21 de março de 2013

A Iluminação do Osho


"Para Osho não havia escapatória, não havia atalhos. Ele sabia muito bem que estava diante de um momento muito crucial em sua vida e que poderia pirar, por uma falta de atenção, ou se perdesse a paciência, ou se lhe faltasse a coragem. De novo, foi a ausência de um mestre que criou esta situação tão crítica. 

A sua busca foi longa e árdua, mas ele não conseguiu encontrar nenhum. ‘É muito raro encontrar um mestre’, ele confidenciou.“‘É raro encontrar um ser que tenha se tornado um não-ser, raro encontrar uma presença que é quase uma ausência, raro encontrar um homem que é simplesmente uma porta para o divino, uma porta aberta para o divino que não irá impedi-lo, através da qual você poderá passar. 

É muito difícil… Sim, algumas vezes acontece que a pessoa tem que trabalhar sem um mestre. Se o mestre não está disponível, então a pessoa tem que trabalhar sozinha, mas neste caso a jornada é muito perigosa.”

Esta situação tremendamente intensa e desafiadora durou todo um ano. Ela colocou Osho no mais difícil estado da mente. Ele fez uma descrição do que aconteceu com ele durante esse período.

“Por um ano foi quase impossível saber o que estava acontecendo… Manter-me vivo simplesmente já era uma coisa difícil, porque todo o meu apetite desapareceu. Os dias passavam e não sentia fome alguma e não sentia sede. Eu tinha que me forçar a comer e a beber. O corpo era tão não-existencial que eu tinha que me machucar para sentir que ainda estava no corpo, eu tinha que bater em minha cabeça para sentir se ela ainda estava ali ou não. Só quando doía eu me sentia um pouco no corpo. Toda manhã e toda tarde eu corria de oito a doze quilômetros. As pessoas achavam que eu tinha enlouquecido. Por que eu estaria correndo tanto? Vinte e quatro quilômetros num dia! Era apenas para eu me sentir, para não perder o contato comigo mesmo... 
Eu não conseguia falar com ninguém porque tudo havia se tornado tão inconsistente que até mesmo formular uma frase era difícil. No meio da frase eu me esquecia do que estava dizendo, no meio de um caminho eu me esquecia para onde eu estava indo. Daí, eu tinha que voltar...

Eu tive que permanecer fechado em meu
quarto. Eu decidi não falar, não dizer coisa alguma, porque se dissesse algo, era o mesmo que dizer que eu estava louco. Por um ano isso persistiu. Eu simplesmente me deitava no chão, olhava para o teto e contava de um até cem e depois de cem até um. Manter a capacidade de contar era pelo menos alguma coisa. Repetidas vezes eu me esquecia. Levou um ano para que eu recuperasse o foco novamente, para que voltasse a ter uma perspectiva.

Não havia ninguém para me dar um
suporte, ninguém a me dizer para onde eu estava indo e o que estava acontecendo. Na verdade, todo mundo era contra… meus professores, meus amigos, os que me queriam bem.”
Durante esses tempos difíceis, Kranti cuidou muito do Osho e tomou conta de todas as suas necessidades com amor e dedicação. Kranti era sua prima. 

Muitas vezes Osho reclamava de acentuadas dores de cabeça, o que trazia grandes preocupações para ela. Ela e seu irmão Arvind quiseram muito fazer algo para encontrar uma cura para as sofridas dores de cabeça do Osho. 
Mas ele lhes dizia amorosamente para não se preocuparem, pois nada poderia ser feito a respeito daquelas dores.(...) Mas as dores de cabeça daqueles anos de faculdade não pareciam estar relacionadas com esse seu hábito 
de leitura. Ao invés disso, elas eram devido ao estado psicológico pelo qual Osho estava passando.(...)

Eles o
levaram de um médico a outro. Só Osho sabia que esse esforço desesperado não tinha sentido. Ele insistia que não havia necessidade de ser 
examinado por um médico, porque nenhuma medicação iria lhe fazer bem. Osho descreve uma notável visita a um médico:“Eu fui levado também a um vaidya, um médico. Na verdade eu tinha sido levado a muitos médicos, mas apenas um vaidya Ayurvédico disse ao meu pai: ‘ele não está doente. Não desperdice o seu tempo’. (...) Apenas um vaidya era um homem de insight. Seu nome era Pundit Bhagirath Prasad… Aquele velho médico já se foi, mas ele era um raro homem de insight. Ele olhou para mim e disse, ‘Ele não está doente. E começou a chorar e a dizer, ‘Eu tenho buscado por este estado em toda a minha vida. Ele é afortunado. Nesta vida eu perdi essa oportunidade. Não o leve a mais ninguém. Ele está chegando em casa’. E ele chorou lágrimas de felicidade.

Osho nos dias que antecederam a iluminação
Ele tornou-se o meu protetor contra os médicos. Ele disse ao meu pai, ‘Deixe ele comigo. Eu cuidarei dele.’ Ele nunca me deu qualquer medicação. Quando meu pai insistia, ele me dava pílulas de açúcar e dizia. ‘Estas pílulas são de açúcar. São apenas para consolá-los. Você pode tomá-las. Elas não lhe farão nenhum mal, mas também nenhuma ajuda. Na verdade, não existe ajuda possível.”
A leitura física das condições do Osho estava correta, porque seu mal não era comum, ele não era um paciente ordinário. Osho conhecia suas condições e suas causas melhor do que qualquer médico experiente.“Agora, aquilo estava além de mim, já estava acontecendo. Eu tinha feito alguma coisa. 
Sem saber, eu tinha batido na porta. Agora a porta estava aberta. Eu havia meditado por muitos anos, simplesmente me sentando silenciosamente e nada fazendo. Pouco a pouco eu comecei a entrar naquele espaço, aquele espaço do coração, onde você está, sem fazer coisa alguma; você simplesmente está ali, uma presença, um observador.”

A intensidade das meditações de Osho continuou a se aprofundar. Suas experiências estavam levando-o a uma grande explosão. De todas as meditações que ele costumava fazer, uma era particularmente poderosa, a que ele costumava fazer no topo de uma árvore. (...)
“Eu costumava sentar-me numa árvore e meditar à noite. Muitas vezes eu sentia que quando eu meditava sentado no chão, o meu corpo ficava com muito poder e eu tinha que ficar com as mãos para cima, talvez porque o corpo é feito com a matéria terra. O que se fala a respeito de iogues indo para os topos das montanhas ou para as alturas do Himalaia, certamente não é em vão, mas definitivamente baseado em princípios científicos. Quanto maior a distância entre o corpo e a terra, menor fica a força ou pressão 
física do corpo... E o poder da força interior aumenta. É por isto que eu costuma subir em árvores altas e me absorvia em meditação por horas, toda noite.

Uma noite, eu estava tão entregue à
meditação que eu não sabia que meu corpo havia caído da árvore. Eu olhei com desconfiança quando vi meu corpo deitado no chão. Eu estava surpreso com o acontecido. Eu não conseguia 
entender como aquilo aconteceu, pois eu estava sentado na árvore e meu corpo estava deitado no chão. Era uma experiência muito embaraçosa. Uma 
linha luminosa, uma corda brilhante prateada partia do umbigo do meu corpo e unia a mim no alto, onde eu estava empoleirado na árvore. Aquilo estava além da minha capacidade de entender, ou prever o que iria acontecer depois, 
e eu me preocupei a respeito de como eu iria retornar ao corpo. Por quanto tempo aquele transe durou, eu não sei, mas aquela era uma experiência única que eu nunca tinha tido antes.

Naquele dia, pela primeira vez, eu vi
o meu corpo de fora e, desde então, a mera existência física do meu corpo findou para sempre. Desde aquele dia, também a morte deixou de existir, porque eu experienciei então que o corpo e o espírito são duas coisas diferentes, separados um do outro. Aquele foi o momento mais importante: a minha percepção do espírito que está no interior de todo corpo humano.

É realmente muito difícil dizer quanto
tempo durou aquela experiência. Quando a manhã chegou, duas mulheres de algum povoado da vizinhança passaram por ali carregando leite e viram o meu corpo. Do topo da árvore, onde eu estava sentado, eu as vi olhando para o meu corpo. Elas aproximaram-se e sentaram-se ao lado. Elas tocaram minha testa com as mãos e no mesmo instante, como se por transparente força de atração, eu retornei para meu corpo e os olhos se abriram.

Osho após a iluminação
Eu percebi que uma mulher consegue criar uma carga de eletricidade no corpo de um homem e da mesma maneira um homem ao tocar no corpo de uma mulher. Então eu ponderei sobre a coincidência do toque da mulher em minha testa e meu imediato retorno ao meu corpo. Como e por que tudo aquilo aconteceu? Muitas outras experiências deste tipo ocorreram comigo e eu 
compreendi porque na Índia aqueles espiritualistas que conseguem experimentos de samadhi (um estado ininterupto de pura consciência) têm mulheres a colaborar com eles. Se em profundo samadhi, o ser espiritual, tejas sharira, sai do corpo físico do homem, ele não consegue retornar ao corpo sem a cooperação e assistência de uma mulher. Tão logo o corpo de 
um homem ou mulher entra em contato, uma corrente é estabelecida e um círculo elétrico se completa. E naquele exato momento, a consciência do espírito que havia saído, retorna.

Depois disso eu experienciei este
fenômeno seis vezes num período de seis meses. Durante aqueles seis meses cheios de eventos, eu senti que a duração da minha vida reduziu-se em dez anos, ou seja, se eu fosse viver setenta anos, agora, com aquelas experiências, eu iria viver apenas sessenta 
anos.(...) Então eu pensei e percebi que toda conexão ou ligação que havia entre este corpo físico e o ser espiritual estava interrompida e o ajuste 
que havia naturalmente entre eles, estava rompido.”

Na medida em que Osho entrou mais fundo nos mistérios da meditação, seus questionamentos desapareceram. O seu fazer cessou, a sua busca chegou a um ponto onde não havia mais aonde ir. Assim como aconteceu por ocasião da morte de seu avô, Osho foi trazido ao seu centro, mas agora isso era para sempre. Osho relata que bem no fundo existe o vazio, não existe qualquer fazedor. Ele deixou a ambição, ele não tinha desejo algum de se tornar alguém, ou de chegar a algum lugar. Ele não se preocupava com Deus ou com nirvana. "A doença do Buda havia desaparecido completamente", disse Osho.

O momento oportuno havia chegado. As
portas se abriram, o amanhecer já não estava longe. 
Nas palavras do Osho:
“Um dia uma condição sem questionamento chegou. Não é que eu tenha recebido uma resposta. Não. Ao invés disso, todos os questionamentos simplesmente se desmontaram e um grande vazio foi criado. Era uma situação explosiva. Viver naquela condição era tão bom quanto morrer. E então, a pessoa que estava fazendo as perguntas, morreu. Depois daquela experiência de vazio, eu não tive mais perguntas. Todos os assuntos sobre os quais as 
perguntas poderiam ser feitas, não mais existiam. Depois disso, nenhum questionamento permaneceu.”

O próprio Osho não revelou o acontecimento da iluminação para ninguém por 
quase vinte anos.(...) 
Osho disse um pouco mais seriamente, ‘A idade era vinte e um e não vinte e dois; ‘Foi no dia 21 de março de 1953."
Osho em Autobiografia de um Místico Espiritualmente Incorreto

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