30 de outubro de 2010

Ser espontâneo...


"Comece a agir espontâneamente.
Será difícil no início, você sentirá muito desconforto.
Com uma resposta premeditada há menos desconforto, porque você tem mais certeza.

Porque nós não somos espontâneos? É por medo.
O medo de que a resposta possa estar errada, assim é melhor decidir antes. Aí você tem certeza. Mas a certeza pertence à morte.
Lembre-se a vida é sempre incerta. Tudo o que é morto é certo, a vida é sempre incerta.
Tudo o que é morto é sólido, rígido; sua natureza não pode ser mudada.
Tudo o que é vivo está mudando, movendo-se; é um fluxo, uma coisa líquida, flexível. pode voltar-se para qualquer direção.

Quanto mais você adquire certezas, mais você perderá vida. E esses que sabem, sabem que a vida é Deus. Se você perde vida, você perde a Deus.

Aja espontâneamente. Se há algum desconforto no início, permita-se estar lá; não esconda e não reprima e não imite.
Seja como uma criança, mas não infantil. Se você for como uma criança, você se tornará um santo; se você for infantil, pode tornar-se uma grande pessoa instruída.
Você pode imitar, o conhecimento é imitação.
Um Buda diz algo: vem da sabedoria dele, não do conhecimento não da memória; vem da experiência dele.

Você pode imitar isso, pode preencher a mente com isso, pode repetir isso. Isso é infantil. Seja pueril, mas não infantil.

Ser como uma criança é estar na espontaneidade. Uma criança está fresca, sem respostas, sem nenhuma experiência acumulada. Na verdade ela não tem memória, ela age. O que quer que passe pelo seu ser, ela age. Ela não é incentivada, não pensa nos resultados, não pensa no futuro; ela é inocência.

A inocência é meditação.
Comece a ser meditativo em seus atos, nas pequenas coisas. Enquanto come, seja espontâneo; enquanto fala, seja espontâneo; enquanto caminha seja espontâneo. Permita que a vida reaja, não que responda. Seja alguém disser alguma coisa, apenas observe se você está simplesmente repetindo algo costumeiro, só um hábito, ou se a resposta é uma reação; se a mente está repetindo simplesmente um hábito; se a resposta está vindo da memória ou de você.(...)

Todo mundo aborrece todo mundo porque tudo está morto, envelhecido, emprestado, lembra a morte; não está fresco. Olhe para as crianças que brincam e sinta um frescor. Por um momento você pode esquecer até mesmo que ficou velho.

Escute os pássaros, olhe para as árvores ou para as flores, e por um momento você esquece, porque não há nenhuma mente. (...)

No início será incomodo. Mas seja paciente, passe por esse desconforto. Logo a energia vai irromper em você. É perigoso, é por isso que as pessoas o evitam. Ser espontâneo é perigoso, porque quando a raiva vier, ela vem realmente. A mente diz: " Pense, não fique bravo, pode custar-lhe caro". Assim você pensa sempre e descarrega a sua raiva nos que são mais fracos que você, não naqueles mais fortes. (...)

Por causa desses perigos é que a mente pensa antes o que deve ser dito.(...)
A mente criou a sociedade, e a sociedade criou a mente. Elas são interdependentes. Ser um sannyasin significa renunciar a tudo aquilo que é falso. Não renunciar ao mundo, mas renunciar a tudo aquilo que é falso, renunciar á tudo aquilo que não é autêntico, renunciar a todas as respostas, e reagir espontâneamente; não pensar nos resultados, mas ser real.

É difícil...porque muito foi investido na falsidade, nas máscaras, nas faces, nos jogos que você continua jogando.

Ser iniciado como sannyasin significa que agora você tentará ser autêntico; quaisquer que sejam as consequencias, você as aceitará e viverá no presente.
Você sacrificará o futuro pelo presente; você nunca sacrificará o presente pelo futuro. Esse instante será a totalidade de ser ser; você nunca se moverá antecipadamente.(...)
Nós sempre temos medo, medo de que algo possa dar errado.

Mas não tenha medo, nada pode dar errado. E se algo dá errado espontâneamente, então essa é a coisa certa! ...porque o espontâneo é o certo, não aquilo que acontece."
Osho, em Um pássaro em voo, conversas sobre o Zen.

29 de outubro de 2010

Tristeza - Monja Coen


Qual é o significado da tristeza e como lidar com ela?
"Na tristeza ficamos tristes,
Quando perdemos alguém.
Quando perdemos.
Quando as coisas não são como queríamos que fossem.
Quando as pessoas não são como queríamos que fossem.
Quando o mundo e a realidade não são o que queríamos que fossem.
Quando não somos o que gostaríamos de ser.
Quando não temos o que gostaríamos de ter.
Porém, se nos lembrarmosque as coisas são como são, que as pessos são como são, que nós, o mundo e a relidade são o que são, e que podemos apreciar o que temos ao invés de lamentar o que não temos, começamos a entrar no mundo da não dualidade.

Se houver sabedoria e compaixão perceberemos que a tristeza, mesmo profunda, é passageira. Perceberemos que se as coisas, as pessoas, o mundo, a realidade e nós mesmos estamos num processo contínuo de transformação.
Então poderemos pensar em nos tornarmos essa transformação que queremos no mundo.
Para que haja menos tristeza, mais alegria, mais compartilhamento e harmonia.

O contentamento com a existência é um dos ensinamentos principais de Buda:
"A pessoa que conhece o contentamento é feliz, mesmo dormindo no chão duro; a pessoa que não conhece o contentamento
é infeliz mesmo num palácio celestial."Então, quando sentimos tristeza, observamos a tristeza.

Como está nossa respiração?
Como estão os batimentos cardíacos?
Como está a nossa postura?
Que pensamentos são esses que me fazem deixar os ombros cair para frente, baixar a cabeça e, quem sabe, chorar?
Como se formam as lágrimas?
E, mesmo em meio a lágrimas, podemos sorrir e perceber que enquanto vivas criaturas temos esta experiência extraordinária e bela de poder ficar triste.
Tristeza que vem.
Tristeza que vai.
E sem se apegar a coisa alguma e sem sentir aversão a coisa alguma descobrimos o verdadeiro sentido da vida.

É assim que trabalhamos a tristeza.
Zazen - sentar-se em zen e observar a si mesma.
Postura correta, alongamento da coluna vertebral, abrir o diafragma e respirar profundamente. Inspiração mais curta, expiração mais longa.
Saboreando o ar.
Ombros alinhados e retos, postura de Buda.

Ensinamentos de sabedoria nos auxiliam a sair da toca, do casulo de separatividade que falsamente criamos e de nos lembrarmos que sempre há pessoas e situações piores do que a nossa, sempre há pessoas e situações melhores do que a nossa e nunca, nunca, perder a dignidade.

Tristeza boa é da saudade de alguém que logo poderemos rever.
Tristeza ruim é aquela que náo queremos deixar passar.
Aquela na qual nos agarramos, pois nos dá uma identidade, nos torna especiais.
Especialmente tristes.
Comoventes,
Vítimas a serem apiedadas e cuidadas.
Ah! Quanta carência.

Abandonar a tristeza é abrir as mãos, o coração, a mente para a emoção seguinte.
É lavar o rosto, olhar para a imensidão do céu, da Terra, do mar e perceber a pequenês da nossa vida.
Sem culpa e sem culpar ninguém.
Sinta a tristeza, reconheça, respire a tristeza e a deixe passar."
Mãos em prece,
Monja Coen

28 de outubro de 2010

Espaço meditativo...


Eu não quero que você se torne um buscador de iluminação, eu quero que você se torne iluminado neste mesmo momento.

Quero que você afirme a si mesmo "Eu estou iluminado". E viva uma vida iluminada depois disso, não se torne de novo ignorante - porque a mente tende a se tornar ignorante novamente. Num momento você diz: "Certo, eu estou iluminado." Entretanto, algo acontece e você fica ignorante. (...)

Há mil e umas tentações para se tornar ignorante de novo e de novo. E eu sei, muitas vezes você se tornou iluminado. E eu não estou dizendo que esses momentos estão errados ou que são ilusórios - não. Você os tocou, você os penetrou, você teve uma visão. Mas não durou; você não foi suficientemente capaz de mantê-los fluindo.

Por um momento, a iluminação veio como um raio, e então desapareceu.
Não encontrei um único homem em minha vida que não tenha tido momentos de iluminação.
Você mesmo não acredita que possa se iluminar, assim, nem mesmo nota esses momentos.

Num dado dia, caminhando na praia, o sol está bonito e a brisa está salgada...e chega um momento, uma porta se abre. De repente, você começa a ver as coisas como nunca as viu. Fica totalmente perdido no momento; não há passado nem futuro. Você esqueceu quem é, esqueceu o que quer se tornar, você simplesmente É - em harmonia com o oceano, o vento e o sol. Isso é iluminação - embora eu saiba que você não é capaz de viver nela, porque não criou um espaço meditativo dentro de si. Assim, ela vem e vai.

Se você criar um espaço meditativo dentro de si, esse espaço meditativo pode conter a iluminação. É disso que trata a meditação: a capacidade de conter a iluminação. A iluminação vem a todo mundo - mas você tem tantos buracos em seu ser que ela flui para fora, ela simplesmente escoa para fora.
Ao ver uma árvore em plena floração, a primavera chega e você fica em uma espécie de estado admirativo. Ao ver o verde, o vermelho, o ouro da árvore, você é transportado para um outro mundo. Isso é iluminação. Você recua: a atração é demasiada. Sua esposa vem e diz: -O que você está fazendo aqui? - e você está de volta ao seu estado de ignorância.

E você não é corajoso bastante para aceitar o fato, porque não se respeita. Você foi condenado a se condenar pelas pessoas ditas religiosas. Você não pode aceitar que " a iluminação pode acontecer a mim. Acontece a Buda- muito bem. Acontece a Cristo. Mas ela não pode acontecer a mim". Você não se respeitou, você não se amou.

Por outro lado, a iluminação vem a todo mundo, a todos. Vem a pecadores, vem a santos. A iluminação não tem nenhuma condição para vir.
De fato, usar a palavra "vir" não é correto - ela surge.
O impacto do sol e da praia, o impacto da brisa matutina, e ela surge dentro de você, uma onda.
Então recua, porque você não tem o espaço para contê-la.

Medite, e você será capaz de conter aquele momento por períodos mais longos.

E quando você está totalmente meditativo...E o que quero dizer com meditativo? Quando você está totalmente sem pensamentos. É o pensamento que funciona como um buraco em seu ser - e você tem muitos pensamentos, assim, você tem muitos buracos. E o seu balde está cheio de buracos: com um balde, você vai a um poço e tenta pegar água. Quando abaixa o balde dentro do poço, quando ele está na água fica cheio de água. Então, você começa a puxá-lo e a água começa a escoar. Quando o balde chega às suas mãos está vazio.(...)

É exatamente assim que acontece. Há momentos em que você está cheio de iluminação (...)

A meditação não é realmente uma busca por iluminação. A iluminação vem sem qualquer busca.
A meditação é apenas um crescer de asas, ou criar um espaço dentro de você, de forma que, quando o convidado chega, pode persuadi-lo a viver dentro de você e se tornar o anfitrião".
Osho, em Revolução, conversas sobre Kabir.
...
Aqui, o amado Osho nos mostra que a iluminação não é algo que precise ser alcançado.
Na verdade, a iluminação é nossa natureza essencial.
Cada ser humano que nasce é em si mesmo iluminado, pois possui auto-consciência, a consciência de que existe, independente do saber, do fazer, de realizar qualquer coisa. No mais íntimo de nós mesmos, se retirarmos todas as referências, todas as crenças, todo conhecimento, todo passado, memórias, mesmo assim, ainda nos resta o profundo, intocado, sentimento de que Eu existo! Eu sou! Isto é consciência. E consciência é tudo que há.
Quando nossa dimensão interna se une a dimensão externa, tudo de torna Uma única e mesma dimensão. E vemos enfim, que na verdade nunca existiram duas dimensões ( interna e externa) sempre foram a mesma, só que a mente, os pensamentos, nos fizeram acreditar que eram duas, separadas. Mas quem realmente criava a divisão era a mente/ego. Sem ela, nenhuma divisão é possível.
Quando Osho nos aponta para a importância da meditação, ele se refere a criação desses espaços silenciosos em nós.
Espaços onde o Eu, a consciência possa se manifestar plena, simples, sem ruídos.
Os estados meditativos, que nascem na meditação, vão aos poucos se expandindo, se expandindo, e passamos a viver neles na maior parte do tempo.
Mesmo trabalhando, mesmo agindo, fluindo na vida cotidiana, permanecemos em estado meditativo, isto é, centrados na consciência pura.
Mesmo os pensamentos que surgirem, são pensamentos que emergem do estado meditativo, são eles luminosos, coerentes, includentes, e voltados a plena manifestação da essência pura. São pensamentos naturais, que fluem também. Não existem pensamentos obsessivos, fragmentados, discrepantes.
O estado meditativo é na verdade o nosso estado natural. Nele tudo que acontece, acontece em perfeita sintonia com o Todo, com o Universo, com Deus. Isto é iluminação..
Amor
Lilian

27 de outubro de 2010

Samadhi...


"Levantados os véus de luz e sombra,
Evaporada toda a bruma de tristeza,
Singrado para longe todo o amanhecer de alegria transitória,
Desvanecida a turva miragem dos sentidos.

Amor, ódio, saúde, doença, vida, morte: Extinguiram-se estas sombras falsas na tela da dualidade.

A tempestade de maya serenou
Com a varinha mágica da intuição profunda.
Presente, passado, futuro, já não existem para mim,
Somente o Eu sempiterno, onifluente,
Eu, em toda parte.

Planetas, estrelas, poeira de constelações, terra, erupções vulcânicas de cataclismos do juízo final, A fornalha modeladora da criação,
Geleiras de silenciosos raios X, dilúvios de elétrons ardentes,
Pensamentos de todos os homens, pretéritos,presentes, futuros,
Toda folhinha de grama, eu mesmo, a humanidade,
Cada partícula da poeira universal, raiva, ambição, bem, mal, salvação, luxúria,
Tudo assimilei, tudo transmutei no vasto oceano de sangue de meu próprio Ser indiviso.

Júbilo em brasa, frequentemente abanado pela meditação,
Cegando meus olhos marejados,
Explodiu em labaredas imortais de bem-aventurança,
Consumiu minhas lágrimas, meus limites, meu todo.

Tu és Eu, Eu sou Tu,
O Conhecer, o Conhecedor, o Conhecido, unificados!
Palpitação tranquila, ininterrupta, Paz sempre nova,
Eternamente viva,
Deleite transcendentea todas as expectativas da imaginação,
Beatitude do Samadhi!

Nem estado inconsciente, nem clorofórmio mental sem regresso voluntário,
Samadhi,
Amplia meu reino consciente para além dos limites de minha moldura mortal,
Até a mais longínqua fronteira da Eternidade,
Onde Eu, o Mar Cósmico, observo o pequeno ego flutuando em Mim.

Ouvem-se, dos átomos, murmúrios móveis;
A terra escura, montanhas, vales são líquidos em fusão!
Mares fluidos convertem-se em vapores de nebulosas!
Om sopra sobre os vapores,descortinando prodígios.
Mais além, oceanos desdobram-se revelados,elétrons cintilantes,
Até que ao último som do tambor cósmico, transfundem-se as luzes mais densas em raios eternos de bem-aventurança que em tudo se infiltra.

Da alegria eu vim, para a alegria eu vivo, na sagrada alegria, dissolvo-me.
Oceano da mente;bebo todas as ondas da criação.
Os quatro véus do sólido, líquido, gasoso,e luminoso, levantados.
Eu, em tudo, penetro no Grande Eu.

Extintas para sempre as vacilantes, tremeluzentes sombras, das lembranças mortais:
Imaculado é meu céu mental – abaixo, à frente e bem acima;
Eternidade e Eu, um só raio unido.
Pequenina bolha de riso, eu, converti-me no próprio Mar da Alegria!
Samadhi por Paramahansa Yogananda

26 de outubro de 2010

Tornar-se inteiro...


"Você pode alcançar setenta anos e ainda continuará a pedir que todo mundo dê amor a você.(...)

Você é imaturo; você nunca cresceu além de sua infância.
Uma pessoa madura é alguém que mudou o padrão interno de seu ser. Ela agora está pronta para dar. Recebeu bastante do mundo, agora está pronta para dar. O crescimento significa que você começa a amadurecer, o crescimento significa que começa a abandonar seus padrões da infância. E essa é a mudança básica que tem que acontecer.

É muito raro encontrar uma pessoa madura; as pessoas estão todas pedindo e pedindo, elas são apenas bocas. Ninguém está pronto para dar. É por isso que há tanta miséria no mundo - todos são mendigos que imploram um ao outro. Ninguém está pronto para dar, ninguém tem qualquer coisa para dar.

Por favor, primeiro comece a crescer, comece a se tornar um pouco mais maduro. E depois, de atingir certa maturidade, você verá que é capaz de dar. Mas então, não há o dever de dar; não é que você está sendo amável com alguém. Na realidade, você não pode deixar de dar. Você tem de se esvaziar, caso contrário se torna um fardo.

Você diz: " Eu quero desfrutar ambas partes de mim - a parte de crescimento e de melhoria, e a parte de amor humano e de compartilhar".

Comece crescendo e o compartilhar se seguirá.

Você ainda não é uma pessoa inteira. Ainda não. Isso é o que você está procurando. Você é fragmentária, você é muitas pessoas - não uma.

Você não é inteira. No dia em que se tornar inteira se tornará sagrada também.(...)

As religiões ensinam a nunca se tornar inteiro: negue o corpo. Então como você pode se tornar inteiro? Negue isto, negue aquilo, renuncie a isto, renuncie àquilo. Então como pode se tornar inteiro? Só com uma aceitação total a inteireza é possível.

Eu acredito na vida como ela é em sua totalidade.
Do sexo à super consciência, do corpo até a alma, do mais inferior até o mais superior, tudo tem de ser absorvido. Nada tem de ser rejeitado, nada. Então você ficará inteiro.(...)

As pessoas amam o conflito. Ou ela têm de lutar com outros ou começam a lutar consigo mesmas, ou elas têm de criar miséria para os outros ou criam miséria para si mesmas.
As pessoas são torturadoras - ou elas têm de ser assassinas ou se tornam suicidas. Evite ambos.

Apaixone-se pela vida.
Nada está errado - o errado não pode acontecer, o errado não pode existir, porque é somente Deus que existe.
Vindo de Deus tudo é bom."
Osho em A Revolução, conversas sobre Kabir

25 de outubro de 2010

Religião e Espiritualidade...


As Religiões existem, não para serem aprisionamentos. Elas surgem do amor, da fé, que emerge no coração das pessoas, da gratidão, ou mesmo do desejo de se comunicar com Deus, de uma maneira simples, pura, e coletiva.

A adoração a Deus, é algo natural na grande maioria das pessoas.
Desde os tempos mais remotos, o ser humano se comunica com Deus, a sua maneira, seja através de ritos, celebrações, seja através de oferendas, sacrifícios, penitências, enfim...mas o objetivo é o mesmo, adoração, pedidos, preces, ou demonstrar seu amor a Deus.

É lindo de se ver, em todos os povos, a religiosidade é algo que toma caracteristicas peculiares de cada lugar, de cada cultura. Isso pode levar a comparações, rivalidades até...mas no coração humano, a adoração a Deus, a sua maneira, deve ser respeitada e sempre valorizada, pois tem por objetivo a elevação da consciência a planos ilimitados de amor e compaixão.

Religião significa um meio, um caminho, de se adorar a Deus.
As Religiões verdadeiras, sempre apontam para valores fundamentais e trazem a consciência do coletivo, do cuidado com a vida, da valorização e do respeito ao semelhante, a consciência de eternidade.
A Espiritualidade por sua vez, é algo que acontece no silêncio e na paz, do coração de cada um.
A Religião verdadeira deveria despertar a Espiritualidade pura no coração das pessoas.
A Espiritualidade, alcança dimensões do amor-devoção que se estende a Deus e a toda a criação. Uma verdadeira comunhão cósmica, onde a vida é sentida como dádiva, e a pura aceitação acontece naturalmente.
Viver a Espiritualidade é alcançar o néctar...é vivenciar a pureza e a simplicidade da vida no Espírito, e voar liberto pela existência, amando e adorando a Deus em si mesmo, no outro, na vida, em tudo que há...sem queixas, sem desejo, sem apego, sem nenhum julgamento, sem diferenças, sem nenhuma falta...é abandonar-se inteiramente a vontade de Deus...Pai seja feita a Vossa vontade...

A Religião é um veículo para se vivenciar a verdadeira Espiritualidade.

A Espiritualidade é um caminho único, um caminho próprio, que quando acontece não se prende mais a regras, a leis...elas estão no coração.
Se estamos centrados no coração, as leis são o amor, a compaixão, a generosidade, a gratidão, a verdade, a alegria, a aceitação, a partilha, a amizade...pois já não existem divisões, não existem diferenças....alcançamos a consciência da grande família cósmica, e tudo passa a ser graça divina, presença, manifestação de Deus...

Amar a Deus, não é somente adorá-lo no Templo, na Igreja, na Mesquita. Amar a Deus é reconhecê-lo no coração, no silêncio, e em toda a Existência...
É Ser total e completamente...Consciência Amor...sempre, haja o que houver...
Lilian

24 de outubro de 2010

O Pensar natural...



"A busca por completude no futuro revela que o óbvio está sendo negligenciado.
O que está perto não está sendo visto.

O relaxamento está aqui, mas eu não posso encontrá-lo aqui; então, projeto-o no futuro, nos objetivos, nas metas.
Digo que amanhã vou amar. Amanhã serei feliz, mas o amanhã não vem.

E vamos inventando desculpas e mais desculpas para justificar ainda a ausência de um sentido para a vida neste momento.
O amor se derrama no mundo, mas está além do mundo.
Nada toca o amor, mas o amor a tudo toca.
O amor é a essência mais íntima de sua consciência e é o que dá total preenchimento à vida.
O eu puro é a mais límpida consciência-amor.

E quando falamos em límpida consciência-amor, nos referimos a uma consciência sem nenhum conteúdo, vazia, pura, sem pensamentos, sem ideias, transparente, aberta, sempre fresca, límpida, inteligente, presente e permanente.

Quando você reconhece esta consciência de amor como você mesmo, os pensamentos não mais o incomodam. Então o pensar natural acontece.
O pensar obsessivo cessa, e dá lugar a um pensar lúcido. Esses momentos de abertura transparente são os instantes da experiência viva.

Nós chamamos de momentos sublimes, momentos de amor, momentos de alegria, de lucidez.
Por isso, sempre que pensamentos acontecem, eles podem ser vistos como apenas pensamentos, que não perturbam e nem podem jamais manchar a consciência pura que você é."
O Pensar Natural por Swami S. Naseeb

23 de outubro de 2010

Quem você é...


"Você é a presença-consciência, na qual todas as aparências e possibilidades, todo pensamento, sentimento e percepção acontecem.

Sempre-presente e radiantemente clara, ela nunca é obscurecida pelo tempo, circunstâncias ou pensamentos.
Você não é a pessoa limitada que você tem sido levada a acreditar que é.

Ao ver isso, o sofrimento, ansiedade e confusão desaparecem sem esforço, revelando sua felicidade e liberdade inatas.
Entender quem você é, pode ser realizado já, de forma direta e está sempre disponível - aqui e agora.
Nada precisa acontecer !
Mas a ideia de que alguma coisa precisa acontecer é simplesmente abandonada.

E você descobre que você é o que estava procurando.
Isto não é uma conquista, uma realização, porque isto é o que você é, e sempre foi."
John Wheeler

Este texto simples e objetivo de John Wheeler, nos mostra algo que para a grande maioria das pessoas é absolutamente novo, e para muitos, não faz sentido..
Como é que eu já sou o que estou procurando? Não preciso me esforçar para alcançar a perfeição, a santidade, a purificação dos pecados? Como isso pode ser possível?
Essas são apenas algumas questões que surgem na mente, quando entramos em contato com essa nova consciência.

É verdade, ao longo de nossas vidas, e da de nossos pais, avós, a sociedade como um todo, fomos impelidos a acreditar na nossa pequenez, na nossa inferioridade, em quanto não somos perfeitos, em quanto ainda precisamos melhorar, nos aprimorar, para alcançar o espírito, a santidade, a iluminação... esforço, práticas das mais diversas e privações...e mais práticas, e mais esforço, e mais privações...tudo isso para quê?
Quando Jesus diz: O Pai e Eu somos Um;
Vocês diriam: Jesus e o Pai são Um...mas eu, como assim?

Pois bem, essa frase de Jesus se refere a Todos nós...sem exceção...sem exceção MESMO!!
O Pai ( Deus, Existência, Todo) e você são Um...nunca houve, nem tem como haver qualquer divisão, qualquer separação...
Deus-Todo-Existência se reconhece a Si mesmo através de você, através de mim, através de cada um de nós...

Acreditar em um Deus separado da criação, distante, que pune, castiga, cobra, é idealizar um Deus á maneira do ego/mente humana, multi-facetado, cheio de vontades, desejos e regras...
O Espírito é Um. Não tem divisões, não tem como ter divisões.
Todas as divisões são criadas pela mente, na dimensão espiritual não cabem divisões...
A fonte original é Uma, e dela emanam Todas as "aparentes" diferenças...mas somente em aparência, pois na verdade a fonte continua sendo Uma, mesmo que aparentemente percebamos muitas formas, muitos aspectos...mas toda a existência é complementar, não existem antagonismos...nada está "contra" nada...tudo é uma imensa, e bela sinfonia divina...

Cada átomo, cada ser, cada som, cada gesto, cada pensamento, emoções, compõe e integram essa sinfonia de forma absolutamente perfeita em si mesma...

Quando alcançamos a consciência de que já sou o que estava procurando, como nos mostra John Wheeler, é enxergar a Verdade que todos os mestres sempre nos mostraram.. e o próprio Jesus disse: Buscai a verdade e a verdade vos libertará...

A Verdade que tanto "buscamos" não é mais um aprisionamento, mais uma regra, mais uma privação... a Verdade é uma constatação do que já é, do que sempre foi, só que nós ainda não víamos, apesar de estar a nossa frente todo o tempo...ainda teimávamos em buscar algo fora, teimávamos em não acreditar que tudo pode ser tão simples e tão óbvio...pois é só o que existe...e nós já somos aquilo que sempre buscávamos...
Amor
Lilian

20 de outubro de 2010

O bom da vida, vai prosseguir...


Hoje queria partilhar com vocês, a viagem que estou fazendo a dois lugares simplesmente divinos do nosso Brasilzão!! Fernando de Noronha e Porto de Galinhas, ambos no estado de Pernambuco.

Noronha era um sonho antigo, que agora se tornou realidade.
Simplesmente divino, divino, divino!!

Um lugar que todos, sem exceção deveriam conhecer um dia. Uma natureza pura, cuidada, respeitada; Gente simples e alegre, solta e divertida.

Fomos acolhidos com todo carinho pelos moradores da ilha, e partilhamos de sua realidade. Apesar da distância do continente, com algumas restrições por causa do abastecimento, eles sabem improvisar muito bem, e se adaptam a realidade com alegria e arte!!

Quero agradecer a Dona Fátima, Seu Tarcinho e toda a equipe da Pousada Paraíso do Atlântico, que nos acolheram com muito carinho todos os dias que estivemos lá.

Fizemos vários mergulhos, e passeios belíssimos de barco, pela baía dos golfinhos, praias lindas, trilhas, centro histórico, e sempre o mesmo calor humano e a mesma alegria por toda parte.
Fizemos novos amigos de várias regiões do país, e cada vez mais vejo que a simplicidade e a verdade são as línguas universais!! Não existem portas fechadas quando estamos transbordando em simplicidade e verdade...todas se abrem...sempre!!

Noronha, é um santuário ecológico, que fica mais próximo da África que de São Paulo!! Um ponto de terra no meio do atlântico, com 17 praias paradisíacas. Um lado de mar aberto (que eles chamam mar de fora - pois é voltado para a África) e o mar de dentro- voltado para o Brasil, bem mais calmo..

As praias da Cacimba do Padre, Baía dos Porcos, Enseada do Sancho, e as belas praia do Cachorro, Meio e Conceição são apenas algumas que fascinam assim que se chega!!
Os golfinhos, são uma paixão a parte!! Aos bandos, brincando, pulando, rodando em pleno ar...fazem a festa para todos...todos voltam a ser criança em um instante...alegria e beleza sempre!!

A vida marinha de Noronha é mesmo uma preciosidade!!
Ali passam do seu lado, ou mesmo na sua frente, sem que você nem se dê conta, tartarugas de pente, arraias, peixes de todas as cores (literalmente), e até tubarões...enfim uma beleza, tudo na mais perfeita harmonia, todos convivendo na mais perfeita sintonia divina..
Quero parabenizar o pessoal do projeto Tamar, que além do belo trabalho de preservação das tartarugas marinhas, nos brinda todas as noites com palestras deliciosas sobre ecologia e vida marinha. Participamos de uma palestra sensacional sobre tubarões, e como devemos preservar esses animais, tão importantes para o equilíbrio do biosistema marinho.

De lá fomos para Porto de Galinhas, já um local com mais infra-estrutura, hotéis grandes, mas a mesma alegria, a mesma delicadeza e o mesmo espírito de cuidado com a natureza. Praias lindas, gente bonita, e noites agitadas...um paraíso para esvaziar a mente, soltar o corpo e fazer amizades...
As noites são simplesmente lindas, com luares a beira-mar inesquecíveis!!
Quero agradecer a toda a equipe do Hotel Armação, que nos receberam de braços abertos; Sr Pedro que nos levou para conhecer as belíssimas praias de Carneiros e Guadalupe. Uma península entre o mangue e o mar, águas azuis e piscinas de corais lindíssimas!!

Enfim, estamos quase de volta, e queria partilhar esse sentimento de beleza e de gratidão com vocês.
A natureza encanta, nos trás alegria e nos convida ao relaxamento.

Dessa viagem levo no coração momentos sublimes e muita beleza e alegria, e encontros inesquecíveis...
Pude ver e sentir a pura presença em todos os lugares, todos os rostos, e em todas as falas, mas principalmente nos momentos de puro silencio e na contemplação.
A perfeição se faz tão presente, tão absoluta nos mínimos detalhes, que nos toma por completo e vive em cada um de nós um caso meticuloso, de amor inédito, exclusivo e eterno...
Amor
Lilian

19 de outubro de 2010

O que cada um vê...



"Onde você vê um obstáculo,
Alguém vê o término da viagem
E o outro vê uma chance de crescer.
Onde você vê um motivo pra se irritar,
Alguém vê a tragédia total
E o outro vê uma prova para sua paciência...

Onde você vê a morte,
Alguém vê o fim
E o outro vê o começo de uma nova etapa...

Onde você vê a fortuna,
Alguém vê a riqueza material
E o outro pode encontrar por trás de tudo, a dor e a miséria total.

Onde você vê a teimosia,
Alguém vê a ignorância,
Um outro compreende as limitações do companheiro,
Percebendo que cada qual caminha em seu próprio passo.
E que é inútil querer apressar o passo do outro,a não ser que ele deseje isso.

Cada qual vê o que quer, pode ou consegue enxergar.
Porque eu sou do tamanho do que vejo.
E não do tamanho da minha altura."
Fernando Pessoa

18 de outubro de 2010

Deus não é invisível...



"O meu Deus não está contra o mundo, meu Deus está no mundo. Meu Deus é o mundo !

Esta terra não está contra aquele céu; são duas polaridades do mesmo fenômeno.

"Este" parece estar perto de você porque sua mente não está ainda em condições de poder ver o invisível. Sua mente está tão transtornada, tão grosseira, que você só pode ver o visível, o áspero; as sutilezas lhe escapam.
Se sua mente fica calada, sem pensamentos, o sutil ficará visível.
Deus não é invisível, ele é visível em todos os lugares. Mas sua mente ainda não está sintonizada para ver o sutil, ver o invisível.

O indivíduo pode ser visto. A palavra significa ' o que não pode ser visto', mas não, o invisível pode ser visto, só que você necessita de olhos mais sutis, mais refinados. Um homem cego não pode ver, ele não pode ver aquilo que é visível par você; mas os olhos dele podem ser curados e então ele verá a luz solar, cores, arco-íris. Tudo aquilo que era invisível antes ficou visível agora.

Deus não é invisível.
Você é que não tem olhos certos, é só isso; você não é um ser sintonizado para quem o sutil abre suas portas.

Para mim, "este" e "aquele" não são divididos.
"Este" alcança, "aquele", "aquele" vem até "este". Para você "aquele" significa longe, para mim não. Para mim "este" é "aquele";

Algum dia também para você "este" será "aquele".
Este mundo É Deus.
O visível esconde o invisível. (...)
Seja arraigado no corpo, assim você pode ter asas na alma.
Seja arraigado na terra, assim você pode espalhar-se no céu.
Seja arraigado dentro do visível, assim você pode alcançar o invisível.
Não crie dualidade, e não crie antagonismos. Se eu estiver contra qualquer coisa, eu estou contra o antagonismo; eu sou para o todo, o ciclo completo.

O mundo e Deus não estão separados em nenhum lugar.
Não há nenhum limite; o mundo vai se espalhando em Deus, e Deus vai se espalhando no mundo.
Na verdade, usar duas palavras não é bom. Mas a linguagem cria problemas; nós dizemos criador e a criação, nós dividimos, porque a linguagem é dualista.

Na verdade, na vida não há nenhuma criação e nenhum criador, só criatividade, só um processo de criatividade infinita.
Nada é dividido, tudo é UM, não dividido."
Osho em Um pássaro em Vôo, conversas sobre o Zen.

13 de outubro de 2010

Brahma Kumaris...


"Pare para ouvir o coração.
Afaste-se do barulho e acolha com amor o ruído de suas inquietações.
Sintonize-se na freqüência dos batimentos da alma.
A alma é um ser vivo cuja linguagem é o silêncio e a respiração é a paz.
Você é a alma.
Nessa percepção tudo se aquieta, dentro e fora.
Nesse estado Deus consegue ouvir você.
A linguagem de Deus também é o silêncio.
E a respiração Dele é o Amor.
Silêncio é a senha para conectar com Deus.
Amor divino é a experiência.”
Brahma Kumaris

11 de outubro de 2010

Uma Experiência do Despertar...


"Eu sou holandês, 43 anos, pai de três filhos, e vivia uma "vida normal" na qual era eu quem fazia e escolhia todas as coisas que aconteciam com toda a confusão, diversão e agonia emocionais que ser uma pessoa nos traz. Eu nunca tinha ouvido as palavras Advaita, Não dualidade, Consciência, Despertar, Iluminação e outras do gênero.

Então, devido a alguns sérios acontecimentos em minha vida, eu decidi que deveria olhar para ela de uma maneira mais profunda - as coisas não podiam continuar como estavam.(...) Fui fazer terapia, li montes de livros, fiz mais terapia, não tive respostas satisfatórias, e um dia alguém me deu um livro sobre Consciência. Isso ressonou imediatamente, muito embora eu não tivesse entendido absolutamente nada do que ali se dizia. Depois de algum tempo, eu decidi abandonar tudo o que dissesse respeito à psicologia e Advaita se tornou a única Verdade, acima de tudo o mais. Eu tinha encontrado o Caminho; ali todas as minhas perguntas seriam respondidas. (...)

Entretanto, nesse meio tempo eu fui a uma reunião com alguém que comunica sobre não dualidade. Após o primeiro fim-de-semana escutando essa comunicação, eu fui para casa me sentindo bastante estranho, desconsertado, fascinado, amedrontado, derrotado, virado pelo avesso, calmo, cheio de certezas, "Isto" era o que é, perdido, em casa, etc, etc... Dá para entender?
Somente três meses depois, em minha casa, "meu mundo", como eu conhecera por 40 anos, desfez-de em pedaços, desmoronou completamente. De forma totalmente inesperada, sem que eu tenha feito qualquer coisa, sem qualquer esforço, todo o significado de "eu".
No início eu não tinha a menor ideia do que tinha acontecido, levou algum tempo até que fosse percebido e reconhecido que o Despertar tinha "acontecido".e ser "eu", desapareceu, e com ele o mundo como eu aprendera a "conhecer e entender". (...)

Quando o Despertar "aconteceu", isso ficou totalmente claro. É impossível dizer em palavras o que aconteceu, mas eu vou tentar.
De maneira totalmente inesperada, surpreendentemente, "eu", o sempre presente senso de "mim", caiu, desapareceu. Tudo ficou absolutamente "claro" sem que um conhecedor (eu) estivesse presente. Quando o Indivíduo desaparece, a natureza não dual d"Isto" é imediatamente reconhecida como "Tudo que É". O ver acontece num flash atemporal, o "evento" do Despertar não pode ser descrito com precisão.

Foi "percebido" que aprender, meditar ou fazer qualquer esforço não é necessário e nem pode fazer "Isto" acontecer, porque todas essas "ações" e ideias são "Isto"! Incluindo o senso de"eu". Foi visto que ler, escrever, estudar, fazer retiros, confusão, claridade, ação, não-ação, escolher, etc, etc, nunca foi feito por "mim". Tudo é reconhecido e se revela como já sendo a expressão d"Isto". Isso inclui tudo, toda concebível aparência, sentimento, emoção e pensamento, e, obviamente, toda dualidade. Não existem níveis . Não existe realidade absoluta nem realidade empírica. Isso é um constructo do pensamento. Não existe realidade final nem última; "realidade" não pode ser definida (ou dividida em duas). Qualquer experiência é o irreal aparecendo como real, o não manifesto aparecendo como manifestação.(...)

Uma enorme quantidade de energia "deixou" o meu corpo em espasmos, e isso durou, indo e vindo em ondas, cerca de uma hora e meia, as ondas de contrações gradualmente se enfraquecendo. Depois disso, fui sendo levado a ser e a não ser "eu", e lá estive sendo Ninguém por três dias, nos quais o senso de "mim" gradualmente se tornou mais e mais forte de novo, mas sua realidade havia morrido. Isso é um deslocamento, um salto para outra dimensão, impossível de ser alcançado pelo pensamento ou aprendido por conhecimento. Acontece ou não acontece, mas quando acontece, é compreendido. É uma transformação de explodir o pensamento e a mente.

Quando o "eu" desaparece no despertar, ele perde toda a sua realidade, e torna-se óbvio, sem sombra de dúvida, que ele nunca "fez" nada, "eu" nunca fiz nada, tudo "acontece" como acontece, quando acontece. Isso também vale para "Despertar e Liberação", evidentemente. Ou acontece ou não acontece, como tudo o mais, e nenhum indivíduo pode fazer "Isto" acontecer, porque não existe nenhum indivíduo. Entretanto, a "pessoa", "eu", tenta retornar à vida desesperadamente, velhos hábitos custam a morrer e nenhum custa mais que "eu". Parecia que eu estava de volta à estaca zero, de volta ao hábito de pensar a minha vida, que o "eu" que decide e sabe estava comandando o show novamente.

Mas não estava.

Por que o que foi visto no Despertar, por Ninguém, havia mudado tudo para sempre. No Despertar existe um reconhecimento, uma lembrança de "antes" de todo o conhecimento aprendido, uma percepção do que a Advaita indica como antes e além de toda palavra e pensamento cognitivo...

Uma pequena lista:
* Tempo, distância e espaço desaparecem, "Isto" é ilimitado, imensurável.
* "Eu e todos os Outros" não existem separadamente, não há "coisas", não há "você e eu".
* Um conhecimento inexplicável de que "Isto" é completo, inteiro, e não poderia ser de nenhum outro jeito.
* Um estranho e maravilhoso sentimento de "amor" por tudo que é, do jeito que é.
* Nenhum eu, nenhum executante, nenhuma escolha, ninguém a quem "Isto" esteja acontecendo;
Muito mais coisas poderia dizer, mas por hora é o suficiente.

Depois disso, um período de um ano e meio se seguiu no qual todo o "conhecido" (e a batalha perdida do "eu") se dissolveu no Não-saber. Toda a literatura que ainda é devorada, todos os retiros, todo novo conhecimento, tudo parece apontar apenas para a sua própria dissolução no não-conhecido, para renascer em seu próprio mistério de apenas aparecer, sem qualquer necessidade ou possibilidade de saber o que (ou como) "Isto"é. Então, uma tarde, muito suavemente, o último sopro de individualidade foi exalado, apenas aconteceu, muito silenciosamente. Os últimos "por que(s)" e "se(s)" simplesmente desapareceram.

Isso não significa que perguntas não possam ainda acontecer, só que a crença de que as respostas irão na direção de alguma outra coisa além d"Isto", desapareceu. Não existe mais nada.

Por um lado, essa manifestação continua exatamente como era "antes". Emoções, pensamentos, sensações corporais, saúde, doença, ação, repouso, gostos e desgostos, etc, etc, ainda continuam. Por outro lado, nada é mais o mesmo. Porque o "você, eu, mim", a parte separada do todo a quem tudo isso estava acontecendo, não existe mais. A energia de ser "alguém", dentro de um corpo, uma "coisa", aquele sentimento de contração se transforma, é liberado, expande para ser "Tudo". Isso traz à luz uma revelação - ou mesmo uma revolução - na percepção do que era anteriormente a "sua vida".

O que fica é a absoluta maravilha d'Isto", mas é impossível descrever o que é que se sente quando existe apenas "tudo o que é", sem o indivíduo ilusório (e sem poder) no centro, pensando freneticamente o ele tem que "fazer" da sua vida.

Por um longo tempo eu não fui capaz de falar sobre o que aconteceu. Eu não podia concatenar os pensamentos e frases sobre o que acontecera de forma lógica e compreensível. Isso, às vezes, era frustrante, eu queria compartilhar essa maravilha com as pessoas e não havia um meio com o qual eu o pudesse fazer. Apenas recentemente eu fui capaz de falar um pouco sobre isso, e, lendo esse texto, novamente me impressiona o quanto as palavras são inadequadas como um meio de descrever a "Vida", "Isto".

Para mim, umas poucas palavras que servem de indicadores são: liberdade, alegria, eterna renovação, fascinação, temor, puro, direto, qualquer aparência é livre, vida, espanto, infinidade..."
Por Aad van Vendeloo

10 de outubro de 2010

Vem Filho da Vida...


Vem,
Eu te acolho em meus olhos,
Meus braços,
Meu coração,
Ó Filho da Vida...

Vem sem medo,
Sem máscaras,
Sem receio.
Traga sua beleza única,
Sua simplicidade,
Sua paz.
E recolha-se no abrigo do abraço,
A sua grandeza...

Não negue em si a plenitude,
Ela é sua natureza verdadeira.
Regada no silêncio pacífico das eras,
Te faz ser Universal no instante,
Ilimitado no ínfimo,
Livre e liberto por natureza...

Eu te acolho em mim,
Ó Filho da Vida.
Saiba que somos todos, a mesma e única família divina,
Com diferentes faces e vozes,
Diferentes gestos e ações,
Mas vibrando no mesmo e único Coração,
Transbordando de Amor...

Vem Filho da Vida,
Pois a Vida te quer sempre,
A Vida te faz dela,
A Vida É em ti.

Nada te separa da Vida,
Que não se atem ao tempo, nem a forma,
Falo da Vida que É,
Além do tempo,
Além da forma.
A Vida que vive em ti,
Se realiza em ti,
Se reconhece em ti.

Nada te separa de coisa alguma,
Nem de ninguém.
Saiba que neste momento estás imerso no infinito oceano da Existência Viva,
E mesmo quando abandonares este corpo-forma,
Permaneces eternamente enquanto sabedoria, luz e amor,
Irradiando, iluminando, Resplandecendo Eternamente...

Vem, pode vir,
Nada lhe impede de acordar para sua natureza verdadeira,
Deixa as ilusões da divisão e da pequenez, caírem pelo chão,
E estique as asas luminosas do Espírito,
E alce com maestria o seu Voo...

9 de outubro de 2010

A mente...


"A mente é ilusão, ela não é, mas parece ser e parece tanto que você pensa que é a mente.

A mente é maya, a mente é só um sonho, a mente é só uma projeção...uma bolha de sabão, não há nada nela, mas parece uma bolha de sabão flutuando no rio. O sol acabou de surgir, os raios penetram a bolha; um arco-íris surge e nada existe nela. Quando você toca a bolha, ela se rompe e tudo desaparece, o arco-íris, a beleza, nada fica. Só o vazio torna-se um com a vacuidade infinita. Há pouco havia uma parede lá, a parede da bolha.
Sua mente é como uma parede de bolha, dentro o seu vazio. É só uma bolha: fure-a e a mente desaparece.
As pessoas vêm a mim e dizem: Nós gostaríamos de atingir um estado silencioso da mente.
Elas pensam que a mente pode permanecer calada. A mente nunca pode ficar calada. A mente significa o tumulto, a doença, a enfermidade; a mente significa tensão, o estado angustiado.
A mente não pode ficar silenciosa; quando há silêncio a mente não está ali !
Quando o silêncio chega, a mente desaparece; quando a mente está ali, não há mais silêncio.
Assim, não pode haver mente silenciosa, da mesma maneira que não pode haver doença saudável. É possível ter uma doença saudável? Quando a saúde existe, a doença desaparece.
O silêncio é a saúde interior; a mente é a doença interior, a perturbação interior.(...)
A mente não é a sua realidade; é uma falsa interpretação.
Você não é a mente, nunca foi a mente, nunca poderá ser a mente. Este é o seu problema: Identificar-se com algo que não existe. (...)

O que significa não-mente? É difícil acompanhar, mas às vezes, sem propósito deliberado, você alcançou, embora possa não tê-la reconhecido. Às vezes, apenas permanecendo simplesmente sentado, sem fazer nada, não há nada, nenhum pensamento na mente.
Quando não há nenhum pensamento, não há nenhuma mente, porque a mente é exatamente este processo de pensar. Não é uma substância, é um processo.

Vocês estão aqui, eu posso dizer que uma multidão está aqui, mas realmente existe algo como uma multidão? Uma multidão é substancial ou são só indivíduos que estão lá? Aos poucos os indivíduos irão embora. Então haverá uma multidão deixada para trás? Quando os indivíduos se forem, não sobrará nenhuma multidão.
A mente é exatamente como uma multidão; os pensamentos são os indivíduos. Como os pensamentos estão lá continuamente passando, você acredita que o processo é concreto. Elimine cada pensamento individual e finalmente não sobrará nada. Não existe a mente como tal, só os pensamentos.
Mas os pensamentos se movem tão rapidamente que entre dois pensamentos você não consegue ver o intervalo. Mas o intervalo está sempre lá. Esse intervalo é você.(...)

Entre dois pensamentos tente estar alerta; olhe para dentro do intervalo, o espaço entre os dois. Você não verá nenhuma mente; essa é sua natureza.
Os pensamentos vêm e vão, eles são acidentais; esse espaço interior sempre permanece. As nuvens acumulam-se e vão, desaparecem, elas são acidentais, mas o céu permanece. Você é o céu, você é a consciência que permanece e observa os pensamentos passarem. (...)

Esta é a definição de atman, o céu que sempre está presente. Tudo aquilo que vai e vem é irrelevante; não se aborreça com isso, é só fumaça. O céu que permanece eternamente nunca muda, nunca fica diferente.
Entre dois pensamentos, mergulhe nele; entre dois pensamentos, ele está sempre ali. Olhe dentro dele e de repente perceberá que você está na não-mente."
Osho em Um pássaro em Voo, conversas sobre o Zen

8 de outubro de 2010

Viver no Essencial...


"Existe uma velha história sobre três viajantes que foram a Roma. Eles visitaram o Papa, que perguntou ao primeiro: Por quanto tempo você vai ficar aqui? O homem respondeu: Três semanas. O Papa então disse: Então você poderá ver muito de Roma.

Em resposta a quanto tempo ele iria ficar, o segundo viajante respondeu que poderia ficar somente seis semanas. O Papa disse: Então você poderá conhecer mais do que o primeiro.
E o terceiro viajante disse que ficaria em Roma somente duas semanas, ao que o Papa disse: Você é um felizardo, porque poderá ver tudo o que existe para se ver!.
Os viajantes ficaram perplexos, porque não entendiam o mecanismo da mente. Pense: se você tivesse um período de vida de mil anos, você perderia muitas coisas, porque as adiaria. Mas, porque a vida é muito curta, você não pode se dar ao luxo de adiar. Mesmo assim, as pessoas adiam, e para seu próprio prejuízo.

Imagine se alguém lhe dissesse que você tem somente um dia de vida. O que você faria? Você pensaria em coisas desnecessárias? Não, você se esqueceria de tudo isso.
Você amaria, rezaria, e meditaria, porque só lhe restariam vinte e quatro horas.
Você não adiaria as coisas reais e essenciais."
Osho, em Todos os Dias.

Essa história nos remete ao que é realmente essencial em nossas vidas.
Por mais que olhemos ao redor, constantemente estamos carregando muitas coisas desnecessárias. Já olharam para isso com atenção?

O essencial da vida, na verdade é muito simples. Mas nós teimamos em complicar, em aumentar, em colocar um peso enorme em certas coisas, que na verdade não tem peso nenhum, nenhum valor em si mesmo, nós é que damos. E depois, nós mesmos carregamos esses peso todo...

Quando paramos e observamos com olhos puros, sem julgamento nossas vidas, podemos ver claramente o quanto de peso, de entulho carregamos pela vida a fora.
Por exemplo: o passado. Quanto passado, memórias negativas, fatos, dores, sofrimento, teimamos em trazer para o presente. Coisas que nos fizeram sofrer lá atrás, nós atualizamos, nós nos fazemos sofrer hoje...Itálico

Outra coisa, são comportamentos repetitivos, os velhos hábitos. Não nos damos conta de quantos hábitos viciados nós trazemos para o presente. Fazemos coisas, dizemos coisas, agimos de formas mecânicas, sem consciência, e quando nos damos conta, lá estamos nós repetindo certas coisas, que também pertencem a um tempo que já passou, a uma época, a um momento de nossas vidas que nem existe mais, porém, teimamos em repetir no presente.

Viver no essencial é viver consciente. É ser consciente de que o que somos pode ser sempre novo, aberto, disponível ao que a vida apresentar.
Como dizia Saint-Éxupery, "O essencial é invisível aos olhos."
Quanto mais acharmos que o essencial é possuir, é ter, é fazer, é alcançar, menos no essencial estaremos na verdade...

O Essencial já é! Está sempre presente ! Não é uma busca !

Viver no essencial é se deixar transbordar por sentimentos de amor, compaixão, amizade, confiança, gratidão, bondade, verdade, sinceridade, liberdade, alegria, paz...enfim tudo isso que nos faz Ser...e que se tornam a base, o alicerce de toda uma vida feliz, produtiva, criativa e realizada...
E para tomar consciência disso, basta apenas um segundo...nada mais que isso....
Amor
Lilian

7 de outubro de 2010

Somos o espelho...


Somos o espelho e também a face nele.

Estamos saboreando o Todo agora mesmo nesse instante de eternidade.

Somos a dor e aquilo que cura a dor.

Somos a água doce e fresca e o jarro que a despeja.

Desejo te segurar firme, como um alaúde, para que possamos chorar de tanto amor.
Você preferiria atirar pedras contra o espelho?
Eu sou o seu espelho, e aqui estão as pedras..
Poema de Rumi

5 de outubro de 2010

Existência dividida?


As divisões da Existência são reais?
É mesmo verdade que as coisas estão fracionadas, separadas?
Já refletiram sobre isso?

Antigamente as ciências, apontavam as divisões, as leis particulares de cada área, que muitas vezes não se comunicavam, isto é, valiam somente para aquele determinada ciência, e determinada situação.
Com Einstein, e a física das possibilidades, ( ou física quântica) tudo isso veio por terra. Einstein, nos mostrou que na realidade nunca houve nenhuma divisão da existência, da natureza, nós é que ainda víamos dessa maneira, fragmentada, particularizada, e muitas vezes não víamos as conexões, mas estas sempre existiram.

Hoje em dia, todas as áreas da ciência estão em profunda reformulação. As ciências cada vez mais estão em profunda agregação de idéias e de noções que permeiam todas elas. Basta um simples exemplo - a questão do ecossistema, as interconexões entre espécies, a interrelação entre o planeta e as espécies, os ciclos vitais, as interdependências que ocorrem naturalmente. Tudo isso para que vejamos que as "divisões" que acreditávamos antes, não eram verdadeiras.

Se as ciências, sempre foram baseadas na fragmentação, hoje isso mudou e em muito. Ciência hoje significa integrar conhecimentos das diferentes áreas. Investigar sim, mas com um olhar de ligação, de integração, buscando as pontes e as formas, onde as distâncias desaparecem, e daí surge na verdade um Todo que sempre existiu, só que nós ainda estávamos muito mais voltados para as "partes" ilusórias.

E aí que surge minha questão: Será que as divisões da Existência são reais?

Ou foi uma espécie de "cegueira primitiva" que nos levou a acreditar que a Existência é partida, que nós somos partidos, para que agora com a tecnologia que dispomos, com a consciência que temos, possamos enfim olhar a Existência de frente e constatar que nunca existiram partes, sempre foi o Todo o tempo todo se manifestando.

E curiosamente, sempre foi isto os mestres do Oriente nos ensinaram.
Todos eles, sem exceção, nos falam dessa grande verdade, eu diria, da Verdade eterna: Sempre foi o Todo. Em cada partícula aparente, o Todo está ali inteiramente. Somos Todos UM.

Como diziam os antigos -Não se pode tocar em um grão de areia, sem se abalar uma estrela. A conexão é Total. Nada pode estar sequer afastado, quanto mais, separado...

Usando a imagem do oceano, apesar de enxergarmos ondas, marolas, tsunamis, o que existe é mesmo água. Da mesma forma, a Existência, Deus, Tao, ou como quiserem chamar é pura Consciência, seja de que maneira se apresente, havendo ou não percepção, ainda assim é Consciência se manifestando, se expressando, se auto-revelando.

Toda a existência, é Uma.
É a mesma energia que faz girar o planeta, e que faz seu coração bater.
É a mesma que canta no pássaro, e que move as ondas do mar.
A mesma que faz florescer a rosa, e a chuva cair...

Nada está separado, fracionado. Pode existir algo fora de Deus? Já viram alguma onda pairando no ar, separada do oceano? :) Chega a ser bem engraçado !!
E da mesma maneira, cada um de nós, faz parte dessa imensa engrenagem, dessa infinita dança cósmica.Não pense que por você ser um ser humano, que pensa, que sente, que você está fora disso. Não !!

Pelo contrário, você é a chance que a Existência tem de conhecer a si própria, de se auto experimentar conscientemente. A mesma energia criativa que cuida de cada detalhe da existência, pensa e sente e se manifesta em você. E mais, de forma única, autêntica e exclusiva !!
Cada um de nós, na verdade é o grande Todo, Deus, Existência, Consciência, manifesto, se expressando na sua mais bela, mais inteligente, mais sublime e autêntica consciência.

O Todo é sempre o Todo. Seja na natureza, seja em nós. Cada emoção, cada pensamento, tudo que vivemos, passamos, experimentamos, aprendemos, tudo que vivemos enfim, é o Todo sendo através de cada um de nós.

Estar consciente disso é perceber essa grande e bela verdade que nos escapava. É dar o salto da ilusão da mente dividida, e mergulhar na consciência do Todo, é renascer no Espírito, em Deus, e desfrutar a vida na sua maior plenitude.
Com isso, se abre para nós a grandeza, a beleza, o amor, a dança, a sinfonia Divina, que sempre estiveram ali, bem diante dos nossos olhos; Basta apenas retirar a "trave" da mente, do pensamento ilusório da divisão, que nos impedia de admirar essa maravilha Toda...
Amor
Lilian

3 de outubro de 2010

Oração verdadeira...


"Kabir diz: Traga seu ouvido perto da face dele. Lentamente torne-se um ouvinte dele.

Às vezes se ouve, mas não escuta, às vezes você está ouvindo porque seus ouvidos estão abertos e não há maneira de fechá-los. Uma pessoa pode fechar os olhos, mas não pode fechar os ouvidos; eles estão simplesmente abertos, assim você ouve. Mas só raramente você escuta.

Quando você está ali, totalmente ali em sua audição, então se torna um escutar. Quando a pessoa escuta atentamente, amorosamente, com compaixão, quando não há nenhum argumento ocorrendo dentro, quando a mente não está vagando em qualquer outro lugar, quando não há mais pensamentos movendo-se na mente, então ouvir se torna escutar. Isso é chamado shrut - o escutar correto.(...)

Lentamente, lentamente torne-se um ouvinte dele. A oração certa não é dizer nada a Deus - o que nós temos para dizer a ele? O que podemos dizer a ele? A oração certa é primeiro preparar-se para escutar o que ele tem a dizer a você. Fique receptivo, aberto, absorvendo. Lentamente, lentamente torne-se um ouvinte dele.

E quando você ficar tão silencioso, tão totalmente silencioso que consiga ouvir tudo que ele tem a dizer, escute: o som da flauta estática é ouvido. Ela está sempre sendo tocada - a existência está cheia de sua música. O vento que sopra pelas árvores é sua música, esses pássaros são sua música. Todos os sons que existem são sua música. Mas você nunca foi capaz de escutá-los até agora. Você ouviu, mas não escutou.

Kabir diz: Torne-se primeiramente ouvidos, seja uma escuta silenciosa, e só então será capaz de dizer algo a ele.
Mas as pessoas começam suas orações dizendo algo a ele - é por isso que as orações não dão certo.
Primeiro ouça: então você pode ter algo a dizer a ele. O que pode dizer então?
Um agradecimento, um reconhecimento, uma gratidão.

Então a oração real consiste de duas partes: primeiro ficar silencioso, escutar a música de Deus; e segundo, uma gratidão.
A oração real não exige nada, não pede nada, não pode pedir, não deseja nada.
A oração real é um silêncio sem desejo.

E depois que aquela música foi ouvida, o que há para dizer? Um agradecimento, uma gratidão deve ser expressa.
Coloque-se lentamente, lentamente em uma escuta silenciosa, e então será capaz de dizer algo.

Fique muito receptivo, torne-se como um útero, fique feminino, receptivo.
O caminho do amor é o caminho do feminino. Quem quer que o siga, homem e mulher, tem de ficar feminino.

O caminho do amor não é agressivo, o caminho do amor não é o de uma busca e procuras ativas; o caminho do amor é o de uma receptividade passiva.(...)
A pessoa é um útero pronto para se tornar fecundado por Deus.
Lembre-se desse metáfora do útero. No caminho do amor você tem que se tornar um útero - totalmente silencioso e passivo, não fazendo nada, apenas sendo."
Osho em a Revolução, conversas sobre Kabir

2 de outubro de 2010

Observação pura...


"A Verdade é uma terra sem caminho".

O homem não chegará a ela através de organização alguma, de qualquer crença, de nenhum dogma, de nenhum sacerdote ou mesmo um ritual, e nem através do conhecimento filosófico ou da técnica psicológica.

Ele tem que descobri-la através do espelho das relações, por meio de compreensão do conteúdo da sua própria mente, mediante a observação, e não pela análise ou dissecação introspectiva.

O homem tem construído imagens em si próprio, como muros de segurança - imagens religiosas, políticas, pessoais. Estas se manifestam como símbolos, ideias, crenças.
O peso dessas imagens domina o pensamento do homem, as suas relações e a sua vida diária. Tais imagens são as causas de nossos problemas, pois elas dividem os homens.

A sua percepção da vida é formada pelos conceitos já estabelecidos em sua mente.
O conteúdo de sua consciência é a sua consciência total.
Este conteúdo é comum a toda humanidade.
A individualidade é o nome, a forma e a cultura superficial que o homem adquire da tradição e do ambiente.

A singularidade do homem não se acha na sua estrutura superficial, porém na completa libertação do conteúdo de sua consciência, comum a toda humanidade.
Desse modo ele não é um indivíduo.
A liberdade não é uma reação, tampouco uma escolha.

É pretensão do homem pensar ser livre porque pode escolher.
Liberdade é observação pura, sem direção, sem medo de castigo ou recompensa.
A liberdade não tem motivo: ela não se acha no fim da evolução do homem, mas sim no primeiro passo de sua existência. Mediante a observação começamos a descobrir a falta de liberdade.

A liberdade reside na percepção, sem escolha, de nossa existência, da nossa atividade cotidiana.
O pensamento é tempo. Ele nasce da experiência e do conhecimento, coisas inseparáveis do tempo e do passado.
O tempo é o inimigo psicológico do homem. Nossa ação baseia-se no conhecimento, portanto, no tempo, e desse modo, o homem é um eterno escravo do passado.

O pensamento é sempre limitado e, por conseguinte, vivemos em constante conflito e numa luta sem fim. Não existe evolução psicológica.
Quando o homem se tornar consciente dos movimentos dos seus próprios pensamentos ele verá a divisão entre o pensador e o pensamento, entre o observador e a coisa observada, entre aquele que experimenta e a coisa experimentada.

Ele descobrirá que esta divisão é uma ilusão. Só então haverá observação pura, significando isso percepção sem qualquer sombra do passado ou do tempo.
Este vislumbre atemporal produz uma profunda e radical mutação em nossa mente.
A negação total é a essência do positivo.
Quando há negação de todas aquelas coisas que o pensamento produz psicologicamente, só então existe o amor, que é compaixão e inteligência."
Jiddu Krishnamurti

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