23 de agosto de 2011

Entre o tudo e o nada...


"Nisargadatta disse uma vez: O amor diz: Eu sou tudo. A sabedoria diz: Eu sou nada. Entre os dois, a minha vida flui.

Quando ele diz que no amor ele é tudo, está nos fazendo entender que o mundo a partir daquilo que vemos, a partir do que a dualidade nos dá, nos abre para o amor. O amor é uma expressão da Totalidade que é Deus. O amor é sempre um relacionamento, portanto, o aspecto amor de nosso ser é realizado na parte manifesta de nós mesmos, a parte visível, a parte que aparece, a parte que se vivifica: o organismo corpo/mente.

A lua não tem luz própria, mas recebe seu brilho do sol. O sol dá vida e contorno à lua. Quando olhamos a lua não percebemos, mas estamos também olhando para o sol,que está implícito nela. Sol está na lua. Exatamente como a Fonte está implícita em cada objeto visto, que é uma extensão de sua mente. Tudo que há neste mundo visível é um testemunho do invisível. Este mundo visível dá-nos a possibilidade de reconhecer o invisível por trás de sua aparência, a essência desta aparência.

As árvores, animais, borboletas, a lua, o sol, as nuvens, o sorriso de uma criança, um riacho, o mar, as ondas, uma montanha, o amanhecer, tudo, mas tudo isso, é uma marca do invisível no visível.

Deus se revela como amor, e vive como silêncio além da forma. Deus se expressa na forma, neste mundo, como tudo aquilo que vemos e sentimos com os nossos sentidos e mente.

Em realidade, como dizem os físicos atuais, não há separação entre sujeito e objeto. Ora, se não há separação entre a mente e aquilo que você vê como objeto externo, então ambos são Um. E é por isso que a mente influencia aquilo que você vê, pois em verdade, ela não está separada daquilo que vê. Normalmente nós achamos que o mundo existe independente de nossas mentes. Mas isso hoje em dia cientificamente já não é correto se dizer.

O fato é que a mente e aquilo que vemos são Um. O sujeito-ego e o objeto não estão separados. O ego e o mundo são um processo único.

Sem você para conceber o mundo, não há mundo! Quando você está em sono profundo, que mundo você vê? Nenhum mundo!

Krishnamurti dizia: “Você é o mundo! Nada está separado nesta manifestação! Tudo está interligado!"

No amor, tudo está em comunhão. No amor, a aparência de dualidade é só uma aparência. Vivemos na dualidade, mas o amor nos traz o perfume da unicidade.

Por isso Nisargadatta nos diz: “O amor diz que eu sou tudo”. Mas ele logo complementa: “A Consciência, a Sabedoria, diz que eu sou nada.”

Sim! No silêncio, imerso em meditação, eu sou apenas silêncio, vazio, sem forma, sem nome.

Este é o maravilhoso paradoxo da vida: quando olho para dentro, sou nada (no-thing = não-coisa. Na verdade isso quer dizer que não sou uma coisa, mas uma presença sem forma). Quando olho para fora, sou tudo. E a única coisa que realmente não existe, é o ego. E o que é o ego? É o sentimento de separação. Se eu sou tudo, não há um eu sólido dentro do corpo, porque estou interligado com tudo. Se sou nada, também não há eu, porque a idéia de eu não existe sem pensamento!

O eu é na verdade uma falsa crença! Quando investigado, some. Quando olhado bem de perto, desaparece, como se jamais houvesse existido. Afinal, quem está olhando os pensamentos? O vazio da presença sem forma.

Você pode brincar na manifestação, e ao mesmo tempo silenciar e desaparecer para dentro de si. Brincar significa celebrar, namorar, criar, amar cada pedacinho de instante que se desdobra para você a cada dia. E silenciar é perceber o seu infinito como puro vazio potencial.

Meditação é silêncio. Amor é participação na manifestação. Deus em silêncio não basta. A manifestação é seu complemento. E em realidade, não-dualidade quer dizer que não há realmente separação entre este Deus silencioso, e aquele Deus do Amor, que surge na mente junto com toda a manifestação de vida que conhecemos. Deus está dentro e está fora. Deus é tudo que existe.

O funcionamento interligado da vida é orquestrado por algo maior que não é nosso poder egóico. Tudo que vemos é lindamente vivo e belo, e não há palavras nem poemas que possam falar da magnitude desta Presença Divina que é tudo que existe, essência e aparência." Swami Naseeb em Vida Iluminada

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