28 de fevereiro de 2011

Quando a mente se acalma...


"Quando a minha mente está calma, eu acesso uma confiança que é descanso e proteção. Uma fé genuína na preciosidade da vida.
Sinto que tudo em mim se reorganiza, silenciosamente, o tempo todo.
Que isso tem mais a ver com o meu olhar, com a natureza das sementes que rego, do que eu possa perceber.
Minha expectativa, tantas vezes ansiosa, de que as coisas sejam diferentes, dá lugar à certeza tranqüila de que, naquele momento, tudo está onde pode estar. Em vez de sofrer pelas modificações que ainda não consigo, eu me sinto grata pelas mudanças que já realizei.
E relaxo.

Quando a minha mente está calma, eu acesso uma clareza que me permite sentir, com mais nitidez, que há uma sabedoria que abraça todas as coisas.
Que o tempo tem uma habilidade singular para reinventar nosso roteiro com a gente, toda vez que redefinimos o que, de verdade, nos importa.
Que há um contentamento perene no nosso coração.
Um espaço de alimento amoroso.
Uma fonte que buscamos raras vezes, acostumados a imaginar a felicidade somente fora de nós e a deslocá-la para distâncias onde não estamos.

Quando a minha mente está calma, os sentidos se expandem e me permitem refinar sensações e sentimentos.
Posso saborear mais detalhes do banquete que está sempre disponível, mesmo quando eu não o percebo.
Nesse lugar de calma e clareza, não há nada a desejar.
Nada a esperar.
Nada a buscar.
Nenhum lugar onde ir.
Eu me sinto sentada sob a sombra de uma árvore generosa, numa tarde azul sem pressa, os pássaros bordando o céu com o seu balé harmonioso.
O meu coração é pleno, nenhuma fome.
Plenitude não é extensão nem permanência: é quando a vida cabe no instante presente, sem aperto, e a gente desfruta o conforto de não sentir falta de nada."
Quando minha mente está calma por Ana Jácomo

27 de fevereiro de 2011

Numa festa...quem é você?


"Tem uma pequena história que me agrada contar e cabe muito bem aqui:
Um iluminado vai a uma festa, e enquanto estava tomando um drinque, senta-se alguém ao seu lado – detalhe: festa é feita para socializar –, então, ele se dirigiu àquela pessoa e perguntou: “Quem é você?

O homem prontamente respondeu: “Eu sou o Paulo”.

O iluminado continuou o diálogo: “Eu não perguntei o seu nome. Estou perguntando quem é você?

Parecendo ter entendido, Paulo retrucou: “Sou engenheiro”.

Mas o homem sábio disse: “Não, eu não perguntei o que você faz. Perguntei quem é você”.

E finalmente o Paulo concluiu: “Você me pegou! Tudo o que sei é que sou o Paulo, engenheiro, 34 anos. O resto eu não tenho a menor ideia”.

Tudo o que a mente sabe só tem relação com a forma e com o nome.
Mas você não é a forma, nem o nome.
As pessoas são catedráticas a respeito dessa área emocional que vibra entre a mente e o corpo, mas “quem” elas são, não fazem a menor ideia."
Satyaprem em Satsang

Essa pequena história, que Satyaprem nos coloca, é interessante.
Em poucas linhas, numa situação simples, que provavelmente todos nós já passamos, vemos como estamos atrelados a conceitos mentais, superficiais, e relativos, e nem de longe temos acesso ao absoluto..
Acho curioso porque se fizermos estas mesmas perguntas á pessoas de todos os povos, religiões, épocas e níveis sócio-culturais, veremos que as respostas serão basicamente as mesmas..talvez com pequenas variações, mas basicamente as mesmas respostas.

Aqui Satya coloca como um brincadeira, mas ele aponta que o que somos é indizível, está além de qualquer conceito, palavras, eventos, memórias, histórias, enfim...somos aquilo que percebe tudo isso, percebe tudo acontecendo...somos a consciência absoluta que experimenta-se na totalidade da existência, e relembrando-se, descobre-se e maravilha-se consigo mesma, e com todo o reflexo do Si na beleza de tudo que há.

Toda essa consciência desperta, advém da experimentação.
Viver é experimentar.
Nenhuma teoria, jamais sequer alcança a grandeza da vivência, da própria experiência.
E aqui, nesta situação vemos que o mestre aponta a verdade, indaga, pergunta, cria uma "fricção", como dizia o Osho. Todo o resto que possa advir daí, acontece naquele que escuta.

Nesta história do Paulo, vemos que no final ele acaba se rendendo à pergunta do iluminado. Já que todas as suas respostas não responderam, ele percebe que a resposta, se existir alguma, não é respondível, ela precisa ser verdadeiramente vivenciada, e está além de qualquer palavra, está além da mente...
Então:Quem é você? :)
Amor
Lilian

26 de fevereiro de 2011

Humildade e serviço...



Jesus disse inúmeras vezes, "Os últimos serão os primeiros".

É uma afirmação simples, uma frase simples. Não é uma questão de causa e efeito. Ele não está dizendo que se você quiser ser o primeiro, deve antes ser o último. Está dizendo: "Se você é o último, será o primeiro".

E há uma grande diferença entre os dois. Linguisticamente, logicamente, nem tanto. Você dirá: " Qual é a diferença entre dizer uma coisa ou outra?" Mas existencialmente, há uma grande diferença.
Seja o último. Aprecie ser o último, e não porque sendo o último você será o primeiro. Quando você é o último com alegria, já é o primeiro! Ora, onde mais você poderia estar? Que estado elevado pode alcançar? Seja o último, aproveite...porque a última posição é um espaço muito, muito bonito; ninguém compete com ela, ninguém vai lutar contra você - você é o último.

Lao-Tsé dizia: " Sou o último, por isso vivo na maior paz, porque ninguém quer competir comigo".
Quem está disposto a lutar pelo último lugar? Todos tem compaixão pelo último; todos dizem: " Pobre homem". E quem é ambicioso pela última posição? Ninguém tira tal pessoa desse lugar.

Se você é o último, todos deixam você em paz, ninguém o perturba; você pode ser simplesmente você mesmo. E quando está disposto a ser o último, pode ficar no presente - do contrário, não.
Se quiser ser o primeiro, terá que ficar no futuro, porque deverá pensar: " Como serei o primeiro? Como tirar de lá, as pessoas que já estão lá, e arrumar um lugar para mim?"(...)

Um homem que está disposto a ser o último - não como uma estratégia para se tornar o primeiro, mas apenas compreendendo que é tolice e estupidez competir...Para quê? Por que não aproveitar a vida?
Você só pode fazer uma coisa: ou competir ou celebrar; é a mesma energia. Ou você aproveita, ou luta. Você pode amar ou lutar; as duas coisas juntas não são possíveis.
Assim, a pessoa que se coloca como última - não com o desejo de ser a primeira, mas compreendendo que ser a primeira é estupidez da mente, da mente medíocre, tola - a pessoa que vê a tolice disso, a inutilidade disso, que vê as pessoas que são as primeiras se sentindo no inferno; compreendendo tudo isso, ela se torna a primeira. Percebe? Você entende isso?
Quando um indivíduo compreende isso, torna-se o primeiro. É isso que Jesus quer dizer.(...)

Jesus diz: "Se alguém quer ser o primeiro, que seja o último, o servo de todos."
Ele está simplesmente afirmando um fato: que aquele que compreendeu a feiúra do ego, a feiúra da violência, o veneno da ambição - nesse compreensão tal indivíduo não competirá, ficará feliz onde estiver. E nessa felicidade, verá que Deus está em toda parte. E nessa experiência de Deus em toda parte, ele se tornará um servo.
Não que ele terá que praticar, não precisa buscar um lugar para onde ir ou como servir. Onde ele estiver, tudo é Deus, e o servo é a parte do todo. Não há um esforço deliberado para servir. O serviço vem quando você está em silêncio. O serviço flui de seu ser quando você está feliz, quando está tão pleno de energia que, ao surgir a necessidade, você serve.

Um cão está morrendo e você serve. Uma árvore está secando e ninguém lhe deu água; mas você lhe dá. E não finge nem se gaba de ter servido. Não sai clamando a todos: "Olhem que grande servo eu sou! Ajudei a essa árvore a ficar verde de novo. Não é essa questão. Ao ajudar a árvore a ficar verde, você deixou sua própria vida verde também. É a recompensa, não há outra. Ao ajudar o cão, você ajudou a si próprio - porque tudo é um.

Quando você bate em alguém, critica alguém, está batendo, criticando a si mesmo. Quando mata alguém, está se matando - porque somos todos um.
E quando você serve a si próprio, não há necessidade de se gabar. Você não se torna um grande missionário, um grande servo, ou coisa assim. Você não se torna ninguém, tudo ocorre naturalmente.
Quando uma pessoa está feliz, sua compaixão é natural; por causa da felicidade a pessoa é compassiva."
Osho em A flauta nos lábios de Deus

25 de fevereiro de 2011

Encontros curativos...


"Ninguém cura ninguém. Ninguém se cura sozinho. Nós nos curamos nos encontros."

Com essa citação de Roberto Crema, queria hoje começar esta reflexão.
A vida é a grande arte do encontro, já dizia Vinicius de Moraes, e é verdade.
E já começa cedo..a própria fecundação é encontro, gestação é encontro, e vamos vivendo milhares, milhões de encontros ao longo das nossas vidas...
Encontros que causam dor, encontros que curam a dor...
Encontros que nos fazem ampliar a visão e também aqueles encontros que nos fecham a visão...

Todas as qualidades de encontros pertencem à existência, pois, cada encontro é na verdade, a dualidade aparente da existência única manifesta, que se "duplica" para se experimentar, para se encontrar consigo mesma, e com isso "criar" padrões, ressonâncias, melodias, nuances novas...a música cósmica não pode parar...

O que sempre me chama atenção, é a qualidade dos encontros.
Qualidade no sentido luminoso da palavra, isto é, o que levamos em nós, de cada encontro, o que acontece em mim, que levo comigo, depois daquele encontro...Quanto mais percebemos em nós, essas pequenas ( ou grandes ) variações, mais apurada fica a percepção interna, subjetiva, silenciosa, da real vibração que cada encontro cria dentro de nós.

Quanto mais estamos afinados com o silencio interior, com o nosso profundo-maior, fica cada vez mais fácil, e mais rápido também, reconhecer, identificar a qualidade que cada encontro nos trás.

Interessante que, como cada momento é único, e cada pessoa é única, cada encontro também é único, não pode se prever o que acontecerá. Ou mesmo que já tenhamos encontrado aquela pessoa várias vezes, muitas vezes, fica claro que, a cada momento o encontro tem uma qualidade, uma particularidade diferente, e o que ressona em nós é específico daquele momento, não se repete.

Noto muitas vezes, que alguns mestres, possuem um campo, uma vibração tão alta, tão luminosa e harmoniosa, que o simples fato de lermos algo que eles escreveram, ou ouvirmos mesmo pela mídia suas palestras, ou satsangs, só isso, já causa em nós uma mudança vibracional positiva, que organiza nosso próprio campo. A presença é tão forte e luminosa, que a radiância se expande, apesar da distância, ou dos equipamentos de transmissão.

Os encontros curativos são algo belo e verdadeiro.
A arte do encontro passa pela sensibilidade, pela consciência interior, que está além de qualquer lógica, ou razão. Quanto mais auto-conscientes, quanto mais apaziguados estamos, internamente, mais clara fica a percepção do que acontece à nossa volta, das energias que chegam, das vibrações do ambiente, e também do que está acontecendo em termos vibracionais nos encontros com outras pessoas.
A cura, como nos aponta Roberto Crema, advém dessa sintonia fina, dessa sensibilidade natural, que traduz em si mesmo, o que o outro ainda não teve acesso em si.
Através dessa auto-investigação, dessa auto-introspecção, "vemos" o outro em profundidade, e podemos caminhar com ele, no sentido de ir clareando certos aspectos obscuros, inconscientes, e ir aos poucos transformando aquilo que era confuso, nebuloso, cheio de emoções complicadas e amorfas, em um espaço aberto, claro, e integrado, sem divisões. Desta maneira a cura emocional, se processa, e mais e mais o Ser pode ser sentido, percebido, já que as nuvens nebulosas que o ofuscavam, foram sendo dissolvidas.

Viver é encontrar. E encontrar é se transformar e transformar o outro.
Nunca saímos os mesmos. Mesmo que não percebamos, estamos transformados, em algum nível, em alguma dimensão. Quanto mais conscientes ficamos de nós mesmos, mais claramente percebemos a qualidade vibracional de cada momento, e dele tiramos lições e aprendizados para nossa vida.
Quanto mais consciência mais luz, mais radiância.
A meditação nos coloca diretamente voltados para o profundo em nós, para o silencio e para a percepção dessa vibração natural, fundamental, que emana em nós.
Não é de se estranhar, que a meditação está sendo cada vez mais estudada pela comunidade científica nos dias de hoje, e já sendo usada como mais uma ferramenta no combate ao stress e algumas doenças crônicas.

Vemos cada vez mais que, grande parte dos problemas sejam eles físicos, ou emocionais, advém da falta de contato com nosso profundo, com nosso silêncio interior. O simples fato de ancorarmos no Ser, no silencio e na paz interior, já é curativo, e nos coloca diretamente em contato com a fonte criadora da vida em nós.
Isso já nos apontavam os mestres orientais há muitos séculos, e vemos cada vez mais o quanto eles estavam ( e ainda estão!) certos...
A meditação é mesmo um encontro maravilhoso consigo mesmo, o principal encontro eu diria, e através dele, podemos encontrar verdadeiramente tudo e todos...sem excessão, uma vez que o mundo irradia a partir de nós, aquilo que vivemos "dentro" se projeta "fora"..

A paz interior é a base da paz exterior.
O encontro consigo mesmo, nos faz ver que somos todos Um e o mesmo...
Amor
Lilian

24 de fevereiro de 2011

Suspendendo memórias...


"Nos relacionamos com o mundo como se o mundo e as pessoas fossem objetos e nós fôssemos os sujeitos.

O que quero compartilhar com você é que nós não passamos de objetos também. Essa pretensão de ser alguém que você chama de “eu” é apenas um objeto, e “Aquilo que você é” transcende tudo isso porque não pode ser manipulado. Essa visão é Satsang.

Suspenda completamente as suas memórias e idéias a respeito de tudo. Tudo aquilo a respeito do que você tem idéias, por mais sedimentadas e comprovadas, são apenas idéias.

Coloque-as na prateleira!

Imagine que você tenha uma livraria dentro da sua cabeça e lá estão todas as idéias colocadas em livros: sexo, família, verdade, iluminação, eu, o outro, nós... o que quer que seja.

Deixe tudo isso na livraria e tente acessar aquilo que estou propondo agora, diretamente, sem nenhum vínculo com aquilo que já foi visto antes.

Você não tem nome, não tem forma, não tem tamanho.
Não há sensação que possa descrever Você.
Todas as sensações ocorrem dentro de Você.
Não importa o que faça, Você está observando.
Não importa a imagem que venha, o pensamento que venha, a emoção que venha... pois, quem é que sabe disso tudo?
Esse é quem Você é. O foco é nesse que Você é e não nos objetos de observação - objetos vêm e vão.

Não importa o que faça, você está sempre ciente de alguma coisa. Pode não ser daquilo que a mente queira estar consciente.
Às vezes, você quer falar uma coisa e esquece, mas está consciente de que esqueceu.
A Consciência permanece como cortina de fundo para o que quer que seja que aconteça na periferia, isso é imutável e não depende de nenhum fazer.(...)
Talvez até desmaie e perca a consciência periférica, mas a Consciência que você É, permanece. Essa Consciência é independente e ela não pode ser experenciada por você porque ela é Você."
Satyaprem em Satsang

23 de fevereiro de 2011

Amor imenso Amor...


"Pense em alguém que você goste muito. Do passado, do presente ou do futuro.

Pode ser um bichinho, um brinquedo, uma pessoa, uma criança, uma situação agradável.

Pense e sinta.

Sinta esse amor, agora, aqui, em você.

Conecte-se com o amor que habita você.

Comece a incluir nessa amorosidade todas as pessoas que estão próximas a você.

Vá expandindo sua capacidade de amar.

Inclua todas as pessoas que você conhece.

Agora inclua as que você não conhece.

Inclua próximas e distantes.

Inclua pessoas que você jamais viu.

Os povos africanos, asiáticos, australianos.

Os povos e tribos de toda a Terra.

Inclua em seu amor todo o planeta, com árvores e insetos. Flores e pássaros. Mares, rios, oceanos.

Inclua a vegetação da Amazónia e da Pantagônia.

Inclua o Mar Morto e o Deserto do Saara.

Não deixe o Pequeno Príncipe de fora.

Inclua os Lusíadas, a Odisséia, Kojiki,

Inclua toda a literatura mundial, um pouco de Machado de Assis, Eça de Queiroz, Shakeaspeare, um tanto de Saragosa, uma gota de Jorge Amado, banhado por Herman Hesse e Amon Oz.

Inclua todas as religiões.

Como se não houvesse dentro nem fora.

Imagine, como John Lennon, que o mundo é um só.

O mundo é uno. O mundo, o universo, o pluriverso é um só.

Nós somos unas e unos com o uno.

Perceba.

Isto que digo é a verdade.

E só há esse caminho.

Inúmeras analogias, linguagens étnicas, expressões regionais e temporais para tentar atingir o atemporal, o fluir incessante, incadescente, brilhante, da vida em movimento transformador.

Somos a vida da Terra.

Somos a vida do Universo.

Somos a vida do Multiverso.

E quando nossos pequeninos corações humanos se tornam capazes a ir além deste saquinho de pele que chamamos o eu, nos contatamos com a essência da vida. Que é a nossa própria essência e de tudo que é, assim como é.

Algum nome? Nenhum nome?

Caminhemos.Tornamo-nos o caminho a cada passo.

Que cada passo seja um passo de paz.

Que o novo ano se abra com a abertura dos corações-mentes de todos nós seres humanos.

Abertura para o infinito.

Abertura para a imensidão.

Abertura para a ternura.

Abertura para a sabedoria.

Abertura para a compaixão.

Que todos os seres em todas as esferas e todos os tempos se beneficiem com esse amor imenso que aqui e agora juntas, juntos, nos tornamos. E ao nos tornarmos o amor tudo se torna vida e vida em abundância. Ame e manifeste esse amor agora."
Amor -Poema de Monja Coen

22 de fevereiro de 2011

A alegria da entrega...



O que nos faz encarar a vida com alegria?

O que acontece em nós, que desperta um senso de humor, de leveza, e nos faz perceber a grande brincadeira divina acontecendo, e deixamos de lado a lógica, a razão, a analise, e quando nos damos conta, estamos totalmente imersos na experiência do instante, e dançamos com ele?

Hoje queria refletir com vocês sobre essa grande dimensão da existência, que se chama, alegria, descontração.

O que acontece que de um instante para outro, podemos estar nos lamentando, chorando e extremamente preocupados com um determinado problema, e no instante seguinte, estamos rindo dele, de nós mesmos, e enxergando toda a "falta de lógica" que aquela situação nos coloca?..rsrs

Isso tenho certeza, que todos nós já passamos, não uma , mas muitas vezes em nossas vidas..

Em um instante, saímos de vítimas da situação, de "controladores ou responsáveis", e caímos na realidade do fato, na simples atitude de não-atitude, de observação pura e simplesmente. Nos diferenciamos da situação, e tomamos a posição de mero observador, de espectador do que acontece...e aí que algo acontece...

Num instante, percebemos claramente, que não somos o fato, não somos o "problema", não somos nada daquilo, estamos apenas assistindo a um espetáculo, que pode ser absolutamente sem sentido, ou que coloca por terra todas as tentativas de compreensão. Isso desencadeia em nós um relaxamento, uma desidentificação tão instantânea, que o riso é a prova mais clara dessa compreensão. E ele é contagiante. Como uma gripe, pega em quem está por perto! rsrs

Se ficamos muito "pré-ocupados", tentando entender isso e aquilo, se a mente toma o desafio de "dissecar" literalmente uma determinada situação, a alegria pode até acontecer, mas é superficial, e passageira. Mas quando simplesmente entregamos...ou algo acontece que nos damos por vencidos..aí a alegria é realmente profunda e transformadora...

Vemos cara a cara, o quanto não temos controle sobre nada, sobre nenhuma situação, o quanto a existência tem vontade própria, faz, acontece, e nós somos apenas ondas desse imenso oceano...apenas isso!

Existe todo um jogo acontecendo, em nós e através de nós...somos peças de um imenso quebra-cabeças...e não adianta quebrar a cabeça para entendê-lo, ele será sempre maior que nossas cabeças..rsrs

A alegria é curativa, transformadora, e nos trás um bem estar profundo...
Sorrir e se alegrar é viver na graça, é se deixar levar e sair do "casulo" da mente...é uma expansão de consciência, é pura leveza...
Toda a existência brinca, e brincando cria, vive, faz, realiza, canta, voa, respira, pulsa, caminha, nada, sopra, inventa, inova, ri...rsrs

Por isso que os grande mestres sempre nos apontam, que o olhar mais sábio, é o olhar da entrega, da não-mente, da descontração...já que a vida surpreende sempre..termos consciência da nossa pequenez nesse mundo, revela um grande coração...

E o mais interessante, é que quando essa alegria acontece assim naturalmente, nos libertamos de todo apego, racionalizações, competições, disputas e conflitos, já que temos consciência de que somos vividos, somos mantidos, somos notas de uma sinfonia infinita e eterna...apenas notas...

Quanto mais tomamos consciência de que não temos nenhum controle sobre absolutamente nada, nem ninguém, mais a alegria acontece em nós...

A leveza da criança reconhece sua insignificância. E o riso, a alegria são expressões naturais dessa imensa sabedoria.

Um coração aberto é um coração puro, leve, que não acumula, que não retém nada...um coração aberto vive o momento, e sente o momento...absorve tudo que o momento trás, sem discriminação...e nessa interação profunda e sutil, o coração pode dançar, expressar verdadeiramente com a existência...
A alegria, a gratidão são as formas mais puras de oração...
Dancemos então! Boa dança a todos (as)!!
Amor
Lilian

21 de fevereiro de 2011

Terapia e compaixão...


Uma vez ouvi você dizer “Só a compaixão é terapêutica”.
Por favor, fale sobre a compaixão.

"Sim, só a compaixão é terapêutica – porque tudo que é ruim no homem é devido à falta de amor. Tudo que é errado no homem está em algum lugar associado com o amor. Ele não tem sido capaz de amar, ou não tem sido capaz de receber amor. Ele não tem sido capaz de compartilhar seu ser. Essa é a miséria. Isso cria todo tipo de complexos por dentro.

Esses ferimentos íntimos podem vir à tona de muitas maneiras: podem se tornar doenças físicas, podem se tornar doenças mentais – mas profundamente o homem sofre de falta de amor. Assim como a comida é necessária para o corpo, amor é necessário para a alma. O corpo não pode sobreviver sem comida, e a alma não pode sobreviver sem amor. Na verdade, sem amor a alma sequer nasceu – não existe a questão de sua sobrevivência.

Você simplesmente pensa que tem uma alma; você acredita que tem uma alma devido ao seu medo da morte. Porém, você não sabe a não ser que você tenha amado. Só no amor a pessoa vem a sentir que é mais do que o corpo, mais do que a mente.

É por isso que digo que a compaixão é terapêutica. Que é compaixão? Compaixão é a forma mais pura de amor. Sexo é a forma mais baixa do amor, compaixão é a forma mais elevada do amor. No sexo, o contato é basicamente físico; na compaixão o contato é basicamente espiritual. No amor, compaixão e sexo estão misturados, o físico e o espiritual estão misturados. Amor é o meio caminho entre sexo e compaixão.

Você também pode chamar a compaixão de oração. Você também pode chamar a compaixão de meditação. A mais alta forma de energia é compaixão. A palavra compaixão é bela: metade dela é paixão - de algum modo paixão tornou-se tão refinada que não é mais como uma paixão. Ela tornou-se compaixão.

No sexo, você usa o outro, você reduz o outro a um meio, você reduz o outro a uma coisa. Eis porque num relacionamento sexual você se sente culpado. Essa culpa não tem nada a ver com ensinamentos religiosos; essa culpa é mais profunda do que os ensinamentos religiosos. Num relacionamento sexual como tal você se sente culpado. Sente-se culpado porque você estáreduzindo um ser humano a uma coisa, a um produto a ser usado e jogado fora.

É por isso que no sexo você também sente uma espécie de servidão; você também está sendo reduzido a uma coisa. E quando você é uma coisa sua liberdade desaparece porque sua liberdade só existe quando você é uma pessoa. Quanto mais você for uma pessoa, mais livre você é, quanto mais uma coisa você for, menos livre você é.

A mobília do seu quarto não é livre. Se você deixar o quarto trancado e voltar após muitos anos, a mobília estará no mesmo lugar, da mesma maneira; ela não irá se arrumar de uma nova maneira. Ela não tem nenhuma liberdade. Contudo se você deixar um homem no quarto, você não irá encontrá-lo do mesmo jeito – nem mesmo no outro dia, nem mesmo no próximo momento. Você não pode encontrar o mesmo homem novamente.

O velho Heráclito diz: Você não pode pisar no mesmo rio duas vezes. Você não pode encontrar o mesmo homem novamente. É impossível encontrar o mesmo homem duas vezes, porque o homem é um rio, continuamente fluindo. Você nunca sabe o que vai acontecer. O futuro permanece aberto.

Para uma coisa, o futuro está fechado. Uma pedra permanecerá uma pedra. Ela não possui nenhuma potencialidade para crescer. Ela não pode mudar, não pode evoluir. Um homemnunca permanece o mesmo. Ele pode recuar, pode ir adiante, pode ir para o inferno ou para o céu, ele, porém, nunca permanece o mesmo. Continua se movendo, desse ou daquele jeito.

Quando você tem um relacionamento sexual com alguém, você reduziu essa pessoa a uma coisa. E reduzindo-a você reduziu a si mesmo também a uma coisa, porque é um compromisso mútuo que “Eu lhe permito me reduzir a uma coisa, você me permite lhe reduzir a uma coisa. Eu lhe permito usar-me, você me permite usá-lo. Usamos um ao outro. Nos tornamos coisas”.

Eis porque… observe dois amantes: quando eles ainda não estão consolidados. O romance ainda está vivo, a lua de mel ainda não acabou e você vai ver duas pessoas pulsando com vida, prontas para explodir – prontas para explodir no desconhecido. E então observe um casal, o marido e a esposa, e você verá duas coisas mortas, dois túmulos, lado a lado – ajudando um ao outro permanecer morto, forçando um ao outro permanecer morto. Esse é o constante conflito do casamento. Ninguém quer ser reduzido a uma coisa!

Sexo é a forma mais baixa dessa energia “X”. Se você for religioso, chame isso de “Deus”, se você for científico, chame-o de “X”. Essa energia, X, pode tornar-se amor. Quando ela se torna amor, então você começa a respeitar a outra pessoa. Sim, às vezes você usa a outra pessoa, mas você se sente grato por isso. Você nunca diz obrigado para uma coisa. Quando você está apaixonado por uma mulher e faz amor com ela, você diz obrigado.

Quando você faz amor com sua esposa, você já disse alguma vez obrigado? Não, você tem isso como certo. Alguma vez sua esposa já lhe disse obrigado? Talvez, muitos anos atrás, você pode se lembrar algum tempo quando você estava indeciso, estava só tentando, cortejando, seduzindo um ao outro – talvez. Mas uma vez consolidado, ela alguma vez já lhe disse obrigado por alguma coisa? Você já fez tantas coisas por ela, ela já fez tantas coisas por você, ambos estão vivendo um para o outro, a gratidão porém, desapareceu.

No amor, existe gratidão, existe uma profunda gratidão. Você sabe que o outro não é uma coisa. Você sabe que o outro possui uma grandeza, uma personalidade, uma alma, uma individualidade. No amor você concede liberdade total ao outro. É claro, você dá e recebe: é um relacionamento de dar e receber... mas com respeito.

No sexo, é um relacionamento de dar e receber sem nenhum respeito. Na compaixão, você simplesmente dá. Não há nenhuma idéia na sua cabeça em receber alguma coisa de volta; vocêsimplesmente compartilha. Não que coisa alguma venha! Isso retorna um milhão de vezes, mas isso é só dessa maneira, só uma consequência natural. Não há nenhum anseio por isso.

No amor, se você der alguma coisa, bem lá no fundo você continua esperando que isso deve retornar. Se isso não retornar, você fica reclamando. Você pode não dizer isso, mas de mil e uma maneiras pode se deduzir que você está resmungando, que você está sentindo que foi enganado. Amor parece ser uma barganha sutil.

Na compaixão você simplesmente dá. No amor, você fica agradecido porque o outro lhe deu algo. Na compaixão, você fica agradecido porque o outro levou algo de você; você está agradecido porque o outro não lhe rejeitou. Você veio com energia para dar, você tinha vindo com muitas flores para partilhar, e o outro lhe permitiu, o outro foi receptivo. Você é grato porque o outro foi receptivo.

Compaixão é a forma mais elevada do amor. Muito retorna – um milhão de vezes mais, digo – mas isso não é o mais importante, você não anseia por isso. Se isso não vier não há nenhuma queixa quanto a isso. Se vier você fica simplesmente surpreso! Se isso vier, é inacreditável. Se não vier não há problemas – você nunca deu seu coração a alguém por alguma barganha. Você simplesmente derrama porque você tem.

Você tem tanto que se você não derramar você ficará sobrecarregado. Assim como uma nuvem carregada de água de chuva precisa derramar. E da próxima vez quando uma nuvem estiver chovendo observe em silêncio, e você irá sempre ouvir, quando a nuvem derramou a chuva e a terra a absorveu, você irá sempre ouvir a nuvem dizer para a terra “Obrigado”. A terra ajudou a descarregar a nuvem.

Quando uma flor brota, ela precisa compartilhar sua fragrância com os ventos. É natural! Isso não é uma barganha, não é um negócio; é simplesmente natural! A flor está repleta de fragrância – que fazer? Se a flor mantiver a fragrância para si mesma então a flor se sentirá muito tensa, numa profunda angústia.

A maior angústia na vida é quando você não pode expressar, quando você não pode comunicar, quando você não pode compartilhar. O homem mais pobre é aquele que não tem nada para partilhar, ou tem alguma coisa para partilhar, mas perdeu a capacidade, a arte, de como compartilhá-la; assim um homem é pobre.

O homem sexual é muito pobre. O homem amoroso é comparativamente mais rico. O homem compassivo é o mais rico; ele está no topo do mundo. Ele não tem nenhum confinamento, nenhuma limitação. Ele simplesmente dá e prossegue em seu caminho. Ele nem mesmo espera que você diga um obrigado. Com tremendo amor ele compartilha sua energia. Isso é que chamo de terapêutico.

Buda costumava dizer aos seus discípulos, “Após cada meditação, sejam compassivos – imediatamente – porque quando você medita, o amor cresce, o coração fica repleto. Após cada meditação, sinta compaixão pelo mundo inteiro para que você compartilhe seu amor e vocêlibera a energia na atmosfera e essa energia pode ser usada pelos outros”.

Eu também gostaria de dizer isso a vocês: Após cada meditação, quando vocês estiverem celebrando, tenham compaixão. Apenas sinta que sua energia deve ir e ajudar as pessoas de qualquer maneira que elas necessitem. Apenas libere-a! Você ficará descarregado, você irá se sentir bem relaxado, irá se sentir muito calmo e quieto, e as vibrações que você liberou ajudarão a muitos. Termine suas meditações sempre com compaixão.

E a compaixão é incondicional. Você não pode ter compaixão só por aqueles que são amigáveis com você, só por aqueles que estão relacionados a você. Compaixão inclui tudo...intrinsecamente tudo. Assim se você não pode sentir compaixão pelo seu vizinho, então esqueça tudo sobre meditação, porque isso não tem nada a ver com alguém em particular. Tem algo a ver com seu estado interior.

Seja a compaixão! Incondicionalmente, não direcionada, não endereçada. Assim você se torna uma força curativa nesse mundo miserável."
Osho em O Livro dos Segredos

20 de fevereiro de 2011

As flores nos ensinam...


Quando a vida agita,
Corre, cobra, custa,
Paga, compra, vende...
As cenas se sucedem, sem nexo,
As paisagens fluem agitadas,
Muitas falas,
Poucos versos,
Muitas luzes,
Pouca calma.

Quando o carrilhão de pensamentos atropela,
Quando a ermo somos levados,
Por horários, regras, condutas.
E dias passam,
Horas, meses,
E nesse fluxo alucinante de coisa nenhuma,
Nesses momentos,
Aí mesmo,
É preciso não esquecer das flores...

Não só vermos, tocarmos, e sentirmos seus perfumes,
Mas de sermos como as flores,
Ligadas á terra mãe que nutre, sustenta, apóia..
Tendo o rosto voltado para o sol, para o céu...aberto...
E a ele dedicar o seu eterno amor...

Para ele, e para todos derramam o amor em perfume, amor em suavidade, em colorido e beleza...
As flores acolhem as pequenas abelhas, os insetos, borboletas,
Acolhem as brisas, chuvas, tempestades,
Elas acolhem...simplesmente...
São acolhedoras,
E pacíficas,
São presentes,
Simplesmente presentes,
Existem plenamente no Ser...
Sem nenhuma pretensão,
E por serem tão simples, tão serenas e puras, tem tanto a nos ensinar...

Sem nenhuma palavra, enchem nossos olhos, alegram nosso dia,
E falam aos nossos corações.
Sem nenhuma palavra, cantam uma suave canção,
E no mais absoluto silencio, nos ensinam a natureza divina,
A maravilhosa arte de Amar,
E de ser simplesmente, naturalmente, divinamente,
Amor...

As flores nos ensinam...

19 de fevereiro de 2011

Papaji responde...



Pergunta: Quem sou eu?
Papaji: Aquilo que você imagina ser. Quando você para de criar identificações para si mesmo, você encontrará quem você realmente é.

P: Quem é Deus?
Papaji: Quando você projeta um mundo de sonhos para si mesmo e vive nele,você também projeta um Deus que olhe por ele. Quando você para sua projeção, ambos o mundo e Deus desaparecem.

P: Depois da Iluminação, nós entendemos tudo sobre a vida? Ou o propósito da vida fica no coração como um mistério e não como um enigma a ser resolvido?
Papaji:O Self será sempre um mistério porque não há nada fora dele para compreende-lo, analisa-lo ou entende-lo.

P: Qual é o significado da vida?
Papaji:Porque deve haver algum significado? Qualquer significado que você atribua para isto é justamente uma idéia em sua mente. A Vida não é afetada ou explicada por nenhuma idéia que você possa ter sobre isso.

P: Você pode por favor falar sobre como aprender a viver, simplesmente ser aqui agora. Algumas vezes estando a sua volta eu sinto você compartilhando conosco ordinárias atividades diárias. Eu penso sobre o Zen dizendo “Antes da Iluminação cortar lenha, carregar água, após a Iluminação, cortar lenha, carregar água”....
Papaji: Antes da Iluminação você pensa, “Eu preciso cortar lenha, eu preciso carregar água”. Depois de tudo a lenha é cortada, a água é carregada mas isto não tem nada a ver com você. Isto simplesmente acontece.

P: Quando nós estamos no ‘intervalo’ entre vidas, nós conscientemente
escolhemos o corpo que nós queremos reencarnar, nossos pais, e essas coisas? Se é assim, como nós escolhemos?

Papaji: Isto não é uma agencia de viagem que você pode pegar um bom local para seu próximo nascimento. Seus pensamentos e desejos nessa vida impulsionarão você a uma nova forma e não necessariamente a uma muito boa. Isto está fora do seu controle. Agora mesmo você pode exercitar controle buscando de onde vem os seus pensamentos e desejos. Após sua morte será muito tarde.

P: Por que nós temos tanto medo em nossas vidas? Por que confiar em cada momento é tão difícil?
Papaji: Se você vive no ego, você automaticamente monta situações de ‘eu’ e o resto do mundo. Para defender o ego você deverá ser egoísta e você deverá temer os outros porque eles todos ameaçam o seu bem estar. Como você pode confiar em qualquer um nessa situação?

P: Muita gente acredita que há algo como um “ego saudável”. Uma pessoa
com um ego saudável pode ser confiante, cônscio de suas habilidades e limitações, gostos e não gostos, tem alta auto-estima, e assim vai...Existe algo como um “ego saudável”? Isto pode levar a liberdade?

Papaji: Uma pessoa que confia em si mesma e tem alta auto-estima (o que os psicólogos chamam de ‘ego saudável’) não está mais próximo da liberdade do que qualquer outro. Esta pessoa pode sentir que está feliz e que não precisa de grandes mudanças em sua vida. A pessoa que entende que este ego está continuamente causando problemas mentais esta mais propício a buscar soluções. Não há algo como um ego saudável assim como algo não há algo como doença saudável. O ego não pode o levar a liberdade, ele só pode obstruir isso. Ego e liberdade não podem coexistir. Quando o ego desaparece, a liberdade substitui isso."
Papaji em Satsang - www.advaita.com.br

18 de fevereiro de 2011

Aceitação e acomodação...


Pergunta: "Não entendi...se eu aceitar a imperfeição, não vou cair no comodismo?
Como vou melhorar como pessoa se acho que tudo esta certo? Que era para ser assim?

Swami Naseeb -Tudo deveria ser assim porque foi assim. É um fato.

Apenas a Realidade. O fato de pensarmos que algo não deveria ser assim não impede o algo de ter sido assim. A única coisa que podemos fazer agora é aprender a observar como as coisas acontecem naturalmente.
Assim: é óbvio que a velha mente pensa que isto é comodismo.
Mas note: quem é que está pensando assim? A mente.

Por que? Porque a mente não pode aceitar, senão ela derrete e quem vai mandar é a intuição e o coração.
A mente só existe na dúvida, no conflito. a mente só existe quando não há aceitação.

Com aceitação, a mente cai fora. Quando tudo é aceito, as coisas começam a mudar. Simplesmente o seu relaxamento faz as coisas mudarem, e não outra coisa. O ponto é este.
O interessante de aceitar o que é , é que isso não impede de você fazer tudo para melhorar, porque sempre Isto está incluído NO QUE É.

Isso não significa que a vida não é rica agora.
Ela é perfeitamente o que deve ser agora.
Simplesmente porque é isto que está sendo.Se eu mudar o meu comportamento, será outra coisa. E quando for outra coisa, será aquilo que está sendo - De novo.
A Realidade pode ser mais rica.

Ela sempre é rica, mesmo com nossas imperfeições, que dão um colorido a mais nisso que chamamos de vida.
Quando você começa a aceitar todos os seus lados, algo interno acontece.
Um relaxamento natural de ver que tudo está sendo como É, independente do teu controle.
Então você faz o que sente, e tudo que fizer ou fazer será o que tem de fazer.
Isso é relaxamento.
Você faz o que sentir que tem que fazer, e ao mesmo tempo sabe que a viagem é que é a maravilha, e não um pico ou uma meta a ser conquistada.

Todos os momentos são raros.
Todos os momentos são únicos. Aqui agora desse jeito só existe agora.

Então você vai pelo caminho feliz, em paz, porque sabe que está fazendo tudo que tem de fazer. E não segue sua mente que diz que você devia ter feito algo diferente do que foi.

E este é o mistério da vida.
O que pode acontecer entre uma interação que fazemos, são momentos raros que serão impressos no fundo da gente por toda a vida. todo momento é raro.
E alguns mais ainda.
Isto é a arte de sentir valor a cada instante vivido.
É sentir-se grato por todo momento vivido, seja ele qual for.
Todos os momentos são experiência raras. A vida é rara.

Aceitar a realidade aqui-agora não te impede de fazer o que você imagina que tem de fazer para sentir mais em paz, mais centrada, mais lúcida.
É que você não briga mais com o momento.
Você vive cada momento da viagem fantástica chamada vida.
Celebrando, descobrindo, estando aqui agora, de janelas abertas no coração...
Compreendeu melhor isto? Não é comodismo!"

17 de fevereiro de 2011

Onde nada impede a luz...


"-Não digam:
Vamos fazer silêncio!
Parem de fazer barulho
O silêncio desde todo o sempre aí está.

-Não digam:
Vamos fazer o vazio!
Parem de produzir pensamentos
O vazio desde todo o sempre aí está.

- Não digam:
Vou para o deserto!
Parem de ir pra lá
Sejam desde já o que restará de vocês
Desde todo o sempre.

Ofereçam suas poeiras às trilhas
Do vento...

O silêncio é como Deus
Basta uma palavra
Para perdê-lo.

O vazio é como Deus
Basta pensar nele
E você já o perdeu.

O deserto é como Deus
Basta um passo em direção a ele
E você já o perdeu.

Os verdadeiros sábios
O que têm mais que nós?
Mais deserto

Ou seja, menos...
Menos barulho
Menos mental
Menos cuidados
Menos ilusões
Menos...

Os verdadeiros sábios
São desertos;
Projetamos sobre eles
Nossas miragens mais belas
E ao chegarmos perto deles
Eles nos deixam a sós
Face a face com nós mesmos

Cabe a cada um de nós
Cavar o seu próprio poço
Descobrirá então
Que a sabedoria
É o deserto
"Menos" a sede
A sombra ou o oásis
Onde nada impede a luz"...
Poema de Jean-Yves Leloup

16 de fevereiro de 2011

A Voz Interior...



"Se você encontrou a sua verdade dentro de você, não há mais nada para descobrir em toda esta existência.
A verdade está atuando através de você.

Quando você abre os olhos, é a verdade abrindo os olhos.
Quando fecha os seus olhos, é a verdade que está fechando os olhos.

Esta é uma meditação extraordinária.

Se você puder simplesmente entender o mecanismo, não precisará fazer nada – o que quer que esteja fazendo, estará sendo feito pela verdade.

Se você estiver andando, será a verdade andando; se estiver dormindo, será a verdade dormindo; se estiver falando, será a verdade falando; se estiver em silêncio, será a verdade que estará em silêncio.
Esta é uma das técnicas de meditação mais simples.

Pouco a pouco, tudo se acomoda segundo esta fórmula simples e, então, não há mais necessidade da técnica.

Quando você está curado, joga fora a meditação, joga fora o remédio. Então, você vive como verdade – cheio de vida, radiante, satisfeito, abençoado, uma canção em si mesmo.

Toda a sua vida se transforma em uma prece sem palavras ou, melhor dizendo, em um estado de oração, em um estado de graça, de beleza que não pertence a este mundo, em um raio de luz vindo do além, iluminando a escuridão do nosso mundo.
A voz interior não fala por palavras, mas na linguagem inarticulada do coração.
É como um oráculo que só fala a verdade.

Se tivesse um rosto, seria assim, desperto, vigilante, e capaz de aceitar tanto a escuridão quanto à luz, simbolizadas pelas duas mãos que seguram o cristal.
O cristal, em si, representa a luminosidade que advém de se haver superado todas as dualidades.

A voz interior também pode ser brincalhona, à medida que mergulha profundamente nas emoções e ressurge para lançar-se em direção ao céu, dançando nas águas da vida.

Há momentos em nossas vidas, em que muitas vozes parecem nos estar chamando de várias direções. A própria confusão que sentimos nessas ocasiões, é um lembrete para que procuremos silêncio e centramento dentro de nós mesmos.
Só assim seremos capazes de escutar a nossa verdade."
Osho em Tarôt da Transformação

***

Todo nosso empenho, deveria ser numa única direção - a do auto-conhecimento.
Nascemos e crescemos e vamos sendo "preenchidos" por conceitos tão variados, complicados, desencontrados...e quando percebemos...viramos um "colcha de retalhos"...retalhos alheios, retalhos mentais, conceituais...que são incorporados, ou melhor, são aderidos à nós, mas não nos pertencem, nem nós a eles...

As emoções, as fixações, todas as crises existenciais que passamos ao longo da vida, ansiedade,depressões, não tem outra função, do que nos apontar para nós mesmos, o quanto estamos longe da nossa essência, o quanto estamos "carregando" referências estranhas, memórias, e o quanto ainda estamos identificados com tantas coisas, pessoas etc...

Nenhuma crise, por menor que seja, tem outra função que não seja esta: Nos mostrar para nós mesmos!

Conhece-te a ti mesmo...o famoso desafio da esfinge...

Essa é toda a meta da existência, toda a meta da nossa vida, auto conhecimento, ou melhor, auto-descobrimento, auto-revelação...

Aqui o amado Osho nos coloca frente a frente com esta questão fundamental.
A busca por si mesmo...uma caminhada que vai além de todas as regras, de todos os mapas, de todas as "dicas" ou sugestões alheias...

A busca é solitária, e única. Não serve para mais ninguém além de nós mesmos. Somos autores dessa melodia única da existência. Jamais se ouvirá a mesma canção, e jamais esta canção servirá para outra pessoa. Ela nasce verdadeiramente no coração, no silêncio e no amor que é derramado através de nós, e simplesmente devolvemos à existência esse amor, acrescido de uma profunda, uma imensa gratidão.

A voz interior, é silenciosa, mas repleta de luz.

A existência, Deus se manifesta através desse profundo em nós.
Alcançá-lo é ser verdadeiramente liberdade...é ser dança e dançarino, é ser música e silêncio, é ser alegria e gratidão, é ser Um, ser Sim, ser Amor, ser Tudo e Nada, plenamente...
Amor
Lilian

14 de fevereiro de 2011

Fragmentos...


"Há uma história que conta que em uma aldeia havia um ancião muito pobre, porém muito sábio, e que até os reis lhe invejavam, porque possuía um formoso cavalo.
Os reis lhe ofereceram quantidades fabulosas pelo cavalo mas o homem dizia:
-“Para mim ele não é um cavalo; é uma pessoa. E como se pode vender uma pessoa, um amigo?”.
Era um homem pobre, mas nunca vendeu seu cavalo.

Uma manhã descobriu que o cavalo já não estava no estábulo. Todo o povo se reuniu dizendo: -“Velho tolo. Sabíamos que algum dia lhe roubariam o cavalo. Teria sido melhor se o tivesse vendido. Que desgraça!”.
-“
Não vamos tão longe”, disse o ancião. “Simplesmente digamos que o cavalo não está no estábulo. Este é o fato. Todo o resto é seu julgamento. Se for uma desgraça ou uma
sorte eu não sei, porque isto é apenas um fragmento. Quem sabe o que vai acontecer amanhã?”
.

Todos riram dele. Acreditavam que o ancião estava um meio louco.
Mas depois de quinze dias, uma noite o cavalo retornou.
Não tinha sido roubado, mas havia escapado. E não foi só isso, ele retornou e trouxe consigo uma dúzia de cavalos selvagens.

De novo o povo se reuniu dizendo:
- “Tinha razão o velho. Não foi uma desgraça mas uma verdadeira sorte”.
-“De novo estão indo muito longe”, disse o ancião.“Digam apenas que o cavalo voltou.
Quem sabe se foi uma sorte ou não? É só um fragmento. Estão lendo apenas uma palavra de uma frase da existência. Como podem julgar o livro inteiro? Ninguém disse mais nada, mas por dentro sabiam que ele estava equivocado. Afinal haviam chegado doze cavalos formosos.
O velho tinha um filho que começou a treinar aos cavalos. Uma semana mais tarde ele caiu de um cavalo e quebrou as duas pernas.

O povo voltou a se reunir e a julgar - “De novo o velho tinha razão”, disseram. Era uma desgraça, seu único filho com as duas pernas quebradas, não poderia trabalhar e, na sua idade ele era seu único sustento. Agora estava mais pobre que nunca”.-“Estão obcecados julgando”, disse o ancião. “Não vão
tão longe. Só digam que meu filho quebrou as duas pernas. Ninguém sabe se foi uma desgraça ou uma fortuna. A vida vem em fragmentos, e nunca nos dá mais que isto”.
Aconteceu que, poucas semanas depois o país entrou em guerra e todos os jovens do povoado foram chamados pelo exército. Só se salvou o filho do ancião porque estava sem poder andar.

O povo inteiro chorava e se queixava porque era uma guerra perdida de antemão e sabiam que a maioria dos jovens não voltariam.

-“Tinha razão velho. Era uma sorte. Embora com as pernas quebradas, seu filho ainda estava com ele, enquanto os nossos se foram e não sabemos se voltam.
-“Seguem julgando”
, disse o velho. Ninguém sabe. Só digam que seus filhos foram obrigados a unir-se ao exército e que meu filho não . Só Deus sabe se foi uma desgraça ou uma sorte. Apenas mais um fragmento da vida, apenas isso...nada mais"...
Conto Zen
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