6 de setembro de 2013

Fluir como o Tao - Osho


"O ego não pode fluir como um rio. Está congelado. Como um rio congelado pode fluir? O gelo precisa derreter, só então ele pode fluir.

Congelado, você tem uma forma - derretido, a forma desaparece. Congelado, você é alguém, em alguma lugar; um nome - derretido, o nome some, " ser alguém" desaparece. Você se tornou um nada, sem forma.

Somente quando você não está congelado, você flui e, quando flui, você é como a própria vida, porque a vida é movimento. Só a morte é imóvel, só a morte permanece onde está. 
A vida continua indo, indo, indo - é um fluxo contínuo.

Se teve sucesso, você está congelado, porque agora você tem medo de derreter - porque se você derreter todo o sucesso será perdido. O seu sucesso é parte da sua imobilidade. Se você ficou famoso, você está congelado, agora você está morto, agora você não pode derreter. Você tem que se proteger, preservar sua fama, seu respeito, sua reputação. Você tem que se proteger e tem que permanecer com seu passado. Você não pode avançar para o futuro desconhecido, porque quem sabe? O caminho desconhecido pode levar você a algum lugar onde você perca a fama, perca a reputação. Então você vai andar só na trilha batida, no território que foi mapeado, no conhecido. Você vai andar no círculo da memória, na roda da memória.

A vida nunca anda na trilha de terra batida, ela sempre avança na direção do desconhecido. A todo o momento, ela está avançando para o desconhecido. A todo momento ela está avançando para o desconhecido, e se você está congelado, você morrerá. A vida não vai esperar por você. Você tem que derreter e só quem não tem uma reputação a zelar não tem fama para proteger, pode avançar em direção ao desconhecido e avançar feliz. Não tem nada a perder.

Assim eram os mendigos de Buda - sem nome, sem abrigo, nada para proteger, nada para preservar. Eles podiam ir a qualquer lugar, assim como as nuvens no céu, sem casa, sem raízes em lugar nenhum, flutuando, sem nenhuma meta, nenhum propósito, nenhum ego.

Esse fluirá como o Tao, invisível,
Avançará como a própria vida
Sem nome e sem lar.

Isso é que significa um sannyasin para mim. Quando eu inicio você no sannyas, eu o inicio nessa morte, nesse anonimato, nesse desabrigo. Eu não estou lhe dando nenhuma chave secreta para o sucesso, não estou lhe dando nenhuma fórmula secreta de como ter sucesso.
Se estou lhe dando alguma coisa, é uma chave de como não ter sucesso, de como ser um fracasso e um despreocupado, como andar por aí sem nome, sem teto, sem nenhuma meta, de como ser um mendigo - o que Jesus chama de pobres de espírito. Um homem que é pobre de espírito é destituído de ego - ele é um barco vazio.

É simples e não faz distinção
Aparentemente é um tolo.

Quem você chama de simples? Você pode cultivar a simplicidade?
Você vê um homem que só come uma vez por dia, que usa poucas roupas, que não vive num palácio, que vive debaixo da uma árvore - e diz que esse homem é simples. Isso é simplicidade? Você pode viver debaixo de uma árvore, e sua vida pode ser apenas um cultivo. Você cultivou para ser simples, calculou sua vida para que fosse simples. Você pode comer só uma vez por dia, mas ter calculado isso também; isso é manipulado pela mente. Você pode andar nu - isso não pode torná-lo simples. A simplicidade simplesmente acontece. (...)


Essas são as palavras mais profundas que Chuang Tzu proferiu.
É difícil entender porque sempre achamos que uma pessoa iluminada, um homem perfeito é um home de sabedoria. Ele diz: Aparentemente é um tolo...

Mas é assim que deve ser. Entre tantos tolos, como pode um homem sábio não ser assim? Aparentemente ele será um tolo e esse é o único jeito. Como ele pode mudar esse mundo tolo e tantos tolos... levando-os na direção da sanidade? (...) Ele deve se tornar louco como você, deve ser um tolo, deve permitir que você ria dele. Então você não vai sentir inveja, não vai sentir magoado, não vai ficar zangado com ele, você vai poder tolerá-lo, poderá esquecê-lo e perdoá-lo, poderá deixá-lo em paz.

Muitos grandes místicos se comportaram como tolos e seus contemporâneos ficaram perdidos - o que fazer de suas vidas - e a maior das sabedorias existia neles. (...)

Chuang Tzu viveu ele mesmo como um tolo; rindo, cantando, dançando, contando piadas e anedotas. Ninguém achava que ele fosse sério. E você não poderia encontrar um homem mais sincero e sério do que Chuang Tzu. Mas ninguém achava que ele fosse sério. As pessoas gostavam dele, as pessoas o amavam, e através desse amor ele jogava sementes de sua sabedoria. Ele mudou muitos, transformou muitos. (...)

Aparentemente é um tolo.
Seus passos não deixam rastros.

Chuang Tzu está falando sobre esse tipo de fenômeno, esse homem fenomenal.
Você não pode segui-lo. Você não pode seguir um homem iluminado - não nunca - porque ele não deixa rastros, não há pegadas. Ele é como um pássaro no céu, ele se move sem deixar nenhum rastro.

Nenhum homem sábio gosta que você o siga, porque, quando você o segue se torna um imitador. Ele está sempre avançando em ziguezague para que você não possa segui-lo. Se tentar segui-lo, você vai se perder. (...)
Cedo ou tarde você vai ter que perceber que tem de ser você mesmo, você não pode imitar ninguém."
Osho em O Barco Vazio

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