31 de outubro de 2011

As sem razões do amor - Drummond


"Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no elipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor."
Carlos Drummond de Andrade em As sem razões do amor

30 de outubro de 2011

Simplesmente observar...



Cada vez mais percebo a intensidade do momento presente. Permanecer atento ao que É, pode parecer incrível, mas sempre é possível acessarmos camadas e mais camadas de atenção no aqui e agora; cada vez mais vejo que este aprofundamento, verdadeiramente não tem fim.

Quando começamos a nos "interessar" pelo momento presente, e vamos aos poucos aprofundando os sentidos naquilo que nos cerca... sons, luzes, cenas, pensamentos, sentimentos, memórias, enfim, tudo que acontece naquele instante...e se acontece é porque pertence a ele, não deve ser excluído, deve ser pelo contrário incluído, e transcendido, pois o novo momento já já chega e com ela a palheta de cores e tudo o mais já mudou... E assim vamos, aprofundando a consciência ao momento presente, sempre presente e sempre novo...isso é mesmo fascinante!

As camadas de percepção vão sendo apuradas e a mente vai ficado cada vez mais e mais naturalmente serena.

Mesmo que pensamentos venham, emoções, sentimentos eles vão sendo acolhidos, são observados também, como o canto do pássaro ao longe, ou sentido como o perfume da flor que está aqui perto. Observar o instante que se apresenta passa a ser uma diversão que não tem fim...Vamos apreciando literalmente, a tela da existência que vai sendo "pintada" bem ali na nossa frente, tendo "nós" mesmos incluídos nela, e tudo que se passa subjetivamente em "nós", também pertence igualmente a tudo que se passa "fora".

Com isso, vamos percebendo, que em verdade não existem momentos banais, menores ou sem importância, pelo contrário, tudo ganha um colorido e uma intensidade tão única, que diria que é como se tudo se tornasse uma sempre nova canção, uma poesia infinita, que vai se decorrendo, vai acontecendo continuamente sem qualquer propósito, sem qualquer objetivo, vai simplesmente acontecendo pelo simples prazer de acontecer...

Este estado de observação vai nos transformando e vamos aos poucos aprofundando nela e nos tornando mais e mais silenciosos internamente; ou seja, aquelas identificações, julgamentos, análises, expectativas e comparações vão naturalmente desaparecendo e o relaxamento naquilo que acontece se torna nosso estado natural. Interagir com o momento deixa de ser uma luta, um conflito, ou alguma falta e passa simplesmente a ser amor, aceitação, cooperação, pelo simples fato de estarmos ancorados naquilo que se apresenta, seja lá o que for...

O encantamento ao que se apresenta vai crescendo na mesma proporção em que a serenidade e paz vão aumentando. Os detalhes que antes nos passavam desapercebidos, criam uma magia tão linda que os olhos e o coração ficam plenos de gratidão e de amor que se expande, se expande cada vez mais...Tudo sempre esteve aqui, diante dos nossos olhos, dentro do nosso coração, e nós sempre correndo daqui prá lá buscando algo que nunca chegava...

Na verdade o que "faltava", era apenas uma mudança de olhar...ao invés de ficar buscando, simplesmente perceber o que se encontra... já está, sempre esteve...aqui...e agora...

Os mestres nos ensinam que permanecer no aqui e agora nos leva a transcender aos diálogos da mente, já que a mente não controla o aqui e agora, ela sempre tenta nos deslocar para o ontem ou amanhã. Permanecer fluindo na simples observação do aqui e agora, é se deixar levar e mais que isso, é principalmente desfrutar daquilo que a existência nos trás, aprofundando na magia da cena, na magia da sinfonia divina, relaxadamente ancorados na paz da consciência que É...
Isto é meditação. Isto é realização. Isto é estar centrado no Ser...
Nada mais é necessário...
Amor
Lilian

29 de outubro de 2011

A Sinfonia Divina...



"O amor produz harmonia e a harmonia cria beleza.

Portanto, o principal lema da vida é: “Amor, harmonia e beleza”.

Ame em todas as coisas e em todos os seres o Deus amado, esteja em harmonia com todas as coisas com a compreensão correta e embeleze a sua vida ao observar a beleza dentro e fora.

Através do amor, da harmonia e da beleza você deve transformar a totalidade da vida em uma única visão da glória divina.

A vida é uma sinfonia e a ação de cada pessoa nesta vida é a execução do seu trecho particular na música.

Uma vez que uma alma despertou para a contínua música da vida, essa alma considera como sua responsabilidade, como seu dever, desempenhar a sua parte na vida externa, mesmo que isso seja contrário à sua condição interna naquele momento.

Não há nada neste mundo que não fale. Cada coisa e cada ser estão continuamente falando a sua natureza, o seu caráter, o seu segredo; quanto mais o sentido interno estiver aberto, mais capaz de ouvir a voz de todas as coisas ele será.

Se a alma estivesse desperta para sentir o que os pássaros sentem quando cantam na floresta ao amanhecer, o homem saberia que a prece deles é ainda mais exaltadora do que a sua, pois ela é mais natural.

Não há nada no mundo que não seja um instrumento de Deus.

O som é o sinal da vida; nos templos dos deuses e deusas Hindus, os sinos soando mostram vida mesmo no silêncio.
O som está oculto sob as palavras e as palavras ocultas sob os sons. Quando percebemos as palavras, não percebemos o som que está por trás e quando percebemos o som, não percebemos as palavras por trás. Quando o poeta percebe palavras, o músico percebe o som por trás. O místico percebe até mesmo nesse som a Palavra que era Deus.
O tom continua, o tempo expira.O tom vive no tempo, o tempo assimila o tom.

Deus não está no tempo. Desse modo, Ele está no silêncio. O som é parte do mundo do tempo.
O ritmo não pode existir sem o tom, nem o tom sem o ritmo. Eles são interdependentes para a sua existência e o mesmo se aplica ao tempo e o espaço.

O barulho vem da inquietude e a inquietude é o ritmo destrutivo.

A atmosfera do homem explica a condição de sua alma. Quanto mais avançamos, mais nossas disputas e discussões cessam. Elas vão sumindo até que não sobre nenhuma cor nelas e quando a cor toda se vai, a luz clara vem, a qual é a luz de Deus.

Nirvana significa sem cor. O que é cor? Certo e errado, pecado e virtude – tudo isso é cor; mas no reino da verdade eles desaparecem, da mesma forma que todas as cores somem no resplendor da luz. Aquele que percebeu isso entrou no nirvana. Um Sufi deve sempre reconhecer em Deus a fonte de todas as coisas e a origem de todos os seres."
Hazrat Inayat Khan

28 de outubro de 2011

O Caminho...


"Tao significa caminho sem nenhum objetivo; simplesmente o Caminho.

Há 25 séculos, Lao Tzu foi corajoso ao dizer às pessoas que não há objetivo e que não estamos indo a lugar nenhum. Estamos apenas indo para estarmos aqui, então torne o tempo tão belo, tão amoroso e tão alegre quanto possível.

Ele chamou sua filosofia de Tao, e Tao significa o Caminho.

Muitas pessoas lhe perguntaram: "Por que você escolheu o nome Tao? Pois você não tem nenhum objetivo na sua filosofia".

Ele respondia: "Especificamente por essa razão escolhi chamá-lo de 'o Caminho', para que ninguém se esqueça de que não há objetivo, mas apenas o Caminho".

O Caminho é belo, está repleto de flores e fica cada vez mais belo à medida que a sua consciência fica cada vez mais elevada.

No momento em que você atinge o ponto culminante, tudo se torna tão doce, tão extasiante, que de repente você se dá conta de que este aqui é o lugar, este é o lar. Desnecessariamente você estava correndo para lá e para cá.

Assim, cancele todas as passagens que você reservou! Não há nenhum lugar para ir."
Osho em Tao, sua história, seus ensinamentos.

27 de outubro de 2011

Onde existe felicidade e paz - Gangaji


"No coração das pessoas que tenho conversado, encontro sempre a intenção de encontrar a verdadeira felicidade, a verdadeira realização. As vezes este desejo se torna tão intenso, tão forte quanto um instinto de sobrevivência.

Como você sabe, por sua própria experiência, a busca da felicidade pode tomar vários caminhos.

De modo instintivo, ela pode ser pela via do prazer, do conforto, da segurança, ou uma busca de alguma posição social. Normalmente, quando nós realizamos algum nível de sucesso em termos de prazer, conforto, segurança, e posição social reconhecemos que isto não é a verdadeira satisfação, e em termos de profundidade nós reconhecemos que nada disso realmente satisfaz esse desejo profundo, pela verdadeira felicidade.

Nós podemos ter momentos de belas revelações, e certamente momentos de prazer, e normalmente existe sempre o medo de que nós nunca encontraremos a paz permanente, ou a verdadeira felicidade. Ou então, nós tememos perder a paz e a felicidade conquistada, e nos submetendo a situações desagradáveis de aprisionamento, onde estamos constantemente nos reprimindo. Geralmente nós sentimos uma profunda desconfiança de que a felicidade e a paz sejam realmente possíveis.

Às vezes, em uma vida abençoada, nasce o chamado pela busca espiritual, a busca de Deus, a busca da verdade. Nós reconhecemos isso como o "deixar o controle". Nós colocamos de lado aquilo que chamamos de "existência mundana" e nos voltamos para a vida espiritual.
Infelizmente, as mesmas condições que direcionaram a vida mundana, geralmente surgem na vida espiritual, tais como a busca pelo prazer espiritual, conforto espiritual, conhecimento espiritual, ou segurança espiritual. Cedo ou tarde, você se torna desiludido com essa busca também.

Você encontra prazer, óbvio. Você alcançará momentos de êxtase. Você se sente seguro quando sente que Deus ou a verdade está presente, e é confortado quando sente que nunca esteve separado dele, então você vai continuamente acreditando que encontrará esta segurança em algum lugar, que encontrar a Deus, baseado em fé ou esperança de que Deus lhe dará a sua felicidade. Esta fé, ou esperança é baseada numa compreensão infantil de quem Deus é - alguma coisa, alguma força, algum lugar -que lhe proporcionará prazer, conforto e segurança eternos.

Descobri que realmente é impossível de se encontrar a felicidade.

Enquanto você ficar procurando felicidade "em algum lugar" você está negligenciando onde a felicidade está. Enquanto você procura por Deus em algum luItálicogar, você está negligenciando a essência verdadeira de Deus que é onipresença. Quando você procura encontrar a felicidade em algum lugar, você está negligenciando sua natureza verdadeira, que É felicidade. Você está negligenciando a si mesmo.

Convido você a parar de negligenciar a si mesmo, e simplesmente, radicalmente e absolutamente SER - coloque de lado por um momento todas as suas idéias de onde Deus está, ou onde está a verdade, ou onde você está. Pare de procurar para qualquer lugar. Pare de procurar, simplesmente SEJA. Não estou falando de paralisação, ou transe hipnótico, mas ir profundamente em direção ao silencio do seu coração onde a revelação da onipresença pode se revelar como sua verdadeira natureza. Estou propondo que permaneça na pura presença. Não criá-la, nem convidá-la, mas simplesmente reconhecer o que está sempre aqui, onde você sempre está, onde Deus sempre é.

Neste momento, sua busca pára. Mesmo que esteja buscando por paz e felicidade nos relacionamentos, em um emprego melhor, o mesmo em um mundo de paz, apenas por um momento pare absolutamente. (...) Uma vez que descubra esta dimensão de paz, tudo o que depois você venha a se empenhar, buscar, realizar na sua vida, tudo será banhado por esta descoberta interior. Então, naturalmente você levará esta descoberta ao mundo, á política, e a todos os seus relacionamentos.

Esta descoberta é infinita, e possui complexas ramificações, mas a essência é extremamente simples. Se você pára suas atividades, mesmo por um instante, e simplesmente fica imóvel, em silencio, irá reconhecer o mais profundo espaço do seu ser que é a própria felicidade e paz em si mesmo.

Por causa desses condicionamentos, nós normalmente perdemos esta dimensão da paz com as racionalizações como: "Sim, mas e sobre a minha vida? Tenho responsabilidades. Preciso me manter ocupado, O absoluto não está tem relação com a minha existência".
Estes pensamentos condicionados apenas reforçam mais pensamentos condicionados. Mas se você se dispõe a um momento de reconhecer a paz que é sempre viva em você, você então tem a chance de escolher a verdade que permeia todos os seus empreendimentos, todos os seus relacionamentos e todas as circunstâncias da sua vida. Isto não significa que sua vida não terá mais conflitos, desafios, dores, ou sofrimentos. Isto significa que você será capaz de reconhecer o santuário interior onde a verdade do Ser é presente, onde a verdade de Deus é presente, independentemente das circunstâncias psicológicas, mentais ou emocionais da sua vida.

Trata-se de um convite direto ao centro do Ser. Onde em apenas em um segundo é possível se reorganizar e reconhecer a vastidão ilimitada, e eterna e divina verdade de Si mesmo."
Gangaji em The Diamond in your Pocket

Nada mais me prenderá - Krishnamurti


"Por muitas vidas vi passar o frígido inverno e a verde primavera.
Aprisionado em minha pequena alcova,
Eu não via a árvore inteira e todo o céu
Para mim, era aquela a Verdade.

Com a ação destruidora do tempo,
Minha janela cresceu.
E contemplei então
Um ramo com muitas folhas
E uma vasta expansão do céu, com muitas nuvens,
Esqueci a folha verde solitária
e aquela nesga de imensidão azul.
Jurava que não existia a árvore, nem o céu imenso
Para mim, era aquela a Verdade.

Cansado da prisão,
Da estreita cela,
Revoltei-me contra minha janela,
Com os dedos a sangrar.
Arranquei tijolo após tijolo,
Contemplei então
A árvore inteira, seu tronco majestoso,
Seus ramos numerosos, suas miríades de folhas,
E uma imensa parte do céu.
Jurava que não existia outra árvore,
nem outra parte do céu
Era aquela a Verdade.

Aquela prisão já não me retém,
Saí a voar, através da janela,
Ó amigo,
Agora contemplo todas as árvores
E a vastidão do céu sem limites.
E embora eu viva em cada folha
E em cada nesga do vasto céu azul,
Embora eu viva em cada prisão,
a espreitar por estreitas frestas,
Sou livre.
Não! Nada mais me prenderá
Esta é a verdade."
J. Krishnamurti

25 de outubro de 2011

O Mito da busca...



"A busca espiritual só pode conduzir à frustração, porque o que se busca é idêntico ao que se está buscando.

Queremos por fim à busca, ignorando a deslumbrante evidencia de que toda busca implica na existência de algo que deve ser encontrado. Nessa crença, na verdade, se baseia toda a busca.

Mas, essa crença, em verdade, é a mesma busca. Não é surpreendente que esta busca perdure por toda a vida?

E com a busca chega a identificação com "aquele que busca". Toda busca implica em um buscador.

Mas buscando o fim do buscador, o buscador ignora a evidencia de que o "problema" está na busca, porque a busca por si, implica que no agora, existe algo equivocado. A busca, implica uma resistência ao que É, uma resistência que é idêntica ao "eu" ao "mim".

A busca implica em um futuro em que o buscador acaba por desaparecer, e então de busca desesperadamente esta evidência futura, a do buscador livre. Mas, enquanto existir busca, haverá um "eu" que busca, que é precisamente o que a busca pretende finalizar.

Mas aquele que busca, e o que se supõe irá encontrar, estão presentes, ambos, agora mesmo, neste mesmo instante, como pensamento. Esta é em verdade, a única realidade que a pessoa possui. E mesmo que fosse possível alcançar a "libertação", esta não poderia, de modo algum ser realizada agora.

Isto, aqui e agora, é tudo que há, e não é necessário futuro algum para "ver através dele" nem para "realizá-lo". A mesma busca é de fato, o que implica que isto não está aqui e que há algo mais. A busca é a negação da pura presença, que é idêntica a este momento.

Mas nós seguimos empenhados na busca, esperando o dia em que seremos como estes mestres iluminados que falam, falam de paz, de amor, de alegria e do final do sofrimento, e que nos fornecem um caminho a seguir.

Mas a paz, o amor e a alegria já estão aqui agora mesmo.

A paz, o amor e a alegria são muito simples, e se apresentam como a batida do coração, o gotejamento da torneira, o ruído da lavadora, a respiração; os pensamentos que aparecem; uma sensação de fome; uma ligeira dor no estômago; o murmúrio da televisão.

Este é o milagre que tanto temos nos esforçado em buscar ao longo de nossas vidas, e que sempre esteve diante dos nossos narizes."
Jeff Foster em Mas Alla del Despertar

24 de outubro de 2011

Paz é Ser...


"Você tem ideia de quantos métodos já foram propostos, para que parássemos de pensar? E a oferta é proporcional ao interesse em que isso aconteça. Porém, trago algumas novidades a respeito dos pensamentos. Nenhum outro método será proposto, pois, a novidade que trago é que você não precisa parar os pensamentos. A partir de hoje, convide-os a ficar. Deixe que eles fiquem. Dê-lhes as boas vindas!

Esta é minha fatídica proposta, simplesmente, porque você não é os pensamentos. E você, quem você é em originalidade, radicalmente, não pensa.Você pensa que pensa, porque você

Se confunde, se identifica, com aquele que pensa. Mas VOCÊ não pensa! Então, convide os pensamentos a ficarem. Por que brigar com eles? Eles não são seus, são apenas pensamentos, ruídos assim como os sons dos carros que passam. E tudo isso é periférico a você.

Já imaginou se, para encontrar a paz, você precisasse que todos os carros parassem; e que todas as vozes se calassem; e que todas as chuvas não chovessem; e que todos os dias quentes não fossem dias quentes; e que todos os dias frios não fossem frios; e que todas as dores de barriga, não fossem dores de barriga? Assim, você teria uma possibilidade ínfima Se pensar assim, você está no caminho errado, está olhando para fora.

Provavelmente, você já tentou parar os pensamentos, parar os carros... Assim como já cogitou viver numa casa na colina, para que a paz desejada, fosse alcançada. No entanto, após algum tempo diante desse cenário, não havia paz, tampouco – a paz ali encontrada era temporária. Então, inteligentemente, você pode relevar que haja algo errado nessa busca. Aliás, arrisco dizer que a própria busca esteja errada.

Alguém colocou na sua cabeça que você tem que buscar a paz, e você acreditou. Até porque, antes mesmo de dizerem isto, disseram que você não estava em paz e deveria começar a buscá-la. Acreditando naquilo que parece comum a todos que te cercam, sem questionar, essa busca se instala voltada extremamente para o lado de fora.

É dito que devemos comer apenas certos tipos de comidas, que devemos praticar alguns tipos de exercícios... E tudo isso, numa certa medida, o deixa “em paz”. Mas esta é uma paz relativa. Não se trata da Paz compartilhada pelos budas.

Essa paz alcançada através de algo é temporária e desaparece assim que alguém pisa no seu pé ou derrama vinho na sua roupa. E a noção de perder a paz, traz um agravante ainda pior – que é a ideia de que você precisa se aperfeiçoar: meditar mais, por exemplo.

Seguindo a confusão coletiva, você olha para si mesmo como um ser imperfeito, em necessidade de perfeição, e tenta aperfeiçoar-se. Mas até quando? Até quando irá buscar a Paz dessa forma? Será que você vai conseguir?

Descubra o que é que está faltando alguma nessa equação, pois a verdade é que você não precisa ir em busca da paz, porque ela nunca esteve separada de você.
Apenas atente para isso e veja a paz que você é."

22 de outubro de 2011

Eternidade...


Onde respousam as asas do tempo
Tempo que ido não retorna, nem se desfaz.
Mesmo que por eras tenhamos percorrido mundos
Nada nos separa dessa fonte plena que transborda
E nos ilude que sopra, que agita
Mas na verdade somente permanece,
Permanece,
Infinitamente...

Onde deixamos escapar memórias
Cenas, falas e paisagens
E tendo merecido ou não,
Experimentamos
Desejos e amores
Conflitos e rancores
Em pleno sol da manhã
Nos despimos
E expomos a alma nua
Sem remorsos
Pelos simples viver além das faces..

Não importa o quão tenhamos percorrido
Este caminho que não se move
Não importa as pegadas que foram deixadas pelos pés
Que insistimos em chamar de nossos,
Não importa aquelas falas idas
Que ainda ressonam no infinito do silencio
Não importa
Apesar das histórias
Falas
Gestos
Lágrimas, sorrisos
E faces
Muitas faces,
Ainda somos e seremos tão somente,
Eternidade...

Nisargadatta responde...


Nisargadatta, o que é felicidade?
N: A harmonia entre o interior e o exterior é felicidade. Por outro lado, a auto-identificação com as causas externas é sofrimento.

Como é que a auto-identificação acontece?
N: O Ser por sua natureza conhece a si mesmo apenas. Por falta de experiência, o que quer que ele percebe ele toma como sendo ele mesmo. Maltratado, ele aprende a olhar para fora (viveka) e viver sozinho (vairagya). Quando o comportamento correto torna-se normal, um poderoso impulso interno o faz procurar a sua fonte. A vela do corpo é iluminada e tudo se torna claro e brilhante.

Qual é a verdadeira causa do sofrimento?
N: A auto-identificação com o limitado (vyaktitva). As sensações por si mesmas, por mais fortes que sejam, não causam sofrimento. É a mente, confusa com idéias erradas, viciada em pensar: "Eu sou isso". "Eu sou aquilo ", que teme a perda e anseia pelo ganho e sofre quando é frustrada.

Um amigo meu costumava ter sonhos horríveis noite após noite. Ir dormir o aterrorizava. Nada podia ajudá-lo.
N: Companhia verdadeiramente boa (satsang) iria ajudá-lo.

A própria vida é um pesadelo.
N: Amizade nobre (satsang) é o remédio supremo para todos os males, físicos e mentais.

Geralmente não é possível encontrar tal amizade.
N: Procure dentro de si. Seu próprio ser é o seu melhor amigo.

Por que a vida é tão cheia de contradições?
N: Isso serve para quebrar o orgulho mental. Devemos perceber o quão pobres e impotentes somos. Enquanto nos iludimos com aquilo que imaginamos ser, saber, ter, fazer, estamos em uma situação realmente triste. Só numa completa auto-negação há uma chance de descobrir o nosso verdadeiro ser.

Por que tanta ênfase na negação de si mesmo?
N: Tanto quanto na realização de si (auto-realização). O falso ser deve ser abandonado antes do verdadeiro ser poder ser encontrado.

O ser que vcê opta por chamar de falso é para mim angustiantemente muito real. O que você chama de ser real é um mero conceito, uma maneira de falar, uma criação da mente, um fantasma atraente. Meu ser do dia a dia não é uma beleza, eu admito, mas é meu mesmo e é meu único ser. Você diz que eu sou, ou tenho, um outro eu. Você o vê - é uma realidade para você, ou você quer que eu acredite no que o senhor não vê?
N: Não tire conclusões precipitadamente. O concreto não precisa ser real, o concebido não precisa ser falso. Percepções baseadas em sensações e moldadas pela memória implicam um percebedor, cuja natureza você nunca se importou em examinar. Dê-lhe total atenção, examine-o com carinho e você vai descobrir alturas e profundidades do ser que você jamais sonhou absorto como você está na insignificante imagem de si mesmo.

Eu devo estar na disposição de ânimo correta para me examinar de modo proveitoso.
N: Você deve ser sério, ter intenção, estar verdadeiramente interessado. Você deve estar cheio de boa vontade por si mesmo.

Eu sou egoísta, tudo certo.
N: Você não é. Você está o tempo todo destruindo a si mesmo, a si próprio, servindo a deuses estranhos, hostis e falsos. De todo modo seja egoísta – da maneira certa. Desejo o bem para si mesmo, trabalhe com o que for bom para você. Destrua tudo o que se interpõe entre você e a felicidade. Seja tudo - ame tudo - seja feliz - faça feliz. Nenhuma felicidade é maior.

Por que há tanto sofrimento no amor?
N: Todo sofrimento nasce do desejo. O verdadeiro amor nunca é frustrado. Como pode o sentimento de unidade ser frustrado? O que pode ser frustrado é o desejo por expressão. Tal desejo é da mente. Como com todas as coisas mentais, a frustração é inevitável.

Qual é o lugar do sexo no amor?
N: O amor é um estado de ser. Sexo é energia. O amor é sábio, o sexo é cego. Uma vez que a verdadeira natureza do amor e do sexo for entendida não haverá conflito ou confusão.

Mas há tanto sexo sem amor.
N: Sem amor tudo é mau. A própria vida sem amor é má.

O que pode me fazer amar?
N: Você é o próprio amor - quando você não está com medo."
Nisargadatta Maharaj em I am That

20 de outubro de 2011

Tao, Centramento e Maturidade...



"O Tao diz: não há necessidade de estar com pressa porque a eternidade está disponível para você. Plante as sementes no tempo certo e espere; a primavera virá; ela sempre vem. E quando a primavera vier, as flores aparecerão. Mas espere, não tenha pressa.

Existe grande paciência na natureza e o Tao acredita no caminho da natureza.
Tao significa exatamente natureza. Assim o Tao nunca está com pressa; isto tem que ser entendido.

O ensinamento fundamental do Tao é: aprenda a ser paciente. Se você puder esperar infinitamente, a iluminação pode mesmo acontecer instantaneamente. Mas você não deve pedir para que ela aconteça instantaneamente: se você pedir, pode ser que nunca aconteça.

O seu próprio pedido se tornará um obstáculo. O seu próprio desejo criará uma distância entre você e a natureza. Permaneça em sintonia com a natureza, deixe que a natureza tenha o seu próprio curso... Mesmo que ela demore séculos para chegar, ainda assim ela não está atrasada; ela nunca está atrasada. Ela sempre chega no momento certo.

O Tao acredita que tudo acontece quando é necessário; quando o discípulo está pronto, o Mestre aparece. Quando o discípulo está finalmente pronto, Deus aparece.

O seu valor, o seu vazio, a sua receptividade, a sua passividade tornam isto possível; não a sua pressa, não a sua correria, não a sua atitude agressiva. Lembre-se: a verdade não pode ser
conquistada. É preciso entregar-se à verdade, é preciso ser conquistado pela verdade.

Mas toda a nossa educação, em todos os países, ao longo dos séculos tem sido de agressividade e de ambição. Nós tornamos as pessoas muito rápidas. Nós as tornamos muito medrosas. Nós lhe dizemos: 'tempo é dinheiro e é muito precioso. Se o tempo for perdido uma vez, ele ficará perdido para sempre, por isso corra; tenha pressa'. Isto tem levado as pessoas à loucura. Elas correm de um ponto a outro; elas nunca curtem lugar algum.... E elas pensam que estão indo a algum outro lugar...

O Tao é o caminho da natureza, do jeito que as árvores crescem e os rios correm e os pássaros e as crianças... exatamente do mesmo jeito crescemos para Deus.
Não tenha pressa e não se desespere. Se você fracassar hoje, não perca as esperanças. Se você fracassar hoje, isto é natural. Se você continuar fracassando por alguns dias, isto é natural.

As pessoas têm tanto medo de fracassar que, devido a este medo, nunca arriscam fazer tentativas. Existem muitas pessoas que nunca se apaixonaram porque elas têm medo. Quem sabe? Elas podem ser rejeitadas, por isso elas decidiram permanecer sem amar, assim ninguém jamais as rejeitará.

As pessoas têm tanto medo de fracassar que elas nunca tentam qualquer coisa nova.
Quem sabe? Se elas fracassarem, o que poderá ocorrer? E naturalmente, para se movimentar no mundo interior, você terá que fracassar muitas vezes, porque você nunca se movimentou ali antes.

Toda a sua habilidade e eficiência têm sido nos movimentos externos, na extroversão. Você não sabe como se movimentar internamente. As pessoas escutam as palavras 'movimente-se internamente, vá para dentro', mas isso não faz muito sentido para elas.

Tudo o que elas sabem é como ir para fora, é como ir para o outro. Elas não conhecem qualquer caminho de volta para si mesmas. Por causa dos seus velhos hábitos, é muito provável que você fracasse muitas vezes. Não perca as esperanças.

A maturidade chega vagarosamente. É certo que ela chega, mas isto leva um tempo. E lembre-se: para cada pessoa ela chegará num ritmo diferente, por isso não compare, não comece a pensar: 'alguém está se tornando tão silencioso, e tão feliz, e eu ainda não
alcancei isto. O que está acontecendo comigo'?

Não se compare com quem quer que seja, porque cada um viveu de uma maneira diferente em suas vidas passadas. Mesmo nesta vida, as pessoas têm vivido diferentemente.

Assim, tudo depende de suas habilidades, de sua mente, de seu condicionamento, de sua
educação, da religião na qual você foi criado, dos livros que tem lido, das pessoas com as quais tem vivido, da vibração que criou dentro de si mesmo.

Tudo dependerá de mil e uma coisas, mas é certo que ela chegará. Tudo que se precisa é paciência, trabalho silencioso, trabalho paciente e o centramento acontece e a maturidade chega.

Na verdade, a pessoa madura e a pessoa centrada são apenas dois aspectos de um mesmo fenômeno... Com a maturidade, o centramento surge.
Maturidade e centramento são dois nomes para uma mesma coisa. Mas a primeira coisa a ser lembrada é que ela chega gradualmente.
Não compare e não tenha pressa".
Osho em The Secret of Secrets

Essência e aparência...


As relações humanas nem sempre são fáceis.
O grande desafio é lidarmos com as diferenças que se apresentam, e conseguirmos não perder de vista a essência única que permanece em cada um de nós.

Ao longo da vida, lidamos com tantos aspectos diferentes, uma pluralidade de sentimentos, pensamentos, formas, ações, reações, emoções, arestas...que se pararmos veremos que estamos imersos em uma turbulência infinita que jamais se aquieta, jamais se silencia, jamais pára...

A roda da existência gira, gira e nesse girar tudo acontece...não temos controle sobre nada do que acontece nessa periferia. Nessa dimensão a única "atitude" é a adaptação. Adaptação consciente de que trata-se de um fluxo constante, em que infinitos fatores estão envolvidos na criação daquele evento que se apresente a "nós."

Quanto mais consciente ficamos, percebemos que o grande fluxo, o grande oceano da existência acontece para si mesmo. Seja lá o que for, está apenas aparentemente se refletindo em "mim, ou em você", mas que na verdade nunca existiu um "mim, ou um você"...apenas a existência brincando consigo mesma, nas aparências múltiplas... O "eu e o você", são apenas nomes, idéias, pensamentos que a própria existência cria...e a própria existência acredita, até o momento em que não acredita mais...

Com isso, vemos que as relações humanas quando baseadas na periferia, na ilusão da separação, das diferenças se torna cheia de facetas, cheia de arestas e conflitos, pois está justamente cumprindo sua função que é a de ir lapidando as diferenças periféricas para que cada vez mais a unicidade profunda se apresente, se manifeste.

É fácil de se perceber quando "alguém" já vive, já está consciente da essência única, pois já não se deixa mais enganar pelas diferenças, nem pelas personalidades, nem pelas máscaras, nem pela multiplicidade. Vive centrado na paz. Paz que não é morta, estática, sem cor, mas uma paz que é viva, que aceita aquilo que se apresenta pois reconhece a realidade como a dança cósmica infinita, plural e perfeita na sua totalidade fluída.

Esta consciência permite que lidemos com todas as "pessoas", sejam como forem, pensem como pensem, independente das ações, reações, atitudes, gestos, falas, conceitos...essa consciência permite que lidemos com TODAS elas...pois já reconhecemos que apesar das diferenças superficiais, aparentes, a essência que nos une é a mesma....e cada vez que estamos frente a frente com "alguém", (aparentemente um "alguém diferente de nós), na verdade estamos frente a frente com nós mesmos, apenas um aspecto nosso que ainda estamos descobrindo, que ainda está nos sendo revelado... e é aí que a vida ganha cor, ganha beleza e o gosto da eterna e maravilhosa descoberta...

A partir dessa consciência, caem por terra todas as dificuldades de relacionar-se.
Pois se ao mesmo tempo enxergamos a periferia cheia de nuances e facetas, nosso coração não se deixa enganar e estamos sempre centrados naquilo que É...ou seja, o Ser que é Amor...
O Ser que é "Tudo"...e "Todos"...
Amor
Lilian

19 de outubro de 2011

Felicidade compartilhada - Dalai Lama


"Eu me dirijo a vocês como um ser humano. E vejo que vocês também são seres humanos.
Então, entre nós não existe nenhuma diferença, nem mentalmente, nem emocionalmente, nem fisicamente. E, mais importante, todos nós devemos ter uma vida plena, e todos nós temos o direito de alcançar a felicidade que almejamos.

Certamente, em um nível secundário, existem diferenças entre nós. Eu, por exemplo, nasci na Ásia, nasci no Tibet, eu sou budista. Mas no nível fundamental não existe diferença entre nós, somos todos iguais. E é nesse nível fundamental que nossa comunicação deve acontecer.

Na realidade de hoje, é chegado o tempo em que é possível desenvolver um conceito de Nós.

Toda a comunidade integra um ente único, que somos Nós. No passado havia um sentimento de Nós aqui de um lado e do Outro apartado de Nós. Mas no mundo moderno, por causa da economia global, por causa das questões ecológicas, do crescimento populacional, o interesse de um país é totalmente ligado ao interesse dos demais países. O interesse de um continente está ligado aos interesses dos demais continentes. Então hoje nós temos relações de um país para com todos os demais, de um continente com todos os demais. Essa é a realidade de hoje. E a sociedade não pode se desenvolver sem recursos que vem de outros continentes. Essa interdependência, ou seja, essa unicidade da humanidade deve ser compreendida para um futuro saudável.

No passado, nós dávamos muita ênfase a esse conceito de Nós de um lado e Eles do outro. Em consequência disso, muitos problemas desnecessários acabam aparecendo. As diferenças de nacionalidade, crença religiosa, classe social, nível educacional são secundárias e acabam criando discriminação e infelicidade. Apesar dessas diferenças, somos todos iguais à medida que somos seres humanos e vivemos no mesmo planeta.(...)

Eu vejo que existem muitas pessoas jovens na platéia e com vocês eu gostaria de dividir alguns pensamentos meus. Eu tenho hoje 76 anos de idade e pertenço à geração do século passado. Mas vocês que tem menos de 30, pertencem à geração do século XXI. A minha geração está se preparando para a despedida, está chegando nossa hora de ir embora. Mas vocês que são a geração do século atual precisam ter responsabilidade. Cabe a vocês visualizar como um mundo pacífico e compassivo pode ser criado. É importante que vocês tenham uma visão e disposição para trabalhar esse mundo pacífico. Para que isso possa acontecer, duas coisas são necessárias: primeiro é a visão, como já falei, e para isso não basta olhar apenas para o que está à sua volta. É preciso ter uma perspectiva ampla que abarque o mundo todo, uma perspectiva global. A segunda coisa é a educação. A educação é um instrumento que pode ser utilizado de forma positiva ou negativa. E isso depende inteiramente da motivação de cada pessoa. Por isso é muito importante que vocês prestem atenção para a qualidade do seu coração, que vocês cultivem o calor no coração. Primeiro para seu benefício próprio. Um coração cálido no peito certamente te dará uma vida com mais sentido. Essa qualidade garante um sentimento de autoconfiança e reduz o medo, permitindo que haja paz interior.

Agora eu quero falar como essas qualidades do coração podem ser cultivadas e desenvolvidas. Eu costumo dizer que existem três caminhos para isso. O primeiro é o caminho proposto pelas religiões teístas, que propõem o conceito de um Deus criador. Essas religiões oferecem um instrumento extremamente poderoso para lidarmos com o nosso egoísmo, com a nossa arrogância e contribuem definitivamente para uma visão menos egoísta. Deus pode ser entendido como uma compaixão infinita, como Amor, e então uma pessoa que se submete totalmente ao seu Deus e O segue de maneira sincera possui um instrumento muito poderoso para cultivar as qualidades do coração.(...)

Outro ponto que é importante ressaltar é que o secularismo relaciona-se com a noção de que a disseminação dos valores internos em um nível universal deve ser feita por meio da educação. Uma religião, por mais benéfica e maravilhosa que possa ser, jamais conseguirá ser universal. Daí surge a importância do secularismo, que permite a integração dos valores internos e o cultivo desses valores em um sistema educacional sem que precisem estar atrelados a uma religião. Já existem grupos de pesquisadores em vários países que estão voltados ao estudo de como introduzir valores morais e éticos na educação com base na perspectiva secularista. A partir dessa perspectiva, três conceitos fundamentam a noção dos valores internos: a experiência comum, bom senso e as descobertas da ciência.

O desenvolvimento de uma ética secular é extremamente necessário à humanidade. Nós vemos aqui em São Paulo um número cada vez maior de prédios e prédios cada vez mais altos. Mas ao mesmo tempo, na perspectiva de valores internos, pode ser visto um declínio, o que mostra um contraste. É aí que vemos corrupção, injustiças sociais e esses acontecimentos demonstram uma falta de valores morais, uma falta de fortalecimento de tradições éticas. E também existem no nível de relações internacionais, os países mais poderosos que tem uma cultura autoritária sobre os mais frágeis.(...)

Uma pergunta que faço a vocês: aqui no Brasil, qual é o tamanho da distância entre ricos e pobres? Vocês estão felizes com esse hiato? Outra questão muito importante é a corrupção. Ela entrou pelo mundo todo, oriente e ocidente. Como é aqui no Brasil, ela existe? É pequena ou grande?

Então, é necessário, por meio da educação, criar um sentido de responsabilidade e preocupação com o outro, um sentido de que formamos uma comunidade e temos responsabilidade perante essa comunidade. E isso faz aparecer um sentimento de igualdade entre os seres.

É importante registrar que para desenvolver esse tipo de valor é necessária uma visão de longo prazo, e é necessário reproduzi-la no sistema educacional, começando desde a infância e chegando até a universidade.

Os valores internos fazem parte de uma vida feliz e são fundamentais para que uma pessoa seja feliz, par que uma família seja feliz, para que um país seja feliz e para que um planeta seja feliz."
S.S.Dalai Lama em visita ao Brasil - São Paulo 2011

18 de outubro de 2011

Estar em Satsang...


"Estamos aqui reunidos para reconhecer a Verdade que é eterna.
Estar em Satsang significa estar em associação com a Verdade. Quando nós compreendemos isso, nós podemos nos encontrar juntos aqui, com uma intenção comum à todos.

Quando você vem a Satsang para ter uma associação com a Verdade, em geral você é levado a perguntar: Quem Sou Eu? ou O que Sou Eu? sem nenhum roteiro ou regra, sem histórias sobre quem você é e o que você é. Existe um convite para que se liberte de todos os roteiros do que você pensa sobre sua vida, e tudo que a envolve. Todo senso de identidade está nesse roteiro.

Alguns papéis desse roteiro são " Eu sou um homem ( mulher) de sucesso", ou " Eu sou um homem ( mulher) sem sucesso", ou " Eu sou um buscador espiritual que já teve muitas experiências espirituais". Nós sempre temos roteiros específicos e nossas histórias sobre esses papéis. Mas nossas histórias e papéis não são verdadeiramente o que nós somos.

A beleza sobre Satsang é que se trata de uma oportunidade de acordarmos das nossas histórias. Quando você começa a realizar o que a Verdade é, você reconhece que a Verdade não é uma abstração, não está fora daqui a uma distância de você, e não é algo para ser aprendido amanhã. Você descobre que a Verdade é Quem você realmente É, sem as suas histórias ou roteiros, neste exato momento. A benção real desse encontro é a oportunidade de parar agora mesmo, não amanhã de contar essas e acreditar nessas mesmas histórias.

O Despertar é uma mudança radical de identidade.
Você pensa que é você, mas você não é! Você é o Ser eterno.
O tempo de Despertar é agora. Não amanhã. Agora.

Quando meu pequeno eu começa a realizar porque está aqui em Satsang, ele pensa: " Este não é um lugar para mim. Eu pensei em vir aqui para tirar vantagens, mas não existem vantagens aqui". É uma ideia revolucionária para muitas pessoas, em ir a algum lugar ou fazer alguma coisa onde não se ganhará nada, nem terá vantagens.

Mas Satsang significa poder ver que nossa felicidade e liberdade nada tem a ver com ganho, nem sorte nem vantagem. Pelo contrário, tem a ver com o mergulhar profundamente na experiência desse momento totalmente desarmados de defesas, sem nenhuma estratégia. Trata-se da oportunidade de parar de criar estratégias e histórias sobre nós mesmos.

A benção aqui é que somos convidados a uma experiência direta do "pequeno eu" sem defesas.
Aqui nós podemos perguntar " O que sou Eu? e Quem sou Eu agora? - sem minhas histórias, sem minhas demandas para este momento, sem minha esperança para este momento, sem meu roteiro.
A mente, se disser alguma coisa, apenas dirá: "Eu não sei." Porque a mente não sabe o que é quando é desarmada, ela não sabe quem ou o que é sem as regras ou os personagens para jogar.

O ator que atua todos estes papéis é chamado de "eu". Mesmo quando nós respondemos as boas vindas ao chamado do Satsang, o ator continua mantendo a si mesmo e tendência da mente diz: "Eu estou aqui". Mas, quando olhamos o que está por trás do "Eu estou aqui", é como se gritasse em uma sala vazia - existe um eco, "Eu estou aqui", e toda vez que olharmos, nós só encontramos um eco. Quem? "Eu estou aqui." Quem?

Então, quando você começar a abandonar cada vez mais os enganos e equívocos de quem você pensa que é como o ator atrás do papel, você começa a ver que isso é apenas uma outra narrativa. Se você realmente olhar, haverá uma chance maravilhosa de estar plenamente desarmado, porque você não irá encontrar nenhum ator, ou ninguém na verdade.

Quando esse desarmamento acontece, você está permitindo que a maravilha da experiência do presente aconteça. Isto é a maravilhosa experiência do Ser que você pode experienciar por si mesmo. Você realizará que isto não é um roteiro nem regra, não está programado e só está relacionado a este momento. Também não existe nenhum ator atuando. O que você é em verdade, é anterior a idéia que você faz de si mesmo.

O que você é sem suas regras, está escondido em algum lugar. E então quando você abandona suas regras, quando olha para o passado do personagem chamado "eu" para a verdade do seu ser, você pode pensar que existe alguém para se encontrado, que está de alguma forma escondido. Se isso acontecer quando alcançar um estado de abertura. Veja que não existe ninguém aqui, o Self, a Verdade, o Ser iluminado é que vê, é que É. Se você sair desse roteiro do pequeno eu - agora o que você é? (...)

Despertar é a realização que acontece antes da mente encontrar um novo roteiro, a mente diz: desisto. Não tenho a menor ideia de quem sou."
Quando você começa a compreender isto, você realiza que se abandonar os roteiros que seguiu antes e abandonar estas regras por um momento, você verá que não é quem você acreditava ser.

Vir a um Satsang é uma coisa revolucionária para a idéia de "eu", porque o "eu" pensa que está indo para obter alegria em mudar de roteiro, de regras, de identidade - mesmo que esta identidade seja não ter identidade. Ele vai fazer o que for preciso para fazer a bola chamada "eu" rolando. E a verdadeira proposta é investigar de perto, se o "eu" existe de fato, ou se trata apenas de uma idéia, de um pensamento. (...)

Se nós perguntamos " Quem sou eu sem o conceito de "mim"? O que sou Eu sem o "mim"?
Instantâneamente o conceito de "eu" pode ser iluminado através da experiência, porque é uma resposta viva a esta questão : O que sou Eu? Quem sou Eu? Não é um conceito morto, mas uma resposta viva.

Neste momento do radiante despertar acontece um misterioso desdobramento dentro de cada um, momento a momento. Este estado vivo do Ser, é a única coisa que você tem sido e sempre será, e que é agora. Você não é um ser humano, você é o Ser na aparência humana. (...)

Quando você despertar para esta consciência, verá que a vida brinca com a "sua" vida, ou melhor, que a vida brinca consigo mesma. E não se move de acordo com agendas do pequeno eu, aquele que tem todas as ideias sobre isto ou aquilo. Despertar não se preocupa mais sobre agendas ou deveres e regras. As coisas acontecem, e mesmo não acontecendo da maneira que se deseja, existe gratidão mesmo assim. Você descobre que a existência tem seu próprio
movimento, suponho que a rendição real seja seguir este movimento. Isto é o verdadeiro significado do "Seja feita sua vontade".

Satsang é um convite, um convite a desidentificação e a realização do mistério. Oh isso é o que eu sou! Eu pensava que era aquele eu cheio de compromissos, regras e papéis. Eu pensava que era o ator das regras. Eu pensava que eu era as regras"
Nada disso é verdadeiro.

Quando o conceito chamado: "Eu sou um ser humano" termina, nós chamamos isto de morte.
É mais fácil se deixar que este conceito morra antes do seu corpo físico morrer. E deixe a vida correr como quiser a partir de então.
Através do Satsang você acorda para o Ser que tem sido eternamente e tenha uma vida verdadeira."
Adyashanti em Emptiness Dancing - Satsang

17 de outubro de 2011

Já estás unido!



"Osho, tenho em mim um forte desejo de unir-me ao Universo, mas me sinto separado, ansioso, sem lugar, porque? O que tenho que fazer?

O desejo mesmo está te retendo. O intenso desejo de unir-se ao Universo está te mantendo separado. Desprenda-se do desejo e a união acontecerá.
Não pode unir-se através do intenso desejo, porque o desejo mesmo te manterá separado.

Quem é que está separado? A quem pertence esse imenso desejo? Um intenso desejo cria um intenso ego e uma supressão. E quem te disse que estás separado e precisa de unir-se? Nunca esteve separado, então, porque estás caçando a ti mesmo? Já estás unido!

Lao Tsé disse: Você está fundido com a existência, não estás separado. Nunca esteve separado, e nunca poderá estar. Como isso é possível? Você existe no oceano do divino, o Tao, ou como queira chamá-lo, de Deus. Como poderia estar separado? Assim que começa com a ideia de separação. a ideia de que estás separado é errônea; e então dessa primeira ideia errônea surge outra: a ideia de que precisa unir-se. E se trata de unir-se, permanece separado.

Olhe, veja, observe: Nunca você esteve separado.
Quem respira em ti? Pensa em ti? Vive em ti? Nasce em ti? Você tem alguma ideia?

Esse que vive em ti, pensa em ti, respira em ti, é a TOTALIDADE!
E este "unir-se" é somente um pensamento, então nunca poderá unir-se. Observa simplesmente como são as coisas. Já estás unido!!(...)

O estado de Buda não é uma realização. É somente o reconhecimento de quem você é verdadeiramente, é só um recordar.
Assim, não me pergunte como unir-se.
Se já tem o forte desejo de unir-se, então, quanto mais forte o desejo, mais difícil será unir-se. O desejo mesmo é a barreira, portanto por favor, abandone o desejo e simplesmente veja ao seu redor.
Quem é você? Deus existe, "você" não!
Você é um conceito falso, uma ideia, uma bolha de ar na cabeça, nada mais. (...)

Você sempre foi o oceano, nunca esteve em outro lugar que não fosse o oceano. Não pode estar. Porque não existe nada mais, não há nada além de Deus, do Tao, da totalidade.
Assim que, quanto antes se der conta da ilusão do desejo de unir-se, melhor.

Você já é o que está buscando!
Esta é a mensagem de todos os seres despertos: Você já é o que está buscando! Você já é a meta! Nunca saiu de casa!"
Osho em Os Três Tesouros, Vol 1

15 de outubro de 2011

Deus aqui e agora...


"Eu digo que não sei; você não pode encontrar um homem mais ignorante que eu. Não há nenhuma verdade e não há nenhum caminho. Eu não alcancei nenhum lugar, estou simplesmente aqui e agora.

Se você puder seguir este homem ignorante, a sua mente vai desistir. Porque a mente sempre segue o conhecimento, e quando a mente desiste não há nenhuma necessidade de ir para lugar algum. Tudo está disponível, sempre esteve disponível; você nunca perdeu isto.

Só por causa de sua busca, você não pôde olhar para isto. Sua mente, focada no futuro, na meta, não pode olhar.

A verdade o cerca, você existe nisto. Da mesma forma que os peixes existem no oceano, você existe na verdade. Deus não é uma meta, Deus é o que é aqui e agora. Estas árvores, estes ventos que sopram, estas nuvens que se movem, o céu, você, eu, é isto que Deus é. Não é uma meta.

Abandone a mente e o divino. Deus não é um objeto, é uma fusão. A mente resiste a uma fusão, a mente é contra a rendição; a mente é muito esperta e calculista."
Osho em Pássaro em Voo, conversas sobre o Zen

Viagem ao Peru - Machu Picchu


Hoje quero compartilhar com vocês a viagem que fiz ao Peru, mais especificamente a Lima, Cusco, Vale Sagrado e ao santuário de Machu Picchu.
Confesso que sempre foi um sonho poder conhecer um pouco mais, e principalmente vivenciar as maravilhas desse país místico, e essa sabedoria milenar do povo Inca.

Começamos por Lima, a capital, cidade grande à beira mar, clima descontraído, jardins floridos, paisagens lindas e muita alegria e descontração. Uma cidade interessante e em forte crescimento.

O nome Lima, vem do povo que habitou aquela região, o povo ItálicoLima, na época pré-espanhola, e ainda encontramos sítios arqueológicos preservados no miolo da cidade, abertos á visitação, com guia local, onde podemos aprender um pouco mais sobre este período da história peruana. Vale super a pena!

Partimos para Cusco, à uma hora e meia de avião, onde começa nossa jornada. Já de cara nos deparamos com as montanhas belíssimas da cordilheira andina, com picos nevados e uma luz que encanta por onde bate o sol. Praça florida, clima gostoso onde se misturam peregrinos e trilheiros de todas as partes do mundo, mulheres com trajes típicos com seus filhos nas costas, algumas vendem lindo artesanatos, a catedral de Cusco com belissimas obras de arte, situada onde foi o antigo templo Inca.

Cusco que ignifica "umbigo" em idioma quítchua, e é até o momento tida como a cidade habitada mais antiga das américas. Fundada por Pachacuti, foi desde o início um centro religioso e político do império Inca, que se estendia do Equador até a Argentina, chegou a possuir 12 milhões de habitantes. Cusco é uma jóia, jóia em todos os sentidos. Lindos museus, uma arquitetura lindíssima, onde vemos a forte influencia espanhola, casarios preservados, ruas floridas e as montanhas que cercam nos transportam para uma dimensão celestial. Estamos muito acima do nível do mar, e o céu parece que está ao alcance de nossas mãos...literalmente!
Os habitantes de Cusco são preciosos demais. São amáveis, simples, gentis, nos tratam com delicadeza e nos fazem sentir em casa. Gostam de contar da sua terra, de sua história e estão sempre prontos para tirar uma foto srsr.

Os camelos das Américas, como são chamados as alpacas, lhamas e vicunhas, são super importantes para eles, que retiram além da lã, do leite, usam como alimento e transporte de carga. É lindo de se ver a harmonia entre as pessoas e seus animaizinhos...
Aqui se respira uma atmosfera de muita paz e harmonia entre povos, religiões e a natureza. É fácil se perceber um clima onde todos são aceitos, respeitados e reconhecidos como integrantes do mesmo e único universo. Aqui tem se tornado ano após ano, um centro de peregrinações e práticas de terapias alternativas e tratamentos ligados à purificação do corpo e da alma. O clima favorece à contemplação e a meditação. Dias claros, sol e luz, e a noite muita paz e silencio, nos colocam em estado profundo pelo simples fato de estarmos aqui.

O Vale Sagrado dos Incas é um caso à parte. Vamos seguindo de trem as margens do rio Urubamba, com suas águas côr de esmeralda, e de repente se abre o vale diante dos nossos olhos, magnífico. As cidadezinhas são muitas e lindas, mas Pisac é encantadora na base de montanhas altíssimas já foi o centro espiritual Inca, antes da construção de Machu Picchu. Outra cidade linda também que visitamos é Ollantaytambo, com ruínas antigas de pedra perfeitamente encaixadas, e uma vista do vale que deixa qualquer um simplesmente fascinado!


O Vale Sagrado do Incas, se estende por toda região do rio Urubamba e é um lugar sagrado mesmo. Ali ao longo da várzea do rio, se estende a grande produção agrícola daquela região, que também já foi tida como o berço da prata na época dos Incas. Em Ollantaytambo se pode avistar quilômetros de distancia o rio e suas curvas luminosas, numa paisagem cercada de montanhas altíssimas, onde reina uma paz, uma harmonia, que parece que o tempo parou...literalmente...um convite a meditação, a contemplação...aqueles momentos em que nos sentimos perfeitamente conectados com a nossa amada Mãe Terra, que lá se chama Pacha Mama...

O Vale Sagrado é um lugar que nos convida a ficar. Pisac, ainda guarda a sua simplicidade, o povo vive basicamente da agricultura e do turismo. A culinária local é preciosa e podemos provar as comidas típicas peruanas, deliciosas...Não deixem de provar o Seviche, (a base de peixe marinado no limão ) a Chicha morada ( bebida caseira feita a base de milho avermelhado) e o pisco, bebida típica peruana.

Mais abaixo do vale fica o famoso vilarejo de Águas Calientes, às margens do rio Urubamba, aos pés das montanhas de Machu Pichu, também é o ponto de apoio onde existe um vilarejo com pousadas, hoteis, e banhos quentes terapêuticos deliciosos. Ali é também conhecido como Machu Pichu pueblo. Ali encontramos pousadas, restaurantes, spas, e toda infraestrutura para os visitantes de Machu Picchu.

Dalí partimos para o ponto alto da nossa viagem, o Santuário de Machu Pichu, montanhas sagradas dos Incas, mundialmente conhecidas, e que trazem por dia dois mil visitantes de todas as idades, e de todas as partes do mundo.

Pachacuti, imperador Inca, coordenou a construção de Machu Picchu em meados do século XV, e foi meticulosamente escolhida esta montanha, por se tratar de um local de difícil acesso, por estar situada entre duas montanhas sagradas Machu Picchu-Montanha velha (masculino), e Huayna Picchu- Montanha nova (feminino), tendo a volta uma cordilheira de montanhas altíssimas ao sul e o rio Sagrado dos Incas circundando a cidade. Alí foi originalmente um grande templo Inca, um lugar de adoração e de observação das estrelas. Este ano Machu Picchu comemora 100 anos da sua descoberta pelo expedicionário americano Hiran Binghan que encontrou as ruínas da antiga cidade sagrada dos Incas, coberta pela densa floresta tropical, e que veio a se tornar patrimônio mundial pela Unesco.

Estar em Macchu Picchu sempre foi um sonho, e realizar esse sonho foi um presente. Pude conversar com pessoas do lugar, saber um pouco mais sobre a história deste lugar belíssimo.

Os Incas já tinham um profundo conhecimento a cerca das leis da natureza, os ciclos, as estações, e viam a existência, e Deus, enquanto Totalidade e perfeição. Possuíam uma profunda consciência da unicidade, e tudo em Machu Pichu se refere ao profundo respeito por estas leis cósmicas sagradas. O templo do sol, o templo da lua, a grande pedra ritualística, as marcações do observação planetária, enfim, é um lugar que nos diz o quanto aquele povo estava profundamente conectado com a natureza e o cosmos.


A energia de Machu Picchu é mesmo incrível, nem dá para dizer. Apesar da altitude, da caminhada intensa, de subidas e escadarias, do calor, enfim...não se nota nenhum sinal de cansaço, pelo contrário, uma animação geral para se ver tudo, admirar aquela paisagem maravilhosa, desfrutar daquelas horas que passamos ali naquele lugar lindo....que segundo os entendidos, é o grande chakra do coração do planeta...um lugar que só mesmo indo lá para se sentir, e mais, experimentar a paz e uma luminosidade que se sente na alma...de verdade....

Estar em Machu Picchu, meditar naquelas montanhas, mergulhada naquela luz, naquela paz e sentir toda aquele magnetismo que nos cerca, vai ficar para sempre gravado na minha alma...
Foi realmente uma experiência ímpar...recomendo à todos...de verdade...
Gratidão eterna ao povo peruano que nos acolheu com tanto amor e a nossa amada Pacha Mama!!
Amor
Lilian

11 de outubro de 2011

A Criança em nós - Amidha Prem


Vou te contar um segredo...
Não importa a idade que tenha,
Você nasceu criança!!!

Se nascemos criança, porque seria?

Seria para que desde sempre conhecessemos nossa face original?
Seria para que desde cedo conhecêssemos o que é uma fala doce sem pretenções,
E os olhos puros, que nada desejam nem sonham?
Seria para que víssemos o mundo inteiro como nossa extensão?
Porque seria?

Nascemos crianças
E vamos ao longo da vida perdendo de vista a criança em nós
Vamos envelhecendo a criança
E esvaziando a alma
Cobrindo com cinzas opacas
Aquela luz toda que teimava em irradiar sem parar.

Nascemos crianças
Nascemos para o instante
Ávidos de vida, de vivências,
Ávidos
E vamos ficado tão mornos, tão densos
Que a avidez se transforma em cansaço
Se transforma em fastio
E o instante presente
Chega praticamente morto
Pois já não estamos lá para recebê-lo
E ele simplesmente vem e se vai, sem ser tocado.

Mas a criança em nós permanece lá
Ou melhor aqui,
Ela permanece pois não tem para onde ir
Não podemos fugir daquilo que realmente somos
Originalmente somos,
Se deixamos todas as questões de lado
Se simplesmente abandonamos todas essas lógicas e razões sem sentido
O que encontraremos será a pureza original intocada
Será aquela brisa da primavera imprevisível e bela
Será aquele tesouro precioso que buscávamos ávidamente fora
Sem encontrar...

A criança em nós chama
Ela nada obriga,
Mas chama.
Ouçamos seu chamado,
Alimentemos sua alma
Deixemos que sorria novamente
E vejamos o que acontece...

Um beijo carinhoso à todas as crianças...
Crianças de todas as idades!!
Lilian ( Amidha Prem)

10 de outubro de 2011

Irradiando amor...


"No momento em que você compreende o que é o amor, em que você experiencia o que é amor você se torna amor. Então não existe em você necessidade de ser amado e não existe em você necessidade de ser amoroso; ser amoroso será a sua simples e espontânea natureza, sua própria respiração.

Você não poderá fazer outra coisa; você será simplesmente amoroso.
Então, se em troca o amor não vêm a você, você não se sentirá ferido, pela simples razão de que somente a pessoa que se tornou amor pode amar. Você só pode dar aquilo que tem.

Pedir às pessoas que o amem - pessoas que não têm amor em suas vidas, que não chegaram à fonte de seu ser, onde o amor tem seu santuário...como elas podem amá-lo?
Ela podem fingir, podem dizer que amam, podem até acreditar que amam. Porém, mais cedo ou mais, vai ser percebido que não é verdadeiro. (...)

Aqueles que encontraram a fonte do amor dentro de si mesmos não tem mais necessidade de serem amados -e eles serão amados.
Eles amarão por nenhuma outra razão além de simplesmente terem muito amor - assim como uma nuvem de chuva quer chover, assim como uma flor quer desprender seu perfume, sem desejo de conseguir qualquer coisa. A recompensa do amor está em amar, não em conseguir amor.

E estes são os mistérios da vida: se uma pessoa é recompensada simplesmente por amar, muitas a amarão, porque, por estarem em contato com ela, lentamente começarão a descobrir a fonte dentro de si mesmas. Agora elas conhecem pelo menos uma pessoa que irradia amor e cujo amor não é fruto de nenhum necessidade. Quanto mais ela compartilha e irradia seu amor, mais ele cresce.

A mente funciona no "isso ou aquilo"; ou isso pode estar certo ou seu oposto pode estar certo. Ambos ao mesmo tempo não podem estar certos no que diz respeito à mente, à sua lógica, à sua racionalidade. Sua mente é isso ou aquilo, então o coração é isto e aquilo.

O coração não tem lógica, mas tem sensibilidade, perceptividade. Se a questão é escolher entre a mente e o coração, o coração está sempre certo, porque a mente é uma criação da sociedade. Ela foi educada, ela lhe foi dada pela sociedade, não pela existência.

O coração não está poluído, O coração é pura existência; portanto ele tem sensibilidade. Olhe o ponto de vista do coração e as contradições começam a se derreter como gelo"
Osho em Pepitas de Ouro

9 de outubro de 2011

O que sua mente diz?



"O que a mente quer, incessantemente? Digamos que o que o traz aqui, seja a busca pela iluminação. Então, podemos dizer que o que move sua mente, este incansável andarilho, é – em tese – algo que usam chamar de “iluminação”.

Porém, lamento frustrá-lo, mas eu prometo não dar iluminação para você. Antes mesmo que esse processo se complete, trago uma pergunta : verifique internamente o que iluminação significa. O que a sua mente diz?

Se examinar com carinho o conceito em si, há de voltar pra casa muito rapidamente. Pare e note o que é que o afasta do agora. Perceba, o mais claro que puder, quem é que fica vagando, vagando, vagando... Se afastando de casa, com desejos intermitentes, recorrentes.

Essa tentação até parece uma herança genética, não é mesmo? A grande massa recebe e reproduz esse “andarilhar” da mente, sem o mínimo questionamento. É muito raro que alguém pare, espere um pouco, e tente compreender de uma maneira diferente o que lhe está sendo transmitido.

É exatamente nesse momento que Kabir diz: “Fique onde está e todas as coisas virão a você na hora certa”. Não posso discordar... Portanto, o convite implícito em nosso encontro é aquietar-se. Afinal, é primavera! E, como exalta o Zen: “Sentado em silêncio, vem a primavera e a grama cresce por si mesma”.

O que o impede de penetrar nisso é a covardia em convidar o andarilho a voltar para casa. Experimente ir além! Convide sua mente a verificar se as metas, se os desejos que ela impõe sobre você, tão forçosamente, têm alguma relevância no agora. O que você necessita agora?

Já estamos num ponto de maior intimidade a respeito do que seja o agora. Ou, melhor dizendo, confio que você já esteja – depois de tanta proximidade – embebendo-se do agora. Então, agora, é mais simples de entender esse apontamento.

Comecei e encerro com perguntas, a fim de fazê-lo realizar as “respostas” por si mesmo. Pondere: o que você precisa para ser feliz? O que você, realmente, precisa para ser você? Contemple isso. E logo estaremos nos entendendo silenciosamente."
Satyaprem em Satsang

7 de outubro de 2011

Morada natural...



"Podemos notar que um pensamento não pode estar atento. Um pensamento acontece a você, e você (como consciência), nota ele surgir e desaparecer depois. Mas um pensamento pode notar alguma coisa? Não! Os pensamentos são notados! Eles não podem notar! Quem nota os pensamentos? VOCÊ. Consciência.

Muitas vezes precisamos de uma delicada investigação silenciosa para perceber isto que estamos apontando aqui, e por isso a meditação é tão importante.

A meditação lhe dá a clareza e a experiência direta e viva de tudo que está sendo dito aqui. Ela existe para você parar, e ver mais facilmente quem você é - antes, durante e depois dos pensamentos. E você é silêncio e paz, antes, durante e depois dos pensamentos! Sua mente pode estar cheia de pensamentos, mas se você está centrado no espaço que você é que não é um pensamento, então você é silêncio.

Portanto, seu acordar vai despertar você para a paz que você é em essência neste momento, não importando com o que seu corpo ou sua mente estejam envolvidos. Isto é pura liberdade!

Este eu puro que observa é como um vazio consciente. É um sentimento de vida, um sentimento de existência, uma Presença Oculta.

Esta consciência que observa não contém ranhuras, conflitos, divisões, nem dualidade, nem opostos, sendo simplesmente um reflexo da mais pura existência, do milagre da vida acontecendo num corpo humano. E é isto que precisamos amar, conhecer, nos devotar, para que possamos ir para o mundo e não nos perder nos pensamentos e emoções aflitivas infinitas.

Não há nenhum problema com o que você aprendeu com o mundo, nenhum problema com os pensamentos ou emoções, pois isto tudo é belo, é um lindo aprendizado da escola terra para criar o que você chama de uma pessoa. Mas na identificação cega com os pensamentos, no momento em que você (consciência que observa) esquece sua pureza natural, e se mistura com a energia do corpo, sofrerá todas as consequências de suas circunstâncias no mundo, e como o seu corpo está, você estará. Assim como sua mente está, você estará.

É o mesmo que dizer que, se seu carro estraga, você estraga junto. Mas você não é o carro! É como dizer que se seu amigo está em depressão, você entra em depressão junto. Mas você não é seu amigo!

Dê-se conta então que você não é seu corpo e nem sua mente, e não sofrerá as agruras e mazelas do corpo e da mente.

Corpo sente. Mente pensa. Você é uma testemunha.

O corpo e a mente estão envolvidos em karma (passado), misturados no mundo dos gens, da educação, dos condicionamentos humanos. Ao invés de procurar um corpo e uma mente perfeitos, olhe e centre-se no que já é perfeito neste exato momento.

Este é o convite de todos os mestres iluminados. Centre-se no que já é iluminado por natureza. Aquiete-se em sua morada natural pela meditação e a auto investigação."
Swami Naseeb em A Realização do Absolutamente Óbvio

6 de outubro de 2011

Aceitação, entrega e resignação...


"Você mencionou a palavra “entrega” algumas vezes. Essa idéia não me agrada. Soa um pouco fatalista. Se aceitarmos sempre as coisas como elas são, não vamos fazer nenhum esforço para melhorá-las.

Para mim, o significado de progresso, tanto em nossa vida pessoal quanto em coletividade, é não aceitarmos as limitações do presente e nos empenharmos para ir além, para superá-las e criar coisas melhores. Se não tivéssemos agido assim, ainda estaríamos vivendo em cavernas. Como conciliar essa entrega com a mudança e a realização das coisas?

Para muitas pessoas, a entrega talvez tenha conotações negativas, como uma derrota, uma desistência, uma incapacidade de se reerguer das ciladas da vida, certa letargia, etc. A verdadeira entrega, entretanto, é algo completamente diferente.

Não significa suportar passivamente uma situação qualquer que nos aconteça e não fazer nada a respeito, nem deixar de fazer planos ou de ter confiança para começar algo novo.

A entrega é a sabedoria simples mas profunda de não nos opormos ao fluxo da vida.

O único lugar em que podemos sentir o fluxo da vida é no Agora.

Isso significa que se entregar é aceitar o momento presente sem restrições e sem nenhuma reserva. É abandonar a resistência interior àquilo que é.

A resistência interior acontece quando dizemos “não” para aquilo que é, através do nosso julgamento mental e de uma negatividade emocional. Isso se agrava especialmente quando as coisas “vão mal”, o que significa que há um espaço entre as exigências ou expectativas rígidas da nossa mente e aquilo que é. Esse é o espaço do sofrimento.

Se você já tiver vivido bastante tempo, certamente saberá que as coisas “vão mal” com muita freqüência. É precisamente nesses momentos em que a entrega tem de ser praticada, caso queiramos eliminar o sofrimento e as mágoas da nossa vida. A aceitação daquilo que é nos liberta imediatamente da identificação com a mente e nos religa com o Ser. A resistência é a mente.

A entrega é um fenômeno puramente interior.

Isso não quer dizer que não possamos fazer alguma coisa no campo exterior para mudar a situação. Na verdade, não é a situação completa que temos de aceitar quando falo de entrega, mas apenas o segmento minúsculo chamado o Agora.

Por exemplo, se você estiver atolado na lama, não tem de dizer: “Está bem, me conformo de estar atolado nessa lama”. Resignação não quer dizer entrega. Você não precisa aceitar uma situação indesejável ou desagradável na sua vida. Nem precisa se iludir e dizer que não tem nada errado em estar atolado na lama. Nada disso. Você tem completa consciência de que deseja sair dali. Então reduz a sua atenção ao momento presente, sem atribuir a essa situação nenhum rótulo mental. Isso significa que não existe nenhum julgamento do Agora. Em conseqüência, não existe nenhuma resistência, nenhuma negatividade emocional.

Você aceita a “existência” do momento. A seguir, toma uma atitude e faz tudo o que puder para sair da lama. Chamo essa atitude de ação positiva. Funciona muito mais do que uma ação negativa, que decorre da raiva, do desespero ou da frustração. Até que alcance o resultado desejado, você continua a praticar a entrega ao se abster de rotular o Agora.

Vou fazer uma analogia visual para ilustrar o ponto que estou sustentando. Você está andando por uma estrada à noite, com uma neblina cerrada, mas possui uma lanterna potente que corta a neblina e cria um espaço estreito e nítido na sua frente. A neblina é a sua situação de vida, que inclui o passado e o futuro. A lanterna é a sua presença consciente, e o espaço nítido é o Agora.

Não se entregar endurece a forma psicológica, a casca do ego, e assim cria uma forte sensação de separação. O mundo e as pessoas à sua volta passam a ser vistos como ameaças. Surge uma compulsão inconsciente para destruir os outros através do julgamento e uma necessidade de competir e dominar. Até mesmo a natureza vira sua inimiga e o medo passa a governar a sua percepção e a interpretação das coisas. A doença mental conhecida como paranóia é apenas uma forma ligeiramente mais aguda desse estado normal, embora disfuncional, da consciência.

A resistência faz com que tanto a sua mente quanto o seu corpo fiquem mais “pesados”.

A tensão se manifesta em diferentes partes do corpo, que se contrai para se defender. O fluxo de energia vital, essencial para o funcionamento saudável do corpo, fica prejudicado. Algumas formas de terapia corporal podem ser úteis para restaurar esse fluxo, mas a menos que você pratique a entrega na sua vida diária, essas coisas só podem lhe proporcionar um alívio temporário, porque a causa, o padrão de resistência, não foi ainda dissolvida.

Porém, existe alguma coisa dentro de você que não é afetada pelas circunstâncias transitórias que constroem a sua situação de vida e a que você só tem acesso através da entrega. Trata-se da sua vida, do seu próprio Ser, que existe no eterno domínio do presente. Encontrar essa vida é “a única coisa necessária” de que Jesus falava."
Eckhart Tolle em O Poder do Agora

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