30 de dezembro de 2013

Como meu próprio Ser - Papaji



Participante: Como um ser acordado como você mesmo, vê o mundo?

Papaji: Como o meu próprio Ser. Quando você vê suas mãos, pés, corpo, mente, sentido, intelecto, você sabe que eles são parte de você. 


Você diz, "Meu"; "Eu" inclui tudo isso. Do mesmo modo você deve ver o mundo
como você mesmo, não diferente de quem você seja. Nesse momento você entende suas mãos, seus pés, sua unha e seu cabelo como não diferentes de você. Olhe o mundo do mesmo modo.

Participante: Você está dizendo que não há um lugar onde o "Eu" termina e "você" começa?

Papaji : Há sim. Eu o estou levando a este lugar.

Participante: Papaji, você fala sobre liberdade. O que é liberdade?
Papaji: Liberdade é uma armadilha! Um homem que está preso em uma jaula, precisa ser livre, não é? Ele está aprisionado na jaula e sabe que as pessoas do lado de fora estão livres. Vocês estão todos em uma prisão e vocês têm ouvido falar sobre o lado de fora, através de seus pais, seus padres e pastores, professores e pregadores. "Venha a nós" eles dizem, "e nós lhe daremos liberdade". "Venha a mim e eu lhe darei descanso". Esta é a promessa, mas essa é somente mais uma armadilha. Uma vez que você acredite você cai na armadilha de querer liberdade. Você devia estar fora dessas duas arapucas - nem limitação, nem liberdade - porque elas são apenas conceitos. Limitação foi um conceito que deu origem ao conceito de
liberdade. Livre-se dos dois.

Participante: Então onde está você?
Papaji: Aqui. Aqui, sim. Aqui não é nem uma armadilha de limitação nem de liberdade. Não é lá. De fato não é nem mesmo aqui. As palavras me parecem outra grande armadilha. Todo o tempo que tenho estado aqui, as palavras tem sido inadequadas para expressar a natureza do despertar que
toma lugar aqui. Elas não podem nem mesmo expressar por que as palavras são inadequadas. Eu teria que compará-las ao que é adequado e eu não posso fazer isso em palavras.

Participante: Mas uma palavra que é muito jogada por aí no oriente e no ocidente é a palavra Iluminação. É sobre isso que você fala?
Papaji: Iluminação é conhecimento em si mesmo, não conhecimento de uma pessoa, uma coisa ou uma ideia. Simplesmente conhecimento em si. Iluminação existe quando não há qualquer imaginação do passado, do futuro ou mesmo do presente.

Participante: Eu não posso conceber um estado sem qualquer imaginação!

Papaji: Isso é o que se chama limitação. Isso se chama sofrimento. Isso se chama Sansara. Eu lhe digo, não imagine. Nesse presente momento, não tenha qualquer imaginação. Quando você imagina você está construindo imagens e todas as imagens pertencem ao passado. Não recolha o passado e não aspire a qualquer futuro.
Então a imaginação se vai. Ela não permanece mais na mente. Tudo na mente vem do passado.(...)
Eu não estou pedindo a você para não pensar em nada. O que eu estou dizendo é, "não imagine coisa alguma que pertença ao passado, ao presente e ao futuro". Se você está livre de todas as imaginações, você também está livre do tempo, porque qualquer imagem o lembrará do tempo e manterá você dentro dessa janela. No estado acordado você vê imagens: de pessoas, de coisas, de ideias. Quando você vai dormir, tudo isso se desvanece. Agora, quando você está dormindo, onde estão todas essas imagens? Onde estão as pessoas? Onde estão as coisas?

Participante: Em sonho, essas coisas ainda estão lá. Elas não vão embora quando eu durmo.

Papaji: Você está descrevendo o estado de sonho. Eu estou falando sobre o estado de sono. Eu lhe mostrarei. A que hora vocêdorme?

Participante: Por volta de 11h30min da noite.

Papaji: Pense sobre esse ultimo segundo, aquele após 11h29min e cinquenta e nove segundos. O que acontece naquele segundo final? No sexagésimo segundo pertence ao estado de sono ou ao estado de vigília?

Participante: É uma zona intermediária, nem aqui nem lá.
Papaji: Agora vamos falar sobre um segundo mais tarde. O sexagésimo segundo já se foi. Agora mesmo você falou de "aqui" e "lá". Onde é aqui e lá no primeiro instante de sono? Naquele instante, você rejeita tudo: todas as imagens, todas as coisas, todas as pessoas, todos os relacionamentos. Todas as ideias se foram naquele instante quando você saltou para dentro do sono. Após aquele sexagésimo segundo não há nenhum tempo, nenhum espaço, nenhum país. Estamos falando agora sobre sono. Agora, após você acordar, descreva para mim o que aconteceu enquanto você estava dormindo.
Participante: Havia sonho.

Papaji: Não sonho. Eu estou falando de sono. Sonhar é o mesmo estado que você vê aqui em frente de você. Em sonho, se você vê que um ladrão te roubou ou que um tigre saltou sobre você, você sente o mesmo medo que teria no estado desperto. O que você vê quando você dorme?

Participante: Nada.
Papaji: Esta é a resposta certa. Agora, por que você rejeita todas as coisas do mundo, coisas que você gosta tanto, meramente para oferecer-se para o estado de "nada"?

Participante: Eu faço porque estou cansado.

Papaji: Para recarregar energia você vai ao reservatório de energia, aquele estado de nada. Se você não tocar aquele reservatório, o que acontecerá a você, como você ficará?

Participante: Louco!
Papaji: Sim. Louco. Agora eu lhe direi como permanecer continuamente naquele estado de nada, até mesmo estando acordado. Eu também lhe direi como estar acordado enquanto seu corpo dorme. Isso seria bom, não é? Vamos falar sobre o fim daquele ultimo segundo antes de você acordar do
sono. O despertar ainda não aconteceu e o sono está para terminar. Agora, qual é sua experiência no primeiro momento do estado desperto?

Participante: Meus sentidos me chamam de volta ao mundo.

Papaji: Ok. Agora me diga o que acontece com a experiência de felicidade que você teve enquanto dormia? O que você trouxe das horas de "nada"?

Participante: Se foi. Eu estou relaxado, revigorado.
Papaji: Então, você prefere a tensão do estado desperto ao invés do relaxamento do sono?(...) Você pode trazer a memória das imagens para eles, mas você não trouxe nada de seu sono. Quem acordou? Quem acordou daquele estado de felicidade? Você estava feliz enquanto dormia. Se não fosse um estado de felicidade, ninguém estaria desejando "boa noite" a seus bem amados antes deles irem dormir. Não importa quão perto você esteja
deles, você sempre diz, "boa noite, vou dormir".

Há algo superior, algo mais alto, algo mais belo sobre o estar só. Pergunte a si mesmo: "Quando eu acordo, quem acorda?" Quando você acordou, você não trouxe a impressão de felicidade que você teve por seis ou sete horas de sono sem sonhos.
Você só pode trazer impressões das danças que você viu em seus sonhos. Você tem que criar um novo hábito, um hábito que você só pode criar em Satsang. Você foi levado ao teatro por seus pais quando era um pequeno garoto. Através dessas viagens você aprendeu como descrever as impressões
que seus sentidos receberam, e você também aprendeu a se deleitar com elas. Mas seus pais não puderam ensiná-lo sobre o que acontece quando você está livre dos sentidos. Isso só pode ser conhecido em Satsang, e esta é a razão de você estar aqui. "
Papaji em Satsang

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