31 de janeiro de 2012

Zen na Prática Diária - Parte 2


Aqui estão as bases da prática do Zen. Um guia simples, objetivo para que você possa praticar o Zen na sua vida diária.
Por Tai Sheridan em Buddha in Blue Jeans

4- Dê a dimensão correta aos seus pensamentos.

Pensamentos são apenas isto: PENSAMENTOS...eles não são a sua vida! Eles são energia em fluxo, são apenas nuvens passando no vasto céu da sua mente. Quando se dá atenção a algum pensamento ele cresce, se não se dá atenção apenas o observe e deixe-o passar, já se foi.
Alguns pensamentos são claros. Alguns são opacos, distorcidos. Mas mesmo assim, são apenas pensamentos.
A mente é o espaço onde tudo acontece. Onde os pensamentos passam, as emoções passam.
Os pensamentos podem se tornar uma prisão, caso haja identificação com eles, ou seja, o tomemos por realidade.
Lembre-se que não controlamos aquilo que pensamos, apenas observamos os pensamentos passarem. Desfrute isso.
Vê-los indo e vindo lhe permite sair para brincar no universo.
Por favor não brigue nem alimente os pensamentos, apenas desfrute dos pensamentos que vem e vão!
** Você vai aprender isto, sentado calmamente.

5- A dor é natural.

A dor é parte natural da vida. Aprenda a aceitá-la.
Aprenda a lidar com a dor da melhor maneira possível.
Diminuindo a queixa, a reclamação. Diminuindo o egocentrismo em torno dela.
Todos sentem dor.
Respirar e relaxar lhe dá uma nova perspectiva da dor.
Por favor, aceite que a dor é natural!
** Você vai aprender isto, sentado calmamente.

6- Seja você mesmo.

Não desperdice sua vida tentando ser outra pessoa.
Não desperdice sua vida tentando viver de acordo com as expectativas de desempenho.
Não desperdice sua vida imitando os outros.
Não desperdice sua vida vivendo expectativas de outras pessoas.
Não desperdice sua vida com inveja de outras pessoas.
Seja autêntico!
Seja genuíno. Seja real. Seja você mesmo.
Você ganhou na loteria, você nasceu.
Você ganhou na loteria, você é você.
Você já é um Buda de Blue Jeans agora mesmo! Desfrute de ser quem você é! Ame-se!
** Você vai aprender isto, sentado calmamente.

7- Vivendo cada momento.

Agora é tudo que você possui.
Passado é memória, futuro é sonho. O Agora é real.
Mantenha-se centrado no presente. Conecte-se com seu corpo agora, a respiração é a ponte.
Sempre que se afastar do agora, inspire conscientemente, você estará conectado com o agora.
No agora você está conectado com a terra; conectado com as pessoas a sua volta; conectado com tudo que acontecer a sua frente.
Desfrute de viver bem cada momento!
** Você vai aprender isto, sentado calmamente.

8- Amando indiscriminadamente.

Este é o Grande Amor.
O objeto do seu amor não importa. Você É Amor!
Amar as coisas bonitas, e as também chamadas coisas feias;
Amar as coisas que são familiares e as que não são.
Amar as pessoas que você gosta e também as que você não gosta.
O oceano do amor flui em todos os lugares.
Tudo no universo é Você. Amar tudo é amar a si mesmo. Amar a si mesmo é amar tudo.
Não existem divisões no universo do amor.
Desfrute do amor indiscriminado!
** Você vai aprender isto, sentado calmamente.
[continua...]

30 de janeiro de 2012

Zen na Prática Diária - Parte 1


Aqui estão as bases da prática do Zen. Um guia simples, objetivo para que você possa praticar o Zen na sua vida diária.
Por Tai Sheridan em Buddha in Blue Jean

1- Sentar Calmamente.

Esta é a prática mais importante do Zen. É a sala de aula para se viver uma vida sábia e gentil.
Sente-se em qualquer lugar e permaneça quieto. Em uma almofada, na cama, em um banco, pode ser em um ambiente interno ou externo, pode ser embaixo de uma árvore, na beira de um lago ou do mar, em um jardim, no avião, ou no seu escritório, ou mesmo no chão ou no seu carro. Pode ser em almofadas para meditação também.
Sente-se em qualquer hora: manhã, noite, um minuto ou três anos.
Vista o que se sentir bem. Perca seu tempo ali, procure não apertar sua barriga, para que sua respiração possa fluir solta.
Sente-se o mais relaxado possível. Relaxe os músculos quando começar e durante o período que permanecer sentado.
Procure sentar com as costas retas e a cabeça repousada sobre o pescoço.
Respeite as suas condições físicas, tome apenas a postura que possa se sentir bem. Todas as posturas são boas. Faça o que possa, sem esforço.
Mantenha seus olhos abertos, e um pouco fora do foco. Se fechá-los você ficará sonolento e pode te manter ocupado.
Respire naturalmente pelo nariz. Desfrute a respiração. Observe como você respira. Transforme-se na sua respiração.
Procure ser como um gato ronronando. Fluindo com sua respiração como as ondas do mar, sempre indo e vindo.
Quando se distrair volte a mais primitiva e básica experiência da vida - sua respiração.
É isto. Nenhuma crença. Nenhum programa, nem regras. Nenhum dogma. Não precisa ser budista. Você pode ter qualquer crença, fé, religião, raça, nacionalidade,sexo, estado civil ou qualquer capacidade.
Apenas sente-se calmamente, conecte-se com sua respiração e observe o que acontece. Você aprenderá certas coisas.
Faça isso quando quiser. Você decide quando for suficiente para você. Se você praticar, depois de um tempo este estado alcançará o seu profundo, se tornará parte da sua vida.
Desfrute o prazer de se sentar sem silencio.
**A única maneira de se aprender é praticando.


2- Cuidados com o Corpo.

Seu corpo é sua vida. Por favor tome cuidado com ele.
Viva seu corpo. Seja gentil dentro dele. Torne-se o melhor amigo dele.
Procure não ferir seu corpo. Você ficará surpreso com as formas pelas quais você ainda não está completamente conectado ao seu corpo. Esta é uma aprendizagem para o resto da vida.
Dormir bem e bastante.
Comer bem e não muito. Mover-se e alongar-se o suficiente. Aceitar-se e cuidar de você, apesar de todas as dificuldades médicas que possam existir.
Você saberá o que seu corpo necessita para permanecer saudável e cheio de vida.
Por favor desfrute de cuidar do seu corpo.
** Você aprenderá isto sentando-se em silencio.

3- Aceitando suas Emoções.

Seus sentimentos, emoções são a maneira que seu coração responde ao mundo.
Tudo o que você sente está bem. Sentimentos podem ser difíceis de aceitar. Aceite seus sentimentos. Ás vezes você pode confiar neles como respostas honestas para pessoas e eventos. Ás vezes são reações, a pessoas e eventos. Mantenha consciência disso.
Seus sentimentos lhe dirão o que você realmente precisa. Aprenda a ser gentil com as necessidades não satisfeitas.
Gentilmente pergunte-se o que você precisa. Respeite os direitos dos outros também. Desista de ser egóico, e tomar o mundo por você mesmo, o máximo possível.
Desfrute das suas emoções e sentimentos!
** Você irá aprender isto sentando-se em silêncio.
[continua...]

29 de janeiro de 2012

Sobre o arrependimento...


Dizer que nunca nos arrependemos de alguma palavra ou gesto, é mentir para si mesmo, não é?
Nossas vidas vão sendo lapidadas de acordo com as polaridades de luz e sombra, de inconsciência e de consciência...
Vamos pouco a pouco nos conhecendo melhor e conhecendo aquilo que nos cerca sempre através da experiência, através da vivência. Não tem como ser diferente.

O arrependimento quando acontece, pode ser visto basicamente de duas maneiras: Podemos olhar para ele como oportunidade de crescimento e de irmos mais fundo na nossa auto-descoberta, auto-realização; ou pode ser visto como peso ou como culpa. Um é o movimento em direção ao aberto, ao transcendente, ao amplo; outro é o movimento em direção ao fechado, contração, isolamento. Um é o sim! O outro é o não.

Quando falamos de "erro", seja ele qual for, é interessante ressaltar que é apenas um processo, dentro da totalidade da existência. Somos agentes por onde cada processo acontece, e isto nos dá a oportunidade de investigar, de aprender com aquilo e prosseguir, ir em frente...
Não existem "erros" para a existência. Quando classificamos de "erro" trata-se de um pensamento, um conceito apenas. Não é fixo, é algo ligado a mente julgadora, classificando algo como impróprio ou inadequado, apenas isto.
Por isso é comum, aqueles que vivem muito na mente, nos conceitos periféricos se sentirem mais culpados, mais errados, mais desajustados do que aqueles que vivem mais na profundidade do coração, na luz da consciência.

O centro nosso é luminoso, é vivo, é sempre presente. E isto faz com que estejamos sempre em contato com o instante e tudo que o instante nos pede. Dançamos e somos autênticos, já que a essência é a verdade. Viver na essência não dá margem a "erros". Se somos nós mesmos, ativos, e expressamos a individualidade viva em nós, onde está o "erro"?
Mas se somos reativos, inconscientes, estamos na periferia de nós mesmos, perdemos o contato com o instante e nos projetamos para memórias passadas, ou sonhos e idealizações...aí sim o "erro" é passível de acontecer, já que não estávamos realmente presentes, e assim perdemos muito em sensibilidade. Ficamos periféricos e isso faz com que fiquemos pouco profundos, perdemos o contato com o que acontece e com aqueles que estão ali no momento.
Isso dá margem a se dizer coisas sem consciência, a fazer coisas sem consciência...e quando a consciência retorna, isto é, nos centramos novamente, voltamos ao coração, nos damos conta do que aconteceu, e isto gera o remorso, a culpa, o arrependimento...

Vejam que o mecanismo é basicamente o mesmo, sempre.
Isto acontece para que não percamos a consciência do instante, esta é a principal lição que podemos tirar. Estarmos mais e mais presentes, nas menores coisas, nos menores detalhes, sentimentos, percepções, abre também as portas da intuição que começa a se manifestar sutilmente e vamos aos poucos descobrindo um universo infinito de sabedoria e amor que sempre esteve aqui em nós...no nosso profundo...

Esta universo subjetivo reconhece o momento, pois é momento também. Vive o presente, desfruta do momento e é muito sábio naquilo que diz e faz. É muito raro que fira alguém, magoe, ou que seja inconveniente. Manifesta uma sabedoria tão clara que não cabe arrependimentos. E mesmo assim, caso aconteça está prontamente disposto a se desculpar, a esclarecer e a agir com amor e beleza para restaurar a luz que possa ter sido ofuscada.

Qualquer arrependimento nos aponta a interioridade, a subjetividade. Nos aponta a verdade em nós.Se vivemos na verdade, somos tão claros, simples e transparentes que não tem como a luz não refletir.
Quando vivemos a verdade a única manifestação é amor...tão vasto que só faz despertar a verdade e o amor por onde passa...sem nenhum arrependimento disso!
Amor
Lilian

28 de janeiro de 2012

Verdade e Subjetividade...


"Amado Osho, conheço este sentimento delicioso que se apodera de mim quando fecho os olhos e permaneço em silencio por dentro, mas o que tem a ver este sentimento com a verdade?

Esta é a Verdade!
A Verdade não é um objeto que se encontrará em algum lugar quando se está em silencio.
A Verdade é sua subjetividade.

Simplesmente tente entender isso: Você está presente, e todo o mundo está presente. Qualquer coisa que veja, será um objeto, mas quem vê é o sujeito.
No silencio todos os objetos desaparecem; lembre-se que a palavra "objeto" é a mesma palavra que "objeção". Objeto significa aquele que te impede.

Portanto, todos os impedimentos, todos os objetos, todas as objeções desaparecem, tens toda a infinitude e só resta o silencio. Está pleno de consciência, está pleno de presença, do teu Ser.
Mas não encontrará nada que seja a verdade, porque se fosse assim, ela seria um objeto. E a Verdade nunca é um objeto.

Verdade é subjetividade.

Descobrir a sua subjetividade, sem impedimento nem objeção de nenhum tipo, em sua infinitude e eternidade totais, é a Verdade.
A "verdade" só é uma forma de falar; não há algo que tenha essa etiqueta de "verdade", que um dia encontrarás, abrirá a caixa e verá o conteúdo e dirá: " Genial! Encontrei a verdade!". Não existe isso.

Tua existência é a Verdade, e quando estás em silencio estás na Verdade.
E se o silencio é absoluto, então estás na Verdade última.
Mas não pense na Verdade como um objeto, não é um objeto.
Não está lá, está aqui!"
Osho em Além da Psicologia 2

27 de janeiro de 2012

Além dos sentidos, o Ser...


"Tem algo que eu gostaria de deixar extremamente claro, vejamos se você me acompanha. Não importa se você está pensando a respeito do passado ou do futuro: você está aqui e agora, não tem a menor chance de estar em algum outro lugar.

O mal-entendido está na ideia de que quando você pensa no passado, vai para o passado – mas a verdade é que você não vai a lugar nenhum. Você só pensa que vai, mas não vai. Tudo acontece aqui e agora. Todos os pensamentos, todos os sentimentos, tudo, absolutamente tudo acontece aqui e agora. Não importa o que você faça, você não consegue sair do aqui e agora.

Pense que você está em Nova Iorque e veja o que acontece. A mente entra num passeio de imagens em ação – imaginação – e você permanece como observador deste acontecimento.
Veja! Experimente isso.
Pense em qualquer coisa e veja se você vai a algum lugar.

Não se preocupe com o que a mente quer fazer com isso – apenas tente compreender. Os conceitos trazidos e elaborados em Satsang visam o esclarecimento. Aqui, a mente deve ser sua amiga – há algo a ser compreendido e é somente ela que precisa de luz.
O Ser já é luz, não há nada que ele precise saber, Ele é o mais profundo Saber, Ele é o Saber inerente.
É a mente que precisa avaliar certos conceitos, clareá-los e compreendê-los de forma correta.

A “forma correta” pede que você olhe para dentro e isso não passa pelos sentidos.
A completude não pode ser percebida com os sentidos, com os sentidos você só percebe fragmentos.
O “aqui” não tem tamanho, o “agora” é infinito, já os sentidos estão sempre surgindo e desaparecendo, indo e vindo.

Portanto, de uma vez por todas, compreenda: você não pode compreender o Ser através dos sentidos. Esteja ciente disso e, ao invés de comprometer-se com o perecível, entregue-se à magnitude daquilo que não tem começo nem fim."

26 de janeiro de 2012

Amante do Universo...


"Torne-se um amante.
Não de uma pessoa em particular, mas um amante em geral.
Deixe o amor se tornar sua qualidade, não apenas um relacionamento com uma pessoa, pois sempre que o amor se torna um relacionamento ele inclui um ser e exclui todo o Universo.

Essa troca - incluir alguém e excluir o Universo - é bastante perigosa, visto que todo o Universo pertence a você e você a ele.

O Universo inteiro jorra amor em você, e não responder a isso é um gesto de ingratidão.
Portanto, ame o sol, a lua, as estrelas, as árvores, os rios, as montanhas, as pessoas, os animais...

Simplesmente seja um amante de deixe que o Todo seja seu amado!
É exatamente isso que faz uma pessoa ser religiosa.


Quando seu amor se espalhar por todo o espaço,
quando não conhece fronteiras,
quando nada o confina,
quando ele é ilimitado,
quando não se concentra mais em nenhum objeto,
mas é apenas um estado de Ser,
aí o amor é uma ORAÇÃO,
aí o amor é MEDITAÇÃO,
aí o amor é LIBERTAÇÃO."
Osho em Come and Follow Me 2

25 de janeiro de 2012

Ramana responde...


"Ramana Maharshi foi considerado por muitos um dos maiores sábios do nosso tempo. Viveu na Índia, de 1879 a 1950, e nele se notava total ausência de distinção entre homens e mulheres, entre castas, credos, raças e religiões, entre um príncipe e um lavrador, e entre um asceta e um pai de família. Seu sentido de igualdade ia além dos seres humanos e abrangia animais e plantas. Ele acreditava que cada criatura, desde o homem até o menor dos insetos, é manifestação do Ser Supremo, do Único Imperecível.

Ramana Maharshi nada queria de ninguém. Estava inteiramente satisfeito com a plenitude do Ser Supremo. De seu espírito emanava silenciosa onda magnética capaz de estimular grandes transformações e importantes descobertas interiores nos demais. Permanecia em silêncio a maior parte do tempo. Mas, às vezes, ao responder às perguntas dos visitantes, demonstrava também em palavras, sua sabedoria:

Que significa renúncia?
Ramana: Deixar o ego.


Qual a melhor postura do corpo para o exercício espiritual?
Ramana: Qualquer uma. Contudo, a postura para o Caminho é imaterial. Postura realmente significa firmeza, estabilidade, imperturbabilidade, posição característica do Ser. Essa é a postura. Encontre o Ser, permaneça n'Ele, e não dê importância a posturas.


Não consigo chegar bastante fundo dentro de mim.
Ramana: É errado dizer isso. Onde você está agora, senão no Ser? Aonde você quer ir? Tudo o que de fato é necessário é crer firmemente que você é o Ser.


Como o Senhor pode dizer estar o coração do lado direito, enquanto os anatomistas afirmam estar ele do lado esquerdo do peito?
Ramana: Que o coração físico esteja do lado esquerdo, é indiscutível. Porém, o coração de que falo fica do lado direito. É a minha experiência. O cosmos inteiros está ligado a um pontinho no coração.


Como pode o Todo Imanente, Deus, residir no coração?
Ramana: O coração não é um lugar. Olhe para dentro. O coração não é físico. É o ponto central de onde surgem todas as coisas.
No coração podemos encontrar nosso laço indestrutível com o universo cósmico. E, uma vez que sentimos nele esse universo como presença viva, nossa consciência se eleva muito acima do egoísmo. Advém-nos uma satisfação interna que é completa em si mesma e que nada tem a ver com as circunstâncias externas da vida.
Quanto mais interiorizamos a atenção, mais nos deixamos atrair e guiar por essa imensa e misteriosa presença espiritual que reside no coração."
Ramana Mahashi em Talks with Ramana Maharshi

24 de janeiro de 2012

A Unicidade do Amor...


O Amor é a verdadeira nudez
Nudez de uma Alma que entrega as vestes
Se vira do avesso
Sem nenhum motivo sorri
Abraça
Se transforma em beijo
E mais e mais se dá...

O Amor de tão encantado
Faz a Alma abandonar as defesas
Despojar as armaduras
Perder os caminhos
Permitir se encontrar...

O Amor é único e absoluto
Na vastidão silenciosa do ato de Amar...

Nem mesmo as nuvens o encobrem,
Nem qualquer gota de orvalho cintilante,
Pode ofuscar o brilho desse precioso diamante.

A unicidade do Amor se traduz
Naquele brilho do olhar
Que se torna cúmplice do mundo,
E na beleza silenciosa do oceano da consciência,
Se acomoda...
Mas a Alma continua silenciosamente a dizer:
Amor...
Sou total e absolutamente,
Amor...

23 de janeiro de 2012

O Vazio e a Totalidade...


"Gautama Buda disse: " Não existe um eu. És um vazio, completo silencio, um não-ser"

Sua mensagem encontrou uma forte oposição em todas as tradições porque todas dependiam de uma ou de outra forma da ideia de um "eu". Podem ter diferenças a respeito de um ou de outro ponto, mas havia um ponto em que todas estavam de acorde; e esse ponto era a existência de um "eu". (...)
Buda não faz nenhuma diferença entre o eu e o ego; e não tem mesmo. Fazer alguma distinção só é sofisticado, ginástica linguística;(...) Mas o eu é simplesmente outro nome para o ego. Só está mudando de nome, não está acontecendo nenhuma transformação no ser.

A mensagem de Buda é tremendamente significativa: és um vazio; não há nenhum ponto nele em que possas dizer: "eu".
Se olha desta visão, quando digo: " Dissolvam-se na existência", simplesmente estou dizendo o mesmo com termos mais positivos. Buda dizia de tal forma que muita gente parava, porque naturalmente surgia a seguinte pergunte: " Se não há um eu, porque preocupar-se? O que é necessário alcançar? Se se trata somente se saber que não se é.
Toda uma vida de disciplina, um grande esforço de meditação, e o resultado é que não és? Esse resultado não vale a pena! Ao menos sem meditação, sem disciplina tens a sensação de ser. Pode estar equivocada, mas ao menos não te sentes oco, vazio. Como vai viver sabendo que não és.
Do nada não pode vir o amor, a compaixão, não há possibilidade de nenhuma coisa. Do nada só provém o nada.
Por isso, os oponentes de Buda, descrevem seu método como um tipo de suicídio espiritual; muito mais perigoso que o suicídio comum, porque no suicídio comum você sobreviverá, tomará uma nova forma, um novo nascimento. Mas com Buda, cometerás o suicídio total, a aniquilação. Já não sobrará nada de ti, e nunca mais voltará a se ouvir falar de ti, nunca mais voltará a te encontrar.

Em primeiro lugar, você nunca foi.
O budismo morreu na Índia e uma das principais razões foi a formulação que Buda fez da sua filosofia. Posso entender porque insistia tanto nas negações, porque todas as demais filosofias eram positivas e seu positivo fortalecia os egos cada vez mais. Vendo que o positivismo vai te dando idéias egoístas e que são um obstáculo entre você e a existência; Buda então foi ao outro extremo; Para impedir isto, se foi ao outro extremo. Para impedir esta possibilidade, se fez completamente negativo.
Não pode se queixar dele, porque as ideologias positivistas te colocam em uma situação estranha: tens que deixar o ego para encontrar a Deus, tens que deixar o ego para converter-se em Deus, tens que deixar o ego para a libertação última; Libertação de quem? A libertação de ti mesmo.
Portanto, se tratava de alcançar algo e as realizações sempre são do ego. Existe um objetivo e o objetivo sempre é do ego. Vendo isto, Buda disse: "Não existe o eu. Não existe nada ao alcançar e não há objetivo a se conseguir. Nunca existiu, não existe e não existirá; Só podes imaginar, só pode sonhar que és". (...)

Muitos vieram até Buda e foram embora, porque não podiam fazer do nada o objetivo da sua vida, para que? Tanta disciplina e tantos problemas para entrar em meditação só para descobrir que não és...um tipo estranho este Gautama Buda. Somos bons tal como somos, para que cavar tão fundo para descobrir que não há nada? Mesmo que estejamos sonhando, ao menos existe algo.
Minha aproximação é a mesma, mas por um angulo diferente. Eu os digo que não tens um eu, porque são parte do Universo. Não são nada. Só o Universo pode ter um eu, só o Universo pode ter um centro, só o Universo pode ter uma alma. Minha mão não pode ter uma alma, meus dedos não podem ter uma alma; só a unidade orgânica pode ter uma alma. E nós só somos partes. Somos, mas só somos partes. por isso não podemos pretender ter um eu.

Por isso Buda tinha razão - não existe um eu - mas assim não ajudava as pessoas, porque não podiam decifrar as implicações desta afirmação.
Eu os digo: Não tens um eu, porque são parte de um grande eu, e da totalidade; Não podem ter um eu próprio e separado. Isto afasta a negatividade e não te dá o desejo de ser cada vez mais egoísta. Assim, se evitam ambos extremos e se encontra uma nova aproximação: O Universo é, e eu não sou. Qualquer coisa que se passe e se pareça estar em mim, ser eu, no fundo é universal.

Chama-la de eu, é fazê-la demasiado pequena. Isto é que a torna falsa; não corresponde a realidade. Chama-se de "eu" a torna irreal, porque o eu só é possível si és totalmente independente; e você não é. Não és independente nem durante uma só respiração. Não és independente nem por um momento do sol, da lua, das estrelas. A totalidade está contribuindo a todo momento. Por isso você existe!
Reconhecer isto não é uma perda, é um ganho; e sem dúvida não é uma ganancia egoísta. Se podes ver o sutil que és... é uma tremenda realização entender que és parte da totalidade, que a totalidade te pertence e você a ela. E sem dúvida, apesar de tudo não há nenhum rastro de um "eu"!
Esta é uma das compreensões mais belas, que não estamos separados; não estamos separados das montanhas, nem das árvores, nem do oceano, nem de nada. Todos estamos conectados, entrelaçados em uma unidade. Em relação a estes aspectos, há um completo silencio e vacuidade. Mas esta vacuidade não está vazia. Podemos esvaziar esta casa, podemos tirar todos os móveis, tudo que há na casa, e qualquer um que entre dirá: A casa está vazia. Isto é uma forma de ver, mas não é a forma correta.
A forma correta é ver que agora a casa está plena de vacuidade. Antes existiam impedimentos à vacuidade, estava cortada em pedaços porque havia tantos móveis e tantas coisas que não permitiam ser una; agora é una. A vacuidade também é. É existencial; isto não significa que não seja.

Alguém vazio de ciúmes, está pleno de amor; alguém vazio de estupidez está pleno de inteligência; Cada vacuidade tem sua própria plenitude; e se não chegas a ver a plenitude que vem com a vacuidade de maneira certa e absoluta, então estás cego.

Não existe um eu.
E isto é um grande alívio.
Não tens que amá-lo, não tens que detestá-lo, não tens que aceitá-lo, nem rechaçá-lo; não tens que fazer nada, simplesmente não está ali. Pode relaxar e nesse relaxamento reside o fundir-se no Universo.
Então o nada se converte na Totalidade. (...)
Osho, em Além da Psicologia 2

22 de janeiro de 2012

Sobre o Descontentamento - Krishnamurti



"Acho que é importante compreender-se o problema do descontentamento. Talvez encontremos a solução correta de nossos enormes problemas se pudermos investigar o significado profundo do descontentamento. Quase todos nós estamos insatisfeitos com nós mesmos, nosso ambiente, nossas idéias, nossas relações. Desejamos efetuar uma modificação.

Há descontentamento geral, do simples aldeão ao homem mais letrado - se não está subordinado ao seu poder, se não é escravo da sua ciência. Alastra-se por toda a parte uma insatisfação que nos leva a executar toda sorte de ações, e queremos encontrar um caminho que nos conduza à satisfação. Se estais insatisfeito, desejais encontrar um caminho para a felicidade. Se estais batalhando dentro em vós mesmo, aspirais a encontrar o caminho da paz. Estando insatisfeito, descontente, desejais uma solução que seja satisfatória. Por conseguinte, a mente está sempre a tatear, sempre a sondar, em busca da Verdade - em busca da solução para o seu descontentamento. Uns encontram a solução na satisfação própria, num alvo, num objetivo na vida, por eles estabelecido; e tendo descoberto um meio por onde encaminhar o seu desejo, pensam ter encontrado o contentamento.

O contentamento pode ser encontrado? A paz é uma coisa que possa ser achada pelo processo do intelecto? A felicidade é coisa adquirível pela compreensão ou pela criação do seu oposto? Esse sofrimento, esse descontentamento é essencial em nossa vida? O fato é que estamos descontentes com o que é, descontentes com as coisas que temos, descontentes com o que somos; e o descontentamento surge por causa da comparação. Estou descontente porque vejo que sois ilustrado, rico, feliz, poderoso. É essa a causa do descontentamento? Ou vem à existência o descontentamento quando estou em busca de um caminho por onde possa afastar-me do que é? Se eu puder compreender o caminho do descontentamento, talvez possa haver felicidade, talvez possa haver satisfação. Não há caminho para a felicidade, para o contentamento. Aquele contentamento e aquela felicidade não constituem um processo de "estagnação". Pois, se me vejo descontente e desejo estar contente, esse caminho me conduz ao contentamento, que é estagnação; e isso é o que deseja a maioria de nós. Mas existe algum caminho?

Podemos investigar, podemos sondar a questão do descontentamento, sem procurarmos criar o seu oposto, sem querermos alcançar o seu oposto? Porque, afinal de contas, quando somos jovens, estamos descontentes com a sociedade, tal como está constituída. Queremos reformá-la, produzir uma modificação. Aderimos, assim, a uma sociedade, a um partido, um grupo político ou associação religiosa. E logo o nosso descontentamento se canaliza, e é refreado e destruído. Porque, nesse caso, estamos interessados tão-somente em pôr em prática um método, um sistema, para produzirmos um resultado e, em virtude disso, pomos fim ao nosso descontentamento. Este não é um dos nossos maiores problemas? Como nos satisfazemos facilmente!

O descontentamento não é essencial em nossa existência, relativamente a qualquer questão, qualquer indagação, no sondar, no descobrir o que é o Real, o que é a Verdade, o que é essencial na vida? Posso possuir em mim esse flamejante descontentamento durante o tempo de colégio; mais tarde, porém obtenho um emprego e lá se vai o descontentamento. Torno-me satisfeito, luto para manter minha família, para ganhar a vida, e, dessa maneira, o descontentamento se acalma, é destruído, e me transformo numa entidade medíocre, satisfeita com as coisas da vida, e não mais estou descontente. Entretanto, a chama tem de ser alimentada desde o princípio até o fim, para que haja verdadeira investigação, o verdadeiro sondar do problema relativo ao que é o descontentamento. Porque a mente busca muito prontamente um narcótico que a ponha satisfeita com suas virtudes, qualidades, idéias, ações, e estabelece uma rotina na qual se aprisiona. Estamos muito familiarizados com esse fato; o nosso problema, porém, não é o de como acalmar o descontentamento, mas de como mantê-lo em combustão, ativo, cheio de vitalidade. Todos os nossos livros religiosos, todos os nossos gurus, todos os nossos sistemas políticos pacificam a mente, aquietam-na, influem sobre ela para fazê-la arrefecer, pôr de parte o descontentamento e ficar chafurdando nalguma forma de satisfação. E não é essencial estar-se descontente, para se descobrir o que é verdadeiro?

Por que ficamos descontentes? - e o descontentamento produz revolução, modificação, transformação? E só é possível a revolução quando compreendemos a natureza do descontentamento? E com o que há descontentamento? Que coisa é essa com a qual estamos descontentes? Se puderdes investigar verdadeiramente esta questão, talvez vos seja possível achar uma solução. Com que estamos descontentes? Ora, com o que é. Esse "o que é" pode ser a ordem social, podem ser as relações, pode ser o que somos, a coisa que somos essencialmente isto é, o feio, os pensamentos inconstantes, as ambições, as frustrações e os temores sem conta; isso é o que somos. Pensamos que, afastando-nos disso, encontraremos uma solução para o nosso descontentamento. Por conseguinte, estamos sempre em busca de um método, um meio de modificar "o que é". É nisso que está interessada a nossa mente. Se me vejo descontente e desejo encontrar o método, o meio de chegar ao contentamento, fica o meu espírito ocupado com o meio, o método e a prática do método, a fim de alcançar o contentamento. Assim, pois, já não estamos interessados em manter vivas as brasas, em nutrir a flama que arde e que se chama descontentamento. Não descobrimos o que existe na base desse descontentamento. Interessa-nos, tão somente afastar-nos dessa chama, dessa ânsia ardente.

Não há dúvida de que estamos descontentes com "o que é". E é extraordinariamente difícil sondar "o que é" - a Realidade, e não "o que deveria ser", sondar aquilo que sou momento por momento. Esse indagar e sondar não visa ao "eu superior", mera fabricação da mentalidade, mas somente ao que é. Isso é dificílimo, porquanto a nossa mente nunca fica satisfeita, jamais fica contente quando examina o que é. Quer sempre transformaro que é noutra coisa, - o que indica o processo da condenação, da justificação ou da comparação. Se observardes a vossa própria mente, vereis que quando ela se vê frente a frente com o que é, logo o condena e compara com o que deveria ser; ou justifica-o, etc., e desse modo afasta de si o que é, desembaraçando-se dessa coisa que lhe causa perturbação, dor, ansiedade.

O descontentamento não é essencial? E não achais que não devemos deixá-lo consumir-se, mas sempre nutri-lo, investigá-lo, sondá-lo, de modo que, com a compreensão do que é, surja o contentamento? Este contentamento não é o contentamento produzido por um sistema de pensamento; é o contentamento que acompanha a compreensão do que é. Esse contentamento não é produto da mente - da mente que está sempre perturbada, agitada, que é incompleta, quando busca a paz, quando busca um caminho que a leve para longe do que é. E desse modo, o espírito, pela justificação, pela comparação, pelo julgamento, procura alterar o que é e espera assim alcançar um estado em que nunca será perturbado, em que estará calmo, no qual haverá tranqüilidade. E quando a mente se vê perturbada por causa das condições sociais - pobreza, miséria, degradação, angústias pavorosas - quando a mente percebe tudo isso e deseja alterá-lo, logo se prende e enreda no método de alterar, no sistema de alterar. Se o espírito, porém, é capaz de olhar o que é, sem comparação e sem julgamento, sem o desejo de transformá-lo noutra coisa, pode-se ver que surge uma espécie de contentamento não produzido pela mente.

O contentamento que é produto da mente é fuga. É estéril. É coisa morta. Mas há contentamento que não vem da mente, que surge com a compreensão do que é, e no qual se verifica uma revolução profunda, atingindo a sociedade e as relações individuais. O descontentamento, pois, não deve ser aplacado, posto de parte, narcotizado por algum sistema de pensamento. Ele é essencial. Cumpre mantê-lo vivo, ardente, para podermos investigar as coisas.

Achamo-nos em conflito uns com os outros e nosso mundo está sendo destruído. Há crise sobre crise, guerra após guerra; há fome, há angústias; há os que são excessivamente ricos, revestidos de respeitabilidade, e há os que são pobres. Para se resolverem esses problemas, o que é necessário não é um novo sistema de pensamento, não é uma nova revolução econômica, mas sim a compreensão do que é - o descontentamento, o constante investigar do que é - da qual resultará uma revolução de alcance infinitamente maior do que o da revolução de idéias. E essa revolução é que se faz sumamente necessária para a criação de uma civilização diferente, uma religião diferente, um diferente estado de relação entre os homens."
Krishnamurti em Autoconhecimento -Base da Sabedoria

21 de janeiro de 2012

Autenticidade e Verdade...


"Não estou dizendo que não é possível melhorar, apenas que você não pode melhorar a si mesmo. Quando você pára de melhorar a si mesmo, a vida lhe melhora. Nesse relaxamento, nessa aceitação, a vida começa a cuidar de você, a vida começa a fluir através de você.

Ninguém jamais foi como você e ninguém jamais será como você; você é simplesmente único, incomparável.

Aceite isso, ame isso, celebre isso – e nessa mesma celebração você começará a ver a
singularidade dos outros, a incomparável beleza dos outros.
Amor só é possível quando há uma profunda aceitação de si mesmo, do outro, do mundo.
Aceitação cria o ambiente no qual o amor cresce, é o solo no qual o amor floresce.

Ouvi contar: Um rei foi para seu jardim e encontrou plantas, arbustos e flores murchas, quase morrendo. O carvalho disse que estava morrendo pois ele não podia ser tão alto como o pinheiro. Virando-se para o pinheiro, percebeu que estava murcho porque este era incapaz de dar uvas como a parreira. E a parreira estava morrendo, pois ela não podia florescer como a roseira.

Mas encontrou o amor-perfeito florescendo e tão viçoso como jamais antes. Após inquirir, ele recebeu essa resposta: “Eu tinha como certo que quando você me plantou você queria um Amor-perfeito. Se houvesse desejado um carvalho, uma videira ou uma roseira, você as teria plantado. Assim eu pensei desde que você me colocou aqui, eu devia fazer o melhor para ser o que você deseja. Eu nada posso ser senão o que sou e estou tentando sê-lo no máximo da minha capacidade.”

Você está aqui porque essa existência precisa de você como você é.
Do contrário, outra pessoa estaria aqui! A existência não teria lhe ajudado a estar aqui, não o teria criado. Você está realizando algo muito essencial, algo muito fundamental, ao ser como é. Se Deus quisesse um Buda ele teria produzido tantos Budas quanto quisesse.

Produziu um único Buda – isso era suficiente, e ele ficou satisfeito com o desejo de seu coração, completamente satisfeito. Desde então ele não mais produziu outro Buddha ou outro Cristo. Ao invés disso ele lhe criou. Basta pensar no respeito que o universo lhe atribuiu! Você foi escolhido, não Buddha, não Cristo, não Krishna. Você será mais necessário, essa é a razão. Você se encaixa mais agora. O trabalho deles está feito, contribuiram com suas fragrâncias para a existência.

Agora você deve contribuir com sua própria fragrância. Contudo, os moralistas eles prosseguem lhe ensinando lições, querem deixar você maluco.
Eles dizem à rosa, “Torne-se um lótus.” E dizem ao lótus, ”O que você está fazendo aqui? Você deve tornar-se alguma outra coisa.” Eles levam o jardim inteiro à loucura, tudo começa a morrer – pois ninguém pode ser outra pessoa, isso não é possível.

Foi isso que aconteceu com a humanidade. Todos estão fingindo. Autenticidade se perdeu, verdade se perdeu,todos tentam ser outra pessoa. Basta olhar para si mesmo: você está fingindo ser outra pessoa. E só pode ser você mesmo – não existe outra maneira, nunca existiu, não há nenhuma possibilidade que você possa ser outra pessoa.
Você irá permanecer você mesmo. Você pode desfrutar disso e florescer, ou pode secar aos poucos caso condene aquilo que você é."
Osho em Tarô da Transformação

20 de janeiro de 2012

Como silenciar a mente...


Participante: Compreendo que você diz que devemos parar com nosso fala exterior, isso é fácil de fazemos, mas como devo parar com a minha fala interna?

Gangaji- Faça da mesma maneira. É a mesma fala.
Externo e interno são o mesmo. Fazemos segmentação, separação em diversas dimensões da nossa vida, mas as mesmas. A principal segmentação que fazemos é esta, interno e externo. É uma falsa distinção, uma falsa separação.

O que é externo é interno e o que é interno é externo.
Logo, quando a conversação começar em sua mente, você apenas para.
E quando ela disser: Não consigo parar! é como se alguém chegasse e dissesse a você: Não consigo parar de falar! E você apenas a cumprimentasse. (ela faz o gesto namaste ).
Você consegue ver? Neste momento?

Participante: Parece que funciona, quando olho para você, mas... (risos)

Gangaji: Não sou diferente de você. Tenho uma mente ativa como a de todo mundo; eu nunca sonhei com essa possibilidade de silenciar a mente até que meu mestre me disse que a mente parava, que ficava silenciosa.
Pensava que algo mágico precisava acontecer, descer algo milagroso em mim, ou que precisava me purificar em algum nível, ou me harmonizar com o planeta, de uma maneira específica, ou talvez acontecesse no futuro, em outra vida...mas tudo isso também fazia parte da conversa da mente (risos) é só parar agora, apenas isto, sem esforço algum...

19 de janeiro de 2012

Nada está oculto...


Certa vez, Huang Shan-ku perguntou ao mestre Hui-t'ang:
"Por favor, Mestre, diga-me qual é o significado oculto do Zen?"

O Mestre replicou:
"Confúcio certa vez disse: 'Pensais que estou escondendo coisas, ó meus discípulos? Na verdade, não escondo nada de vocês'. O Zen também não tem nada de oculto. A Verdade já está revelada."
"Não enten...!" estava dizendo o homem. Mas o mestre fez um gesto de silêncio e disse:
"Não digas nada!"

Huang Shan-ku ficou confuso.

O Mestre então ergueu-se e convidou-o a seguí-lo até o sopé de uma montanha.
Eles caminharam em silêncio. Lá chegando, o Mestre perguntou:
"Vês a beleza das flores da cerejeira?"
"Sentes o suave aroma dos ciprestes?"
"Sim," disse o outro.
"Como vês, também eu não escondo nada de ti."

18 de janeiro de 2012

O Agora é você!


Quanto tempo é necessário para se estar no agora?

Você acredita que se conhece simplesmente se olhando no espelho?
Engana-se.

Você se conhece no agora,
Tudo acontece no agora,
Tudo que acontece a sua volta é você
Não existe nada que seja fora de você..

Por mais que a sua mente teime em classificar e colocar os pontos, as vírgulas, e as linhas retas na realidade
Você é muito mais amplo que qualquer marcação, que qualquer acento.

São os pensamentos que aceitam o ponto e a vírgula
Os mesmos pensamentos podem ser uma exclamação ou uma interrogação, não importa
Mas aquele que pensa está além dos pensamentos
Aquele que reconhece e pontua os pensamentos não é um pensamento
Aquele que observa o ir e vir dos pensamentos permanece sempre agora
Sempre agora
Eterno agora e aqui
Absolutamente silencioso e pleno
Observando-se na tela da realidade que se apresenta diante de si.

Permaneça absolutamente sem julgamento nem críticas
Pois estaria julgando a si mesmo.

Não existem "problemas" para aqueles que vivem o Zen...

A lua brilha a noite, qual o problema
O oceano é salgado, qual o problema
As estações se sucedem, qual o problema...

A natureza nunca conheceu algo chamado problema
A natureza é você...
A natureza não conhece algo chamado tempo
A natureza é agora
O Agora é você...

17 de janeiro de 2012

Vivendo Zen...


"O absoluto sempre engloba a dor e o prazer. Não há nada de errado com a dor em si: nós apenas não gostamos dela.

Não existe algo chamado absoluto que seja maior do que o relativo. São os dois lados de uma mesma moeda.

O mundo fenomênico das pessoas, das árvores e dos tapetes e o mundo absoluto do puro nada incognoscível, da energia, são a mesma coisa.

Em vez de ir em busca de um ideal unilateral, precisamos nos curvar diante do absoluto no relativo, assim como do relativo no absoluto. Devemos honrar todas as coisas. (...)

A verdadeira prática é muito mais voltada para enxergarmos como nos ferimos e magoamos os outros com pensamentos e atos iludidos.
É enxergarmos de que maneira magoamos os outros , talvez por estarmos simplesmente tão perdidos em nossos próprios pensamentos que nem sequer conseguimos vê-los.

Não acho que de fato causemos danos aos outros; é só que não vemos muito bem o que estamos fazendo. Posso saber como está indo a prática de uma pessoa vendo se seu interesse pelos outros está aumentando, interesse que vai além do que meramente Eu quero, do que está Me ferindo, se como a vida é terrível , e assim por diante.

Esse é o sinal de uma prática que está avançando. A prática sempre é uma batalha entre aquilo que queremos e aquilo que a vida quer."
Charlotte Joko Beck em Nada especial vivendo Zen

16 de janeiro de 2012

Espaço interior...


"O espaço interior surge também sempre que deixamos de lado a necessidade de enfatizar nossa identificação com a forma. Isso é algo requerido pelo ego.
Não é uma carência genuína. Já abordei brevemente esse ponto.
Toda vez que abrimos mão de um padrão de comportamento que leva a isso, criamos espaço interior. Reforçamos quem somos nós de verdade.
Para o ego, é como se estivéssemos nos perdendo de nós mesmos, porém ocorre o oposto.

Jesus ensinou que precisamos nos perder para nos encontrar. Quando abordamos um desses padrões, atenuamos o destaque de quem somos no nível da forma. Assim, quem somos além da forma emerge de maneira mais plena. Como nos tornamos menos, podemos mais.

Vou mencionar alguns comportamentos que as pessoas adotam inconscientemente para fortalecer a sua identidade com a forma; Se você estiver alerta o bastante, será capaz de detectar alguns deles dentro de si mesmo.
Por exemplo: exigir reconhecimento por alguma coisa que fez e indignar-se ou aborrecer-se quando não o consegue; tentar obter atenção falando sobre os seus problemas pessoais, contando a história da própria doença ou fazendo uma cena; dar uma opinião quando ninguém a pede e ela não faz diferença para a situação; ser mais preocupado com o modo como é visto pelas pessoas do que com elas, isto é, usá-las como um reflexo do ego ou como um instrumento para relação com o ego; tentar causar impressão nos outros por meio de bens, conhecimento, boa aparência, posição social etc.; inflar temporariamente o ego adotando uma relação irada contra alguma coisa ou alguém; levar tudo para o lado pessoal e sentir-se ofendido; considerar-se certo e os outros errados, por meio de queixas fúteis, mentais ou verbais; querer ser visto ou parecer importante..

Caso você detecte um ou mais desses padrões em si mesmo, sugiro que faça uma experiência. Descubra como se sente e o que ocorre se o abandonar este padrão conscientemente.
Não julgue. Simplesmente descarte-o e veja o que acontece."
Eckhart Tolle em Um Novo Mundo: o despertar de uma nova consciência.

Vemos neste belo texto de Eckhart Tolle, como que ele nos chama atenção para os aspectos que reforçam o ego, aspectos que aparecem para que nos sintamos superiores ou inferiores aos outros, a vida a existência, nas mais diversas situações.

Para o ego (o falso eu) não é possível viver na igualdade sincera, verdadeira. Pois a igualdade significa justamente não-ego. A autoridade, a imposição, os aspectos de conduta competitivos, são aspectos que reforçam a ilusão da separação onde vive o ego;

O coração vive na igualdade, já transcendeu em muito essas tolas e fantasiosas diferenças. O coração reconhece a nossa simplicidade original, filial, reconhece a nossa unidade vital, cósmica e para ele tudo que significa "aparecer" tem no fundo uma grande ilusão embutida- a ilusão de que somos separados, que existe um eu e um você...

Neste texto fica claro que, enquanto a mente estiver no comando, ela estará fatalmente envolvida com as diferenças, com os julgamentos, as críticas as separações. E o que se desdobra daí é sofrimento, identificações, idealizações, tudo isso acontecendo bem longe do aqui-agora, bem longe do momento presente...que em verdade é tudo que temos, ou melhor é tudo que somos...

Osho usa uma imagem para o ego que gosto muito, que é a imagem simbólica da bicicleta. Para a bicicleta se manter andando, equilibrada é preciso que se pedale! Esse pedalar é o que o ego faz.
Fala dele o tempo todo; usa suas referências para impressionar ou para se impor aos outros; não consegue ser igual, ser simples, ser um "ninguém", pois aí ele perde toda a sua força e a bicicleta do ego, literalmente cai!

Só que, enquanto se mantém essa bicicleta pedalando, significa que se está perdendo de vista aquele espaço interior, aquela dimensão da paz, do silencio e da tranquilidade de onde toda beleza, todo amor e toda luz emerge...ou seja, estamos nos perdendo de vista , e perdendo de vista a maior de todas as graças... o absoluto ilimitado, a pura presença, aquele que é puro espaço...O Ser...
Amor
Lilian

15 de janeiro de 2012

Vida - Um único fenômeno


"Osho, em meus momentos de maior alegria, de maior silêncio sinto que estão acompanhados de uma sensação de expansão; Este impulso também está presente no impulso por unir-me a algo, a alguém que amo. De onde surge este desejo?

Este impulso não é algo que venha de fora. É um sentimento inato de unir-se a algo com o qual já foste unido uma vez; e com o que segue sendo unido, mesmo que não sejas consciente disto. Por isso, só é uma questão de consciência, de recordar.
Você nunca foi a nenhuma parte. Segues aqui; tua mente é a única que continua movendo-se a lugares distantes. Se a mente está em silêncio, de repente descobres o momento cristalino, aqui e agora, e o sentimento de unidade com o Todo.

SOMOS UM
Não podemos ser de outra forma.
Não há outro caminho.
A Vida é um único fenômeno, a existência não está dividida; mas a mente tem a capacidade de esquecer disso.
A mente tem a capacidade de sonhar com coisas distantes. Quando você dorme a noite em sua cama e começa a sonhar que está na lua. Quando acordar pela manhã, você se perguntará como voltou para a casa, porque estava na lua? Se acordas de repente, não estarás na lua, estarás na sua cama. Nunca estiveste na lua. Mesmo quando sonhava que estava na lua. não estava lá. A lua era um sonho, estar nela era um sonho; você estava na sua cama, em sua casa.

A mente é capaz de viajar a muitas distancias. Por isso, de vez em quando, quando não está distante, quando algo muito surpreendente a traz ao aqui e agora; um belo entardecer, uma pintura bonita, um baile..., qualquer coisa a pode atrair de volta. Se há algo verdadeiramente encantador que está ocorrendo aqui, você não pode vagar por aí; tem que voltar para casa. Por isso o momento de um entardecer, ou de escutar uma música..você sente uma unidade. E é tão plena tão satisfatória que você gostaria que persistisse cada momento, para sempre.

A brincadeira é que a unidade persiste a cada momento eternamente. Você é que vai daqui para ali, esquecendo-se da unidade mais uma vez.

Terá que voltar-se novamente.
Uma vez que tenha compreendido a situação básica, nada mais faz falta. Simplesmente feche seus olhos e sinta o aqui e agora, e de repente toda a existência abre suas portas.
Você sempre foi parte dela.
Você é parte dela.
Não pode ser de outra forma."
Osho em Além da Psicologia 2

13 de janeiro de 2012

Ensinamentos - Dalai Lama


Leve em consideração que grandes amores e grandes realizações envolvem grandes riscos.

Quando você perder, não deixe de tirar uma lição.

Siga os três "Rs": Respeito por si próprio, Respeito pelos outros, Responsabilidade por todas as suas ações.

Lembre-se que não conseguir o que você quer é algumas vezes um lance de sorte.

Aprenda as regras para que você saiba como infringi-las corretamente.

Não deixe uma pequena disputa ferir uma grande amizade.
Quando você perceber que cometeu um erro, tome providências imediatas para corrigi-lo.
Passe algum tempo sozinho todos os dias.

Abra seus braços para mudanças, mas não abra mão de seus valores.
Lembre-se que o silêncio às vezes é a melhor resposta.
Viva uma vida honrada. Então, quando você ficar mais velho e pensar no passado, você vai ser capaz de apreciá-la uma segunda vez.

Uma atmosfera de amor em sua casa é o fundamento para sua vida.
Em discordâncias com entes queridos, trate apenas da situação atual. Não fale do passado.
Compartilhe o seu conhecimento. É uma maneira de alcançar a imortalidade.

Seja gentil com a terra.
Uma vez por ano, vá a algum lugar onde nunca esteve antes.
Lembre-se que o melhor relacionamento é aquele em que o amor um pelo outro excede sua necessidade pelo outro.

Julgue seu sucesso pelo que você teve que renunciar para consegui-lo.
Aproxime-se do amor e cultive-o despreocupadamente.
Se você quer ver a si mesmo e o outro feliz, pratique a compaixão."
Dalai Lama em A Arte da Felicidade

11 de janeiro de 2012

Mente carismática...


"A mente simplesmente é um bio-computador. Quando a criança nasce não tem mente, não há memória nela. Este mecanismo demora pelo menos três ou quatro anos para começar a funcionar. (...) Este bio-computador necessita que lhe dê informações.(...) A mente reúne seus dados dos pais, da escola, dos outros filhos, dos parentes, sociedade e igrejas...existem fontes de alimentação em todas as partes. Primeiro as crianças começam a falar, repetem as mesmas palavras muitas vezes. Que alegria! Um novo mecanismo começou a funcionar neles.(...) Depois começam a fazer perguntas, e perguntam tudo. Observem que eles não estão interessados nas respostas.(...) Eles estão desfrutando o poder de perguntar. Uma nova capacidade surgiu neles.

E assim vão como que reunindo informações; depois começará a ler, e mais palavras. Nesta sociedade o silêncio não é produtivo; as palavras são produtivas e quanto mais claramente te expresse, mais te pagarão. (...)
Em nossa sociedade só se ensina a metade do processo: como usar a mente. Não nos ensina a desliga-la para que descanse, porque a mente continua funcionando inclusive quando estamos dormindo. A mente não conhece o sono. Trabalha continuamente durante setenta, oitenta anos.(...)
É possível colocar um interruptor na mente e apaga-la quando não é necessária. Isto te ajuda de duas formas: te dará uma paz, um silêncio que você não conheceu antes, e ficará familiarizado contigo mesmo, coisa que não é possível com a mente tagarela. Você sempre esteve preso a esta mente tagarela.
Em segundo lugar, também dará descanso a mente. E se podemos dar um descanso a mente, seremos capazes de fazer coisas mais eficazmente, mais inteligentemente.
Portanto, em ambos aspectos, seja pelo lado da mente, e pelo lado do Ser, você sairá beneficiado; simplesmente tens que aprender a acalmar o funcionamento mental e dizer a mente: " É suficiente por hora, agora vá descansar. Permaneço consciente além de você, não se preocupe". Use a mente quando seja necessária, e então estará fresca, jovem e plena de energia. Então o que diga não será algo seco e tedioso; estará pleno de vida, pleno de autoridade, pleno de verdade, de sinceridade e será tremendamente significativo. Poderá usar as mesmas palavras, mas a mente descansada acumulou tanta energia que pode incendiar cada palavra que usa e converte em poder.

O que o mundo conhece como carisma é simplesmente uma mente que sabe relaxar-se e reunir energia, de forma que quando diz sua poesia, quando expressa seu credo, quando fala, não necessita dar nenhuma prova, não necessita de lógica; sua própria energia é suficiente para tocar as pessoas. E as pessoas sempre sabem que existe algo ali...mas nunca foram capazes de detectar exatamente o que se chama carisma. (...)

Uma mente que trabalhe dia e noite acabará debilitando-se, ficando torpe, preguiçosa, não chegará aos demais. Quando muito será utilitária; te ajuda quando for comprar verduras. Mas além disso não tem nenhum poder. É assim que milhões de pessoas que poderiam ser carismáticos, acabam sendo medíocres, não criam impressões nos outros, não tem autoridade nem poder.

Se é possível silenciar a mente e usá-la somente quando for necessária - e ela é - então ela se manifesta com uma força estrondosa. Ela reuniu tanta força que cada palavra que pronuncia vai diretamente ao coração. As pessoas pensam que as mentes das pessoas carismáticas são hipnóticas, não são. Verdadeiramente são tão poderosas, são tão frescas...sempre é primavera. É isto que acontece em relação a mente.
Em relação ao Ser, o silencio te abre um novo universo de eternidade, de imortalidade, de tudo aquilo em que possa pensar como benção, como bem-aventurança; daí minha insistência em que a meditação é a religião essencial. (...) A meditação é justamente a essência, a essência mesma. Não lhe falta nada. E te proporciona ambos os mundos; te dá o outro mundo - o divino, o mundo da divindade - e também te dá este mundo. Então não você não é mais pobre de nada, você é rico na dimensão mais importante.(...) A meditação te fará definitivamente rico, lhe dando o mundo do teu ser interior e também te fará relativamente rico, porque liberará os poderes da sua mente e inclusive os talentos que tenha.

Dê o devido descanso a mente, ela necessita! E é tão simples: simplesmente se faça testemunha, observador daquilo que acontece na mente. E ficará surpreso com o que acontecerá. Pouco a pouco a mente começa a aprender a estar em silencio. E sabe que estando em silencio se faz mais e mais poderosa, suas palavras não são só palavras, tem uma riqueza e uma qualidade que nunca tiveram antes; tanto é assim que vão diretamente, como flechas; Deixam de lado as barreiras lógicas e chegam ao coração mesmo.
A mente é um bom servo, de imenso poder, quando está nas mãos do silêncio."
Osho em Além da Psicologia 2

10 de janeiro de 2012

Jamais menospreze o amor...


Mesmo que ele silencie
Esfrie
Distancie
Jamais menospreze o amor
De uma hora para outra ele renasce
Absolutamente pleno e vivo
Arde
E ilumina a alma num segundo
Não deixa nem vestígios que se foi um dia
Nem qualquer rastro de que não esteve ali algum momento

Jamais menospreze o amor
Ele em tudo habita
Preenche
Molda
Cria
Faz
Realiza
Vibra
O amor tem vida própria
Sabe além da sabedoria
Ri e chora livremente
Canta e sonha
e se afasta também quando quer

O amor é simplesmente Tudo
Nada está fora dele
Nem ele fora de nada
Como poderia o perfume nascer fora da flor?
Jamais menospreze o amor...

9 de janeiro de 2012

Relacionamentos difíceis...


Meus queridos (as)! Recebi um email delicioso, de uma amiga querida e seguidora do blog, que me pedia para refletir sobre o tema: "Relacionamentos difíceis". Então vamos a ele!

Bom, antes de mais nada pergunto: Existem relacionamentos fáceis? rs
Relacionamentos nunca são fáceis, eles se tornam "mais fáceis" com o tempo, com o convívio não é? E porque será que acontece isso?

Importante lembrar que, todos os relacionamentos acontecem por alguma razão. Quando digo razão não é lógica, é ensinamento.

Todos que cruzam nosso caminho, sejam quem forem, em que época for, todo encontro, todo convívio, tudo que acontece tem por "finalidade" o aprendizado, a conscientização, a autopercepção, a evolução.
Sempre que nos deparamos com alguém, e aí estão incluídos também os relacionamentos amoroso, fraternos, amigáveis, tudo tudo tem por base a lei da atração, uma ressonância, que leva um em direção ao outro. Se existe esse encontro ele não pertence a nenhuma das duas partes, é o encontro do Todo com o Todo. É uma busca de experimentar-se, através de duas aparências diferentes, mas que no fundo são o mesmo Ser.

Cada encontro, cada relacionamento passa por várias fases, e são imprevisíveis, assim como o que acontecerá daqui a cinco minutos, isto é: não sabemos! Sabemos apenas que são passageiros, que são mutáveis, que são impermanentes, isso sim é uma lei permanente.

Quando falamos de relacionamentos difíceis, já tendo a consciência de que é o Todo se relacionando com o Todo, nos perguntamos: Como então é possível existirem relacionamentos difíceis?
Sim, os relacionamentos "difíceis" acontecem para que nós possamos nos conhecer melhor através do outro. A periferia, as personalidades ( aquilo que se apresenta exteriormente, socialmente - a persona) são mesmo bastante diferentes umas das outras, complexas mesmo, sobrepõe-se camadas e camadas de personalidade e é justamente aí que os relacionamentos são importantes pois o choque quando existe, existe porque as duas ou mais partes estão vibrando nas suas periferias, nas camada periféricas, isto é, nas diferenças...isso gera conflito.

Mas, por outro lado, quanto mais vamos nos lapidando ao longo da vida, e vamos nos conhecendo melhor, nos aprofundando na essência, no amor, no além das aparências, naquilo que é impessoal, que vai muito além das diferenças, no Ser, nessa dimensão onde poderá existir algum relacionamento difícil? Não tem como, pois na essência caem por terra todas as diferenças, todas as barreiras. Já não vemos mais nenhum "outro", o que vemos são espelhos de nós mesmos, só que com carinhas diferentes, com jeitinhos diferentes, vontades diversas, mas sempre sempre reflexos de nós mesmos.

O que acontece é um grande amor por tudo e por todos. Desaparecem os julgamentos, as críticas, as queixas, por que não existe nada "errado" ali, existem apenas aspectos diferentes que se completam, aspectos que ainda existem por alguma razão ( que desconhecemos!) mas que continuarão a existir até que não sejam mais necessários para o Todo.

A Vida deixa de ser algo objetal, uma coisa, e passa a ser um organismo pulsante, absolutamente Vivo, é o próprio Ser manifesto, cuja inteligência e vontade são perfeitos, absolutamente perfeitos...muito além de qualquer lógica mental, a "lógica" da existência é indiscutívelmente Perfeita! Dái a confiança, a entrega, a realização plena no desconhecido...e consequentemente o fim dos conflitos...

A dimensão da consciência se apresenta como o maior dos presentes. Não é que estejamos livres de enfrentar futuros conflitos, ou divergências, ou medos, ou emoções fortes, não é isso; o que acontece é que estamos abertos disponíveis e de coração confiante de que ainda são lições que precisamos aprender...só isso...
Da próxima vez que se apresentarem relacionamentos difíceis, vejam que aspectos profundos nossos estão aparecendo, sendo projetados para que sejam iluminados, cuidados, amados e transcendidos...
Amor
Lilian

8 de janeiro de 2012

Mente Única e Desperta...


"Estivestes comigo desde o princípio”, disse Jesus.
Revelava a Mente única e já desperta em todos os seres, formando a Unidade Perfeita chamada “Deus”.
Assim como a Mente é única, o “Estado Desperto” é único e permanente! Se a Mente dormisse por um segundo, o caos universal se estabeleceria!

Uma ilusão de massa faz parecer que “alguém precise despertar”.
Por isso é chamada “ilusão de massa”: não existe mente alguma para despertar! A Mente única, divina, já é Desperta!

Uma pessoa perguntou-me: “Isto que você fala, você já experienciou?”.
Ao afirmar que sim, eu completei: “E TODOS O ESTÃO EXPERIENCIANDO AGORA! Porque a Mente ÚNICA é onipresente, e não experiencia nada por “pedaços”. Quando você deixar a “crença” de que possui mente humana, aceitando a Mente única e infinita sendo a “sua”, perceberá que “o estado búdico”, ou “estado paradisíaco”, é a condição PERMANENTE tanto sua como de todos os integrantes do Universo real”.

“Crença” em mente humana não o faz possuí-la jamais!
Tal fenômeno jamais poderia ter realidade, uma vez que implicaria a ausência da Mente divina!
Que significa “despertar espiritualmente”? Significa VOCÊ perceber que JAMAIS ADORMECEU!
Nada mais que isto!
Jamais existiu “alguém para despertar”: DEUS É TUDO, fato eterno que INCLUI VOCÊ!"
Dárcio Dezolt em A cura Espiritual e seus Princípios Básicos

6 de janeiro de 2012

Além da Natureza...



"Osho, a morte natural transcende a natureza?

Nada transcende a natureza. Tudo se vai fazendo mais e mais natural - uma natureza cada vez mais profunda, uma natureza cada vez mais alta - mas nada transcende a natureza porque não existe nada mais que a natureza.
Tens que abandonar as velhas categorias: por um lado está o natural e por outro o sobrenatural. O que se tem chamado de sobrenatural não é mais que o pico mais alto do ser natural. Porque criar categorias, quando a natureza só é capaz de conter tudo?

O ponto mais alto e o ponto mais baixo da vida, ambos são naturais. Um assassino e um homem iluminado, ambos são naturais. O assassino está no ponto mais baixo, e o homem iluminado está no ponto mais alto. Mas ambos, como homens são parte da mesma natureza e sendo naturais são similares. Isto abre uma possibilidade: qualquer pessoa pode iluminar-se. Nada o está impedindo, nem o estamos colocando em uma categoria a parte. Podem se iluminar porque são parte da natureza. Mesmo de cabeça para baixo, simplesmente tem que mudar de postura.

A natureza é profunda. Ela contém tudo - o bom, o mal, o malvado, o divino - e eu quero que todos eles sejam parte da mesma natureza, para que a transformação não seja impossível. (...)
Minha abordagem é muito simples: o pior e o melhor são parte da mesma natureza. Um pode estar em um ponto mais baixo, o outro pode estar em um ponto mais alto, mas pertencem a mesma natureza, e portanto tem uma possibilidade de transformação. A pessoa mais baixa pode escalar o pico mais alto, e isso é algo que tem ocorrido muitas vezes. (...)
Não existe barreira, não há muro.
A natureza é tudo que há.
Por isso, nem sequer a morte natural a transcende; simplesmente realiza a natureza em sua totalidade."
Osho em Além da Psicologia

5 de janeiro de 2012

Consciência e plenitude...


"Não sou mente nem razão; não sou ego nem memória;
Não sou audição, nem paladar, nem olfato nem visão.
Não sou espaço nem terra; não sou fogo nem ar.
Minha natureza é consciência e plenitude. Sou Ser, sou Ser.

Não sou o que se conhece como prana nem os cinco alentos;
nem os sete elementos do corpo físico, nem os cinco kośas.
Não sou fala, nem mãos ou pés; nem sexo nem eliminação.
Minha natureza é consciência e plenitude. Sou Ser, sou Ser.

Não tenho apego nem aversão; nem ambição, nem ilusão;
orgulho e inveja não são meus; não tenho deveres,
nem objetivos, nem desejos, nem busco a libertação.
Minha natureza é consciência e plenitude. Sou Ser, sou Ser.

Não sou virtude nem ação errônea; nem alegria nem sofrimento;
nem mantras nem lugares sagrados; nem escrituras nem rituais;
não sou prazer nem o que produz prazer, nem o desfrutador.
Minha natureza é consciência e plenitude. Sou Ser, sou Ser.

Não sou morte nem medo; não tenho classe social;
nem pai, nem mãe, nem nascimento são meus;
não tenho parentes nem amigos; nem mestre nem discípulos.
Minha natureza é consciência e plenitude. Sou Ser, sou Ser.

Sou livre de pensamentos. Sou livre de estrutura e forma;
Estou conectado com os sentidos, pois permeio o existente.
Não sou apegado nem condicionado, nem busco a liberdade.
Minha natureza é consciência e plenitude. Sou Ser, sou Ser."
Nirvana Shatkam por Adi Shankaracharia

4 de janeiro de 2012

Transparência...


A vida nos conduz por caminhos tão diversos,
Somos diariamente desafiados a vencer tantos obstáculos
Que nem nos damos conta do quanto vamos nos fechando, nos escondendo e vamos perdendo aquele brilho original,
Brilho que nos fazia semelhante as estrelas, as crianças,
Brilho que irradiava através de nós como fazem os perfumes mais suaves as fragrâncias mais doces...

Em meio a tantos desafios, vamos sem perceber ficando opacos, e vamos nos transformando em alguém que não conhecemos,
Nos tornamos estranhos, amargurados, oprimidos.
Uma sucessão de pensamentos negativos tomam conta de nossa mente e vamos pelas circunstâncias alimentando-os dia após dia, momento a momento, e quando nos damos conta, estamos mergulhados em um mar de lamentações e de tristeza...

Aquela fragrância original, aquele olhar puro e leve onde foi parar? Nos perguntamos.
Será que me perdi de vista? Será que isso é o peso da vida? Nos perguntamos também.
Não, isso é somente o peso da mente identificada.

Uma mente que se prende a coisas passageiras, sejam elas quais forem, fatalmente irá sofrer, irá ficar decepcionada, irá se frustrar.
Não que a realidade seja frustrante, a realidade é apenas a realidade, nada mais,
A mente é que cria fantasias imaginárias, e coloca ali tanta energia que quando não condiz com o que acontece, o que acontece é a dor, sofrimento, frustração.

Podemos reverter isso, e em geral revertemos depois de termos sofrido bastante,
de termos batido com a "cabeça na parede" várias vezes, até descobrir que nessa mesma parede havia uma porta, que estava sempre aberta...

Saibam que os acontecimentos não pertencem a ninguém. Acontecimentos são apenas acontecimentos,
Vem e vão, são passageiros, e sempre serão...
Tudo passa, tudo se transforma...esse é o princípio da mente...mover-se...
Nosso corpo se transforma todo o tempo..
Nossas emoções também...
Pensamentos, também...
Tudo em constante transformação, em fluxo, seguindo um rumo que não controlamos.
Podemos observar o fluxo, e fluir junto com os acontecimentos numa aceitação lúcida, consciente,
Uma aceitação que é fluxo também, momento a momento,
E responde ao que se apresenta, e retira de tudo pequenos ou grandes ensinamentos...

Compreender que a Vida somos nós,
Que tudo aquilo que experimentamos é experimentação deste Si mesmo, que permanece sempre presente,
Cada momento estamos tendo a oportunidade divina de experimentarmos a nós mesmos em atos, gestos, pensamentos, desafios, lições,
Tudo se torna instantâneamente claro, e sem divisões.

A existência trás aquilo que necessitamos, aquilo que é o melhor para nós naquele momento
Pois é a realidade que dita as regras, é soberana, e essas regras não existem para nos destruir, pelo contrário, existem para nos fazer crescer, e transcender todo aprisionamento, toda e qualquer identificação...

Trata-se da trilha da Liberdade essencial.
Reconhecer a grandeza em nós é recuperar a divindade, a transparência original,
Transparência que sempre existiu em cada um de nós, e manifestá-la na Vida, iluminando-a sem medida...
Amor
Lilian


3 de janeiro de 2012

O que significa "Ser eu mesmo"?


Osho o que significa "Ser eu mesmo"?

Ser você mesmo significa viver como uma consciência. Consciência de todos os programas para os quais a mente foi programada, consciência de todos os impulsos, desejos, recordações, imaginações...tudo o que a mente pode fazer. O que é preciso é perceber que você não é parte deles, mas apenas separar-se deles, vê-los sem ser parte deles, apenas como um observador.
Isto é uma das coisas mais essenciais para se recordar, que não podes observar sua capacidade de observação. Se observas sua capacidade de observar então você não é o objeto observado e sim o observador. Por isso não podes ir além da observação.

O ponto que não podes transcender é teu Ser. O ponto em que não podes ir além é você mesmo!
Podes observar facilmente qualquer pensamento, qualquer emoção, qualquer sentimento, só existe uma coisa que não podes observar: sua capacidade de observação.

Se você se fixar na observação de tudo que acontece a você, isto significa que terá ocorrido uma mudança: a primeira observação terá se convertido em um pensamento e agora você é o segundo, o observador. Você verá que não existe nada além do observador, porque é você, não pode ser de outra forma.

Por isso quando digo "Simplesmente seja você mesmo" estou te dizendo: "Simplesmente seja consciência não condicionada, não programada". Foi assim que vieste ao mundo e é assim que uma pessoa iluminada deixa o mundo. Vive no mundo, mas permanece totalmente separada.

Um dos grandes místicos, Kabir, tem um poema muito bonito a respeito disso. Todos seus poemas são simplesmente perfeitos. Um deles diz: "Eu devolverei a alma que me destes no momento de nascer tão pura, tão limpa, como me foi dada. Eu a devolverei assim quando morrer". Ele está falando da consciência, que permaneceu intocada. Todo mundo estava ali para poluí-la, mas ele permaneceu na observação.

Tudo que necessita é simplesmente observar, e nada te afetará. O fato de que nada te afete, manterá sua pureza e a pureza certamente tem a frescura da vida, a alegria da existência; todos os tesouros estão em você.
Mas, se te apegas a pequenas coisas que te cercam, você se esquece de quem você é.
Esta descoberta é o maior descobrimento da vida, e a peregrinação mais estática até a verdade.

Não é preciso ser um asceta, não precisa ser anti-vida, nem renunciar ao mundo e ir para as montanhas. Pode estar onde estiver, pode seguir fazendo aquilo que você faz. Apenas faça o que faça, faça com consciência , inclusive o menor ato do corpo ou da mente - e com cada ato de consciência, te fará mais e mais consciente da beleza, do tesouro, da glória e da eternidade do teu Ser."
Osho em Além da Psicologia 1


2 de janeiro de 2012

A Paz da aceitação...


"Osho diz que o ensinamento de Buda, o supremo de todas as religiões, está pautado basicamente numa palavra: Tathata. Tathata significa “aceitar aquilo que é”, porque não há diferença entre você e o que está acontecendo.

De fato, seria muito significativo se você aplicasse este ensinamento no seu dia a dia... “Caí e machuquei o joelho.” – Tathata! Eu sou o joelho machucado, a queda, a observação do evento e o evento, sem separação. “Estou com fome, mas não tem o que comer.” – Tathata! “Estou com fome e tenho o que comer.” – Tathata! “Comi mais do que precisava” – Tathata! “Não consigo dormir.” – Tathata! “Não consigo acordar.” – Tathata!

Aceitar aquilo que é, significa que o que quer que seja que esteja acontecendo, é exatamente o que está acontecendo e não há nada contrário a isso, porque é você acontecendo. Porém, digamos que você esteja a brigar, Tathata, aceite isso também. Não julgue absolutamente nada do que está acontecendo.

Um bom grau de maturidade é o único requisito para que você entre amorosamente neste segredo. Se você precisa de um mantra, faça de “Tathata” o seu mantra. Diariamente: “Tathata, tathata, tathata, tathata” – aceitação é uma chave para a liberdade. Compreenda isso e, aos poucos, verá que tudo a sua volta vai mudando, porque você já não é mais o mesmo.

Existe paz até na briga, mas isso está além da mente, não pode ser compreendido através da mente. A mente é dual. Segundo a mente, para existir uma coisa, a outra deve ser excluída. Mas não é assim que funciona. Não estamos aqui falando da paz que existe em oposição ao conflito. Essa é a “paz” da mente. Estamos aqui em nome da Paz que não existe em oposição a nada ou, ainda, a Paz onde tudo mora.

A briga da mente existe devido a alguma intransigência imatura em ocorrência. E, se é imatura, essa intransigência, não há como amadurecê-la enquanto ela permanecer imatura. Neste caso, espera. Simplesmente rejeite o julgamento em relação a si mesmo, que diz isso não deveria estar acontecendo. Se o corpo-mente se encontra num estado de combate ou de êxtase: Tathata! Tudo é o que é."
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