30 de maio de 2013

Desejos - Osho 2/3


"A repressão é psicológica. Você está perturbando todo o mecanismo e reprimindo as energias que irão explodir a qualquer hora. A energia está presente, você simplesmente a reprimiu. Ela não se moveu para fora, ela não se moveu para dentro, você simplesmente a reprimiu. Ela simplesmente se moveu para os lados. Ela vai esperar e se tornará pervertida, e a energia pervertida é o problema básico do homem.

As doenças psicológicas são subprodutos da energia pervertida. Então, ela tomará tais formatos, tais formas, que não são nem mesmo imagináveis e, nessas formas, ela tentará novamente ser expressa. E quando ela é expressa em uma forma pervertida, ela o conduz para uma angústia muito, muito profunda, porque não há satisfação em nenhuma forma pervertida. E você não pode permanecer pervertido, você tem de expressar. A repressão cria a perversão. Esse sutra não está relacionado com a repressão. Esse sutra não está dizendo para controlar, esse sutra não está dizendo para reprimir. O sutra diz: Então, de repente, abandone-o.

O que fazer? O desejo está presente; você considerou. Se você o considerou, não será difícil; a segunda parte será fácil. Se você não o considerou, olhe para a sua mente. Sua mente estará pensando: “Isso é bom. Se nós pudermos abandonar o desejo sexual de repente, isso é belo”. Você gostaria de fazê- lo, mas do que você gosta não é a questão. Seu gostar pode não ser “o seu” gostar, mas apenas o da sociedade. Seu gostar pode não ser de sua própria consideração, mas apenas da tradição. Primeiramente, considere; não crie nenhum “gostar” ou “não-gostar”. Apenas considere e, então, a segunda parte se torna fácil — você pode abandonar o desejo.

Como você pode abandoná-lo? Quando você considera uma coisa totalmente, isso é muito fácil; é tão fácil quanto soltar este papel de minha mão. Abandone-o... O que irá acontecer? Um desejo está presente. 
Você não o reprimiu e ele está se movendo para fora, ele está vindo para cima; ele agitou todo o seu ser. Na verdade, quando você considera um desejo sem interpretação, todo seu ser se tornará um desejo.

Quando o sexo estiver presente e se você não for contra ele ou a favor dele, se você não tiver nenhuma ideia quanto a ele, então, simplesmente por olhar o desejo, todo o seu ser será envolvido nele. Um simples desejo sexual se tornará uma chama. Todo o seu ser estará concentrado na chama, como se você tivesse se tornado totalmente sexual. Ele não estará somente no centro sexual, ele se espalhará por todo o seu corpo. Cada fibra de seu corpo estará vibrando. A paixão terá se tornado uma chama. Agora, abandone-o. Não lute com ele, simplesmente diga: “Eu o abandono”.

O que acontecerá? No momento em que você pode simplesmente dizer “eu abandono”, uma separação acontece. (...) Nenhuma luta existe, apenas uma separação - lembre-se disso. Na luta, você não está separado. Quando você está lutando, você é um com o objeto. Quando você o abandonou, você está separado. Agora você pode olhar para ele como se outra pessoa estivesse presente, não você. [ continua...]
Osho em O Livro dos Segredos IV
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28 de maio de 2013

Desejos - Osho 1/3


"Quando algum desejo vier, considere-o. Então, de repente, abandone-o. 
Você sente um desejo — um desejo por sexo, um desejo por amor, um desejo por comida, qualquer coisa. Você sente um desejo: considere-o. 

Quando o sutra diz “considere-o”, significa não pensar a favor dele nem contra ele, apenas considere o desejo, o que ele é.

Um desejo sexual vem à mente. 
Você diz: “Isso é ruim”. Isso não é consideração. Ensinaram-lhe que isso é ruim; assim, você não está considerando esse desejo, você está consultando as escrituras, você está consultando o passado — os professores passados, os rishis — os sábios. Você não está considerando o próprio desejo, você está considerando alguma outra coisa. 
Você está considerando muitas coisas - seu condicionamento, sua criação, sua educação, sua cultura, sua civilização, sua religião - mas não o desejo.

Esse simples desejo surgiu. Não traga, à mente, o passado, a educação, o condicionamento; não traga os valores. Apenas considere esse desejo — o que ele é. Se a sua mente pudesse ser lavada completamente de tudo aquilo que lhe foi dado pela sociedade, de tudo que seus pais lhe deram — a educação, a cultura — se sua mente inteira pudesse ser lavada, o desejo por sexo surgiria. Ele surgiria, porque esse desejo não lhe foi dado pela sociedade. Esse desejo está construído internamente, biologicamente — ele está em você.

Por exemplo, se uma criança nasce e nenhuma língua lhe é ensinada, a criança não aprenderá nenhuma língua. Ela permanecerá sem linguagem. 
A língua é um fenômeno social; ela tem que ser ensinada. 
Mas... quando o momento certo chega, a criança sente o desejo sexual. Isso não é um fenômeno social, ele está construído internamente, biologicamente. O desejo virá no momento certo de maturação. Ele não é social, ele é biológico - mais profundo. Ele é construído dentro de suas células.

Devido a você ter nascido do sexo, todas as células de seu corpo são células sexuais; você se compõe de células sexuais. A menos que sua biologia possa ser lavada completamente, o desejo estará presente. Ele virá - ele já está presente. 

Quando uma criança nasce, o desejo já existe, porque a criança é um subproduto de um encontro sexual. Ela vem através do sexo; todo o seu corpo é construído com células sexuais. O desejo já está ali, somente um certo tempo é necessário antes de que seu corpo se torne maduro o suficiente para sentir esse desejo, para desempenhar esse desejo. O desejo estará presente quer você tenha aprendido que o sexo é bom ou ruim, quer você tenha aprendido que o sexo é inferno ou paraíso, quer você tenha aprendido desse ou daquele jeito, a favor ou contra - porque ambos são ensinamentos.

As antigas tradições, as antigas religiões, o cristianismo principalmente, continuam pregando contra o sexo. Os novos cultos dos hippies e yippies e outros começaram o movimento oposto. Eles dizem que o sexo é bom, o sexo é extasiante, o sexo é a única coisa verdadeira no mundo. Ambos são ensinamentos. Não considere seu desejo de acordo com algum ensinamento. Simplesmente considere o desejo em sua pureza, como ele é — um fato. Não o interprete.

“Consideração”, aqui, significa não interpretar, mas simplesmente olhar para o fato como ele é. O desejo está presente: olhe para ele diretamente, imediatamente. Não traga seus pensamentos ou ideias, porque nenhum pensamento é seu e nenhuma ideia é sua. Todas as coisas foram dadas a você, toda ideia é uma coisa tomada emprestada. Nenhum pensamento é original — nenhum pensamento pode ser original. Não traga o pensamento, simplesmente olhe para o desejo, para o que ele é, como se você não soubesse nada sobre ele. Encare-o! Defronte-se com ele! É isso o que significa “considere-o”.

Quando algum desejo vier, considere-o. Apenas olhe para o fato — para aquilo que ele é. Infelizmente, isso é uma das coisa mais difíceis de se fazer. Comparado a isso, chegar à lua não é tão difícil, ou chegar ao pico do Evereste não é tão difícil. Trata-se de algo altamente complicado — chegar à lua é altamente complicado, infinitamente complicado, um fenômeno muito complexo. Mas comparado a viver com um fato da mente interna, isso não é nada, porque a mente está muito sutilmente envolvida em tudo o que você faz. Ela está sempre presente. 

Olhe para a palavra... se eu digo “sexo”, no momento em que eu digo isso, você já decidiu a favor ou contra. No momento em que eu digo "sexo”, você já interpretou: “Isso não é bom. Isso é mau”. Ou: “Isso é bom”. Você interpretou inclusive a palavra.

Muitas pessoas vieram a mim quando o livro Do Sexo à Supraconsciência foi publicado. Elas vieram e disseram: “Por favor mude o título”. A simples palavra ‘sexo’ deixou-os perturbados — eles não tinham lido o livro. E aqueles que já leram o livro também dizem para mudar o título.

Por quê? A própria palavra lhe dá uma certa interpretação. A mente é tão interpretativa que se eu digo “suco de limão”, você começa a salivar. Você interpretou as palavras. Nas palavras ‘suco’, ‘de’, ‘limão’ não há nada semelhante ao limão, mas você começa a salivar. Se eu esperar uns momentos, você ficará incomodado, porque você terá de engolir. A mente interpretou; ela entrou. Mesmo com a palavra você não pode permanecer à parte, sem interpretar. Será difícil, quando o desejo surgir, permanecer à parte, permanecer apenas um observador desapaixonado, calmo e quieto, olhando para o fato, não o interpretando.

Eu digo: “Esse homem é muçulmano”. No momento em que eu digo “esse homem é muçulmano”, o hindu pensa “esse homem é ruim”. Se eu digo: “Esse homem é judeu”, o cristão decide que “esse homem não é bom”. A simples palavra ‘judeu’ e a mente cristã entra com a interpretação - a ideia tradicional, convencional, irrompe; “este” judeu não é considerado, a velha interpretação terá que ser imposta sobre “este” judeu.

Cada judeu é um judeu diferente. Cada hindu é um indivíduo diferente, único. Você não pode interpretá-lo, porque você conhece outros hindus. Você pode ter chegado à conclusão de que todos os hindus que você conheceu são ruins, mas “este” hindu não faz parte de sua experiência. Você está interpretando “este” hindu de acordo com suas experiências passadas. Não interprete; interpretação não é consideração. Consideração significa considerar este fato — absolutamente “este” fato. Permaneça com “este” fato.

Os rishis disseram que o sexo é ruim. Pode ter sido ruim para eles; você não sabe. Você tem o desejo, um desejo fresco com você. Considere-o, olhe para ele, fique atento a ele. Então, de repente, abandone-o.

Há duas partes nessa técnica. Primeira: permaneça com o fato - consciente, atento ao que está acontecendo. Quando você sente um desejo sexual, o que está acontecendo em você? Veja como você se torna exaltado. Como o seu corpo começa a tremer, como você sente uma loucura repentina arrastando-se internamente, como você se sente como se estivesse possuído por uma outra coisa. Sinta-o, considere-o. Não faça nenhum julgamento, simplesmente mova-se com o fato - o fato do desejo sexual. Não diga que ele é mau!

Se você o disser, acabou a consideração, você fechou a porta. Agora, sua face não está na direção do desejo — suas costas estão. Você se moveu para longe dele. Você perdeu um momento no qual poderia ter entrado profundamente na camada biológica do ser. Você está apegado à camada social, que é a mais superficial.

O sexo é mais profundo do que suas shastras - escrituras — porque ele é biológico. Se todas as shastras pudessem ser destruídas - e elas podem ser destruídas, muitas vezes o foram - sua interpretação estará perdida. Mas o sexo permanecerá; ele é mais profundo. 

Não introduza coisas superficiais. Simplesmente considere o fato e mova-se para dentro, e sinta o que lhe está acontecendo. O que aconteceu para um certo rishi, para Maomé e Mahavira, é irrelevante. O que está acontecendo para você, neste exato momento? Neste momento vivo, o que lhe está acontecendo?

Considere-o, observe-o. E, então, a segunda parte... e essa é realmente bela. Shiva diz: Então, de repente, abandone-o.

De repente - lembre-se. Não diga: “Isso é ruim; assim,vou abandoná-lo. 
Eu não vou adiante com essa ideia, com esse desejo. Isso é ruim, isso é pecado; assim, eu vou parar com isso, vou reprimir”. 
Então, acontecerá a repressão, mas não um estado de mente meditativo. E a repressão está, na verdade, criando, através de suas próprias mãos, um ser e uma mente iludidos." 
[ continua...]
Osho em O Livro dos Segredos IV
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27 de maio de 2013

A Cura da Imaginação - Satyaprem


"Se você não pensa que é aquilo que te foi ensinado a pensar como sendo “você”, quem é você? Este segredo está aberto e o primeiro passo para alcançá-lo é perceber que tudo o que você pensa e imagina como sendo você, não é você. Pare de imaginar e veja o que é que fica.

Aquilo que você é não pode ser pensado e não pode ser imaginado, portanto, não adianta de nada falarmos a respeito. 

A única forma de acessar é através de uma investigação direta.

A mente, consistentemente, projeta no futuro o seu encontro consigo mesmo. Porém, o passado e o futuro não existem. 

Como você poderia estar “lá”? Isso me lembra algo que li outro dia. 
Um dos discípulos de Gurdjieff, quando perguntado a respeito do que havia sido a maior lição absorvida de seu mestre, ele respondeu: “Ele me curou da minha imaginação. Eu parei de imaginar”.

Imaginar significa conter uma imagem. 

Uma imagem é um objeto dentro da sua mente. 

Você o acessa e a partir daí passa a moldá-lo, remodelá-lo, melhorá-lo ou piorá-lo – dependendo das circunstâncias. 

No entanto, este objeto, a imagem-em-ação, só existe dentro da mente.

A mente é mais um objeto observável, assim como todos os outros objetos observáveis. Ela tenta observar e você acredita que ela observa – a confusão, nesse sentido, é imensa, porque observar não é um fazer e a mente jamais poderá compreender isso.

Pare de imaginar tudo o que você imagina e veja aquilo que você é, em toda sua pureza, livre de toda e qualquer nódoa causada pela imaginação. 

E, dentro dessa proposta, esteja muito atento, encontre um ponto onde a imaginação simplesmente não existe ou, ainda, onde ela não tem o menor valor. 
Não tente parar de imaginar com a mente, ela também não pode fazer isso. Deixe-a imaginar e permaneça atento a quem você é. 
Você é observação."
Satyaprem em Satsang

25 de maio de 2013

A Alma existe? - Krishnamurti


"A alma é uma divisão nascida da ilusão.(...)
O que temos em vista quando falamos a respeito de uma alma? 
Refere-se a uma consciência limitada. 

Para mim há somente a vida eterna — em contraste com essa consciência limitada que chamamos "eu".(...)

A maioria das pessoas acredita na existência da alma sob uma forma ou outra forma. 

Não compreenderão o que vou dizer, se, em defesa simplesmente disto, se opuserem ou citarem alguma autoridade da crença por vocês cultivada, através da tradição e do medo; nem pode esta crença ser chamada intuição, quando é apenas uma vaga esperança.A ilusão divide-se a si própria, infinitamente.

Primeiramente, vocês tem o corpo, depois a alma que o ocupa e, finalmente, Deus ou a Realidade: é assim que vocês tem dividido a vida.

A consciência limitada do "eu" é o resultado das ações incompletas e esta consciência limitada vai criando suas próprias ilusões, prisioneira de sua própria ignorância, e quando a mente está liberta de sua própria ignorância e ilusão, então manifesta-se a realidade; não são "vocês" que se tornam essa realidade.

Por favor, não aceitem o que digo, porém, comecem a investigar e a compreender como é que a crença de vocês veio à existência.
Então verão de que maneira sutil a mente dividiu a vida. Começarão a compreender o significado desta divisão, que é numa forma sutil do desejo egoísta de continuidade.

Enquanto esta ilusão, com todas as suas sutilezas, existir, não pode haver realidade.

Como este é um dos assuntos de maior controvérsia e existe tanto preconceito relativo à ele, importa ser muito cuidadoso, para não se deixar dirigir pelas opiniões pró ou contra a ideia de alma. Para compreender a realidade, a mente tem de estar, completamente livre da limitação do medo, com sua ânsia de continuidade egoísta.(...)

Não se detenham em compreender a alma, porém, em lugar disso, procurem compreender a vida da alma."

J. Krishnamurti em O medo

23 de maio de 2013

A Impermanência ...


"No Budismo é dito que a Existência Cíclica (samsara) é caracterizada pela Impermanência, Insatisfação ou Sofrimento e pelo Não-Eu.

O Buddha disse: "
Por mais firmemente que vocês se agarrem, não podem permanecer. Qual a vantagem de ficar assustados e com medo do que é inalterável? Todos os fenômenos compostos são impermanentes."

Este é o primeiro selo dos quatro selos do Dharma. A familiarização com este selo é de fundamental importância para prática budista, visto que, a impermanência é uma marca de todos os fenômenos compostos, uma característica do mundo Saha, inevitável e fundamental.

Buddha dizia, que 
s pessoas não sofrem pelos fenômenos serem impermanentes, sofrem por desejarem que aquilo que é impermanente seja permanente.

Deste modo, devemos observar a cada instante a impermanência, as mudanças cíclicas e não simplesmente sermos carregados pelas sensações que emergem com elas.

Segundo o Lama Padma Samten nossa mente funciona como uma criança em uma roda gigante, quando sente prazer é como se estivesse no alto da roda e gostaria que ela parasse, quando percebe o sofrimento é como se estivesse na parte baixa da roda e gostaria que ela acelerasse. Mas na realidade são apenas movimentos da roda, são cíclicos e interdependentes, um necessita do outro para existir e ambos necessitam de alguém para serem percebidos e interpretados.

Mestre Chagdut Tulku Rinpoche disse:
"Um dos melhores métodos para desenvolver prática espiritual pura é meditar continuamente sobre a impermanência."

As mudanças são contínuas. 

Dia-a-dia, uma estação corre para a próxima. O dia vira noite, a noite, dia. Prédios não ficam velhos de repente; na realidade, a cada segundo, desde o momento em que foram construídos, começam a deteriorar. 
Vemos também a ação da impermanência em nossos relacionamentos. Quantos de nossos familiares, amigos, pessoas de nossa cidade natal morreram? Quantos se mudaram para outros lugares, desaparecendo de nossa vida para sempre?

Há um tempo, sentíamo-nos felizes apenas ao estar junto de uma pessoa amada. Só segurar a mão daquela pessoa nos provocava sentimentos maravilhosos. Agora, talvez não possamos aturá-la, não queiramos saber coisa alguma sobre ela. Tudo o que se forma tem que se desfazer, tudo o que se junta tem que se separar, tudo o que nasce tem que morrer. Mudanças contínuas, mudanças implacáveis, são constantes em nosso mundo.

Se vivermos a duração normal de uma vida e tivermos uma morte natural, ficaremos mais e mais enfraquecidos, até que, um dia, não conseguiremos mais sair da cama. Talvez não seremos capazes de nos alimentar, de evacuar ou de reconhecer as pessoas à nossa volta. Em um dado momento, morreremos, nosso corpo uma casca vazia, nossa mente vagando pela experiência do pós-morte. Este corpo, que foi tão importante por tanto tempo, será queimado ou enterrado. Pode mesmo vir a ser devorado por animais selvagens ou pássaros. Em um dado momento, nada restará para fazer lembrar aos outros que um dia estivemos aqui. Nós nos tornaremos nada mais do que uma lembrança.

Como o corpo e a mente, nossa fala está constantemente mudando: cada palavra que enunciamos se perde; outra se apressa para substituí-la. Não há nada que possamos apontar que seja imutável, estável, permanente.

Precisamos incutir em nós mesmos uma consciência contínua da impermanência, que esteja viva momento a momento. Isso porque a vida é uma corrida contra a morte, e a hora da morte é desconhecida. 


Contemplar a aproximação da morte muda as nossas prioridades e nos ajuda a abrir mão do nosso envolvimento obsessivo com coisas ordinárias. Se permanecermos sempre conscientes de que cada momento pode ser o nosso último, iremos intensificar a nossa prática para não desperdiçarmos nem fazermos mal uso da nossa preciosa oportunidade humana. 

À medida que amadurece a contemplação dessa verdade, será fácil apreendermos os mais elevados, os mais profundos ensinamentos budistas. Vamos ter alguma compreensão de como funciona o mundo, como as aparências surgem e se transformam. Vamos passar de um mero entendimento intelectual da impermanência para a compreensão de que todas as coisas sobre as quais baseávamos nossa crença na realidade são apenas um cintilar de mudança.

Começaremos a ver que tudo é ilusório, como um sonho ou uma miragem. Embora os fenômenos apareçam, na verdade nada estável está de fato presente.

Então, poderíamos perguntar, o quê terá utilidade para nós quando morrermos? 

Não importa quão agradáveis ou simpáticos as pessoas pensem que somos; depois que estivermos mortos, elas não vão querer o nosso corpo por perto. Nem serão capazes de ir conosco, não importa quem sejam ou quão felizes nos fizeram. Temos que morrer sós. 

Isso é verdade mesmo se formos famosos, mesmo se formos tão ricos quanto o próprio deus da prosperidade. Na hora da morte, toda a riqueza que acumulamos, todo o poder, status e fama que conseguimos, todos os amigos que reunimos — nenhuma dessas coisas nos será de valia. 

Nossa consciência será extraída do ambiente em que estivermos de forma tão cirúrgica quanto um fio de cabelo de um bloco de manteiga. A única coisa que irá nos beneficiar será nossa prática do dharma; a única coisa que nos seguirá na morte será nosso karma positivo e negativo. Nada mais."
Shaku Doken em Impermanência

21 de maio de 2013

Ciclos da Vida - Eckhart Tolle


"Existem ciclos de sucesso, como quando as coisas acontecem e dão certo, e ciclos de fracasso, quando elas não vão bem e se desintegram. Você tem de permitir que elas terminem, dando espaço para que coisas novas aconteçam ou se transformem.

Se nos apegamos às situações e oferecemos uma resistência nesse estágio, significa que estamos nos recusando a acompanhar o fluxo da vida e que vamos sofrer. É necessário que as coisas acabem, para que coisas novas aconteçam. Um ciclo não pode existir sem o outro.

O ciclo descendente é absolutamente essencial para uma realização espiritual. Você tem de ter falhado gravemente de algum modo, ou passado por alguma perda profunda, ou por algum sofrimento, para ser conduzido à dimensão espiritual. Ou talvez o seu sucesso tenha se tornado vazio e sem sentido e se transformado em fracasso.

O fracasso está sempre embutido no sucesso, assim como o sucesso está sempre encoberto pelo fracasso. 


No mundo da forma, todas as pessoas "fracassam" mais cedo ou mais tarde, e toda conquista acaba em derrota. Todas as formas são impermanentes.

Você pode ser ativo e apreciar a criação de novas formas e circunstâncias, mas não se sentirá identificado com elas. Você não precisa delas para obter um sentido do eu interior. Elas não são a sua vida, pertencem a sua situação de vida.

Um ciclo pode durar de algumas horas a alguns anos e dentro dele pode haver ciclos longos ou curtos. Muitas doenças são provocadas pela luta contra os ciclos de baixa energia, que são fundamentais para uma renovação. 
Enquanto estivermos identificados com a mente, não poderemos evitar a compulsão de fazer coisas e a tendência para extrair o nosso valor pessoal de fatores externos, tais como as conquistas que alcançamos.

Isso torna difícil ou impossível para nós aceitarmos os ciclos de baixa e permitirmos que eles aconteçam. Assim, a inteligência do organismo pode assumir o controle, como uma medida autoprotetora, e criar uma doença com o objetivo de nos forçar a parar, de modo a permitir que uma necessária renovação possa acontecer.

Enquanto a mente julgar uma circunstãncia "boa", seja um relacionamento, uma propriedade, um papel social, um lugar ou o nosso corpo físico, ela se apegará e se identificará com ela. Isso faz você se sentir bem em relação a si mesmo e pode se tornar parte de quem você é ou pensa que é.

Mas nada dura nessa dimensão, onde as traças e a ferrugem devoram tudo. Tudo acaba ou se transforma: a mesma condição que fez você feliz agora faz você infeliz. A prosperidade de hoje se torna o consumismo vazio de amanhã. 
O casamento feliz e a lua-de-mel se transformam no divórcio infeliz ou em uma convivência infeliz.

A mente não consegue aceitar quando uma situação à qual ela tenha se apegado muda ou desaparece. Ela vai resistir à mudança. É quase como se um membro estivesse sendo arrancado do seu corpo.

Isso significa que a felicidade e a infelicidade são, na verdade, uma coisa só. Somente a ilusão do tempo as separa.

Não oferecer resistência à vida é estar em estado de graça, de descanso e de luz. Nesse estado, nada depende de as coisas serem boas ou ruins.

É quase paradoxal, mas, como já não existe mais uma dependência interior quanto à forma, as circunstância gerais de sua vida, as formas externas, tendem a melhorar consideravelmente. 

As coisas, as pessoas ou as circunstâncias que você desejava para a sua felicidade vêm agora até você sem qualquer esforço, e você está livre para apreciá-las enquanto durarem.

Todas essas coisas naturalmente vão acabar, os ciclos virão e irão, mas com o desaparecimento da dependência não há mais medo de perdas. 

A vida flui com facilidade.

A felicidade que provém de alguma coisa secundária nunca é muito profunda. É apenas um pálido reflexo da alegria do Ser, da paz vibrante que encontramos dentro de nós ao entrarmos no estado de não-resistência. 

O Ser nos transporta para além das polaridades opostas da mente e nos liberta da dependência da forma. Mesmo que tudo em volta desabe e fique em pedaços, você ainda sentirá uma profunda paz interior. 
Você pode não estar feliz, mas vai estar em paz."
Eckhart Tolle em Praticando o poder do agora

20 de maio de 2013

Superação - Hermógenes


"Acalme suas emoções.
Silencie seus pensamentos.
Rechace maus presságios. 
Evite autocompaixão. 

Enebrie seu coração com a convicção absoluta na bondade e na onipotência de Deus. 
E ore assim:


“Eis me aqui, Senhor, confiando em Ti, à Tua disposição. 
Tenho como oferenda, minha dor, minha resignação, minha entrega irrestrita, minha fé absoluta em Teu poder e em Tua benignidade. 
Abençoa-me. Seja feita a Tua vontade.”


Por mais feios e estreitos que sejam os horizontes, não se deixe afetar por medo, desânimo e afobação. São três adversários. Três agravantes. 

Para seu sentimento de culpa, que só lhe tem feito mal, quero que saiba que, por mais negativos que tenham sido os antecedentes e possivelmente as causas de sua atual condição, tais fatores não dispõem de poder absoluto. 

Há apenas um poder invencível, total, absoluto: o poder de Cristo que habita seu coração. 
Por mais penosa que seja sua atual situação, saiba também que Ele tem para ela a solução precisa, perfeita. 

Outra coisa: Ele ama você e quer ajudá-lo, não importa os desvarios e delitos que tenha praticado. Deus já está tomando conta do caso e o ajudando. Sabia?

IRREALIDADE DO SOFRIMENTO
“Se é verdade tudo isto, por que me encontro assim?” você se pergunta. Deus é força e está com você. Do ponto de vista do ser, sua fraqueza, em essência é irreal. A única realidade é Deus. 

Seu atual sofrimento e fraqueza são impermanentes, não tem consciência, tal como um pesadelo, o qual se apaga quando você desperta. Nossos padecimentos são fabricados com as fantasias de nossa mente, que nelas acredita, o sofrimento existe. 

Desde que nossa mente atribui realidade à doença e à fraqueza, ao mal, aos desvios, às tristezas, tais coisas existem e nos incomodam. Mas, desde que despertemos para a Realidade Divina (em nós), a suposta realidade da dor desaparecerá. Os pesadelos nos assustam e maltratam enquanto, dormindo, aceitamos que são reais. Ao acordarmos – pronto! – cessam.
DESPERTAR
Esse despertar para Deus (nossa Essência, o Ser) se consegue com oração, estudo do Evangelho (Bhagavad Gita, Dhamapada…), prática de caridade verdadeira, cultivo da paciência, sessões de Yoga, e, finalmente, a afirmação (em fé absoluta) de nossa união (estado advaita) com a Realidade (Deus, o Ser). 

Aprenda a afirmar com a maior freqüência, sem qualquer dúvida: “Deus e eu somos um” (So Ham). Afirme milhões e milhões de vezes e vai sentir uma nova força imensa crescendo dentro de você. Será como o Sol a desfazer a cerração limitadora.
Tal mudança em seu modo de se ver, ver o mundo e Deus, possibilitará o libertador despertar que a dor veio para provocar.
ARREPENDIMENTO
Tudo isto só é possível se começar pelo arrependimento. Não falo em remorso, em rememoração dos erros, em re-curtir os desvios praticados. Não é nada disso. 

Arrepender-se é fazer meia volta, isto é, mudar de rumo em seu modo de relacionar-se consigo mesmo, com os outros e com Deus; é re-nascer ou melhor, dar nascimento ao homem novo, de que fala São Paulo: “… sede transformados pela renovação de vossa mente…” (Romanos 12:2). Enquanto engodados pelo sucesso, pelo lucro, pela pseudo-saúde, pelos divertimentos, pela falsa segurança… não temos por que renovar-nos em nosso modo de ver, de pensar e conseqüentemente de agir. 

Então sobrevém a consequência fatal dos erros, isto é, a dor, e é ela que, abençoada seja! – nos sacode, nos traumatiza e assim nos desperta. É a partir do esboroamento de nossa crença em valores humanos e mundanos, sob o impacto da dor, que temos condição de nos transformar, a começar pela renovação de nossa mente. 

Isto é o que esta acontecendo com você. Portanto, o que melhor lhe desejo não poderia ser uma ação analgésic, mas uma profunda e definitiva renovação."a
Professor Hermógenes em Superação

19 de maio de 2013

Sobre o Passado - Thich Nhat Hahn


"O Buda ensinou que não deveríamos perseguir o passado “porque o passado não existe mais”. Quando estamos perdidos em pensamentos sobre o passado, perdemos o presente. 

A vida existe somente no momento presente. 
Perder o presente é perder a vida. 

O que o Buda quis dizer é muito claro: nós devemos dizer adeus ao passado de forma que possamos retornar ao presente. Retornar ao presente é ficar em contato com a vida.

O presente contém o passado. Quando entendermos como nossas formações internas causam conflitos em nós, poderemos ver como o passado está no momento presente, e não mais seremos subjugados pelo passado. 

Quando o Buda disse “Não persiga o passado” ele estava nos dizendo para não sermos subjugados pelo passado. Ele não quis dizer que deveríamos parar de olhar para o passado de forma a observá-lo em profundidade.

Quando revemos o passado e o observamos profundamente, se estivermos firmemente ancorados no presente, não seremos subjugados por ele. 
Os materiais do passado que constroem o presente se tornam claros quando se expressam no presente. Podemos aprender com eles. 

Se observarmos estes materiais em profundidade, podemos chegar a um novo entendimento sobre eles. Isto é chamado de “olhar novamente para algo antigo de forma a aprender algo novo”.

Se soubermos que o passado também está localizado no presente, entenderemos que somos capazes de mudar o passado ao transformar o presente. 
Os fantasmas do passado que nos seguem no presente, também pertencem ao momento presente. 
Observá-los em profundidade, reconhecer sua natureza e transformá-los, é transformar o passado."
Thich Nhat Hanh

16 de maio de 2013

O Buscador Espiritual - Osho


"Osho, me diga o que significa ser um buscador espiritual? 

Em primeiro lugar, significa duas coisas. Uma, que a vida tal como é conhecida exteriormente não é completa; a vida tal como é conhecida de fora não tem sentido.


No momento em que alguém se torna alerta para o fato de que toda essa vida é uma coisa sem sentido, a busca se inicia.
Essa é a parte negativa, mas a não ser que essa parte negativa esteja presente, a positiva não pode vir.

A busca espiritual significa, em primeiro lugar, um sentimento negativo: um sentimento de que a vida, tal como ela é, não tem sentido.

Todo o processo acaba na morte: pó sobre pó. Nada permanece conclusivo em si mesmo. Você passa
pela vida em tal agonia, em tamanho inferno, e nada conclusivo é alcançado.

Esse é o lado negativo da busca espiritual. 
A própria vida o auxilia a chegar a ele. Esse lado — essa negatividade, essa angústia, essa frustração — é a parte que o mundo está fazendo.

Quando você se torna realmente alerta para o fato da insignificância da vida tal como é vivida, sua busca comumente começa, porque você não pode ficar tranquilo com uma vida sem sentido.

Com uma vida sem sentido, um abismo é criado entre você e tudo o que a vida é. Uma brecha intransponível cresce, tornando-se mais e mais larga. Você se sente desamparado.


Então, a busca por alguma coisa significativa, feliz, é iniciada. Essa é a segunda parte, a parte positiva.
Busca espiritual significa chegar a um acordo com a realidade atual, não com uma projeção sonhadora. Toda a nossa vida é apenas uma projeção, sonhos projetados. 

Ela não existe para conhecer o que é; existe para se obter o que é desejado.
Você pode tomar a palavra "desejo" como um símbolo do que nós chamamos de vida. 


A vida é uma projeção dos desejos: você não está à procura do que é; está à procura do que é desejado.

Você continua desejando e a vida continua sendo frustrante porque ela é como é. Ela não pode ser como você quer. Você fica desiludido. Não porque a realidade seja antagônica a você, mas sim porque você não está em sintonia com a realidade, apenas com seus sonhos.


Seus sonhos têm uma desilusão que o arruínam. Enquanto você está sonhando, tudo está certo; mas quando qualquer sonho é alcançado, tudo se torna desilusão.

Busca espiritual significa conhecer essa parte negativa: esse desejar é a raiz causal da frustração.
Desejar é criar um inferno por livre e espontânea vontade. Desejar é estar no mundo: ser mundano é desejar e continuar desejando, sem nunca tornar-se alerta de que cada desejo não dá em nada além de frustrações. Uma vez que você se torna alerta para isso, então não mais deseja.
Ou seu único desejo é conhecer o que realmente é. Nesse momento, você decide: "Não continuarei projetando a mim mesmo, conhecerei o que é. Não porque devo ser desse modo e a realidade deva ser daquele outro modo, mas apenas por isto: quero conhecer a realidade seja ela qual for — nua como ela é. Não projetarei, não entrarei nisso. Quero encontrar a vida como ela é".
Positivamente, busca espiritual significa encontrar a existência tal como ela é, sem qualquer desejo. No momento em que não houver nenhum desejo, o mecanismo de projeção não estará mais funcionando. Então, você poderá ver o que é.
Uma vez conhecido, este "o que é" — aquele que é — lhe dará tudo.

O desejo sempre promete e nunca dá. 
Os desejos sempre prometem felicidade, êxtase, mas isso nunca vem. Cada desejo dá em troca apenas mais desejos. Cada desejo cria em seu lugar apenas desejos ainda maiores e mais frustrantes.

Uma mente não-desejosa é aquela que está engajada na busca espiritual. 
Um buscador espiritual é aquele que está completamente alerta para o absurdo do desejo e está pronto para conhecer o que é.

Quando a pessoa está pronta para conhecer o que é, a realidade aparece por todos os cantos, por todos os lados.

Mas você nunca está presente. Você está em seus desejos, no futuro. 

A realidade está sempre no presente — aqui e agora —, mas você nunca está no presente. Está sempre no futuro: nos desejos, nos sonhos. 

Você está adormecido nos seus sonhos, nos seus desejos. E a realidade está aqui e agora.
Quando esse sonho for interrompido e você estiver acordado para a realidade que está aqui e agora, no presente, haverá um renascimento. 
Você chegará ao êxtase, à satisfação, a tudo o que sempre foi desejado e nunca alcançado."
Osho, em Eu Sou a Porta

15 de maio de 2013

O Sonho do "deveria ser" - Jeff Foster


"Você recebe uma notícia inesperada. 
Você percebe uma sensação de vazio no estômago. 
A mente projeta todos os tipos de imagens sobre como a vida poderia ou deveria ter sido. Parece que a vida deu errado, como um sonho que está morrendo, como algo que era seu e foi perdido. 


Não é justo! Você se concentrar no que está faltando, o que não está aqui, o que foi embora, o que vai nunca mais voltar. 
Você não se sente mais em casa neste momento. 
Você se sente desconectado; você precisa de alguma circunstância externa mude para que você possa ficar em paz novamente.
Mas espere. 
Nada morreu, exceto um sonho de como ela foi, como 'deveria ser'. 
Mas não ia ser assim. Agora não. 

O Agora é dessa maneira, não daquela. Talvez nada tenha dado errado no universo afinal, e este momento não é um erro, não um inimigo a ser temido ou rejeitado, mas um amigo, o momento atual como ele é está aqui para ser homenageado e ser abraçado.

Quando o foco é sobre o que está faltando, o que se passou, o que está perdido, nos sentimos perdidos, saudoso, sem chão, separados da fonte, divididos contra nós mesmos, e uma casa dividida contra si mesma não pode se manter. 

A história interminável de falta começa com resistência do momento presente.

Quando o foco é sobre o que ainda está aqui, e que nunca se foi, e que está sempre aqui, quando nos lembramos de quem realmente somos, a própria presença, sabemos que nada de fundamental foi perdido. 

Nos sentimos alinhados novamente, de volta para casa, mesmo no meio de uma notícia devastadora. 

Talvez a notícia não foi um erro afinal. 
Talvez fosse mais um convite para alinhar, a virar-se para o momento, respirar profundamente, e para lembrar quem somos, o que nunca é perdido, nunca ausente, nunca verdadeiramente esquecido, e nunca está longe. 

Ele é a nossa paz, a nossa alegria e a nossa força inabalável, nossa árvore profundamente enraizada em uma violenta tempestade, silenciosa e imutável. E essa é a melhor notícia de todas."

14 de maio de 2013

Proteção e Conservação - Dalai Lama


"Para o sucesso da proteção e conservação do meio ambiente natural, penso que é importante primeiro de tudo fazer com que um equilíbrio interno aconteça dentro dos próprios seres humanos. 

O abuso do meio ambiente, que resultou em tais danos à comunidade humana, surgiu da ignorância quanto à importância do meio ambiente. Penso que é essencial ajudar as pessoas a compreender isto. Precisamos ensinar às pessoas que o meio ambiente tem uma relação direta com o nosso próprio benefício.

Eu estou sempre falando da importância do pensamento compassivo. 


Como disse antes, até do seu próprio ponto de vista egoísta, você precisa de outras pessoas. Então, se desenvolver a preocupação pelo bem estar de outras pessoas, compartilhar o sofrimento dos outros, e ajudá-los, no fim você se beneficiará. Se pensar só em si mesmo e se esquecer dos outros, no fim você perderá. Isso também é como a lei da natureza.

É muito simples: se você não sorrir para as pessoas, mas olhar de forma carrancuda, eles vão responder de maneira similar, não vão? Se lidar com outras pessoas de uma maneira muito sincera e aberta, eles se comportarão de forma similar. 

Todo mundo quer ter amigo e não quer ter inimigo. A forma correta de fazer amizades é ter um coração caloroso e não só dinheiro ou poder. Amigos do poder e amigos do dinheiro são coisas diferentes: eles não são amigos verdadeiros. 

Amigos verdadeiros devem ser verdadeiros amigos do peito, concordam? Eu estou sempre dizendo às pessoas que os amigos que aparecem quando você tem dinheiro e poder não são seus verdadeiros amigos, mas amigos do dinheiro e do poder, porque assim que o dinheiro e o poder desaparecerem, estes amigos também estão prontos para partir. Eles não são confiáveis.


Amigos humanos autênticos ficam ao seu lado quer você tenha sucesso ou esteja sem sorte e sempre dividem as suas dores e cargas. 
A maneira de fazer tais amizades não é tendo raiva, nem tendo boa educação ou inteligência, mas tendo um bom coração.

Para aprofundar o pensamento, se você precisa ser egoísta, então que seja sabiamente egoísta. 
A chave é o senso de responsabilidade universal; esta é a verdadeira fonte da força, a verdadeira fonte da felicidade.
Se a nossa geração explora tudo que há disponível — as árvores, a água, e os minerais — sem qualquer cuidado com as próximas gerações ou o futuro, então estamos errados, não estamos? Mas se tivermos um senso genuíno de responsabilidade universal como nossa motivação central, então as nossas relações com nossos vizinhos, tanto os nacionais quanto os internacionais serão promissoras.

Outra questão importante é: O que é consciência e o que é a mente? 

No mundo ocidental, durante os últimos um ou dois séculos, houve grande ênfase em ciência e tecnologia, que trata principalmente da matéria. Atualmente alguns físicos nucleares e neurologistas dizem que quando investigamos partículas de uma forma muito detalhada, há algum tipo de influência do lado do observador, o sabedor. 

O que é este sabedor? Uma resposta simples é: um ser humano, o cientista. Como este cientista sabe? Com o cérebro, os cientistas ocidentais identificaram até agora apenas umas centenas. 
Agora, quer chame isto de mente, cérebro, ou consciência, há uma relação entre cérebro e mente e também entre mente e matéria. Penso que isto é importante, Acredito que é possível manter algum tipo de diálogo entre a Filosofia Oriental e a Ciência Ocidental com base neste relacionamento.

Em qualquer caso, atualmente nós seres humanos estamos muito envolvidos com o mundo externo, enquanto negligenciamos o mundo interno. 

Precisamos de desenvolvimento científico e desenvolvimento material para sobreviver e para aumentar o benefício e a prosperidade geral, mas precisamos igualmente de paz mental. 

No entanto, nenhum médico pode aplicar uma injeção de paz mental, e nenhum mercado pode vendê-la. Se você for até um supermercado com milhões e milhões de dólares, você pode comprar qualquer coisa, mas se for até lá e pedir paz mental, as pessoas vão rir. 
É se pedir a um médico a paz mental autêntica, não a simples sedação que consegue tomando algum tipo de pílula ou injeção, o médico não poderá ajudá-lo.

Até os atuais computadores sofisticados não podem dar paz mental. A paz mental deve vir da mente. 

Todo mundo quer felicidade e prazer, mas se compararmos prazer físico e dor física com prazer mental e dor mental chegamos à conclusão de que a mente é mais efetiva, predominante e superior. 

Assim, vale a pena adotar certos métodos para aumentar a paz mental, e para fazer isto é importante saber mais a respeito da mente. 

Quando falamos de preservação do meio ambiente, isso está relacionado a muitas outras coisas. O ponto chave é ter um senso autêntico de responsabilidade universal, baseado em amor e compaixão, e consciência clara."Dalai Lama em My Tibet

13 de maio de 2013

O Agora é Liberdade - Satyaprem


"Você é o oceano. A ideia de ser uma onda é inadequada, causa separação. 
A ideia de separação é a causa do sofrimento. E o sofrimento gera a a busca pela felicidade...

A boa nova é que não tem felicidade. E sofrimento, tampouco.
Você sofre porque deseja a felicidade, algo fugaz, que vem e vai. 

Atente para o fato de que também o sofrimento vem e vai. Nada fica. Então, por que buscar um e evitar o outro? 

Você já teve o melhor carro, e ele se foi. Já teve aquele grande amor e este também se foi. Essa é a natureza das coisas. Essa é a lei do periférico: ir e vir. Tudo aquilo que aparece, desaparece. 

Tudo aquilo que vem, vai.
Só uma coisa não vem nem vai, permanece. E não é uma coisa. 

É para Isso que quero que você atente. 
Descubra o que é Isso que fica. 
O que é Isso que nunca foi, nunca irá e não veio de lugar nenhum? Veja! 

É o momento de compreender essa linguagem que, até hoje, tem sido completamente oculta. 

É o momento de compreender todas aquelas – antes incompreensíveis – histórias Zen.Você está sendo iniciado e agora não só compreende a nova linguagem como pode vivenciá-la no seu dia a dia. 

Você está em casa e isso está ficando claro. Chega de se confundir com os sentimentos, com o corpo, com a mente. 
Este é um momento em que é necessário que muitos saibam a respeito de Si, seja um deles. Saiba quem você é. 
Seja quem você É.

Verifique que aqui e agora não há nenhum querer, nenhum desejo e isso não é algo que deva ser alcançado, basta ser percebido, pois é a sua natureza. Verifique – veja e fique –, olhe para o lugar certo e tudo o que você busca está absurdamente diante do seu nariz.  

Se você olha para a mente, sempre encontra desejos e, consequentemente, insatisfação. Se olha para o lugar certo, o que encontra? O lugar certo, neste contexto, é dentro – e dentro não pode ser acessado com os sentidos. Logo, pergunto: o que você vê sem os sentidos? Silêncio é a resposta. A única resposta. Se é isso o que você quer, aproxime-se!

Costumo questionar algumas pessoas que me encontram pela primeira vez a respeito do que elas estão pensando “agora”. Geralmente, dada a pergunta, elas começam a pensar ou tentar pensar em algo, sem se dar conta que “agora” elas não pensam. Pensar está sempre antes ou depois. O corte do “agora” é muito mais brusco e agudo. Nada pode acontecer no “agora”.

Por este motivo a pergunta é feita e refeita, incansavelmente – muitos a fizeram e vislumbro que tantos outros a farão – para que esta semente, a semente da Verdade, se instaure.

Apenas uma coisa deve ser feita, estabeleça a seguinte verdade: aqui e agora é onde reside o segredo. 
Tudo o que você tem feito para encontrar o segredo, apenas o afasta. Esteja atento ao “aqui e agora” e nada mais é necessário. Se você quer que, no mínimo, a sua vida “melhore”, enamore-se do “aqui e agora” e será o fim de todo o sofrimento. 
Uma vez que se estabeleça essa abertura, possivelmente você estará diante de uma imensurável liberdade, pelo reconhecimento e deleite em ser o que você é. 
Satyaprem em Satsang

12 de maio de 2013

Vida - Amor...



O Amor nos alcançou muito antes de existirmos,
O Amor constrói a Vida silenciosamente,
Despe-se de qualquer vaidade,
Se dá em cada Ser,
Simplicidade, serenidade, perfeição...

Amor é Ação,
Amor é Ato,
Amor é Fato,
Amor - Amar...

Amor abre espaços profundos,
e cria dobras infinitas,
Longe dos olhos,
A Vida é concebida...

Amor gerado,
Amor cuidado,
Amor alimentado
Amor Amado...

Dentre tantas maravilhas a Vida é a plenitude do Amor
Sua maior expressão...
Beleza infinita...
Obra prima do Amor em ação...
Mãe,
Vida- Amor que brota em botão,
Realização da certeza que o Amor é nossa natureza verdadeira
Nossa fonte,
Nossos passos,
Nossa meta...
A verdadeira riqueza de Ser Amor...

Amor de Mãe não cabe em si
Amor de Mãe, 
Amor plenitude
na sua mais Luminosa 
Generosa,
Absoluta 
Manifestação...

Mãe que acolhe em seu Ser, em seu coração Todo o Amor do mundo...
Um beijo carinhoso à todas as Mães, e em seus filhos muito amados...
Amor 
Lilian



11 de maio de 2013

A Paz nasce da Paz...


"A Paz não é uma "coisa", um objeto... 
A Paz é o que resta, quando tudo o mais que não tem importância, se vai.
Paz não é conquista, como um campeonato, ou um novo continente.Não.

Paz é atributo da alma, é o raio de sol do Ser que se desponta sereno
quando todas as batalhas da mente já foram abandonadas.

Paz não se compra, nem se aprende,
Paz não é merecimento, e nem mesmo recompensa,
Paz é o vazio, o silencio pleno de amor e confiança.
Se perguntar confiança em que? em quem? Nem para isso existe resposta,
já que a Paz é Ser e não Ter, não é "coisa" é mais uma Dimensão.

Podemos viver décadas, vidas e vidas buscando a paz, ou mesmo tênues momentos de Paz, e a carregamos na nossa essência desde sempre, isso é mesmo paradoxal.

Nós nascemos Paz, e ao longo da vida vamos colocando tantas regras, tantas memórias, tantos condicionamentos, problemas, culpas, metas, objetivos, desafios, obrigações, tantas coisas e a paz se torna uma "coisa" também. 
Mas nunca foi.

Perdemos o foco, perdemos o centro, e nesse centro, a Paz é sempre presente. Nunca deixou de ser, sempre esteve aqui e agora, no mais profundo de cada um de nós.


Vamos a guerra em busca de Paz, e mesmo nos pequenos instantes do dia a dia, estamos em guerras internas, guerras mentais, revoltas, rebeliões internas, conflitos, e para completar todas essa "guerras" nos lembramos que precisamos de Paz...

Nós criamos as guerras, sejam elas quais forem, nós criamos as guerras... 
Como fazemos isso: Nós alimentamos pensamentos conflitantes, em que nos colocamos como centro do mundo, e tudo o mais tem que correr conforme nossa vontade. Nós partimos do principio de que "eu" sou melhor que "você"; ou que "eu" preciso ser tão bom quanto "você"; que alguém está me prejudicando, que estou sendo explorada, que a vida é injusta, que isso e aquilo... Guerras, guerras, e mais guerras...

Onde está a Paz nessas horas? Onde? 
Nosso foco ficou aprisionado na bolha de sabão do "eu". Tomamos essa bolha como centro do Universo, e nos desconectamos da Grande Vida... isso é a causa das guerras internas, que muitas vezes se exteriorizam e causam tanta dor e sofrimento...

Retomemos o centro, reconectemos com a Grande Vida, eternamente em fluxo.
Primeira coisa: Quem SOU EU? É a pergunta que devemos nos fazer numa situação dessas. Quem SOU EU?

Sou uma pequena bolha de sabão egóica? Sou auto-suficiente? Possuo alguma autonomia?

Claro que não. 
Nunca houve essa bolha de sabão egóica na verdade, só mesmo os pensamentos criaram essa ilusão de ótica chamada "eu", chamada "você"... Isso é pura imaginação. 

Quem SOU EU?
Essa é a pergunta que não possui resposta. 


Essa pergunta nos conecta com o Ser original, pleno, Universal. 

Quem SOU EU se não a própria Vida, a própria Realidade, a Totalidade..
Tudo incluído. Tudo já possui a permissão para acontecer, para existir desde sempre...Tudo é possível! Isso é algo divinamente belo, e ao mesmo tempo extremamente desafiador, pois nos coloca sempre em movimento, em constante adaptação ao momento presente. 
Assim é a Vida. Sempre nos desafiando a nos adaptarmos e a criarmos juntos o momento presente.

Com essa Consciência do EU SOU, como é possível existirem guerras aqui? agora?
Impossível.


O que emerge é a Confiança, e mais, a Compaixão e o Amor...

A Unicidade é restabelecida, e vemos como todas as guerras surgem da inconsciência, da cegueira de quem realmente nós somos.

Paz nasce da Consciência.
Quanto mais consciente, mais centrados Naquilo que É, mais a Paz se faz presente e permanente. Não se precisa buscar a Paz, basta que estejamos ancorados na Consciência Plena, que todas as guerras se dissolvem como fumaça...
E como dizia o amado Papaji: Tudo o que nasce da Paz, é Paz...
Amor
Lilian


10 de maio de 2013

Transformando a Raiva em Compaixão...


"Você só pode cometer um erro quando se esquece que a outra pessoa está sofrendo. Temos a tendência de acreditar que só nós sofremos, e que a outra pessoa está feliz por nos fazer sofrer.

Quando achamos isso, fazemos coisas más e cruéis para magoar o outro. A consciência de que a outra pessoa sofre muito, ajudará você a ouvir profundamente.

A compaixão se torna possível e você consegue mantê-la viva enquanto escuta. Agindo assim, você será um excelente terapeuta para o outro.


Talvez a outra pessoa seja muito crítica e diga palavras de acusação, mostrando-se amarga.

No entanto, como a compaixão está em você, essas atitudes não afetam tanto.
O néctar da compaixão é maravilhoso.

Se você se empenhar em mantê-lo vivo, estará garantindo sua proteção. 
O que a outra pessoa diz não desencadeará raiva e irritação em você, porque a compaixão é o verdadeiro antídoto da raiva.

Somente a compaixão é capaz de curar a raiva.

É por isso que a prática da compaixão é maravilhosa.

Só é possível existir compaixão quando a compreensão está presente.

Compreensão de que? 
O entendimento de que a outra pessoa sofre e precisa da minha ajuda.(...)

A raiva é uma coisa viva.
Ela brota e precisa de tempo para abrandar.

Quando você desliga um ventilador, ele continua a girar durante algum tempo antes de parar. 
A raiva também é assim. Não espere que a outra pessoa pare imediatamente de sentir raiva. Deixe que ela desapareça aos poucos, lentamente.

A paciência é a marca do verdadeiro amor. Se quisermos amar, precisamos aprender a ser pacientes, tanto com os outros quanto com nós mesmos.

A prática de abraçar a raiva requer tempo, mas, se você praticar durante apenas cinco minutos a respiração consciente, o andar consciente e abraçar sua raiva, poderá alcançar um resultado eficaz. Se cinco minutos não forem suficientes, leve dez. e se dez não bastarem, leve quinze.

Leve o tempo que precisar.(...) 
Quando está chovendo, parece que não existe a luz do sol. Mas se ultrapassarmos as nuvens, veremos que a luz está sempre presente. Mesmo num momento de raiva ou desespero, nosso amor continua presente.

Nossa capacidade de comunicação, de perdão, de sentir compaixão, ainda existe.

Tenha certeza: somos mais do que a nossa raiva, mais do que o nosso sofrimento.
Se você souber que tem dentro de si a capacidade de amar, compreender e sentir compaixão, não sentirá desespero quando chover.

Você sabe que a chuva está presente, mas a luz do sol continua existindo em algum lugar e, quando a chuva parar, o sol voltará a brilhar. 

Se nos momentos de raiva você conseguir lembrar que os sentimentos positivos continuam dentro de você e da outra pessoa, saberá que é possível abrir caminho para eles, de modo que o que há de melhor em vocês volte a se manifestar."
Thich Nhat Hanh em The heart of undestanding

9 de maio de 2013

Balões - Jeff Foster


"Um balão cheio de ar, flutua num mar infinito de ar... 
E o balão diz para si mesmo: 
- "Eu” sou um indivíduo. 
Eu vivo em um mundo cheio de indivíduos. 
Um mundo de “eu” e “meus”: meus pensamentos, minhas lembranças, minhas crenças, minhas realizações, meus sucessos, meus fracassos, meu passado, meu futuro, meus relacionamentos. 
Eu possuo um pequeno pedaço do todo, um pedacinho da vida. Esta é a minha pequena parte do todo.”

O que o balão mais teme é estourar – em outras palavras, a sua própria morte – porque vê isso como a perda definitiva do “eu e meu”
Em outras palavras, a morte é a perda da “minha pequena parte do todo”. 
O fim da ‘minha vida’.

O que o balão não pode ver é que a morte é a libertação. 
Após a morte, “minha pequena parte do todo” simplesmente explode de volta para o todo. 
“Minha vida” se dissolve de volta à vida em si. E o que se vê é que “a minha vida” foi sempre uma ilusão, porque nunca houve alguém lá separado do todo. Houve apenas o todo, sempre. 

O balão nunca “tinha” qualquer coisa para começar, e assim nunca poderia “perder” qualquer coisa. 
Em outras palavras, não há “indivíduo” separado da própria vida – apenas parece existir.

A mente (pensamento) nunca será capaz de compreender isso. 

Mas em algum lugar além da mente, em algum lugar além das histórias que contamos sobre a vida, em algum lugar além de todos os nossos conceitos, filosofias, ideologias, religiões … pode haver um reconhecimento, uma ressonância, um saber. 

E essa mensagem é realmente sobre isso: um reconhecimento que está totalmente além da mente e além das palavras.

Você é perfeito como você é – até mesmo em sua imperfeição. 
A vida é perfeita como ela é, mesmo se você não puder ainda ver isso. 

Esta é uma viagem para dentro da sua própria ausência, uma ausência que finalmente se revela como a presença perfeita de tudo, como o lar que você sempre buscou, e que será e encontrará: Você escreveu essas palavras a si mesmo, para lembrar-se de que, no fundo, você sempre soube.
Jeff Foster em Life Without a Centre

8 de maio de 2013

O Todo Unificado - Eckhart Tolle


"Nem os conceitos, nem as fórmulas matemáticas podem explicar o infinito. 
Nenhum pensamento é capaz de conter a vastidão da Totalidade.

A realidade é um modo todo unificado, entretanto, o pensamento a divide em fragmentos. Isso causa erros básicos de interpretação - por exemplo, a ideia de que existem coisas e acontecimentos separados ou de que isto é a causa daquilo. Todos os pensamentos pressupõe uma perspectiva e toda perspectiva pela sua própria natureza implica limitação, o que em última análise, significa que não é verdadeira, pelo menos absolutamente.

Apenas o Todo é verdadeiro, porém, não pode ser expresso em palavras nem em pensamentos. De uma perspectiva distante das limitações do pensamentos e, portanto, incompreensível à mente humana, tudo está acontecendo agora. Tudo é que sempre foi ou que será, existe agora, fora do tempo, que também é uma construção mental.

Sempre que não encobrimos o mundo com palavras e rótulos, retorna à nossa vida a sensação do milagre, que foi perdida muito tempo atrás, quando a humanidade, em vez de usar o pensamento, deixou-se possuir por ele. 

Uma profundidade volta à nossa vida. As coisas recuperam sua novidade, seu frescor. E o maior de todos os milagres é vivenciar o eu essencial antes de qualquer palavra, qualquer pensamento ou rótulos mentais e imagens. Para que isso aconteça, precisamos desvincular nossa percepção do eu com todas as coisas que se relacionam com ele. (...) 

Tudo parece estar sujeito ao tempo, ainda assim, tudo acontece no Agora, no momento presente. Esse é o paradoxo. Sempre vemos várias evidências circunstanciais da realidade do tempo, como uma maçã murcha, nosso rosto no espelho comparado à nossa aparência em uma fotografia tirada há 30 anos antes. Porém nunca encontramos uma evidência direta, jamais vivenciamos o tempo em si.

A experiência que sempre temos é a do momento presente, ou melhor, a do que ocorre nele. Se nos basearmos apenas nas evidências diretas, então o tempo não existe e o Agora é tudo o que existe, sempre.


O Agora assume a forma de qualquer coisa ou acontecimento.
Enquanto resistirmos a isso internamente, a forma, isto é o mundo, é uma barreira impenetrável que nos separa de quem somos além dela, que nos afasta da Vida única sem forma que nós somos. 
Quando dizemos um SIM interior para a  forma que o Agora adquire, ela própria se torna uma passagem para o que não tem forma. A separação entre o mundo e Deus se dissolve.

Somente quando resistimos ao que ocorre é que ficamos à mercê dos acontecimentos e o mundo determina nossa felicidade ou infelicidade.

Toda vez que você fica ansioso ou estressado, isso mostra que o propósito exterior assumiu o controle e você perdeu o propósito interior de vista. Terá se esquecido de que seu estado de consciência é primário e todo o resto secundário.
Contudo, o que originou a ansiedade ou tensão, ou o negativismo? Nosso afastamento do momento presente. E porque fizemos isso? Porque pensamos que outra coisa fosse mais importante. Acabamos por nos esquecer do propósito primário. Um pequeno erro, uma interpretação equivocada.. um mundo de sofrimento.

Estar alinhados com o que é significa estarmos numa relação de não resistência interna com os acontecimentos. Isso corresponde a não rotular essa realidade mentalmente como boa ou má, e sim, deixá-la ser o que é.
Isso quer dizer que não podemos mais agir para provocar mudanças em nossa vidas? Pelo contrário. Quando a base para nossas ações é o alinhamento interior com o momento presente, elas se tornam fortalecidas pela inteligência da Vida em si."
Eckhart Tolle em Em Comunhão com a vida

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