20 de junho de 2012

Sobre as limitações - Gangaji


"Queria esclarecer sobre as limitações da linguagem.Porque isso pode ser uma grande armadilha.
Linguagem é algo muito poderoso que nós seres humanos possuímos; belíssimo poder, maravilhoso poder, pura linguagem. Quando começamos a falar, o fundamental ainda permanece distante, porque a compreensão depende daquele que escuta.
Quando falamos em realização, iluminação, temos a impressão de que seja algo muito difícil; Nós compreendemos desta maneira simplesmente pela maneira que compreendemos a linguagem, que sempre nos coloca alguma coisa em separado de outra.
Isso é a base das divisões entre nós, a linguagem, a mente que sempre aponta diferenças, distancias, separações.
Essa separação externa repercute na compreensão de uma separação interna.
Mas na verdade estamos todos juntos, sempre, isso é somente os artifícios da linguagem.

Eu nem lhes digo façam alguma coisa nem que não façam alguma coisa. Nem um nem outro é certo ou errado. Não existe algo versus algo; Paz não é algo versus algo.
Paz é inclusiva. Mesmo a palavra inclusiva é pequena para defini-la.

Me perguntaram: O que são os ensinamentos não-duais? O que posso dizer é que não dualidade é TOTALIDADE, está incluído toda dualidade; Não está se criando oposição entre dualidade e não- dualidade. É assim que nossa mente funciona, criando rivalidades; escolhendo alguma coisa em detrimento de outra, uma coisa melhor que a outra, uma mais alta que a outra.
Quando nós deixamos isso para trás, apenas pela pura investigação, simplesmente por estarmos acostumados a usá-los, nós deixamos esses termos para trás - apesar deles não estarem errados - podemos ir além deles, numa visão mais ampla, includente, livre dessas terminologias, embora nós conversemos, podemos relativizar esses termos, podemos ir além dessas diferenças. Sair desses conceitos de que dualidade é isso, não-dualidade é aquilo, apenas esqueçamos disso por um momento, isso ainda é uma batalha da mente.

A mente aberta não se fixa. Toda essa busca, do que devo fazer, aonde devo chegar, aquilo que quero alcançar, deve ser esquecido, abandonado.
Aquilo que é basta. Não existe nada a alcançar, nem erros nem acertos, precisamos encontrar aquilo que É. Neste momento veremos que não excluímos nada, nem colocamos peso em nada, é apenas uma experimentação.

É maravilhoso saber "coisas", maravilhoso saber de muitas coisas, é parte como disse, da natureza humana, mas aquilo que investigamos aqui é aquilo que está livre de saber as "coisas", aquilo que é intocável por qualquer conhecimento, aquilo que é independente daquilo que chamamos "conhecimento", não separado deste, mas independente, livre.

Não importa o que sabemos ou não sabemos, isto, permanece em paz.
Quando dizemos que conhecemos nossas limitações, de variadas maneiras, estamos caindo novamente na fixação das limitações superficiais e nos afastando daquilo que está além disso e
que permanece ilimitado.

Um dos meus professores dizia: Pare de adiar, você já é realizada, iluminada; a mente é especialista em criar adiamentos. Preciso lidar com minha raiva, preciso lidar com minha insegurança, ainda preciso parar de me odiar. Pare com isso, simplesmente pare de se odiar; veja as histórias de auto-ódio, veja quanto você se alimenta dessas histórias antigas e sinta que se você parar de contar essas histórias para você mesmo imediatamente você está livre, solto e o ódio se transforma instantaneamente em amor, em paz, porque sempre foram seus próprios pensamentos que criaram a guerra dentro de você; todos esses dramas de auto-ódio ou de não se odiar mais, tudo isso ainda é uma peça teatral que você insiste em contar para si mesmo. Feche essas cortinas dramáticas e isso é paz.

Existem muitas memórias, muitas histórias humana que são horríveis, e nós sabemos disso, claro que sabemos. Rivalidades acontecem sempre, ontem, hoje e muito provavelmente no futuro também. Não sugiro que você negligencie isso,sugiro que você esteja bem consciente sobre isso; não se trata de um processo de negação. Existem essas mesmas rivalidades dentro de cada um de nós.
Na experiência direta existe uma revelação que nem possui um nome, já que é tão próxima para se ter um nome. É o que se chama de Verdade, ou Liberdade, ou Paz que está além da compreensão. Paz é mais próxima do que a compreensão, não é fora do alcance, é a mente que tem o poder em se afastar disso.

Neste momento simplesmente sente-se e reconheça que tudo está aí, acontecendo, não existe nada errado, temos a oportunidade de parar com essa discussão interna, seja ela sobre nós, o outro ou sobre outra coisa qualquer, passado, futuro.
Discussões mentais são sobre alguma coisa passada ou futura; Vejam que essas discussões não estão erradas também, são capacidades humanas em planejar, idealizar, analises de probabilidades; do mesmo modo aprender com o passado, aprender com seus enganos, mas isso não nos impede de cometermos os mesmos enganos, porque ainda existe alguma coisas que precisa ser realizado, nem mesmo é uma coisa ou nenhuma coisa, é indefinível, não é algo é você.

Você é indefinível.
Se estiver disposto a se render por um momento, deixar de lado toda e qualquer definição sobre si mesmo - boas ou ruins - apenas se renda, abandone todas definições subjetivas, de que algo necessita ser mudado, apenas se renda, abandone todas as definições, você descobre
diretamente as mentiras por trás dessas "necessidades".

Você é sempre indefinível.
O Um é indefinível.
Quem somos nós, é indefinível.E isto não está em oposição a definição.É anterior a qualquer definição, dentro disto.
Quem você é, é sempre aqui."

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