31 de julho de 2012

A falta de sentido - Eckhart Tolle



Pergunta: Por favor me responda: Porque acontecem eventos sem sentido?

Eckhart Tolle: Nós não podemos entender um evento através da mente.
Quando nós perguntamos: Porque isso aconteceu com ele? Porque isso aconteceu comigo? Isso não faz sentido! Ele tinha a vida toda pela frente, e caiu doente e morreu prematuramente. Então a mente diz: Isso não deveria ter acontecido. Isso é ainda pior quando se perde uma criança. Parece ser contra a inteira lei do universo, quando a vida é tirada de alguém que mal começou a viver. Existe em nós um desejo sincero que a criança se recupere.
A mente humana não pode entender porque certas coisas acontecem dentro da totalidade.

Mas ela pode entender, especialmente agora pela física quântica, que não há nenhum evento isolado, tudo está na verdade conectado com tudo o mais. É somente através de nosso isolado senso superficial, que isolamos algo e dizemos : isso é um evento. Mas um evento é parte da totalidade do cosmos. Esta provavelmente conectado com coisas em outras galáxias; o universo inteiro é um organismo, um ser. Tudo aí é conectado, então não há eventos isolados, separados.
Mas não nos é possível entender, pela mente humana, qual a função desde evento que parece sem sentido, que função ele tem na Totalidade.
E isso, inclui as piores coisas que os humanos infligem a outros humanos. (...)
Todos os problemas que são criados no planeta, guerras, campos de concentração, armas químicas, e outras coisas terríveis que mesmo em nossos mais terríveis sonhos, não poderíamos imaginar. E eles fazem tudo isso, para infligir sofrimento a outros homens. Porque tudo isso?
E mesmo isso, dentro da totalidade, tem uma função.

Mas não podemos entender, pois tudo o que vemos são fragmentos.
Se tem uma grande pintura e tiramos dela somente um pequenino pigmento, diríamos: O que é isso? Isso não faz sentido.
Somente quando vemos a Totalidade é que veremos onde ele se encaixa. Pode se ter um vislumbre disso quando se vê um evento aparentemente negativo, como sendo algo que não deveria acontecer. Nesses tempos nós temos todas essas crises mundiais, como a do Iraque. Nos anos 60 tivemos o Vietnã. Vamos olhar para isso para termos só um vislumbre. De um lado tivemos essa guerra que posteriormente foi reconhecida mesmo pelas pessoas no poder, como provavelmente um erro. (...) Provavelmente um erro, grande sofrimento infligido sim. Ao mesmo tempo houve um grande despertar no planeta, especialmente vindo da costa oeste da América, um grande movimento de despertar espiritual. De algum modo o suposto evento negativo não pode ser completamente separado desse evento também. Nesse despertar, a loucura da mente coletiva humana ficou visível.
A visão da loucura da mente humana coletiva, foi verdadeiramente parte desse despertar. Muitas centenas de milhares de pessoas, acabaram se desidentificando com as antigas formas de pensamento coletivo, com as quais até então estavam plenamente identificados.(...)

Quanto mais profundamente sabemos disso, mais o mundo das formas, das coisas, muda. E agora chegamos a algo que temos falado: viver em duas dimensões.
Quando os humanos, ou quando um ser humanos vive em duas dimensões, que são : a forma - o mundo das coisas, e o sem-forma, a quietude, o "vazio".
Essa quietude faz algo também ao modo em que você experimenta o mundo da forma. É algo que flui para o reino da forma que não remove certas polaridades, que são sempre inerentes ao mundo da forma, mas que faz o mundo da forma ser um lugar mais suave. As polaridades ainda estão lá, as formas ainda se dissolvem e se desagregam, mas sem a rudeza e o incrível sofrimento que se manifesta quando a mais profunda dimensão está ausente na vida humana.

Então, isso é como o mundo se torna um lugar mais benevolente, o que ele já é, mas que a mente humana criou o inferno. O planeta mesmo é uma bela jóia de inominável beleza. E os humanos o estão envenenando, destruindo...é loucura...é o que é. Você o vê. Quanto mais seres humanos verem a loucura disso, mais a mudança chega. Você não pode brigar com a loucura, pois assim se tornará louco também. Essa é uma verdade interessante: se você brigar com a loucura, você se torna louco. Você também entra na loucura. Se você brigar com a inconsciência, você é arrastado para a inconsciência. Portanto simplesmente vê-la é suficiente. Você pode denunciá-la, sim, você pode escrever nos jornais sobre isso, mas sem o espírito de luta por traz disso.

Quando você personaliza o inconsciente, faz uma identificação com ele. E acaba por rotular alguma pessoa ou algum grupo de mal, (...) mas essa não é a verdadeira identidade deles, eles incorporaram ainda, a inconsciência humana..."
Eckhart Tolle em Satsang

30 de julho de 2012

Se joga! - Satyaprem


10 Pérolas de Satyaprem em Satsang

- 1
"Só tem um lugar pra olhar, e ele começa com a pergunta: Quem é você? E acredite: você não é nada que você pense que você seja. Não importa o quão maravilhosa seja a idéia que você tenha de si mesmo, ou horrenda, ou terrível, ou medíocre.
Não é questão do adjetivo, a questão é do substantivo. Você não pode ser uma idéia, porque uma idéia pode ser repetida e você é irrepetível. Você não é algo que possa ser apalpado, possa ser tocado... Qualquer idéia que eu te der, qualquer idéia que você receba, não é o que você é. Porque você é indefinível."

- 2
"Você pensa que você pensa, porque você pensa que você é aquele que pensa. Mas VOCÊ não pensa! Então, convide os pensamentos a ficarem. Por que você tem brigado com os pensamentos? Eles não são seus... Eles são apenas pensamentos... Como os sons dos carros que passam, os sons das vozes... E isso tudo é periférico a VOCÊ."

- 3
"Você não pode encontrar a si mesmo, porque você é o que você está buscando. Com a idéia que lhe foi dada, subtende-se que há alguém que busca, e que tem algo a ser encontrado. Tem um sujeito e tem um objeto. Você pode escolher quem você é: o sujeito ou o objeto. E ainda assim, qualquer escolha que você faça, não é você."

- 4
"Especular antes de se jogar no abismo é vão! O meu convite é: antes de pensar, se joga! Pensa depois! Esse abismo que eu estou falando é o abismo que você é. Confronte algo, que de alguma forma lhe foi dito que é inacessível e amedrontador - e não esqueça que isso é uma idéia emprestada de alguém."

- 5
"Imagina se para você encontrar a paz, você precisasse que todos os carros parassem, e que todas as vozes se calassem, e que todas as chuvas não chovessem, e todos os dias quentes não fossem dias quentes, e todos os dias frios não fossem dias frios, e todas as dores de barriga não fossem dores de barriga... Assim, você teria uma possibilidade ínfima de realizar a sua paz interior. Pensando assim, você está no caminho errado. Você ainda está olhando para fora."

- 6
"Se for dito que depois que você encontrar a Verdade você realizará milagres e poderá passear no cosmos... é dado valor, caso contrário, não. Mas observa! Tem algo a acontecer? Disseram a você que algo aconteceria, e você vive à espera de que algo aconteça. E eu estou mais uma vez repetindo: Esse algo é uma idéia. Você não vai ver luzes e nem sentir uma explosão de êxtase. E você tem buscado quem você é, esperando por isso. Mas não se engane! Não há nenhuma idéia que se assemelhe Àquilo o que você é."

- 7
"De repente você se depara com o vazio, com o indefinível, com o sem-forma, com o sem nome... com o infinito. Que não pode ser medido, sentido ou compreendido. E aí, você fica de cara com Aquilo, e diz: "Não! Não pode ser isso. Isso é um desastre!" Será que é mesmo um desastre? A mente concebe a idéia de algo vazio como vazio; mas será que o vazio é vazio, mesmo? E se o vazio for cheio, e o cheio que a mente concebe for vazio?"

- 8
"O desejo enche de vazio a sua vida. Quem sabe então, só o vazio enche realmente a sua vida? Questione-se! E não esqueça que o primeiro passo para esse vazio é saber quem é você."

- 9
"Existe uma tendência em procurar no lugar errado. Você tem que perceber algo que não pode ser percebido, por você ser aquele que percebe.
Não tem saída!
Por isso: pare de buscar! Pare! Stop! Zera tudo! E não esqueça: não é um zerar, pois não há alguém que zere.
Não há nada fora do Todo, fora do Divino, da Essência, da Consciência..."

- 10
"Nem mesmo somos separados de Deus, senão uma emanação daquilo que está em descanso... Que se emana, manifesta-se, e que quando termina o processo de manifestação, retorna.
Assim como uma onda no corpo do oceano, que sobe e desce...
E tudo o que existe é o oceano. Não existe onda! Foi dado um nome a algo que é o próprio oceano. E quando foi dado um nome para aquilo, foi feita uma separação entre a onda e o oceano. E isso explica, talvez, você estar identificado com o seu nome e sua forma.
"A onda descansa nos braços do Oceano"
Satyaprem em Satsang

29 de julho de 2012

Vazio Dançante - Papaji


"Ser é o que você é
Você é aquele Insondável
Onde toda experiência e conceitos aparecem.
Ser é o Momento em que não há o ir e vir.
Isto é o Coração, a Fonte, o Vazio.
Isto brilha de Si, por Si, em Si.
Ser é o que dá o sopro a Vida.
Você não precisa procurar por Isto, Isto está Aqui.
Você é Isto através do que você procura.
Você é Isto que você procura !
E Isto é Tudo o que é.
Somente o Ser é.

Você é Aquele que está cônscio
Da consciência dos objetos e idéias.
Você é Aquele que é ainda mais silencioso do que consciente.
Você é a Vida que precede o conceito de vida.
Sua natureza é silencio e isto não é alcançável,
Isto sempre é.
Você é o Vazio, a Suprema Essência:
Remova o Vazio do Vazio
Deixe somente o Vazio pois não há nada além disso.
Vazio está entre o “é” e o “não é”
E nada esta fora do Vazio então isto é Cheio.
Para ser Livre, você precisa da firme convicção
De que você é este Substrato, esta Paz, este Vazio.
Tudo emerge disso,
Baila em volta disso
E retorna para Isto.
Como o Oceano emerge numa onda para dançar,
Assim, você é este Vazio Dançante!"
Papaji em Ensinamentos

28 de julho de 2012

Consciência e suas formas - Krishnamurti


"A Consciência é um portal de amor, vida, inteligência e criatividade aberto ao Eterno/Infinito do instante perfeito, mágico do Agora.

Fazendo uma analogia com o mar:
Assim como o mar na sua superfície é formado por ondas que se renovam de instantes em instantes, a Consciência em sua superfície é formada por formas temporárias que também se
renovam pelo nascimento e morte.

Assim como o mar em sua profundidade é silêncio, a Consciência em sua profundidade também é silêncio e serenidade.

Ambas as manifestações de superficie e profundidade do mar formam a totalidade do mar, que verdadeiramente, o componente comum é a água.
Ambas as manifestações da superfície e profundidade da Consciência, formam a totalidade da Consciência, que verdadeiramente, o componente comum é o amor que se traduz em vida, inteligência e criatividade, que se manifesta na superfície em diferentes formas conhecidas do universo espaço/tempo.

Para a totalidade não há escolha em si mesmo; para as manifestações temporárias da superfície há escolha, que pode variar em estado de harmonia, sanidade, contentamento, compaixão e no próprio despertar da consciência do SER, ou então em desarmonia de conflitos, desejos, apegos, vir a ser e sofrimentos que caracterizam o EGO.

As ondas do mar: iniciam, sobem e descem. O que fazer ? São ondas do mar.

As formas da Consciência: nascem, crescem e morrem. O que fazer?
São formas da Consciência."
J. Krishnamurti em Satsang

26 de julho de 2012

Amor e Consciência...


"Ninguém escapa do Amor.
Mesmo naqueles espíritos perdidos no ódio e na teimosia, ele opera sutilmente na casa secreta do coração. Docemente, com grande habilidade, o Amor faz sua morada silenciosa no ser.

O Amor é inevitável! Ele não vem. Já está!

Ao longo das eras, inexoravelmente, sob a ação de muitas experiências e suas repercussões cármicas, todos os seres o encontrarão em si mesmos. Mesmo no seio das trevas da consciência, ele está!

Silenciosamente, nos bastidores conscienciais, ele opera pacientemente, pois sabe que as coisas mudam, e sempre há chances de eterno recomeço e aprendizado.

Sim, todos estão destinados ao Amor. E não há como alguém mensurar a magnitude do seu poder de transformação no ser.

Só se sabe que, quando o Amor é percebido, tudo muda! E nada mais será como antes. E isso não tem tempo ou lugar.

No passado, no presente ou no futuro, no infinito do tempo - Éons? Tempo algum? Quem sabe? -, é o Amor que sempre dá as cartas e bate o jogo.
Ninguém o vê, e, nos momentos de crise - que também suscitam mudanças de paradigmas antigos e desgastados e permite novos aprendizados -, muitos se fecham e até mesmo o negam solenemente. Contudo, ele é paciente e sabe que tudo muda.

Eles surfam no infinito e no céu dos corações, docemente, com grande habilidade. Não há como detê-lo!
Ele conhece tudo e, inexoravelmente, será percebido no momento certo do despertar de cada um. E, quando alguém o descobre viajando pelo céu de seu coração, passa a vê-lo nos demais também. Então, tudo muda, e nada mais será como antes.

Um jorro contínuo de bem-aventurança percorrerá todas as fibras de seu ser, dos pés à cabeça, iluminando todos os seus chacras. E energias maravilhosas serão exteriorizadas silenciosamente de sua aura para todos.Esse é o destino de todos os homens, de todos os lugares.

Mesmo que eles ainda não saibam disso e se permitam pensar e agir egoisticamente, o Amor estará neles. Quem descobre isso, mesmo que de forma parcial e ainda sem ter despertado plenamente, é tomado de grande assombro.

Sente que um pouco desse Amor é mais do que tudo já experimentado antes.

Percebe que até mesmo os espíritos empedernidos nas trevas da consciência sentem um pouco disso em si mesmos.
Por isso, eles lutam tanto contra o despertar da consciência; têm medo das inevitáveis transformações que o Amor causa nos corações.

Sabem que as paredes trevosas que construíram em torno de si mesmos não conseguirão impedir o "big-bang consciencial" de acontecer.
Têm medo de que apenas uma centelha desse Amor se torne uma super-nova no céu de seus corações. Então, como autodefesa,
dizem-se das trevas. Porém, como todos os seres, eles são do Amor.

Sim, sentir um pouco desse Amor já vale tudo! Faz pensar que mesmo quem carrega trevas nas intenções e nos atos, também carrega um tesouro secreto no coração.
Faz pensar que todos os homens são irmãos, mesmo que a maioria ainda não perceba isso adequadamente. Não importa!

O despertar é inevitável, e o Amor é paciente.

Lá no meio das trevas do ego está surgindo uma super-nova consciencial. Feliz daquele que já viu essa luz amorosa eclodindo perenemente em seu coração.
Como ensinava o mestre Ramakrishna: "Sem Amor ninguém segue..."

P.S.: Escrevi essas linhas por inspiração de um Amor sutil que não se explica, só se sente... Não sei como ou por que. Só senti e escrevi! Talvez outros também se sintam contentes ao ler essas linhas. E, aí, mais super-novas brilharão em seus corações."
Wagner Borges em Quando o amor desperta a consciência, tudo muda.

25 de julho de 2012

Iluminação é contentamento...


"Você precisa entender uma coisa: a iluminação não é uma fuga da dor, mas um entendimento da dor, um entendimento da sua angústia, um entendimento da sua infelicidade; não um disfarce, não um substituto, mas um profundo discernimento. " Por que estou infeliz, por que há tanta ansiedade, por que há tanta angústia, quais são as causas em mim que estão criando? " E perceber essas causas claramente é livrar-se delas.

Um discernimento sobre a infelicidade traz uma libertação da infelicidade, e o que permanece é a iluminação.
A iluminação não é algo que vem a você, ela se dá quando a dor, a aflição, a angústia e a ansiedade foram entendidas perfeitamente bem e evaporaram, pois agora elas não tem motivo de existirem em você.

Pela primeira vez ela lhe trará o contentamento real, a plenitude real, o êxtase autêntico. E somente então você pode comparar.

O que você antes costumava chamar de "contentamento" não era contentamento; o que você costumava chamar de "felicidade" não era felicidade. Mas agora você não tem com o que compará-la.

Quando a iluminação lhe der o sabor real, você perceberá que todos os seus prazeres e todas as suas felicidades eram simplesmente construídos da matéria da qual os sonhos são feitos; eles não eram reais. E o que veio agora veio para sempre.

Esta é a definição do real: um contentamento que vem e que nunca mais o deixa novamente é o contentamento real. Um contentamento que vem e vai não é contentamento mas simplesmente um intervalo entre dois tormentos, assim como chamamos um intervalo entre duas guerras de "período de paz"; não é um período de paz, mas apenas a preparação para outra guerra. (...)

Tudo o que vem daí é um sonho. Deixe que esta seja a definição : tudo o que vem e vai é sonho, tudo o que vem e não vai é realidade.
Tente entender a sua infelicidade. Viva-a, vá até a profundidade dela, descubra a causa, o motivo dela existir. Deixe que o entendimento seja sua meditação.
E tente entender também o seu contentamento, a sua felicidade e descobrirá a superficialidade deles. Uma vez que tenha se dado conta que sua felicidade é superficial e de que sua angústia é muito profunda, você pode mudar todo o estilo de consciência, e isso está em suas mãos.
Seu contentamento pode se tornar todo o seu ser, e nem mesmo um pequeno espaço é deixado para o descontentamento.

Seu amor se torna sua própria vida, e ele permanece. O tempo passa, mas o que você atingiu segue se aprofundando. Cada vez mais flores, cada vez mais canções nascem a partir dele.
Chamamos a isso de iluminação.
A palavra é oriental, mas a experiência nada tem a ver com o Oriente ou com o Ocidente."
Osho em Alegria, a felicidade que vem de dentro.

24 de julho de 2012

Telas e Matizes...


O mundo é feito de telas e matizes fantásticas
A vida coberta de nuances
e emoções tão variadas
e ver que todas cabem em nosso vastíssimo coração..

Poesias e canções nascem e ecoam por todo o universo
São frases da existência
mergulhadas na amplidão do Ser..

Ecoam e tocam
Surpreendem
Deslumbram
Encantam
Impossível dizer..

Entre tantas eras,
Somos todas.
Entre tantas falas, palavras
Somos nenhuma e além..

As telas descorrem a minha frente
Acima e abaixo
E em cada uma delas
A totalidade pintada e colorida,
matizada infinitamente..

Trago as preces de milhões,
Trago as esperanças, sonhos
Trago todos os atos, fatos
Trago todas as cores claras e escuras,
A paleta é completa total,
Nenhuma falta é possível..

Viver é percorrer milhas e milhas de si mesmo,
Em cada rosto, minha face
Em cada expressão, meu olhar
Em cada palavra, meu silencio
Em cada instante milhares de mim mesmo refletido
Assumindo todas as formas, dimensões, fantasias
Encontros sem medida de Si
Impossível não se deslumbrar..

Imensidão
Êxtase sem fim

Céu em estado de pura sintonia
Terra e água deliciando entre si
Moram nas chamas do fogo, aquele beijo
Derramam sobre cascatas o abraço
Deitam naquela relvas de lembranças
Cachoeiras de poesia
Correm por colinas os sonhos
Descem ladeiras de amores sem fim

Universo é cada um de nós
Infinito particular
Nada a declarar...

Tudo já se foi...dito...

23 de julho de 2012

Sou o Agora - Eckhart Tolle


"Este exato momento AGORA é a única coisa da qual você jamais conseguirá escapar, o único fator constante em sua vida.

Aconteça o que acontecer, e por mais que sua vida mude, uma coisa é certa: é sempre o AGORA.

Se não for possível fugir do AGORA, por que não acolhê-lo e tratá-lo bem?

A divisão da vida em passado, presente e futuro é uma construção da mente, em última análise: ILUSÓRIA.

Passado e futuro são formas pensamento, abstrações mentais.
O PASSADO só pode ser lembrado AGORA.
O que você lembra é um fato que aconteceu no AGORA e do qual você se lembra AGORA.
O FUTURO, quando chega, é o AGORA.
Portanto, a única coisa real, a única coisa que sempre existe,é o AGORA.

Concentrar sua atenção no AGORA, não é negar o que é necessário em sua vida. É reconhecer o que é prioritário.
Depois, você poderá lidar mais facilmente com o que é secundário.
Veja o que é prioritário e faça do AGORA seu amigo, não seu inimigo. Reconheça-o, respeite-o. Quando o AGORA é a base e o foco principal de sua vida, ela flui com facilidade.

Sinta a vida em seu corpo.
Isso enraíza você no AGORA.
Enquanto não se responsabilizar por este exato momento - O AGORA - você não estará assumindo qualquer responsabilidade por sua vida.

É por isso que o Agora é o único lugar onde a Vida pode ser encontrada.
O AGORA é como é porque não pode ser de outro jeito.
Assumir responsabilidade por este momento presente é estar em harmonia com a vida.

Quando você passa a dar atenção ao AGORA, cria-se um estado de alerta. É como se você acordasse de um sonho, o sonho do pensamento, o sonho do passado e do futuro.
É tão claro é tão simples.
Não sobra lugar para criar problemas.
Só esse momento, tal como ele é.

Quando concentra sua atenção no AGORA, você se dá conta de que a vida é SAGRADA. Existe algo de SAGRADO em tudo que você percebe quando se encontra no presente. Quanto mais você viver no AGORA, mais vai sentir a simples e profunda alegria de SER e do caráter sagrado da Vida.

A maior parte das pessoas confunde o AGORA com o que ACONTECE no agora. Mas não é isso.

O AGORA é mais profundo do que qualquer conteúdo que ocorre nele.
É o ESPAÇO no qual tudo ACONTECE.
Você sempre ignora o fato mais óbvio: o seu sentido mais profundo de ser não tem nada a ver com o que acontece na sua vida, nada a ver com o conteúdo de
sua vida.
O sentido de ser, de EU SOU, está intimamente ligado ao AGORA.
Ele sempre permanece o mesmo.
Na infância e na velhice, na saúde ou na doença, no sucesso ou no fracasso, o EU SOU, o espaço do AGORA permanece imutável no nível mais profundo. Mas como ele costuma se confundir com o que acontece em sua vida, você sente o EU SOU ou o AGORA muito tênue e indiretamente, através do conteúdo da sua vida.

Em outras palavras: sua noção de ser fica obscurecida pelas circunstâncias, por sua corrente de pensamento e pelos inúmeros fatos que ocorrem no mundo à sua volta.

O Agora fica encoberto pelo tempo.

No entanto, é tão simples lembrar a verdade e dessa forma voltar às origens (...)
Eu NÃO SOU os meus pensamentos, NÃO SOU minhas emoções, minhas percepções sensoriais e minhas experiências.
NÃO SOU o conteúdo da minha vida.

Sou o espaço onde todas as coisas acontecem.
EU SOU A CONSCIÊNCIA.
SOU O AGORA."
Eckhart Tolle em O Poder do Agora

22 de julho de 2012

Abandone a busca...


Abandone a busca
Abandone o desejo
A expectativa
O anseio
A ideia
Da Realização,
De encontrar a Si mesmo.

Veja que o desejo,
A ansiedade
A meta
O esforço
Os sacrifícios
Todas as formas
E maneiras
Te tiram do aqui e agora
Permanente,
Que é sempre onde o Ser está.

Retire a busca
O desejo
A ideia
O conceito
De que algo te falta,
De que você não é realizado em Si mesmo
E verá que,
O Ser sempre foi e é
Além de qualquer meta
Pensamento
Conceito
Desejo.

A realização é sempre presente
É a sua Natureza Original
Muito além de qualquer conceito
Ideias
Pensamentos
Metas
Expectativas
Que um dia te fizeram acreditar.

A ideia da busca "cria" uma meta
O Ser já É...
Em "ti", em "mim" em tudo que há,
Aqui e Agora...

21 de julho de 2012

A Nascente - Papaji


"Sentar-se calmamente e não mover sua mente ou intelecto.
Em seguida, observe o observador.
Esta é a sua verdadeira natureza, de onde tudo provém.

É a sua própria natureza, não se esqueça.

Se você fizer qualquer esforço ou usa qualquer método de tentar conseguir algo em algum futuro distante, isso vai lhe trazer em tempo.

E tempo é mente.

Assim, este será o jogo da mente apenas.
Mas a sua natureza original é vazia.

Se você seguir qualquer pensamento que surge na mente, você vai encontrar que ele surge da vacuidade, da sua nascente.

E quando você está consciente, quando você vê "Eu sou essa fonte propriamente dito" e, em seguida, não é necessário para a prática de qualquer coisa.

Não há necessidade de ir em qualquer lugar.

E você vai ver que você tem sido sempre "isso".

Isso é chamado de liberdade, e você não está a conseguir ou alcançá-lo em algum futuro distante.
Ele já está lá."

Papaji, Ensinamentos sobre Meditação

19 de julho de 2012

Compreensão verdadeira - Ranjit Maharaj


"A verdadeira felicidade está em você, e não fora de você. No sono profundo você é feliz, está na ignorância do mundo.

Assim a felicidade reside no esquecimento do mundo. Deixe o mundo do jeito que é, não o destrói, mas saiba que ele não é. Faça todas as coisas que tem a fazer, mas esteja sempre
de fora, afastado pela compreensão, porque tudo que você sente, percebe e faz é ilusão, não existe. Sua mente deve aceitar isso. Os sábios dizem “Já que isso é nada, como esse nada pode afetá-lo?” Mas o que diz sua mente o afeta, o toca... Então, que fazer? A mente é nada mais que
conhecimento, mas isso não está certo.

Dois homens queriam pregar uma peça a um dos seus amigos. Um deles começa insultando outro, que se pus então a rir. O terceiro, ultrajado lhe diz: “como você pode rir enquanto ele o insulta?”. Ria porque sabia que era apenas um jogo, tinha a chave do jogo, mas o outro não entendia. Da mesma maneira, os seres realizados vivendo nesse mundo compreendem que tudo isso é nada, e seja o que for que aconteça, nada acontece. Assim não estão tocados. As pessoas estão sempre no temor do que acontece ou vá acontecer, do que os outros vão dizer. “O que vou fazer?”, pensam, “o que vá me acontecer?”. Lutam ou festejam. Todas essas alienações e esses bloqueios vêm da mente, mas aquele que está fora do circulo entende que tudo isso é nada, não existe, que é apenas ignorância.

É dito que aquele que mergulha nas profundezas do oceano encontra a perola. Aquele que fica na superfície é arrastado no turbilhão do prazer e do sofrimento. Você deve mergulhar fundo no ilimitado porque é ali que você está. Nunca pare ao finito, ao limitado. O ouro não se preocupa com as formas que moldam as jóias, isso pode ser a figurinha dum cachorro ou duma divindade, é indiferente ás formas.

Da mesma maneira, seja indiferente ás coisas porque não existem, nada pode tocá-lo.
A mente deve chegar á plena compreensão do que é a ilusão. O que sobrou é seu estado.

Nada sobrou para aquele que entendeu, não há nem ganho nem perda.

Não me pergunte se você pode alcançar a realidade, porque você é a realidade, então porque dizer: “posso?”.

Primeiramente, saia do círculo, largue as coisas uma após outra, e mergulhe em você – mesmo. Em seguida volte, e esteja em tudo.
O que descreveu é um bom estado, não há dúvida á respeito, mas vá um pouco mais longe. Quando a mente aceita que tudo é ilusão, tudo apenas ilusão, então você está em você – mesmo.
O corpo e a mente são ilusões, você deveria estar feliz por saber isso. Livre-se dessa identificação. A única coisa que o mestre faz é dar seu real valor ao poder que está em você, ao qual você não dá nenhuma importância. Ele não faz mais nada. Era uma pedra, e o mestre revela sua verdadeira natureza que é o diamante. Faz de você mesmo a pedra mais preciosa.

Eu sou onipotente, onipresente, sou o criador de tudo que é. Quando você está na base de tudo, você é tudo, então, até um assassino não pode ser considerado como mal.

Tudo que acontece é “minha ordem”. Seja o mestre, não o escravo. Você já é o mestre."
Ranjit Maharaj em The Way of a Bird

18 de julho de 2012

O Menino e seu cão...


Nos meus tempos de faculdade de biomedicina no Rio, tive um professor de botânica que nos contou um dia uma história da sua vida, que guardo comigo até hoje.

Contava ele que desde criança já era apaixonado por plantas e flores, e como vivia no interior do estado, em um sítio, passava seus dias pelos campos brincando em meio as plantas, árvores e adorava observar também os pequenos animais.

Nessa época ele tinha um cãozinho que sempre ia com ele nas suas "aventuras"; só que como o animalzinho tinha um pequeno problema de quadril e sempre que caminhava o cãozinho tinha que dar umas pequenas paradas e descansar por causa das dores que sentia.
Isso fazia com que o menino ficasse sempre prestando atenção ao seu cãozinho, e ora ele avançava e o esperava ou as vezes era ele que ficava distraído observando suas plantas e o animalzinho avançava e os dois se perdiam de vista, mas mesmo assim sabiam que estavam ligados um ao outro.
Eram grandes companheiros de aventuras e viveram maravilhosos passeios, sempre nesta sincronia linda. Foi um convívio que durou nove anos e lhe deixou muitos ensinamentos que ele levou para a sua vida.

Quando o menino cresceu, foi fazer faculdade na capital e depois se casou e tornou professor, sempre se lembrava daquele seu amiguinho que tinha um ritmo diferente do seu, que as vezes precisava esperar por ele e outras vezes era ele que era esperado também.

Quando convivemos com outras pessoas, precisamos perceber que cada um possui um ritmo diferente, necessidades diferentes, demandas diferentes e que isso não anula ou diminui o amor que se sente, pelo contrário, fortalece a relação e o respeito pois se reconhece ali um individuo que é absolutamente diferente de todos os demais, e merece ser visto e cuidado como tal.
Nunca me esqueci do ensinamento deste meu professor, e levei comigo para sempre essa lição.

Hoje trago esta história aqueles que me escreveram e que me pediram orientações sobre seus relacionamentos entre casais, pais e filhos, etc. Fica aqui este exemplo.

Somos a mesma essência divina, se apresentando de inúmeras aparências diferentes, e este é o grande desafio da existência, ser ao mesmo tempo única na profundidade e múltipla na superfície, como o oceano.

Quando respiramos nós sem percebermos, reproduzimos esse ritmo pulsante da vida a cada segundo de nossas vidas. Quando inspiramos nós nos abrimos para o mundo, o ar, a vida, a totalidade do momento presente. Estamos abertos, estamos Totais. Quando expiramos nos esvaziamos e nos recolhemos na essência, no vazio profundo do Ser. Ali não cabe mais nada, apenas recolhimento e espera, até que nova respiração nasça naturalmente e comece um novo ciclo.

Da mesma forma é a existência. Estamos em contato com a vida abundante bela, exuberante, com as aparentes diferenças, modulações, nuances e todos os matizes de eventos da realidade e os infinitos conceitos da mente, todas as infinitas emoções, sentimentos aos milhares, encontros, desencontros, enfim todas as experiências que temos o privilégio de experimentar todos os dias; e também temos a necessidade de nos recolhermos, de aquietarmos a fala, o corpo, a mente, os pensamentos, os sentimentos, de aquietarmos a alma, e simplesmente existirmos sem nenhum movimento, apenas repousar na nossa essência plena e simples, que é absolutamente plena em Si mesma. E depois de um tempo nessa dimensão belíssima e abundantes de energia e amor, retornamos ao mundo e nos abrimos em expansão e generosidade e novas e novas experiências e ensinamentos.

A existência, a vida é assim. Movimento e repouso. Inspiração e expiração.
Se abrimos mão de um deles, perdemos os dois, pois na realidade ambos são a mesma e única dimensão da Totalidade se apresentando.
Tomemos consciência da nossa grandeza e também dos desafios que essa consciência nos trás.
Amor e sabedoria convivendo em perfeita harmonia.
Raízes e Asas também...

Todo amor,
Lilian

17 de julho de 2012

Sobre o Sofrimento - Osho


Amado Osho, como eu posso me livrar do sofrimento?

"Todo mundo passa a sua vida em busca de uma coisa: como livrar-se do sofrimento? Como obter felicidade e alegria?

Você quer buscar alegria, mas o que você pagará por isso? O que você dará em troca daquilo que conseguiu?

Se um homem der um passo que seja, ele terá que deixar o pedaço da terra sobre o qual ele estava em pé. Somente assim ele poderá ir adiante. Não haverá qualquer progresso neste mundo se nós não quisermos abrir mão de alguma coisa. Sem sacrificar-se você não conseguirá dar nem mesmo um passo.
Se as suas mãos estão cheias de lama, de seixos e de pedras e você quer diamantes, você terá que abandonar as pedras. Para agarrar o objeto desejado, as suas mãos deverão estar vazias. Você deverá deixar as coisas inúteis.

Não tenha medo: eu não lhe direi para renunciar à sua riqueza, mesmo porque ninguém tem riqueza alguma, ninguém mesmo. Neste mundo, até o mais rico dos homens é um mendigo.
Ninguém tem riqueza. Existem dois tipos de mendigos: um é o mendigo pobre e o outro é o mendigo rico, mas ambos são mendigos. Até agora, eu nunca vi um homem rico. Existem muitas pessoas que possuem dinheiro, mas elas não são ricas, elas também estão na corrida para agarrar o máximo que elas puderem, do mesmo jeito como faz o mais pobre dentre os homens pobres. Como um pedinte que segura tudo o que tiver com as mãos bem apertadas, também o homem que tem o maior dos cofres segura com as mãos apertadas tudo o que ele tiver. A avareza deles é a mesma e assim a pobreza deles também é a mesma.

Você não tem riqueza. Ninguém a tem. Por isso eu não insisto que você tenha que abandoná-la. Como você pode deixar alguma coisa que você não tem? Eu não lhe digo para desistir da sua vida - você nem mesmo tem isso. Como você pode ter alguma coisa, se nem mesmo tem consciência dela? E a cada momento você fica tremendo de medo da morte. Se você fosse a própria vida, por que você estaria com medo da morte?

A vida não tem morte alguma. Como a vida pode tornar-se morte? Mas você está tremendo de medo da morte. A cada momento a morte está rondando você. Você está tentando se salvar por qualquer caminho possível, para que você não desapareça, para que você não morra, para que você não chegue a um fim. Mesmo a vida, você não a tem. É por isso que eu não irei lhe pedir para desistir da sua vida. Como você pode dar alguma coisa que você não tem?

Eu só irei pedir aquilo que você tiver. E eu irei pedir aquilo que todos têm. Assim como eu disse que a busca de todo mundo é por alegria, também existe algo que todos têm em abundância: o sofrimento. Você tem uma quantidade suficiente de sofrimento, mais do que você precisa. Por muitas vidas você nada mais tem colecionado a não ser sofrimentos. Você colecionou pilhas disso. Mesmo o monte Everest parecerá pequeno se for comparado com as pilhas de problemas que você tem colecionado. Esse é o trabalho de suas muitas vidas; você nada tem ganho, exceto problemas. Mesmo agora você os está ganhando.

Eu gostaria que você largasse seus problemas, renunciasse aos seus problemas. Ninguém jamais pediu os seus problemas, mas eu estou pedindo. E se você puder desistir de seus problemas, aí o caminho para a alegria poderá ser aberto. E se você conseguir abandonar os seus problemas, você irá perceber que aquilo que você pensava ser problema nada mais era que ilusão. E os seus problemas não o estavam segurando; você é que os estava segurando. Mas uma vez que você os deixe ir, você irá saber então quem estava segurando quem.

Você está sempre perguntando como conseguir livrar-se do sofrimento. Perguntando assim, parece que o sofrimento o está segurando e você quer livrar-se dele. Se o sofrimento estivesse lhe segurando, então não seria possível você se livrar dele, porque a posse não estaria em suas mãos, mas nas mãos do sofrimento. Você seria impotente. E se depois de tantas vidas você ainda não conseguiu tornar-se livre, então como conseguir tornar-se livre agora?

Eu digo a você que o sofrimento não o está segurando; você é que está segurando o sofrimento. E se você puder fazer uns experimentos, aceitando o que eu estou dizendo, você irá compreender por si mesmo. E não apenas você compreenderá isso, mas você irá experienciar uma entrega; você saberá como o sofrimento pode ser abandonado. E quando tornar-se bom na arte de abandonar o sofrimento, você irá perceber o que estava arrastando consigo. E ninguém, a não ser você, era responsável por isso. Por qualquer coisa que você tenha experienciado como sofrimento, nenhuma outra pessoa pode ser responsabilizada. Esse era o seu desejo: você queria sofrer.

Tudo o que nós desejarmos será permitido. E tudo o que você é, é o fruto dos seus desejos. Nem Deus é responsável, nem a sorte; ninguém tem motivo algum para lhe causar problemas.
A verdade é que a existência está sempre querendo fazer você ficar alegre. Toda essa existência quer que a sua vida se torne um festival... porque quando você está infeliz, você também sai atirando infelicidade por toda a sua volta.

Quando você está infeliz, o mau cheiro de suas feridas alcança toda a existência. E quando você está infeliz, a existência também sente dor. Todo esse mundo sente dor quando você está infeliz e sente alegria quando você está alegre. A existência não deseja que você deva ser infeliz.
Isso seria suicídio para a própria existência. Mas você está infeliz e para se tornar infeliz você teve que fazer toda sorte de arranjos. E enquanto isso não for destruído, você não será capaz de abrir os seus olhos para a felicidade.

Quais são os seus arranjos? Que arranjo o homem faz para estocar os seus problemas? Como ele os coleciona? Compreenda isso um pouco e talvez fique mais fácil para você deixá-los.

Uma criancinha quer chorar. Os psicólogos dizem que a ação de chorar da criança é a ação de vomitar. Sempre que uma tensão cresce dentro de uma criança, ela, ao chorar, atira
para fora as suas tensões. Você foi uma criancinha. Uma criancinha está com fome e não estão lhe dando o leite na hora certa. É por isso que ela está chorando, é porque ela encheu-se de tensão. E isso é necessário para liberar a sua tensão para fora. Ela irá chorar, a tensão será liberada e ela se sentirá mais leve. Mas nós ensinamos a criança a não chorar. Nós tentamos todas as maneiras para impedi-la de chorar. Nós colocamos brinquedos em suas mãos para que ela se esqueça; nós colocamos alguma coisa artificial em sua boca, ou colocamos o seu polegar em sua boca de modo que ela confunda isso com o seio de sua mãe e esqueça da fome. Nós começamos a balançá-lo para lá e para cá para que sua atenção se disperse e ela não chore. Nós tentamos tudo para não deixá-la chorar. Aquela tensão que poderia ter sido liberada pelo choro, não é liberada e vai sendo guardada. Desse jeito nós deixamos que isso vá se acumulando. Quem sabe quantas dores e angústias cada pessoa tem acumulado? Ela senta-se sobre essa coleção empilhada.

Quem sabe quantas tensões você acumulou? Você não tem chorado nem dado gargalhadas com seu coração totalmente presente. E porque você não chorou, alguma coisa ficou presa dentro de você. Você não tem ficado totalmente com raiva, nem tem perdoado completamente alguém. Você tornou-se uma pessoa pela metade. Os seus ramos querem se abrir mas eles não são capazes disto. As folhas querem brotar para todos os lados, mas elas não são capazes disto. A sua árvore ficou atrofiada. O nome dessa dor acumulada, dessa dor não liberada, é inferno. E você segue arrastando esse inferno ao seu redor.
Eu o chamei aqui para que o seu inferno possa ser jogado fora, e você pode jogá-lo fora. (...)

Eu estou aqui para aqueles que são capazes de tornarem-se simples como uma criança, e somente assim eu posso fazer alguma coisa. Porque somente às crianças pode-se ensinar alguma coisa, somente as crianças podem ser mudadas, e uma revolução pode ocorrer apenas nas vidas das crianças. Nos experimentos de meditação que acontecerão aqui, vomite, atire para fora todo sofrimento que você tiver em seu coração. Se você tiver raiva, atire-a para o céu, se você
tiver violência, atire-a para o céu. Você não tem que ser violento com ninguém, simplesmente libere a violência para o céu aberto. Problemas, dores, culpas; qualquer coisa que estiver dentro tem que ser jogada para fora. Você tem que atirá-las tão totalmente quanto for possível. Use toda a sua energia de modo que qualquer problema que estiver dentro seja trazido a consciência.

Você deve compreender que enquanto você não ficar consciente da dor escondida no seu inconsciente, ela não o deixará, ela permanecerá escondida. Exponha-a, traga-a para a consciência. Puxe-a para fora, onde quer que ela esteja escondida na escuridão interna, traga-a para a luz. Algumas coisas morrem com a luz. Se você puxar para fora da terra as raízes de uma árvore, elas morrerão. Elas necessitam da escuridão, elas vivem na escuridão, na escuridão está a vida delas. Assim como as raízes, o sofrimento também vive na escuridão. Exponha os seus sofrimentos e você descobrirá, eles morreram. Se você continuar escondendo-os dentro de si, eles irão permanecer seus companheiros constantes por muitas vidas.
A infelicidade tem que ser expressada.Compreenda uma coisa mais: foi de fora que você pegou as dores e as trouxe para dentro de si. Por favor, volte com elas para o lado de fora. A dor não é interna; todas as dores são trazidas do lado de fora.

Quando você nasceu, qual era a natureza do seu ser? Não havia dor: a dor foi trazida de fora. Se um homem o maltratou e fez você ficar infeliz, o maltrato foi trazido de fora. Agora, você irá acumular essa dor do lado de dentro, deixará que ela cresça, irá reprimi-la, assim ela se expandirá e envenenará toda e qualquer célula do seu corpo.

Você se tornará um homem infeliz. Você traz a dor de fora. Ela não está em sua natureza. É por isso que eu lhe digo que você pode livrar-se da dor. Você não consegue se livrar da natureza, daquilo que é a fonte do sentir. Você pode livrar-se apenas daquilo que não é seu. Não há jeito de você livrar-se daquilo que é seu.

A dor tem que ser jogada fora. Durante esses próximos dias, quanto mais você puder jogar, jogue. E na medida em que você for jogando fora, irá crescer a sua compreensão que isso era uma loucura estranha que você estava cultivando. Isso poderia ter sido jogado fora naturalmente, estava em suas mãos, mas, desnecessariamente, você se bloqueou. E a segunda coisa: na medida que você joga fora a dor, que a envia de volta para fora, de onde ela veio, a alegria começa a brotar dentro de você.

A alegria está dentro. Ninguém a traz de fora. Ela não vem de fora, ela é a sua natureza, ela é você. Ela está escondida dentro, ela é a sua alma. Se for jogado fora esse lixo que veio de fora e que tem sido acumulado, então a alma interna começará a expandir, começará a crescer. Você começa a ver a sua luz e a ouvir a sua dança, você começa a mergulhar na música mais interna.

Mas isso só acontece se você liberar o lixo de modo que o céu interior possa se estabelecer, algum espaço criado. Então aquele espaço que está escondido dentro pode expandir-se.
A dor deve ser expressada para que aquela alegria possa expandir-se internamente. E quando a alegria começa a expandir-se, é necessário compreender também a segunda coisa. Se você reprimir a dor, ela cresce. Se a dor é reprimida ela cresce, se você a expressar, ela diminui. Com a alegria ocorre totalmente o oposto: se você reprimir a alegria, ela diminui; se você a expressar ela aumenta.

Assim, a primeira coisa é isso: que você tem que jogar fora a dor, porque ela diminui sendo expressada. Não a reprima, pois ela cresce com a repressão. E quando você tiver a primeira visão da alegria que vem de dentro,então expresse-a... porque quanto mais você expressar a alegria, mais ela aumenta internamente e camadas frescas começam a crescer.
Isso é exatamente igual, quando você fica tirando água de um poço: nova água de fontes frescas encherá o poço. A fonte da alegria está dentro, assim não tenha medo de que ela irá diminuir por você expressá-la. A dor fica reduzida ao expressá-la, porque a sua fonte não está dentro. Ela foi trazida de fora, assim se você a expressar, ela ficará reduzida.

Se você quiser enganchar-se na dor, então tenha isso em sua mente: nunca jogue-a fora. Se você quiser aumentar o seu sofrimento - e isso é o que você está fazendo e parece que muitas pessoas estão fazendo - então nunca expresse seu sofrimento, nunca manifeste-o. Se lágrimas estiverem jorrando, então engula-as, se você sentir raiva, reprima isso. Se qualquer problema estiver brotando internamente, reprima isso. Ele irá aumentar. Você se tornará um grande inferno.

Se você quiser reduzir a dor, então deixe-a acontecer; se você quiser aumentar a alegria, então deixe-a acontecer, porque a alegria está dentro e novas camadas continuarão se revelando. E na medida em que você segue deixando a alegria acontecer você começará a ter mais e mais vislumbres de pura alegria.
A alegria aumenta ao ser compartilhada.
A dor tem que ser liberada. E quando você começa a ter vislumbres de alegria, eles também têm que ser liberados.
Você tem que se tornar como uma criancinha, que não tem qualquer preocupação a respeito do passado, nem qualquer questão a respeito do futuro, que nem mesmo sabe o que os outros estão pensando a seu respeito.

Somente então acontecerá aquilo para o que eu o chamei aqui, e aquela jornada na qual eu gostaria que você fosse bem suavemente. Um pouco de coragem é requerida, e então, os tesouros de alegria não estarão longe.
Um pouco de coragem é requerida e você poderá abandonar o seu inferno - exatamente como alguém que se suja na rua e volta para casa para tomar um banho e a sujeira é lavada. Da mesma maneira, a meditação é o banho e a dor é a sujeira.

Assim como depois do banho a sujeira foi lavada e você se sente fresco, da mesma forma você terá um vislumbre, sentindo dentro de si a felicidade e alegria que é a sua natureza."
Osho em The Sadhana Sutra

16 de julho de 2012

Descubra-se...


"Descubra sua sabedoria interior... ou apenas descanse.
Trata-se de uma técnica simples de desencadear um estado de relaxamento profundo de corpo e mente. À medida que a mente se aquieta e permanece desperta você vai se beneficiar de um estado de consciência mais profundo e tranqüilo.

1. Antes de começar, encontre um local silencioso em que não vá ser perturbado.
2. Sente-se ou deite e feche os olhos.
3. Concentre-se na respiração, mas inspire e expire normalmente. Não tente controlar ou alterar a respiração deliberadamente. Apenas observe.
Ao observar a respiração, vai ver que ela muda. Haverá variações na velocidade, no ritmo e na profundidade, e pode ser que ela pare por um momento. Não tente provocar nenhuma alteração. Novamente, apenas observe.
Pode ser que você se desconcentre de vez em quando, pensando em outras coisas ou prestando atenção aos ruídos externos.

Se isso acontecer, desvie a atenção para a respiração.
Se durante a meditação você perceber que está se concentrando em algum sentimento ou expectativa, simplesmente volte a prestar atenção na respiração.
Pratique esta técnica durante quinze minutos. Ao final, mantenha os olhos fechados e permaneça relaxado por dois ou três minutos. Saia do estado de meditação gradualmente, abra os olhos e assuma sua rotina.
Sugiro a prática da meditação atenciosa duas vezes ao dia, de manhã e no final da tarde. Se estiver irritado ou agitado, pode praticá-la por alguns minutos no meio do dia para recuperar o eixo.
Na prática da meditação você vai por uma de três experiências. Mas deve resistir à tentação de avaliar a experiência ou sua capacidade de seguir as instruções, porque as três reações são "corretas".
Você pode se sentir entediado ou inquieto, e a mente vai se encher de pensamentos. Isso significa que emoções profundas estão sendo liberadas. Se relaxar e continuar a meditar, vai eliminar essas influências do corpo e da mente.
Você pode cair no sono. Se isso acontecer durante a meditação, é sinal de que você anda precisando de mais horas de descanso.
Você pode entrar no intervalo dos pensamentos... além do som e da respiração.

Se descansar o suficiente, mantiver a boa saúde e devotar-se todos os dias à meditação, você vai conseguir um contato significativo com o self.

Vai poder se comunicar com a mente cósmica, a voz que fala sem palavras e que está sempre presente nos intervalos entre um pensamento e outro. Essa é a sua inteligência superior ilimitada, seu gênio supremo e verdadeiro, que, por sua vez, reflete a sabedoria do universo. Tudo estará a seu alcance se confiar na sabedoria interior."
Deepak Chopra em Saúde Perfeita

15 de julho de 2012

Mente alerta...



“A mente alerta é, sobretudo, a capacidade de simplesmente reconhecer a presença de um objeto sem tomar partido, sem julgar, sem cobiçar e sem desprezar este objeto.

Por exemplo, suponhamos que exista um lugar dolorido em nosso corpo. Com a mente alerta, nós simplesmente reconhecemos esta dor.(...)

Com a energia da concentração e da introspecção, somos capazes de ver e entender a importância dessa dor, o verdadeiro motivo porque surgiu e a maneira como seremos capazes de curá-la, com base na compreensão que provém da mente alerta e da concentração. Se tivermos ansiedade demais, se estivermos imaginando sempre coisas, esta ansiedade e estas imaginações vão trazer estresse à nossa mente, e a dor aumentará. E nós nos preocupamos e lamentamos até não mais conseguir comer nem dormir. A dor redobrar e pode levar a uma situação mais grave. (...)

Quando perseguimos os objetos do desejo dos nossos sentidos (...), criamos muito sofrimento para nós e para os outros. (...).

Inspirando, colocamos nossa atenção em nossa respiração.
Sentiremos a calma o tempo todo que estivermos inspirando.

Exatamente como se estivéssemos bebendo um copo de água fresca; sempre que a água fresca entra em nosso corpo, nosso interior se sente refrescado.

Na prática meditativa, quando a mente está calma e em paz, o corpo também está calmo e em paz, porque a respiração consciente une outra vez o corpo e a mente.
Quando expiramos, sorrimos para relaxar todos os músculos de nossa face. Também o nosso sistema nervoso fica relaxado quando sorrimos.

Na tempestade de nossas emoções, se soubermos como sair da área do furacão, da área de nosso cérebro, e voltar toda a nossa atenção para o abdome, para o ponto da acupressão logo abaixo do umbigo (dan tien), nós nos sentiremos bem diferentes. Veremos que não somos apenas nossas emoções, somos mais do que nossas emoções. As emoções vão embora, mas nós ficamos. (...)

No Sutra da Plena Consciência da Respiração, o Buda ensinou: Inspirando, acalmo minha mente.

Quando nossa mente não está calma, nossas percepções normalmente são incorretas. O que vemos, ouvimos e pensamos não reflete a realidade, assim
como, quando há ondas no lago, suas águas não conseguem espelhar fielmente as nuvens do céu. Buda é a serena lua cheia, percorrendo o céu do vazio.

Quando a mente dos seres vivos está calma, a imagem da lua cheia será refletida claramente. Nossa tristeza e irritação nascem de nossas percepções erradas. Para evitar percepções erradas, temos de praticar muito, a fim de que nossa mente fique calma e em paz como a superfície do lago numa manhã de outono.
Nossa respiração pode produzir esta paz.”
Thich Nhat Hahn em Paz a cada passo
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