2 de junho de 2012

Impassível naquilo que és - Kabir


"De que me servem as palavras,
Se o amor embebedou-me o coração?
Se envolvi o diamante com meu manto,
Por que desfaria o embrulho?
*
Quando sua carga era leve,
O prato da balança se erguia.
Agora, que o prato está cheio,
Qual a necessidade de pesar?
*
O cisne que pousou no lago
Buscaria outra vez a poça d’água?
Se o Senhor está dentro de ti,
Para que abrir os olhos?
*
Kabir diz: Escutai, ó irmãos!
Aquele que roubou meu olhar
agora vive comigo.
*
Lá, onde reina a eterna primavera,
Onde o Som Não Percutido soa por si só,
Onde a Luz Imaculada preenche o espaço todo;
*
Lá, onde milhões de Bramas lêem os Vedas,
Onde milhões de Vishnus inclinam suas cabeças,
Onde milhões de Shivas imergem em contemplação;
*
Lá, onde milhões de Krishnas sopram suas flautas,
Onde milhões de Saraswatis dedilham as douradas vinas,
Onde a miríades de deuses, anjos e iluminados vivem contentes;
*
Lá, nessa outra margem que poucos alcançam,
Nessa praia distante, meu amado
Senhor se desvela,
E o odor de flores e pasta de sândalo perfuma esse confim.

*
Ó minha alma, para onde pretendes navegar?
Não há viajante a quem seguir, não há roteiro.
Que oceano atravessarás, em que praia descansarás,
Se não há mar, não há barco, não há barqueiro?
*
Se não há lugar, se não há hora, se não há meios,
Como acharás a água capaz de saciar tua sede?
Sê forte e volta-te para o interior de ti mesma:
Lá encontrarás chão firme, lá construirás tua sede.
*
Kabir diz: Põe toda imaginação de lado,
E permanece impassível naquilo
que és."
Poemas de Kabir

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