31 de agosto de 2011

Ser generoso...


"Somente um ser humano generoso é renovado. Um ser humano não-generoso, fechado, miserável, torna-se sujo — está propenso a ficar assim.

É exatamente como um poço. Ninguém o usa, o poço não tem possibilidade de dar sua água a ninguém; então, o que acontecerá com ele? Novas fontes não o estarão suprindo, porque não há necessidade.
A água velha ficará cada vez mais e mais suja; o poço inteiro estará morto. Águas frescas não estarão chegando até ele. É assim que tem acontecido a muitos de vocês.

Convide as pessoas a compartilhar de você.
Convide as pessoas a beber de você.

Esse é o significado do que Jesus diz: "Bebam de mim! Comam de mim!". Quanto mais você se alimenta dele, mais Jesus cresce. Quanto mais você bebe dele, mais as águas frescas fluem.
As riquezas que a vida lhe doou não são limitadas, mas só um ser humano generoso pode saber disso. Elas são ilimitadas.

Você não é uma companhia de recursos limitados, mas de recursos ilimitados. Atrás de você, o Divino está escondido. Ninguém pode exauri-lo. Cante quantas canções puder, e você não será exaurido; até pelo contrário, melhores e melhores canções virão."
Osho em Antes que Você Morra

30 de agosto de 2011

A busca do amor...



"A causa da falta de amor não está longe, na verdade está dentro de cada indivíduo.
É a condição individual interna que resulta na condição do coletivo.
Cada empreitada na vida é apenas uma busca pelo amor.


Assim como uma criança estava infeliz porque queria que alguém a amasse. Mais tarde a busca prosseguiu com os professores, o cônjuge, e depois com os filhos. A vida se tornou um grande processo de espera. Frequentemente testamos nossos entes queridos pelo que chamamos de amor real
e acabamos ficando insatisfeitos e com raiva.

Aquilo que as pessoas chamam de amor, é apenas pedir, desejar ardentemente e implorar por amor. Este pedido pelo amor, é o que pensamos ser o amor. A conseqüência é frustração, aborrecimento, e desespero.

Cada indivíduo tem um vazio no interior. Para preencher o vazio usamos as relações.
As pessoas tem a necessidade constante de se sentirem amadas por isto tendem a serem possessivas nas suas relações. Quando o amor é posse há o medo da perda. A pessoa destrói a sua liberdade e a de todos. Um ato de medo é reivindicado como sendo amor!
A verdade é que as pessoas não se amam, e uma relação é o meio de se amar. Eles tentam se preencher através das relações.

Todo amor tem que começar com o amor por si mesmo. Saiba que você só pode fazer aos outros o que faz por si mesmo. Ao contemplar sobre isso a pessoa descobre que o modo como se relaciona internamente consigo mesmo é a forma de se relacionar com os outros. Se um indivíduo se condena por cada pensamento, palavra ou ação, com certeza fará o mesmo com os outros.

Quando a pessoa para de brigar consigo mesma e se aceita como é, então ela se apaixona por si mesma. Ela fez as pazes no interior e portanto fez também com o mundo. Ela descobre que o amor é a essência do universo. É sua verdadeira natureza".
Amma Bhagavan

29 de agosto de 2011

Me deixei levar...



Me deixei levar por um sorriso simples
Numa sexta feira qualquer
Em uma esquina
Não era feriado nem dia santo,
Porém aquilo ali
Simplesmente,
Se tornou eternidade...

Vieram lembranças de coisas que nem vivi
Vieram sentimentos que nem reconheci
Vieram batidas no coração que nunca, jamais estiveram ali.

As nuvens passavam apressadas
Mas ali
Não havia nem sombras, nem escuridão
Só mesmo um sol imenso
E o nascimento sublime de uma paixão...

Nada pedi
Nada pensei
O momento se fez magia
E num instante vastos campos se abriram diante de mim
E no peito a aurora radiante que explodia em luz...

Me deixei levar por um sorriso simples
Numa sexta qualquer
Em uma esquina
Depois daquilo já era uma outra pessoa
Outro ser
Ali em um segundo,
Deixei todos os medos e desafetos
Só levei os desafios,
E então,
Sorri também...

Ventos do Universo...


"No caminho do Jnani Yogue há uma meditação: Quem Sou Eu?
Ao sentar de olhos fechados, podemos fazer algumas respirações profundas.
Então, quando as sensações, sentimentos ou pensamentos vierem à consciência, simplesmente pergunte: Quem está observando isso?
A resposta automática da mente é dizer: Eu.
Então você pergunta: Mas quem sou Eu? O que é este eu?

Tudo que você está observando é objeto para o eu real.
Quem é o eu?

Assim, quando você percebe que há uma observação impessoal observando, você gentilmente fica nessa observação impessoal. Este silêncio que observa é o ponto do seu relaxar. Este silêncio não sofre, não muda, não oscila.

No caminho do Jnani Yogue não é preciso acreditar em Deus.
Deus é revelado pela prática assídua de simplesmente relaxar na consciência, porque Deus não é nada mais que você mesmo como essência consciente e divina.

Você não está separado do divino.
Onde não há mal nem bem, nem isso nem aquilo, nem forte nem fraco, VOCÊ está.
Todas as dualidades são imagens mentais e por isso, ilusões.
Você não tem imagem!
Você não tem nome!
Você não tem definição!

O mundo da paz está na liberdade de não se rotular.
As coisas acontecem, mas não há mais você se intrometendo nas coisas que acontecem.
E os ventos do universo sopram este barco de maneira precisa."
Swami Naseeb em Ventos de Universo

28 de agosto de 2011

Consciência Crística...



Consciência Crística é a nossa natureza essencial.
Todo ser humano que nasce nesse mundo, manifesta em si a essência luminosa original.
Cristo nos falou dessa verdade, daquilo que permance em nós, aquilo que é a luz do mundo, o sal da terra. Nada fizemos para isso, nada é necessário para se alcançar isso, já que é inerente a cada um de nós.
Somos Filhos e Filhas de Deus, quer nós saibamos disso ou não; quer nós compreendamos isso ou não; quer nós desejemos isso ou não; Nós somos, sempre fomos e seremos eternamente.

Aquilo que vivenciamos no nosso dia a dia, ao longo de nossas vidas, bem verdade, lidamos com aspectos tão diversos, pessoas com personalidades tão diferentes, toda a criação, a natureza, tudo manifesta formas e padrões de uma variedade infinita...isso é a beleza da existência, sua radiância, sua poesia, sua criatividade...
Nisso encontramos toda uma infinita gama de formas, aspectos, que revelam as múltiplas aparências que esta mesma e única essência luminosa, divina pode assumir, pode realizar, e com isso colorir a realidade com as mais diversas canções, poesias, manifestações...

Em nós acontece o mesmo. Somos dotados de aspectos periféricos, que formam a nossa personalidade , cujo termo de origem grega - persona que significa máscara.
As personalidades são infinitas, sua beleza está justamente nessa variedade e colorido, são nossos aspectos mais externos, aqueles que primeiramente encontramos quando conhecemos alguém. Os orientais usam o símbolo da roda, cujo exterior é sempre móvel, dinâmico, e o que entra em contato com o solo, com a realidade; mas o centro, o eixo da roda, este permanece imutável e é o que sustenta todo o dinamismo exterior.

Nossa essência permanece imutável, e observa o desenrolar da realidade, seus aspectos luminosos, seus aspectos sombrios, mas permanece passível, pacífica, neutra, apenas consciente de tudo aquilo que acontece na periferia, na persona.

Esta camada periférica, a persona, pertence a dimensão da forma, vai sendo construída ao longo de nossas vidas, através da educação, cultura, memórias, e vamos "aprendendo" a nos identificar com isso. Crescemos acreditando que somos aquilo que pensamos, aquilo que sentimos, aquilo que vivenciamos...mas aí é que surge uma questão: Quem observa tudo isso acontecendo em nós? Quem ou o que observa um pensamento passar, um sentimento, uma emoção passar? Percebam como é impossível reter um pensamento. Reter uma emoção.
Existe algo que não se move, algo que permanece impassível observando todo esse fluxo passar, esse algo é a nossa essência, a consciência que tudo observa, e que é a mesma essência em tudo e em todos.

Quando estamos voltados para os aspectos periféricos, as diferenças, as personalidades, para o mundo das formas, só encontramos diferenças, muitas e muitas diferenças. Pois a dimensão da forma é a dimensão das diferenças isto é fato. E diferenças que mudam o tempo todo, nada permanece estável, tudo em constante fluxo da impermanência. Isso se estende desde o átomo, até o universo, tudo em constante e infinita mudança e transformação. Isso é a origem do ego, o sentimento de separação, causa dos medos, guerras, conflitos...
Mas quando estamos centrados, ancorados na essência o que percebemos é a Unicidade dessa mesma essência em tudo e em todos. Esta é a Consciência Crística manifesta.

Cristo manifestou essa consciência em sua vida em seus ensinamentos, em cada um de seus atos, palavras...foi todo essência pura, amor e fidelidade aquilo que se manifestava, e não se deixou iludir pelas aparências periféricas, pelo jogo de poder, pelo aprisionamento dos dogmas, pelas disputas e julgamentos infundados ancorados nas diferenças aparentes. Cristo realizou a natureza divina, e nos mostrou que cada um de nós já é em si a mesma e única consciência, só que ainda adormecida, ainda confundida pelas aparências da forma.

Quando todos e cada um de nós, manifestarmos verdadeiramente nossa natureza essencial, poderemos finalmente compreender que a paz não é algo que vem de fora, é a nossa essência manifesta; compreenderemos que o amor também não é algo que vem de fora, é a nossa essência manifesta; compreenderemos que somos uma única e mesma família divina, o mesmo e único espírito divino manifesto. Veremos que o próximo e eu somos Um, e que apesar de infinitas aparências, infinitas personalidades, somos todos a mesma e única fonte luminosa, a mesma chama consciente que brilha, que vive, cria, manifesta-se em absolutamente tudo e em todos...essa é a Consciência Crística, a verdadeira fraternidade, a verdadeira comunhão...
Amor
Lilian

27 de agosto de 2011

Trabalhar com leveza...



"Trabalho deve ser considerado como brincadeira, não como trabalho. Trabalho deve ser tido como brincadeira, apenas um jogo. Você não deve levar isso a sério; você deve ser como uma criança brincando. Isso é sem sentido, nada é para ser alcançado; apenas a própria atividade é desfrutada.

Você pode sentir a distinção, se você às vezes brincar. Quando você trabalha isso é diferente: você fica sério, carregado, responsável, preocupado, ansioso, por que o resultado, o resultado final, é o motivo. O trabalho em si mesmo não vale a pena desfrutar. A coisa real está bem no futuro, no resultado.

Na brincadeira não há realmente nenhum resultado. O próprio processo é alegria. E você não está preocupado, não é uma coisa séria. Mesmo que você pareça sério, é só fingimento. Brincando, você desfruta do próprio processo; no trabalho o processo não é desfrutado – a meta, o final, é importante.

O processo precisa ser tolerado de qualquer maneira. Isso precisa ser feito porque o final tem que ser atingido. Se você puder atingir o final sem isso, você deixaria a atividade e saltaria para o final. Mas na brincadeira, você não faria isso.

O homem de negócios não é brincalhão. E se você não for brincalhão, você não pode ser meditativo. Seja mais e mais brincalhão. Desperdice tempo brincando. Apenas brincar com crianças servirá. Mesmo que não haja ninguém, você pode saltar e dançar sozinho no quarto e ser divertido. Desfrute.

Mas sua mente continuará insistindo, "Que você está fazendo, perdendo tempo? Você pode ganhar algo com esse tempo. Você pode fazer algo, e você está apenas saltando, cantando, e dançando. Que você está fazendo? Você ficou maluco?"

Tente isso. Pegue qualquer tempo que você possa dar o fora de seu negócio, e ser brincalhão. Qualquer que seja. Você pode pintar, você pode tocar uma cítara, alguma coisa que você goste – mas seja brincalhão. Não busque nenhum lucro nisso, não veja nenhum futuro nisso. Apenas esteja presente.

E assim, você também pode ser brincalhão dentro. Assim você pode saltar sobre seus pensamentos, brincar com eles, jogá-los aqui e ali, dançar com eles, mas não ser sério com eles."
Osho em O Livro dos Segredos

26 de agosto de 2011

Polaridades...


"Medite sobre o aspecto positivo da vida e então sobre o negativo.
Depois coloque ambos de lado, pois você não é nenhum deles. Olhe para isso desse jeito. Medite sobre o nascimento: uma criança nasceu, você nasceu. Então você cresce, torna-se jovem. Medite sobre todo esse crescimento. Daí você se torna velho e morre.

Desde o próprio começo... imagine o exato momento em que seu pai e sua mãe conceberam você, no útero de sua mãe, desde a primeira célula. Olhe de lá até o
final quando o seu corpo está queimando numa pira funerária e todos os seus parentes estão de pé ao seu redor. Então coloque ambos de lado,aquele que nasceu e aquele que morreu.

Simplesmente coloque ambos de lado e olhe para dentro de si. Lá está você - aquele que nunca nasceu e que nunca vai morrer.Você pode fazer isso com qualquer polaridade positiva-negativa. Você está sentado aqui. Eu olho para você, eu conheço você. Então, eu fecho os olhos e você não está mais aí; eu não conheço você. Então coloco ambos de lado: o conhecimento do que eu conheço e o conhecimento do que eu não conheço.

Você estará vazio, porque quando você põe de lado o conhecimento e o não-conhecimento, você fica vazio.Existem dois tipos de pessoas: algumas são preenchidas com conhecimento e outras são preenchidas com ignorância. Existem pessoas que dizem,'nós sabemos'. O ego delas subiu com o conhecimento. E existem pessoas que dizem, 'nós somos ignorantes'. Elas estão preenchidas com a ignorância. Elas dizem, 'nós somos ignorantes, nós não sabemos'.

Um é identificado com o conhecimento e o outro com a ignorância. Mas ambos possuem alguma coisa, ambos valorizam alguma coisa. Empurre ambos para o lado, o conhecer e o não-conhecer, assim você não é nem a ignorância, nem o conhecimento.
Coloque ambos de lado, o positivo e o negativo. Então quem é você? De repente, o 'quem' será revelado a você. Você se tornará consciente do além, daquilo que transcende. Colocando ambos de lado, o positivo e o negativo, você estará vazio. Você será nenhum, nem sábio nem ignorante.

Coloque ambos de lado, o ódio e o amor; coloque ambos de lado, a amizade e a inimizade. Quando ambas as polaridades forem colocadas de lado, você estará vazio.Mas esse é o truque da mente: ela pode colocar um de lado, mas nunca os dois juntos. Ela pode colocar um de lado - você pode colocar a ignorância de lado, então você se agarra ao conhecimento. Você pode colocar a dor de lado, mas aí você se agarra ao prazer. Você pode colocar os inimigos de lado, mas aí você se agarra aos amigos.

E existem algumas poucas pessoas que fazem justamente o contrário: elas colocam os amigos de lado e se agarram aos inimigos; elas colocam o amor de lado e se agarram ao ódio, elas colocam a riqueza de lado e se agarram à pobreza; elas colocam o conhecimento e as escrituras de lado e se agarram à ignorância.
Essas pessoas são grandes renunciadores. Qualquer coisa que você se agarra, elas colocam de lado e se agarram ao oposto - mas elas se agarram do mesmo jeito.
Agarrar-se é o problema, porque se você se agarra, você não consegue esvaziar-se.
Não se agarre; esta é a mensagem dessa técnica. Simplesmente não se agarre a nada, positivo ou negativo, porque com o não-agarrar-se você encontrará a si mesmo. Você está aí, mas por causa desse agarrar, você está escondido. Com o não-agarrar você estará exposto, você estará descoberto. Você explodirá."
Mooji em Satsang

24 de agosto de 2011

A Busca - Krishnamurti



"Longamente peregrinei através de muitas vidas por muitas terras, entre muitos povos em busca da meta que não conhecia.

Carreguei o pesado fardo de muitas posses, das riquezas do mundo, dos confortos que fazem a estagnação.

Prostrei-me ante os altares dos santuários que encontrei à margem da estrada e os deuses me recusaram a meta que pretendia.

E na magia das palavras e na embriaguez do incenso permaneci abrigado nas sombras entre as paredes do templo.

Criei filosofias e credos, complicadas teorias de vida.

Entranhei-me das criações intelectuais do homem com elas me engrandeci em arrogância.

E, tão súbito quanto a tempestade desaba, vi-me nu, esmagado pela agonia de coisas transitórias. E como as terras do deserto sem sombras assim se tornou minha vida.

Vi e me ouvi eremita. Livra-te do veneno do preconceito que corrompe tua verdade porque és imenso em teus preconceitos, tanto velhos quanto novos.

Livra-te da estreiteza de tuas tradições, convenções, hábitos, sentimentos de posse. Como o homem que não tem ouvidos, és surdo para a música melodiosa. Como o homem que não tem olhos, és cego para o esplendor do crepúsculo.

Como o mergulhador que desce ao fundo do mar arriscando a vida pelo gozo transitório, deves tu também penetrar fundo em ti mesmo.

Como o audaz alpinista que conquista os altos cumes, deves tu também ascender àquela altura vertiginosa, de onde todas as coisas são vistas em suas verdadeiras proporções. Como o lótus que, rompendo o lodo, ao céu se eleva deves tu também arredar todas as coisas transitórias se queres descobrir tua força oculta para enfrentar as viscitudes do mundo.

Como a rápida corrente conhece sua nascente, deves tu também conhecer teu próprio Ser.

Como a trilha tortuosa da montanha, descortina a cada instante vistas novas, assim também em ti há uma revelação constante a cada experiência de encontro.

Como o mar encerra uma multidão de seres vivos, em ti fazem ocultos segredos de todos os mundos.

Como a flor que desabrocha à branda luz do sol, deves tu te abrir, se te queres conhecer.

Perscruta tuas próprias profundezas com os olhos límpidos se queres perceber todas as coisas.

Como o lago tranquilo que reflete o céu, assim deverão os homens e as coisas em ti se refletir.

E como o rio misterioso que no largo mar se lança adentro me lancei no mar da libertação.
Krishnamurti em A Busca

Eu Sou Aquilo - Nisargadatta

23 de agosto de 2011

Entre o tudo e o nada...


"Nisargadatta disse uma vez: O amor diz: Eu sou tudo. A sabedoria diz: Eu sou nada. Entre os dois, a minha vida flui.

Quando ele diz que no amor ele é tudo, está nos fazendo entender que o mundo a partir daquilo que vemos, a partir do que a dualidade nos dá, nos abre para o amor. O amor é uma expressão da Totalidade que é Deus. O amor é sempre um relacionamento, portanto, o aspecto amor de nosso ser é realizado na parte manifesta de nós mesmos, a parte visível, a parte que aparece, a parte que se vivifica: o organismo corpo/mente.

A lua não tem luz própria, mas recebe seu brilho do sol. O sol dá vida e contorno à lua. Quando olhamos a lua não percebemos, mas estamos também olhando para o sol,que está implícito nela. Sol está na lua. Exatamente como a Fonte está implícita em cada objeto visto, que é uma extensão de sua mente. Tudo que há neste mundo visível é um testemunho do invisível. Este mundo visível dá-nos a possibilidade de reconhecer o invisível por trás de sua aparência, a essência desta aparência.

As árvores, animais, borboletas, a lua, o sol, as nuvens, o sorriso de uma criança, um riacho, o mar, as ondas, uma montanha, o amanhecer, tudo, mas tudo isso, é uma marca do invisível no visível.

Deus se revela como amor, e vive como silêncio além da forma. Deus se expressa na forma, neste mundo, como tudo aquilo que vemos e sentimos com os nossos sentidos e mente.

Em realidade, como dizem os físicos atuais, não há separação entre sujeito e objeto. Ora, se não há separação entre a mente e aquilo que você vê como objeto externo, então ambos são Um. E é por isso que a mente influencia aquilo que você vê, pois em verdade, ela não está separada daquilo que vê. Normalmente nós achamos que o mundo existe independente de nossas mentes. Mas isso hoje em dia cientificamente já não é correto se dizer.

O fato é que a mente e aquilo que vemos são Um. O sujeito-ego e o objeto não estão separados. O ego e o mundo são um processo único.

Sem você para conceber o mundo, não há mundo! Quando você está em sono profundo, que mundo você vê? Nenhum mundo!

Krishnamurti dizia: “Você é o mundo! Nada está separado nesta manifestação! Tudo está interligado!"

No amor, tudo está em comunhão. No amor, a aparência de dualidade é só uma aparência. Vivemos na dualidade, mas o amor nos traz o perfume da unicidade.

Por isso Nisargadatta nos diz: “O amor diz que eu sou tudo”. Mas ele logo complementa: “A Consciência, a Sabedoria, diz que eu sou nada.”

Sim! No silêncio, imerso em meditação, eu sou apenas silêncio, vazio, sem forma, sem nome.

Este é o maravilhoso paradoxo da vida: quando olho para dentro, sou nada (no-thing = não-coisa. Na verdade isso quer dizer que não sou uma coisa, mas uma presença sem forma). Quando olho para fora, sou tudo. E a única coisa que realmente não existe, é o ego. E o que é o ego? É o sentimento de separação. Se eu sou tudo, não há um eu sólido dentro do corpo, porque estou interligado com tudo. Se sou nada, também não há eu, porque a idéia de eu não existe sem pensamento!

O eu é na verdade uma falsa crença! Quando investigado, some. Quando olhado bem de perto, desaparece, como se jamais houvesse existido. Afinal, quem está olhando os pensamentos? O vazio da presença sem forma.

Você pode brincar na manifestação, e ao mesmo tempo silenciar e desaparecer para dentro de si. Brincar significa celebrar, namorar, criar, amar cada pedacinho de instante que se desdobra para você a cada dia. E silenciar é perceber o seu infinito como puro vazio potencial.

Meditação é silêncio. Amor é participação na manifestação. Deus em silêncio não basta. A manifestação é seu complemento. E em realidade, não-dualidade quer dizer que não há realmente separação entre este Deus silencioso, e aquele Deus do Amor, que surge na mente junto com toda a manifestação de vida que conhecemos. Deus está dentro e está fora. Deus é tudo que existe.

O funcionamento interligado da vida é orquestrado por algo maior que não é nosso poder egóico. Tudo que vemos é lindamente vivo e belo, e não há palavras nem poemas que possam falar da magnitude desta Presença Divina que é tudo que existe, essência e aparência." Swami Naseeb em Vida Iluminada

22 de agosto de 2011

Fazendo as pazes com a Vida..


Hoje resolvi fazer as pazes com a vida,
Quero deixar as queixas de lado
E todas aquelas reclamações que não tem fim.
Percebo que cada vez que reclamo
Me enfraqueço,
Perco as forças,
Desespero.
Caio numa espécie de poço sem fundo,
E dali não enxergo a luz.

Hoje resolvi fazer as pazes com a vida,
Não mais ficar buscando explicações e razões,
Não mais fracionar ou dividir, mas somar, somar e somar.
Perceber a grandeza acontecendo,
E mesmo que não perceba essa grandeza toda,
Relaxar e apreciar aquilo que está aqui,
Agora,
Neste momento,
E degustar o sabor que se apresenta,
O som, o silencio, a canção.

Hoje resolvi fazer as pazes com a vida,
Desisti de brigar com ela,
Entrego os pontos.
Vi que sou vivida, que sou parte,
Que pertenço,
Sou dela,
Ela me trouxe até aqui.
Ela me sustenta,
Mantém,
Como posso brigar, reclamar,
Se acabo descobrindo que toda reclamação é cegueira,
É falta de consciência,
E quem realmente perde sou eu.

Hoje resolvi dizer um enorme SIM à vida,
Acolher e amar
Compreender e seguir.
Cobrir com amor,
Cobrir com um abraço largo tudo aquilo que não compreendo,
E mesmo assim,
Viver.
Não com uma mente que reclama e não aceita,
Mas com um enorme coração,
Que mais que entender acolhe,
Sorri,
E ama,
E nem se importa com o que seja certo ou errado.

Hoje resolvi fazer as pazes com a vida,
E descobri que tomando esta atitude,
A vida me sorri de volta,
E percebo que as pazes aconteceram dentro,
Não fora,
Aqueles "obstáculos" se tornaram flores,
E de uma hora para outra,
Me vi profunda e pacificamente
perfumada...

Quem precisa de ajuda?


"Eu necessito de ajuda" é a frase chave aqui.
É sábio buscar auxílio, até que você vá além da necessidade do auxílio.

Não a arrogância que diz 'Não há' ningúem a ser ajudado, nenhum 'eu',nenhum 'você'. Ninguem existe, somente aquilo que É ', que embora verdadeiro quando exaltado da boca do sábio, é completamente falso quando expressado da mente egóica! O ego que se levanta através do intelecto bancando ser algum tipo de herói espiritual.

Esta compreensão não pode ser enxertada numa mente ego-centrada porque a verdadeira compreensão dissolve o ego-buscador. Não há ninguém que sobre para reivindicar a liberdade como uma realização.

A Unidade única apenas existe, manifestando-se através e como a própria consciência, Ela expressa-se como o jogo cósmico.
É a consciência se expressando no papel do humilde buscador que finalmente, através da graça, alcança a compreensão final, assim realizando-se como a Consciência Impessoal/O Ser.

A sua busca por ajuda abre uma enchente de Graça que se manifesta na forma do 'professor', que é um reflexo do seu verdadeiro Ser, cuja autoridade e presença o assiste empurrando a mente externalizada para dentro de sua fonte, o coração, resultando assim na compreensão final.

Esta graça provém do seu próprio Ser e é o seu Ser. Você ouviu o provérbio que diz : ' Nós somos chamados por nosso próprio Ser ', e ainda tudo isto toma a forma como um mero teatro na consciência.

O Absoluto, o Ser real de cada um, o Sat guru dentro de nós, nem se beneficia nem sofre nenhuma alteração de maneira alguma, mas mantém-se como o inalterado substrato ou pano de fundo. Esta é a verdade."
Mooji em Satsang

21 de agosto de 2011

O Absoluto em você...



"A menos que você faça tremendos esforços, você não estará convencido de que o esforço não o levará a nenhum lugar.

As pessoas que começam seu sadhana (disciplina espiritual) são tão fervorosas e inquietas que elas tem de estar muito ocupada para manter-se na linha.
Uma rotina absorvedora é boa para elas. Após algum tempo, elas se aquietam e abandonam o esforço. Em paz e silencio, a pele do “Eu” se dissolve e o fora e o dentro tornam-se um. A disciplina real é livre de esforço.

Em cada escola de ioga, pode-se progredir até o ponto quando todo desejo de progresso deve ser abandonado para tornar possível um novo progresso. Então todas as escolas são abandonadas, todo esforço cessa; em solidão e escuridão, o ultimo passo é feito o qual termina com a ignorância e medo para sempre.

Abandone toda tentativa, simplesmente seja, não se desvie, não lute, deixe cair todo suporte, segure-se no senso cego de ser, varrendo para longe tudo o mais. Isso é o bastante.

Você pode também crescer sem esforço, como uma criança, mas você não deve indulgir em preparações e planos, nascidos da memória e antecipação.
É idéia sua isso de fazer coisas que entrelaçam você nos resultados de seus esforços – o motivo, o desejo, o fracasso em adquirir, o sentido de frustração – tudo isso o puxa para trás.
Simplesmente olhe para o que quer que aconteça e saiba que você é algo para além disso.

Isso não tem nada a ver com esforço. Simplesmente vire-se na direção oposta, olhe entre os pensamentos, ao invés de para os pensamentos. Quando você caminha em uma multidão, você não luta com todo homem que encontra; você simplesmente faz o seu caminho por entre eles.
Quando você luta, você convida luta. Mas quando você não resiste, você não encontra nenhuma resistência. Quando você se recusa a jogar o jogo, você está fora dele.

Uma mente quieta é tudo o que você precisa. Todo o mais ocorrerá normalmente, uma vez que sua mente se (cale) aquiete.

Assim como o sol ao surgir torna o mundo ativo, assim também, consciência de si produz mudanças na mente. Sob a luz de uma consciência de si calma e estável, as energias internas acordam e perfazem milagres sem qualquer esforço de sua parte.

A janela é a ausência da parede, e ela dá ar e luz porque ela é vazia. Seja vazio de todo conteúdo mental, de toda imaginação e esforço, e essa própria ausência de obstáculos fará com que a realidade derrame-se para dentro de ti.

Aprofunde e amplie sua consciência de si mesmo e todas as bênçãos fluirão. Você não precisa buscar nada, tudo virá a ti de forma mais natural e sem esforço.
Mantenha o “Eu sou” no foco da consciência, lembre-se que você é,
Assista a si mesmo incessantemente e o inconsciente fluirá para dentro do consciente sem qualquer esforço especial de sua parte.

Não há qualquer esforço em testemunhar. Você só compreende que é a testemunha, e a compreensão age. Você não precisa nada mais, lembre-se apenas que você é a testemunha.

Tendo realizado que eu estou no mundo, e ainda assim alem do mundo, eu me tornei livre de todo desejo e medo. Eu me descubro inesperadamente livre sem o menor esforço.

É o absoluto em você que o leva para o absoluto além de você – absoluta verdade, amor, desprendimento são fatores decisivos na auto-realização. Com propósito eles podem ser alcançados.
Nisargadatta Maharaj em Eu Sou Aquilo

20 de agosto de 2011

Sobre a solidão...


Dia desses, um amigo me fez essa pergunta: Existe verdadeiramente a solidão ? É possível estar verdadeiramente só?
Confesso que essa pergunta me abriu uma profunda reflexão, que partilho aqui com vocês.

Solidão verdadeira é impossível, é algo que só existe na mente, já que a dimensão material, física é inteiramente partilhada com todos; Desde o ar que respiramos, os alimentos, o mesmo chão que pisamos, mesma água que bebemos, mesmo céu que temos sobre nossas cabeças, enfim, solidão física não existe, mesmo que vivamos no alto do Himalaia, ou em uma ilha deserta a milhares de milhas no oceano, estamos em profunda conexão com o Todo, pois o sol que nasce é o mesmo que nasce nas grandes metrópoles, o oceano é o mesmo, o mesmo ar...enfim...

Mas a solidão da mente esta sim é solidão de verdade - explico: Porque a mente só se relaciona com a mente...a mesma mente que fala e a mesma mente que responde...

Todo diálogo é da mente. Se uso estas palavras para me comunicar com você, estou usando a mente, e para compreender você usa a mesma mente. Toda linguagem, toda escrita, os símbolos foram criados pela mente para que fosse possível a troca de informações.
Só que, a mente é criativa, a mente projeta na realidade aspectos que não existem de fato. Essa criatividade é o ego que cria a partir de suas próprias memórias, suas próprias imagens subjetivas... Aquilo que eu escrevo pode ser interpretado de milhares de formas diferentes, pois está diretamente relacionado a quem vê, a quem lê...

Com isso, podemos perceber que a "ideia" de solidão é a mente que cria. Pois subjetivamente ela pode criar qualquer coisa que queira...e projetar na realidade como um projetor de cinema. A tela da realidade não se deixa afetar pelo que é projetado nela...ela permanece sendo a tela, mesmo que seja uma projeção de alegria, ou de tristeza, ou uma projeção se suspense...a tela permanece intocada...

Enquanto se vive no filme da mente, pouco ou quase nada se conhece da realidade.
Cada um vive seu filme particular, e o projeta, e dessa projeção novo filme é criado, e mais projeção acontece...

Daí eu pergunto: Isso não é solidão? Cada um vivendo no filme da sua mente..com pouco ou nenhum contato com a realidade sem projeções...com pequenos encontros, se é que podemos chamar de encontros, dentro dos seus próprios filmes?

Solidão existe sim, na mente. Enquanto se vive na mente só existe solidão.

O encontro só é possível quando se vive na realidade única, que é presente, aqui-agora. E o olhar é puro, sem projeções, sem fantasias ou passado - e aquilo que É, é percebido nitidamente, sem nenhuma fixação, nem analise, nem julgamentos, distorções ou adjetivos..
Viver no momento presente é sair do casulo da mente, e de repente se deparar com o verdadeiro encontro, que mais que encontrar-se com "alguém", encontra-se verdadeiramente o Todo.
Isso é sair verdadeiramente da solidão...de uma vez por todas...só que não mais existe um "eu" projetando na realidade, o "eu" simplesmente desaparece, para que o Todo possa se manifestar como queira...
Se o "eu" está presente, a solidão é criada. Se o "eu" não está presente, a solidão não é possível existir.

Todo isolamento é mental. Nunca na existência foi possível ou será possível o isolamento verdadeiro. A natureza não conhece solidão. As árvores, as florestas, os animais, os rios, lagos, oceanos, não conhecem nenhuma solidão. Vivem plenamente no Ser ou seja, estão plenamente mergulhados na Totalidade.

Só mesmo o ser humano com sua mente é capaz de experimentar a solidão. E só mesmo o ser humano pode ir além da mente, coisa que nenhum animal, planta pode fazer. E ir além da mente, passando pela solidão da mente, é que se revela o Buda que existe em cada um de nós, ou seja, o revelar de quem somos nós verdadeiramente. Não um pequeno "eu" que vive mergulhado em seus pensamentos isolados, mas sim o Todo Absoluto, ou Deus, que se manifesta na dimensão da matéria para se conhecer e se experimentar a Si mesmo...
A solidão da mente, tem esse objetivo, revelar o Buda que existe em você...
Amor
Lilian

19 de agosto de 2011

Mente vazia - Monja Coen


Alguns dizem que é preciso esvaziar a mente. Eu pergunto: como esvaziar o que já está vazio?

Há uma história Zen muito interessante. Certo dia um jovem aspirante pediu ao Mestre Zen que aquietasse sua mente.
O Mestre disse:—“Traga sua mente aqui, entregue-a a mim e eu a aquietarei.”
O jovem saiu procurando pela mente. Onde estaria? Seria pensamentos, memórias? Seria silencio e quietude? Seria sonhos e pesadelos? Seria feita de palavras, conceitos? Seria apenas a massa encefálica, a matéria? O jovem pensava e não pensava. Cada vez que acreditava ter apanhado a mente, percebia que ela fugia, que já estava em outro pensamento, em outra idéia.
Que o próprio conceito se desfazia.

Cansado, voltou a procurar o Mestre e disse:
—“Senhor, é impossível apanhar a mente.”
O Mestre disse com alegria:
—“
Pois então, já está aquietada.”
O jovem se reverenciou em profunda gratidão, pois pela primeira vez compreendia, que a mente não é algo fixo e constante, mas flui com o fluir da vida, sem que possa jamais se fixar quer em inquietude ou em silêncio, quer em alegria ou tristeza, quer em iluminação ou delusão.(...)

A prática da meditação do Zazen não é para polir o espírito, não é para limpar a mente, não é para esvaziar nada. É tornar-se uno com nossa essência verdadeira, com aquele Eu imenso que contem todos os sentimentos, emoções, percepções, formações mentais, consciência e a forma física.
Retornar à verdade e ao caminho é retornar à vida. Assim falamos em renascer. Deixar morrer idéias abstratas e fantasiosas sobre estar separado do tudo e dos outros e perceber a sabedoria suprema presente em todos os seres, vivenciá-la, tornar-se uno com todos os Budas.
Basta perceber que nada é fixo, nada permanente – isto é o vazio. A mente vazia é aberta e flexível. Chora e ri. Pensa e não pensa. Não precisa ser esvaziada – já é vazia. Sendo vazia é clara e iluminada, em constante atividade e transformação.

Apenas escolha com o que alimentá-la.
Você mesma(o) é o programa e o programador, o computador e seus acessórios.
Monja Coen em Mente vazia, mente tranquila.

18 de agosto de 2011

Aprendendo a meditar...


"Meditação é testemunho, este é o começo da meditação. E quando digo: Meditação é a não-mente, é a conclusão da peregrinação. Testemunhar é o começo e a não-mente é a conclusão. O testemunho é o método para alcançar a não-mente.

Deve-se começar por observar o corpo caminhando, sentado, trabalhando, comendo. Deve-se partir do mais concreto, porque é mais fácil. E então se deve passar a experiências mais sutis. Deve-se começar observando os pensamentos. Ao se tornar um perito em observar pensamentos comece a observar as sensações. Quando achar que pode observar as suas sensações comece a observar seus humores que são ainda mais sutis e mais vagos que as sensações.

O milagre de observar é que, conforme você observa os seus pensamentos, o observador vai ficando mais forte; observando suas emoções, o observador vai ficando ainda mais forte, e quando observar seus humores, o observador estará tão forte que pode permanecer sendo ele mesmo - observando a si mesmo como uma vela na noite escura, que não só ilumina tudo ao redor de si, mas também ilumina a si mesma.

Encontrar o observador na sua pureza é a maior realização na espiritualidade, porque o observador em você é a sua própria alma, a sua imortalidade. Mas nunca, nem por um único momento pense: "Eu entendo isso", porque esse é o momento em que você simplesmente deixa de entender.

Observar é um processo eterno; você continua a se aprofundar indefinidamente, cada vez mais, mas nunca chega a um fim em que possa dizer: "Eu entendo isso." Na verdade quanto mais você se aprofunda, mais se conscientiza de que entrou em um processo que é eterno - sem começo e sem fim.
Mas as pessoas só observam os outros, nunca se lembram de observar a si mesmas. Todo mundo realiza a observação mais superficial; o que as pessoas estão fazendo, o que estão usando, como é a aparência delas. Todo mundo observa - a observação não é algo novo a ser introduzido na sua vida . A observação precisa apenas ser aprofundada, desviada dos outros e apontada para suas próprias sensações internas, para seus pensamentos, humores e finalmente para o próprio observador. (...)

Use essa energia de observação para transformar o seu ser. Ela poderá lhe proporcionar tanta felicidade e tantos benefícios que você nem é capaz de imaginar. É simples, mas assim que começar a usá-la em si mesmo, ela se torna uma meditação.
Pode-se meditar sobre qualquer coisa. Qualquer coisa que o leve a tomar contato consigo mesmo é uma meditação. E é imensamente importante encontrar a sua própria forma de meditação, porque na própria busca você já encontrará uma grande alegria;
Como é uma descoberta sua, e não um ritual que lhe impuseram, você vai adorar se aprofundar nele. E quanto mais se aprofundar, mais se sentirá feliz, calmo, silencioso, centrado, dignificado, amável.

Todos vocês sabem observar, por isso não é necessário aprender, é preciso apenas mudar os objetos a serem observados, trazê-los mais para perto.
Observe seu corpo e você irá se surpreender. Posso mover minha mão sem observá-la e posso movê-la observando. Você não vai notar a diferença, mas eu sou capaz de sentir a diferença. Quando movo a mão observando, esse movimento adquire uma graça, uma beleza, uma paz e um silêncio especiais. Você pode caminhar observando cada passo e isso lhe trará todos os benefícios desse movimento como forma de exercício e lhe trará também o benefício de uma ótima e simples meditação.(...)

A observação afia a consciência. Essa é a religião essencial.
Mas você me pergunta: Há alguma coisa a fazer? Não, se você for capaz de apenas observar, não é preciso mais nada.(...)

A presença da luz já significa a ausência da escuridão e a ausência da luz é a presença da escuridão. A presença do observador, da testemunha, representa a ausência da mente e a ausência da testemunha, do observador é a presença da mente.(...)
No momento em que perceber que o observador está maduro, a mente se submeterá imediatamente como uma perfeita serva. Este é o estado de não-mente, você chegou em casa."
Osho em Meditação, primeira e última Liberdade.

17 de agosto de 2011

O pequeno eu...



"O pequeno eu adora a diferença, apesar de saber que todos são iguais – com as mesmas dores e limitações. Esse senso de igualdade corrompe a ordem daquilo que você pensa que é. Definitivamente, seria o fim do pequeno eu aceitar a igualdade, a unicidade.

A mente prega a diferença entre todos – raça, idade, nacionalidade, religião, classe social – mas proponho que experimentem uma conversa aberta com os aparentemente diferentes e descubra que esta é uma noção mal investigada. Aproxime-se e veja que todos têm as mesmas dores e os mesmos prazeres, não tem diferença nenhuma; muda o idioma mas a mente continua a mesma.
Aliás, a mente é universal.

É por isso que estamos nos dedicando a olhar para dentro, porque voltar-se para dentro aniquila todas as idéias, ficando simplesmente você.
Mas você se perde querendo ser reconhecido como alguém que fez algo grandioso, enquanto só consegue fazer as mesmas pequenas coisas, passageiras e insatisfatórias, absolutamente igual a todos.

Note que é a mente que projeta os grandes acontecimentos, é o pequeno eu que quer mais e mais, e é exatamente isso que te impossibilita de realizar aquilo que realmente importa.Esteja alerta e veja que, pousado no agora, não é possível encontrar opequeno eu. Mas fique atento, vigilância é necessária, porque ele fica à espreita de um mínimo movimento seu em direção ao lado de fora, para tomar seu lugar no palco.

Vivendo com os pés plantados no agora, chegará o momento em que todas as suas tristezas e infelicidade serão vistas como uma ingratidão abismal. Em algum momento você terá que se dar conta de que nada lhe falta. Esse é o incansável convite do agora: olhe para dentro e veja o que é que está lhe faltando.
Qualquer coisa que apareça como um desejo para este momento retrata uma briga com o agora. Aceite tudo aquilo que você tem e veja o mistério que você é.

Se existe em algum lugar a ideia de que o acúmulo o fará feliz, temo dizer que você não é capaz de ser feliz consigo mesmo. Reconheça a mágica de ver, ouvir e sentir e acesse essa possibilidade como uma graça, como uma dádiva. Definitivamente não há uma prece para isso.
Itálico
Ser você é muito mais simples do que você pensa."
Satyaprem

15 de agosto de 2011

Pena de si mesmo - Hermógenes


"Você tem motivos para ter muita pena de si mesmo. Não se pode negar.
Desde sua origem, tem sido um desafiado pela adversidade. Mas ter motivos não significa que seja conveniente alimentar autocompaixão.

Igual ao ressentimento, a autocompaixão arruína a alma. Agrava o mal que já existe e engendra outros.

Fique alerta contra qualquer tendência a autocondoer-se. Reaja, tendo compreensão contra esta sua tendência de querer que lhe confiram a medalha de campeão de sofrimento.

Acostume-se a evitar que tenham "peninha" de você, principalmente se for você aquele que se compadece. Pelo que tenho constatado, posso pensar que uma enorme parte de seu drama está correndo por conta do devastador sentimento de autocomiseração, que ressalta de suas cartas queixosas. Não é verdade que você diz para si mesmo - "coitado de mim, que sofri tais e tais problemas...!"? Não estou certo?(...)

Se não faz assim é porque é anormal. Se faz é normal.
Mas chegou a hora de deixar esta normalidade estúpida, que só lhe tem feito mal.

Convido-o para ver as coisas de frente, mas sem cometer o erro de botar fermento na dor, sem invejar quem parece estar sem dor, sem recriminar o destino, sem rancor para a vida, sem ódio para aqueles que parecem responsáveis pelo que você sofre. Entende o que quero dizer?

Quero você de mente pura, mente capaz de ter clareza e poder de ver.
Quando quero que assim seja, estou convidando você para uma faixa de anormalidade, diferente da normalidade insana, isto é, da vulgaridade, da mesmificada massa de pessoas medíocres, adormecidas e incapazes de perceber as coisas como as coisas são. Quero você numa abençoada faixa de sabedoria, numa corajosa anormalidade, que os homens normais não compreendem e da qual talvez nunca ouviram falar.

Convido-o para manter-se tranquilo, para serenamente situar-se, e poder ver em cada adversidade um estímulo para amadurecer. Que suas dores sejam o que as esporas são para um cavalo de montaria. o estímulo para avançar, para romper caminho, para chegar seguro à meta.

Resumindo e continuando a falar franco, amigo, acho que sua mente tem sido mais eficiente em atormentá-o do que todos os agentes de seu destino, de seu karma. O ódio a alguém, tem lhe prejudicado mais do que a ele. Sua auto-piedade o tem enfraquecido mais do que qualquer doença, podendo mesmo ser a causa principal de sua enfermidade. Analise sua mente. Procure percebe o mal que, assim desgovernada, lhe tem feito. (...)

Vigie sua mente. Não deixe sua imaginação assim, desastrosamente solta. Não se entregue inconscientemente à amargura autocultivada. Não permita a entrada de pensamentos deprimentes. Não se esqueça de que todas as vidas são tremendos dramas, e, assim, desista de ser campeão. Renuncie ao pódio de padecentes.
Não seja ingrato com Deus.
Quantas coisas positivas em sua existência! Quanta coisa boa em você!

A insistência em ver apenas o negativo impede ver o que há de positivo, isto é, aquilo que o faria perder o "emprego de coitadinho", que você, tolamente, vem mantendo. Se continua insistindo em arrolar somente os aspectos sombrios de seu destino e em esquecer os luminosos tenha paciência filho - não haverá salvação para você, pois você não quer mesmo ser salvo.

Seja vigilante! "Orai e vigiai", recomenda o Cristo."
Prof. Hermógenes em Yoga, Paz com a Vida.

Você é Presença...


"Quando digo que você é divino, não estou me referindo a um ser superior ou qualquer idéia de Deus que você tenha.
Estou apenas dizendo que você é uma presença.

Você não pode negar sua existência.
Você não pode dizer que não é.
Se você negar sua existência, quem estará negando? Você.
E você não pode negar a si mesmo.
Você pode negar seus pensamentos, sentimentos, sensações corporais, porque tudo isso vem de uma experiência passada.
Mas você não pode negar aquilo que existe agora.
E a única coisa que realmente É, é seu Ser.
Este Ser eu chamo de presença.
Você pode chamar de Deus, se quiser. Ou de amor.
Amor é o perfume da presença de Deus!

Tudo que você vê tem uma forma.
Dentro da forma da sua namorada ou se seu amigo tem presença.
Dentro da forma de uma plantinha, tem presença.
Dentro da forma de uma montanha tem presença.
Essa presença é a essência da vida.
Você é essa presença consciente!

Você está aprendendo a ser essa presença, mas conscientemente.
As árvores são essa presença, mas não estão conscientes disso.
As árvores são divinas, mas não sabem.
O ser humano pode saber!
O ser humano pode conhecer a sua essência, a essência da vida, conscientemente! Isso é o que os mestres chamam de Acordar, Despertar!

A presença, que é a essência divina da vida, desperta num corpo humano!"

14 de agosto de 2011

Perfeita imperfeição...



"Quando eu digo permaneça com sua perfeição interior, você pode ficar preocupado, porque, algumas vezes, você pode sentir que você não é perfeito - então, permaneça com sua imperfeição.
A imperfeição também é perfeita!
Nada há de errado nela, permaneça com ela.
Não se afasta DESTE momento; aqui e agora é toda a existência.
Tudo que tem de ser realizado, é para ser realizado aqui e agora; assim, seja qual for é toda a existência.

Tudo que tem de ser realizado, é para ser realizado aqui e agora; assim, seja qual for o caso, mesmo que você se sinta imperfeito - ótimo, seja imperfeito!
É como você é, é como a Existência quer que você seja.
Triste? Ótimo! Fique triste. Mas não se afaste do momento.
Permaneça como o momento e, em pouco tempo, você sentirá que a imperfeição se dissolveu em perfeição, o sexo se dissolveu em êxtase interior, a raiva se dissolveu em compaixão."
Osho em Emoções

Neste texto, amado Osho nos mostra o quão somos "fisgados" pela mente nesse conceito, nesse pensamento de perfeição...sim, perfeição ou imperfeição nada mais são que pensamentos...que vem e vão na mente...

Desde pequenos aprendemos com as comparações: isso melhor que aquilo; isso pior que aquilo; bonito e feio; perfeito e imperfeito...apenas conceitos, pensamentos que vão sendo construídos em nossa mente, e acreditados, alimentados dia após dia, ano após ano como se fossem verdades absolutas...nunca foram...

Os conceitos que vamos acumulando ao longo da vida, são apenas "nuvens" que encobrem a realidade...apenas isso...E são esses conceitos as causas de muitos conflitos, discussões, pois entram em choque com os conceitos de outras pessoas...isso é a divisão da mente em ação...

Se nós cada vez mais, permanecermos conscientes do momento presente, entrarmos em contato direto com a realidade, apenas aquilo que se apresenta a sua frente, e ao invés de julgar, classificar, adjetivar, apenas observar e absorver o momento seja lá uma cena, uma paisagem, ou mesmo uma emoção, um sentimento, apenas observar e absorver, incorporar aquele momento único que está ali acontecendo inédito, e que não mais se repetirá. Neste instante veremos que todas as chamadas "imperfeições" jamais existiram de verdade, pois são apenas a realidade, seja a nível objetivo seja a nível subjetivo; e se formos mais fundo ainda, veremos que nem estas duas dimensões são de fato separadas uma da outra - pelo contrário - são a mesma e única realidade acontecendo na sua completa e complexa manifestação. E ela independe de qualquer julgamento que façamos, é autônoma e independente..

Jesus já dizia: Tudo é puro para aquele que é puro.
Se nós ainda vemos impurezas, imperfeições, é porque ainda estamos presos nas impurezas da mente, nos julgamentos e divisões que escolhem um lado e negam o outro. Isso não é a totalidade, isso é ser parcial.
E ser parcial já é perder...pois a realidade sempre será Total...e isso sim é perfeição...
Amor
Lilian

13 de agosto de 2011

Amor de pai...



Nunca consegui separar o amor do pai do amor de mãe.
Sempre vi nos dois, o mesmo e genuíno amor.
Embora possam vir com perfumes diferentes, mas na essência...nenhuma distinção.

A vida nos presenteia com as mais diferentes formas de amor e de amar.
Podemos ter lá as nossas predileções, mas no fundo, no fundo mesmo, o melhor é acolher todas elas.
Se a vida escolheu nos presentear com tudo isso, assim na maior diversidade, porque iríamos escolher isso ao invés daquilo...muito melhor dizer com o coração um enorme Sim! e acolher todas as formas de amor em Si...

As mães são como rosas, pétalas, aconchego, carinho e sopro...
Pais são como raios de sol no rosto, banho de mar, dança, brincadeiras e risos, muitos risos...

Mãe é casa, lar, escuta, simplicidade silenciosa...
Pai é mundo, viagens, andanças, canções...

Somos na verdade fruto dos dois...
Raízes e Asas verdadeiras...
Mãe e Pai, Pai e Mãe...
Mãe que é Pai, Pai que é Mãe...

Nós enquanto eternos filhos, podemos vislumbrar na vida essa verdade,
Ceú e Terra, em perfeito equilíbrio,
Amor e Amor...gerando frutos sem fim...

Quando se alcança o Amor...pai e mãe desaparecem,
Vemos então que eram apenas perfumes em que o Amor se disfarçava,
Só para que a brincadeira da vida ficasse ainda mais divertida... :)
Muita luz e muita paz a todos os Pais maravilhosos e a seus filhos amados...
Amor
Lilian

A Visão divina..


"A visão divina significa familiaridade com a cristalina compreensão, a energia universal.
Deus e o devoto são um, em sua própria natureza, o devoto é idêntico a Deus.

Enquanto não se tem percebido Deus, não se sabe o que são a justiça e a injustiça. Mas com a realização o devoto vem a conhecer a distinção entre justiça e injustiça, o essencial e o aparente, o eterno e o evanescente, e isso leva a emancipação.

A visão divina elimina a individualidade; o manifesto é claramente distinguido do não-manifesto.
Quando o senso de individualidade é substituida pela consciência do impessoal, a consciência do devoto sabe que ele é pura consciência.
Manifestação é a consciência pura, manifestando-se em todos os nomes e formas diferentes.
O espiritualmente iluminado toma parte nessa manifestação de forma esportiva, sabendo que tudo é só um jogo da consciência universal.

Nome e forma do espiritualmente iluminado são apenas experiências, assim como as dores e tristezas da vida, mas não são seus. Ele não é mudado nem perturbado com prazeres ou dores,
nem os lucros ou perdas do mundo.
Ele está em posição de guiar os outros, pois seu próprio comportamento é guiado exclusivamente pelo senso de justiça.

A vida temporal deve continuar, com todas as complexas interações, mas o iluminado está sempre consciente de que é apenas a consciencia pura que está se expressando em diferentes nomes e formas, e continua a fazê-lo, sempre em novas formas.

Para ele os eventos que o mundo considera insuportáveis, são apenas eventos, mansos e inofensivos; ele permanece imóvel em profunda consciência-observação.

Deus, enquanto justiça encarnada é alegria e felicidade assim como é. Esse é seu único tesouro. Consciência além da forma não possui nada nem nenhum interesse. Apenas É."
Nisargadatta Maharaj em Self Knowledge and Self Realization

12 de agosto de 2011

Auto-realização...


"Quando a consciência ou espírito decide manifestar-se como um objeto, uma árvore, uma pedra ou um esquilo, ou um carro - isso não apresenta muito problema. Entretanto, quando a manifestação e a tentativa é se tornar auto-consciente, ou auto-realizado, isso parece ser um trabalho mais complicado.

Estou falando sobre a vida humana, quando a consciencia ou espírito se manifesta como ser humano. Neste processo, a consciência quase sempre se perde. O ser humano é por natureza auto-consciente, mas esse é o preço pago pela consciência em se tornar auto-realizada, é quase sempre a perda da verdadeira identidade.

No processo da auto-realização, geralmente vários enganos acontecem. São como pontos cegos na evolução de se tornar verdadeiramente auto-consciente. Neste ponto, a consciência perde a si mesma naquilo que criou, e identifica-se a si mesma com a criação. Esse ponto é o que chamamos de condição humana.

Quando a consciência ou espírito, esquece de si mesma, isso pode levar a toda sorte de enganos. O primeiro engano é o que em geral leva a identificação de si mesma com aquilo que é criado, nesse caso, o ser humano.

Isso é como uma onda, que esquece que pertence ao oceano. Ela esquece sua fonte. Logo, ao invés de pertencer ao oceano, ela sofre sob as terríveis pressões que sofre uma onda na superfície do oceano. E isto é a experiência superficial de si mesma. Claro que ela continua sendo consciência em si mesma, mas como uma consciencia superficial e limitada.

Quando se identifica com a pequena onda, isso cria toda sorte de confusões, porque, essa identificação não é a verdade. Esse equívoco leva ao sofrimento e é a única razão de existir sofrimento, conflito e ignorância.

A identificação é um engano inocente.
Isso começa de forma inocente, mas devido a varios fatores, a identificação vai se tornando mais e mais complexa e consequentemente não parece mais tão inocente. Esta é uma parte natural da condição humana. Parece parte do processo evolutivo da consciência em esperienciar-se através do ser humano.

Por exemplo, quando você pensa em desenvolvimento humano, você sabe que você nasceu, passou pelo estágio de infâcia, e adolescencia, até se tornar adulto.
Você pode olhar para trás e dizer: Bem, eu realmente era estúpido quando tinha dez anos de idade, e quando fiz vinte eu amadureci.

Espiritualmente, a condição humana é uma parte natural da evolução da consciencia, tentando se tornar consciente através da forma. Ela se faz a si mesma na forma, para ir além da forma.
Quando essa identificação errada acontece, ela sofre sob a tremenda ilusão de separação. Isso é o que a grande maioria dos seres humanos sentem em seus corações, não importando quantas pessoas existam a sua volta, não importanto quanto são amados. Eles ainda tem que se sentir solitários, porque estão certos que são diferentes e estão separados de todo mundo;

Ainda bem que isso é só um ponto do desenvolvimento da consciencia. A condição humana, está evoluindo.

Quando alguém desperta desse equívoco da separação, isso significa que a consciencia evoluiu através da forma humana, e se desidentificou da falsa idéia de separação, da mesma forma que uma criança se torna um adulto maduro.

Nós o chamamos de ser humano liberto.

Liberto de que? Consciencia é liberta do engano, da falsa identificação e separação. Quando a consciencia se torna consciente de si mesma no ser humano, isso repercute de forma dinâmica em toda forma de vida no planeta.
Esse dinamismo é a consciencia acordando da ilusão de separação, e pode utilizar a experiência na forma em um sentido muito mais vasto.
Quando esse despertar acontece, ela pode inclusive usar a onda para levar a mensagem - para que outras ondas possam então contemplar essa mesma possibilidade de despertar."
Adyashanti em Emptiness Dancing

11 de agosto de 2011

Corpo e alma...


"O corpo é a alma visível e a alma é o corpo invisível.
Corpo e alma não estão divididos em parte alguma, eles são partes um do outro, eles são partes de um todo.

Você tem que aceitar o corpo, você deve amar o corpo, você deve respeitar o corpo, você precisa ser grato ao corpo…
O corpo é o mecanismo mais complexo da existência – ele é simplesmente maravilhoso! E abençoados são aqueles que se maravilham.

Comece com o sentimento de admiração para com seu próprio corpo, porque este é o que está mais perto de você.
A natureza mais íntima lhe abordou, Deus aproximou-se de você através do corpo.

No seu corpo está a água dos oceanos, em seu corpo está o fogo das estrelas e dos sóis, em seu corpo está o ar, seu corpo é feito da terra. Seu corpo representa o todo da existência, todos os elementos. E que transformação! Que metamorfose!

Olhe para a terra, e depois olhe para o seu corpo, que transformação, e você nunca se maravilhou com isso!
Pó tornou-se divino – que mistério maior é possível?
Que milagre maior você está esperando?

E você vê o milagre acontecer a cada dia. Da lama procede o lótus… e do pó surgiu nosso belo corpo”.
Osho em The Dharmmapadha the way of the Buddha

Aquele que nos fala...


"Sou Deus.

Estou bem aqui!
Estou em você!
Você não acredita que sou EU, mas sem EU você não estaria aqui.
EU falo com você o tempo todo, te vejo no espelho, ás vezes choro de saudade...assim como você me procura, eu sempre acreditei que um dia você poderia parar para me ouvir...
EU SOU antes de você ser...
Você não nasceu quando saiu da barriga da sua mãe. Você é eterno, imaterial, não nasce e por isso não morre, não envelhece, não adoece, não sente dor, não sofre...você é imaculado.
Você vem ao mundo para experienciar o paraíso, e é isso que acontece quando você sai da barriga da sua mãe. Porem, você veio para um mundo, onde por ignorância e condicionamento foi transformado em um mundo de sofrimentos, e o meio onde você vive, te condiciona ao sofrimento, e isso infelizmente acontece muito cedo e você esquece que EU SOU você, livre, imaculado, imaterial e se transmuta para um corpo-mente ilusório e com isso passa a sofrer. É a partir daí que me torno invisível para você ( estou além dos sentidos ) e aí você me procura fora de você...
Estou sempre aqui..não se esqueça mais disso...durante toda sua vida quem está em você e com você SOU EU. O corpo-mente é para experienciar, sentir o gosto da maçã, o prazer, o êxtase, o amor...
Somos todos UM.
Nunca morremos, somos sempre o mesmo, único e imaculado.
O corpo-mente é que nasce, adoece e morre para ser transformado em outras vidas. Renascemos quantas vezes forem necessárias, até que nosso encontro seja possível...
Estamos sempre aqui..o corpo-mente é ilusão.
Você é quem o corpo-mente procura, quando encontra...desperta..."
Edson Barros em O Encontro ( adaptado)

10 de agosto de 2011

Miríades do eterno...



Se pudesse traduzir em palavras
Tudo aquilo que acontece no profundo do coração
Arderia em chamas do amor eterno
E vislumbraria um dia sem fim...

Contemplaria as míriades do eterno
Dançando diante dos olhos
Perfumes e mais perfumes se misturando
Em sinfonia divina
Onde as formas se dilatam
E se contraem
Se mostram e se escondem
Em uma brincadeira eterna de gratidão...

Se pudesse traduzir em sentimentos
Tudo aquilo que perpassa na alma
Poderia acolher num olhar toda criação
E num único raio de luz
Iluminar os confins de escuridão.
Os amores e alegrias transbordariam eternamente
E as lágrimas seriam igualmente acolhidas
E vividas sem nenhum pesar...

Se pudesse enfim abandonar todo som, toda palavra
E finalmente traduzir o silêncio supremo
Seria nada mais que o infinito
Absorto na experiência de uma pequena brisa
Que se deixa levar pelo vento
Amor e silêncio
Acolhendo a Si mesmo
Eternamente...
Related Posts with Thumbnails