20 de setembro de 2013

O Observador permanece - Mooji


"Em primeiro lugar você deve reconhecer que o verdadeiro Ser não tem um monte de opiniões. Não especula, não funciona como a mente condicionada. Não se preocupa particularmente de tomar decisões. 

Quando necessita reconhecer algo, se levanta dentro de ti como inspiração, ou como uma urgência, como um impulso, uma especie de saber que não admite questionamento. 

Não se trata de ver como funciona a vida. Está ali sendo. E no poder de ser O Que É, um equilíbrio natural tem lugar em sua presença. O hábito de pensar é diferente. Está mais inclinado para as decisões que a mente toma, tratando de entender algo continuamente. Tudo isso cria ruído. E se você sente que chegou a uma decisão, com frequência o mesmo pensamento novamente te questiona. 

Se surge do Coração, da Fonte, do Ser, a qualidade é diferente. Não é especulativo, vem com convicção, e claridade, e paz. E com um saber interno que também contem um aroma de paz. Este Poder se encontra dentro de nós todos. Mas parece que não o estamos entendendo muito bem, devido a educação, ao condicionamento a tradição e todas essas coisas.


Nada pode ocorrer sem consciência. 
O notar a si mesmo é campo da consciência. Não pode entender algo sem consciência. Quando falo da consciência, de observar, não estou falando de alguma coisa.(...) Por consciência, por observação, estou me referindo a esta inteligência indefinível que não pode ser definida, nem possuída por nada, nenhum conceito. Digo mais, o ser humano é em si mesmo uma expressão da consciência. 

O ser humano não é quem controla a consciência. 

Ao entender isto, se sente como que uma carga nos seja tirada de cima das costas. Então a vida brilha como a existência espontânea mesma. Sempre podes seguir utilizando sua mente, mas já não vais mais depender nem se apoiar nela. Você vai estar consciente de si mesmo, de uma maneira mais profunda, e vai ser impossível se preocupar-se.

"Do que estamos falando?" "O que vai acontecer?" Simplesmente os mal-entendidos desaparecem porque todo esse Poder já está ali te esperando para ser reconhecido. Da mesma forma que um dedo pode ocultar o sol, da mesma maneira uns pensamentos podem ocultar o reconhecimento do Ser. Em Satsang, esses pensamentos são expostos e vistos com claridade. A natureza das ilusões é que quando são vistos claramente, perdem seu poder.

Algumas vezes viver uma experiência em Satsang, quando os condicionamentos e a identidade se mantiveram em seu lugar por um tempo maior, e através do Satsang algo se abre dentro de você, muitos comportamentos inusitados podem ocorrer. 
Como se estivesse se libertando de algo. Não se deve tirar conclusões precipitadas sobre tudo isso. O que realmente importa é reconhecer que você é o observador disso tudo o que ocorre. Não te identifiques com aquilo que está surgindo na mente. Permaneça como consciência mesma, dentro da qual a mente julga. Isto é bastante possível. Isto é uma mudança de perspectiva que permite um espaço maior na percepção.

A princípio você acredita que sabe quem você é. Todos nós acreditamos nisso. As idéias chegam até nós através de muitas maneiras. Através do verdadeiro Satsang uma espécie de choque ocorre nesta identidade, e pela primeira vez, você não sabe mais quem você é. Esta é uma fase através da qual se passa. Ou melhor, uma boa fase que passa através de você. E eu te animo a não ter medo disso, não se deixe levar pelo pânico. Pouco a pouco está acontecendo uma transformação de poderes. Está acontecendo uma mudança de perspectiva.
Muitos seres que realizaram a verdade de quem eles realmente são, inicialmente viveram uma experiência como estão descrevendo. É como uma crise. Por um momento parece que nada se encaixa e pode surgir dor porque teus apoios estão se retirando. Mas, ao mesmo tempo, te digo que você é um afortunado. Não chegues rapidamente a nenhuma conclusão. Algo está se refinando em si mesmo, encontrando a verdadeira posição. Tua própria natureza Búdica está se despertando no interior. Confia. É uma maneira de despertar e é completa em si mesma.(...)

No sono profundo não existe nada disso. Não há prática, religião, não há parentes, nem "tu". E no entanto é um estado que nos encanta. Todos os dias alcançamos este estado de forma completamente natural. Nós não vamos dormir por causa dos sonhos, mas sim pelo sono profundo, por este estado perfeito onde não existe nada. A maior parte das pessoas nem se dão conta de que este estado acontece.

Então, surge o estado de vigília. O sentido de "eu" se desperta com o sentido de que "sou este corpo" com a assistência da memória. E então, também aparece o sentido de "você e os outros". E o mundo, a atividade, o tempo, as relações, tudo isso começa a acontecer. Da mesma maneira que agora mesmo você sabe que está consciente, também és o testemunho da consciência e tudo o que ocorre nela. És consciente dos pensamentos, você sabe discernir o que é real e o que não é. No estado de vigília o sentido de que estás tendo a experiência, o que está sendo experimentado, a função em si mesma de experimentar, tudo isso são atividade da consciência. Ocorre por si mesmo. Você está por trás como testemunha. Mas isso não é claro para nós porque nos parece que somos parte de uma peça de teatro.

Eu sou este que está aqui vivendo a vida. Você está aqui, mas não só aqui. Você é ao mesmo tempo aquela aparência que está vivendo sua vida, e o testemunho que observa. Existe algo muito sutil que observa todas as atividades que ocorrem na consciência. E também como que não é muito importante notá-lo porque não posse defini-lo racionalmente com as palavras que estou acostumado. E pode inclusive surgir um medo de olhar definitivamente para isto. A mente coloca como que uma barreira ante a possibilidade de surgir esse tipo de pergunta. Mas a inteligência está dentro de ti, e pronta para compreender. É isso que estamos falando.

Uma vez que esteja claro isso, sua vida é livre, tudo se liberta. Você compreenderá que não há nada na existência que esteja contra você. Exceto se acreditas nisso, e cultivas a identidade que está aí na sua mente, como uma construção; trata-se apenas de uma versão de quem você realmente é. E é somente uma ideia que você tem de si mesmo que está chocando com as ideias que os outros tem de si mesmos. O observador disso é o verdadeiro Ser."
Mooji em Satsang

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