18 de julho de 2012

O Menino e seu cão...


Nos meus tempos de faculdade de biomedicina no Rio, tive um professor de botânica que nos contou um dia uma história da sua vida, que guardo comigo até hoje.

Contava ele que desde criança já era apaixonado por plantas e flores, e como vivia no interior do estado, em um sítio, passava seus dias pelos campos brincando em meio as plantas, árvores e adorava observar também os pequenos animais.

Nessa época ele tinha um cãozinho que sempre ia com ele nas suas "aventuras"; só que como o animalzinho tinha um pequeno problema de quadril e sempre que caminhava o cãozinho tinha que dar umas pequenas paradas e descansar por causa das dores que sentia.
Isso fazia com que o menino ficasse sempre prestando atenção ao seu cãozinho, e ora ele avançava e o esperava ou as vezes era ele que ficava distraído observando suas plantas e o animalzinho avançava e os dois se perdiam de vista, mas mesmo assim sabiam que estavam ligados um ao outro.
Eram grandes companheiros de aventuras e viveram maravilhosos passeios, sempre nesta sincronia linda. Foi um convívio que durou nove anos e lhe deixou muitos ensinamentos que ele levou para a sua vida.

Quando o menino cresceu, foi fazer faculdade na capital e depois se casou e tornou professor, sempre se lembrava daquele seu amiguinho que tinha um ritmo diferente do seu, que as vezes precisava esperar por ele e outras vezes era ele que era esperado também.

Quando convivemos com outras pessoas, precisamos perceber que cada um possui um ritmo diferente, necessidades diferentes, demandas diferentes e que isso não anula ou diminui o amor que se sente, pelo contrário, fortalece a relação e o respeito pois se reconhece ali um individuo que é absolutamente diferente de todos os demais, e merece ser visto e cuidado como tal.
Nunca me esqueci do ensinamento deste meu professor, e levei comigo para sempre essa lição.

Hoje trago esta história aqueles que me escreveram e que me pediram orientações sobre seus relacionamentos entre casais, pais e filhos, etc. Fica aqui este exemplo.

Somos a mesma essência divina, se apresentando de inúmeras aparências diferentes, e este é o grande desafio da existência, ser ao mesmo tempo única na profundidade e múltipla na superfície, como o oceano.

Quando respiramos nós sem percebermos, reproduzimos esse ritmo pulsante da vida a cada segundo de nossas vidas. Quando inspiramos nós nos abrimos para o mundo, o ar, a vida, a totalidade do momento presente. Estamos abertos, estamos Totais. Quando expiramos nos esvaziamos e nos recolhemos na essência, no vazio profundo do Ser. Ali não cabe mais nada, apenas recolhimento e espera, até que nova respiração nasça naturalmente e comece um novo ciclo.

Da mesma forma é a existência. Estamos em contato com a vida abundante bela, exuberante, com as aparentes diferenças, modulações, nuances e todos os matizes de eventos da realidade e os infinitos conceitos da mente, todas as infinitas emoções, sentimentos aos milhares, encontros, desencontros, enfim todas as experiências que temos o privilégio de experimentar todos os dias; e também temos a necessidade de nos recolhermos, de aquietarmos a fala, o corpo, a mente, os pensamentos, os sentimentos, de aquietarmos a alma, e simplesmente existirmos sem nenhum movimento, apenas repousar na nossa essência plena e simples, que é absolutamente plena em Si mesma. E depois de um tempo nessa dimensão belíssima e abundantes de energia e amor, retornamos ao mundo e nos abrimos em expansão e generosidade e novas e novas experiências e ensinamentos.

A existência, a vida é assim. Movimento e repouso. Inspiração e expiração.
Se abrimos mão de um deles, perdemos os dois, pois na realidade ambos são a mesma e única dimensão da Totalidade se apresentando.
Tomemos consciência da nossa grandeza e também dos desafios que essa consciência nos trás.
Amor e sabedoria convivendo em perfeita harmonia.
Raízes e Asas também...

Todo amor,
Lilian

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