É ao se ajuntarem que as vibrações se tornam audíveis, mas a cada passo na direção da superfície elas se multiplicam e, conforme avançam, elas se materializam.

O som dá à consciência uma evidência de sua existência, embora seja de fato a própria parte ativa da consciência que se transforma em som. O conhecedor, por assim dizer, torna-se conhecido para si mesmo; em outras palavras a consciência presta testemunho à sua própria voz. E, portanto, o som atrai o homem. Todas as coisas sendo derivadas e formadas de vibrações têm um som escondido dentro delas assim como o fogo está escondido dentro da pedra de produzir faíscas.

E cada átomo do universo confessa pelo seu tom: “Minha única origem é o som”. Se qualquer corpo sólido ou sonoro for golpeado ele irá responder de volta: “Eu sou som”.

O som tem seu nascimento, morte, sexo, forma, planeta, Deus, cor, infância, juventude e idade. Mas aquele volume de som que está no abstrato – além da esfera do concreto – é a origem e a base de todo o som. " [continua...]
Hazrat Inayat Khan em Vida Silenciosa

21 de abril de 2012

O Sentido de Presença - Ramesh


"Pergunta: Eu acho você um personagem muito interessante. De fato, há muitos personagens interessantes nesta sala. Por que é que eu acho algumas pessoas mais interessantes do que as outras?

Ramesh: Basicamente, cada individuo é realmente um padrão individual de energia em vibração. Quando você encontra dois organismos onde os padrões são harmoniosos, você diz, “eu gosto dessa pessoa”.

Então, o padrão individual de energia em vibração responde. É possível então, que quando eu estou falando, a energia que transpira, atraia certos padrões individuais. Indo um passo adiante: é por isso que estes padrões individuais foram aqui reunidos para este propósito.

É tudo parte do funcionamento da manifestação. Quando você vai ao potencial do Vácuo (Vazio), tudo isso é sem sentido: limitações, iluminação, conhecimento, tudo isso é baboseira! Você não precisa disso. Você apenas vê o funcionamento impessoal da manifestação que simultaneamente, espontaneamente surgiu do não-manifesto. A totalidade de todas as coisas veio do Nada. Certo, isso está entendido. Isso é tudo que precisa ser entendido, mesmo fenomenalmente. O resto é totalmente desnecessário.
Mas como você descende, o individuo pensa que ele é um individuo e então mais palavras são necessárias.

Pergunta: Tudo que você está falando a respeito, não é um conceito?
Ramesh: É claro! A única verdade que não é um conceito é o sentido de presença, aqui e agora. O sentido de presença impessoal, “Eu sou”, e não o “eu sou Joe ou Jane”. Este sentido impessoal de presença no momento presente é a única verdade.

Pergunta: Seja a abordagem de Ramana Maharshi ou a do Nisargadatta Maharaj ou a sua, são um conceito?
Ramesh: Ó sim, mas ambos deixaram perfeitamente claro: nada foi criado, nada foi destruído. É tudo um sonho, e não há individuo além de uma aparência na consciência.


Pergunta: O despertar leva à consciência que persiste vinte e quatro horas por dia?
Ramesh: Sim, mas não há ninguém para estar consciente daquela ciência. Essa é a chave para a coisa toda. Não há individuo, nenhum ego para estar ciente daquela ciência. A ciência apenas está lá!

Pergunta:Mas, Ramesh, se tudo é dissolvido, como podemos nos render!?
Ramesh: Esse é o ponto; tudo se dissolve. Não há nenhum “alguém” para render-se, nem “alguém” para compreender. A rendição acontece.
A compreensão acontece sem que nenhum individuo compreenda ou renda-se. E essa é a transformação; o desaparecimento do “eu”, da “pessoa”, do “quem”.


Pergunta: Então não há nenhum medo da rendição, nenhum sacrifício.
Ramesh: Exatamente! Enquanto há alguém para sacrificar, não é sacrifício. Pegue a humildade. Você diz, “Eu sou humilde. Eu não sou orgulhoso”. As pessoas mais orgulhosas fazem atos de humildade. A real humildade significa a ausência daquilo que pode sentir-se humilde ou orgulhoso. Isso é humildade verdadeira. Isso é compaixão verdadeira, quando não há ninguém que sinta, “eu estou sendo compassivo”. Existe amor quando não há ninguém para dizer, “eu amo”. Compaixão, amor, humildade, esses são vários nomes para aquele estado do aqui e agora, sem o “eu”.

Pergunta: Se todo esse mundo de pessoas e tudo se dissolvesse, o que a consciência seria?
Ramesh: Tudo o que permanece é a Consciência. A manifestação não estaria lá. A aparência não estaria lá.

Pergunta: O que haveria?
Ramesh: Aquilo que Sempre esteve: a plataforma divina, a consciência, a Totalidade, o verdadeiro sujeito uno, o Nada potencial, Deus, qualquer nome que você dê a isso.

Pergunta: Eu sei, mas com o que isso se parece?
Ramesh: Não se parece com nenhuma coisa, pois isso não é uma coisa.

Pergunta: Aceitar a vida como o funcionamento impessoal da totalidade é um retorno à devoção?
Ramesh: Sim, do ponto de vista devocional, é pura devoção. Do ponto de vista do conhecimento, é o retorno à impessoalidade."
Ramesh Balsekar em Consciousness Speaks

20 de abril de 2012

A Mente negativa...


"A mente é sempre negativa. Existe uma história linda de Turgenev, The Fool.

Houve certa vez, numa cidadezinha, um homem acusado por toda a população de ser o maior idiota que já existiu. Obviamente ele tinha uma vida difícil. Não importava o que dissesse, as pessoas sempre começavam a rir - mesmo que ele estivesse dizendo uma coisa bela e verdadeira.

Mas como ele era conhecido por ser um idiota, um tolo, as pessoas achavam que qualquer coisa que fizesse e dissesse só poderia ser uma estupidez. Ele podia estar citando sábios, mas ainda assim as pessoas riam dele.

Ele procurou um velho sábio e disse que estava pensando em cometer suicídio, pois não suportava mais viver. "Essa acusação constante é demais para mim - não posso mais suportar! Ou você me ajuda a encontrar uma saída ou vou me matar."

O velho sábio deu risada. E disse: "Isso não é problema, não se preocupe. Faça apenas uma coisa: comece a dizer não para tudo; depois volte a me procurar daqui a uma semana. Comece a questionar o que quer que seja. Se alguém disser: 'Olhe, o pôr-do-sol, que beleza!', pergunte no mesmo instante: 'Onde está a beleza? Não vejo nada - prove que há beleza! O que é a beleza? Não existe beleza neste mundo. Isso é pura bobagem!' Insista nas provas, diga: ´Prove onde está a beleza. Deixe-me vê-la, deixe-me tocá-la. Dê uma definição'. Se alguém disser: 'A música é extasiante!', pergunte sem pensar duas vezes, 'O que é êxtase? O que é música? Defina esses termos com clareza. Não acredito em nenhum êxtase, é tudo uma tolice, tudo ilusão. E a música nada mais é do que o barulho'".
"Faça isso todos os dias e, depois de uma semana, me procure. Seja negativo, faça perguntas que ninguém pode responder: 'O que é a beleza, o que é o amor, o que é o êxtase?' O que é a vida, o que é a morte, o que é Deus'".

Depois de sete dias o homem tolo voltou a procurar o sábio, e foi seguido por muitas pessoas. Ele estava muito bem trajado e tinha uma guirlanda na cabeça.

O sábio perguntou: "O que aconteceu?"

E o tolo respondeu: "Foi mágico! Agora a cidade inteira acha que eu sou o homem mais sábio do mundo. Todo mundo acha que eu sou um grande filósofo, um grande pensador. As pessoas se calam diante de mim, sentem medo. Na minha presença, reina o silêncio, pois seja lá o que digam, eu transformo numa pergunta e me torno absolutamente negativo. O seu truque funcionou!"

O sábio perguntou: "Quem são essas pessoas que estão seguindo você?"

Ele disse: "São os meus discípulos - eles querem aprender comigo o que é sabedoria!"

É assim que as coisas são.
A mente vive no não, ela só diz não; o seu combustível é dizer não para tudo.
A mente é basicamente ateísta, negativa. Não existe mente positiva."
Osho em Saúde Emocional

19 de abril de 2012

O Homem do Tao...


"O homem no qual o Tao
age sem obstáculos
Não sacrifica nenhum outro ser
por suas ações
Apesar disso não sabe
se é "cordato" se é "bondoso".

O homem no qual o Tao
age sem obstáculos
Não se preocupa com seus próprios interesses
e não despreza os que com eles se preocupam
Não luta para ganhar dinheiro
e não faz da pobreza uma virtude.
Segue seu caminho
sem se apoiar nos outros
E não se orgulha
em caminhar sozinho.
Enquanto não está seguindo a multidão
não se queixa daqueles que a seguem.
Postos e recompensas
não o atraem;
A desgraça e a vergonha
não são impedimentos
Nem sempre está olhando
para o certo ou o errado
Sempre decidindo o que é "Sim" ou o "Não".
Diziam, portanto os antigos:

"O homem do Tao
fica desconhecido
A perfeita virtude
nada produz
O "Não-eu" é
o "Verdadeiro-eu"
O maior homem de todos
é o Ninguém".
Thomas Merton em A Via de Chiang Tzu ( O homem do Tao)

18 de abril de 2012

Om, Amin, Amém...



"Deus é o criador, o preservador e o destruidor do universo que emana Dele, é sustentado por Ele no próprio ser Dele e também é re-absorvido Nele.

Somente Deus é real e o universo está no domínio da ilusão, mesmo sendo a manifestação do próprio Deus.

O mundo ou criação surge do Ser eterno e infinito de Deus através do ponto da criação, que é referido como o ponto "Om"Itálico. Ninguém pode atingir uma paz duradoura, a menos que entre em contato e transcenda este ponto Om.

Portanto, frequentemente encontramos o símbolo sagrado Om aparecendo em justaposição com a palavra "Shantih", que significa paz.

A semelhança fonética entre Om, Amin e Amém é sugestiva de muitas coisas.

As palavras sagradas Amin e Amém são frequentemente usadas no final de orações muçulmanas e cristãs. Ambas significam "Assim seja". Vindo de um homem, "Assim seja" é uma benção ou um desejo; mas vindo de Deus é a criação. A criação é o Amin ou Amém de Deus, isto é, um imediato e instantâneo cumprimento de Sua vontade irrompendo em realidade.

A palavra árabe Amin vem da raiz Omn, que significa segurança ou paz e, portanto, Amin pode ser considerado como um equivalente, ou pelo menos um parente de Om, que também está associado com a paz.

Todas as orações de diversas religiões tais como o Hinduísmo, o Islamismo e o Cristianismo têm uma referência ao Criador.

A criação é o maior mistério com o qual todas as criaturas, incluindo os seres humanos, são confrontadas. O mistério não pode ser desvendado ou realizado a menos e até que o homem conscientemente torne-se unido com o Criador e realize a si mesmo como sendo um com Deus, que é simultaneamente o Criador e a criação em Um, de uma só vez incluindo e transcendendo ambos em Seu Ser infinito."
Meher Baba em O Mistério da Criação

16 de abril de 2012

Continnum, Reencarnação e Alma...


Osho tenho uma pergunta: Buda não falava de Deus, porque a existência de Deus não podia ser provada, mas falava de outras vidas e de reencarnação, como pode isso? Buda disse que não existe alma, então o que permanece depois da morte?

Essa pergunta é muito importante, é uma das contribuições mais fundamentais de Buda à existência humana - a ideia de "não-eu". Ela é muito complexa por isso escute atentamente porque ela vai de encontro a todos os padrões a que você foi condicionado.
Vou apresentar algumas analogias para você ter alguma ideia do que ele chama de não-eu.

Seu corpo é um saco de pele. A pele define o seu corpo; ela define onde você e o mundo começam; É uma demarcação em torno de você. Ela o protege do mundo, o divide do mundo e lhe concede apenas alguma aberturas entre você e o mundo. (...) Você se livra muitas vezes da sua pele, mas o processo é muito lento e por isso você nunca se apercebe dele. (...) A mudança é muito sutil. A pele continua mudando e você continua pensando consigo mesmo que este é o seu corpo, o mesmo corpo, mas não é o mesmo corpo é um continnum.
Quando você estava no útero da sua mãe, no primeiro dia você era apenas uma célula, invisível a olho nu; Essa era sua pele naquela época, esse era o seu corpo; então você começou a crescer; Após nove meses você nasceu - e então tinha um corpo totalmente diferente; Se de repente você se deparasse consigo mesmo com apenas um dia de idade, recém-nascido, não conseguiria reconhecer que aquele é você. Você mudou muito. Mas ainda assim você acha que você é o mesmo. De certa maneira você é porque é a mesma continuidade; e de certa maneira não é porque tem estado continuamente mudando.

Da mesma maneira que a pele é o ego. A pele mantém seu corpo dentro de um padrão, de uma definição, de um limite; O ego mantém o conteúdo da sua mente dentro de um limite; O ego é a pele interna para que você saiba quem você é; do contrário estaria perdido - não saberia quem é quem; quem sou eu e quem é o outro. (...) A ideia do ego é utilitária, torna você claramente separado dos outros. Mas também é uma pele, uma pele muito sutil que guarda todos os conteúdos da sua mente - memória, seu passado, seus desejos, seus planos, seu futuro, seu presente, seu amor, seu ódio, sua raiva, sua tristeza, sua felicidade; Você guarda tudo isso num saco. Mas você também não é esse ego. Porque esse também está sempre mudando e muda mais do que a pele do corpo. A cada momento ele está mudando. (...)

Assim como você nasceu de seus pais , você é uma continuidade. Vocês não são o mesmo. Você não é seu pai não é sua mãe - mas ainda assim é seu pai e sua mãe, porque você continua a mesma tradição a mesma linhagem, a mesma herança.
Buda diz que o ego é uma continuidade não é uma substância - continuidade como uma chama que salta de uma labareda para outra, continuidade como um rio que flui, continuidade como o corpo.(...)

Buda diz que quando uma pessoa morre, os desejos acumulados de toda sua vida, as lembranças acumuladas de toda a sua vida, os padrões e karmas de toda a sua vida saltam como ondas de energia para um novo útero. É um salto. A palavra exata na física - os físicos o chama de "salto quântico" - um salto de energia pura, sem nenhuma substância nela. Buda foi o primeiro físico quântico, Einstein o seguiu 25 séculos depois.(...)
Quando uma pessoa morre, o corpo desaparece, a parte material desaparece, mas a parte imaterial, a parte mente, é uma vibração. Essa vibração é liberada, transmitida. E então, sempre que um útero certo estiver pronto para essa vibração, ela vai ali penetrar.
Não há ninguém indo - não há ego nenhum indo. Não há necessidade de que nada substancial vá; é apenas um impulso de energia. A ênfase é que isso é mais uma vez o mesmo saco do ego saltando. Uma casa tornou-se inabitável, um corpo onde não é mais possível viver; O antigo desejo pela vida - o termo que Buda usava é tanha, a ânsia pela vida - está tão vivo, ardendo. Esse mesmo desejo dá um salto.

Agora escute a física moderna. Ela diz que não existe matéria. (...) A matéria é simplesmente pura energia se movendo em uma velocidade tão fantástica que o próprio movimento cria a falsa ilusão, a aparência de substância. (...) A substância não existe, só existe energia pura. A ciência moderna diz só existe energia imaterial.
Por isso digo que Buda é muito científico. Ele não fala sobre Deus, mas fala sobre o não eu imaterial. Do mesmo modo que a ciência moderna extraiu a ideia de substância da sua metafísica, Buda extraiu a ideia de eu da metafísica dele. O eu e a substância são correlatos. É difícil acreditar que a parede é não substancial, isto é, não existe materialmente, é pura energia, e da mesma maneira é difícil acreditar que não existe individualidade em você. (...)

Agora vou apresentar coisas que vão tornar isto mais claro. Não posso dizer se você vai entender, mas vai tornar tudo mais claro.(...)
Buda diz não há caminhante apenas o caminhar acontece; A vida não consiste de coisas. Buda diz a vida consiste de eventos. E é exatamente isso que a ciência moderna está dizendo: há apenas processos, não coisas - eventos.
Até mesmo dizer que a vida existe não é correto. Existem apenas milhares e milhares de processos de vida. A vida é apenas uma ideia. Não há nada como "vida". (...)

A dualidade é produzida pela linguagem. Você está caminhando - Buda diz que há apenas o caminhar. Você está pensando - Buda diz que existe o pensamento, não o pensador. O "pensador" é uma linguagem que é baseada na dualidade, ela transforma tudo em dualidade.(...)
A vida é um processo continuo, não apenas "processo" mas processos, uma continuidade, um continnum.(...) Buda diz que você não tem nenhuma individualidade, o universo é mas não há individualidade nele... Há milhões de processos, mas nenhuma individualidade. Ele não tem centro, é tudo circunferência. É muito difícil você captar isso, a menos que você medite. Por isso Buda não entrava em discussões metafísicas, ele diz: Medite. Porque na meditação essas coisas se tornam mais claras. Quando o pensar para, de repente você vê - o pensador desapareceu. Era uma sombra. E quando o pensador desaparece, como você pode dizer, como você pode sentir "eu sou"? Não sobrou nenhum "eu", você é puro espaço. É o que Buda chama de anatta, o espaço puro do não-eu. É uma experiência fantástica. (...)

Foi isso que aconteceu quando Buda veio ao mundo. Ele entrou no âmago do seu chamado self e também ficou confuso - o que fazer? "Não existe individualidade, o self, mas existe reencarnação." Entretanto se ele não fosse um grande cientista mas apenas um filósofo comum ele teria esquecido tudo a respeito disso. (...) Buda é ilógico porque a sua insistência em não ir contra a realidade é absoluta.(...) Ele está trazendo uma visão real, original; Ele diz que não existe alma, individualidade, e existe reencarnação. Esse é um salto quântico.

Então, quando digo que ele é um cientista, quero dizer exatamente isso. E, se você entender a linguagem da física moderna, você vai conseguir entender Buda. Na verdade é impossível entender Buda, sem entender a física moderna. Pela primeira vez a física moderna apresentou um paralelo. Heisenberg, Planck e Einstein apresentaram um paralelo. A matéria desapareceu; há apenas energia, sem self nela, sem substância nela; E o que Buda diz é a mesma coisa: anatta não-eu."(...)

Quando você se compreende como puro espaço e muitos eventos acontecendo, você se torna desapegado. Então você se torna destemido, porque não há nada a perder, não há ninguém para perder nada. E você não mais estará repleto de ânsia de viver, porque você não se concebe como um self individual. Por isso não teme a morte e não tem uma ânsia de viver. Não pensa no passado e não projeta o futuro; Você simplesmente É - tão puro quanto o vasto céu lá fora; você também se torna um puro céu em seu interior. E o encontro desse dois céus, o interior e o exterior é o que Buda chama de Nirvana".
Osho em Destino, Liberdade e Alma

O Ego - Ramesh


Pergunta: O que é a escravidão?
Ramesh: A escravidão é – “eu” sou uma pessoa separada, com livre arbítrio e responsável por minhas ações, e portanto, “eu” devo fazer boas coisas.

O que é a escravidão, você me pergunta, o ego é a escravidão.Quem” fica feliz ou “quem” fica infeliz? O ego, o sentido de que se pode fazer. O corpo não pode ficar feliz ou triste. Portanto, aquele que fica feliz ou infeliz é o ego. E o que é a liberação? Liberação é a liberdade do senso alternado de alegria e tristeza. Liberação é a compreensão total e final no coração de que não há um fazedor, nem um experimentador.
Toda religião lhe pede para que se livre do ego, mas “aquele” para quem as religiões falam para se livrar do ego, é o ego. É falado para o ego se livrar do ego! Mas o ego não vai cometer suicídio.

Portanto, a questão realmente é: Quem criou o ego? Que temos que nos livrar do ego, de acordo. Mas quem criou o ego? Você não criou o ego. De onde poderia o ego ter vindo? De onde ele poderia ter vindo exceto da Fonte! Se você chama essa Fonte de Consciência ou Energia Primordial, de Deus ou de Ciência (awareness) não faz diferença, contanto que você entenda que é a Fonte – Uma sem uma segunda.

Portanto, o ego também veio da Fonte. É por isso que eu chamo o ego de Hipnose Divina. A hipnose é: “eu” considero a mim mesmo um ser separado com um sentido de que posso fazer.

Pergunta: Por que a Fonte criou o sentido de separação?
Porque sem a separação as relações inter-humanas não aconteceriam. É apenas por causa dessa separação que nós temos amizade e inimizade, amor e ódio. Tudo isso acontece apenas porque cada indivíduo considera a si mesmo um ser separado. E sem as relações inter-humanas a vida como a conhecemos não
aconteceria.
Lembre-se, a Fonte tendo criado o ego, ou a Hipnose Divina, está no processo de remover a hipnose em alguns poucos casos, não em todos os casos. Então o ego – o sentido de separação, a Hipnose Divina, o sentido de fazedor individual – basicamente foi destruído no caso de poucos organismos corpo-mente chamados de sábios.

Pergunta: O que permanece no caso do organismo corpo-mente chamado de sábio?
Ramesh: A programação permanece. É por isso que você pode ter dez sábios, e em cada caso o sentido de fazer pessoal foi demolido, mas eles tem vidas diferentes. Por que? Porque a programação é diferente. Em outras palavras, embora o ego tenha sido destruído, a Fonte continua a usar aqueles organismos corpo-mente dos sábios da mesma maneira que a Fonte usa os outros organismos corpo-mente – introduzindo um estímulo e trazendo uma resposta. Portanto, os organismos corpo-mente dos sábios continuam a funcionar exatamente como antes mas sem o sentido de autoria das ações e sem o sentido de separação.

Se o organismo corpo-mente do sábio tem a programação de ter o pavio curto, então aquele sábio antes da liberação costumava ficar bravo muito rápido. E depois da iluminação o sábio continua a ficar bravo muito rápido. A programação é para a braveza surgir. A única diferença é que antes o sábio costumava dizer, “eu não deveria ficar bravo com meus amigos. Meus amigos não gostam disso. Me disseram para não ficar bravo pois assim minha pressão arterial iria subir, então tenho que controlar minha braveza”. Tudo isso era o envolvimento do ego, que costumava aparecer antes do ego ser destruído. O que acontece depois do ego ser destruído? Quando a braveza surge o sábio não diz, “eu estou bravo, eu não deveria ficar bravo.” Ele não diz isso. A braveza que surgiu e o efeito dela são meramente testemunhados, incluindo-se as consequências. Por outro lado, se algo está acontecendo e a compaixão surge, anteriormente o
ego diria, “eu sou um homem compassivo e as pessoas deveriam me respeitar”. Mas depois que o ego é destruído não há tal pensamento. O sábio não pensa assim. Tudo o que ele vê é a compaixão surgindo e tomando o seu curso.

A compaixão do sábio pode tomar qualquer forma. Ao encontrar alguém machucado ele pode fazer um curativo nessa pessoa, ou ao ver alguém passando necessidade ele pode dar-lhe algum dinheiro. Então a compaixão surge e toma seu próprio curso, mas o sábio nunca está envolvido naquela ação como sendo uma ação sua. Essa é a única diferença de acordo com o meu conceito. O sentido de autoria das ações foi apagado para sempre. Ele apenas testemunha as coisas acontecendo não como as “minhas” ações ou as ações de alguma pessoa. Se a ação de algum outro organismo corpo-mente machuca o sábio, o machucado estará lá. Mas sabendo que ninguém faz coisa alguma, que a Consciência é tudo o que existe, o sábio não pode odiar ninguém. A quem ele irá odiar? Todas as ações são ações de Deus ou se você quiser colocar de uma maneira diferente, todas as ações são o funcionamento impessoal da Consciência. Então “quem” o sábio irá odiar?

A Consciência? Deus?
Com o ego tendo sido destruído o sábio não fica orgulhoso, o sábio não se sente culpado, não odeia nem inveja ninguém. Portanto, a ausência de culpa, orgulho, raiva, inveja, torna a vida pacífica. E é para esse fim que a busca toda tem sido – a paz no estado desperto que existe no estado de sono profundo. Meu conceito de toda a busca espiritual é: ter aquela paz que prevalece durante o sono profundo mesmo durante o estado desperto, durante nossa vida diária de trabalho. E esse tipo de paz prevalece em nossa vida diária se isto acontecer: se não houver ego para sentir culpa, orgulho, raiva ou inveja.
Cada evento, cada pensamento, cada sentimento que diz respeito a qualquer “indivíduo” é um movimento na consciência, trazido pela Consciência (Brahman).

Cada coisa ou objeto no universo manifesto é um produto da Consciência, tanto durante a ilusão, quando a manifestação parecia ser “real”, como depois da realização da verdade. Não somos nada além da Consciência e nunca fomos nenhuma outra coisa. Talvez seria mais fácil de “entender” a Verdade se fosse concebido que nunca houve nenhum “nós” em momento algum, e tudo o que existe – e tudo o que sempre existiu – é a Consciência. “Nós” pensamos sobre nós mesmos, consciente ou inconscientemente, como seres sencientes e, portanto, como separados da manifestação: nós somos o sujeito e o resto da manifestação é o objeto.

A realidade é que “nós” como fenômeno manifestado, somos na verdade nada além de uma parte do universo manifestado. O que nos faz pensar de nós mesmos como separados é o fato que o aparente universo torna-se conhecido a nós, como seres sencientes, através da senciência operando através das faculdades cognitivas. Essa “senciência”, como um aspecto da própria Consciência, é uma manifestação direta da “mente total”. E é por isso que não conseguimos nos livrar do profundo sentimento de que “eu” sou diferente da aparência manifesta. E assim de fato somos, mas a ilusão (Maya) consiste no fato de que em vez de considerarmo-nos coletivamente como a senciência que nos capacita reconhecer a manifestação (incluindo os seres sencientes) que apareceu na Consciência, consideramos a nós mesmos como entidades individuais separadas. E aí reside nosso sofrimento e prisão.

Tão logo haja a realização (o despertar para o fato) que nós não somos entidades separadas, mas sim a própria Consciência (com a senciência atuando como um meio para reconhecer a manifestação), a ilusão
de separação – a causa de nosso sofrimento e aprisionamento – desaparecerá.

Há então uma percepção clara de que não manifestos, somos Númenos (a realidade em sua essência), e enquanto manifestos, somos aparência – não mais separados do que substância e forma (o ouro e os ornamentos de ouro). A manifestação surge do não-manifesto e no devido tempo submerge de volta no não-manifesto.

Os seres humanos como indivíduos são realmente muito irrelevantes, exceto, é claro, como personagens ilusórios de uma peça num sonho que é conhecido como vida."
Ramesh Balsekar em Counsciousness Speaks

15 de abril de 2012

A Sabedoria de Sidharta - O Buda



"Aquele que experimentou a verdade, a iluminação, o nirvana é o mais feliz de todos os seres.

Acha-se livre de todos os complexos, obsessões, aflições, medos e tormentos.
Sua saúde mental é perfeita.
Não se arrepende do passado nem se preocupa com o futuro, mas vive completamente no presente.

Portanto, aprecia todas as coisas e desfruta delas no sentido mais puro, sem autoprojeções.

É feliz, desfruta de vida pura, suas faculdades estão satisfeitas,está livre da ansiedade, é sereno e pacífico.
Por estar livre de todos os desejos egoístas, do ódio, do ressentimento, do orgulho, assim como de outras máculas similares,é puro e não tem manchas que aviltam o seu viver, está repleto de amor universal, compaixão, bondade, simpatia, compreensão e tolerância.

Convive com seus semelhantes, com a maior de todas as atitudes – a pureza, pois não pensa só em si.
Não busca nenhuma satisfação, não acumula nada.
Ao contrário, distribui seus bens interiores;
os pensamentos que são sempre divinos são repartidos irmanamente com todos os seus semelhantes.

Está livre da ilusão de um “eu”, da sede que tudo gera e do vir-a-ser.
Seu viver é uma constante integral.
Completa união com a vida, com o que vive: seja do reino animal, vegetal ou mineral.

Há uma consonância, uma correspondência entre o que fala e o que vive.
Seus exemplos espelham um viver são e feliz que enriquecem interiormente aqueles que com ele aprendem.
Sua bandeira é a verdade e com ela ilumina o mundo e as pessoas sentem-se felizes com sua proximidade.

Seu ensinamento é o verdadeiro caminho que, ao trilhado, torna os homens mais próximos da integridade de tudo."
A Sabedoria de Sidarta - O Buda ( por ROCHA, Antonio C. A )

14 de abril de 2012

Realizando a Solitude...


"A gota pode cair no oceano exatamente agora. Não se iluda de que é preciso ir ao Himalaia para ficar sozinho, esta é uma fala da mente.

A Essência está sempre sozinha, não existem dois.

Não importa quantas pessoas estejam juntas, você está sempre sozinho.

Tranquilamente, você pode ir a uma discoteca e curtir a noite inteira tanto quanto pode curtir ficar na sua cama. O corpo tem sensações: o cheiro de cigarro, o barulho da música, o cansaço depois de duas horas de dança... mas tudo isso está ocorrendo apenas no corpo.

Esse é um desejo essencial: realizar a sua solitude.

Mais cedo ou mais tarde, você vai sentir a necessidade de realizar sua Essência porque é a Essência querendo realizar a si mesma, usando a confusão desse corpo e dessa mente para realizar a si mesma. É apenas um jogo, não leve a sério.

Estamos conversando apenas para que você veja aquilo que já é você, não estou lhe dando nada. A mente faz uma grande confusão no meio do caminho, porque existem destinos antigos. O convido a ver que você já tem o que precisa.

Não faça nada com isso, apenas compreenda que você já tem aquilo que você está buscando e veja as consequências geradas por essa visão.

Pare de se preocupar com bobagens, não tem nada para se preocupar.(...)
No mais, permanece simplesmente atento, vigilante, desperto.
Tudo o que você precisa você já tem.

Solitude, portanto, é perceber que você é aquilo onde tudo e todos acontecem.
Não há gota, tudo é oceano."

13 de abril de 2012

Sobre Meditação - Ramana - 2


Pergunta: A Meditação é praticada com os olhos abertos ou fechados?
Bhagavan Ramana Maharshi: Pode ser feita de ambos os jeitos. O ponto é que a mente deve estar introvertida e ser mantida ativa na sua busca.

Às vezes acontece que quando os olhos estão fechados, os pensamentos latentes se apressam com grande vigor. Pode ser difícil também introverter a mente com os olhos abertos. Requer força da mente para fazer isso. A mente fica contaminada quando ela absorve objetos.

Quando não, ela é pura. O principal fator na meditação é manter a mente ativa na sua busca sem absorver impressões externas ou pensar em outros assuntos.

Pergunta: Sempre que medito sinto um grande calor na cabeça e, se persisto, meu corpo todo queima. Qual é a solução?
Ramana: Se a concentração é feita com o cérebro, surgem sensações de aquecimento ou mesmo dor de cabeça. A concentração tem que ser feita no Coração, o qual é fresco e refrescante. Relaxe e a sua meditação será fácil. Mantenha sua mente estável gentilmente repelindo todos os pensamentos intrusos mas sem esforço excessivo. Em breve você conseguirá.

Pergunta: Como evito cair no sono enquanto medito?
Ramana: Se você tentar evitar o sono isso significará pensar na meditação, o que deve ser evitado. Mas se você adormecer enquanto estiver meditando, a meditação irá continuar mesmo durante e depois do sono. Ainda assim, sendo o sono um pensamento, devemos nos livrar
dele, pois o estado natural final tem de ser obtido conscientemente no estado desperto (jagrat) sem o pensamento perturbado. O sono e o estado desperto são meras imagens na tela do estado nativo livre de pensamentos. Deixe-os passarem desapercebidos.

Pergunta: Sobre o que devemos meditar?
Ramana: No que você preferir.
Pergunta: Shiva, Vishnu e Gayatri são ditos como sendo igualmente eficazes.
Ramana: Qualquer um que você gostar mais. São todos iguais em seu efeito. Mas você deveria se firmar a um.
Pergunta: E como eu medito?
Ramana: Concentre-se naquele que você gosta mais. Se um único pensamento prevalece, todos os outros pensamentos são colocados para fora e finalmente são erradicados. Enquanto a diversidade prevalece há maus pensamentos. Quando apenas o objeto de amor prevalece, os bons pensamentos mantém-se no campo. Portanto, segure-se a um pensamento apenas. Dhyana é a prática principal.
Dhyana significa luta. Assim que você começa a meditação, outros pensamentos se aglomeram. Junte força e tente aprofundar o único pensamento com o qual você tenta se manter. O pensamento bom gradualmente deve ganhar força através de repetida prática. Depois de
ter ficado forte os outros pensamentos vão ser mandados para longe. Essa é a batalha real que sempre acontece na meditação.
A pessoa quer livrar-se da miséria. Isso requer paz da mente, que significa ausência de perturbação devida a todos os tipos de pensamentos. A paz da mente é trazida pela meditação apenas.
O resultado final da prática de qualquer tipo de meditação é que o objeto no qual o buscador fixa sua mente deixa de existir enquanto separado e distinto do sujeito. Eles, o sujeito e o objeto, tornam-se o Ser uno, e esse é o Coração.

Pergunta: Por que Sri Bhagavan não nos diz para praticarmos concentração em algum centro particular ou chakra?
Ramana: O Yoga Sastra diz que o sahasrara (o chakra localizado no cérebro) é o lugar do Ser. O Purusha Suka declara que o coração é o lugar dele. Para permitir que o buscador se livre de qualquer dúvida possível, eu lhes digo para trilhar o caminho ou a pista do 'sentido de eu' (I'ness) ou o 'sentido de eu sou' (I'am-ness) e segui-lo até a sua fonte. Porque, primeiramente, é impossível para alguém levantar qualquer dúvida a respeito dessa noção de 'eu'. Em segundo lugar, qualquer que seja o meio adotado, o objetivo final é a realização da fonte do 'sentido de eu sou' o qual é o dado primário da sua experiência.
Se você praticar portanto a investigação de si, você alcançará o Coração que é o Ser.

Pergunta: Qual é a diferença entre meditação (dhyana) e investigação (vichara)?
Ramana: Ambos dão no mesmo. Aqueles que não se adequam à investigação devem praticar meditação. Na meditação o aspirante, esquecendo a si mesmo, medita 'eu sou Brahman' ou 'eu sou Shiva' e através desse método se mantém em Brahman ou Shiva. Isso irá terminar finalmente com a consciência residual de Brahman ou Shiva na forma do Ser (da própria existência). Ele irá então perceber que isso é o puro Ser, ou seja, o Si mesmo real.

Aquele que se engaja na investigação começa mantendo-se em si mesmo, e perguntando a si mesmo 'Quem sou eu?' o Ser (o Si mesmo real) torna-se claro para ele.
A pessoa imaginar mentalmente que ela é a realidade suprema, que brilha como existência-consciência-contentamento, é meditação. Fixar a mente no Ser para que a semente irreal da ilusão morra, é investigação.
Quem quer que medite sobre o Ser em qualquer imagem mental (bhava) atinge-o apenas naquela imagem. Aquelas pessoas pacíficas que permanecem quietas sem nenhuma imagem mental desse tipo atingem o nobre e inqualificável estado de Kaivalya, o estado sem forma do Ser.

Pergunta: A meditação é mais direta do que a investigação pois mantém-se na verdade enquanto que a investigação filtra a verdade da irrealidade?
Ramana: Para um iniciante a meditação em uma forma é mais fácil e agradável. A prática dela leva à investigação de si que consiste em peneirar a verdade da irrealidade.

Qual é a utilidade de segurar-se na verdade quando você está cheio de fatores antagônicos?
A investigação de si conduz diretamente à Realização ao remover os obstáculos que fazem você pensar que o Ser ainda não está realizado.

A meditação difere de acordo com o grau de desenvolvimento do buscador. Se a pessoa estiver apta, ela deve se manter no pensador, e o pensador irá automaticamente afundar-se na sua fonte, a pura consciência.
Se a pessoa não pode segurar-se diretamente no pensador ela deve meditar em Deus e no devido tempo esse mesmo indivíduo terá se tornado suficientemente puro para se manter no pensador e afundar-se no Ser absoluto.

A meditação é possível apenas se o Ego for mantido.
Existe o ego e o objeto sobre o qual se está meditando. O método é portanto indireto pois o Ser é apenas um.
Buscando o ego, ou seja, a fonte dele, o ego desaparece.
O que sobra é o Ser. Esse é o método direto."
Bhagavan Ramana Maharshi em Talks with Ramana Maharshi
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