26 de fevereiro de 2010

Rumi...


"Toda forma que vês tem seu arquétipo no mundo sem-lugar.
Se a forma esvanece, não importa,
permanece o original.
As belas figuras que viste,
as sábias palavras que escutaste,
não te entristeças se pereceram.
Enquanto a fonte é abundante,
o rio dá água sem cessar.
Por que te lamentas se nenhum dos dois se detém?
A alma é a fonte,
e as coisas criadas, os rios.
Enquanto a fonte jorra, correm os rios.
Tira da cabeça todo o pesar e sorve aos borbotões a água deste rio.
Que a água não seca, ela não tem fim.
Desde que chegaste ao mundo do ser, uma escada foi posta diante de ti, para que escapasses.

Primeiro, foste mineral; depois, te tornaste planta, e mais tarde, animal.
Como pode ser isto segredo para ti?
Finalmente foste feito homem, com conhecimento, razão e fé.

Contempla teu corpo; um punhado de pó vê quão perfeito se tornou!
Quando tiveres cumprido tua jornada, decerto hás de regressar como anjo;
depois disso, terás terminado de vez com a terra,e tua estação há de ser o céu.

Passa de novo pela vida angelical,
entra naquele oceano,
e que tua gota se torne o mar, cem vezes maior que o Mar de Oman.
Abandona este filho que chamas corpo e diz sempre Um;
com toda a alma.
Se teu corpo envelhece, que importa?
Ainda é fresca tua alma."
Rumi, em A evolução da alma.

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