29 de junho de 2015

Uma visão não-separada da Vida - Sambodh Naseeb


"O que o trabalho da auto-investigação nos revela, é que a separação entre objetividade e subjetividade, matéria e energia, externo e interno, em realidade,
não existe (ou, em outras palavras, só existe para a mente humana dual, que se limita a uma percepção limitada da realidade).

O mundo que você vê e experimenta é o mundo que você concebe na sua mente. Portanto, a separação entre Deus e o Homem, tão marcada pela história, tão cruelmente usada na idade média, foi por água abaixo. Imaginar um Deus separado é como conceber que a realidade do mundo externo está separada da sua interpretação dela e da consciência. E no mínimo, já é uma concepção totalmente anti-científica. Nós criamos Deus a nossa imagem e semelhança, e não o contrário. Pois alguns pensadores modernos se deram
conta disso. E negaram Deus.

Negando a noção de Deus, o mundo moderno ao mesmo tempo negou a própria subjetividade pura! Esqueceu da consciência! Esses pensadores que eliminaram Deus como uma crença humana, ao mesmo tempo extirparam a consciência, como consequência. Sim, Deus é um artifício infantil, que serviu durante um certo tempo na humanidade.

Mas com a inteligência humana, a concepção de Deus vem mudando...

Lembremos que Buda, por exemplo, um gênio espiritual, jamais falou de Deus. E ele viveu há 2600 anos. Ele falou da consciência e de como o sofrimento está
atrelado à ignorância de si.

Ramana Maharshi, um sábio iluminado que viveu no século passado na Índia, ao ser perguntado sobre a existência de Deus, respondeu: "É mais útil que você descubra se VOCÊ existe. Descubra quem é o Eu. Todo o resto advém disso".

É claro! Se você não descobrir antes "quem é você", irás projetar um Deus a partir de tua própria mente!
O estudo e aprofundamento da consciência (o observador em você, aquilo que observa o pensamento/sentimento/sensações, aquilo que é o sujeito-eu-puro em você) é a recuperação do sagrado de outra forma: ele não está mais externo, não está mais separado, não está mais distante! Está TOTALMENTE aqui-agora. Todas as formas de meditação e auto-investigação levam à compreensão da não dualidade da vida e da sua fantástica teia de relações.

O que é a consciência? Ora, se não há separação na realidade, o que é o outro, e o que é o mundo? O benefício ético revelado por esta busca é que a consciência que somos não se restringe apenas ao nosso corpo, mas se estende ao mundo e ao universo. E no seu grau maior, permeia tudo.

Você não vai cuidar do outro quando perceber claramente que isso influencia beneficamente e diretamente na sua vida, de forma clara e sem nenhuma dúvida?

Você não vai cuidar de você e da vida como um todo, quando compreende que o sofrimento advém de uma profunda ignorância que começa em nosso modo de ver e experienciar a realidade?

Este novo paradigma exige um aprofundamento, um carinho, uma vontade de descobrir a si mesmo, uma verdadeira intimidade consigo, uma vontade de saber o seu papel no universo. Vivo este aprofundamento na minha vida... E posso dizer que é realmente surpreendente os insights, a clareza, o entendimento, e a unificação que evoca esta nova visão não-separada da Vida. Como dizem os sábios: "Eu não vivo a vida. 
Eu SOU a Vida. Eu não estou na natureza. Eu SOU a natureza". Aqueles amigos que experimentaram o gosto e o perfume disso, sabem claramente o que estou dizendo.
Namastê!"

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