12 de agosto de 2011

Auto-realização...


"Quando a consciência ou espírito decide manifestar-se como um objeto, uma árvore, uma pedra ou um esquilo, ou um carro - isso não apresenta muito problema. Entretanto, quando a manifestação e a tentativa é se tornar auto-consciente, ou auto-realizado, isso parece ser um trabalho mais complicado.

Estou falando sobre a vida humana, quando a consciencia ou espírito se manifesta como ser humano. Neste processo, a consciência quase sempre se perde. O ser humano é por natureza auto-consciente, mas esse é o preço pago pela consciência em se tornar auto-realizada, é quase sempre a perda da verdadeira identidade.

No processo da auto-realização, geralmente vários enganos acontecem. São como pontos cegos na evolução de se tornar verdadeiramente auto-consciente. Neste ponto, a consciência perde a si mesma naquilo que criou, e identifica-se a si mesma com a criação. Esse ponto é o que chamamos de condição humana.

Quando a consciência ou espírito, esquece de si mesma, isso pode levar a toda sorte de enganos. O primeiro engano é o que em geral leva a identificação de si mesma com aquilo que é criado, nesse caso, o ser humano.

Isso é como uma onda, que esquece que pertence ao oceano. Ela esquece sua fonte. Logo, ao invés de pertencer ao oceano, ela sofre sob as terríveis pressões que sofre uma onda na superfície do oceano. E isto é a experiência superficial de si mesma. Claro que ela continua sendo consciência em si mesma, mas como uma consciencia superficial e limitada.

Quando se identifica com a pequena onda, isso cria toda sorte de confusões, porque, essa identificação não é a verdade. Esse equívoco leva ao sofrimento e é a única razão de existir sofrimento, conflito e ignorância.

A identificação é um engano inocente.
Isso começa de forma inocente, mas devido a varios fatores, a identificação vai se tornando mais e mais complexa e consequentemente não parece mais tão inocente. Esta é uma parte natural da condição humana. Parece parte do processo evolutivo da consciência em esperienciar-se através do ser humano.

Por exemplo, quando você pensa em desenvolvimento humano, você sabe que você nasceu, passou pelo estágio de infâcia, e adolescencia, até se tornar adulto.
Você pode olhar para trás e dizer: Bem, eu realmente era estúpido quando tinha dez anos de idade, e quando fiz vinte eu amadureci.

Espiritualmente, a condição humana é uma parte natural da evolução da consciencia, tentando se tornar consciente através da forma. Ela se faz a si mesma na forma, para ir além da forma.
Quando essa identificação errada acontece, ela sofre sob a tremenda ilusão de separação. Isso é o que a grande maioria dos seres humanos sentem em seus corações, não importando quantas pessoas existam a sua volta, não importanto quanto são amados. Eles ainda tem que se sentir solitários, porque estão certos que são diferentes e estão separados de todo mundo;

Ainda bem que isso é só um ponto do desenvolvimento da consciencia. A condição humana, está evoluindo.

Quando alguém desperta desse equívoco da separação, isso significa que a consciencia evoluiu através da forma humana, e se desidentificou da falsa idéia de separação, da mesma forma que uma criança se torna um adulto maduro.

Nós o chamamos de ser humano liberto.

Liberto de que? Consciencia é liberta do engano, da falsa identificação e separação. Quando a consciencia se torna consciente de si mesma no ser humano, isso repercute de forma dinâmica em toda forma de vida no planeta.
Esse dinamismo é a consciencia acordando da ilusão de separação, e pode utilizar a experiência na forma em um sentido muito mais vasto.
Quando esse despertar acontece, ela pode inclusive usar a onda para levar a mensagem - para que outras ondas possam então contemplar essa mesma possibilidade de despertar."
Adyashanti em Emptiness Dancing

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