28 de maio de 2016

O novo homem - Osho


"O novo homem incorpora uma imagem mutante mais viável de homem, uma nova forma de estar no cosmos, uma forma qualitativamente diferente de perceber e experienciar a realidade.

Por isso, por favor, não chorem a morte do velho homem. Regozijemo-nos pelo fato do velho estar morrendo, da noite estar morrendo e do amanhecer surgir no horizonte.

Estou satisfeito, totalmente satisfeito, que o homem tradicional esteja desaparecendo – que as velhas igrejas estejam se tornando ruínas, que os velhos templos estão desertos. Estou imensamente satisfeito por a velha moralidade estar em queda livre direto ao chão.

Esta é uma grande crise. Se aceitarmos o desafio, esta é uma oportunidade para criar o novo. Nunca estivemos tão maduros no passado. Vivemos numa das mais belas épocas – porque o velho está desaparecendo, ou já desapareceu, e um caos criou-se. E só do caos aparecem as grandes estrelas.

Temos a oportunidade de criarmos um cosmos novamente. Esta é uma oportunidade que raramente surge – muito rara. Somos uns felizardos por estarmos vivos nesta altura crítica. Usemos a oportunidade para criar o novo homem. E para criar o novo homem, tens de começar por ti.

O novo homem será um místico, um poeta, um cientista, tudo junto. Ele não olhará para a vida através de divisões podres. Ele será um místico, porque ele sentirá a Presença de Deus. Ele será um poeta, porque ele celebrará a Presença de Deus. Ele será um cientista, porque ele pesquisará a Presença de Deus, cientificamente.

Quando o homem for estas três vertentes juntas, o homem será total.
Este é o meu conceito de homem sagrado.

O velho homem era reprimido, agressivo.
O velho homem era obrigado a ser agressivo porque a repressão sempre trás agressão.

O novo homem será espontâneo, criativo.

O velho homem viveu através de ideologias.
O novo homem não viverá através de ideologias, nem através de moralidades, mas através da consciência."

Osho em Eu sou a porta

21 de maio de 2016

Amor - o campo aberto - Jeff Foster


Nós não temos um futuro juntos,
Só temos este aqui e este agora.

Para o ego, isso é incrivelmente deprimente.
Mas conhecer a absoluta beleza deste momento,
me liberta da necessidade de possuir-te ou 
controlar-te.

Esta atemporalidade é onde
realmente nos encontramos  
em comunhão.

O amor é o desaparecimento do tempo,
o desaparecimento da história de uma
'relação';
O amor é o campo aberto,
onde a verdadeira relação
se faz possível.

-Jeff Foster

14 de maio de 2016

Sobre Àsanas e Doshas - Pedro Kupfer


Pergunta: Ásana, quanto tempo devemos permanecer?

Prof. Pedro Kupfer: Esta questão é muito importante para praticar de maneira segura. Pode acontecer que um praticante pense que irá multiplicar os efeitos dos asanas aumentando os tempos de permanência, mas essa “regra" nem sempre funciona: o fato de três chapatis serem bons no almoço não significa que 30 sejam melhor.

Moderação e bom-senso nunca mataram ninguém, e deveriam ser as regras de ouro pelas quais nos orientamos, uma vez que nos permitem construir uma relação de longo prazo com as práticas do Yoga.

Posturas com maior estabilidade, como as sentadas ou deitadas, permitem uma permanência maior. Posturas de equilíbrio num pé só, ou sobre as mãos e outras de estabilização ou força pedem uma permanência mais breve. Uma permanência razoável num asana de força, por exemplo, é um minuto.

Uma permanência boa numa postura de alongamento não deve passar disso, nem deve ser inferior a 30 segundos. Posturas de alongamento passivo, desde que as articulações estejam firmes e bem protegidas, podem ser feitas por mais tempo. Posturas de equilíbrio um só pé ou sobre as mãos pedem menos tempo.

É necessário ter bastante cuidado em relação às posições de inversão: um tempo bem legal é algo entre três e cinco minutos, lembrando sempre de que não pode haver compressão cervical, em nenhum caso, nessas posturas.

E, naturalmente, devemos sempre adaptar, individualizar e personalizar a permanência em casa asana, de acordo com as características e necessidades de cada corpo. 

O Ayurveda, ciência irmã do Yoga que lida com a saúde e propõe um sistema de cura sutil, ensina que pessoas do dosa (biotipo) vatta, no qual predominam os elementos ar e espaço, devem fazer asanas com permanências maiores em posturas de mais estabilidade, e movimentos vagarosos e controlados.

Pessoas do dosa kapha, onde predominam os elementos terra e água, podem praticar com maior fluidez, fazer movimentos mais rápidos e intensos, e escolher asanas mais fortes e desafiantes. 

Pessoas do biotipo pitta, onde prevalecem os elementos fogo e água, devem se afastar dos extremos e praticar sempre com moderação, evitando a comparação e a competição com os demais ou consigo mesmos e cultivando contentamento e equanimidade."

Prof. Pedro Kupfer. 
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7 de maio de 2016

Uma nova inteligência que brota da observação - Sambodh Naseeb


"No caminho, é muito comum algumas pessoas dizerem: "Eu tenho que me livrar do ego". Mas como você pode se livrar do ego se tudo que você é ou pensa que é faz parte disso que você chama de ego? 

Quem quer se livrar do ego? 

Note que é o ego que tenta se livrar do ego. É uma parte da mente que tenta se livrar da outra parte da mente. Como se a mente pudesse ser dividida, e a parte má é julgada pela parte boa. 

Se tudo que existe como pessoa é o ego, como o ego poderia terminar com o ego? Não há duas coisas. Apenas o ego. Este é o jogo dele. 
Quando o ego convence uma pessoa de que ele pode ser destruído, a única coisa que acontece é uma luta interna, e o reforço do mesmo ego, porque o alimento para ele está ali: a luta, a não aceitação, o não relaxamento em relação ao que está acontecendo, a fuga, o evitar da verdade. 

Então, é bom perceber que tudo que pode ser entendido é este mecanismo do ego, suas trapaças, seu jogo, sua resistência, suas evitações, projeções, crenças, julgamentos. 

Meditação é quando nasce a Testemunha - a observação pura que pode testemunhar o ego sem intervir, sem condenar, sem julgar de qualquer modo. 

Uma aguda observação. Como o ego reage, como ele reluta sentir, como ele evita a verdade e transita sempre pelo caminho de "o outro está errado, eu estou certo, então posso julgá-lo". 

Meditação, como a vejo, não pode ser feita pela mente, pelo controlador, pelo julgador. Ela é um momento em que você pára por algum tempo para notar o que é que está acontecendo aqui e agora, até que isso se torne natural no seu dia a dia. Não há nenhum desejo em tornar este momento melhor. Não há nenhuma manipulação, nenhuma necessidade de melhoramento, nenhuma busca de algo melhor. 

O melhor já está acontecendo: o momento presente. Este pode ser olhado com lucidez e abertura. Parar e olhar para si, notando que a mente julga, a mente pensa, a mente evita, a mente imagina, fantasia, distorce, etc, isso tudo é meditação. 

Na meditação você nada precisa fazer a não ser a disposição de aceitar o momento como ele é. Este é o processo em que você, ao não fazer nada, convida uma nova inteligência a operar. 

Esta nova inteligência brota pela observação do ego, pela observação da mente. Não é projeto de manipulação humana. 

Mas uma mutação natural gerada pelo não envolvimento e uma profunda entrega à verdade."
Sambodh Naseeb

4 de maio de 2016

Vá além do social, torne-se Universal - Osho


"Três palavras têm de ser compreendidas: o coletivo, o individual e o universal. O indivíduo está no meio, o coletivo está abaixo do indivíduo, e o universal está acima do indivíduo. Se o indivíduo se torna parte da coletividade, ele perde algo, ele não mais está consciente como estava antes, ele não mais está alerta. Eis por que numa multidão você não é mais tão responsável quanto você era quando estava sozinho. 

Uma multidão pode cometer grandes pecados. Numa multidão, você não sente responsabilidade. O coletivo é mais baixo do que o indivíduo – todos os grande pecados da história podem ser atribuídos ao coletivo. O indivíduo é muito melhor do que o coletivo.(...)

Em uma multidão você se torna mais baixo do que comumente você é. Em uma multidão, você se torna mais servil, você se torna mais baixo: você fica mais animal do que humano. 

O coletivo é animal, o indivíduo é humano e o universal é divino. Quando uma pessoa entra na meditação, ela não se torna parte do coletivo, ela se torna dissolvida no universal que é um ponto mais alto do que o próprio indivíduo.

Mas os políticos sempre falam do coletivo. Eles estão sempre interessados em mudar a sociedade – porque, ao mudar a sociedade, ao fazer esforços para mudar a sociedade e a estrutura da sociedade e mais isso e mais aquilo, eles se tornam poderosos. A sociedade nunca foi mudada. Ela permanece a mesma – a mesma coisa corrompida. E ela permanecerá o mesmo, a menos que seja compreendido que toda consciência acontece no indivíduo. E, quando acontece, o indivíduo torna-se universal. Se acontecer a muitos indivíduos, então, a sociedade muda – mas não como uma coisa social, não coletivamente.

Deixe-me explicar isso. Há quinhentas pessoas aqui. Vocês não podem ser transformados como uma unidade coletiva, não há meios. Vocês não podem se tornar divinos como uma unidade coletiva, não há meio. Suas almas são individuais, suas consciências são individuais.

Mas, se dessas quinhentas pessoas, trezentas forem transformadas, então, toda a coletividade terá uma nova qualidade. Mas essas trezentas pessoas passarão por mudanças individuais, por mutações individuais. Então, o coletivo terá uma consciência mais alta, porque essas trezentas pessoas estão jorrando suas consciências no coletivo, elas estão presentes. 

Quando um homem se torna um buda, toda a existência torna-se um pouco mais acordada – apenas por sua presença. Mesmo que ele seja uma gota no oceano, então também, o oceano, pelo menos no que tange a uma gota, está mais alerta, mais consciente. 

Quando essa gota desaparece no oceano, ela eleva a qualidade do oceano. Cada indivíduo ao ser transformado muda a sociedade. 

Quando muitos, muitos indivíduos são transformados, a sociedade muda. Esse é único meio de mudá-la, não o contrário. Você não pode mudar a sociedade. Se você quiser mudar a sociedade diretamente, seu esforço é político.

Quando você começa a ficar religiosamente poderoso, quando você começa a conduzir muitas pessoas, quando você se torna um líder, então, grandes idéias começam a acontecer na mente. 

Então, a mente diz que “agora, toda a humanidade pode ser mudada”, “agora podemos planejar uma grande mudança de toda a humanidade”. Então, a avareza cresce, a ambição cresce, o ego espera. Isso tem acontecido sempre e isso acontecerá sempre. Cuidado com isso.

Nunca se torne uma vítima da ideia do coletivo; o coletivo é mais baixo do que você. Você tem de se tornar universal. 


O universal não é social, o universal é existencial. Você tem de se sintonizar com o todo da existência, tem de se deixar ligar à dança do universo – não ao social, não a pequenas comunidades ou seitas, não a cristãos e hindus e muçulmanos, não à terra, ao Oriente, não ao Ocidente, não a este século. 
Você tem se ligar ao Todo, a toda a Existência."

Osho em Zen: O Caminho do Paradoxo
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