30 de novembro de 2015

Deste lugar sem lugar, você É - Mooji


"Participante: Mooji, é realmente possível se tornar ou ganhar a iluminação? Alguém já se tornou iluminado ou despertou através de estar vindo a Satsang; e se sim, você poderia dizer quem?

Mooji: Em verdade não é possível se tornar iluminado assim como você coloca, pois não há ninguém por assim dizer para se tornar iluminado em primeiro lugar. O firme reconhecimento, ou a realização de que não existe em realidade um 'alguém' para alcançar a iluminação, e que nunca em tempo nenhum poderá haver tal entidade, seja agora ou no futuro, para alcançar tal estado, é o que vem a ser a Iluminação. Esta é a verdade derradeira.
Você pergunta: 'Se já alguém, por vir a Satsang, se tornou desperto.' Isto já foi respondido na minha resposta prévia mas vou ainda adicionar que o que tem havido e continua a se dar é um constante reconhecimento do fato que a identidade-ego é um mito, um personagem fictício. Esta, por assim dizer, individualidade, é uma expressão da pura Consciência/Ser e não o fato ou a definição do Ser.

Este Ser permanece por detrás como a testemunha ou a observação dos fenômenos surgindo espontaneamente na consciência. Este Ser verdadeiro é somente a presença sem forma e sem nome que surge e brilha como paz, alegria e felicidade sentidos como contentamento amoroso.
Quando este reconhecimento ocorre dentro de cada indivíduo, ou expressão da consciência conhecido como 'pessoa', este estado é chamado de 'despertar' ou 'iluminação'. Você me pede para eu apontar se existe alguém assim aqui presente? Na linguagem comum eu direi que um número de pessoas aqui chegaram neste ponto de ver/ser claramente além de apenas uma mera aceitação ou entendimento intelectual ou acadêmico.
No entanto, as tendências mentais e identificações não são completamente destruídas, e o sentido de ego fazendo-se passar pelo assento da realidade continua a aparecer, embora já exposto através da inquirição como uma mera ilusão. Isto é natural.

A tarefa e o desafio aqui é trazer repetidamente esta individualidade-Eu de volta ao coração/fonte quando ela surgir, e treinando a atenção a permanecer na fonte, que é o seu verdadeiro ser, gradualmente ela funde-se na fonte e se torna a própria fonte. Finalmente, quem poderia ser esse 'eu' quem clamaria: 'Eu o tenho', ou 'Eu sou uma pessoa realizada'.
Quem ou o que pode possuir a Iluminação? Não é o mesmo ego? Percebe o meu ponto? No entanto, alguns Mestres de fato declararam e se afirmaram como a pura realidade, sem qualidades, e falaram a partir desta direta convicção/sabedoria livre do ego. Isto também é correto na minha visão e é muito refrescante, natural e com autoridade, para que saibamos que não é possível emoldurar ou limitar o ser puro por nenhum padrão ou lógica humana.

Participante: Mas eu me sinto como 'alguém', eu não posso sentir-me como 'ninguém'.

Mooji: Novamente você coloca este 'meu ser' como um objeto de percepção. Como você pode ser um objeto? Um objeto deve ter um sujeito que o percebe. Se o sujeito também é percebido, ele automaticamente se torna um objeto, e deve ter um sujeito ainda mais profundo para percebê-lo. Percebe? Você não pode ser nenhum objeto percebido, você deve ser aquele que percebe, o sujeito. Quem ou o que é o 'você' que percebe? Perceba isso. A sua afirmação: ' Eu me sinto como um alguém' contém três aspectos: Eu, meus sentimentos, e o alguém que eu considero ser. Este alguém é meramente a sua idéia de si mesmo, não o seu ser real. E os seus sentimentos, são meramente os sentimentos que dizem respeito a essa idéia de si mesmo. Finalmente existe aquele um que é o sujeito quem percebe esta observação. Estou certo?

Participante: Sim.

Mooji: Quem ou o que é você exatamente?
Participante: Eu sou eu, o meu ser!

Mooji: E o que exatamente é isso?
Participante: Eu! Ou melhor , a minha idéia de mim mesmo.

Mooji: Então, não o corpo?
Participante: Não, Eu sei que eu não sou o corpo.

Mooji: Como você sabe que não é o corpo?
Participante: Eu posso ver o meu corpo e eu simplesmente sei que não é isso que eu sou, embora algumas vezes eu sinta que eu sou isso também.

Mooji: Ok, muito bem. Podemos voltar para a sua resposta que você é o seu conhecimento de si mesmo? Você tem certeza que é o conhecimento do seu ser e não meramente o conhecimento da idéia do seu ser ou de sua personalidade? Como é que você veio a conhecer-se? Como você está conhecendo o seu ser aqui e agora?
Participante: Quando eu comecei a perceber as outras coisas e as pessoas.

Mooji: Sim, e como perceber o outro te traz para você mesmo?
Participante: Porque eu sei que eu estou percebendo. E Que eu tenho que estar ali para perceber.

Mooji: Então nenhum objeto percebido pode ser você, estou certo?
Participante: Certo.

Mooji: Exatamente! Muito bom! Agora então quem ou o que exatamente é isso que percebe ou nota qualquer coisa?
Participante: Eu! Isto!

Mooji: Este 'eu' é o mesmo que 'isto'?
Participante: Sim.

Mooji: E novamente o que é isso? Qual é a sua qualidade, sua substância? O que te compõe exatamente? Olhe e me diga. É algum 'você' particular? Uma pessoa? Distinto dela ou dele ou deles ?

Participante: Bem, sim...não...é vago, eu não vejo bem.
Mooji: Mantenha-se concentrado, não disperse, esteja sereno e veja. O que você é aqui? Nesta observação, você pode dizer?
Participante: Eu não sou nenhuma pessoa ou coisa alguma, mas eu não sei o que eu sou. Não há nada aqui, eu não posso responder isso. Há um sentimento de não querer olhar, de cansaço, resistência ou irritabilidade.
Mooji: Ok. Não se engaje em nenhuma avaliação, não toque em nada, apenas seja um com este observar. Fique aqui sem ter que tentar.
(Há uma longa pausa aqui).
Você parece confuso, com o quê você está atrapalhado?

Participante: Existe apenas este vazio.
Mooji: O que está testemunhando este vazio?
(o questionador olha para cima e sorri, olhos fixos em Mooji)
Mooji: De onde este sorriso está vindo?
(Silêncio...)

Participante: Eu não sei, há um sentimento de alívio, espaço e paz, um tipo de leveza.
Mooji: Um tipo?
Participante: Não. Leveza, espaço e paz.
Mooji: Esta leveza e paz brilha onde não há ninguém. Isto é paz. Isto é alegria real. Isto é puro amor. Apenas agora não se apoie nisso. Não possua ou clame isso. Permaneça a testemunha.
Participante: Sim, sim (sorrindo). Eu vejo que eu sou apenas a testemunha aqui. Obrigada.

Mooji: Não vá embora já não. Agora deixe de ser a testemunha.
Participante: Eu estou confusa.
Mooji: Não, você não está confusa. A confusão está sendo testemunhada. Não se identifique com isso. O que permanece? Não toque em nada, mesmo a testemunha, não seja 'uma' testemunha. Testemunhando sem 'uma' testemunha, você entende?
Participante: Sim.

Mooji: Quem é que está entendendo?
Participante: Ninguém, apenas entendendo.
Mooji: Muito bom. Estou muito feliz em te encontrar. Agora deste lugar sem localização em total vazio como o vazio, além do conceito de vazio, você É sem nenhum esforço.
Você não se tornou isto ou ganhou isto porque não há ninguém aqui para ganhar qualquer coisa.
A partir, ainda que de dentro desta indescritível consciência, a consciência nasce e brilha como o Eu que percebe. E o que quer que surja aqui são meras formas aparentes da consciência-Eu sendo percebidas.
Participante: Obrigado."

Mooji em Satsang

28 de novembro de 2015

Tempo e eternidade - Osho


"Pergunta: Você fala do equilíbrio, do ponto de encontro, a fusão dos opostos, mas parece ser um ponto invisível no tempo. Então, como pode ser conhecido pelo eu, o que é o tempo?

Osho - Você é tempo e intemporalidade ao mesmo tempo, do contrário, não poderia alcançar o equilíbrio. Mas só conheceu parte do seu ser, somente a parte do tempo. Se conhecer todo seu ser, conhecerá também sua parte atemporal. Para o todo não existe tempo. É um conceito relativo, só existe para aqueles que não estão completos, inteiros. Isso é importante que se entenda, é um ponto delicado e muito complicado. O tempo é um dos problemas mais difíceis.
Santo Agostinho disse: "Sei o que é tempo quando não me perguntam, mas quando alguém me pergunta, já não sei."  Todo mundo sabe o que é o tempo se ninguém pergunta, mas se alguém insiste em que você o defina, que explique o que é o tempo, estás perdido. Você o tem usado, tem estado falando dele a cada momento, e tem também um sentimento sutil sobre ele, sobre o que é; porém, quando se quer explicá-lo em palavras, se sente perdido.

O tempo é um dos problemas mais complicados. Tente compreender. O tempo, - e isso é o que primeiro tens que compreender - não é nada absoluto. Para o universo inteiro não existe tempo, porque não se pode mover de um ponto a outro, porque ambos estão nele. Tudo está contido nele, passado, presente e futuro. Se não contém já o futuro, como irá existir alguma vez o futuro? O todo não pode mover-se no tempo, porque também contém o tempo, o tempo é parte da existência. Por isso, dizemos que o todo vive na eternidade: eternidade significa intemporalidade, nela não há tempo. O passado, o futuro, o presente: a intemporalidade contém a todos.

O tempo existe para nós, porque vivemos como partes; o espaço existe para nós, porque vivemos como partes, são fenômenos relativos. Para o todo, o espaço não existe, porque está contido no todo, Não se pode ir a lugar algum, porque não há 'outro lugar' para se ir. Todo o espaço está no todo. Onde se pode ir então? Existe aqui e agora, sempre existe aqui e agora, nunca foi diferente disso. E você é isso. Se vive uma vida dividida, se vive uma vida superficial, se vive meio dormindo, quase dormindo, vives no tempo. Se vive uma vida completamente desperta, já vive na eternidade, na intemporalidade, se converteu no todo. Agora, não existe tempo para você.

O místico alemão Eckhart, estava em seu leito de morte. Um discípulo, um homem curioso, um estudante de filosofia, lhe perguntou: Mestre, sei que estás morrendo, mas gostaria que respondesse uma pergunta antes de abandonar o corpo, se não ela me perseguirá por toda minha vida; Eckhart abriu os olhos e disse: Qual é a pergunta? O homem disse: Quando se morre, se vai para onde?
Eckhart disse: Não há necessidade de ir a lugar algum.

Não sei se esta resposta satisfez ao discípulo, mas Eckhart lhe deu uma bela resposta. Requer uma profunda compreensão para responder a esta pergunta. Eckhart disse: Não há necessidade de se ir a lugar algum. Isto significa que agora estás em todas as partes. Onde está a necessidade de se ir a algum lugar?


Ao Buda fizeram a mesma pergunta, várias vezes. Quando um Buda morre, para onde ele vai? Buda sorria e não dizia nada. No seu último momento, a pergunta foi novamente formulada, e Buda disse: Traga uma pequena vela. Acenda-a. Tragam ela para perto de mim.  Quando a vela estava acesa perto dele, de repente ele a soprou e a vela simplesmente apagou. Buda então perguntou: Para onde foi a luz da vela? Se tornou um com o todo. Agora não existe mais como uma chama individual, a individualidade foi abandonada.

Por isso a palavra Nirvana se tornou tão importante na terminologia budista. Significa extinção de uma chama, total extinção de uma chama. Permanece, porque tudo permanece, mas não se pode mais encontrá-la. Onde se encontra a chama que já não é? Se perde a individualidade, se perde a forma. 

Onde encontrá-la? Podemos dizer que ela já não existe? Existe, pois como pode algo que existiu deixar de existir? Desapareceu, então, tornou-se uma com a não-forma; se tornou uma com o todo, então, ainda existe. Agora, existe como o todo.

Você tem duas possibilidades. Pode viver no tempo, então, vives com a mente. A mente é o tempo, mas a mente divide a vida em passado, presente e futuro. A mente é o fator divisor, é o grande analista, um grande dissecador. É o que disseca tudo.
Pode também viver a vida diretamente, pode viver a vida de forma imediata, sem mente. Pode por a mente de lado e assim viver a vida sem tempo, eternamente, e não há passado nem futuro, só presente, presente e presente.

Sempre estás aí. O passado é esse presente que já não pode ver e o futuro é este presente que ainda não podes ver. O passado é este presente que está além de ti, além da sua percepção, e o futuro, é este presente que ainda não entrou nos limites da sua percepção.
Pense em um pequeno exemplo. Você está esperando alguém embaixo de uma árvore muito alta. Podes ver o caminho, mas há limitações, podes ver uns duzentos metros de um lado, duzentos metros de outro lado, e logo o caminho desaparece. Mas há outro homem que está sentado no alto da árvore. Ele pode ver muito mais longe. Ele pode um quilômetro em uma direção e um quilômetro na outra.
Você está esperando seu amigo e o amigo aparece para você, mas não para o homem que está sentado na copa da árvore. No momento em que seu amigo aparece no caminho, ele se torna presente para o homem na copa da árvore, mas para você ainda é um futuro, porque ainda não apareceu para você. A não ser que ele entre nos seus limites de percepção, não será presente para você. É futuro. Assim que, passado, futuro e presente são relativos. Depende da altura e de onde estás.(...)

Em uma meditação profunda, a mente já não está se intrometendo. Segue funcionando a princípio, mas pouco a pouco, quando não a escuta, para de falar. Quando vê que não se interessa, por nada que ela diga, quando vê que 
você não lhe dá atenção, ela então para.(...)

Quando a mente silencia, você passa a viver a vida diretamente. Neste ponto não existe mais meditador, nem nada que o defina; a percepção é clara, pura e estás na eternidade."
Osho em Los tres tesoros

26 de novembro de 2015

Sobre crescimento e espiritualidade - Osho



"Pergunta: O crescimento e a espiritualidade tem algum significado no Tao?

Osho: Nenhum em absoluto, porque o Tao é o que está passando agora mesmo. O Tao é o presente. O crescimento introduz o futuro. A mera ideia de crescimento introduz o futuro e assim, tudo se distorce. Não é que você não cresça no Tao, de fato, só se cresce no Tao, mas a ideia de crescimento é completamente alheia ao mundo do Tao. Eles não falam de crescimento, são falam de como ser, não como crescer.

Se sabes como ser, essa será a única forma de crescer. Se sabes como ser neste momento, está na trilha do crescimento. Não se necessita pensar nisso, vem por si mesmo, espontaneamente. Igual a um rio que encontra seu caminho para o mar, sem consultar nenhum guia, sem perguntar a ninguém como se chega ao oceano. O rio encontra o caminho. Sem se preocupar em encontrá-lo, ele encontra. Segue avançando, vive sua vida momento a momento, e finalmente chega ao oceano. Se este momento se vive bem e totalmente, o momento seguinte virá por si só.

De que outro lugar pode vir? Crescerá por si só, não precisa se preocupar com isso. Se vives este momento com totalidade, o momento seguinte nascerá dele; e se tem vivido este momento de forma total, a possibilidade do momento seguinte nasce dele; também podes viver totalmente.

Se sabes como viver totalmente, também viverá o momento seguinte totalmente; cada momento se tornará cada vez mais total e o crescimento sucederá espontâneamente.

Mas, se você está muito interessado em crescimento, perderá este momento, e este é o único momento que você pode crescer. Assim que, o Lao Tsé não fala sobre o crescimento: porque sabe que ficar falando de crescimento é em si mesmo um adiamento. Alguém pensa: Crescerei amanhã. Hoje não estou num bom momento para isso. Ainda tenho que fazer muitas coisas, assim, o crescimento pode esperar um pouco. Não há pressa.

Deste modo, pode se ir postergando e se segue vivendo este momento de forma dividida, parcial. Então, quem crescerá e como?

Você precisa se converter naquilo que já é. Precisa manifestar isso que já nasceu contigo.

Tem que converter-se nisso, que é tu mesmo, a base mesma do ser, que agora mesmo é o momento de trabalhar. Este momento que passa, tem que ser usado tão intensamente, absorvido tão intensamente, que se converte em crescimento. O crescimento não é um ideal do Tao, é um sub-produto.

E com a espiritualidade o Tao não se preocupa em absoluto. Se perguntar isso a Lao Tsé, ele começaria a rir. Se falas de espiritualidade pode ser que te dê um tapa, e te mande procurar em outro lugar. Por que? Porque no momento ,que você diz: espiritualidade, você dividiu a vida em dois: o material e o espiritual, e ela está por toda parte, é tudo. No momento em que diz 'espiritual', você condenou o material, e o corpo e o mundo. A mera palavra 'espiritual' acarreta numa condenação, numa divisão.

Podes distinguir as pessoas que pensam que são espirituais, porque em seus olhos podem ver a condenação. Não fique muito perto deles, são venenosos. Sempre que estiver perto de um homem profundamente espiritual corra dele, o mais rápido possível. São doentes, estão profundamente neuróticos, esquizofrênicos, porque dividiram a vida em dois; a vida é um todo indivisível, não pode de modo algum ser dividida.

A vida não é alma, a vida não é corpo, a vida é ambos. Você não é corpo e alma, você é corpo-alma. Este 'e' é perigoso, melhor abandoná-lo.(...) Faz do 'corpo alma' uma só palavra. É uma. Faz de 'matéria mente' uma palavra; faz 'deste mundo e do outro' , um; deixa que seu Deus esteja aqui embaixo na sua matéria, e deixa que sua matéria se eleve até as alturas e entre em seu Deus. Como vais então falar de espiritualidade? (...)

Deus é total, mas o Deus dos chamados 'espirituais', não é total. Seu Deus é só uma abstração, um pensamento, um puro pensamento sem nenhuma vida.

Lao Tsé não é espiritual neste sentido e não permitirá nenhuma espiritualidade ao seu redor. Ele está no Todo, ele simplesmente está muito além de qualquer divisão.(...)

Para mim isso é um homem religioso, não se preocupa com crescimento e o crescimento seguirá seu próprio curso. Vive simplesmente o momento, e não se preocupe com espiritualidade. Vive totalmente e a espiritualidade se ocupará de si mesma. É um florescimento não uma disciplina."

Osho em Los tres tesoros

24 de novembro de 2015

A única força verdadeira - Eckhart Tolle


"Se nos contentarmos com o fato de não sermos ninguém em especial e de não sobressairmos, estaremos em sintonia com o poder do Universo. 

O que para o ego parece fraqueza é, na realidade, a única força verdadeira. Esta verdade espiritual é diametralmente oposta aos valores da nossa cultura contemporânea e ao modo como ela condiciona o comportamento das pessoas.

Como nos ensina o Tao Te King, em vez de tentares ser uma montanha, «Sê o vale do Universo». Desta forma, serás devolvido ao todo, e «todas as coisas virão até ti».

De modo semelhante, Jesus ensina-nos o seguinte numa das suas parábolas: «Mas quando fores convidado, vai-te sentar no último lugar, e, assim, quando chegar aquele que te convidou dir-te-á: "Amigo, venha mais para a frente." Então isto será uma honra para ti aos olhos de todos os que estiverem sentados contigo à mesa. Porque todo aquele que se exalta será humilhado, e o que se humilha será exaltado».

Outro aspeto desta prática é abster-se de tentar fortalecer a sua identidade exibindo-se, querendo sobressair, ser especial, causar boa impressão ou exigir atenção, o que também pode implicar que ocasionalmente se abstenha de expressar a sua opinião quando os outros exprimem as deles, permitindo-lhe tomar consciência da forma como se sente.(...) *1

Se não houver ação que você possa levar a cabo e também se não puder sair da situação, então utilize-a para caminhar mais profundamente para a rendição,
mais profundamente para o Agora, mais profundamente para o Ser.


Quando você entra nesta dimensão intemporal do presente, a mudança acontece, com frequência, de formas estranhas, sem haver necessidade de grandes ações da sua parte. A vida torna-se favorável. 

Se fatores interiores como o medo, a culpa ou a inércia o impediram de agir, eles dissolver-se-ão na luz da sua presença consciente.
Não confunda a rendição com uma atitude de «já não quero saber» ou «já não ligo». Se você analisar a situação com atenção, descobrirá que tal atitude está
maculada com negativismo sob a forma de ressentimento oculto e, desse modo, não é de forma alguma rendição, mas sim resistência mascarada.


À medida que você se rende, dirija a sua atenção para o interior de modo a verificar se há algum vestígio de resistência dentro de si. Fique bem alerta quando o fizer, senão uma bolsa de resistência pode continuar a esconder-se em algum canto escuro sob a forma de um pensamento ou de uma emoção desconhecida.(...) *2


Vou dar-lhe um exemplo de um exercício espiritual que trará poder e expansão criativa à sua vida. 
Elabore uma lista das atividades rotineiras que você desempenha habitualmente. Inclua as atividades que considera pouco interessantes, aborrecidas, entediantes, irritantes ou que provocam stress. Mas não inclua nada que você odeie ou deteste fazer. Nestes casos, tem de aceitar ou deixar de fazer essas coisas. 

A lista pode incluir a viagem de ida e volta para o seu local de trabalho, ir às compras, tratar da roupa ou de tudo o que você considere enfadonho na sua rotina diária. 

Depois, sempre que estiver a desempenhar essas atividades, deixe que elas sejam um veículo para o seu estado de alerta. 

Esteja absolutamente presente naquilo que faz e sinta o silêncio em estado de alerta e vivo dentro de si, que serve de pano de fundo a qualquer atividade. Rapidamente vai descobrir que tudo o que faz neste estado de consciência elevada, em vez de ser enfadonho, enervante ou constitui um motivo de stress, começa na realidade a produzir satisfação. 

Para ser mais exato, o que lhe dá satisfação não é a ação exterior, mas a dimensão interior de consciência que flui para a ação. 

A isto chama-se encontrar a alegria do Ser naquilo que está a fazer. Se você acha que a sua vida carece de significado ou que está demasiado cheia de stress ou tédio, é porque ainda não trouxe essa dimensão para a sua vida. Estar consciente do que faz ainda não se converteu no seu principal objetivo.

O novo mundo floresce à medida que cada vez mais pessoas descobrem que o seu principal propósito na vida é trazer a luz da consciência a este mundo, usando por isso tudo o que fazem para transmitir essa consciência.
A alegria do Ser é a alegria de estar consciente." *3

[*1 Eckhart Tolle em O Poder do Agora ]
[*2 Eckhart Tolle em A prática do Poder do Agora]
[*3 Eckhart Tolle em Um mundo novo ]

22 de novembro de 2015

Retire-se completamente - Osho


"Uma técnica muito boa de meditação..

Olhe algum objeto; então lentamente, retire sua visão dele; então lentamente, retire seu pensamento dele. Então.

Olhe algum objeto. Olhe para uma flor, mas lembre-se do que esse olhar significa. Olhe! Não pense. Eu não preciso repetir isso. Sempre lembre-se do que “olhar” significa: olhe, não pense. Se você pensa, não é olhar; então, você contaminou tudo. Deve ser apenas um puro olhar, um simples olhar.

Olhe algum objeto. Olhe para uma flor, uma rosa. Então lentamente, retire sua visão dele - muito lentamente. A flor está presente, primeiro olhe para ela. Abandone tudo, continue olhando. Quando você sente que agora então não há nenhum pensamento, simplesmente a flor está presente em sua mente, nada mais, agora, lentamente, retire seus olhos.

Pouco a pouco, a flor se retira, sai do foco, mas a imagem permanecerá dentro de você. O objeto terá saído do foco; você terá retirado seu olhar. A imagem, a flor externa não existe mais, mas ela fica refletida - refletida no espelho da sua consciência. Ela estará presente! Então lentamente, retire sua visão dele; então lentamente, retire seu pensamento dele.

Assim, em primeiro lugar, retire-se do objeto exterior. Então, somente a imagem interior permanece, o pensamento da flor. Agora, retire esse pensamento também. Isso é muito difícil, a segunda parte; mas, se a primeira parte for feita exatamente como é dito, isso não será tão difícil. Primeiramente, retire sua visão do objeto. Então, feche seus olhos e, exatamente como você removeu sua visão do objeto, remova-se da imagem. Retire-se; torne-se indiferente. Não olhe para ela internamente, apenas sinta que você se afastou dela. Logo a imagem também desaparecerá.

Primeiro o objeto desaparece, então, a imagem desaparece. E quando a imagem desaparece, Shiva diz: Então. Então, você é deixado sozinho. Nessa solidão a pessoa percebe a si mesma, a pessoa chega ao centro, a pessoa é jogada para a fonte original.

Essa é uma meditação muito boa - você pode fazê-la. Tome qualquer objeto, mas deixe o objeto permanecer o mesmo todo dia, de forma que a mesma imagem seja criada dentro de você e que você remova-se da mesma imagem.

As imagens nos templos eram usadas para esta técnica. Agora, as imagens estão lá, mas a técnica foi perdida. Você vai a um templo — esta é a técnica a ser feita. Olhe para a estátua de Mahavira ou Buda ou Rama ou Krishna ou qualquer outra. Olhe para a estátua, concentre-se nela; foque toda a sua mente, de forma que a estátua se torne uma imagem interior. Então, feche seus olhos. Remova seus olhos da estátua, então, feche-os. E, então, remova a imagem, apague-a completamente.

Então, você está presente em sua solidão total, em sua total pureza, em sua total inocência. Percebendo que é liberdade, percebendo que é verdade."

Osho em O  Livro dos Segredos

20 de novembro de 2015

A maravilhosa meditação Vipassana - Osho


"Meditação Vipassana é uma coisa tão simples que mesmo uma criancinha pode fazê-la. De fato, a criancinha pode fazê-la melhor do que você, pois ela ainda não está cheia com o lixo da mente; ela ainda está limpa e inocente...

Vipassana pode ser feita de três modos – você pode escolher qual se ajusta melhor a você. 


A primeira é: consciência de suas ações, seu corpo, sua mente, seu coração. Caminhando, deve caminhar com percepção. Movendo sua mão, deve mover com percepção, sabendo perfeitamente que você está movendo a mão. Você pode movê-la sem nenhuma perceptividade, como uma coisa mecânica. Você está passeando pela manhã; pode continuar caminhando sem estar cônscio de seus pés. Fique alerta dos movimentos de seu corpo. Comendo, fique atento aos movimentos que são necessários para comer. Tomando banho, fique alerta da frescura que está vindo para você, a água caindo sobre você e a imensa alegria disso... Basta ficar alerta. Isso não deve continuar acontecendo num estado inconsciente.

E o mesmo com relação a sua mente: seja qual for o pensamento que passe na tela de sua mente, basta ser um observador. Seja qual for a emoção que passe pela tela de seu coração, basta permanecer uma testemunha – não se deixe envolver, não fique identificado, não avalie o que é bom, o que é ruim; isso não faz parte de sua meditação. Sua meditação tem que ser percepção sem escolha.

Um dia você será capaz de ver até mesmo humores bem sutis: como a tristeza descendo em você assim como a noite desce, aos poucos, lentamente ao redor do mundo, quão subitamente uma pequena coisa lhe faz alegre.

Basta ser uma testemunha. Não pense: “Estou triste”. Saiba que: “Há tristeza ao meu redor, há alegria ao meu redor. Estou confrontando uma certa emoção ou um certo humor.” Mas você está sempre afastado: um observador nos montes, e tudo mais está acontecendo no vale. Essa é uma das maneiras que vipassana pode ser feita.

E para a mulher, meu sentir é que é mais fácil, pois uma mulher é mais cônscia do seu corpo do que um homem. Essa é sua natureza. Ela é mais consciente de como olha, mais cônscia de como move-se, mais cônscia de como ela senta: Ela está sempre cônscia de ser graciosa. E isto não é somente um condicionamento; é algo natural e biológico.

Mães que tiveram a experiência de ter pelo menos dois ou três filhos, passam a sentir depois de certo tempo, se estão carregando um menino ou menina em seus úteros. O garoto começa a jogar futebol. Começa a chutar aqui e ali, ele começa a se fazer sentir – anuncia que está ali. A garota permanece silenciosa e relaxada, ela não joga futebol, não chuta, não se anuncia. Permanece tão quieta quanto possível, tão relaxada quanto possível..
Então isso não é uma questão de condicionamento, pois mesmo no útero você pode ver a diferença entre o menino e a menina. O menino é agitado, ele não pode ficar sentado num lugar. Está por toda parte. Ele quer fazer tudo, quer saber de tudo. A menina comporta-se de um modo totalmente diferente...

A segunda forma é respirando, tornar-se cônscio da respiração. 

Quando a respiração vai para dentro, sua barriga começa a subir, quando a respiração sai, sua barriga começa a assentar-se novamente. Assim o segundo método é para ficar cônscio da barriga, sua subida e descida. Apenas a percepção da barriga subindo e descendo ... E a barriga está bem próxima das fontes da vida pois a criança está ligada a vida da mãe através do umbigo. Atrás do umbigo está a fonte da vida dela. Então quando a barriga sobe, é realmente a energia da vida, a mola da vida que está subindo e descendo a cada respiração. Isto também não é difícil, e talvez possa ser até mais fácil, pois é uma técnica simples.

Na primeira, você precisa ficar atento ao corpo, tem que ficar atento a mente, precisa estar cônscio de suas emoções, humores. Então esta tem três passos. O segundo tipo tem um único passo: apenas a barriga, subindo e descendo. E o resultado é o mesmo. Quando você fica mais cônscio da barriga, a mente torna-se silenciosa, o coração fica em silêncio, os humores desaparecem.

E o terceiro é de ficar atento a respiração na entrada, quando a respiração vai para dentro através de suas narinas. 

Sinta-a naquele extremo – a outra polaridade da barriga – sinta-a do nariz. A respiração entrando dá uma certa serenidade as suas narinas. Depois a respiração saindo... respiração entrando, respiração saindo...

Isso também é possível. É mais fácil para o homem do que para a mulher. A mulher é mais consciente da barriga. A maioria dos homens nem mesmo respiram tão fundo como a barriga. O peito deles sobe e desce porque um tipo atlético errado prevalece por todo o mundo. Certamente isso dá uma forma mais bela ao corpo se seu peito for saliente e sua barriga quase não existente.
O homem preferiu respirar somente até seu peito, então o peito fica cada vez mais saliente e a barriga murcha. Isso parece a ele ser mais atlético. Ao redor do mundo, exceto no Japão, todos os atletas e instrutores dos atletas enfatizam respirar sentindo seus pulmões, expandindo o peito, e puxando a barriga para dentro. O ideal é o leão cujo peito é grande e cuja barriga é bem pequena. Então seja como o leão; isto se torna a regra dos atletas e das pessoas que trabalham com o corpo.

O Japão é a única exceção, onde eles não se interessam que o peito deva ser largo e a barriga puxada para dentro. Precisa de certa disciplina para encolher a barriga; não é natural. Japão escolheu o caminho natural; daí você ficará surpreso de ver uma estátua Japonesa de Buda. Esse é o modo de como você pode imediatamente discriminar se a estátua é Indiana ou Japonesa. As estátuas Indianas de Gautama Buda têm um corpo bem atlético: a barriga é muito pequena e o peito bem saliente. O Buda Japonês porém, é totalmente diferente; seu peito é quase silencioso pois ele respira da barriga, mas sua barriga é bem grande. Isso não parece muito bom pois a idéia que prevalece no mundo é da outra maneira, e isso é muito antigo. Contudo, respirar a partir da barriga é mais natural, mais relaxado.

Durante a noite acontece quando você dorme: você não respira a partir do peito, respira da barriga. Eis porque a noite é uma experiência tão relaxante. Após seu sono, pela manhã você se sente tão refrescado, tão jovem, pois a noite toda esteve respirando naturalmente... você estava no Japão!

Estes são os dois pontos: se você estiver com receio de respirar da barriga e ficar atento que o subir e descer desta irá destruir sua forma atlética... homens estão mais interessados nessa forma atlética. Então para eles é mais fácil observar junto às narinas por onde a respiração penetra. Observe, e quando a respiração sair, observe.

Estas são as três formas. Qualquer uma servirá. E se você quiser fazer duas formas juntas, pode fazer; desse modo o esforço ficará mais intenso. Se quiser fazer as três formas juntas. Então o processo será mais rápido. Mas isso depende de você, o que for mais fácil para você.
Lembre-se: O mais fácil está certo."
Osho em The New Dawn, Chapter 16

18 de novembro de 2015

Sobre a indiferença na meditação - Osho


"Pergunta - Ultimamente você tem falado muito do silencio e o vazio internos. Atualmente minha mente parece estar completamente fora do controle..
A mente nesses anos todos aqui no ashram, sinto que minha mente funciona como um computador que ficou louco. Tento ser um testemunho de todo absoluto, mas o monstro continua, e continua...

Osho - Deixe que o monstro siga, e não se preocupe. É a preocupação mesma que é o problema, não o monstro.
O mundo inteiro segue e segue: o rio segue fluindo, as nuvens seguem movendo-se no céu, os pássaros seguem cantando nas árvores. Por que está contra a mente? Deixe-a também que ela siga, e despreocupe-se disso.

Ser testemunho não é um esforço, quando você não tenta controlar surge o testemunho. A mera ideia de que tens que deter a mente é errônea; de tens que calar a mente, que tens que fazer algo sobre este processo é errônea. Não se requer que faça nada. Se fazes algo, não servirá, ajudará ao problema mas não a ti.
Por isso, quando medita, sente que a mente parece ficar mais louca, e quando não medita, a mente parece não estar tão louca. Quando está meditando, está demasiado envolvido com a mente, está tentando de tudo para pará-la.

Quem é você? E por que deveria preocupar-se com a mente? O que ela tem de mal? Permite os pensamentos, deixe que se movam como as nuvens.


Quando se tornar indiferente, automaticamente estará observando. Não há nada mais a fazer. Só pode observar, só pode ser testemunho, e ao testemunhar a mente, ela simplesmente para, silencia.
Não foi você que a parou. Nada tem sido capaz de parar a mente. E a ideia da meditação é ainda parte da mente, a ideia de que se alcançar o silencio alcançará o supremo, isso também é parte da mente. Assim, não seja estúpido! A mente não pode silenciar a mente. Quem está fazendo esta pergunta, você ou a mente?

Não está consciente de si mesmo em absoluto; tudo isso são truques da mente. A única coisa que podes fazer é ser indiferente, e deixa que a mente siga. Como estás indiferente, pronto, cria-se uma distância entre você e mente.
A mente chama, bate à porta, mas você não lhe dá atenção, não está preocupado com o que a mente faça. Este desinteresse é necessário. Neste clima de desinteresse, surge o observador. Agora, você vê que a mente nunca te pertenceu; é um computador, é um mecanismo e você está absolutamente separado dela.

Abandone todos os esforços para acalmá-la e permaneça passivo, observe qualquer coisa que se passe. Não dê direção à mente.(...) Não seja um guia da mente, não seja um controlador. Toda a existência segue e nada te perturba. Assim que, porque deveria me perturbar essa mente, um pequeno computador, um mecanismo pequeno? Desfrute se puder. Se não puder, seja indiferente. E algum dia, encontrará algo que estava dormindo profundamente em seu interior. Quando desperto, uma nova energia estará brotando em ti, e a mente estará distante. E pouco a pouco a mente estará mais e mais distante; ela segue falando, mas você sabe que ela fala de um lugar distante, assim como de uma estrela longínqua, é tão distante que você nem pode ouvir ou compreender o que ela diz. E esta distância segue e segue aumentando mais e mais, até que chegue um momento em que você não pode mais saber para onde foi para a mente.

Este silencio é qualitativamente diferente do silencio que você pode praticar. O silencio real chega espontaneamente, não é algo que se pratique. Se praticado está criando um silencio falso. A mente é muito trapaceira, ela pode te dar uma falsa noção de silencio, mas este também pertence à mente.

Assim, não se esforce por acalmá-la. Mas se sente ao lado do caminho e deixe que o fluxo passe. Observe-o, mire como os olhos despreocupados, olhos de indiferença, e o quem tem estado desejando acontecerá, mas não por seu desejo. O desejo não te permitirá ser indiferente. Buda usou a palavra upeksha, que  significa indiferença absoluta, e disse que você nunca se tornará meditativo a não ser que tenha alcançado upeksha, a indiferença. Esse é o terreno. Neste terreno germinam as sementes da meditação, não há outro caminho."
Osho em Los Tres Tesoros vol 1

15 de novembro de 2015

Experiências espirituais - Adyashanti


"Uma pessoa “espiritual” pode se tornar viciada nas boas sensações espirituais e não encontrar a Verdade. A adicção espiritual acontece quando algo sensacional ocorre e você sente como se tivesse recebido uma dose de droga. Logo após ocorrer a primeira vez, você quer mais. 

Não existe droga mais potente do que a experiência espiritual. O componente intelectual deste vício é a crença de que se você tiver uma grande quantidade destas experiências, você vai se sentir bem o tempo todo. É como morfina, você toma uma dose no hospital porque quebrou seu braço e pensa “se eu tivesse uma pequena dose durante todos os momentos, a vida seria relativamente boa em todas as situações”. Experiências espirituais frequentemente são colocadas pela mente neste padrão, pensando algo como “se eu tivesse esta experiência o tempo todo estaria livre”.

Logo você perceberá que esta condição não é muito melhor do que a de um alcoólatra, porque o alcoólatra pode perceber que tem um problema ao notar que não é culturalmente aceitável estar bêbado o tempo todo. A pessoa espiritual tem certeza de que não tem problema, porque sua droga é diferente das outras drogas, e tenta conseguir ficar nesta experiência para sempre. É o padrão mental de um adicto: “Agora eu tenho, agora não tenho mais. Eu preciso de mais e eu não tenho”.

O problema vai durar enquanto algo em você procura por estas grandes experiências. Em um certo momento você irá perceber que estas maravilhosas e agradáveis experiências são como noites divertidas de bebedeira. Você se sente bem por um certo tempo, e em seguida ocorre uma reação oposta. Você se sente alto espiritualmente para em seguida se sentir baixo. Vejo isto acontecendo com muitos estudantes.

Em algum momento você irá perceber que o pêndulo balança da mesma forma para os dois opostos. Você percebe que é impossível manter o pêndulo em um lado apenas, pois sua natureza é se mover de um lado para o outro.

Este impulso de procurar experiências boas ao invés das ruins é o impulso do “eu”, do ego. Isto só será abandonado quando percebemos que tudo é Consciência. Tudo é Deus, tudo é o UM. Ao vermos isto, paramos de tentar deixar o pêndulo em apenas um lado. 
Porque tudo é o UM, um lado do pêndulo não é melhor do que o outro."

Adyashanti em Emptiness Dancing

13 de novembro de 2015

O ego nas calamidades - Eckhart Tolle


"No que diz respeito à maioria da população que ainda está inconsciente, só uma situação limite, crítica, terá o potencial para rachar a dura casca do ego e forçá-lo a render-se e assim entrar num estado desperto.

Uma situação limite, ocorre quando através de alguma calamidade, convulsão social drástica, perda profunda, ou sofrimento, todo o seu mundo se estilhaça e deixa de fazer qualquer sentido. É um encontro com a morte, seja ela física ou psicológica. 


A mente egoica, criadora do mundo entra em colapso. E das cinzas do mundo velho, surge então um novo mundo.

Não há garantia, evidentemente, de que mesmo uma solução limite, o consiga, mas o potencial está lá sempre. 


A resistência de algumas pessoas ao que é até se intensifica em tais situações, que assim, se transformam numa descida aos infernos.

Noutras, poderá haver apenas rendição parcial, mas mesmo isso lhes proporcionará uma certa profundidade e serenidade que não tinham antes.

Parcelas do ego irão se quebrar, e isso, permitirá que brilhem pequenas quantidades de esplendor e de paz que reside para além da mente."

E. Tolle em O Poder do agora.

10 de novembro de 2015

Em pura percepção - Mooji


"Em estado de percepção pura que você é, 
não é afetado pela atividade da mente ou do corpo.
Olhos fechados ou abertos não são problema à pura percepção. 
Companhia espiritual não eleva este estado, do mesmo modo que companhia mundana não o diminui.
A percepção pura não é um sentimento, estando assim além de bons e maus sentimentos. Também não é pessoal nem impessoal, nem ordinária nem extraordinária. 

Este 'estado' não possui localização, faz pouca diferença se estiver você em Arunachala ou em qualquer lugar do planeta. 

A percepção pura não se encontra ao final de algum grande esforço ou prática.

 Não pode ser dividido por tempo e espaço, e seu senso intuitivo 'EU' não se acha separado dele.


Você se une a esta percepção pura quando sua identidade se manifesta sem uma estória pessoal ou alguma força psicológica. 

Você é um com este estado quando ao pronunciar 'EU' estiver se referindo aquele sentido intuitivo que é sinônimo da própria Existência. 

Sendo esta sua posição, você não é mais aquele 'EU' que fala, que ouve, que duvida ou que crê. Nenhuma religião lhe pertence. 

Os papéis que possa representar são preenchidos espontaneamente e naturalmente, e você não estará mais investido neles como estava antes. 
Não é mais nem pai nem mãe de alguém. 

Nenhum julgamento tem mais significado, bem e mal são apenas conceitos para você. Cada sensação, cada sentimento, cada jogo da mente será apenas uma ondulação à superfície do oceano da vida. 

Quanto ainda levará para que você realize esta Verdade?"

Mooji em Satsang

8 de novembro de 2015

Zazen ou Já Zen? - Satyaprem


"Há muito tempo atrás, quando ainda não tinham inventado o telefone, um homem sem nenhum entendimento em direção à sua própria realização foi até um mestre e perguntou: “O que posso fazer para entender o Zen?” O mestre recomendou que ele sentasse em Zazen. 

Porém, o homem continuou: ”Não seria bom que eu estudasse os sutras dos magníficos iluminados que houveram? Não devo mergulhar em práticas devocionais a serviço dos outros?” 

Enfim, gerou uma série de propostas. Mas o mestre só reafirmou: “Se quer entender o Zen, sente em Zazen”. De nenhuma maneira aquele homem ficou feliz, e retrucou: “Como pode você - um assim chamado mestre -, pretensiosamente desmerecer a verdade que os sutras e as boas-ações carregam e me propor apenas sentar sem fazer nada, como a maior possibilidade de entendimento do Zen?” O mestre, pontualmente finalizou: “Como você pode chamar Zazen de sentar-sem-fazer-nada?”

Eu pergunto: o que a mente pode fazer para que você compreenda a si mesmo?
Como a mente pode ajudar na sua realização? Essa questão é a mais antiga e continua de uma modernidade intransponível. Por isso eu reforço: O que pode a mente fazer para a realização do Ser?

Não sei se a simples pergunta já permite ecoar aos seus ouvidos a resposta, que, diga-se de passagem, é de uma simplicidade estonteante. Veja! O que a mente pode fazer para o seu esclarecimento? Nada! A mente não tem acesso nenhum a isso. Portanto, permita o seu descanso.

Eu não me canso, nem me frustro em apontar para a seguinte localidade: o que quer que seja que a mente imagine, é absolutamente inalcançável. Por isso, a melhor prática em direção ao seu acordamento, que é o chamado direto de Satsang, é o silenciamento.

Pare! 
A mente não pode levá-lo onde você quer ir. 
Silencie! 
Mas não como um método ou uma prática. Porque o Silêncio não está no amanhã. Simplesmente veja que, se você põe de lado, por menos de um minuto que seja, todas as suas idéias, conclusões e pensamentos a respeito de si e do mundo, o que é que fica? Ou ainda, o que está lhe faltando para ser o que você já é?

Despertar é ver que você não decorre de um acúmulo de experiências. Recorra à visão de que nada precisa acontecer, porque não falta absolutamente nada para você ser você."

5 de novembro de 2015

Diferenças entre filosofia e darshan - Osho


"A filosofia não é Darshan
Darshan é um termo oriental. 
Darshan significa percepção; filosofia significa pensar. (...)
Filosofia significa pensar, e darshan significa ver. Os dois são basicamente
diferentes; não só diferentes, mas também diametralmente opostos, porque quando está pensando, não pode ver. Está tão cheio de pensamentos que a percepção se turva, a percepção se nubla. Quando deixa de pensar, volta-te capaz de ver. Então tem os olhos abertos; limpam-se. 
A percepção só acontece quando cessa o pensamento.

Para o Sócrates, Platão e Aristóteles, e toda a tradição ocidental, pensar é a base.
Para o Kanad, Kapil, Patanjali, Buda e toda a tradição oriental, ver é a base. 

De modo que Buda não é um filósofo, absolutamente; nem tampouco Patanjali, nem Kapil ou Kanad. Não são filósofos: viram a verdade; não pensaram sobre ela.

Recorda bem que só pensa quando não pode ver. Se pode ver, não há razão para pensar. 
Pensar se faz sempre na ignorância. Pensar não é conhecimento, porque quando sabe, não há necessidade de pensar. Quando não sabe, enche esse oco pensando. Pensar é mover-se às cegas. De modo que as filosofias orientais não são filosofias.

Usar a palavra filosofia para o darshan oriental é absolutamente errôneo.

Darshan significa ver, conseguir a visão, dar-se conta, saber... imediatamente, diretamente, sem a mediação de pensar e o pensamento. Pensar nunca pode levar ao desconhecido.

Como vai levar? É impossível. Terá que compreender o processo mesmo de pensar.

Quando pensa, o que faz realmente? Segue repetindo velhos pensamentos, lembranças.

Se te fizer uma pergunta -existe Deus?-, pode pensar sobre ela. Repetirá tudo o que ouviste, tudo o que tem lido, tudo o que acumulaste a respeito de Deus. Inclusive se chegar a uma conclusão nova, sua novidade será só aparente, não real. Será simplesmente uma combinação de velhos pensamentos. Pode combinar muitos pensamentos velhos e criar uma nova estrutura, mas essa estrutura será aparentemente nova, não nova.

Pensar nunca pode levar a nenhuma verdade original. 
Pensar nunca é original; não pode sê-lo. Sempre é do passado, do velho, do conhecido. Pensar não pode tocar o desconhecido; move-se repetitivamente no círculo do conhecido.
Não conhece a verdade, não conhece deus. O que pode fazer? Pode pensar sobre isso.

Moverá-te em círculos, dando mais e mais voltas. Nunca pode chegar a nenhuma experiência disso.
De modo que a ênfase não está em pensar, a não ser em ver. Não pode pensar a respeito de Deus, mas pode ver. Não pode chegar a nenhuma conclusão a respeito de Deus, mas pode cair na conta. pode-se voltar uma experiência. Não pode chegar a isso mediante a informação, mediante os conhecimentos, mediante as Escrituras, mediante teorias e filosofias; não, não pode chegar a isso. Só pode chegar a isso se descartar todos os conhecimentos. Tudo o que ouviste e lido e aprovisionado, todo o pó que recolheu sua mente, todo o passado, deve ser posto de lado. Então seus olhos são novos, então sua consciencia está livre de nuvens, e então pode vê-lo.

Está aqui e agora; você é o que está nublado. Não tem que ir a nenhuma outra parte para encontrar o divino ou a verdade: está aqui. Está aqui mesmo, onde está. E sempre foi assim, só que você está cheio de nuvens, seus olhos estão fechados. De modo que não é questão de pensar mais; a questão é como alcançar uma consciencia não pensante.

Por isso digo que a meditação e a filosofia são contrárias. A filosofia pensa, a meditação alcança uma consciencia não pensante. E as filosofias orientais não são realmente filosofias. No Ocidente, existe a filosofia; no Oriente, só as realizações religiosas.

É obvio, quando acontece um Buda, quando acontece um Kanad ou um Patanjali, quando alguém chega a realizar o absoluto, fala disso. As enunciações que faz são diferentes das enunciações aristotélicas, das conclusões filosóficas ocidentais. 
A diferença é esta: um Kanad, um Buda, primeiro chega à realização -a realização é o primeiro- e logo faz enunciações sobre ela. A experiência é o primário, e logo a expressa. Aristóteles, Hegel e Kant pensam, e então, mediante o pensamento e a argumentação e a dialética lógicas, chegam a conclusões específicas. Essas conclusões se alcançam mediante o pensamento, mediante a mente, não mediante alguma prática de meditação. Então fazem asseverações, fazem enunciações. A fonte é diferente.

Para um Buda, suas enunciações são só um veículo para comunicar. Ele nunca diz que mediante sua comunicação alcançará a verdade. Se pode entender a Buda, isso não significa que tenha alcançado a verdade; significa simplesmente que aprovisionaste conhecimentos.
Terá que passar por meditações, êxtase profundos, atoleiros profundos
da mente, e só então chegará à verdade.

De modo que a verdade se alcança mediante uma certa experiência existencial. É existencial, não é mental. Deve trocar para conhecê-la e para sê-la. Se segue sendo o mesmo e segue aprovisionando informação, voltará-te um grande erudito, um filósofo, mas não será um iluminado. Seguirá sendo o mesmo homem; não terá havido nenhuma mutação.

Por isso, a filosofia é uma dimensão, em que a meditação é justo o contrário: a oposta, a dimensão diametralmente oposta. Assim não pense sobre a vida; mas bem, vive-a a fundo. E não pense a respeito de problemas supremos; mas bem, entra neste mesmo momento no supremo. E o supremo não está no futuro: está sempre aqui, intemporalmente aqui.

Outra pessoa tem feito também uma pergunta similar. perguntou:
podem resolver problemas pensando?

Sim, certos problemas se podem resolver pensando, só os problemas que são criados pelo pensamento podem ser resolvidos por ele. Mas nenhum problema real pode ser resolvido com ele; nenhum problema existencial e vívido pode ser resolvido com ele. (...)


Pergunta: Há dito que a ciência experimenta com o objetivo, e a religião com o subjetivo. Mas agora há uma nova ciência crescente: a psicologia, ou mais exatamente, a psicologia profunda, que é tão subjetiva como objetiva. De modo que a ciência e a religião se encontram na psicologia profunda?

Osho: Não podem encontrar-se. A psicologia profunda, ou o estudo dos fenômenos psíquicos, também é objetiva. E, o método da psicologia profunda é o método da ciência objetiva.
Tenta ver a distinção. Por exemplo, pode estudar meditação de maneira científica.
Pode observar a alguém que esteja meditando, mas então, isto se tornou objetivo para ti.
Você medita e eu observo. Posso trazer todos os instrumentos científicos para observar o que te está acontecendo, o que está acontecendo dentro de ti, mas o estudo segue sendo objetivo. Eu estou fora. Eu não estou meditando. Você está meditando; é um objeto para mim.
Então eu trato de compreender o que te está acontecendo. Inclusive mediante
instrumentos se podem saber muitas coisas sobre ti, mas isso seguirá sendo objetivo e cientista. De modo que, em realidade, o que estou estudando não é o que te está acontecendo realmente, a não ser os efeitos que seu corpo está registrando.

Não pode penetrar em um buda, no que lhe está acontecendo, porque, em realidade, não está acontecendo nada. O centro mais profundo de um iluminado é um nada. Não está acontecendo nada ali. E se não estar acontecendo nada, como vais poder estudá-lo? Pode estudar algo. Pode estudar as ondas alfa; o que lhe está acontecendo à mente, ao corpo, à química, pode-o compreender. Mas, em realidade, quando alguém se ilumina, não está acontecendo nada no mais fundo. Todo acontecimento cessou.

Isto é o que quer dizer: o mundo cessou. Já não há sansara, nenhum acontecimento. É como se não fora. 

Por isso diz Buda: "Agora me tornei um no-forma, não-ser. Não há ninguém dentro de mim. Sou só um vazio. Chama-a desapareceu, e a casa está desocupada". Não está acontecendo nada. O que pode registrar respeito a isso? E como muito pode registrar que não está acontecendo nada. Se acontecer algo, pode ser registrado objetivamente.

O método da ciência segue sendo objetivo, e a ciência tem muito medo ao subjetivo, por muitas razões. A ciência e a mente científica não podem acreditar no subjetivo, porque, em primeiro lugar, é privado e individual e ninguém pode entrar nisso. Não pode fazer-se público e coletivo, e a não ser que algo seja público e coletivo, não se pode dizer nada sobre isso."
Osho em O Livro dos Segredos IV

3 de novembro de 2015

Amor que constrói galáxias - Jeff Foster


"Você diz que me ama. 
Você diz que você se importa. 
Você diz um monte de coisas, mas as palavras são banais,
 e eu sou digno do tipo de amor que constrói galáxias.

Se você pudesse ver minhas feridas abertas, as minhas cicatrizes. 
Se você visse meus lugares escuros, conhecesse meus segredos. 
Se você visse minhas fantasias, meus pensamentos estranhos, os impulsos que eu não tenho sido capaz de apagar. 
Os sentimentos desconfortáveis que ​​eu tento esconder. 
Os anseios desesperados, os sentimentos vazios que ainda restam.
A raiva que queima. A dor que dói.

Se você soubesse as coisas que eu continuo enterrado no meu coração, as coisas que eu não posso falar. 
Se você visse as rugas, as dobras, a pigmentação, os nódulos e lesões, as manchas e feridas. 
Os crescimentos, as imperfeições, os pelos errantes. 
Os fluidos cujo fluxo não podem ser controlados, as secreções, os cheiros, os terrores da noite.

Se você me visse nu, agitado, despojado de minha imagem, minhas fundações e encobrimentos, minhas pretensões, minhas defesas, minhas barreiras e muros; sem esconder, sem jogos, sem máscaras, sem persona, nenhuma parte para jogar e nada a perder.

Se você visse tudo, diretamente, cruamente, sem censura, sem controle.

Será que você ainda me ama? 
Será que o seu coração está aberto?
Você iria ver feiura, ou você iria ver arte?

Um coração vulnerável. 
Desejando ser reconhecido. 
Perfeito em minha imperfeição.

Você diz que me ama. 
Você diz que você se importa. 
Você diz um monte de coisas, mas as palavras são banais,
 e eu sou digno do tipo de amor que constrói galáxias."

1 de novembro de 2015

Ensinamentos - Prem Baba


** Vivemos numa era na qual os valores espirituais foram praticamente esquecidos. Todos estão atrás de alegrias passageiras, encantados com as criações da mente. O mundo se tornou extremamente materialista. O homem acredita que, para ser feliz, ele precisa dominar a matéria, Acredita que se tiver dinheiro, terá domínio sobre o outro, e dessa forma, se torna dependente dele.
Essa ilusão é o que tem gerado toda crueldade e miséria que vemos no mundo.

**  Quando começa a retirar os amortecedores que te impedem de sentir, e entra em contato com a dor de ter machucado alguém, fique atento para não cair na armadilha da culpa. Às vezes, ela é tão grande que você começa a se punir severamente até que não veja outra saída a não ser amortecer de novo.

** As diversas crises que estamos atravessando, estão a serviço do despertar da consciência coletiva. Estamos sendo levados a reconhecer nossos erros em relação às escolhas que fizemos até agora.
Nossa cultura e nossos sistemas social, econômico e político - têm se baseado no egoísmo, no medo da escassez e no ódio. Mas , para vivermos em um mundo melhor, precisamos converter essas forças destrutivas em altruísmo, confiança e amor.

**  O silencio é a ponte para o eterno, é a ponte para o nosso coração. Não importa a sua religião, não importa sua classe social, não importa o que você pensa.
O silencio é completamente livre de tudo, ele é puro, é realmente expressão máxima da vida.

** Chegou o momento de realizarmos uma revolução na consciência. Isso é possível através do comprometimento com o silencio. O silencio evoca a consciência e a consciência evoca a transformação. A prática de um único minuto em silencio por dia é capaz de iniciar a maior revolução que o planeta já viu.

** Por que evitamos tanto o movimento em direção à nossa interioridade?
Porque talvez isso seja mais desafiador do que você ir a outro planeta. Porque mover-se em direção àquilo que nunca morre, em direção ao Eterno dentro de nós, é aí que reside verdadeiramente, a grande aventura.

** A relação afetiva é a melhor escola. Ela é uma preparação para que você possa se relacionar e amar a Deus. Deus já sabe quem você é e não precisa da sua revelação, mas a pessoa com quem você está se relacionando precisa que você se revele e receba a revelação dela. Para isso é ir além do orgulho e dos medos, é preciso ter coragem para enfrentar verdades pouco agradáveis à respeito do outro e de si mesmo.

** Por alguma razão estamos todos encarnados nessa Terra, portanto, nos cabe jogar esse jogo. E não importa o quão desafiador o jogo seja, é possível vencer. Para isso é preciso ter consciência de que caímos e levantamos até que amadurecemos o suficiente para não mais cair.
Quando podemos identificar a nossa intencionalidade negativa, podemos escolher fazer diferente, e portanto temos a chance de mudar nossas vidas.

** Despertar o amor é uma metáfora para o processo de remover as capas que nos impedem de manifestar esse amor. O rio está fluindo em direção ao mar, mas existem muitos diques, algumas pedras que bloqueiam sua passagem. O trabalho do buscador, do iniciado, é remover estes obstáculos para que o amor possa se manifestar."
Sri Prem Baba 


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