29 de junho de 2015

Uma visão não-separada da Vida - Sambodh Naseeb


"O que o trabalho da auto-investigação nos revela, é que a separação entre objetividade e subjetividade, matéria e energia, externo e interno, em realidade,
não existe (ou, em outras palavras, só existe para a mente humana dual, que se limita a uma percepção limitada da realidade).

O mundo que você vê e experimenta é o mundo que você concebe na sua mente. Portanto, a separação entre Deus e o Homem, tão marcada pela história, tão cruelmente usada na idade média, foi por água abaixo. Imaginar um Deus separado é como conceber que a realidade do mundo externo está separada da sua interpretação dela e da consciência. E no mínimo, já é uma concepção totalmente anti-científica. Nós criamos Deus a nossa imagem e semelhança, e não o contrário. Pois alguns pensadores modernos se deram
conta disso. E negaram Deus.

Negando a noção de Deus, o mundo moderno ao mesmo tempo negou a própria subjetividade pura! Esqueceu da consciência! Esses pensadores que eliminaram Deus como uma crença humana, ao mesmo tempo extirparam a consciência, como consequência. Sim, Deus é um artifício infantil, que serviu durante um certo tempo na humanidade.

Mas com a inteligência humana, a concepção de Deus vem mudando...

Lembremos que Buda, por exemplo, um gênio espiritual, jamais falou de Deus. E ele viveu há 2600 anos. Ele falou da consciência e de como o sofrimento está
atrelado à ignorância de si.

Ramana Maharshi, um sábio iluminado que viveu no século passado na Índia, ao ser perguntado sobre a existência de Deus, respondeu: "É mais útil que você descubra se VOCÊ existe. Descubra quem é o Eu. Todo o resto advém disso".

É claro! Se você não descobrir antes "quem é você", irás projetar um Deus a partir de tua própria mente!
O estudo e aprofundamento da consciência (o observador em você, aquilo que observa o pensamento/sentimento/sensações, aquilo que é o sujeito-eu-puro em você) é a recuperação do sagrado de outra forma: ele não está mais externo, não está mais separado, não está mais distante! Está TOTALMENTE aqui-agora. Todas as formas de meditação e auto-investigação levam à compreensão da não dualidade da vida e da sua fantástica teia de relações.

O que é a consciência? Ora, se não há separação na realidade, o que é o outro, e o que é o mundo? O benefício ético revelado por esta busca é que a consciência que somos não se restringe apenas ao nosso corpo, mas se estende ao mundo e ao universo. E no seu grau maior, permeia tudo.

Você não vai cuidar do outro quando perceber claramente que isso influencia beneficamente e diretamente na sua vida, de forma clara e sem nenhuma dúvida?

Você não vai cuidar de você e da vida como um todo, quando compreende que o sofrimento advém de uma profunda ignorância que começa em nosso modo de ver e experienciar a realidade?

Este novo paradigma exige um aprofundamento, um carinho, uma vontade de descobrir a si mesmo, uma verdadeira intimidade consigo, uma vontade de saber o seu papel no universo. Vivo este aprofundamento na minha vida... E posso dizer que é realmente surpreendente os insights, a clareza, o entendimento, e a unificação que evoca esta nova visão não-separada da Vida. Como dizem os sábios: "Eu não vivo a vida. 
Eu SOU a Vida. Eu não estou na natureza. Eu SOU a natureza". Aqueles amigos que experimentaram o gosto e o perfume disso, sabem claramente o que estou dizendo.
Namastê!"

26 de junho de 2015

Dentro não há novidade alguma - Osho


"Osho, você poderia comentar sobre este poema de Rumi, que amo tanto:


'Lá fora, a noite fria e deserta.
Esta outra noite interior se faz tépida, em brasas.
Deixe a paisagem cobrir-se com uma crosta espinhosa.
Temos um jardim delicado aqui dentro.
Os continentes foram arrasados, cidades e aldeias, tudo se torna numa bola calcinada e escurecida;
As novidades que ouvimos estão cheias de pesar por este futuro.
Mas a verdadeira novidade aqui dentro é que não há novidade alguma.'


Osho - O poema de Mevlana Rumi é lindo. Como sempre, ele só diz palavras lindas.
Ele é um dos poetas místicos mais importantes. Essa é uma combinação rara; há milhões de poetas no mundo e há pouquíssimos místicos, mas um homem que seja ambos, é raramente encontrado.

Rumi é uma flor muito rara. É igualmente grande como poeta e como místico. Por isso, sua poesia não é apenas poesia, não é apenas um lindo arranjo de palavras. Sua poesia contem imenso significado, e aponta para a suprema verdade.

Ele não é entretenimento, mas iluminação.

Ele está dizendo: "Lá fora, a noite fria e deserta.
Esta outra noite interior se faz tépida, em brasas."
O exterior não é o verdadeiro espaço para você estar. Fora, você é um estrangeiro; dentro você está em casa. Fora, é uma noite fria e deserta. Dentro, é tépido e aconchegante.  

Mas são muito poucos os afortunados que se movem do exterior para o interior. Eles esqueceram completamente que têm um lar dentro de si mesmos, eles o estão procurando, mas estão procurando no lugar errado. Procuram durante toda sua vida, mas sempre fora. Nunca param por um momento e olham para dentro.

"Deixe a paisagem cobrir-se com uma crosta espinhosa.
Temos um jardim delicado aqui dentro." Não fique preocupado como que acontece do lado de fora. Dentro há sempre um jardim pronto para acolhê-lo.

"Os continentes foram arrasados, cidades e aldeias, tudo se torna numa bola calcinada e escurecida;
As novidades que ouvimos estão cheias de pesar por este futuro.
Mas a verdadeira novidade aqui dentro é que não há novidade alguma."

Essa última sentença vem de um antigo ditado que diz: A ausência de notícia é sinal de que tudo está bem. Nasci numa pequena aldeia onde o carteiro só vinha uma vez por semana. E as pessoas tinham medo de que ele lhes trouxesse uma carta; ficavam contentes quando não havia carta alguma. E de vez em quando havia um telegrama para alguém. E simplesmente o boato de que alguém recebeu um telegrama era um choque tão grande para a aldeia, que todos se reuniam... e apenas um homem sabia ler. Todos  tinham medo: um telegrama? Isso significa uma má notícia. Senão, por que a pessoa deveria desperdiçar dinheiro com telegrama?

Aprendi desde minha infância, que a ausência de notícia é sinal de que tudo está bem. As pessoas ficavam felizes quando não recebiam notícia de seus parentes, de seus amigos ou de qualquer um. Isso significava que tudo ia bem.

Rumi está dizendo: As novidades que ouvimos estão cheias de pesar por este futuro. Mas, a verdadeira novidade aqui dentro é que não há novidade alguma. Tudo está silencioso e tudo está indo, tranquilo, exatamente como sempre esteve. Não há mudança alguma, portanto, não há novidade.

Dentro é um eterno êxtase, sempre.

Vou repetir mais uma vez para que essas linhas possam se tornar uma realidade em sua vida. Antes que isso aconteça, você deve atingir dentro de si esse lugar, onde nenhuma novidade jamais aconteceu, onde tudo é eternamente o mesmo, onde a primavera nunca vem e vai, mas sempre permanece onde as flores estiveram desde o começo ...se já houve algum começo... e haverão de estar até o fim... se houver algum fim. Na verdade, não há começo e não há fim, e o jardim é exuberante, verte e repleto de flores.

Antes que o mundo exterior seja destruído pelos políticos, penetre em seu mundo interior. Essa é a única segurança que resta, o único abrigo contra as armas nucleares, contra o suicídio global, contra todos os idiotas que têm tanto poder de destruição.

Você pode pelo menos, salvar a si mesmo.

Eu tinha esperança, mas à medida que os dias foram passando, fui conhecendo cada vez mais a estupidez do homem.. ainda tenho esperança, mas somente por um velho hábito; na realidade meu coração aceitou o fato de que apenas algumas pessoas podem ser salvas. A totalidade da humanidade está determinada a se autodestruir, e essas pessoas... se você lhes diz como podem ser salvas, elas irão crucificá-lo, irão apedrejá-lo até a morte.

Percorrendo o mundo, ainda estou rindo, mas há uma tristeza sutil nisso. Ainda danço com vocês, mas já não é com o mesmo entusiasmo de dez anos atrás.

Parece que os poderes superiores da consciência são impotentes contra os poderes mais baixos e feios dos políticos. O mais elevado é sempre frágil, como uma rosa; você pode destruí-la com uma pedra. Isso não significa que a pedra se torne mais elevada que a rosa, mas simplesmente que a pedra está inconsciente do que está fazendo.

As multidões estão inconscientes do que estão fazendo, e os políticos fazem parte da multidão. São seus representantes, e quando pessoas cegas estão conduzindo outras pessoas cegas, é quase impossível acordá-las, porque a questão não é apenas o sono... elas são cegas também.

Há tempo suficiente para despertá-las, mas não há tempo suficiente para curar seus olhos. Assim, agora me limitei completamente ao meu povo. Esse é meu mundo, porque sei que aqueles que estão comigo podem estar adormecidos, mas não são cegos. Eles podem ser acordados."
Osho em Sacerdotes e Políticos, a máfia da alma.

21 de junho de 2015

O Buda rebelde - Dzongchen Ponlop - 3/3


"O mito do eu

Imagine que olhamos para a nossa mão, certo dia, e reparamos que ela está fechada, formando um punho. Está segurando algo tão vital que não conseguimos largar. O punho está tão fechado que a mão chega a doer. A dor na mão viaja até o braço e a tensão se espalha pelo corpo. E isso segue por anos a fio. 


Às vezes, tentamos tomar uma aspirina, assistir à televisão ou saltar de paraquedas. A vida segue, um dia esquecemos o que era tão importante e,
então, a mão se abre: não há nada ali. Imagine a surpresa.

O Buda ensinou que a causa raiz de nosso sofrimento — a ignorância — é o que dá surgimento a essa tendência de agarrar. A questão que deveríamos nos colocar é: “A que estou me agarrando?” Deveríamos olhar bem fundo esse
processo, para ver se realmente há algo ali. 

De acordo com Buda, estamos nos agarrando a um mito. É só um pensamento que repete “eu” tantas vezes que cria um eu ilusório, tal como um holograma que tomamos por sólido e real. 
A cada pensamento, a cada emoção, esse “eu” aparece como o pensador e também como aquele que vivencia, e ainda assim é apenas outra fabricação da mente. É um hábito muito antigo, tão arraigado que esse próprio agarrar se torna também ele próprio parte da nossa identidade. Se não estivéssemos nos agarrando a esse pensamento de eu, poderíamos sentir que algo muito familiar — como um amigo próximo — está faltando e, assim, uma dor crônica repentinamente desapareceria.

Como se segurássemos um objeto imaginário, nosso agarramento ao eu não nos ajuda muito. Ele apenas nos dá dores de cabeça e úlceras, e logo desenvolvemos muitos outros tipos de sofrimento com base nele. Esse “eu” passa a defender a todo custo os próprios interesses, porque imediatamente percebe um “outro”. E, no instante em que temos o pensamento de “eu” e “outro”, o drama de “nós” e “eles” se desenvolve. 

Tudo acontece em um piscar de olhos: agarramos o lado do “eu” e decidimos se o “outro” está a nosso favor, contra nós ou se não faz diferença.
Enfim, estabelecemos as nossas intenções: com relação a um objeto, sentimos desejo e o queremos atrair; com relação a outro, sentimos medo e hostilidade e o queremos repelir; e com relação a mais um outro objeto, somos indiferentes ou apenas o ignoramos. Dessa forma, o nascimento das nossas emoções e dos nossos julgamentos neuróticos é resultado de nosso agarramento ao “eu” e ao
“meu”. 

No fim, não estamos livres nem mesmo frente aos nossos próprios julgamentos. Admiramos algumas de nossas qualidades e logo nos inflamos todos, desdenhamos outras qualidades e logo criticamos a nós mesmos, e assim ignoramos boa parte da dor que realmente sentimos, totalmente engajados nessa luta interna para sermos felizes com quem somos.
Por que persistimos nisso, quando nos sentiríamos tão melhor e mais relaxados se simplesmente soltássemos? A verdadeira natureza da nossa mente está sempre presente, mas, por não enxergá-la, acabamos nos apegando ao que
conseguimos ver e tentando fazer dela algo que não é.

Complicações desse tipo parecem ser o único jeito que o ego tem para se manter, isto é, criando um labirinto ou uma sala de espelhos para nos confundir. Nossa mente neurótica se torna tão revolta e enredada que fica
difícil para nós rastrearmos o que ela está fazendo.

Investimos nesse grande esforço apenas para nos convencer de que encontramos algo sólido dentro da natureza insubstancial de nossa mente: uma entidade separada e permanente — algo que podemos chamar de “eu”. Ainda
assim, ao fazer isso, estamos indo na contramão da verdadeira natureza das coisas, da realidade. Estamos tentando congelar a experiência, criar algo sólido,
tangível e estável com algo que não tem essa natureza. É como pedir ao espaço que ele se torne terra ou para a água que se torne fogo. Pensamos que abandonar esse pensamento de um “eu” é uma loucura, pensamos que a nossa
vida depende desse pensamento. 
Mas, na verdade, a nossa liberdade depende de nós o abandonarmos."
Dzongchen Ponlop em O Buda rebelde

20 de junho de 2015

O Buda rebelde - Dzongchen Ponlop - 2/3


"Quando Buda ensinou sobre essa natureza impermanente e composta (ou agrupada) da mente relativa, ele o fez com o objetivo de apresentar a seus discípulos a natureza última da mente: a consciência imutável, pura e não
fabricada. 


Aqui, o budismo se separa radicalmente de conceitos teológicos, como pecado original, que veem a humanidade como espiritualmente maculada por alguma violação herdada da lei divina. 

A visão budista afirma que a natureza de todos os seres é primordialmente pura e plena de qualidades positivas. Quando acordamos o suficiente ao ponto de ver além de nossa confusão, percebemos que mesmo os nossos pensamentos e emoções problemáticos são, no fundo, parte dessa consciência pura.

Reconhecer isso nos leva naturalmente a uma experiência de relaxamento, alegria e humor. Já que tudo o que vivenciamos no nível relativo é ilusório, não precisamos levar nada tão a sério. Do ponto de vista do estado último, é como um sonho lúcido, a vívida brincadeira da própria mente. Quando estamos despertos em meio a um sonho, não levamos nada do que ocorre no sonho muito a sério. É como dar uma volta nas atrações do Disney World.


Um brinquedo nos leva até o céu noturno, onde nos vemos rodeados de estrelas, com as luzes de uma cidade lá embaixo. É muito bonito e nos cativa demais, mas nunca tomamos como sendo real. E, quando entramos na casa
assombrada, fantasmas, esqueletos e monstros podem nos surpreender por um instante ou um por um pouco mais de tempo, mas eles também são engraçados, porque sabemos que nada disso é de verdade.


Da mesma forma, quando descobrimos a verdadeira natureza da nossa mente, somos liberados de uma ansiedade fundamental, uma sensação básica de medo e preocupação sobre aparências e experiências da vida. A verdadeira natureza da mente diz: “Por que se estressar? Relaxe e se sinta bem consigo mesmo.” A escolha é nossa, a não ser que tenhamos uma tendência extraordinariamente forte de lutar o tempo todo. Desse modo, até mesmo o Disney World se torna um local horrível. E isso também é escolha nossa. Nosso mundo moderno é cheio de opções: onde quer que estejamos, podemos escolher uma forma ou outra.

Muitas pessoas perguntam como é esse tipo de consciência.

Seria a experiência dessa natureza verdadeira semelhante à de se tornar um vegetal, entrar em coma ou sofrer de Alzheimer? Não. De fato, não é nada disso. Nossa mente relativa passa a funcionar melhor. Quando damos uma folga
para o nosso hábito constante de rotular, o mundo se torna límpido. Ficamos livres para ver com clareza; pensar com clareza e sentir a qualidade viva e desperta de nossas emoções. A abertura, a amplidão e o frescor da experiência fazem com que este seja um local muito bonito de se viver. Imagine-se no pico de uma montanha olhando para o mundo em todas as direções, sem obstruções. 

É a isso que chamamos de experiência da natureza da mente."
[continua...]
O Buda rebelde por Dzongchen Ponlop

19 de junho de 2015

O Buda rebelde - Dzongchen Ponlop - 1/3


"Quando ouvimos a palavra “buda”, o que nos vem à mente?

Uma estátua dourada? Um príncipe jovem sentado sob uma árvore suntuosa? Ou quem sabe Keanu Reeves, no filme O pequeno buda

Monges de cabelo raspado em suas vestes monásticas? Podemos fazer muitas associações ou nenhuma.
A maioria de nós está bem longe de qualquer conexão condizente com a realidade.

A palavra “buda”, no entanto, significa simplesmente “desperto” ou “acordado”. Não se refere a uma figura histórica particular, ou a uma filosofia ou religião.
Refere-se à própria mente. Sabemos que temos uma mente, mas como ela é? É desperta. E com isso não quero dizer apenas que ela “não está dormindo”. Quero dizer que a mente é realmente desperta, além de nossa imaginação.

Nossa mente é brilhantemente lúcida, aberta, espaçosa e cheia de qualidades excelentes: amor incondicional, compaixão e sabedoria, que nos fazem perceber as coisas como elas realmente são. Em outras palavras, nossa mente desperta é sempre uma boa mente, nunca está turva ou confusa. Nunca é atribulada por dúvidas, medos e emoções que muitas vezes nos torturam. Pelo contrário, nossa verdadeira mente é alegre, livre de todo sofrimento. É isso que realmente somos. Essa é a verdadeira natureza de nossa mente e da mente de todos os outros. Mas nossa mente não fica apenas parada sendo perfeita, sem fazer
nada. Ela está brincando o tempo todo, criando os nossos mundos.

Se isso é verdade, então por que a nossa vida e todo o mundo não são perfeitos? Por que não somos felizes o tempo todo? Por que em um momento estamos rindo e em outro estamos desesperados? E por que pessoas supostamente “despertas” discutiriam, brigariam, mentiriam, enganariam, roubariam e fariam guerras? O motivo é que, embora o estado desperto seja a verdadeira natureza da mente, a maioria de nós não o reconhece. Por quê? Algo se interpõe. Algo bloqueia a nossa percepção.

Claro, percebemos partes do estado desperto aqui e ali, mas, no momento em que o reconhecemos, repentinamente surgem outras coisas em nossa mente — Que horas são? Está na hora do almoço? Ah, veja, uma borboleta! — e, assim,
nosso discernimento se dissipa.

Ironicamente, o que bloqueia a nossa visão da verdadeira natureza da mente — nossa mente de buda — é a própria mente, a parte dela que está sempre ocupada, que está constantemente envolvida em um fluxo contínuo de pensamentos, emoções e conceitos. Essa mente ocupada é o que acreditamos que somos. Ela é mais fácil de enxergar, como o rosto de uma pessoa sentada bem à nossa frente.

Por exemplo, o pensamento que você está tendo agora pode ser óbvio para você, ainda que não o seja para a sua consciência. Quando você sente raiva, presta mais atenção ao que o irrita do que à própria fonte de sua irritação.

Em outras palavras, você percebe o que a sua mente está fazendo, mas não vê a própria mente. Identificamo-nos com os conteúdos dessa mente ocupada — pensamentos, emoções e ideias — e acabamos pensando que todas essas coisas são nosso “eu” e que “somos assim”.

Quando fazemos isso, é como dormir e sonhar acreditando que as imagens no sonho são verdadeiras. Se, por exemplo, sonhamos que estamos sendo perseguidos por um desconhecido, isso nos é muito assustador e real. Porém,
no momento em que acordamos, tanto o desconhecido quanto os nossos sentimentos de medo simplesmente desaparecem e sentimos um grande alívio. Além disso, se já soubéssemos que estávamos apenas dormindo em nossa cama, não teríamos sentido medo algum.

Da mesma forma, em nossa mente comum, somos sonhadores que acreditam que os seus sonhos são reais. Acreditamos que estamos acordados, mas não estamos. Pensamos que essa mente ocupada com pensamentos e emoções é quem realmente somos. Mas, quando acordamos, os enganos sobre quem somos — e o sofrimento que essa confusão cria — desaparecem totalmente."

[continua...]

Dzongchen Ponlop em O Buda rebelde

12 de junho de 2015

Coração - Jeff Foster


"Não tente abrir o seu coração agora. Isso seria um movimento sutil de agressividade para com a sua experiência imediata.
Nunca diga a um coração fechado que deve ser mais aberto; ele vai se fechar com mais força para proteger-se, sentindo sua resistência.

Um coração se abre apenas quando as condições forem adequadas; sua demanda para abertura leva a um fechamento ainda maior. Esta é a inteligência suprema do coração.

Em vez disso, curve-se ao coração em seu estado atual. Se ele está fechado, que seja fechado; santifique este fechamento.

Faça-o se sentir seguro; seguro, mesmo para se sentir inseguro.
Confie que quando o coração estiver pronto, e não um momento antes, ele vai se abrir, como uma flor no calor do sol. Não há pressa para o coração.
Confie na abertura e no fechamento também; a expansão e a contração; esta é a maneira do coração respirar; seguro, inseguro, seguro, inseguro; a bela fragilidade do ser humano; e todos que vivenciam o amor mais perfeito. (...)

Conheça o outro no vasto campo do amor, num campo sem histórias, sem as pressões do passado, em que o outro é abraçado exatamente como ele é, na sua dor, na sua raiva, em sua frustração, em toda a sua perfeita imperfeição; em que vocês já não buscam ser completos através do outro, porque a completude é o próprio campo, e tudo o que o contém, e o outro não pode destruir o campo hoje, ou qualquer outro dia. Pois o campo é o próprio amor, é uma meditação sem fim, e no amor não há 'outros' , só o seu próprio reflexo, brilhantemente disfarçado.

Neste campo incondicional centrado em seu coração transbordante, você pode conhecer um ao outro, aqui e agora, na doença, na saúde, na beleza, na transitoriedade.

E curva-se diante do outro."

10 de junho de 2015

Este momento é perfeito? - Jeff Foster


"E se você estiver exatamente onde você precisa estar agora, tendo exatamente a experiência que você precisa ter para o seu despertar?
E se você estiver enfrentando os desafios exatos que você precisa enfrentar, sentindo a dor exata, confusão ou incerteza que você precisa sentir? E se suas perguntas estão perfeitamente posicionadas, seus medos totalmente apropriados para este momento? E se até mesmo o seu tédio é coreografado com perfeição?

Sim, amanhã pode ser diferente.
Sim, você pode estar em outro lugar no futuro.
Sim, a mudança pode acontecer no tempo, e isso não é uma receita para a passividade.
Mas agora, você pode sentir a justeza deste momento?
A perfeição no lugar aparentemente imperfeito que você se encontra agora?

Você pode ver a inteligência na forma como as circunstâncias surgem para perfeitamente pressionar seus botões, para fazê-lo reagir e sofrer de tal maneira que você foi forçado a olhar para o que é real?

Você pode ver como até mesmo a sua dúvida, descrença, desilusão, mesmo a resistência que você sente, podem ser de fato a experiência perfeita para você agora?

Que não é um erro o fato de você está lendo estas palavras, e concordando ou discordando com elas, gostando delas ou rejeitando-as?

É possível que a vida nunca possa dar errado, que até mesmo a aparência de 'vida vai mal' é totalmente vida...e que mesmo em nossa aparente fragilidade, nunca são menos do que o todo?
É este o momento perfeito?
Jeff Foster

7 de junho de 2015

O precioso dom da aceitação - Osho


"Um das lições mais difíceis que precisamos aprender durante nossa vida é a aceitação.
O que quer que estejamos vivendo, por mais doloroso que seja, será mais facilmente suportado se conseguirmos aceitá-lo com todo o nosso coração.

Mas, chegar a este estágio, não é algo que aconteça repentinamente, ou sem alguma resistência de nossa parte. Ao contrário, quando um acontecimento nos
causa grande sofrimento, tendemos a rejeitá-lo com todas as forças e a sermos invadidos pelos sentimentos de inconformismo e revolta.

Somente quando conseguimos alcançar um estado de consciência no qual percebemos de modo claro que todas as situações que vivenciamos são providenciadas pela existência, porque constituem lições essenciais ao nosso crescimento interior, é que o processo da aceitação começa a se tornar natural.

Até que isto aconteça, experimentamos inúmeras crises que, em sua maioria, tornam ainda mais duras as provas que temos de enfrentar.

A maturidade e a sabedoria trazem consigo o precioso dom da aceitação.

A partir do momento em que as desenvolvemos, a vida se torna um caminhar mais tranqüilo, onde vamos enxergando em cada fato uma lição a ser aprendida.

Quanto mais cedo chegarmos a este entendimento, maiores serão as chances de nos libertarmos da angustia e do inconformismo.
Qualquer situação em que você esteja, é uma situação dada por Deus - não a rejeite.. É uma oportunidade, uma ocasião para crescer. Se você escapa da
oportunidade, você não crescerá."
Osho em O Livro dos Segredos IV
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