6 de dezembro de 2013

O Mistério Inominável - Jeff Foster


"Este é um Mistério inominável. 
Mas, mesmo assim lhe demos um nome.
E depois de lhe darmos mais de mil nomes ao inominável Mistério, nos convencemos de que esses nomes constituem a realidade.
Então, prendemos nossa vida a esta realidade e nos esquecemos de que os nomes eram somente algo arbitrário, que havíamos produzido na mente.

Depois, nos sentimos torturados pelos nomes. 
Nós ficamos atrapalhados nas polaridades e nos debatemos entre os pares de opostos: o bem e o mal, o amor e o ódio, a riqueza e a pobreza, a beleza e a feiura, o sagrado e o profano. 
Mesmo que esta prisão seja uma obra nossa, não nos damos conta de que fomos nós mesmos que a construímos.

A mente não se interessa em Mistério, porque o Mistério não pode ser um objeto cognoscível, já que é justamente de onde brotam todos os objetos cognoscíveis - é a vacuidade que origina toda forma de vida e sem a qual, nada pode existir. 

Não importa que o chame de Tao, Deus, Espirito, Consciência, Vida, que não o chame de nenhum nome, ou que negue sua existência - essa negação não é mais que Ele negando-se a Si mesmo. Ele não necessita de nenhuma prova.

Por quê? Porque este momento existe.
Você está aqui e agora. Isso e só Isso é Deus. 
Não existe nenhum necessidade de crença. Crer em Deus é negar a Deus. Não é necessário crer em algo quando este algo te está olhando diretamente nos olhos.

Quando alguém toma consciência de tudo isso, que silencio toma posse de tudo! 
Todo o ruído mental se acalma e é percebido tal e como é verdadeiramente: uma realidade falsa, uma miragem, nada mais. 
Deixas de ser uma pessoa - não és mais nem homem, nem mulher, nem rico nem pobre, nem bom nem mal, nem feliz nem infeliz. 
Não és nada disso. Não és nem isto nem aquilo, nem um objeto da consciência. Não és nem o corpo nem a mente. 

A cabeça segue em seu lugar, mas não te pertence. Nem olhos, nem língua, nem garganta, nem coração: nenhuma forma em absoluto. Antes de ser todas essas coisas, você É. É Consciência: um espaço aberto, uma imensidão na qual se permite que surja o mundo. Nessa infinitude que és, brota um mundo finito.

Sois a própria Vida e não um indivíduo desvinculado da totalidade. Todas as coisas e Você, constituem uma unidade, e todas as coisas são Suas manifestações. 

Surge a miragem da individualidade, mas é uma manifestação que você não provoca. Não é pessoal e nem é necessário nega-la. Não é necessário negar o eu.

O eu surge. Pois que surja. 
Depois de tudo, é um reflexo, algo que os pensamentos constroem. 

Você é o espaço aberto e nele tudo pode ser criado. Não estou jogando com as palavras: assim é como tudo funciona realmente. Se desejar, pode ir buscar-se agora mesmo. 

Medite sobre isso. 

Volta para a experiência presente ( isso é que significa meditar ). 
Será que você encontra algo consistente que para se chamar de "eu"? Existe alguma clara distinção entre você e o que não é você?

Onde está essa linha divisória? Você está contido no corpo ou é o corpo que surge neste espaço que você é?

Volta para a experiência presente. Sem tomar o passado como referência, podes realmente saber quem você é? Você está capacitado para dizer quem você é, realmente?

Isto é exaustivo! 
Tentar nomear o inominável, descrever o que precede qualquer explicação, dizer o inexpressível com palavras.
O certo é que não há mais nada a dizer. O silencio é a única forma de defini-lo. Quando se alcança este ponto, todas as palavras som puro ruído - ruído para chegar ao silencio que precede qualquer ruido e que o abraça. Por que prestamos tanta atenção ao ruído? O que tem de mal no silencio?

Silencio. Alcançamos o ponto da criação.

Por que tem que haver alguma coisa? Por que não há nada? O que tem de mal no silencio?

No instante que chega o ruido,agora o vemos por outra perspectiva. 
Ele não leva a nada no sentido de que é igual ao silencio; nem melhor nem pior. Não se pode duvidar que esteja aí; portanto o respeitamos. Não o negamos.

A vida se converte então em uma representação, em um jogo, uma dança divina, porque tudo isso não tem nenhum sentido, nenhum propósito, existe pela simples razão de ser tal como é. 

O ruído e o silencio som inseparáveis. 
A existência e a não existência são inseparáveis. 
O eu e o não-eu são inseparáveis. 

Tudo é uma união divina. Já não há fragmentos, apenas aspectos de uma totalidade; todas e cada uma das partes são importantes, cada uma delas ajuda a existência de tudo o mais. 
Não há nada fora do lugar, nada que não seja desejado, não há nada descartável, nada sagrado, nada profano. 
A existência e a não-existência são dois aspectos da consciência, dois rostos de Deus. Mesmo que a verdade seja Deus, Deus não possui rosto algum.

As palavras são somente ondas na superfície. Mergulhe no silencio. 
As palavras não são necessárias. Nenhuma palavra é necessária.
Não é necessário que se fale disso. Basta sentir o Ser, sentir Isso!
Só isso. Só isso eternamente.

Por que demorei tanto em tomar consciência disso? Por que passei tanto tempo da minha vida como um sonâmbulo?
Agora eu não me importo. Que se vá o passado, ele é tão irreal como o futuro imaginado.

O som da respiração, o barulho do computador, o movimento nos dedos dos pés, as mãos que se movem no teclado, as palavras que surgem...
A respiração, uma sensação de profunda paz, uma sensação de placidez com o mundo a medida que surge e desaparece. 
Isso sim é vida! Aqui! Aqui mesmo!

As palavras nem chegam a tocar a superfície das coisas, e nós muitas vezes passamos a vida tocando a superfície, crendo que temos respostas, sem nos darmos conta de que não existem respostas porque não existem perguntas, nem nunca houve, porque este momento presente é perfeito tal como é, desde sempre."
Jeff Fostes em La Vida Sin Centro

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