11 de fevereiro de 2011

Identificação e libertação...


"A consciência, no sentido de percepção, é o que os alquimistas procuravam: o elixir, o néctar, a fórmula mágica que pode ajudar uma pessoa a se tornar imortal.
Na verdade, todas as pessoas são imortais, porém vivemos num corpo mortal e somos tão apegados a ele que daí surge uma identidade.
Não há distância para vermos o corpo como algo separado.

Estamos tão imersos no corpo, tão enraizados nele, que começamos a sentir que somos o corpo — e é aí que surge o problema: começamos a temer a morte. Com isso vêm todos os medos, todos os pesadelos.

A percepção cria a distância entre você e seu corpo, deixa você ciente tanto do corpo quanto da mente — pois corpo e mente não são separados. Corpo-mente é uma identidade, a mente está dentro do corpo.

Quando você se torna ciente do complexo corpo-mente, logo percebe que está separado de ambos, e o distanciamento começa a acontecer.
É quando você percebe que é imortal, que não é parte do tempo, que é parte do eterno.
Você sabe, então, que não existe nascimento nem morte, que você sempre existiu e sempre existirá. Você já teve muitos corpos porque desejou demais.

Cada desejo traz você de volta ao corpo, porque sem corpo nenhum desejo pode ser realizado. Se alguém é apegado demais à comida, precisa de um corpo. Sem corpo, ninguém pode comer — a alma não ingere comida. Portanto, uma pessoa que é gulosa demais com certeza voltará em outro corpo."
Osho em Meditações para a noite.

Aqui Osho nos aponta uma grade verdade. A de que toda identificação gera medo, gera sofrimento.
Uma existência identificada, seja com a família, com os fatos, com o trabalho, com o corpo, com a mente, com os apegos, posses, sonhos, passado, seja lá o que for, será fatalmente uma existência sofrida, medrosa e cheia de limitações.

Quando nos damos conta, verdadeiramente, conscientemente, de que temos a vida toda, para nos "libertarmos" de todos esses aspectos limitadores, e que todo investimento deve ser neste sentido, só isso, já causa uma verdadeira revolução interna, saímos do "lugar comum", e começamos verdadeiramente uma nova etapa da vida.

O primeiro ponto, deve ser a conscientização, de todos os aspectos que ainda estamos atrelados. Uma verificação minuciosa, profunda, sem nenhum julgamento, apenas uma observação interna profunda, para que possamos fazer uma seleção de todos os pontos que ainda nos sentimos presos, identificados.
Num segundo momento, a ação concreta, para a purificação daqueles condicionamentos internos, atitudes, pensamentos, enfim, é o processo de remoção ativa, consciente. Neste ponto as terapias profundas são úteis. Pois nos fazem ver, e vivenciar, na prática, tudo aquilo que antes era subjetivo, camuflado, misturado.
No momento que temos clareza dos aspectos limitadores, e que nos aprisionam, e que precisam ser dissolvidos, começamos uma transformação a nível profundo. Aonde havia inconsciência, cegueira, a luz da consciência alcançou, e transformou, iluminou.

Paralelamente, vejo que a meditação é uma ferramenta extremamente útil nesse processo. Ao longo do processo de desidentificação, vamos tendo mais e mais clareza interna, e vamos aos poucos saindo da mente, saindo daquela atitude dual, crítica, analítica, sempre polarizada, que cai sempre no bom ou ruim, no isso ou aquilo, e vamos passo a passo, penetrando na dimensão do observador interno. Na dimensão da não-mente. Apenas observamos o que vem a nós, o que acontece a nós, sem nenhum juízo, apenas observando, tirando lições e deixando passar.

Esse processo que o amado Osho chama de desidentificação do complexo corpo-mente, nos coloca naturalmente na dimensão da consciência imortal, do Espírito, que é anterior ao corpo, anterior a mente, é eterna, é o divino em nós e em toda a existência. Nesta dimensão, não existe mais medo, desejo, nem qualquer limitação.
A consciência pura, reflete aquilo que se coloca a sua frente.
Sem o que refletir, consciência pura e o Absoluto são apenas Um...
Amor
Lilian

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