21 de abril de 2018

Tornar-se e Ser - Osho


"A fonte original de toda tensão é o tornar-se. O indivíduo está sempre tentando se algo; ninguém está tranquilo consigo mesmo tal qual é. O ser não é aceito, o ser é negado e algo mais é tomado como um ideal no qual se transformar. Assim, a tensão básica é sempre um ideal no qual se transformar. Assim, a tensão básica é sempre entre aquilo que você é e aquilo que você ambiciona vir a ser.

Você deseja tornar-se algo. A tensão significa que você não está satisfeito com o que você é e você ambiciona ser o que não é. A tensão é criada entre estes dois. O que você deseja se tornar é irrelevante. Se quiser se tornar rico, famoso, poderoso ou mesmo se quiser ser livre, liberado, ser divino, imortal, mesmo se você ambicionar a salvação, moksha, também a tensão estará ali.

Qualquer coisa que seja desejada com algo a ser satisfeito no futuro, contra você como você é, cria tensão. Quanto mais impossível o ideal é, maior a tensão tende a ser. Por conseguinte, a pessoa que é materialista, normalmente não é tão tensa como a que é religiosa. porque a pessoa religiosa está ambicionando o impossível, o distante. A distância é tão grande que somente uma grande tensão pode preencher o vazio.

Tensão significa uma lacuna entre o que você é e o que quer ser. Se a lacuna for grande, a tensão será grande. Se a lacuna for pequena, a tensão será pequena. E se não há lacuna de forma alguma, significa que você está satisfeito com o que você é. Em outras palavras, você não ambiciona ser uma outra coisa que você não é. Então, sua mente existe no momento. Não há nada com o que estar tensa; você está satisfeito consigo mesmo. Você está no Tao. Para mim, se não há lacuna você é religioso. você está em dhrama.

A lacuna pode ter muitas camadas. Se a ambição for física, a tensão será física. Quando você busca um corpo em particular, uma forma particular - se você ambiciona algo diferente do que você é no nível físico - então há tensão no seu corpo físico. Alguém quer ser mais bonito. Agora o corpo torna-se tenso. Esta tensão começa no primeiro corpo, o fisiológico, mas se é insistente, constante, pode se aprofundar e se espalhar para outras camadas do seu ser.

Se você está ambicionando poderes psíquicos, então a tensão começa no nível psíquico e se espalha. O espalhar-se é exatamente como se você jogasse uma pedra no lago. A pedra cai num ponto particular, mas as vibrações criadas por ela continuarão a se espalhar até o infinito. Assim, a tensão pode se iniciar em qualquer um dos sete corpos, mas a fonte original é sempre a mesma; a lacuna entre um estado que é e um estado que é almejado.

Se você tem a mente de um tipo particular e quer trocá-la, transformá-la - se você deseja ser mais talentoso, mais inteligente - então a tensão é criada. Só se aceitamos a nós mesmos totalmente, não há tensão. Esta aceitação total é o milagre, o único milagre. Encontrar uma pessoa que tenha aceito a si mesma totalmente é a única coisa surpreendente.

A existência em si não é tensa. A tensão é sempre por causa das possibilidades hipotéticas, não existenciais. Não há tensão no presente; a tensão é sempre voltada ao futuro. Ela procede da imaginação. Você pode imaginar-se como algo diferente do que é. Este potencial imaginado criará tensão. Quanto mais imaginativa a pessoa é, pois, mais a possibilidade de tensão. Então a imaginação torna-se destrutiva.

A imaginação pode também tornar-se construtiva, criativa. Se toda sua capacidade de imaginar está focalizada no presente, no momento e não no futuro, então você pode começar a ver sua existência como poesia. Sua imaginação não está criando um ambição; está sendo usada na vivência. Está vivência no presente está além da tensão.
Os animais não são tensos, as árvores não são tensas, porque eles não têm a capacidade de imaginar. Eles estão abaixo da tensão, não além dela. A tensão deles é apenas uma potencialidade; não se tornou atual. Eles estão evoluindo. Surgirá um momento em que a tensão explodirá em seus seres e eles começarão a ambicionar o futuro. É propenso a acontecer. A imaginação torna-se ativa.

A primeira coisa a respeito da qual a imaginação torna-se ativa é o futuro. Você cria imagens e porque não há realidade correspondente, continua a criar mais e mais imagens. Mas no que diz respeito ao presente, você não concebe a imaginação relacionada a ele. Como você pode ser imaginativo no presente? Parece não haver necessidade. Este ponto deve ser entendido.
Se puder estar conscientemente presente no presente, você não estará vivendo na imaginação. Então, a imaginação estará livre para criar dentro do presente em si. Só é necessário o focar correto. Se a imaginação é focalizada no real, ela começa a criar. A criação pode tomar qualquer forma. Se você é poeta, ela se converte numa explosão de poesia. A poesia não será uma ambição do futuro, mas será uma expressão do presente. Ou se você é pintor, a explosão será de pintura. A pintura não será algo como você imaginou, mas como o conheceu e o vivenciou.
Quando você não está vivendo na imaginação, o momento presente lhe é dado. Você pode expressá-lo ou cair no silencio. Mas o silencio agora não é um silencio morto, é também uma expressão do momento presente. Este silencio é um florescer positivo. Algo floresceu dentro de você, a flor do silencio e através deste silencio, tudo o que você está vivendo é expressado."
Osho em Psicologia do Esotérico.

14 de abril de 2018

Osho fala sobre o batismo de Jesus


"Uma vez pediram a um rabino que resumisse toda a mensagem da Bíblia. Ele respondeu que toda a mensagem é muito simples e curta. É Deus gritando para o homem: "Entronize-me!"
Foi isso que aconteceu naquele dia no rio Jordão. Jesus desapareceu, Deus foi entronizado. Jesus esvaziou a casa, Deus entrou. Ou você existe ou Deus existe - os dois não podem coexistir. Se você insiste em existir, então abandone a busca de Deus; ela não se realizará. Dessa forma a busca é impossível, absolutamente impossível. Se você estiver presente, então, Deus não pode estar; a sua própria existência, a sua presença é a barreira. Você desaparece... e Deus está. Ele sempre esteve.

O homem vive como uma parte, separado do todo. Ao redor de si, ele cria ideias, sonhos, o ego, a personalidade, e pensa em si como uma ilha, desconectado do todo, sem relação com o todo. Você já conseguiu ver algum relacionamento entre você e as árvores? Já conseguiu ver algum relacionamento entre você e o mar? Se não conseguiu, então jamais chegará a ver o que é Deus. Deus, a divindade, não é nada mais que o todo, a totalidade, a unidade. Se você existe como uma parte separada, desnecessariamente existe como um mendigo. Você poderia ser o todo, a totalidade, a unidade. E mesmo quando pensa que é separado, você não é - isso é apenas um pensamento na mente. O pensamento não está enganando Deus, está enganando somente você. O pensamento é simplesmente uma barreira para seus olhos se abrirem.

Naquela manhã no rio Jordão, quando João Batista iniciou Jesus, ele matou Jesus completamente. Jesus desapareceu. E naquele momento de vazio - aquilo que Buda chama de shunyata, vacuidade - os céus se abriram e o espírito de Deus, como uma pomba, desceu sobre Jesus, iluminando-o. Isso é apenas simbólico; Jesus morreu, Deus foi entronizado. Isto é o que no zen se chama de transmissão especial, fora das escrituras. Nenhum conhecimento foi transmitido por João Batista a Jesus, nenhuma escritura foi transmitida - nem mesmo uma única palavra foi pronunciada. Nenhuma dependência de palavras ou letras, apenas um apontar direto para a alma do homem, uma penetração na natureza do homem - a obtenção do estado búdico.(...)

Jesus tornou-se uno com Deus, mas imediatamente foi banido por sua própria tradição. Ele tentou de mil e uma maneiras permanecer parte da comunidade, mas foi impossível. Ele não podia fazer parte das escrituras, não podia fazer parte da tradição. Algo do além entrara nele e, quando Deus entra, todas as escrituras se tornam inúteis. Quando você mesmo vem a conhecer, todos os conhecimentos se tornam lixo.

Essa foi a luta entre Jesus e os rabinos. Eles tinham conhecimento, Jesus tinha o saber - e estes nunca se encontram. O homem do saber é rebelde, o homem do saber tem seus próprios olhos; ele diz o que quer que veja. O homem do conhecimento é cego; ele carrega a escritura e nunca olha ao redor; segue apenas repetindo as escrituras. O homem do conhecimento é mecânico, não tem nenhum contato pessoal com a realidade."
Osho em Palavras de Fogo, reflexões sobre Jesus de Nazaré.


7 de abril de 2018

Centramento através do corpo - Osho


"Lembre de confiar em seu próprio organismo. Quando você sente que o corpo está dizendo para não comer, pare imediatamente. Quando o corpo disser para comer, então não se importe se as escrituras dizem para jejuar ou não. 

Se seu corpo diz para comer três vezes ao dia, está perfeitamente bem. 
Se ele diz para comer uma vez ao dia, está perfeitamente bem.

Comece a aprender como escutar seu corpo, porque ele é o seu corpo.

Você está dentro dele; você precisa respeitá-lo, você precisa confiar nele.
É o seu templo; é sacrilégio impor coisas ao seu corpo. 
Por nenhum motivo nada deve ser imposto! 

E isso não somente lhe ensinará a confiar em seu corpo, isso lhe ensinará, pouco a pouco, a confiar na existência. Assim sua confiança crescerá e você irá confiar nas árvores, nas estrelas, na lua, no sol e nos oceanos: você confiará nas pessoas.

Mas o começo da confiança tem que ser confiar em seu organismo.
Confie em seu coração.
Um sannyasin é aquele que confia em seu próprio organismo e essa confiança o ajuda a relaxar em seu ser e o ajuda a relaxar na totalidade da existência. 
Isso traz uma aceitação geral de si mesmo e dos outros.

Confiança dá um tipo de enraizamento, de centramento. 

Então há uma grande força e poder, porque você está centrado em seu próprio corpo, em seu próprio ser."
Osho em O Sutra do Coração #10
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