30 de dezembro de 2013

Como meu próprio Ser - Papaji



Participante: Como um ser acordado como você mesmo, vê o mundo?

Papaji: Como o meu próprio Ser. Quando você vê suas mãos, pés, corpo, mente, sentido, intelecto, você sabe que eles são parte de você. 


Você diz, "Meu"; "Eu" inclui tudo isso. Do mesmo modo você deve ver o mundo
como você mesmo, não diferente de quem você seja. Nesse momento você entende suas mãos, seus pés, sua unha e seu cabelo como não diferentes de você. Olhe o mundo do mesmo modo.

Participante: Você está dizendo que não há um lugar onde o "Eu" termina e "você" começa?

Papaji : Há sim. Eu o estou levando a este lugar.

Participante: Papaji, você fala sobre liberdade. O que é liberdade?
Papaji: Liberdade é uma armadilha! Um homem que está preso em uma jaula, precisa ser livre, não é? Ele está aprisionado na jaula e sabe que as pessoas do lado de fora estão livres. Vocês estão todos em uma prisão e vocês têm ouvido falar sobre o lado de fora, através de seus pais, seus padres e pastores, professores e pregadores. "Venha a nós" eles dizem, "e nós lhe daremos liberdade". "Venha a mim e eu lhe darei descanso". Esta é a promessa, mas essa é somente mais uma armadilha. Uma vez que você acredite você cai na armadilha de querer liberdade. Você devia estar fora dessas duas arapucas - nem limitação, nem liberdade - porque elas são apenas conceitos. Limitação foi um conceito que deu origem ao conceito de
liberdade. Livre-se dos dois.

Participante: Então onde está você?
Papaji: Aqui. Aqui, sim. Aqui não é nem uma armadilha de limitação nem de liberdade. Não é lá. De fato não é nem mesmo aqui. As palavras me parecem outra grande armadilha. Todo o tempo que tenho estado aqui, as palavras tem sido inadequadas para expressar a natureza do despertar que
toma lugar aqui. Elas não podem nem mesmo expressar por que as palavras são inadequadas. Eu teria que compará-las ao que é adequado e eu não posso fazer isso em palavras.

Participante: Mas uma palavra que é muito jogada por aí no oriente e no ocidente é a palavra Iluminação. É sobre isso que você fala?
Papaji: Iluminação é conhecimento em si mesmo, não conhecimento de uma pessoa, uma coisa ou uma ideia. Simplesmente conhecimento em si. Iluminação existe quando não há qualquer imaginação do passado, do futuro ou mesmo do presente.

Participante: Eu não posso conceber um estado sem qualquer imaginação!

Papaji: Isso é o que se chama limitação. Isso se chama sofrimento. Isso se chama Sansara. Eu lhe digo, não imagine. Nesse presente momento, não tenha qualquer imaginação. Quando você imagina você está construindo imagens e todas as imagens pertencem ao passado. Não recolha o passado e não aspire a qualquer futuro.
Então a imaginação se vai. Ela não permanece mais na mente. Tudo na mente vem do passado.(...)
Eu não estou pedindo a você para não pensar em nada. O que eu estou dizendo é, "não imagine coisa alguma que pertença ao passado, ao presente e ao futuro". Se você está livre de todas as imaginações, você também está livre do tempo, porque qualquer imagem o lembrará do tempo e manterá você dentro dessa janela. No estado acordado você vê imagens: de pessoas, de coisas, de ideias. Quando você vai dormir, tudo isso se desvanece. Agora, quando você está dormindo, onde estão todas essas imagens? Onde estão as pessoas? Onde estão as coisas?

Participante: Em sonho, essas coisas ainda estão lá. Elas não vão embora quando eu durmo.

Papaji: Você está descrevendo o estado de sonho. Eu estou falando sobre o estado de sono. Eu lhe mostrarei. A que hora vocêdorme?

Participante: Por volta de 11h30min da noite.

Papaji: Pense sobre esse ultimo segundo, aquele após 11h29min e cinquenta e nove segundos. O que acontece naquele segundo final? No sexagésimo segundo pertence ao estado de sono ou ao estado de vigília?

Participante: É uma zona intermediária, nem aqui nem lá.
Papaji: Agora vamos falar sobre um segundo mais tarde. O sexagésimo segundo já se foi. Agora mesmo você falou de "aqui" e "lá". Onde é aqui e lá no primeiro instante de sono? Naquele instante, você rejeita tudo: todas as imagens, todas as coisas, todas as pessoas, todos os relacionamentos. Todas as ideias se foram naquele instante quando você saltou para dentro do sono. Após aquele sexagésimo segundo não há nenhum tempo, nenhum espaço, nenhum país. Estamos falando agora sobre sono. Agora, após você acordar, descreva para mim o que aconteceu enquanto você estava dormindo.
Participante: Havia sonho.

Papaji: Não sonho. Eu estou falando de sono. Sonhar é o mesmo estado que você vê aqui em frente de você. Em sonho, se você vê que um ladrão te roubou ou que um tigre saltou sobre você, você sente o mesmo medo que teria no estado desperto. O que você vê quando você dorme?

Participante: Nada.
Papaji: Esta é a resposta certa. Agora, por que você rejeita todas as coisas do mundo, coisas que você gosta tanto, meramente para oferecer-se para o estado de "nada"?

Participante: Eu faço porque estou cansado.

Papaji: Para recarregar energia você vai ao reservatório de energia, aquele estado de nada. Se você não tocar aquele reservatório, o que acontecerá a você, como você ficará?

Participante: Louco!
Papaji: Sim. Louco. Agora eu lhe direi como permanecer continuamente naquele estado de nada, até mesmo estando acordado. Eu também lhe direi como estar acordado enquanto seu corpo dorme. Isso seria bom, não é? Vamos falar sobre o fim daquele ultimo segundo antes de você acordar do
sono. O despertar ainda não aconteceu e o sono está para terminar. Agora, qual é sua experiência no primeiro momento do estado desperto?

Participante: Meus sentidos me chamam de volta ao mundo.

Papaji: Ok. Agora me diga o que acontece com a experiência de felicidade que você teve enquanto dormia? O que você trouxe das horas de "nada"?

Participante: Se foi. Eu estou relaxado, revigorado.
Papaji: Então, você prefere a tensão do estado desperto ao invés do relaxamento do sono?(...) Você pode trazer a memória das imagens para eles, mas você não trouxe nada de seu sono. Quem acordou? Quem acordou daquele estado de felicidade? Você estava feliz enquanto dormia. Se não fosse um estado de felicidade, ninguém estaria desejando "boa noite" a seus bem amados antes deles irem dormir. Não importa quão perto você esteja
deles, você sempre diz, "boa noite, vou dormir".

Há algo superior, algo mais alto, algo mais belo sobre o estar só. Pergunte a si mesmo: "Quando eu acordo, quem acorda?" Quando você acordou, você não trouxe a impressão de felicidade que você teve por seis ou sete horas de sono sem sonhos.
Você só pode trazer impressões das danças que você viu em seus sonhos. Você tem que criar um novo hábito, um hábito que você só pode criar em Satsang. Você foi levado ao teatro por seus pais quando era um pequeno garoto. Através dessas viagens você aprendeu como descrever as impressões
que seus sentidos receberam, e você também aprendeu a se deleitar com elas. Mas seus pais não puderam ensiná-lo sobre o que acontece quando você está livre dos sentidos. Isso só pode ser conhecido em Satsang, e esta é a razão de você estar aqui. "
Papaji em Satsang

29 de dezembro de 2013

O Nada é fora do tempo - Satyaprem


"Esteja atento: em nenhum momento você vai ser o Nada, pois ele acontece fora do tempo. Quando entra no tempo, você é um objeto – e, nesse caso, o 
Nada representado na sua mente seria mais um objeto. 

Você tem uma ideia do que o Nada seja, mas ele está acontecendo agora e você nem mesmo pode percebê-lo. Somente os objetos podem ser percebidos.

Eventualmente, dê-se conta de que todas as percepções ocorrem no Nada. Sem o Nada, não há percepção nenhuma.
Se realmente há interesse em ver o que estou apontando, promova para si mesmo uma investigação primária. Veja se é isso o que você quer – e se não for, não tem problema.

O meu ponto é discutir o que realmente importa. Estamos aqui para saber quem você é.

Não me interessa a sua história nem a sua percepção de si no tempo e no espaço. Estamos aqui invocando a revelação de quem você é. Isso pode causar desconforto no mundo pré-estabelecido e, por essa razão, mente
tentará roubar de todas as maneiras a possibilidade de compreensão.

Você insiste em melhorar aquele que aparece no tempo e no espaço, por isso a pergunta "Quem sou eu?" deve ser reforçada. 

Note que você está interpretando o que digo de acordo com seus parâmetros. Mas a verdade é que não há melhora, o objeto terá sempre limitações. 

Um dia, quando você menos espera, você não mais interpreta e ouve pela primeira vez. 

É no silêncio que nos comunicamos. 
Ouça-o!"

28 de dezembro de 2013

Este é seu poder - Mooji


"Este é seu poder!

Você determina se algo acontece ou não.

A menos que a mente diga ‘algo está acontecendo’, efetivamente ou de modo
experimental, nada aconteceu! Se não ficou registrado na consciência (através da atenção), efetivamente, nada aconteceu.

Assim, se algo aconteceu ou não, é você quem decide! E é também você a determinar se vai designar um acontecimento ou não.

Não lhe será imposto. Este é seu poder: você desconsidera, aquilo não aconteceu!
Mas, se seu interesse está em alguma coisa, subitamente… acontece.

Qual é o remédio para todas estas coisas? Permaneça apenas como o observador. Mantenha a atenção em neutralidade.

De início, parece que vai requerer algum esforço. Porém, com um pouco de resolução de sua parte, torna-se simples.

Você tem alguns poderes: primeiro, o poder da atenção, pois, onde quer que a atenção toque, isso é registrado como experiência.
Segundo, sua crença!
Qualquer coisa pode aparecer em sua consciência, mas, se você não acredita
nela, se não se identifica com ela, não tem nenhum poder! Um pensamento, sem crédito, não tem poder! Nem tudo que surge (na mente) precisa ser aceito, precisa ser procurado. Você pode ignorar! 

Esta é a grande Mestria dos Sábios. Eles começaram a ignorar! Não que tenham desenvolvido alguma técnica, mas simplesmente por reconhecer ‘Eu Sou a Realidade!’, ‘Eu Sou a Consciência!’, tudo mais não passa de turismo! 

Todo pensamento, toda emoção é apenas um turista, sim, e eu mesmo não sou um hotel para estes pensamentos, que eles venham e logo partam!
A experiência deve acompanhar sua resposta, o que pode criar modificações ou algum impacto em você? Tudo está acontecendo por si mesmo e em sua presença – quem é você? 

Chamo isso de estar estabelecido em seu próprio Ser."
Mooji em Satsang

26 de dezembro de 2013

SOU... ou sou? - Leo Hartong


"- Como posso cruzar para o outro lado?
- Já estás no outro lado!

Você já viu alguma vez, um concurso de esculturas na areia da praia? Os concursantes realizam impressionantes copias de estátuas antigas, ou criam seus próprios desenhos. Mas qualquer coisa que façam, é tudo areia! Quando as estátuas desmoronam, se dissolvem na praia. Da mesma maneira, todas as aparências que surgem na Consciência Pura, não são nada mais que Consciência Pura.

Da Consciência Pura, dessa Única Substância, surge a raiz de todo pensamento: EU SOU. Daí, mediante a identificação, surge o ego, aparecendo como "sou isso, sou assim" e portanto "não sou assim, não sou aquilo". 
Se cria uma divisão aparente do que é essencialmente UM, e todas as formas e seres acontecem para a mente.

O que não tem nome é o começo do céu e da terra.
O que tem nome é a mãe das dez mil coisas.
Como indica o próprio nome uni-verso, e como mantém todas as grandes tradições religiosas, não existe nada ( nenhuma coisa) fora de Deus. Tudo é Um e por tanto, a crença em um ego separado, mortal e limitado, pelo tempo que aparece no multi-verso, para a maioria de nós, no qual aparentemente nós vivemos, não passa de uma ilusão.

Quando nos apresentamos, normalmente começamos com um "eu sou" seguido do nosso nome e profissão. Porém, por mais que se pergunte, é impossível localizar este "eu". Mesmo que tenhamos um nome, não sou esse nome. O mesmo ocorre com as sensações, os pensamentos e as emoções. Não posso ser nada disso, pois se tratam de manifestações passageiras, e fugazes, ao contrário o sentido de "eu" permanece constante.

O "eu" que se pergunta, não pode investigar a si mesmo, da mesma maneira que o espelho não pode refletir a si próprio.

Este é o diálogo entre Bodhidharma e Hui-ko.

Hui-ko- Minha mente não está em paz. Por favor mestre, acalma minha mente.
Bodhidharma- Traga sua mente aqui e a acalmarei.
Hui-ko- Quando busco minha mente, não consigo encontrá-la!
Bodhidharma- Então, sua mente já está calma!

As sensações, as emoções e os pensamentos surgem simplesmente, sem que exista nenhum "eu" que tenha decidido tê-los. Quando observo o processo de meus pensamentos - que parecem estar sob o meu controle, assim como as sensações e as emoções - não consigo encontrar o pensador que decide ter um pensamento, antes que este surja. 
Claro que posso dizer: Sim sou eu que decido ter um pensamento, mas isto não é nada mais que um outro pensamento! 

O "eu" que pretende ser o proprietário do pensamento, não é nada mais que um componente desse mesmo pensamento. Na verdade, nem sequer posso saber qual será meu próximo pensamento, até que ele surja.(...)

A energia criadora universal é a que cria o pensamento. 
Segundo esta perspectiva, o cérebro-mente, é mais um receptor, que um gerador de pensamentos, algo comparado a um aparelho de televisão. Desmontar uma televisão, não vai revelar a fonte das imagens e dos sons. Da mesma forma, não podemos encontrar o pensador dos pensamentos dentro do corpo-mente.

A energia criadora - o Um, se manifesta como a ilusão de muitos - é a fonte de todas as coisas, incluindo os pensamentos. Esta energia não é só o pensamento "eu sou" mas a certeza absoluta do vasto "EU SOU". Esta certeza está contigo, sem que precises pensar nela. Se sustenta a si mesma e não se limita ao "eu sou" que forma as diversas categorias relativas, tais como "eu sou carpinteiro, irmão, pai, mãe, amigo, filha etc.." O sentido de identificação com essas categorias relativas e transitórias é um reflexo da criação do ego ilusório, por parte do EU universal.

Interpreta seu papel na comédia, mas não se identifiques com ele!

Ramana Maharshi, começou a realizar sua indagação baseada na pergunta "quem sou eu?". Quando te perguntam quem és, pode haver uma certa dúvida em relação ao quê responder; mas quando te perguntam, se você existe, não há nenhuma dúvida. A resposta é um clamoroso "sim claro que existo!". Quando, a resposta à primeira pergunta for tão clara quanto a resposta da segunda, teremos compreendido.

A compreensão reside no fato de que as duas perguntas tem na verdade a mesma resposta. Aquele que está seguro da sua existência - a profunda certeza de que EU SOU - é o que sois realmente. 

Em outras palavras: sou este conhecimento que sabe que EU SOU. 
Os hindus, dizem: Tat Tvam Asi ( Tu És Isso).

No antigo testamento, Deus disse: "Eu Sou o que Sou". Este inegável "Eu Sou" não é você, no sentido pessoal, mas o EU Universal. 

Ramana Maharshi chamou a este Eu de "EU-EU".

Esta compreensão me faz ver como os pensamentos aparecem para "minha" consciência, como nuvens em um céu azul e logo se dissolvem em si mesmo, sem deixar rastro algum. Na verdade não é necessário marcar os pensamentos que surgem na minha consciência; os pensamentos simplesmente se sucedem; todas as coisas são, sem que haja um "eu" controlando tudo, por detrás da tela.
O ego é tão desnecessário para o pensamento, ou para o funcionamento geral do organismo corpo-mente como a presença de Atlas sustentando o mundo. E da mesma maneira, que um dia os antigos gregos descobriram que na realidade nunca houve um titã chamado Atlas sustentando o mundo, você descobrirá que nunca houve realmente um ego sustentando a certeza absoluta do "Eu Sou".

Não se preocupem em aceitar estas palavras. Podem indagar por si mesmos e buscar em seu interior esse eu separado. Não vão encontrar a este suposto pensador de seus pensamentos, sujeito de seus sentimentos e autor de seus atos, a não ser em seu pensamento ou convenções gramaticais

Você é aquilo que está buscando a este "eu" e mesmo que a busca continue, este "eu" vai passar desapercebido.

Esta descoberta é uma revolução copernicana que tira o ego do centro do universo. Porém, não se pretende que este descobrimento seja um novo conceito ao qual iremos nos apegar. 

Ramana Maharshi comparava um conceito errado ao qual nos apegamos, a um espinho que temos cravado na pele. Podemos usar outro espinho ( outro conceito) para extrair o primeiro, mas o melhor é nos livrarmos dos dois. (...)

O conceito do EU SOU original, ( puro ser, sem dualidade ) é apenas um outro sinal apontando à Consciência Pura; e como a água que não necessita se molhar, a Consciência Pura não necessita o pensamento EU SOU. Ela é Isso.

"Eu Sou a luz que ilumina todas as coisas.
Eu Sou todas as coisas
Todas as coisas provém de mim
E todas voltam para mim
Corta um tronco e ali estou,
Levanta uma pedra e me encontrarás. 
-Evangelho de Tomé."

Leo Hartong em Despertar a la Verdad

24 de dezembro de 2013

Jesus menino...


Vendo Jesus menino na manjedoura
cercado de simplicidade
cercado do amor dos seus pais,
cercado dos pastores, 
de animais e estrelas,

Vejo que nasce com Ele e através dele 
a Comunhão
Nasce com Ele e através dele
a Fraternidade
a Confiança plena, 
a Entrega
o Amor
e a Paz...

Jesus menino na sua pureza
vem nos mostrar nossa própria pureza 
e grandeza,
Grandeza de espírito
Grandeza de alma
Grandeza de sermos todos
irmãos...

Jesus menino é em si
a Totalidade Divina
acontecendo pequenina
em uma manjedoura,
Mas irradia uma Luz sem limites
que alcança num segundo
TODOS os corações...

Neste dia de Natal
Desejo a todos vocês
que essa radiância luminosa 
amorosa
e bela
alcance seu coração plenamente
e o faça transbordar 
em verdade
em pureza
em beleza
em muito amor
e paz...

Somos Todos irmãos
Somos a Grande família divina, 
Tudo e Todos são absolutamente importantes
Ninguém é menos, nem mais,
Estamos sempre em casa, 
e Jesus menino 
veio nos mostrar 
isso...
Feliz Natal!!

Amor,
~Amidha Prem~




23 de dezembro de 2013

Sobre a Unicidade - Sailor Bob Adamson


"Me diga então Bob, depois de haver encontrado essa Consciência, como se pode se encarar o fato de se estar rodeado de pessoas derramando sobre você todas as suas histórias egocêntricas? Como encarar seu próprio ego, seus próprios assuntos, as próprias relações, saúde, dinheiro, etc? Muitas destas coisas te empurram para fora da consciência? 

'Sailor' Bob Adamson - Primeiramente compreenda que, nada pode te empurrar para fora da consciência.

Quando você pergunta: "Como", está implícito que existe uma entidade que necessita fazer algo ou que possa fazer algo para separar-se daquilo que está acontecendo. Volte à causa dos seus problemas: a crença na ideia de uma entidade. Veja primeiro, quem precisa conhecer? o que? e como? 
Quando se dá conta de que não há nada aí, não cessará de viver, mas continuará adiante, exatamente como você vem crescendo desde criança.
Não existe uma receita para funcionar. Não existe uma resposta ao como e ao porquê.

Volte sempre à simplicidade da não dualidade. O Um sem segundo. Não há nenhuma entidade separada. Não há nenhum indivíduo com poder algum, ou com uma natureza independente. Não existe pessoa como tal, mesmo que a aparência de pessoa continue. Da mesma maneira que "Isso" está te fazendo respirar agora mesmo, fazendo seu coração bater, te fazendo viver, "Isso" também é o agente, a fonte de todas as atividades que acontecem em todos os lugares, sejam quais forem, e onde forem. Isso te trouxe aqui, te leva ali, escolhe um livro e ouves uma frase. É "Isso" o que está fazendo tudo por você.

Qualquer situação que surja, qualquer atividade que aconteça, seja fruto do ódio ou do amor, seja uma comoção ou qualquer outra coisa, não poderia acontecer de outra maneira, mesmo quando você pensa: Poderia ter feito melhor e se sinta culpado por não ter conseguido. 
Este culpar-se a si mesmo, também acontece e você se dá conta de que não poderia ter sido de outra maneira que não esta.

Isto é que eu chamo de viver sem esforço, porque não há ninguém, nenhuma entidade a quem se atribuir nada, ou que faça algum esforço e pode ver o corpo tomando parte ativamente do todo.(...)

Não há nenhuma entidade que tenha um poder próprio para fazer nada por si mesma, ou que tenha uma natureza independente. 

Geralmente indicamos desta maneira: vocês estão vendo e ouvindo, mas o olho não lhes diz: vejo! nem o ouvido lhes diz: ouço! O pensamento surge e traduz o ver e o ouvir como "vejo" e "ouço". Se olharmos com atenção, você acaba por se dar conta de que o pensamento "vejo" não pode ver, nem o pensamento "estou consciente" não é a sua consciência. O pensamento: "preciso fazer algo para chegar a tal lugar" não é o fazedor de nada. O pensamento é só uma tradução do que acontece, é um movimento da energia que acontece sob a forma de palavras e etiquetas, mas acreditamos que o pensamento ou o ato de pensar tem um poder próprio e uma natureza independente.

Antes do espermatozoide e o óvulo se encontrarem, você fez algo no processo da sua concepção ou do seu crescimento? Antes de que se formar o seu cérebro, antes de aparecer algum pensamento, seu coração já batia,, o sangue já circulava pelo pequenino feto. Quando este nasceu, não havia nele ainda a capacidade de raciocínio e no entanto, era capaz de segurar o próprio pé, era capaz de mamar em sua mãe; e mesmo antes disso, havia o saber necessário para realizar a primeira respiração. A partir daí, seguiu crescendo. Nada foi feito por entidade alguma.

A ideia de uma entidade, não chegou a você até que você tivesse aproximadamente dois anos e meio, e surgiu o raciocínio. Nessa idade, surgiu esta capacidade, o poder de raciocinar que agora possuímos. O raciocínio é uma energia que oscila por sua própria natureza, entre opostos, e dá a sensação de divisão. Começamos dividindo a nós mesmos com palavras: "eu" e "não-eu". 

A isso, segue-se uma sensação de separação, a sensação de entidade separada ( um indivíduo ) e com isto chega também nosso condicionamento e nosso sofrimento. 

A menos que permaneça nesta crença da separação e na individualidade, seu sofrimento permanecerá. Se você vê a mente, simplesmente, como uma tradutora, sem nenhuma natureza independente ou substância própria, então já não é possível que creias nunca mais na ideia de separação. Sabe que és amor vivente, inteligência-energia, eterno fluxo em ação.

Ao conhecer isso, tudo acontece sem esforço. Se não o conhece, surge uma aparente oposição, e apresenta um aparente conflito. O indivíduo faz um esforço ilusório, e isto é o que ocasiona todos os nossos problemas."
Bob Adamson em Una Sola Esencia

21 de dezembro de 2013

Aniversário Ventos de Paz...


Que assim seja nosso coração,

Alvo
Claro
Translúcido
Aberto 
Inocente...

Puro
Grato
Perfumado
Alegre
Cheio de luz
E amor...

Que assim seja nossa presença,
Simples
Autentica
Original
Verdadeira
Bela
Amorosa
E plenamente 
Consciente...

Que assim sejam nossos passos,
Firmes
Confiantes
Leves
Plenos de Felicidade
e de Paz...

Mais um ano juntos 
Nessa Trilha Luminosa da Consciência...
Mais e mais amigos que se juntaram a nós,
hoje somos muitos, somos Todos, somos Um...

Mesmo Coração pulsante,
Mesmo Amor que transborda
Mesmo Sopro
Mesma Luz
Refletida em muitas faces, muitas falas,
Mas sempre o mesmo Silêncio original
que tudo permeia...

Agradeço a todos pelo privilégio de ter 
cada um de vocês aqui...

Minha alma canta,
Celebra
e também silencia
Em reverência à Pura Presença-Amor
Sempre presente,
Disfarçada de
'eu' e 'você'...

 Gratidão...
Todo Amor
Lilian

20 de dezembro de 2013

Sobre a existência de Deus - Krishnamurti



"Pergunta: Podeis responder-nos claramente existe ou não existe Deus?
J. Krishnamurti: Senhor, porque o quereis saber? Que diferença faz, se eu o disser com clareza ou sem clareza? Ou confirmarei a vossa crença, ou abalarei a vossa crença. Se confirmo a vossa crença, ficareis satisfeito, e continuareis com as práticas absurdas, que tanto vos agradam.
Se vos perturbo direis: "Ora, isso não tem importância" e infelizmente continuareis como sois. Mas, porque desejais saber?

Francamente, isso é mais importante do que descobrir se não há Deus ou não há. Para conhecerdes a Deus, para conhecerdes a verdade, vós não o deveis buscar. Se o buscais, estais fugindo do que é, e esta é a razão por que perguntais se há ou não há Deus. Quereis escapar do vosso sofrimento, refugiar-vos numa ilusão. (...) 

Para encontrarmos a realidade, ou, melhor, para que a realidade se nos manifeste, deve cessar o sofrimento; e a mera busca de Deus, da imortalidade, é uma fuga do sofrimento. Mas, é mais agradável discutir se há Deus ou não, do que dissolver as causas do sofrimento, e é por isso que tendes inúmeros livros que tratam da natureza de Deus. O homem que discute sobre a natureza de Deus, não conhece Deus; porque aquela realidade não é mensurável, não pode ser colhida numa rede de belas palavras. 
Não podeis prender o vento na mão; não podeis capturar a realidade num templo, nem no "puja", nem em vossas inumeráveis cerimônias.(...)

E o que é - é sofrimento, é batalha constante com nós mesmos e portanto com outros; e enquanto não compreenderdes e transcenderdes esse sofrimento, não poderá manifestar-se a realidade. Assim, vossa pergunta sobre se há ou não Deus, é uma pergunta vã, sem significação e que só pode conduzir a ilusão. Como pode uma mente, presa do tumulto da aflição e do sofrimento de cada dia, presa da ignorância e da limitação, como pode conhecer o que é ilimitado, inefável? 

Como pode o que é produto do tempo, conhecer o atemporal? Não pode. Por conseguinte, não pode sequer pensar a seu respeito. Pensar na verdade, pensar em Deus, é outra maneira de fugir; porque Deus, a verdade, não pode ser apanhado pelo pensamento. 
O pensamento é resultado do tempo, de ontem, do passado, e, sendo resultado do tempo, do passado, sendo produto da memória, como pode o pensamento encontrar o que é eterno, atemporal, imensurável? Como não o pode, o mais que podemos fazer é libertar a mente do processo do pensamento; e para libertar a mente do processo do pensamento, precisamos compreender o sofrimento, e não fugir dele - sofrimento não apenas no nível físico, mas em todos os diferentes níveis da consciência. 

Significa isso estar aberto, ser vulnerável ao sofrimento, não se defender do sofrimento, mas viver com ele, abraçando-o, olhando-o bem. Porque, vós sofreis agora. Sofreis da manhã à noite, e só ocasionalmente vos vem um raio de sol ou surge uma claridade no céu nublado. Uma vez que sofreis, porque não considerais o vosso sofrimento, porque não o examinais em toda a sua plenitude, de maneira profunda, completa, dissolvendo-o assim? Isso não é difícil. 

A busca de Deus é muito mais difícil, porque ele é o desconhecido, e não se pode procurar o desconhecido. Podemos, no entanto, indagar as causas do sofrimento, e desarraigá-las pela compreensão do mesmo, pelo percebimento do mesmo, sem fugir a ele. Uma vez que costumais fugir do sofrimento por todos os meios, considerai bem essas fugas, abandonai-as e ponde-vos em face do sofrimento. 

Na compreensão do sofrimento há libertação. A mente se torna então livre de todo pensamento, não é mais o produto do passado. Está então tranquila, sem problema algum; não foi posta tranquila, mas está tranquila, porque não tem problemas, porque já não está criando pensamentos. 

O pensamento cessou - o pensamento que é memória, acumulação de experiências, de cicatrizes do passado; e quando a mente está de todo em todo tranquila - sem ter sido posta tranquila - a realidade se manifesta. Essa experiência é a experiência da realidade, e não da ilusão, e tais experiências proporcionam bênçãos ao homem. 

A verdade, o amor, é o desconhecido, e o desconhecido não pode ser capturado pelo conhecido. O conhecido precisa cessar, para o desconhecido ser; e quando o desconhecido surge na existência, derrama-se uma benção."
J. Krishnamurti em Da insatisfação à Felicidade

18 de dezembro de 2013

Confiança e Luz - Robert Happé


"Estamos vivendo uma época bastante estranha. Muitas pessoas sentem desanimo, frustração e não encontram muito significado em alguns acontecimentos do mundo. Outras sentem uma diminuição de energia e até mesmo da saúde. O que está acontecendo?

Não dá mais para fazer de conta que não está acontecendo nada. Até mesmo o planeta está mostrando mudanças sérias na sua natureza e, consequentemente, vai nos obrigar a mudar a forma como entendemos a palavra Evolução.

Na verdade, a Terra está se preparando para uma nova forma, ou melhor, uma nova freqüência. O que é exatamente isso?

Nada mais é que um novo estilo de vida que nos obrigará a sermos mais cooperativos. Ou mais amorosos, que significa praticamente a mesma coisa.

A escolha é simples: vou continuar sendo mais materialista ou mais espiritual?
Chegou a hora de decidir .Pequenas mudanças vão começar a acontecer para estimular essa decisão, motivando as massas a escolherem um novo tipo de vida.
Pense um pouco no sistema monetário de hoje, que privilegia poucos.

Você já deve saber, por exemplo, que o poder do dinheiro está nas mãos dos banqueiros.

Nos últimos 10 anos, muitas pessoas começaram a descobrir que isso tudo está errado. Foi aí que muitos quiseram literalmente sair do sistema, o que visualizamos no movimento hippie. Os valores antigos, baseados somente no lucro, vão mudar. Mas a mudança só ocorrerá quando uma grande quantidade de pessoas despertar.

Por isso, a importância agora da decisão. É difícil reclamar de tudo isso. Mas é
mais difícil ainda criar um novo sistema.Entretanto, se você se conectar com a sua consciência superior (coração), pode perfeitamente viver a sua vida de acordo com o que acredita que é certo.

Se emprestar dinheiro, pense na real importância de cobrar juros. Algumas
pessoas cobram juros de seus próprios amigos!

De qualquer forma, não deixe que o mundo mude você. Você também não precisa mudar o mundo. Você não precisa de sucesso.Precisa ser fiel a você mesmo. Fiel a quem você é. E não ser um robô do sistema. Faça o que seu coração manda. Seja fiel ao amor.

Nesse ponto fica uma pergunta: qual a diferença entre ilusão e realidade? Se
você não experimentar amor, você experimenta a ilusão.

A vida não é complicada. A mente é que complica tudo. Por isso, é preciso aprender a equilibrar as energias. Primeiro, lembre-se que quando você tem
consciência o tempo todo de como você se expressa, há equilíbrio.Se ninguém resistir á você, ou seja, se você expressa luz, há impacto em todos ao seu redor. 
Se você encontrar alguém com pouco entendimento, diminua um pouco a sua luz para não assustar o outro.É preciso eliminar a mania que muitos tem de viver em competição.

Permita que as coisas venham para você como elas são, assim você equilibra naturalmente as suas energias. Permita que as pessoas sejam como elas são.
Cada momento é novo. E durante esse momento nós precisamos ficar sensíveis e sem vontade de controlar. É preciso definir melhor o que você quer
da vida. É preciso mais foco. 
A propósito, os relacionamentos são chaves para o despertar.
E para terminar, anote: sem confiança não há luz. Sem luz, não há vida."

17 de dezembro de 2013

Vivendo o TAO - Osho


"Toda técnica é contra a natureza, contra o Tao; todo esforço é contra o Tao. Se você conseguir deixar tudo por conta da natureza, então nenhuma técnica é necessária, porque essa é a técnica suprema. Se você conseguir deixar tudo por conta do Tao, essa é a mais profunda entrega possível. Você está entregando a si mesmo, o seu futuro, as suas possibilidades, está entregando o próprio tempo, todos os esforços. Isso significa paciência e espera infinitas.

Depois que você entregar tudo à natureza, não há esforço, você apenas flui; você está num profundo estado de deixar acontecer. Coisas lhe acontecem, mas você não está fazendo nenhum esforço para que elas aconteçam, não está nem mesmo procurando-as. Se elas acontecerem, tudo bem; se não acontecerem, tudo bem; você não escolhe. Tudo o que acontece, acontece; você não tem expectativas e, é claro, nenhuma frustração.

A vida flui e você flui com ela. Você não tem nenhum objetivo a alcançar, porque com o objetivo entra o esforço. Você não tem nenhum lugar para ir, porque, se tiver algum lugar para ir, o esforço virá; ele está implícito. Você não tem nenhum lugar para ir, nenhum lugar para alcançar, nenhum objetivo, nenhum ideal; nada precisa ser atingido, você entrega tudo, e, nesse momento de entrega, nesse exato momento, tudo lhe acontece.
O esforço requer tempo, a entrega não leva tempo; técnica leva tempo, a entrega não leva tempo. É por isso que chamo a entrega de técnica suprema; ela é uma não-técnica. Você não pode praticá-la, não se pode praticar a entrega. Se você praticar, ela não é entrega; então você está contando consigo mesmo e não está totalmente impotente; então você está tentando fazer alguma coisa. Mesmo se for entrega, você está tentando fazê-la, e a técnica entrará em cena e, com a ela, entra o tempo, o futuro.

A entrega não é temporal, ela está além do tempo. Se você se entrega, nesse exato momento você está fora do tempo, e tudo o que pode acontecer acontecerá. Mas então você não a está procurando, não a está buscando, não está ávido por ela. Você absolutamente não está pensando nela; para você, dá no mesmo se ela acontecer ou não acontecer.

Tao significa entrega, entrega à natureza, e então o ego não existe. O tantra e a ioga são técnicas, e por meio delas você atinge um ponto de entrega, mas será um longo processo. No final, depois de cada técnica, você terá de se entregar, mas com as técnicas a entrega acontecerá no final. Com o Tao, no Tao, ela virá no começo. Se você puder se entregar agora mesmo, nenhuma técnica é necessária.

Você precisa ser descondicionado. Se você estiver no Tao, então nenhuma técnica é necessária; se você for saudável, então nenhum remédio é necessário. Todo remédio é contra a saúde; mas você está doente, e o remédio é necessário. Esse remédio matará sua enfermidade; ele não pode lhe dar saúde, mas, se a doença for removida, a saúde lhe acontecerá. Nenhum remédio pode lhe dar saúde; basicamente, todo remédio é um veneno, mas você coletou algum veneno e precisa de um antídoto que criará um equilíbrio, e a saúde será possível.

A técnica não lhe dará a sua divindade, não lhe dará a sua natureza. Ela destruirá tudo o que você juntou à volta da sua natureza; ela apenas tirará os seus condicionamentos. Você está condicionado e, no momento, não pode saltar em direção à entrega. Se você puder saltar, ótimo, mas você não pode... Seus condicionamentos perguntarão: "Como?" Então as técnicas serão de ajuda.

Quando a pessoa vive no Tao, nenhuma ioga, nenhum tantra e nenhuma religião são necessários. A pessoa está perfeitamente saudável, e nenhum remédio é necessário. Toda religião é medicinal. Quando o mundo viver totalmente no Tao, as religiões desaparecerão e nenhum mestre, nenhum Buda e nenhum Jesus serão necessários, porque cada um será um Buda ou um Jesus. Mas, no momento, como você é, você precisa de técnicas; essas técnicas são antídotos.

Você juntou à sua volta uma mente tão complexa que complicará tudo o que for dito e for dado a você; você tornará tudo mais complexo, mais difícil. Se eu lhe disser: "Entregue-se", você perguntará: "Como?"; se eu disser: "Use técnicas", você perguntará: "Técnicas? As técnicas não são contra o Tao?"; se eu disser: "Nenhuma técnica é necessária, simplesmente se entregue e a divindade lhe acontecerá", imediatamente você perguntará: "Como?" Essa é a sua mente.

Se eu disser: "O Tao está exatamente aqui e agora, você não precisa praticar nada; simplesmente dê um salto e se entregue", você perguntará: "Como? Como posso me entregar?" Se eu lhe der uma técnica para responder ao seu "como", sua mente dirá: "Mas um método, uma técnica e uma abordagem não são contra o Tao? 
Se a divindade for a minha natureza, então como pode ser alcançada por meio de uma técnica? Se ela já está presente, então a técnica é inútil, é desnecessária. Por que perder tempo com técnicas?" Observe essa mente!

Certa vez aconteceu de um homem, pai de uma jovem, pedir ao compositor Leopold Godowsky para ir à sua casa e dar aula à sua filha. Ela estava aprendendo piano e Godowsky foi à casa deles e, pacientemente, ouviu a jovem tocar. Quando ela terminou, o pai riu exultante, deu um grito de felicidade e perguntou a Godowsky: "Ela não é maravilhosa?"

Conta-se que Godowsky respondeu: "Ela tem uma técnica impressionante. Nunca ouvi alguém tocar uma peça tão simples com uma dificuldade tão grande".

É isso o que acontece na sua mente.
Mesmo uma coisa simples, você a tornará complicada, difícil para si mesmo. E essa é uma medida de defesa, porque, quando você cria dificuldade, não precisa fazê-la; primeiro o problema precisa ser resolvido, e só depois você pode fazê-la.
Lembre-se, você pode seguir em frente indefinidamente nesse círculo vicioso, mas precisará quebrá-lo em algum ponto e sair dele. Seja determinado, porque somente com decisão nasce a sua humanidade, somente com decisão você se torna humano. Seja determinado; se você puder se entregar, entregue-se; se não puder se entregar, então não crie problemas filosóficos e use alguma técnica. De ambas as maneiras, a entrega lhe acontecerá."
Osho em Tao - Sua História e Seus Ensinamentos

15 de dezembro de 2013

A Prática da ausência de objetivo - Thich Nhat Hahn


"Nada a fazer, nada a realizar, nenhum programa a ser cumprido, 
nenhuma agenda. Esse é o ensinamento budista sobre os fins últimos do homem. 
A rosa tem que fazer alguma coisa? Não, o objetivo da rosa é apenas ser uma rosa.
Seu objetivo é ser quem você é. Você não precisa sair correndo e se tornar outra pessoa. Você é maravilhoso do jeito que é.
Esse ensinamento do Buda permite que a gente se divirta, contemple o céu azul e tudo o mais que é tão bom e refrescante no momento presente.

Não há nenhuma necessidade de inventar objetivos para depois correr atrás deles. Nós já temos tudo o que é necessário, já somos aquilo em que desejamos nos tornar.

Somos todos Budas, por isso podemos dar a mão a um outro Buda e praticar a meditação andando. Esse é o ensinamento do Avatamsaka Sutra. Seja você mesmo, a vida é preciosa do jeito que é. Não há necessidade de correr, lutar, carregar fardos nem disputar coisas. Podemos apenas existir. Estar aqui, neste momento, neste lugar, já é uma forma profunda de meditação. 

A maioria das pessoas não acredita que caminhar sem pressa e despreocupadamente seja o bastante. As pessoas acham que lutar e competir são coisas normais e necessárias. Tente praticar a ausência de objetivos por cinco minutos apenas, e observe como será feliz durante esses cinco minutos.

O Sutra do Coração diz que não há nada para ser atingido. Nós não meditamos para atingir a iluminação, porque a iluminação já está em nós, conseqüentemente não há necessidade de busca-la. Não precisamos de
propósitos nem de metas. Nossa prática não visa obter uma alta posição. 

Quando praticamos a ausência de objetivo, entendemos que nada nos falta, que já somos tudo o que queríamos ser. Nessa altura, nossa luta desesperada começa a cessar. Fazemos as pazes com o momento presente, e conseguimos observar a luz do sol entrando pela janela e ouvir o barulho da chuva. Não precisamos mais correr atrás de coisas externas. Podemos usufruir esse momento. As pessoas discutem como chegar ao Nirvana, mas na verdade já estamos lá.

A ausência de objetivo e o Nirvana são uma coisa só.


Ao acordar hoje de manhã eu sorri. Vinte e quatro horas, novinhas em folha, ao meu dispor.Tenho a firme intenção de viver plenamente cada momento do meu dia,
E olhar para todos os seres com o olhar da compaixão.
Essas vinte e quatro horas são uma dádiva preciosa, que só poderemos usufruir completamente quando tivermos aberto a Terceira Porta da Liberação, que é a ausência de objetivo. 
Se pensarmos que temos vinte e quatro horas para realizar alguma coisa, o dia de hoje passa a ser um meio para atingir um fim. O momento de cortar madeira ou carregar água é o momento que temos para sermos felizes. Não
devemos esperar que essas tarefas estejam terminadas para só então sermos felizes.

Ser feliz agora significa não ter metas agora. Se não fizermos isto, andaremos em círculo pelo resto da vida. No momento presente, temos tudo o que necessitamos para fazer desse momento o mais feliz de nossas vidas, mesmo se estivermos com dor de cabeça ou com um resfriado. Não temos que esperar o resfriado acabar para poder ser felizes. Resfriar-se é parte da vida.

Alguém me perguntou: "Você não está preocupado com a situação do mundo?" Eu respirei e respondi: "O mais importante é não permitir que a ansiedade em relação aos acontecimentos mundiais encha o seu coração. Se o coração for preenchido pela ansiedade, você ficará doente, e não poderá ajudar quando for necessário."

Existem guerras - grandes e pequenas - em muitos lugares, e isso pode nos tornar ansiosos. A ansiedade é a doença de nosso tempo. Estamos sempre preocupados conosco, com a família, com os amigos, com o trabalho, e também com a situação do mundo. Se permitirmos que a preocupação inunde os nossos corações, mais cedo ou mais tarde ficaremos doentes.

É verdade que existe uma enorme quantidade de sofrimento por este mundo afora, mas o fato de saber disso não significa que estamos paralisados. Se praticarmos a respiração, a caminhada, a meditação e o trabalho com consciência, e fizermos o melhor que pudermos para ajudar os outros, teremos paz no coração. A preocupação não realiza nada. Mesmo se nos preocuparmos dez vezes mais, isso não melhorará em nada a situação do mundo. Na verdade, a ansiedade só faz piorar as coisas. Mesmo sabendo que nada é como gostaríamos que fosse, devemos ficar contentes mesmo assim, porque estamos dando o nosso melhor, e continuaremos a fazer isso. Se não soubermos respirar, sorrir e viver com atenção e profundidade cada momento de nossa vida, nunca poderemos ajudar ninguém. 

Sou feliz agora. Não me falta nada. Não espero nenhum tipo de felicidade adicional nem condições ideais para poder ser mais feliz ainda. 

A prática mais importante de todas é ausência de objetivo, em vez de ficar correndo atrás das coisas intensamente.Aqueles dentre nós que tiveram a sorte de conhecer e praticar a atenção plena têm a responsabilidade de trazer paz e alegria para as suas vidas, mesmo que as condições do corpo, da mente ou do meio ambiente não sejam exatamente as que gostaríamos. Sem
felicidade não poderemos ser um refúgio para os outros. 

Pergunte a si mesmo. O que estou esperando para ser feliz? Por que não fico feliz agora mesmo? 
Meu único desejo é ajudar vocês todos a entenderem isso. Como podemos inserir a prática da atenção plena na sociedade? Como podemos ajudar o maior número possível de pessoas a ser feliz e a ensinar a arte da atenção plena a outras pessoas? O número de pessoas capazes de gerar violência é muito grande, enquanto que um número muito reduzido sabe respirar e gerar felicidade.

Todo novo dia representa mais uma oportunidade para ser feliz e ser um
refúgio para os outros.Não precisamos nos tornar nada além do que já somos. Não precisamos desempenhar nenhuma ação específica. Só precisamos ser
felizes no momento presente, e dessa forma estaremos sendo úteis às pessoas que amamos e a toda a sociedade. 
A ausência de objetivo significa parar e entender que a felicidade está ao nosso alcance. Se for perguntado quanto tempo alguém precisa praticar para ser feliz, eu responderei que essa pessoa pode ser feliz
imediatamente. 

A prática da ausência de objetivo é a prática da liberdade.
Thich Nhat Hahn em A Essência dos ensinamentos de Buda

14 de dezembro de 2013

Ser é o mais importante - Mooji


"Quando você começa a observar alguma coisa, se sente uma certa distância entre você e a coisa observada. Existe um espaço. A maioria das pessoas em sua interação, sentem que a coisa mais preciosa para nós é o senso de espaço, espaço interior.

Algumas vezes você não está consciente do que está acontecendo, quando em algumas situações da vida nos sentimos como que uma claustrofobia, e nós buscamos retomar nosso espaço.

Observe então, quando te aconselho que observes, não é mergulhar em suas próprias reações, mas estar tranquilo observando. 
Então, imediatamente o espaço acontece. E assim, as ações, reações, interações podem ser observadas. Passivamente. E o seu espaço interior é pleno.

Então, todas essas perguntas já não te preocupam mais. Porque não são nada. Elas necessitam que você acredite nelas; sua crença amplifica esses sentimentos, só então eles parecem ser importantes.

O que é que você pode dizer que é verdadeiramente importante? 

Não pense, apenas mergulhe nessa pergunta..tranquilamente... O que você poderia dizer, que seja não apenas importante, mas que seja vital para você?
O que eu quero dizer é: o que você simplesmente não pode viver sem? Existe algo que é tão importante que você não pode prescindir dele...

Esta é uma pergunta ótima para ser contemplada.. porque existem muitas coisas atualmente, que você sente que estão presentes e você não pode viver sem elas. Isso, porque nunca paramos para observar sua real importância. Mas isto é um bom ponto de partida.

Uma outra maneira de colocar esta pergunta: O que você precisa neste exato momento? O que você necessita para ser?

É uma pergunta muito simples. Agora mesmo e aqui. Qual é o seu suporte? Qual é a sua necessidade absoluta? Ao que tens que se agarrar? (risos...)

Você apenas está aqui. Não aqui, no Centro Tibetano, mas está simplesmente aqui. Independentemente de onde estejas, em qualquer circunstância, em qualquer situação, em qualquer país, esta experiência é pura.

Todas as funções vitais que mantem este corpo vivo, estão acontecendo por si mesmas. Elas não precisam de nenhuma ajuda sua. O que você precisa fazer?

Todo ser humano deveria se fazer esta pergunta. Chegar a este ponto. Examinar a si mesmo. Não é ficar pensando, pensando, pensando.

Se mesmo que por um momento, você deixar isso ir... reserve apenas um instante para si mesmos,  porque vocês se surpreenderão que a maioria de vocês não se dão nem mesmo este instante, aparentemente estamos cuidando de muitas outras necessidades, sem prestar atenção que existe algo em você que é realmente importante.

Minha sugestão é; Comece agora!Aqui! Sem nenhum suporte racional. Nenhum pensamento é necessário. Nenhum intenção. Nenhum requisito. Estamos aqui.

A partir deste frescor, deste momento puro, qualquer coisa que se necessite neste momento será encontrada, espontâneamente.. Você não necessita de nenhuma preparação.

Ser é o mais potente. 

A mente é obcecada com o "se tornar", mas sua realidade é apenas Ser, não em se tornar.
O "se tornar" pode acontecer, é bonito quando acontece a partir do Ser, a partir do Ser consciente, assim, acontece uma harmonia natural.

Então, primeiro chegue a este lugar, e então você descobrirá se estas questões tem algum valor para você."
Mooji em Satsang

13 de dezembro de 2013

Sobre Iluminação - Ramesh


Participante: O corpo-mente é desintegrado com a morte e é também desintegrado antes da morte, com a iluminação?

Ramesh Balsekar - Não, iluminação não leva a desintegração do corpo. Deixe te esclarecer isso. O que a iluminação faz é desassociar a entidade do dualismo. A entidade não pode remover a si mesma do dualismo. Logo, enquanto o corpo-mente continuar a dualidade ainda estará presente. Entretanto, a duração do corpo-mente, no espaço-tempo é dualidade. O que não está mais presente na iluminação é o dualismo, "eu" como separado da entidade "você". Não existem mais entidades separadas.

Participante: Era isso que estava pensando, que essa parte seria desintegrada, ou destacada.

Ramesh: Correto.

Participante: Quando a iluminação aconteceu a você, você perdeu o interesse no trabalho?

Ramesh -  Pelo contrário! Não perdi o interesse. Mas, deixe-me esclarecer, isso foi no meu caso. Em outros casos isso pode ter acontecido, pois todo o interesse cessou. O que resulta da iluminação é impossível de se dizer. Eu não era um escritor anteriormente, mas os livros começaram a surgir. (...) Escrever não era minha profissão, nem um hobby, ela simplesmente aconteceu. (...) As páginas surgiam espontaneamente, e foram seis, sete, oito livros nos próximos oito anos, junto com todos os outros trabalhos. Por isso que nunca disse, serem "meus" livros, isso me deixa um pouco inibido. No fundo eu sei que nunca foram "meus" livros.

Também nunca fui um orador. Pelo contrário, minha esposa sempre me disse que eu em reuniões sociais nunca conversava, quando todos conversavam. Eu lhe dizia, que não tinha nada para conversar. E agora, aqui estou. (...)

Quando o evento impessoal da iluminação acontece, o evento acontecerá de acordo com o que o aquele organismo corpo-mente, e através do corpo-mente. E cada evento será diferente, uma imensa variedade. Logo, aquele que era escritor pode parar de escrever; outros que nunca escreveram passam a escrever; e muitos não fazem nada simplesmente; muitos largam tudo que faziam e se recolhem em lugares isolados.

Participante - O que estou falando é exatamente sobre isso. Eles parecem estar em um estado de ruptura.

Ramesh - Vejo que este estado de ruptura é de curta duração. Mas novamente posso estar cometendo um equívoco. Pode haver uma sensação de ruptura mas ela não perdura. Benção é uma palavra que particularmente não gosto, que cria equívocos de compreensão. A benção verdadeira é a ausência do desejo de bençãos. Essa é a verdadeira benção. Paz, tranquilidade são palavras que eu prefiro. De fato, no estado de iluminação, não se deseja mais bençãos nem nada mais. É a total aceitação. Este é o ponto.

Participante - Então, se pudesse traduzir o estado de iluminação em um só mantra, seria confiança?

Ramesh - Poderia ser. Mas minhas duas palavras seriam aceitação e entrega, que significam a mesma coisa. Mas você poderia usar confiança. 

Participante - Estou aqui para compreender a diferença entre iluminação e consciência em repouso.

Ramesh - O estado de consciência em repouso é um estado subjetivo.

Participante - Isso significa que não existe nada?

Ramesh - Isso significa que tudo existe em potencial.  Iluminação é apenas uma condição na fenomenalidade. Não se afaste muito disso. Iluminação é a compreensão na fenomenalidade, do que é o quê. Não existe ninguém se tornando iluminado, A questão da iluminação é apenas um conceito na fenomenalidade.

Participante - Então, o impulso para se iluminar é apenas ser permanentemente inconsciente?

Ramesh - Um impulso de quem? Este é o engano que acontece o tempo todo. Nós pensamos em termos individuais. Você está pensando como um pensador individual. Impulso apenas pode vir do ponto de vista do indivíduo, mas iluminação é apenas a compreensão que não existe indivíduo tentando compreender nada. É uma entrega, onde não existe entrega de ninguém. Logo a compreensão é impessoal, um flash de entendimento mas que não perdura horizontalmente. Não está relacionado ao triângulo sujeito, objeto, acontecimento. É apenas um entendimento puro e simples, onde não há mais ninguém compreendendo.

Participante - Sim, mas existe alguém consciente...

Ramesh - Não! Este é o ponto. Este é precisamente o ponto.

Participante - Isso não faz sentido para mim!

Ramesh - Exatamente! Exatamente! Nenhum sentido para mim! (...)

O que estou dizendo é que o entendimento é vertical, no qual não existe ninguém compreendendo nada; Existe apenas um flash de entendimento, no qual o sujeito desaparece. E você diz que não entende. (...)  Este entendimento acontece no tempo apropriado para cada um, e ninguém pode saber quando será. Tudo que posso dizer é que ele não acontece enquanto existirem expectativas, isto é, enquanto existir um "eu" um "mim" esperando por ele."
Ramesh Balsekar em Counsciousness Speaks

11 de dezembro de 2013

Sobre a Ansiedade - Osho


"Crie uma distância entre você e sua personalidade. 

Todos os seus problemas estão relacionados com sua personalidade, 
e não com você. 

Você não tem problemas, ninguém realmente tem problemas. Todos os problemas pertencem à personalidade.
Isto é o que você deve fazer: sempre que você sentir ansiedade, lembre-se de que ela pertence à personalidade. 

Você sente uma tensão, lembre-se de que ela pertence à personalidade. Você é o observador, a testemunha. Crie uma distância, e nada mais deve ser feito.

Uma vez que haja a distância, repentinamente você perceberá a ansiedade desaparecendo. 

Quando a distância for perdida, quando você ficar de novo fechado, de novo a ansiedade surgirá. 

Ansiedade é identificar-se com os problemas da personalidade. E relaxamento 
é não se envolver, permanecer não identificado com os problemas da personalidade.

Assim, por um mês, observe. Aconteça o que acontecer, permaneça distante. 

Por exemplo, você tem uma dor de cabeça. Tente ficar distante e observe a dor de cabeça. 

Ela está acontecendo em algum lugar no mecanismo do corpo.

Você está indiferente, um observador sobre a colina, distante, e ela está acontecendo a quilômetros de distância. 

Crie uma distância, crie um espaço entre você e a dor de cabeça e continue a aumentar cada vez mais o espaço.

Chegará um ponto em que você subitamente perceberá que a dor de cabeça está desaparecendo na distância."
Osho em Todos os Dias

9 de dezembro de 2013

O Coração - Ramana Maharshi


"Participante - Baghavan, o senhor havia dito que o Coração é o centro do Self.

Baghavan Ramana Maharshi - Sim, é o centro supremo do Self. É importante que não se tenha nenhuma dúvida sobre isso. O Self real é lá, dentro do Coração, atrás do jiva, ou ego.

Diga-me então por favor, onde se localiza no corpo?

Ramana - Você não saberá através da mente. Você não realizará através da imaginação; quando lhe digo que aqui é o centro ( ponto situado ao lado direito do peito). A única maneira de realizá-lo é cessar imediatamente com as fantasias, e trate de ser você mesmo. Quando acontece a realização, imediatamente se sente que este centro está lá.

Este é o centro, o Coração, que nos falam as escrituras tais como hritguha ( cavidade do coração), arul ( graça), ullam, ( o Coração).

Participante - Nunca encontrei nada sobre isso em nenhum livro.

Ramana - Muito tempo depois que vim aqui, eu por acaso encontrei um versículo na versão Malaia do Ashtangahridayan, o texto fundamental da Ayurveda ( medicina hindu), ele cita em particular o ojas sthana ( fonte de vitalidade do corpo, ou local de luz) ele menciona como estando localizado do lado direito do peito, e o chama de samvit, lugar onde a consciência se assenta. Não conheço nenhum outro trabalho que cite esta mesma localização.

É mesmo certo que os antigos usavam este termo Coração, para este centro?

Ramana - Sim, estou certo disso. Mas você precisa experimentá-lo por si mesmo. Um homem não precisa não precisa descobrir onde seus olhos estão localizados, quando ele quer mesmo ver. O Coração está lá sempre aberto para você entrar, sempre sustentando todos os movimentos, mesmo quando você não saiba da sua existência. Seria mais correto dizer que o Self é o Coração mesmo, do que dizer que está no Coração. Realmente, o Self é o centro em si mesmo. Ele preenche todos os lugares, quando consciente de si mesmo, é o Coração, o Self autoconsciente.

Neste caso, como localizá-lo em alguma parte do corpo? A fixação de um lugar para o Coração, implicaria em definir limitações fisiológicas ao que está além do tempo e do espaço..

Ramana - Isto é correto. Mas a pessoa que coloca a questão sobre a posição do Coração considera a si mesma existindo com ou em um corpo. Enquanto, a questão que você colocou agora: você diria que seu corpo está sozinho aqui, e você está falando de outro lugar? Não, você aceita sua existência em um corpo físico. Este é o ponto de vista de que qualquer referência a um corpo físico possa ser feita.

Em verdade, a consciência pura é indivisível, é totalmente sem partes. Não tem forma nem corpo, nada "dentro" ou "fora". Não existe "direita" nem "esquerda" para ela. Pura consciência, que é o Coração, inclui tudo e nada é colocado fora, ou aparte. Esta é a verdade suprema.

Deste ponto de vista, o Coração, Self ou Consciência não tem nenhum lugar fixo em particular no corpo físico. Por que ? O corpo é ele mesmo uma mera projeção da mente, e a mente é um pobre reflexo do Coração radiante. Como pode aquilo que tudo contém, ser confinado em uma pequenina parte de um corpo, corpo que é infinitesimal, um fenômeno da realidade única?

Mas as pessoas não compreendem isso, elas não conseguem não pensar em termos de corpo físico e o mundo. Por exemplo, você disse: Eu vim a este ashram do meu país de origem, vim pelos Himalaias. 
Mas isto não é verdade. Onde é "ir" e "vir" ou qualquer movimento acontece para o Um; tudo permeia o Espírito que você realmente É.
Você está onde sempre esteve. É seu corpo que se moveu até o ashram, ou foi a consciência que foi sendo transferida de uma paisagem para outra até que encontrasse a paisagem do ashram? Esta é uma verdade simples, mas as pessoas consideram a si mesmas como um sujeito vivendo em um mundo objetivo, isto é totalmente visionário!
É por descer para o nível do conhecimento comum, que se atribui ao Coração um lugar no corpo físico.

Uma vez que você concebe com absoluta compreensão, o Coração como Pura Consciência, que está além do espaço e do tempo, será mais fácil para você compreender todo o resto, esta é a perspectiva correta."
Ramana Maharshi em The Teachings of Sri Ramana Maharshi

7 de dezembro de 2013

Tudo acontece dentro da mente - Conto Zen


Havia um mosteiro no alto de uma montanha onde viviam muitos monges, de diversas idades e origens.
Ali eles meditavam, entoavam mantras, liam os textos sagrados, trabalhavam uns para os outros, e cuidavam da natureza.
Uma vez, um visitante veio conhecer o mosteiro, e para isso um monge foi designado para guiá-lo.
Os dois caminhavam e o visitante ficou encantado com a simplicidade, a paz e a beleza do lugar.

Ele então vira-se para o monge e pergunta: Mas diga-me aqui todos são assim, pacíficos, tranquilos? Não vejo ninguém ansioso, apressado... este lugar é um paraíso, quem dera se o mundo lá fora fosse assim também, pura paz, harmonia e tranquilidade. Todos trabalhando serenamente, com o coração aberto e plenamente conscientes.

O monge então diz: Venha comigo que lhe mostrarei uma coisa importante.

Eles foram caminhando até o refeitório, e ali eles viviam de modo muito simples. Se alimentavam somente uma vez ao dia, e naquele dia o alimento era uma cuia de sopa de grão de bico.
Os dois chegaram até a porta e ficaram observado os monges se alimentando.

Havia um que orava enquanto se alimentava.
- Agradeço por este alimento. Com ele posso trabalhar, experimentar a vida e a benção de viver. A luz do sol, a terra, a chuva, as mãos que fizeram crescer esse grão de bico, manifestam toda a criação, a radiância da natureza inteira em cada grão. Esta deliciosa sopa, que irá alimenta meu corpo, e me dará energia para o trabalho e para a meditação. Gratidão por este alimento sagrado. Sou grato eternamente...

Havia um que comia em absoluto silencio. Nada dizia. Puro silencio...

E havia um que reclamava sem cessar:
- Que droga isso! Mais um dia comendo essa coisa sem gosto nenhum! Essa sopa de grão de bico de novo? Isso vai acabar comigo mais cedo ou mais tarde! Quem aguenta isso? Me dê uma comida de verdade! Assim desse jeito prefiro passar fome!!

O monge e o visitante ficaram ali observando os três em silêncio.
Eis que o monge se vira para o visitante e diz:
-Vê como a vida é como esta sopa o grão de bico? 
Ela se dá a todos igualmente, mas como cada um a vê é que a torna um céu, uma realidade neutra, ou um inferno. 

Na verdade, nada acontece ao grão de bico, ele apenas se dá, está ali, nada mais. 

Porém as interpretações da mente, estas são infinitas...e não é só no mundo que encontramos isso...
Você acabou de ver, o céu e o inferno acontecem dentro da mente, nada acontece fora...
Conto Zen
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