29 de setembro de 2013

Alegria descondicionada - Jean Klein


"Em alguns momentos, a sós conosco mesmos, experimentamos uma imensa carência interior.

É a motivação-mãe que gera as demais. A necessidade de preencher esta carência, de apagar esta sede, nos leva a pensar, a agir. Sem sequer interrogá-la, fugimos de nossa insuficiência, tratamos de preenchê-la às vezes com um objeto, às vezes com um projeto, e logo, decepcionados, corremos de uma compensação à seguinte, indo de fracasso em fracasso, de sofrimento em sofrimento, de guerra em guerra.

Este é o destino do homem comum, de todos os que aceitam com resignação esta ordem de coisas que julgam inerente à condição humana.

Observemos de mais perto. 

 Enganados pela satisfação que nos proporcionam os objetos, chegamos a constatar que causam saciedade e, até mesmo, indiferença: nos preenchem num momento, nos levam à não carência, nos devolvem a nós mesmos e logo nos cansam; perderam sua magia evocadora. 

Portanto, a plenitude que experimentamos não se encontra neles, está em nós; durante um momento o objeto tem a faculdade de suscitá-la e tiramos a conclusão equivocada de que ele foi o artesão desta paz. O erro consiste em 
considerar este objeto como uma condição ‘sine qua non’ da dita plenitude.

Durante estes períodos de alegria, esta existe em si mesma, não há nada mais. Logo, referindo-nos a essa felicidade, a superpomos a um objeto que, segundo acreditamos, foi o que a ocasionou. 

Portanto, objetivamos a alegria (transformamos a alegria em um objeto). 

Se constatarmos que esta perspectiva na qual nos situamos só pode dar uma felicidade efêmera, incapaz de nos proporcionar aquela paz duradoura que está dentro de nós mesmos, compreendemos, por fim, que, no momento em que alcançamos o equilíbrio, nenhum objeto o causou; a última satisfação, alegria inefável, inalterável, sem motivo, está sempre presente em nós; o que ocorre é que estava velada para nossos olhos."
Jean Klein em A Alegria sem Objetos

28 de setembro de 2013

Do só para o só - Krishnamurti


"Nunca estamos sozinhos; vivemos sempre rodeados de pessoas e de nossos próprios pensamentos. 

Mesmo quando as pessoas estão longe, vemos as coisas através do filtro de nossos pensamentos. São muito raros, ou mesmo inexistentes, os momentos em que o pensamento não exista. 

Não sabemos o que é estar sozinho, estar livre de todas as associações, de toda a continuidade, de todas as palavras e imagens.

Somos solitários, mas não sabemos o que é estar sozinhos.

A dor da solidão enche nossos corações, e a mente a encobre com medo. A solidão, aquele isolamento profundo, é a sombra negra de nossa vida. Fazemos o possível para escapar dela, mergulhamos em todas as rotas de fuga que conhecemos, mas ela nos persegue, e jamais estamos fora dela. 

O isolamento é o modo de nossa vida; raramente nos fundimos com outra pessoa, pois em nosso íntimo estamos quebrados, despedaçados e incurados. Em nós mesmos, não estamos inteiros, completos, e a fusão com outro só é possível quando há integração interior. 

Temos medo de estar sozinhos, pois isso abre a porta para nossa insuficiência, para a pobreza de nossa própria existência; mas é o estar sozinho que cura o intenso ferimento da solidão. 
Caminhar sozinho, sem o estorvo do pensamento, do rastro de nossos desejos, é ir além do alcance da mente. É a mente que isola, separa e interrompe a comunhão. 

A mente não pode ser tornada inteira; ela não pode tornar-se completa, pois esse próprio esforço é um processo de isolamento, é parte da solidão que nada consegue encobrir.

A mente é o produto dos muitos e o que é criado em conjunto jamais pode estar só. 

O estar só não é resultado do pensamento. 

Somente quando o pensamento está totalmente quieto há a fuga do só para o só."
Krishnamurti em O Despertar da Inteligência

27 de setembro de 2013

Testemunhar - Osho


“Querido Osho, Eu sempre estou oscilando entre uma excitação de alta energia, onde a vida é maravilhosa e é uma alegria estar só, e estes dias quando há uma tranqüilidade que é estúpida e enfadonha. Num momento existe energia, mas nenhuma consciência, e no outro existe consciência, mas 
nenhuma energia.Existe um artifício para fazer com estes dois momentos estejam juntos?


Osho - Isto é uma coisa muito simples. Você diz que tem momentos de grande êxtase, cheio de energia, mas que você fica afogado nesta energia; o êxtase é tão intenso que você se esquece de ficar alerta. Você fica imerso naquele êxtase e a testemunha não está presente. E você diz que existem momentos quando está triste e entediado, mas a testemunha está ali.

Você simplesmente precisa que colocar as coisas
no seu devido lugar. Comece com seu tédio e sua tristeza, porque a testemunha está ali e a testemunha será a ponte. 
Assim, quando você estiver triste e entediado, simplesmente observe este estado, como se ele fosse alguma coisa fora de você; ele é. Você sempre é uma testemunha e agora está testemunhando tristeza e tédio.

É fácil testemunhar a tristeza e o tédio, porque
ninguém quer ficar mergulhado no tédio. E isto é muito importante porque você pode aprender toda a arte enquanto você estiver entediado. Simplesmente observe o tédio e na medida em que o seu testemunhar cresce, você verá que existe uma distância entre você e o tédio, a tristeza, a miséria, a dor e a angústia. Você não é parte de toda essa experiência; você está de pé no alto, acima das montanhas, um observador nas montanhas, e tudo mais está se movendo lá em baixo, no vale escuro.

Você já tem o segredo, só falta praticá-lo mais e
mais. Sente-se ao lado de um burro, sente-se ao lado de um búfalo; fique olhando para o búfalo e você ficará entediado. Por todo lado você pode encontrar objetos que serão imensamente úteis. Você não precisa esperar pela chegada desses momentos, porque quem sabe quando o búfalo se aproximará de você? Por que não ir até o búfalo?

Você pode se enfiar no meio do gado e sentar-se
entre os animais. Você se vai se sentir entediado. O gado fica pastando e mastigando o capim. Você acha que você vai começar a pastar? Você não vai se envolver naquilo. Sentado no meio do gado, entre os búfalos, você vai se sentir apenas como uma testemunha.


Não fique triste nem entediado. Deixe que o tédio esteja ali, assim como a tristeza. E você permanece sendo simplesmente uma testemunha. Nestas situações, isto é mais fácil. Depois que você já tiver fortalecido a sua testemunha, experimente então testemunhar aqueles momentos de êxtase, aquelas alturas... Aí será um pouco mais difícil, pois virá uma vontade de lançar-se naquele espaço cheio de ondas. Quem vai querer ficar sentado num banco só observando? Surge o medo de que aquele momento se vá, se perca, se ficarmos só observando.

Não se preocupe. Se você testemunhar, o momento
vai permanecer ali, a experiência vai crescer ainda mais e vai tornar-se cheia de cores. Mas em momento algum fique identificado com a experiência. Permaneça desapegado, simplesmente um expectador.

A arte é a mesma, não importa se é com o tédio ou
com o êxtase. O que importa é que você não esteja envolvido, que mantenha a distância, que permaneça ali, parado.(...)

Quando testemunhar, você ficará surpreso, pois o tédio, a tristeza, a felicidade, o êxtase, seja o que for, vai começar a se mover para longe de você. Na medida que o seu testemunhar fica mais profundo e mais forte, se torna mais cristalizado, qualquer experiência, boa ou má, bela ou feia, desaparece. Existe um puro nada por toda a sua volta.

O testemunhar é a única coisa que pode torná-lo 
mais consciente do imenso nada que o circunda. E nesse imenso nada... Não é vazio, lembre-se. Em inglês não existe uma palavra para traduzir a palavra budista shunyata. Esse nada não é vazio, ele é cheio da sua presença, cheio do seu testemunhar, cheio da luz de sua testemunha.

Nesse nada, você se torna quase um sol, e os
raios do sol movem-se dentro do nada em direção ao infinito.

Um dos místicos indianos, Kabir, disse, ‘Minha
primeira experiência foi com o sol e na medida em que minha experiência foi crescendo, vi que o sol externo é nada e o sol interno é infinito. A sua luz preenche todo o infinito da existência. E em tal momento eu sou apenas uma testemunha; eu estou lá.’

Assim, comece testemunhando o seu tédio, a sua
tristeza, porque a questão não é o objeto, a questão é a arte de testemunhar. Comece com qualquer objeto – raiva, ódio, amor, ciúme – qualquer coisa serve. Se você nada encontrar, pegue um espelho e olhe para a sua face, testemunhe-a. E você ficará muito surpreso, pois quando você está num completo estado de testemunhar, o espelho se torna vazio, você não está nele.

Em total testemunhar, o objeto desaparece.

Pela primeira vez você será capaz de ver o
espelho como um nada.

Comece com coisas que são mais fáceis, e depois
passe para as que são mais onduladas. A ponte é simples."
Osho em From Death to Deathlessness

25 de setembro de 2013

Satsang e a Desilusão - Satyaprem


"Estar em Satsang é estar no vazio da ausência das crenças.

É estar no ponto onde não há necessidade de crer no que
quer que seja,pela mera investigação de cada crença, dando-se conta de que toda crença é condicionada.
Toda crença tem uma condição pela qual ela exista, tem uma função.Surge para manter um estado de realidade das coisas, que não é o seu estado natural.

Se você entender a diferença entre natural e artificial,
vai entender que o estado natural das coisas é absolutamente anterior a sua existência, é anterior a qualquer condição que seja posta.


Investigando os conceitos na sua mente, é possível que entre em contato com um oceano tão vasto de crenças não investigadas, que lhe façam pensar: “Como parar de acreditar nas coisas que eu acredito?”

Para talvez tornar mais palpável o que estou dizendo...
hoje mesmo, abri uma revista e numa das matérias alguém estava falando do “Encontro das mulheres desiludidas”. Mas ninguém se deu conta de que as mulheres e os homens, em geral, estão iludidos.

Quando você perde algo ou alguém, você entra num grande
processo de desilusão.

Na nossa cultura olhamos para isso e dizemos: “A coitada,
está desiludida com o marido. A coitada, está desiludida com os relacionamentos”.

Ora! Vejamos de uma forma positiva: “des-iludir-se” é
entrar em contato com a realidade. Mas dentro da lógica à qual todos estão condicionados, entrar em contato com a realidade é algo absolutamente não-desejável.

Cada desilusão na sua vida é um portal para o Satsang acontecer.

Revela que você estava projetando algo em alguém ou num
dado fenômeno, numa determinada condição...e o que esperava não veio a acontecer. A tendência da mente é trocar de pessoa, de objeto, mas continuar com a ilusão.

Veja como você faz... Troca de carro, troca de namorado,
troca de terapeuta, troca de emprego... está sempre projetando a sua realização nas mãos de algo ou alguém.

Se você olhar para Satsang, de verdade, vai ver que a sua realização não está nas mãos de ninguém, que, inclusive, não pode ser projetada no futuro.

Você só pode ser quem você é, aqui e agora.
E uma vez que isso seja realizado há a tendência de que você sofra uma série de “des-ilusões”.
Se você olhar do ponto de vista cultural condicionado, ao conversar com sua mãe sobre a não existência do Papai Noel, ela, certamente, sentirá muita pena de você. Mas se compartilha com alguém que já realizou o mesmo, ele dirá:

"Que bom! Finalmente você está acordando para aquilo que é”.
Satyaprem em Satsang

***
Só nos "deludimos" porque em algum momento nós nos iludimos...

Ninguém faz isso com a gente, somos nós mesmos que teimamos em acreditar em fantasias, e elas mesmas nos levam a delusão... desilusão..
Claro, tudo aquilo que não é realidade vem a baixo em algum momento, só a verdade se sustenta. E a verdade não é uma coisa, a verdade é uma experiência, logo, estamos sempre sendo postos a prova da verdade, da realidade, e nossas desilusões estão sendo abaladas a todo momento...

Viver é experimentar. 
De cada experiência tiramos enormes lições. Isso enriquece nossa vida, e vamos pouco a pouco simplificando nossa vida, na medida em que nos atemos aquilo que é, nos atemos a lidar com o aqui e agora de forma simples, direta, e sem crenças misturadas..
Essa é a melhor forma de se levar a vida, de maneira simples, com os olhos puros, e sem carregar bagagens desnecessárias...

As crenças acabamo por nos confundir, e além disso, nos tiram do momento presente pois começamos a comparar, a questionar, a "colar" etiquetas sobre o que a realidade nos apresenta.

O que Satya nos coloca aqui é bastante pertinente. As desilusões são bem vindas, sempre! Pois elas são as únicas capazes de nos mostrar a grandeza da vida acontecendo, muito além de conceitos vãos e de idéias sem fundamento.


Desilusão é Acordar!! Que bom !!
Acordemos então!!
Amor
Lilian

23 de setembro de 2013

Poesia e a Vida...


Num pequenino jardim
Numa pequenina manhã
Soprava a brisa costumeira
Ciscavam os besouros faceiros..

Num pequenino jardim
Corriam as formigas trabalhadeiras
Cantavam as cigarras altivas
e as árvores verdejantes 
coloriam de pétalas 
o caminho...

Num pequenino jardim
Libélulas dançavam suas danças aladas
Abelhas visitavam flor em flor 
trabalhadeiras...

Num pequenino jardim
Amanhecia calmamente em cantoria
Pedras eram cristais e 
Cristais brilhavam como
as estrelas...

Num pequenino jardim 
Cercado de borboletas coloridas
Admirava essa imensidão de vida pulsante
Nem me dei conta que meu coração também 
batia junto com as asas coloridas
e sentimentos se misturavam com todos os aromas do jardim...
As belezas todas 
eram melodias dessa sempre terna
sinfonia...

Neste pequenino jardim
Descobri o mundo inteiro
Flores aladas
E asas floridas...
Percebi como é impossível se definir
onde começa e termina
a poesia
e a vida...

Que a primavera seja eterna 
em nossos apaixonados
corações...


Solitude e Experiências - Osho


"Todas as belezas acontecem na solitude. 
Nada acontece na multidão. Nada do além pode acontecer, exceto quando você está absolutamente só.

A mente extrovertida criou condições ao redor para te tornar aprisionado: quando você está sozinho, você se sente mal. Ela lhe diz que você precisa sair, encontrar pessoas, porque felicidade acontece no meio de outras pessoas. Isto não é verdade.

A felicidade que acontece junto com outras pessoas é muito superficial, mas a felicidade que acontece quando se está só, é tremendamente profunda. Puro êxtase...

Quando a solitude acontecer, desfrute dela. Cante, dance, ou apenas permaneça em silencio virado para a parede e espere que algo aconteça. Torne-se uma espera, e logo você conhecerá uma qualidade diferente. Qualidade que não é tristeza. 

Uma vez que você tenha provado da profundidade da solitude, mesmo as relações se tornam superficiais. Mesmo no amor, não se pode ir tão fundo quanto a solitude, porque mesmo no amor o outro está presente, e mesmo a presença do outro o mantém próximo a circunferência, próximo à periferia.

Quando não existe ninguém, nem mesmo o pensamento de alguém, e você está realmente só, você começa a mergulhar em si mesmo.
Não tenha medo. No início pode parecer que se está morrendo, e a tristeza irá surgir ao seu redor, porque você sempre associou felicidade com outras pessoas, com relacionamentos.

Apenas espere um pouco mais. Deixe que o aprofundamento aconteça, mais e mais profundo, e você verá o silencio surgindo, e ele contém em si uma dança, uma serenidade. 

Nada se move, e mesmo assim, tudo é absolutamente vibrante, vazio e completamente cheio... Paradoxos se encontram e os contrários se 
dissolvem. (...)

Algo acontece e a dualidade surge.
Quando algo que você gosta acontece, o desejo de repetir aquilo surge. Quando algo acontece que faz com que você se sinta bonito, o medo de perder aquilo surge, logo, toda a corrupção acontece por ganância, por medo. Com a experiência, todo o conteúdo da mente retorna e novamente você cai numa armadilha.

Todo o meu esforço aqui é para levá-lo além e além da experiência, porque só assim, você estará além da mente, e lá é puro silencio.
Se você compreender o que estou apontando, você verá que todas as técnicas são desnecessárias, pois todas as técnicas visam lhe trazer experiências; um dia tudo isso será abandonado.
Você estará só na sua casa, com sua mobília, mas nenhuma experiência, e essa é a experiência última. Não se trata de nenhuma "experiência", isso é só um modo de falar. 
Lembre-se, mesmo as experiências corrompem, mesmo as experiências são distúrbios, são agitações.."

Osho em Meditaçãos Diárias

22 de setembro de 2013

Ser Único e Universal - Ramana


"O Ser sendo único e universal, o conhecimento de diversidade é apenas ignorância, que também não é separada do Ser.

Ao investigar a natureza do "Eu" o conhecimento de diversidade é somente ignorância que faz parte do "Eu". O Ser único então, brilha como a Realidade.


De vez que o passado e o futuro nunca existem sem o presente, conhecer o eterno Agora é conhecer a Verdade.

O imutável e infinito Ser transcende ao tempo e ao espaço, que são relativos ao corpo e a mente.

Para o ignorante o "Eu" é o ser limitado ao corpo; para o Sábio o "Eu" é o Ser infinito.

O Sábio que realizou o Ser, transcende o livre arbítrio e o destino.

Deus não é outro que o Ser. Vendo o Ser tendo destruído o ego, é ver Deus; tudo o mais é apenas a visão do mundo.

Busque no interior a Fonte do "Eu" que não pode pertencer ao corpo, mas com o qual surgem todas as outras coisas.

Para aquele que realizou o Estado de Ser Perfeito, que é a verdadeira Felicidade inerente, indescritível do Ser Absoluto, nada mais resta para fazer.
O Ser é um e o Autoconhecimento é único, pois o Ser é por si mesmo, conhecido. E nunca poderá tornar-se objeto conhecido ou desconhecido.

Ser como o Ser no Coração é a Suprema Sabedoria. Toda a disputa verbal sobre a natureza da existência do Ser é somente um jogo de maya.

Permanecer como eterno ser-existente da Realidade é o Siddhi supremo. Todos os outros Siddhis são irreais como um sonho. 

De vez que somos sempre a Realidade suprema e nada mais, é supérfluo afirmar isso em pensamentos e palavras. Tal afirmação pode ser um auxílio somente para nos afastar da ideia "Eu sou o corpo físico".

Tendo o advaita a Suprema Verdade, ela não se torna contrária a si mesma.

As ideias de cativeiro e libertação são correlatas e co-existentes. Ao investigar "quem está preso" a ideia de cativeiro desaparece e assim se dá com a Libertação. O único eternamente Livre permanece só e auto-centrado.

Questões sobre a natureza de Libertação podem surgir enquanto há individualidade. 
A dissolução desta individualidade é somente a verdadeira libertação, alcançada eternamente."
Sri Ramana Maharshi em A Verdade Revelada

20 de setembro de 2013

O Observador permanece - Mooji


"Em primeiro lugar você deve reconhecer que o verdadeiro Ser não tem um monte de opiniões. Não especula, não funciona como a mente condicionada. Não se preocupa particularmente de tomar decisões. 

Quando necessita reconhecer algo, se levanta dentro de ti como inspiração, ou como uma urgência, como um impulso, uma especie de saber que não admite questionamento. 

Não se trata de ver como funciona a vida. Está ali sendo. E no poder de ser O Que É, um equilíbrio natural tem lugar em sua presença. O hábito de pensar é diferente. Está mais inclinado para as decisões que a mente toma, tratando de entender algo continuamente. Tudo isso cria ruído. E se você sente que chegou a uma decisão, com frequência o mesmo pensamento novamente te questiona. 

Se surge do Coração, da Fonte, do Ser, a qualidade é diferente. Não é especulativo, vem com convicção, e claridade, e paz. E com um saber interno que também contem um aroma de paz. Este Poder se encontra dentro de nós todos. Mas parece que não o estamos entendendo muito bem, devido a educação, ao condicionamento a tradição e todas essas coisas.


Nada pode ocorrer sem consciência. 
O notar a si mesmo é campo da consciência. Não pode entender algo sem consciência. Quando falo da consciência, de observar, não estou falando de alguma coisa.(...) Por consciência, por observação, estou me referindo a esta inteligência indefinível que não pode ser definida, nem possuída por nada, nenhum conceito. Digo mais, o ser humano é em si mesmo uma expressão da consciência. 

O ser humano não é quem controla a consciência. 

Ao entender isto, se sente como que uma carga nos seja tirada de cima das costas. Então a vida brilha como a existência espontânea mesma. Sempre podes seguir utilizando sua mente, mas já não vais mais depender nem se apoiar nela. Você vai estar consciente de si mesmo, de uma maneira mais profunda, e vai ser impossível se preocupar-se.

"Do que estamos falando?" "O que vai acontecer?" Simplesmente os mal-entendidos desaparecem porque todo esse Poder já está ali te esperando para ser reconhecido. Da mesma forma que um dedo pode ocultar o sol, da mesma maneira uns pensamentos podem ocultar o reconhecimento do Ser. Em Satsang, esses pensamentos são expostos e vistos com claridade. A natureza das ilusões é que quando são vistos claramente, perdem seu poder.

Algumas vezes viver uma experiência em Satsang, quando os condicionamentos e a identidade se mantiveram em seu lugar por um tempo maior, e através do Satsang algo se abre dentro de você, muitos comportamentos inusitados podem ocorrer. 
Como se estivesse se libertando de algo. Não se deve tirar conclusões precipitadas sobre tudo isso. O que realmente importa é reconhecer que você é o observador disso tudo o que ocorre. Não te identifiques com aquilo que está surgindo na mente. Permaneça como consciência mesma, dentro da qual a mente julga. Isto é bastante possível. Isto é uma mudança de perspectiva que permite um espaço maior na percepção.

A princípio você acredita que sabe quem você é. Todos nós acreditamos nisso. As idéias chegam até nós através de muitas maneiras. Através do verdadeiro Satsang uma espécie de choque ocorre nesta identidade, e pela primeira vez, você não sabe mais quem você é. Esta é uma fase através da qual se passa. Ou melhor, uma boa fase que passa através de você. E eu te animo a não ter medo disso, não se deixe levar pelo pânico. Pouco a pouco está acontecendo uma transformação de poderes. Está acontecendo uma mudança de perspectiva.
Muitos seres que realizaram a verdade de quem eles realmente são, inicialmente viveram uma experiência como estão descrevendo. É como uma crise. Por um momento parece que nada se encaixa e pode surgir dor porque teus apoios estão se retirando. Mas, ao mesmo tempo, te digo que você é um afortunado. Não chegues rapidamente a nenhuma conclusão. Algo está se refinando em si mesmo, encontrando a verdadeira posição. Tua própria natureza Búdica está se despertando no interior. Confia. É uma maneira de despertar e é completa em si mesma.(...)

No sono profundo não existe nada disso. Não há prática, religião, não há parentes, nem "tu". E no entanto é um estado que nos encanta. Todos os dias alcançamos este estado de forma completamente natural. Nós não vamos dormir por causa dos sonhos, mas sim pelo sono profundo, por este estado perfeito onde não existe nada. A maior parte das pessoas nem se dão conta de que este estado acontece.

Então, surge o estado de vigília. O sentido de "eu" se desperta com o sentido de que "sou este corpo" com a assistência da memória. E então, também aparece o sentido de "você e os outros". E o mundo, a atividade, o tempo, as relações, tudo isso começa a acontecer. Da mesma maneira que agora mesmo você sabe que está consciente, também és o testemunho da consciência e tudo o que ocorre nela. És consciente dos pensamentos, você sabe discernir o que é real e o que não é. No estado de vigília o sentido de que estás tendo a experiência, o que está sendo experimentado, a função em si mesma de experimentar, tudo isso são atividade da consciência. Ocorre por si mesmo. Você está por trás como testemunha. Mas isso não é claro para nós porque nos parece que somos parte de uma peça de teatro.

Eu sou este que está aqui vivendo a vida. Você está aqui, mas não só aqui. Você é ao mesmo tempo aquela aparência que está vivendo sua vida, e o testemunho que observa. Existe algo muito sutil que observa todas as atividades que ocorrem na consciência. E também como que não é muito importante notá-lo porque não posse defini-lo racionalmente com as palavras que estou acostumado. E pode inclusive surgir um medo de olhar definitivamente para isto. A mente coloca como que uma barreira ante a possibilidade de surgir esse tipo de pergunta. Mas a inteligência está dentro de ti, e pronta para compreender. É isso que estamos falando.

Uma vez que esteja claro isso, sua vida é livre, tudo se liberta. Você compreenderá que não há nada na existência que esteja contra você. Exceto se acreditas nisso, e cultivas a identidade que está aí na sua mente, como uma construção; trata-se apenas de uma versão de quem você realmente é. E é somente uma ideia que você tem de si mesmo que está chocando com as ideias que os outros tem de si mesmos. O observador disso é o verdadeiro Ser."
Mooji em Satsang

19 de setembro de 2013

Intuição - Osho


"A intuição não pode ser explicada cientificamente porque o fenômeno em si é irracional e não científico. O próprio fenômeno da intuição é irracional. Em termos coloquiais, parece certo perguntar: “A intuição pode ser explicada?” 

Mas isso quer dizer: “A intuição pode ser reduzida ao intelecto?” E a intuição é algo além do intelecto, algo que não faz parte do intelecto, algo que vem de algum lugar onde o intelecto é totalmente inconsciente. Assim, o intelecto pode sentir a intuição, mas não explicá-la.

O salto da intuição pode ser sentido porque existe uma lacuna. 
A intuição pode ser sentida pelo intelecto — pode-se notar que algo aconteceu — mas não se pode explicar, porque a explicação precisa da causalidade. A explicação significa responder à pergunta de onde a intuição vem, por que vem, qual é a causa. E ela vem de algum lugar, não do intelecto propriamente dito — logo, não há causa intelectual. Não existe uma razão, uma ligação, uma continuidade dentro do intelecto.


A intuição é um campo de ocorrência diferente, que não se relaciona ao intelecto de maneira nenhuma, embora possa penetrar o intelecto. Deve-se entender que uma realidade superior pode penetrar uma realidade inferior, mas a inferior não consegue penetrar a superior. Assim, a intuição pode penetrar o intelecto porque ela é superior, mas o intelecto não pode penetrar a intuição porque ele é inferior.

É exatamente como a sua mente poder penetrar o seu corpo, mas o seu corpo não poder penetrar a mente. O seu ser pode penetrar a mente, mas a mente não pode penetrar o seu ser.
É por isso que, se você entrar no ser, você terá de se separar tanto do corpo quanto da mente. O corpo e a mente não podem penetrar um fenômeno superior.
Quando você ingressa numa realidade superior, o mundo de ocorrências inferior tem de ser deixado para trás. Não existe uma explicação do superior no inferior, porque os próprios termos da explicação não existem ali; eles não 
fazem sentido. Mas o intelecto pode sentir a lacuna, pode reconhecer a lacuna. Ele sente que “aconteceu algo que está além de mim”. Se até mesmo esse tanto puder ser feito, o intelecto terá feito muito.

Mas o intelecto também pode rejeitar o que aconteceu. É isso que significa ter fé ou não ter fé. Se você sente que o que não pode ser explicado pelo intelecto não existe, você é um “não-crente”. Então vai continuar nessa existência inferior do intelecto, atado a ele. Assim você recusa o mistério, não permitindo que a intuição se comunique com você.

Um racionalista é assim. O racionalista não vai nem mesmo ver que surgiu algo do além. Se você é educado racionalmente, não admite o superior; você vai negá-lo, você vai dizer:
— Não pode ser. Deve ser imaginação; deve ser um sonho meu. A menos que eu possa prová-lo racionalmente, não aceito.

A mente racional se fecha, encerrada dentro dos limites da razão, e a intuição não pode penetrar.
No entanto, você pode usar o intelecto sem ser fechado. 
Então, pode usar a razão como um instrumento, permanecendo aberto. Você está receptivo ao superior; se algo acontecer, estará receptivo. Então, poderá usar o seu intelecto como um auxiliar. Ele observa que “aconteceu algo que está além de mim". Ele pode ajudar você a entender essa lacuna.

Além disso, o intelecto pode ser usado para a expressão — não para a explicação, para a expressão. 
Um Buda não “explica” nada. Ele é expressivo, mas não explicativo. 

Todos os Upanixades são expressivos sem nenhuma explicação. Eles dizem: “Isso é assim, isso é assado; isso é o que está acontecendo. Se você quiser, venha para dentro. Não fique do lado de fora; nenhuma explicação é possível de dentro para fora. Portanto, venha para dentro — torne-se um integrante do grupo.”

Mesmo que vá para dentro, as coisas não lhe serão explicadas; você vai ter de chegar a conhecê-las e senti-las. O intelecto pode tentar entender, mas ele tende a fracassar. O superior não pode ser reduzido ao inferior."
Osho em Intuição, O Saber Além da Lógica

17 de setembro de 2013

Acolho...



Acolho a vida, 
Como a flor acolhe a abelha 
O alto e o baixo
o antes e o depois
Acolho o inverno e o verão
a luz e a sombra
o sim e o não...

Acolho aquilo que se apresenta
e neste instante reconheço
que aquilo, ou isso
são apenas faces 
de uma realidade
Total...

Se acolho tudo
não perco 
nada,
Se nego a parte
perdi 
essencial...

Ser tudo é
ser nada...

Negar o alto, é perder o baixo,
negar o frio, é perder também o calor,
o preto e o branco
o bem o o mau
são somente faces de uma mesma
realidade...

Acolho a vida
como a flor e a abelha se encontram
na mais profunda intimidade
e compreensão.
Não encontro limites entre o sim e o não
descubro pontes e janelas
que me fazem compreender que as barreiras são vãs
e servem apenas para que a Totalidade 
brinque suas sempre novas
brincadeiras....

Acolho o medo e a coragem,
Acolho e percebo que classificação, não diz
Acolher a vida é simplesmente abri-se
e deixar a vida
acontecer
assim...

Acolho como o rio acolhe o caminho,
com suas águas corredeiras
encontra pedras e também penhascos,
isso não desfaz sua capacidade
de enfrentar brincando
todos os obstáculos...

Acolho o dia e também a noite
o prazer e a dor,
o sorriso e a lágrima,
Sem meias medidas encontro completude
seja na areia da praia
seja no verso, 
poema,
solitude,
canção...


Não somos parte nenhuma
Não somos pingos, nem gotas,
Somos o Universo inteiro
que se disfarça 
de "eu" e "você".

Universo que canta e dança,
que também nasce e morre,
que se irrita e sorri
que se faz sonâmbulo 
ou não...

Acolher a Totalidade
é acolher o Si mesmo e bem mais
é tecer as tramas faceiras
e nelas mesmas
se esconder...

Acolho aquilo que É
mesmo sem compreender
Pois nesse acolher existe sim
a Totalidade do Ser...

16 de setembro de 2013

Liberdade da Alma - Yogananda


"Liberdade de vontade não consiste em fazer as coisas de acordo com os ditames de hábitos pré-natais ou pós-natais, nem de acordo com os caprichos da mente. Ter uma vontade livre é agir de acordo com as sugestões da sabedoria e de livre-escolha.

Tome a resolução de que não será mais afetado pelos
problemas, não será mais tão meticuloso, não será mais vítima de hábitos e humores; assim, você será livre como uma cotovia. Você não poderá ser livre enquanto não tiver 
queimado as sementes das ações passadas no fogo da sabedoria e da meditação.

A liberdade do homem é final e imediata, se ele assim o
quiser; não depende de vitórias externas, mas internas.

A alma está presa ao corpo por uma corrente de desejos,
tentações, problemas e preocupações, mas está sempre tentando libertar-se. Se você ficar puxando essa corrente que o prende à consciência mortal, algum dia uma invisível mão Divina intervirá, partirá os grilhões e você estará livre.

Você nem sabe quão privilegiado é por ter nascido como um
ser humano. Nisso você é mais abençoado do que qualquer outra criatura. O animal não é capaz de meditar e experimentar a comunhão com Deus. Você tem a liberdade de buscá-Lo e não a utiliza.

O caminho para a liberdade é através do serviço aos
outros. 
O caminho para a felicidade é através da meditação e da sintonia com Deus. (...)


Quebre as barreiras do seu ego; desprenda-se do egoísmo; liberte-se da consciência do corpo; esqueça-se de si mesmo; acabe com esta cadeia de encarnações; dissolva o seu coração em tudo, seja um com toda a criação.

Poder fazer de tudo o que se queira não é o verdadeiro
sentido da liberdade de ação. Você deve examinar até que ponto é livre e até que ponto está sendo influenciado pelos maus hábitos. Ser bom porque isto se tornou um 
hábito, também não é liberdade. Ser tentado não é pecado, mas ser capaz de resistir e vencer a tentação é grandeza; isto é liberdade, pois você está agindo somente por livre vontade e livre escolha.

Antes de agir, você tem liberdade, mas depois que age, o
efeito da ação o seguirá, quer queira ou não. Essa é a lei do karma. Você é um agente livre, mas quando realiza determinado ato, deverá colher os resultados desse ato.

Liberdade significa a capacidade de agir guiado pela alma,
e não compelido por desejos e hábitos. Obedecer ao ego leva à escravidão; obedecer à alma traz a libertação.

Quando, pelo discernimento e ação correta, o homem "torra"
todas as sementes das más tendências acumuladas na mente, cada célula microscópica do cérebro torna-se um trono para um brilhante rei de sabedoria, inspiração e saúde, que canta e proclama a glória de Deus para as células inteligentes do corpo.

Os homens que alcançaram este estado são realmente livres.
Estes seres liberados não serão tocados pelo karma nas futuras encarnações. Quando reencarnam, fazem-no exclusivamente para enxugar as lágrimas daqueles que ainda estão presos ao karma. Estes mestres liberados estão aureolados por uma invisível luz curativa. Eles espalham, por onde passam, a luz da prosperidade e da saúde."
Paramahamsa Yogananda em O Santuário da Alma

14 de setembro de 2013

Natureza Espontânea...


"As pessoas têm essa ideia de que ao se tornar alguém espiritual você precisa se transformar nessa bolha cósmica, que é o que nos assusta. 
Mas não é nem um pouco assim. 

Não significa que você deixa de sentir, que você é emocionalmente neutro. 
A pessoa ainda tem sua identidade, sua personalidade — só que ela não mais acredita nisso.

Quando encontramos lamas elevados, eles são as pessoas mais vívidas possíveis. Isso porque ainda temos tantos nós em nossas mentes, e isso nos mantém tão inibidos, neles, esses nós se desfizeram e a natureza espontânea, de fato, da mente pode espalhar seu brilho.

A mente de Buda não é um nada vazio — é recheada de compaixão, alegria e humor.

É maravilhosamente leve.

Também é extremamente sensitiva e profundamente
inteligente. (...)

Todos os grandes santos eram pessoas muito passionais. 

Só que eles não dissipavam suas paixões em canais negativos. 

Eles a usavam como combustível para enviá-los à iluminação."
Tenzin Palmo em Cave in Snow

12 de setembro de 2013

Reconciliação - Thich Nhat Hahn


"O que podemos fazer quando magoamos alguém, que agora nos considera seu inimigo? Podem ser pessoas da nossa família, da nossa comunidade ou de outro país. Creio que você sabe a resposta. Há pouco a fazer. Para começar, é preciso aproveitar a oportunidade para dizer. “Desculpe, eu o magoei por ignorância, por falta de plena consciência, por falta de tato. Farei o possível para mudar. Não tenho coragem de lhe dizer mais nada.” 

Às vezes, não temos a intenção de magoar, mas, por sermos desligados ou por nos faltar o tato, acabamos magoando alguém. Estar alerta na vida diária é importante, para que falemos de uma forma que não fira ninguém.

O segundo passo consiste em tentar fazer brotar o que há
de melhor em nós, a nossa flor, em nos transformar. É esse o único meio de demonstrar o que acabamos de dizer. Quando formos agradáveis e joviais, a outra pessoa logo 
perceberá. Então, quando surgir a oportunidade de uma aproximação com essa pessoa, podemos nos apresentar como uma flor, e ela imediatamente notará a diferença. Talvez não seja preciso dizer nada. Só de nos ver dessa forma, ela nos aceitará e nos perdoará. É isso o que se chama de falar através da vida e não através de palavras”.

Quando começamos a perceber que o inimigo sofre, aí está o
início da compreensão. Quando virmos em nós mesmos o desejo de que o outro pare de sofrer, esse é um sinal do verdadeiro amor. Cuidado, porém. Pode acontecer de você se considerar mais forte do que realmente é. Para testar sua força real, tente procurar a outra pessoa para ouvi-la e falar com ela, e você descobrirá se a sua amorosa compaixão é verdadeira. Você precisará dessa outra pessoa para essa comprovação. Se simplesmente meditar sobre algum princípio abstrato, como por exemplo, o amor ou a compaixão, pode ser que seja apenas sua imaginação e não uma compreensão verdadeira ou um amor verdadeiro.

A reconciliação não implica pactuar com a falsidade ou com
a crueldade. 
A reconciliação se opõe a todas as formas de ambição, sem tomar partido. 
A maioria de nós tende a tomar partido em cada combate ou conflito. Distinguimos o certo do errado com base em evidências parciais ou em mexericos. 

Precisamos da indignação para poder agir, mas mesmo a indignação legítima ou justa não é suficiente. Nosso mundo não carece de pessoas dispostas a se lançarem à ação. O que precisamos é de pessoas capazes de amar, de não tomar partido, para que possam abranger toda a realidade.

Devemos continuar a praticar a plena consciência e a
reconciliação até que possamos ver como se fosse nosso o corpo de criança em pele e osso de Uganda ou da Etiópia, até que a fome e a dor nos corpos de toda a espécie sejam também nossas. Teremos, então, concretizado a não-
discriminação, o verdadeiro amor. Poderemos, assim, encarar todos os seres humanos com os olhos da compaixão e colaborar para amenizar seu sofrimento.
Thich Nhat Hanh em Paz a cada passo

10 de setembro de 2013

Sintonia com a Existência - Osho


"Pergunta: Você diz que Deus está dentro de mim, eu percebo que estou olhando para dentro de algum conceito que eu tenho do lado de fora.

Osho: Esse tipo de Deus você nunca vai encontrar dentro de você. Você vai ter que soltar todos os conceitos que foram dados a você do lado de fora - porque Deus não é uma pessoa. A imagem de Deus não existe, nenhuma estátua é 
possível. Deus é uma experiência! Se você tiver a ideia de um Deus que seus pais e sua sociedade têm dado a você, você vai entrar com essa ideia e essa ideia será o obstáculo - não vai permitir que você veja o que é.

E Deus é aquilo que é. Ele não precisa de conceitos para ser visto; conceitos cegam-no. Abandone todos os conceitos.

Se você realmente quer ir, vá como um agnóstico. Esta palavra é bonita. Você deve ter ouvido a palavra 'gnóstico'; 'gnóstico' significa aquele que sabe - gnose significa conhecimento. "Agnóstico" significa aquele que não conhece. Agnóstico significa aquele que só sabe uma coisa, que ele não conhece. Seja um agnóstico - que é o início da verdadeira religião.

Nem acredite, nem desacredite.(...) A menos que você solte todas as ideologias, todas as filosofias, todas as religiões, todos os sistemas de pensamento, e vá para dentro vazio, sem nada na mão, sem a menor ideia.

Como você pode ter uma ideia de Deus? Você não o conheceu. 
Basta ir ... com um grande desejo de conhecer, mas sem nenhuma ideia de conhecimento ... Com uma intensidade de saber, com um amor apaixonado para saber o que está lá, mas não transporte quaisquer idéias expostas a você por outros. Deixe-os de fora. Essa é a maior barreira para o candidato ao caminho da verdade.

Deus está lá, mas você não pode ver - porque seus olhos estão cegos pelos conceitos dados a você. Se você tem uma certa ideia de Deus, você não poderá vê-lo. Sua ideia se tornará uma barreira. Retire todas as idéias que você reuniu a partir de fora, só então você pode ir para dentro.

Na verdade, fique com este insight. Se você está procurando algo, você não será capaz de ver - porque a própria ideia de procurar algo significa que você tem uma ideia do que você está procurando. Procurar algo é um tipo de cegueira.
Ver só acontece quando você não está procurando por algo em particular, você está aí, aberto, disponível. Então, tudo o que é, é revelado.


Não olhe para Deus, se você quiser vê-lo. Basta esperar - deixar e esperar. Deus é um acontecimento! Se você está em silêncio, aberto, amoroso para com o seu próprio ser, consciente, ele vai acontecer. A qualquer momento, quando você estiver na sintonia certa com a existência, isso vai acontecer.

Deus está lá, você está lá: Apenas a sintonia certa. E isso é o que eu estou ensinando a você: sintonia certa.
Abandonar todas as ideologias ajuda você a estar devidamente atento.
E uma vez que você esteja em sintonia com a existência, isso é a felicidade. Você chegou em casa."
Osho em O Cipreste no Jardim
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