25 de junho de 2012

A Verdade jamais sonha - Swami Vivekananda


"A verdadeira filosofia Vedanta começa com os que são conhecidos como não-dualistas qualificados. Declaram eles que o efeito jamais difere da causa; que o efeito é a causa reproduzida sob outra forma.
Se o universo é o efeito e Deus é a causa, o universo deve ser o próprio Deus; não pode ser senão isso. Começam eles com a afirmativa de que Deus é, ao mesmo tempo, a causa eficiente do universo e seu Criador, e, ainda, o material do qual se projetou toda a natureza. A palavra "criação" de vossa língua, não tem equivalente em sânscrito, porque não há seita, na Índia, que acredite na criação, tal como ela é vista no Ocidente, isto é, algo que veio do nada.

O que entendemos por criação é a projeção do que já existia. Bem: o universo inteiro, de acordo com esta seita, é o próprio Deus. Ele é o material do universo.
Lemos nos Vedas:
"Assim como a aranha tece a linha tirada de seu próprio corpo, todo o universo, da mesma maneira, vem daquele Ser".

Se o efeito é a causa reproduzida, a questão é a seguinte: como podemos achar que este universo ininteligente, bronco, material, foi produzido por um Deus que não é material, mas é inteligência eterna? Como, se a causa é pura e perfeita, o efeito pode ser tão diferente? Que dizem esses não-dualistas qualificados? A teoria deles é muito peculiar. Dizem que os três - Deus, natureza e a alma - são um. Deus é, por assim dizer, a alma, e a natureza, e as almas são o corpo de Deus. Tal como eu tenho um corpo e uma alma, todo o universo e todas as almas são o corpo de Deus, e Deus é a Alma das almas. Assim, Deus é a causa material do universo. O corpo pode ser modificado - pode ser jovem ou velho, forte ou fraco - mas isso em nada afeta a alma. É a mesma existência eterna, manifestando-se através do corpo. Corpos vêm e vão, mas a alma não muda. Mesmo assim o universo inteiro é o corpo de Deus, e nesse sentido é Deus. Mas a mudança do universo não afeta Deus. Desse material Ele cria o universo, e, ao fim de um ciclo, Seu corpo se torna mais fino, contrai-se, e no início de outro ciclo torna-se novamente expandido, e dele emanam todos esses mundos diferentes.

Ora, tanto os dualistas como os não-dualistas qualificados, admitem que a alma é, por sua natureza, pura, mas, através de suas próprias ações, torna-se impura. Os não-dualistas qualificados expressam isso de uma forma mais bela do que os dualistas, dizendo que a pureza e a perfeição da alma se contraem e de novo se manifestam, e que o que estamos tentando fazer agora é a remanifestação da inteligência, da pureza e do poder que são naturais à alma. Cada má ação contrai a natureza da alma, e toda a boa ação a expande. E essas almas são, todas, parte de Deus. "Assim como do fogo violento voam milhares de faíscas da mesma. natureza, desse Ser infinito, de Deus, essas almas vieram." Todas têm o mesmo objetivo. O Deus dos não-dualistas; qualificados é também um Deus pessoal, só que interpenetra tudo no universo. É imanente em tudo e está em toda a parte, e quando as Escrituras dizem que Deus é tudo querem dizer que Deus interpenetra tudo, não que Deus se tornou uma parede ou que Deus está na parede. Não há uma partícula, não há um átomo do universo onde Ele não esteja. As almas são limitadas, não têm onipresença. Quando conseguem a expansão de seus poderes e tornam-se perfeitas, não há mais nascimento nem morte para elas, mas vivem em Deus para sempre.

Chegamos agora ao Advaitismo, a última e - assim a consideramos - mais bela flor da filosofia e da religião que qualquer país e em qualquer tempo já produziu, quando o pensamento humano atinge sua expressão mais alta, e vai mesmo além do mistério que parece ser impenetrável. É a Vedanta não-dualística. É demasiado complexa, demasiado elevada, para ser religião das massas. Mesmo na Índia, seu berço natal, onde tem governado, suprema, pelos três últimos milênios, não conseguiu permear as massas.

Conforme continuamos, verificaremos o quanto é difícil mesmo para o homem ou a mulher mais considerados de qualquer país o compreender o advaítísmo - pois nos fizemos tão fracos, pois nos fizemos tão baixos. Quantas vezes me pediram uma "religião que conforte"! Poucos são os homens que pedem a verdade, menor número ainda ousa estudar a verdade, e ainda mais insignificante é o total dos que ousam segui-La em todas as suas significações práticas. Não é culpa deles. Não passa de fraqueza do cérebro. Qualquer pensamento novo, especialmente de alta qualidade, cria uma perturbação, tenta fazer um novo canal, por assim dizer, na matéria cerebral, e isso desengonça o sistema, retira aos homens o seu equilíbrio. Estão habituados a certo ambiente e precisam dominar a massa imensa de velhas superstições, superstições ancestrais, superstições de classe, superstições da cidade, superstições do país, e, além de tudo, a vasta massa de superstições inata a todo o ser humano. Ainda assim há algumas almas corajosas neste mundo, que ousam conceber a verdade, que ousam recebê-la, e que ousam segui-Ia até o fim.

Que declaram os advaitistas? O seguinte: Se há um Deus, esse Deus deve ser ao mesmo tempo a causa material e eficiente do universo. Não só é o Criador, mas é também o criado. Ele próprio é este universo. Como pode ser isso? Deus, o puro, o espírito, tornou-se universo? Sim, aparentemente é assim. Aquilo que todas as pessoas ignorantes vêem como universo, não existe, realmente. Que somos, vós e eu, e todas as coisas que vemos? Simples auto-hipnotismo. Não há senão uma Existência, a Infinita, a sempre abençoada. Nessa Existência sonhamos todos esses vários sonhos. É o Atman para além de tudo, o Infinito, para além do conhecido, para além do conhecível, e através disso vemos o universo. Essa é a única realidade. Ela é esta mesa, é a parede, é tudo, menos o nome e a forma. Retirai a forma da mesa, retirai-lhe o nome, e o que permanecer será a mesa. O vedantista não diz "ele" ou "ela", pois essas são ilusões, ficções do cérebro humano. Não há sexo na alma. As pessoas que estão sob a ilusão, que se tornaram como que animais, vêem a mulher ou o homem. Deuses vivos não vêem homens nem mulheres. Como podem vê-los, eles que estão para além de tudo que tenha idéia de sexo? Tudo e todos são Atman, o Eu - assexuado, puro, sempre abençoado.

O nome, a forma, o corpo, é que são materiais, e fazem toda essa diferença. Se retirardes essas duas diferenças de nome e forma, todo o universo é um. Não há dois, mas um por toda a parte. Vós e eu somos um. Não há natureza, nem Deus, nem universo - apenas uma Existência infinita, da qual, através de nome e de forma, todas essas coisas são manufaturadas. Como conhecer o Conhecedor? Ele não pode ser conhecido.

Como podeis ver vosso próprio Eu? Só podeis refletir vós mesmos. Assim, todo este universo é o reflexo desse ser eterno, o Atman, e como o reflexo tomba sobre bons ou maus refletores, também imagens boas ou más são adicionadas. Assim, no assassino o refletor é mau, e não o Eu. No santo o refletor é puro. O Eu, o Atman, é, por sua própria natureza, puro. É a mesma, a única Existência do universo, que se reflete desde o mais baixo verme até o mais alto e mais perfeito dos seres. O todo deste universo é uma unidade, uma Existência, fisicamente, mentalmente, moralmente, e espiritualmente. Estamos considerando essa Existência única em diferentes formas e criando todas essas imagens sobre Ela. Para o ser que se limitou às condições de homem, Ela aparece como o mundo do homem. Para o ser que está em plano mais alto de existência, Ela pode parecer como o céu. Há apenas uma alma no universo, não duas. Não vem, nem vai. Não nasce, não morre, não se reencarna.

Como pode morrer? Para onde pode ir? Todos esses céus, todas essas terras, são vãs imaginações da mente. Não existem, jamais existiram no passado, e jamais existirão no futuro. Eu sou onipresente, eterno. Para onde posso ir? Onde ainda não estou desde já? Estou lendo este livro da natureza. Página por página estou terminando-o, e voltando-as, e um por um os sonhos da vida se vão. Outra página da vida foi voltada, outro sonho da vida chega, e vai, rolando, rolando. E quando eu tiver terminado minha leitura, abandono-a e ponho-me de lado. Atiro fora o livro, e tudo estará terminado.

Que pregam os advaitistas? Destronam todos os deuses que já existiram ou existirão no universo, e colocam naquele trono o Eu do homem, o Atman, maior do que o Sol e a Lua, mais alto do que os céus, maior do que este próprio grande universo. Nenhum livro, nem escrituras, nem ciência, podem jamais imaginar a glória do Eu que aparece como homem - o Deus mais glorioso que já existiu, o único Deus que já existiu, existe, ou jamais existirá.

Devo adorar, portanto, apenas o meu Eu. "Eu cultuo o meu Eu" - diz o advaitista. "Diante de quem devo-me curvar? Eu saúdo o meu Eu. A quem devo pedir auxílio? Quem pode me ajudar, a mim, o Ser Infinito do universo?" Esses são sonhos aloucados, alucinações. Quem jamais ajudou alguém? Ninguém Onde virdes um homem fraco, um dualista, chorando e gemendo por auxílio vindo de algures, de cima dos céus, é porque ele não sabe que os céus também estão nele. Deseja auxílio dos céus, e o auxílio vem. Vemos que vem, mas vem de dentro dele própria, e ele se engana supondo que vem de fora. Às vezes, um doente jaz no leito e pode ouvir que batem à porta. Levanta-se, abre, e vê que ali não há ninguém. Volta ao leito e de novo ouve que batem. Levanta-se e abre a porta. Ninguém ali está. Por fim descobre que eram as panca as de seu próprio coração que lhe pareciam pancadas na porta.

Assim o homem, depois de procurar em vão os vários deuses fora de si próprio, completa o ciclo e volta ao ponto do qual iniciou sua busca - a alma humana. E descobre que aquele Deus procurado sobre montes e vales, que buscava encontrar em cada livro, em cada templo, nas igrejas e nos céus, aquele Deus que ele imaginava sentado no paraíso, a governar o mundo, era seu próprio Eu. Eu sou Ele, e Ele é Eu. Só Eu era Deus e o pequeno "eu" jamais existiu.
Entretanto, como pode iludir-se esse perfeito Deus? Nunca o foi. Como poderia um deus perfeito estar sonhando? Nunca sonhou. A verdade jamais sonha. A própria indagação de onde surgiu essa ilusão é absurda. A ilusão surge apenas da ilusão. Não haverá ilusão desde que a verdade seja vista. A ilusão sempre repousa na ilusão, jamais repousa em Deus, na Verdade, no Atman. jamais estais em ilusão, é a ilusão que está em vós, diante de vós. Uma nuvem aqui está. Outra vem, expulsa a primeira e toma o seu lugar. Vem uma terceira, que por sua vez expulsa essa. Assim como diante do céu eternamente azul nuvens de várias tonalidades e colorações surgem, permanecem por um. pequeno espaço de tempo, e desaparecem, deixando o mesmo e eterno azul, vós sois, eternamente, puros, perfeitos. Sois os verdadeiros Deuses do universo. Não, não há dois, só há' um. É um engano dizer "vós" e "eu". Sou eu quem está comendo através de milhões de bocas.
Portanto, como posso ter fome? Sou eu quem trabalha através de um número infinito de mãos. Como posso estar inativo? Sou eu quem vive a vida de todo o universo. Onde está a morte para mim? Eu estou acolá da vida, acolá de toda a morte. Onde procurarei a liberdade, se sou livre por minha natureza?
Quem pode constranger-me, a mim, o Deus do universo? As escrituras do mundo não passam de pequenos mapas, desejando delinear a minha glória, pois sou a única existência do universo. Então, que representam esses livros para mim? Assim fala o advaitista:
"Conhece a verdade e liberta-te num momento.` Toda a treva desaparecerá, então.

Quando o homem se tiver visto como Um- com o Ser Infinito do universo, quando toda a separação cessar, quando todos os homens e mulheres, todos os deuses e anjos, todos os animais e plantas, e todo o universo, se tiverem desvanecido nessa Unidade, então o medo desaparecerá. Posso magoar-me? Posso matar-me? Posso injuriar-me? A quem posso temer? Podeis temer a vós mesmos? Então, todo o desgosto desaparecerá. Quem me pode causar desgosto? Eu sou a Existência única do universo. Então, todos os ciúmes desaparecerão. De quem terei ciúmes? De mim próprio? Então, todos os maus sentimentos desaparecerão. Contra quem terei maus sentimentos? Contra mim mesmo? Não há ninguém no universo a não ser eu. Esse é o único caminho, dizem os vedantistas, para o conhecimento. Matai as diferenciações, matai essa superstição de que existem muitos. "O que está neste mundo de muitos, vê aquele Único. O que está nesta massa de inconsciência, vê aquele único Ser consciente. Quem está neste mundo de sombras, aprende aquela Realidade - e nela está a paz eterna e em ninguém mais, "em ninguém mais."

São esses os pontos principais dos três passos que o pensamento religioso hindu tomou em relação a Deus. Vimos que ele começou com um Deus pessoal, extracósmico. Foi do Deus externo para o Deus imaneme no universo. E terminou identificando a própria alma com aquele Deus, e fazendo uma Alma, uma unidade, de todas essas várias manifestações do universo. Esta é a última palavra dos Vedas. O pensamento religioso hindu começa com o dualismo, passa através do não-dualismo qualificado, e termina em perfeito não-dualismo.

Sabemos que poucos neste mundo podem chegar a este último ponto, ou mesmo podem ter a ousadia de acreditar nele. Menor é o número dos que ousam agir de acordo com ele. Entretanto, sabemos que nele está a explicação para toda a ética, para toda a moralidade, para toda a espiritualidade do universo. Por que dizem todos: "Fazei bem aos outros?" Onde está a explicação ? Por que todos os grandes homens pregaram a fraternidade da humanidade, e outros maiores pregaram a fraternidade de todas as vidas? Porque, fossem ou não fossem conscientes disso, para além de tudo, através de todas as suas irracionais superstições pessoais, estavam fitando diante de si a eterna luz do Eu, negando todas as multiplicidades, e afirmando que todo o universo não passa de Um.

Assim, a última palavra nos deu um universo, que vemos, através dos sentidos, como matéria, através do intelecto como alma, e através do espírito como Deus. Para o homem que se envolve em véus, os véus que o mundo chama perversidade e mal, esse mesmo universo mudará e se transformará num lugar hediondo. Para outro homem, que deseja prazeres, esse mesmo universo se modificará e se tornará um céu. E para o homem perfeito tudo desaparecerá, e se tornará seu próprio Eu. Bem: tal como a sociedade existe no tempo presente, todos esses três estágios são necessários. Uma absolutamente não nega o outro, antes é, simplesmente, a complementação do outro.

O advaitista, ou o advaitista qualificado, não diz que esse dualismo é errado: é uma visão certa, mas inferior. Está a caminho da verdade. Portanto, que cada qual tenha sua própria visão deste universo, de acordo com suas próprias idéias. Não injurieis ninguém, não negueis a posição de ninguém. Tomai o homem como ele é, e, se puderdes, dai-lhe mão de auxílio e colocai-o em plataforma mais alta. Mas não o injure nem o destrua. Todos chegarão à verdade, com o correr do tempo. "Quando todos os desejos do coração forem dominados, esse mesmo mortal se tornará imortal." Então, o mesmo homem se tornará Deus."
Swami Vivekananda em Quatro Iogas de Auto Realização

23 de junho de 2012

Observação permanente...


"Faça um breve balanço da sua vida e pondere: quem guia você?
Quem está te guiando no seu dia a dia?

Arrisco dizer que existe uma possibilidade muito forte que você seja um agente fornecedor de dificuldades. Já pensou sobre isso?

A vida está pulsando em simplicidade e facilidade, disponíveis ao alcance das suas mãos, mas você, a mente, projeta sua realização em tudo que está fora do seu alcance, por mera ignorância – e a dificuldade passa a reger a sua vida.

Não é a sua verdadeira natureza que tem guiado você. Sua natureza é Paz, Silêncio, Quietude. Guiado por ela, não poderiam haver tantos conflitos. Portanto, esteja atento e veja que há algo inestimável, ao alcance de suas mãos. Na verdade, muito mais perto: dentro de você.

Basta voltar-se para dentro. Todo o seu trabalho está em descobrir onde o "dentro" fica e mudar-se para este "não-lugar". Reconecte-se com isso que tem todas as respostas ou, ainda, isso que aniquila todas as perguntas e nos deixa sem necessidade de respostas.

Essa percepção revela que viver não é um problema e sim um grande mistério, extremamente intenso e cheio de vitalidade. Fique com o simples: olhe para dentro!(...)

Quando você diz que está notando luz ou turbulência, pergunto: quem está notando essa luz ou essa turbulência ocorrendo no corpo, no coração ou onde quer que seja?
Quem é você? Esta é a pergunta fundamental.

Estamos habituados pela programação do software, embutido genética e culturalmente, a notar constantemente os eventos. Estou aqui, portanto, com um único convite: pare de notar os eventos! Você perde sua preciosa vida, se distraindo e analisando os eventos.

Em verdade, a grande chave é: note os eventos, eles estão ocorrendo. Veja-os. Mas antes de tudo, note aquele que está a notar os eventos. É por e para isso que estamos aqui, para ver Aquilo que vê. E só tem uma maneira de acesso: investigue com toda a sua vitalidade: quem é você?
É muito mais simples do que você pensa. Veja: onde está a turbulência agora? Se a turbulência passou, ela não é você. E não se engane quanto à luz tampouco, pois temo que a luz também possa passar, o que deixaria comprovado que você também não é essa luz.

O que quero que você verifique e realize é que, por mais lindos ou horrendos que sejam, todos os eventos passam. Tem uma coisa que permanece presente, imutável, genuína. A isso temos chamado de "observação". Por mais que você se distraia com os eventos e não a note, ela está sempre presente, é dentro dela que todos os eventos ocorrem. Se você busca a si mesmo, volte-se da inconstância dos eventos para a Observação permanente."
Satyaprem em Satsang

22 de junho de 2012

Prática da Presença de Deus - Yogananda


"Certa vez, quando estava meditando, ouvi Sua voz sussurrando: "Tu dizes que Eu estou distante, mas é porque não te interiorizas. É por isso que dizes que estou longe. Eu estou sempre aqui. Espia o teu interior e Me verás. Estou sempre aqui, pronto para te saudar."

Quando meditares, mergulha tua mente em Deus. E quando estiveres trabalhando faze-o com todo o coração. Mas assim que terminares, põe tua mente no Senhor.

Quando aprenderes a praticar a Presença de Deus em todos os momentos em que estiveres livre para pensar Nele, então, mesmo no meio do trabalho, estarás consciente da comunhão divina.
Por onde quer que a tua mente perambule no labirinto das miríades de pensamentos mundanos, pacientemente leva-a de volta à lembrança do Deus interno. Com o tempo tu O acharás sempre contigo - um Deus que fala contigo na tua própria linguagem, um Deus que te observa de cada flor ou folha de grama. E então dirás: "Sou livre! Estou vestido com o manto diáfano do Espírito; estou voando da terra ao céu nas asas de luz". E que alegria consumirá o teu ser!

Deus é acessível. Falando com Ele e ouvindo Suas palavras nas Escrituras, pensando Nele, sentindo Sua presença na meditação, verás que gradualmente o irreal se torna real e o mundo que te parece real será percebido como irreal. Não há alegria igual a esta percepção.
Embora eu esteja planejando e fazendo coisas neste mundo, tudo tem por objetivo agradar o Senhor. Eu me ponho à prova, mesmo trabalhando, murmuro interiormente: "Onde estás, Senhor ?" e o mundo inteiro se transforma. Não existe nada mais além de uma grande Luz e eu sou uma pequena bolha naquele Oceano de Luz. Tal é a alegria da existência em Deus.
Como é fácil preencher o dia com tolices e como é difícil ocupá-lo com atividades e pensamentos que valham a pena. Contudo, Deus não está muito interessado no que estamos fazendo, mas no que estamos pensando. Cada um tem uma dificuldade diferente, no entanto Deus não aceita desculpas.

Ele quer que a mente do devoto esteja absorta Nele, apesar de quaisquer circunstâncias adversas.
Reze a Ele: "Senhor, Tu és o Mestre da criação, por isto eu venho a Ti. Não desistirei jamais, até que fales comigo e me faças perceber a Tua presença. Não viverei sem Ti."
Não pode haver desculpas para não pensar em Deus. Dia e noite, sussurrando por trás dos pensamentos, Deus ! Deus ! Deus !... Quer estejas lavando pratos, cavando uma valeta, trabalhando num escritório ou num jardim - qualquer que seja a tua atividade - diz internamente: "Senhor, manifesta-Te a mim! Tu estás aqui mesmo. Tu estás no sol. Tu estás na relva. Tu estás na água. Tu estás nesta sala. Tu estás no meu coração".
Qualquer que seja a direção em que gires uma bússola, seu ponteiro indicará sempre o norte. Assim é o verdadeiro yogue. Ele pode estar imerso em muitas atividades, mas a sua mente está sempre no Senhor. Seu coração canta sempre: "Meu Deus, meu Deus, o mais querido de todos!".

Quando vires um lindo por do sol, pensa contigo mesmo: Deus pintando o céu". Ao fitar o rosto de cada pessoa que encontrares pensa interiormente: "É Deus que assumiu esta forma". Aplica esta linha de pensamento a todas as experiências: "O sangue no meu corpo é Deus, a razão na minha mente é Deus, o amor em meu coração é Deus, tudo o que existe é Deus".
Meditando com Paramahansa Yogananda

21 de junho de 2012

Deus somente - Ramana


"Pergunta: Deus é descrito como manifesto e não-manifesto. No primeiro caso Ele é dito incluir o mundo como parte de Seu Ser. Se for assim, nós como parte deste mundo, deveríamos facilmente tê-Lo conhecido na forma manifesta.
Ramana: Conheça a si mesmo antes de procurar decidir sobre a natureza de Deus e do mundo.

P: Conhecer a mim mesmo implica em conhecer a Deus?
Ramana: Sim, Deus está dentro de você.
P: Então, o que se coloca no meu caminho de conhecer a mim mesmo ou conhecer Deus?
Ramana: Sua mente errante e seus modos pervertidos.

P: Deus é pessoal?
Ramana: Sim, ele é sempre a primeira pessoa, o Eu, permanecendo sempre diante de você. Por você dar precedência às coisas mundanas, Deus parece ter recedido para o pano de fundo. Se você abandonar tudo e buscar apenas Ele, e somente Ele, Ele irá permanecer como o 'Eu', o Ser.

P: Deus está separado do Ser?
Ramana: O Ser é Deus, o “eu sou” é Deus. Essas perguntas surgem porque você está se segurando ao ser-ego. Elas não surgirão se você se segurar no verdadeiro Ser. Pois o Ser real não irá perguntar e nem pode perguntar o que é absurdo. Somente Deus, que parece ser não-existente, verdadeiramente existe, enquanto que o indivíduo, que parece estar existindo, é sempre não-existente. Os sábios dizem que apenas o estado no qual a pessoa conhece sua própria não-existência (sunya) é o glorioso conhecimento supremo.
Agora você pensa que você é um indivíduo, que existe o universo e que Deus está além do cosmos. Portanto, há a idéia do sentido de separação. Essa idéia deve ir. Pois Deus não está separado de você ou do cosmos.

O Gita também diz:
"O Ser sou Eu, ó Deus do sono,
Alojado no coração de cada criatura.
Sou o alvorecer e o meio-dia de toda forma,
Também sou seu destino final."
(Bhagavad Gita, X – 20)

Portanto, Deus não apenas está no coração de todos, ele é o suporte de todos, a fonte de todos, a morada e o fim de todos. Tudo procedeu Dele, tem sua estada Nele, e finalmente se resolve Nele. Portanto, Ele não está separado.

P: Como devemos entender esta passagem do Gita: 'Todo este Cosmos forma uma partícula de mim”?
Ramana: Isso não significa que uma pequena partícula de Deus se separa Dele e forma o universo. Seu poder (Shakti) está agindo. Como resultado de uma fase dessa atividade o cosmos tornou-se manifesto. Similarmente, a afirmação no Purusha Sukta, 'Todos os seres formam um pé Dele', não significa que Brahman está dividido em várias partes.

P: Entendo, Brahman certamente não é divisível.
Ramana: Portanto, o fato é que Brahman é tudo e permanece indivisível. Está sempre realizado mas o homem não está ciente disso. Ele deve chegar a saber disso. Conhecimento significa vencer os obstáculos que obstruem a revelação da eterna verdade que - o Ser é o mesmo que Brahman. Os obstáculos tomados juntos formam a sua idéia de separatividade como um indivíduo.

P: Deus é o mesmo que o Ser?
Ramana: O Ser é conhecido por todo mundo, mas não claramente. Você sempre existe. A existência é o Ser. O “eu sou” é o nome de Deus. De todas as definições de Deus , nenhuma, de fato, é tão bem colocada quanto a afirmação Bíblica “Eu sou aquele Eu sou” no Êxodo 3. Existem outras afirmações, como no Brahmaivaham (Brahman sou Eu), Aham Brahmasmi (Eu sou Brahman) e Soham (Eu sou Ele). Mas nenhuma é tão direta como o nome de Jeová que significa “eu sou”. O Ser absoluto é o que é. Ele é o Ser. É Deus. Ao conhecer o Ser, Deus é conhecido. De fato, Deus não é nada além do que o Ser.

P: Deus é conhecido por muitos nomes diferentes. Algum deles é justificado?
Ramana: Dentre os milhares de nomes de Deus, nenhum nome se adequa a Deus - o qual reside no Coração, desprovido de pensamento - tão verdadeira e lindamente quanto o nome “Eu” ou “eu sou”. De todos os nomes conhecidos de Deus, o nome de Deus “eu” - “eu” apenas ressoará triunfante quando o ego for destruído, emergindo como a suprema palavra silenciosa (mouna-para-vak) no espaço do Coração daqueles cuja atenção está direcionada para a tutela do Ser.
Mesmo se a pessoa meditar incessantemente no nome “eu-eu” com sua atenção no sentimento “eu”, isso levará a pessoa e a submergirá na fonte da qual o pensamento surge, destruindo o ego, o embrião, que está unido ao corpo.

P: Qual é a relação entre Deus e o mundo? Ele é o criador ou o sustentador dele?
Ramana: Os seres sencientes ou não-sencientes de todos os tipos estão realizando ações apenas pela mera presença do sol, que nasce no céu sem nenhuma volição. Similarmente, todas as ações são feitas pelo Senhor sem nenhuma volição ou desejo da parte Dele. Na mera presença do sol, as magníficas lentes emitem fogo, a flor de lótus desabrocha, a flor-de-lis se fecha e todas as incontáveis criaturas realizam ações e descansam.

A ordem da grande multidão de mundos é mantida pela mera presença de Deus da mesma maneira que a agulha se move diante de um imã, e a selenite emite água, a flor-de-lis desabrocha e o lótus se fecha diante da lua.
Na mera presença de Deus, que não tem a mínima volição, os seres vivos, que estão engajados em inúmeras atividades, após embarcarem em muitos caminhos para os quais são atraídos de acordo com o curso determinado por seus próprios karmas, finalmente realizam a futilidade da ação, voltam-se para o Ser e atingem a liberação.
As ações dos seres vivos não chegam ou afetam a Deus, o qual transcende a mente, da mesma maneira que as atividades do mundo não afetam o sol e as qualidades dos quatro elementos conspícuos (terra, água, fogo e ar) não afetam o espaço sem limites."
Ramana Maharshi em Os Ensinamentos de Ramana Maharshi em suas próprias palavras

20 de junho de 2012

Sobre as limitações - Gangaji


"Queria esclarecer sobre as limitações da linguagem.Porque isso pode ser uma grande armadilha.
Linguagem é algo muito poderoso que nós seres humanos possuímos; belíssimo poder, maravilhoso poder, pura linguagem. Quando começamos a falar, o fundamental ainda permanece distante, porque a compreensão depende daquele que escuta.
Quando falamos em realização, iluminação, temos a impressão de que seja algo muito difícil; Nós compreendemos desta maneira simplesmente pela maneira que compreendemos a linguagem, que sempre nos coloca alguma coisa em separado de outra.
Isso é a base das divisões entre nós, a linguagem, a mente que sempre aponta diferenças, distancias, separações.
Essa separação externa repercute na compreensão de uma separação interna.
Mas na verdade estamos todos juntos, sempre, isso é somente os artifícios da linguagem.

Eu nem lhes digo façam alguma coisa nem que não façam alguma coisa. Nem um nem outro é certo ou errado. Não existe algo versus algo; Paz não é algo versus algo.
Paz é inclusiva. Mesmo a palavra inclusiva é pequena para defini-la.

Me perguntaram: O que são os ensinamentos não-duais? O que posso dizer é que não dualidade é TOTALIDADE, está incluído toda dualidade; Não está se criando oposição entre dualidade e não- dualidade. É assim que nossa mente funciona, criando rivalidades; escolhendo alguma coisa em detrimento de outra, uma coisa melhor que a outra, uma mais alta que a outra.
Quando nós deixamos isso para trás, apenas pela pura investigação, simplesmente por estarmos acostumados a usá-los, nós deixamos esses termos para trás - apesar deles não estarem errados - podemos ir além deles, numa visão mais ampla, includente, livre dessas terminologias, embora nós conversemos, podemos relativizar esses termos, podemos ir além dessas diferenças. Sair desses conceitos de que dualidade é isso, não-dualidade é aquilo, apenas esqueçamos disso por um momento, isso ainda é uma batalha da mente.

A mente aberta não se fixa. Toda essa busca, do que devo fazer, aonde devo chegar, aquilo que quero alcançar, deve ser esquecido, abandonado.
Aquilo que é basta. Não existe nada a alcançar, nem erros nem acertos, precisamos encontrar aquilo que É. Neste momento veremos que não excluímos nada, nem colocamos peso em nada, é apenas uma experimentação.

É maravilhoso saber "coisas", maravilhoso saber de muitas coisas, é parte como disse, da natureza humana, mas aquilo que investigamos aqui é aquilo que está livre de saber as "coisas", aquilo que é intocável por qualquer conhecimento, aquilo que é independente daquilo que chamamos "conhecimento", não separado deste, mas independente, livre.

Não importa o que sabemos ou não sabemos, isto, permanece em paz.
Quando dizemos que conhecemos nossas limitações, de variadas maneiras, estamos caindo novamente na fixação das limitações superficiais e nos afastando daquilo que está além disso e
que permanece ilimitado.

Um dos meus professores dizia: Pare de adiar, você já é realizada, iluminada; a mente é especialista em criar adiamentos. Preciso lidar com minha raiva, preciso lidar com minha insegurança, ainda preciso parar de me odiar. Pare com isso, simplesmente pare de se odiar; veja as histórias de auto-ódio, veja quanto você se alimenta dessas histórias antigas e sinta que se você parar de contar essas histórias para você mesmo imediatamente você está livre, solto e o ódio se transforma instantaneamente em amor, em paz, porque sempre foram seus próprios pensamentos que criaram a guerra dentro de você; todos esses dramas de auto-ódio ou de não se odiar mais, tudo isso ainda é uma peça teatral que você insiste em contar para si mesmo. Feche essas cortinas dramáticas e isso é paz.

Existem muitas memórias, muitas histórias humana que são horríveis, e nós sabemos disso, claro que sabemos. Rivalidades acontecem sempre, ontem, hoje e muito provavelmente no futuro também. Não sugiro que você negligencie isso,sugiro que você esteja bem consciente sobre isso; não se trata de um processo de negação. Existem essas mesmas rivalidades dentro de cada um de nós.
Na experiência direta existe uma revelação que nem possui um nome, já que é tão próxima para se ter um nome. É o que se chama de Verdade, ou Liberdade, ou Paz que está além da compreensão. Paz é mais próxima do que a compreensão, não é fora do alcance, é a mente que tem o poder em se afastar disso.

Neste momento simplesmente sente-se e reconheça que tudo está aí, acontecendo, não existe nada errado, temos a oportunidade de parar com essa discussão interna, seja ela sobre nós, o outro ou sobre outra coisa qualquer, passado, futuro.
Discussões mentais são sobre alguma coisa passada ou futura; Vejam que essas discussões não estão erradas também, são capacidades humanas em planejar, idealizar, analises de probabilidades; do mesmo modo aprender com o passado, aprender com seus enganos, mas isso não nos impede de cometermos os mesmos enganos, porque ainda existe alguma coisas que precisa ser realizado, nem mesmo é uma coisa ou nenhuma coisa, é indefinível, não é algo é você.

Você é indefinível.
Se estiver disposto a se render por um momento, deixar de lado toda e qualquer definição sobre si mesmo - boas ou ruins - apenas se renda, abandone todas definições subjetivas, de que algo necessita ser mudado, apenas se renda, abandone todas as definições, você descobre
diretamente as mentiras por trás dessas "necessidades".

Você é sempre indefinível.
O Um é indefinível.
Quem somos nós, é indefinível.E isto não está em oposição a definição.É anterior a qualquer definição, dentro disto.
Quem você é, é sempre aqui."

19 de junho de 2012

Consciência silenciosa - Meher Baba


"Na verdade, tudo na criação evolutiva é forjado exclusivamente pelo Poder Infinito de Deus, que trabalha em eterno silêncio - como que por trás da tela, desconhecido, não sentido ou mesmo insuspeitado pela maioria daqueles que estão atuando no flash de luz do palco.

Alguns, através da graça do mestre, ou da graça de Deus, conseguem libertar de dentro do seu próprio ser a fonte escondida do amor divino, que revela a plena e certa compreensão da Infinita Divindade, que, em sua eternidade, engloba não só o passado aparentemente sem começo e o aparentemente transitório presente, mas também o aparentemente interminável futuro.

O aspecto aparentemente infinito da extensão do tempo, é, em última análise, irreal, da mesma maneira que o próprio tempo, em última análise, é irreal. Na compreensão espiritual definitiva (que facilita a Realização consciente da verdade absoluta), a infinitude ilusória do processo do tempo é confrontada na verdadeira eternidade da vida e do ser de Deus. O Deus-homem, que conscientemente se estabeleceu na compreensão ilimitada de Deus, pode conhecer o passado, o presente e o futuro. Mas para ele, esse conhecimento das sombras fugazes da Eternidade é muito menos importante do que completar a fusão no aspecto incompreensível de Deus, na Compreensão infinita, Verdade infinita ou Realidade.

De fato, todos sem exceção tem a sua verdadeira existência somente nesse, e como esse Ser de Deus ilimitado como verdade absoluta. Mas é como ter algum tesouro escondido que, embora esteja em nossa posse, é de benefício inexistente enquanto permanecer desconhecido. O único propósito da criação evolutiva é colocar a alma na posse consciente assim como na apreciação deste tesouro infinito. Naqueles que são Perfeitos, Deus trabalha para este fim conscientemente. Mas é Ele apenas que trabalha através de tudo e de todos, e, embora este trabalho seja essencialmente inconsciente, também leva ao mesmo fim.

Isso pode ser esclarecido usando-se a analogia da respiração. Respirar é o próprio fundamento da vida e a ausência da respiração significa abandonar o corpo físico (sem encerrar a existência da alma). Mas essa respiração é em sua maior parte desempenhada inconscientemente e nos tornamos conscientes dela só em casos de esforço excepcional. Da mesma maneira, o trabalho de Deus através dos processos evolutivos é na sua maior parte inconsciente e silencioso, e o cessar desse trabalho traz o final (pralaya) da criação (sem encerrar a existência do próprio Deus).

Deus torna-se consciente de seu trabalho apenas em casos raros, dos Deuses-Homens que possuem e desfrutam Divindade na Vida Eterna.

Por eras e mais eras, Deus tem trabalhado em silêncio, não observado e despercebido, exceto por aqueles que experimentam Seu Silêncio infinito. (...)

O silêncio que venho observando pelos últimos 31 anos não pretende velar a minha verdade, mas sim manifestá-la. Quando você realizar a verdade como sendo o núcleo do seu próprio Ser, você estará livre de todo medo e desamparo, e todas as rivalidades e conflitos revelar-se-ão serem sem sentido, pois você se conhecerá como sendo inviolavelmente um com tudo o que tem vida.
Para as lutas, faltas e falhas da humanidade Eu digo, “tenham fé”. Voltem-se para Deus em completa rendição e recebam o amor divino.

Vocês são igualmente uma parte da vida divina una e indivisível. Não há um só átomo que não vibre com esta vida divina.
Não há mais necessidade de ninguém se desesperar. O maior dos pecadores bem como o maior dos santos têm a mesma infalível garantia divina."
Meher Baba em O Mistério da Criação

17 de junho de 2012

Instinto, Intelecto e Intuição...


"O instinto é o modo de funcionamento do corpo, o intelecto o modo de funcionar da cabeça e a intuição é o modo de funcionar o seu coração. Por trás de todos esses três elementos está o Ser, cuja qualidade permanece como testemunho, pura observação.

A cabeça só pensa, portanto nunca chega a conclusão. É verbal, linguística, lógica; mas não tem raízes na realidade. Milhares de anos de pensamento filosófico não resultaram em nenhuma conclusão. O intelecto possui uma grande habilidade para criar perguntas e respostas e mais perguntas e mais respostas. Pode construir palácios de palavras, sistemas teóricos, mas não são mais que castelos de areia.

O corpo não pode se apoiar em seu intelecto, porque tem que viver. Por isso, todas as funções essenciais do corpo estão em mãos do instinto - por exemplo a respiração, as batidas do coração, a digestão, a circulação do sangue - e existem milhares de processos dentro do seu corpo, nos quais não se intervém em absoluto. É bom que a natureza tenha dado ao corpo sua própria sabedoria, do contrário, seu intelecto se ocuparia disso o tempo todo, e a vida seria impossível. Porque se poderia em algum momento se esquecer de respirar, durante a noite por exemplo, e isso seria fatal. (...) Essa incrível quantidade de trabalho que o instinto realiza a cada momento, seu intelecto não faz falta. (...)

A natureza delegou todas as funções essenciais do seu corpo ao instinto e delegou todas aquelas coisas que dão sentido a sua vida - porque existir simplesmente, sobreviver simplesmente não tem nenhum sentido. Para dar sentido a sua vida a existência deu a intuição ao seu coração. Fruto da intuição surge a possibilidade da arte, a estética, o amor, a amizade, toda criatividade é intuitiva. (...)

O intelecto é para a vida mundana em sociedade, junto aos demais no mundo, é necessário para fazer as coisas funcionarem. É pura matemática, geografia, história, química, todas as ciências e a tecnologia foram criadas pelo intelecto. Sua lógica e geometria são úteis, mas o intelecto é cego. Não faz mais que criar coisas mas não sabe se estão utilizando para destruir ou para criar. O intelecto tem sua utilidade, mas por desgraça se converteu em dono de todo o seu ser. Isso originou muito problemas no mundo.

O verdadeiro dono do seu Ser, se esconde por trás de três coisas: o corpo, a mente e o coração. Você nunca se dirige ao interior; todos os seus caminhos conduzem ao exterior, todos os sentidos conduzem ao exterior; Todas as suas realizações se encontram aí fora, no mundo.
O intelecto é útil no mundo, e todos seus sistemas educativos são técnica para se evitar o coração e conduzir suas energias diretamente para sua cabeça, pois o coração não sabe nada de lógica, ele tem um modo diferente de funcionar, a intuição não respeita regras e nem está preocupado com a utilidade das coisas. Conhecer o amor, a beleza, a poesia, a música, pintura, para que servem, qual a utilidade disso tudo? (...)

Se se aceita o corpo em sua total naturalidade, isto te ajudará muitíssimo. Ajudará a teu coração; ajudará a que sua inteligência se aguce, porque o alimento do intelecto provém do corpo, o alimento do coração provém do corpo.

Se sua cabeça, seu coração e corpo estão em sintonia, encontrar seu Ser será a coisa mais fácil do mundo. Sem dúvida havendo conflito entre instinto, intelecto e a intuição segue desperdiçando toda sua vida.

A pessoa sábia é aquela que gera uma harmonia entre a cabeça, o coração e o corpo. Esta harmonia leva a revelação da fonte da própria vida, ao centro, a alma.
Esse é o maior êxtase possível; não unicamente para os seres humanos, e sim para todo o universo.

Você precisa descobrir a realidade dentro de si mesmo, não criá-la de forma imaginária; Aprofunde-se no silencio e observe; esteja alerta e consciente de modo que possa ver tudo o que é real. Aqueles que viram a realidade, experimentam um grande silêncio, uma imensa alegria, uma bem-aventurança infinita, a imortalidade. Podemos chamá-la de consciência universal, ou de divindade universal."
Osho em Intuição, o conhecimento que transcende a lógica.

16 de junho de 2012

Jardim da alma...


"Meu querido!
Você não tem os pés para trilhar este caminho.
Por que lutar?
Você não faz ideia de onde o ídolo pode ser encontrado –
o que é todo este discurso místico?
O que pode ser feito com companheiros de viagem, orgulhosos insensatos do mercado?

Se fosse realmente um amante
você veria que a fé e a ausência de fé são o mesmo.
Ah, qual é a utilidade?
Especulações vãs sobre essas coisas
são um hobby para cérebros dormentes.

Você é puro espírito, mas pensa ser um cadáver!
Água pura que pensa que é o jarro!

Qualquer coisa que você queira deve ser procurada
- exceto o Amigo.
Se não encontrá-Lo você jamais será capaz
até mesmo de começar a olhar.

Sim, pode ter certeza: você não é Ele
- a menos que você possa remover-se
do espaço entre você e Ele - nesse caso você é Ele.

*
O caminho até Você encontra-se claramente em meu coração
e não pode ser visto ou conhecido pela mente.
Conforme minhas palavras transformam-se em silêncio,
Sua doçura me circunda.

*
Seu intelecto é apenas uma confusão
de adivinhações e pensamentos
se arrastando sobre a face da Terra.
Onde quer que eles estejam, Ele não está.
Eles estão contidos dentro de Sua criação.
O homem e sua razão são apenas as últimas plantas
a serem colhidas em Seu jardim.

Em tudo o que você afirmar sobre a Sua natureza,
você estará fadado a ser sempre um novato inexperiente,
como um cego que tenta descrever a aparência de sua mãe.

Enquanto a razão ainda estiver rastreando o segredo,
sua busca terminará no campo aberto do amor."
Hakim Sanai poeta Sufi

15 de junho de 2012

A Liberdade além da mente...


"Existe uma energia vital que você pode sentir em todo o seu Ser, em cada célula do seu corpo, independentemente dos seus pensamentos.

Nesse estado de consciência, se você precisar usar a mente para algum fim prático, ela estará presente. E a mente funciona muito bem quando a inteligência maior que é você se expressa através dela. Talvez você não tenha se dado conta, mas aqueles breves períodos em que fica "consciente sem pensar" já estão ocorrendo natural e espontaneamente em sua vida. Você pode estar fazendo algum trabalho manual, andando pela casa, aguardando o embarque num aeroporto e estar tão presente que a estática habitual do pensamento se interrompe e é substituída por um estado de alerta. Ou você pode estar olhando o céu ou ouvindo alguém falar, sem fazer qualquer comentário mental. Suas percepções se tornam transparentes como cristal, sem qualquer pensamento para toldá-las.

Mesmo que você não perceba, a verdade é que essa é a coisa mais importante que pode acontecer a você. E o começo do processo de mudança, do pensar para o estar presente, alerta e atento. Sinta-se à vontade com o "não saber". Isso leva você para além da mente, pois ela está sempre querendo tirar conclusões e interpretar. A mente teme não saber. Assim, quando consegue ficar à vontade com o "não saber", você já foi além da mente. Um conhecimento mais profundo que não é baseado em qualquer conceito vai emergir desse estado.

Quando há um domínio completo da criação artística, dos esportes, da dança, do ensino, do aconselhamento, é sinal de que a mente pensante não está mais envolvida ou, no mínimo, está em segundo plano. Nessas áreas predominam uma força e uma inteligência que são maiores do que você e, ao mesmo tempo, fazem parte de você. Não existe mais um processo de decisão. As ações corretas acontecem espontaneamente, e não é "você" quem as faz. Ter o domínio completo da vida é o contrário de controlá-la. Você entra em sintonia com a consciência maior. É ela quem age, fala e faz o que é necessário.

A Verdade nos leva muito além do que a mente é capaz de compreender. Nenhum pensamento pode conter toda a Verdade. No máximo, pode apontar para a Verdade dizendo, por exemplo: "Todas as coisas são intrinsecamente uma só." Essa é uma indicação, não uma explicação.
Compreender essas palavras é sentir profundamente dentro de si mesmo a Verdade para a qual elas apontam.

Quando você pensa ou fala a respeito de si mesmo, quando diz "eu", está se referindo a "eu e a minha história". Está falando do ego com seus gostos e desgostos, medos e desejos, o ego que nunca se satisfaz por muito tempo. Essa é a noção que a sua mente tem de você, condicionada pelo passado e buscando encontrar sua plenitude no futuro. Você se dá conta de que esse ego é fugaz e passageiro como uma onda na superfície do mar? Quem percebe isso? Quem compreende que sua forma física e psicológica é passageira? E o Eu Sou.

Esse é o "eu" mais profundo, que não tem nada a ver com o passado e o futuro.
Quando cada pensamento absorve toda a sua atenção, isso mostra que você se identifica com a voz que está dentro da sua cabeça. O pensamento se confunde então com o sentido do "eu". Esse é o "eu" criado pela mente, o que chamamos de "ego".

Esse ego construído pela mente se sente totalmente incompleto e precário. Por isso o medo e o desejo são as emoções e forças dominantes e motivadoras desse ego. Quando você se dá conta de que existe uma voz na sua cabeça que pretende ser você e não para de falar, percebe que, de forma inconsciente, você vem se identificando com a corrente do pensamento. Quando percebe a existência dessa voz, você compreende que não é essa voz, mas a pessoa que a percebe.
Ter liberdade é saber que você é a consciência por trás dessa voz."
Eckhart Tolle em O Poder do Silêncio.

13 de junho de 2012

Auto investigação - Ramana


"O pensamento-eu é a fonte de todos os pensamentos.

A mente só vai se dissolver através da auto investigação "Quem sou eu?". O pensamento "Quem sou eu?" destruirá todos os outros pensamentos e depois destruirá a si mesmo também. Se outros pensamentos surgirem, devemos perguntar a quem esses pensamentos ocorrem, sem tentar completá-los.

Que importa quantos pensamentos surgem? Na medida em que cada pensamento surgir, devemos estar vigilantes e perguntar para quem ele ocorre. A resposta será "para mim". Se você perguntar "quem sou eu?", a mente então voltará à sua Fonte.
O pensamento que surgiu também desaparecerá. À medida que você praticar dessa forma mais e mais, o poder da mente de permanecer em sua Fonte aumentará.

Embora os apegos sensoriais, antigos e imemoriais, possam surgir sob forma de incontáveis tendências mentais, assim como as ondas surgem no mar, todos eles serão destruídos na medida em que a meditação avançar. Devemos nos agarrar sem cessar à meditação do Ser, sem duvidar da possibilidade de erradicar todas essas tendências e de só o Ser permanecer. Por mais pecadora que uma pessoa possa ser, se ela parar de se lamentar " Ai de mim que sou um pecador! Como posso eu alcançar a libertação?" e, abandonando até mesmo o pensamento de que é pecadora, se dedicar zelosamente à auto inquirição, ela com certeza realizará o Ser (Atman).

Se o ego estiver presente, tudo o mais também existirá. Se estiver ausente, tudo o mais desaparecerá. Como o ego é tudo isso, investigar a sua natureza é a única forma de abandonar todo apego. Controlando a fala e a respiração, e mergulhando fundo em nós mesmos, como alguém que mergulha na água para recuperar algo que nela caiu, devemos, por meio de um insight aguçado, descobrir a fonte de onde surge o ego.
A investigação, que é o caminho da Sabedoria, não consiste em repetir verbalmente "eu, eu", mas em buscar, por meio de uma mente profundamente interiorizada, de onde o "eu" surge. Pensar "Eu não sou isso", "Eu sou aquilo" pode ajudar, mas não constitui a inquirição em si.
Quando questionamos dentro da nossa mente "Quem sou eu?" e chegamos ao Coração, o "eu" sucumbe e imediatamente outra entidade se revela proclamando "Eu-Eu". Muito embora ela também surja dizendo "eu", não se trata mais do ego, mas sim da Existência Única, perfeita.
Se investigarmos incessantemente a forma da mente, descobriremos que não existe algo chamado "mente". Este é o caminho direto aberto a todos.

A mente é constituída apenas de pensamentos, e para todos eles a base ou fonte é o pensamento-"eu". O "eu" é a mente. Se nos voltarmos para dentro perguntando pela Fonte do "eu", o "eu" sucumbe. Esta é a investigação da Sabedoria. Onde o "eu" se dissolve, outra entidade emerge como "Eu-Eu" por conta própria: é o Ser Perfeito.
É inútil remover as dúvidas. Se esclarecermos uma, outra surgirá e não haverá fim para elas. Todas as dúvidas cessarão apenas quando quem duvida e sua Fonte forem encontrados. Procure a Fonte do responsável pela dúvida e você descobrirá que ele na realidade não existe. Se o questionador cessar, as dúvidas também cessarão.

Como a Realidade é você mesmo, não há nada a realizar. Todos tomam o irreal por real. É preciso que você desista de tomar o irreal por real.
A finalidade de toda meditação ou repetição de mantras é apenas isso - abrir mão de todos os pensamentos referentes ao não Eu; é desistir de todos os pensamentos e concentrar-se num só. O objetivo de toda prática é fazer com que a mente fique unifocada, concentrando-a num só pensamento e assim excluindo os demais. Fazendo isso, no final até mesmo esse pensamento único irá embora e a mente se extinguirá em sua fonte.

Quando inquirimos "Quem sou eu?", o "eu" investigado é o ego. Também é esse "eu" quem faz a autoinvestigação. O Ser não tem inquirição. É o ego que faz a investigação. O "eu" sobre o qual a investigação é feita também é ego. Como resultado da investigação, o ego deixa de existir e descobrimos que somente o Eu Real existe.
Qual a melhor maneira de se aniquilar o ego? Para cada um o melhor caminho é aquele que parece mais fácil ou que tem maior apelo. Todos os caminhos são igualmente bons, na medida em que conduzem ao mesmo objetivo: dissolver o ego no Eu Real. O que o devoto chama de entrega, aquele que faz investigação chama de Sabedoria. Ambos estão tentando levar o ego de volta à Fonte da qual ele surgiu e fazê-lo ser absorvido por ela. Pedir que a mente mate a si mesma é como fazer do ladrão um policial. Ele irá com você e fingirá prender o ladrão, mas nada será ganho. Portanto, volte-se para dentro, veja de onde surge a mente e ela deixará de existir.
A respiração e a mente surgem da mesma fonte e quando uma delas é controlada, a outra também fica controlada.

De fato, no método investigativo - no qual, aliás, a pergunta "De onde eu vim?" seria mais correta do que "Quem sou eu?" - não estamos simplesmente tentando eliminar, dizendo "não sou o corpo, nem os sentidos" e assim por diante, visando alcançar a realidade última, mas sim estamos procurando descobrir onde surge o pensamento-"eu" ou ego dentro de nós. O método contém em si - de forma implícita - a observação da respiração.
Quando observamos de onde o pensamento-eu surge, estamos observando também a fonte da respiração, já que tanto o pensamento-"eu"quanto a respiração provêm da mesma Fonte.
O controle da respiração pode servir como uma ajuda, mas por si mesmo nunca pode levar ao objetivo. Enquanto você o pratica mecanicamente, procure manter a mente alerta, lembrando do pensamento-eu e da busca pela sua Fonte. Então você descobrirá que o pensamento-eu surge do lugar no qual a respiração desaparece. Eles desaparecem e emergem juntos. O pensamento-"eu" também submergirá junto com a respiração. Simultaneamente, um outro "Eu-Eu"- luminoso e infinito - emergirá, e será constante e inquebrantável.
Este é o objetivo, o qual recebe diferentes nomes: Deus, Eu Real, Kundalini , Shakti, Consciência, etc.

"Quem sou eu?" não é um mantra. Significa que você deve descobrir onde em você surge o pensamento-"eu", que é a fonte de todos os outros pensamentos. Mas se você achar que o caminho da investigação é difícil demais, continue a repetir "eu-eu", e isso o levará ao mesmo objetivo. Não há nenhum mal em usar o "eu" como um mantra. Trata-se do primeiro nome de Deus, Eu Sou.

Peço que veja onde o "eu" surge em seu corpo; mas realmente não é muito correto dizer que o "eu" surge e dissolve-se no Coração no lado direito do peito. O Coração é outro nome para a Realidade e não está nem dentro nem fora do corpo. Não pode haver nenhum dentro e fora para Ela, já que a Realidade apenas é. Por "Coração" não me refiro a nenhum órgão fisiológico, nenhum plexo de nervos ou qualquer coisa do gênero.
Mas enquanto a pessoa se identificar com o corpo e pensar ser o corpo, ela é aconselhada a ver no corpo onde o pensamento-"eu" surge e volta a se dissolver. Deve ser no Coração, no lado direito do peito. Todo homem de qualquer raça, língua ou religião, quando diz "eu", aponta para o lado direito do peito para referir-se a si mesmo. Isso é verdadeiro em todo o mundo. Portanto, esse deve ser o lugar. E observando-se de forma perspicaz o constante surgimento do pensamento-"eu" no estado de vigília e de seu desaparecimento no sono, podemos ver que surge no Coração no lado direito.

Saiba primeiro quem você é. Isso não requer escrituras ou erudição. É simplesmente experiência. O estado de Ser está aqui e agora o tempo todo. Você perdeu contato consigo mesmo e está pedindo orientação aos outros. O propósito da espiritualidade é voltar a mente para dentro. Se você conhecer a si mesmo, nenhum mal poderá lhe acontecer. Como você me perguntou, eu estou lhe dizendo. O ego só surge agarrando-se a você.
Permaneça no Eu Real e o ego desaparecerá.
Até este momento o sábio estará feliz dizendo: "Eis aí", e o ignorante perguntando: "Onde?".

A regulação da vida, tal como levantar-se em uma hora determinada, tomar banho, praticar repetição de mantras, etc., tudo isso é para quem não se sente atraído pela auto investigação ou não é capaz de fazê-la. Mas para aqueles que podem praticar esse método, todas as regras e disciplinas são desnecessárias. Sem dúvida é dito em alguns livros que devemos cultivar uma virtude após outra e assim nos prepararmos para a Libertação; mas para os que seguem o caminho da Sabedoria ou da investigação, sua meditação é por si só suficiente para adquirir todas as qualidades divinas."
Sri Ramana Maharshi em Pérolas de Sabedoria: Vida e Ensinamentos

12 de junho de 2012

A Intimidade do Amor...


Na intimidade
descobrimos quem somos nós
de verdade.
Somos vistos pelo avesso,
refletimos aquelas cenas todas
que já tentamos tanto
disfarçar,
primeiramente de nós mesmos,
e também daqueles a quem
quisemos tanto,
inutilmente,
impressionar...

Ser íntimo é se deixar Ser,
Já não importa para nós mais nada,
além do puro com-viver
exposto...

Alma nua, frágil,
derretemos simples,
na imensidão do pequeno gesto.
Abraçamos calmos
os sorrisos e suspiros,
Nos permitimos expôr
todas nossas dobras sutis
e escancaramos todas as portas
e janelas da alma,
Deixamos aqueles medos insensatos
de lado,
e apostamos no risco maravilhoso
de amar sem medida...

Viver intimamente
passa pela intimidade consigo mesmo,
As paredes internas derrubadas
me permitem enxergar além de mim,
e assim repleta de espaços abertos
posso descobrir e me deliciar
com a intimidade
a dois...

Um brinde ao AMOR e tudo o que o AMOR cria, faz, realiza, desfruta, transborda e transforma em nossas Vidas...
Um beijo à todos que partilham dessa grande festa viva, que se chama AMAR...
e AMAR sem medida...
Lilian

11 de junho de 2012

A luz do Tao...


"Quando olhamos as coisas à luz do Tao,
Nada é melhor, nada é pior,
Cada coisa, vista à sua própria luz,
Manifesta-se a seu próprio modo.

Pode parecer "melhor"
Do que é comparável a ele
Em seus próprios termos,
Mas em termos do todo
Nada torna-se "melhor".

Se você medir as diferenças,
O que é maior do que outra coisa é "grande"
O que é menor do que algo é "pequeno",
Assim, todo o cosmos é um grão de arroz,
E a ponta do fio de cabelo
É tão grande quanto a montanha -
Esta é a vida relativa.

Você pode romper muralhas com barras metálicas,
Mas não pode com elas, tapar buracos.
Todas as coisas têm diferentes utilidades.
Cavalos de raça podem viajar cem milhas por dia,
Mas não podem caçar ratos
Como os cachorros ou as doninhas;
Todas as criaturas possuem dons próprios.
A coruja de cornos brancos pode pegar pulgas à meia noite
E distinguir a ponta de um fio de cabelo
Mas, de dia, ela fica imóvel, inútil,
E nem mesmo pode ver uma montanha.
Todas as coisas possuem diferentes capacidades.

Consequentemente,
Aquele que quiser possuir
O certo,
Sem o errado,
A ordem sem a desordem,
Não percebe os princípios,
Do céu e da terra.
Não percebe como as coisas se unem.

Pode um homem apegar-se apenas ao céu
E nada saber da terra?
São correlatos: conhecer um
É conhecer o outro.
Recusar um,
É recusar a ambos."
Thomas Merton em a Via de Chuang Tzu

A existência é plena, una, indivisível; E nessa unidade nenhuma comparação é possível, já que tudo e todos necessariamente se completam; "escolher" alguma coisa em detrimento de outra, é primeiramente uma ilusão da mente, e ao mesmo tempo é "perder" a ambas.
A visão pequena, restita, observa um e não vê o outro. A visão ampla reconhece a relação entre o grande e o pequeno, e afirma a real complementariedade das aparentes diferenças...
Amor
Lilian

10 de junho de 2012

O Divino agora - Kabir


"Dou risada quando escuto que o peixe na água está com sede.
Você não percebe o fato de que a coisa que está mais viva de todas
está dentro de sua própria casa;
E assim você caminha de um lugar sagrado para outro com um olhar confuso!

Kabir vai lhe contar a verdade: vai onde quer que você queira, para Calcutá ou para o Tibete;
se você não puder encontrar aonde sua alma está escondida, para você o mundo nunca será real!
*
Estudante, faça a simples purificação.
Você sabe que a semente está dentro da castanheira e dentro da semente estão as flores, as castanhas, e a sombra da árvore.
Desse modo, dentro do corpo humano existe a semente e dentro da semente existe um corpo humano novamente.
Fogo, ar, terra, água e espaço – se você não quer o secreto, você não pode ter esses também.

Pensadores, escutem, digam-me o que vocês sabem daquilo que não está dentro da alma!
Pegue um jarro cheio de água e coloque-o dentro da água - agora ela tem água dentro e água fora.
Não devemos dar nome a isso, para que as pessoas tolas não comecem a falar novamente sobre o corpo e a alma.
*
Se você quer a verdade, direi-lhe a verdade:
Escute o som secreto, o som real, que está dentro de você.
Aquele a respeito do qual ninguém fala, diz o som secreto para Si mesmo e foi Ele quem fez tudo isso.
*
Converso com meu amante interior e digo: por que tanta pressa?
Sentimos que há algum tipo de espírito que ama os pássaros, os animais e as formigas -
talvez o mesmo que deu uma radiância a você no útero de sua mãe.

É lógico você estar andando completamente órfão agora?
A verdade é que você afastou-se de si mesmo, e decidiu ir para o escuro sozinho.
Agora está enroscado e esqueceu o que um dia você soube, e é por isso que tudo o que você faz tem em si uma estranha falha.
*
Amigo, espere pelo Convidado enquanto você está vivo.
Mergulhe na experiência enquanto você está vivo!
Pense … e pense … enquanto você está vivo.
O que você chama de “salvação” pertence ao tempo antes da morte.
Se você não romper as cordas enquanto estiver vivo, está pensando que fantasmas vão fazer isso depois?

O que se encontra agora é encontrado depois.
Se não encontra nada agora, você simplesmente terminará num apartamento na cidade da morte.
Se fizer amor com o divino agora, na próxima vida você terá a face do desejo saciado."
Kabir em Poemas Estáticos

9 de junho de 2012

Emoções e consciência...


"
A sua mente sente a dor, o sofrimento; ela sente todos os tipos de emoção, apegos, desejo, anseio, mas isso tudo é projeção da mente. Por trás da mente está o eu verdadeiro, que nunca vai a lugar nenhum. Ele está sempre aqui.

Se você estiver com raiva, então fique com raiva e não julgue dizendo se isso é bom ou ruim. E está é a diferença das emoções negativas e as positivas: se você tomar consciência de uma certa emoção e ela se dissipar quando você toma consciência dela, é porque ela é negativa. Se ao tomar consciência da emoção, você se tornar essa emoção, se essa emoção não se espalhar e então essa emoção se tornar o seu ser, ela é positiva.

A consciência trabalha de forma diferente em cada um desses casos. Se for uma emoção venenosa, você se livra dela por meio da consciência. Se ela for benéfica, alegre, extasiante, você e ela se tornam uma coisa só.

A consciência se aprofunda. Então para mim, o critério é sempre este: se algo se aprofunda com sua consciência, isto é bom; se algo se dissipa com a sua consciência é porque isso é ruim.
Tudo o que não pode ficar na consciência é pecado e tudo o que cresce com a consciência é virtude. Virtude e pecado não são conceitos sociais, eles são realizações interiores. (...)

Basta que você seja autêntico; essa autenticidade com suas emoções lhe possibilitará um vislumbre do real. Só o que é real pode conhecer o real, só a verdade pode conhecer a verdade, só o autêntico pode conhecer o autêntico que circunda você. Aprofunde-se na consciência, e reconheça-se."
Osho em Emoções
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