31 de janeiro de 2011

Aprisionamento e liberação - Ramesh


Pergunta: Você pergunta frequentemente: “quem está aprisionado?” “Quem está buscando?” Eu gostaria de fazer a mesma pergunta para você.

Ramesh: É a consciência individual ou pessoal que está buscando sua fonte. A consciência, tendo identificado a si mesma num “eu” pessoal, está agora tentando recuperar sua impessoalidade. Isso é tudo que está acontecendo. E o processo torna-se mais rápido quando a mente não interfere, quando o “eu” não está presente, apenas o eu, o Eu Subjetivo está presente. O sábio Ashtavakra nos diz o que é o aprisionamento.

Ele diz: “Significa aprisionamento quando a mente deseja algo ou se aflige por algo. Significa liberação quando a mente não deseja ou se aflige, não aceita ou rejeita, não sente-se feliz ou infeliz.”

Agora, a mente humana treinada e condicionada como é, prontamente diz: “Eu não posso desejar nada, não devo rejeitar nada.” Mas a mente é incapaz de perceber que esse não-desejar algo inclui desejar o conhecimento de sua verdadeira natureza. Desejo não significa apenas desejar algum objeto mas mesmo o desejo pela iluminação. A necessidade de saber, de ter o conhecimento de sua verdadeira natureza, mesmo isso é um desejo e esse desejo acontece através do “eu”.

Significa aprisionamento quando a mente deseja algo ou se aflige por algo.
A mente deseja a iluminação e se aflige pelo fato que ela ainda não se iluminou. “Eu” estou nisso a dez, doze, vinte e cinco anos e ainda assim nada está acontecendo!” A mente se aflige por esse “não acontecer”.

A mente deseja ou quer algum acontecimento e se aflige pelo não acontecimento desse evento. Significa liberação quando a mente não deseja, quer ou se aflige, quando a mente está vazia, quando a mente está aberta. A mente vazia não é a mente vazia de um idiota, é uma mente aberta, o mais alerta que a mente possa estar, porque ela não está condicionada. Não está querendo nada, não está preenchida de coisa nenhuma. Não há ninguém em casa. A mente está vazia. Ela não rejeita ou aceita, não sente feliz ou infeliz.

Em seguida, Ashtavakra diz: “ Significa aprisionamento quando a mente está apegada a qualquer experiência sensorial. É liberação quando a mente está desapegada de todas as experiências sensoriais.” Novamente ele coloca isso de uma maneira tão breve. Ele não forçou-se a explicar. O sábio quer que o suposto buscador descubra isso por si mesmo. Ele não está dizendo que a experiência sensorial não surgirá. Ele não está dizendo que a iluminação impede o surgimento de qualquer experiência sensorial. O surgimento de uma experiência, de um evento, está totalmente fora do controle de qualquer organismo corpo-mente, tenha a iluminação acontecido ou não. Portanto, não é que o sábio recusa toda experiência sensorial, ela está lá.

A experiência sensorial é experimentada mas a mente não está apegada àquela experiência sensorial. Ela acontece e termina. E qualquer experiência é sempre no momento presente. Qualquer experiência boa ou ruim, prazerosa ou não-prazerosa, é sempre no momento presente. Toda experiência é uma experiência impessoal.
A experiência impessoal perde sua impessoalidade quando a mente-intelecto aceita essa experiência como sendo dela própria, aceita-a ou rejeita-a como boa ou ruim. Se é prazerosa ela quer que essa experiência venha mais frequentemente. Se for ruim ela rejeita-a, ela não quer. Portanto, o apego a uma experiência acontece sempre no tempo, na duração. A experiência impessoal, que é a experiência do sábio, é sempre no momento presente e quando essa experiência se vai a mente não pensa mais sobre ela. A mente está totalmente desapegada. A experiência é vista como uma experiência impessoal e naquele momento ela é terminada. A liberação é quando a mente está desapegada de todas as experiências sensoriais.

Por último Ashtavakra diz: “Quando o 'eu' está presente é aprisionamento. Quando o 'eu' não está lá é liberação. Sabendo disso o sábio mantém-se aberto para o que quer que a vida possa trazer, sem aceitar e sem rejeitar isso.”
Ramesh Balsekar em Consciousness Speaks

30 de janeiro de 2011

Viver sem fé...


Hoje queria comentar sobre uma pergunta de um leitor, que me chamou a atenção.
Dizia ele, que não crê em Deus, não crê em nada...simplesmente vive sem nenhuma crença, nenhuma fé...e que isso muitas vezes é uma barreira social...mas que a sua mente é bastante cética, e não "consegue" acreditar em nada que não seja real.

Pois bem...isso é muito mais comum do que se imagina...
A fé, acontece a nós...ela não pode ser criada por nós...simplesmente acontece, ou não.
Viver sem fé não significa que você está perdendo alguma coisa, apenas que você está lidando com a realidade a sua volta. É simplesmente viver sem projeções, sem idealizações. Realidade apenas, causa- efeito, só isso.

Uma coisa que sempre me chama a atenção, é que a espiritualidade é algo natural, nasce espontâneamente, enquanto que a crença, muitas vezes é dogmatizada, é criada a partir do medo...que pode ser medo da morte, medo da vida, qualquer tipo de medo...mas ainda assim...medo.
Já a espiritualidade não. Ela é livre, espontânea, e muitas vezes nem nos damos conta de que somos espirituais, ou estamos mergulhados na dimensão espiritual, simplesmente porque não pertencemos a nenhuma religião, ou não acreditamos no Deus que nos falaram.

Mas pare e reflita comigo: Quem de vocês nunca se emocionou com um sorriso, uma criança, um por do sol, ou com seu amor, ou lembrando de alguém que já se foi...ou que não ri com seus amigos, ou de si mesmo, ou que assiste a um filme que toca o coração, ou lembra de uma passagem da sua vida que evoca uma emoção profunda, uma compaixão por aqueles que sofrem...enfim tantas coisas que nos chamam ao nosso profundo...tantas coisas...tantas situações...
Isso tudo significa o que? São meras lembranças? São meras cenas da vida?
Percebam que elas vem e muitas vezes nos toma por completo...nos transporta para uma dimensão interna, um "lugar" em nós que nem conhecíamos...
Essas emoções quando vêm, trazem consigo algo de divino nelas. Uma luz, um sentimento de amplidão de vastidão da nossa consciência interior. Fomos de fato tocados em nosso profundo...
Podemos não compreender o que acontece, mas o fato é que ninguém vive absolutamente sem se emocionar profundamente, sem ser tocado por algo transcendente, algo do divino...

Quando nos focamos na crença, estamos muitas vezes nos baseando em fórmulas alheias, padrões aprendidos de outros, que não servem para nós. Mas quando nos deparamos com esses momentos de profundo amor, gratidão, contemplação, êxtase, relaxamento, descontração, alegria...enfim...todos esses momentos são aberturas para uma dimensão maior em nós...algo brota, transborda, expande nosso coração a dimensões inimagináveis...
Isso é espiritualidade.
Não é necessário que haja crença para viver isso. Isso é o próprio viver. Experienciado, vivido na sua mas pura manifestação. E isso tenho certeza, que todos já experimentaram...muitas e muitas vezes em suas vidas...e nem se deram conta de que essa experiência já era em si uma amostra da dimensão divina em cada um.

A fé verdadeira, vira devoção, é um derretimento do ego, é um afrouxar das defesas e controles. Quando a fé é verdadeira, pura, genuína, ela provoca em nós uma entrega a vida, a Deus, ao que vier...nem questionamos nada...simplesmente nos entregamos e nos abandonamos nos braços de Deus, da existência...
O amor é tanto que só nos resta, nos entregar...nada mais...
Mas a fé cega, também pode se tornar uma barreira a realização espiritual. Pois o senso de perfeição, de aprimoramento, e auto-exigência podem se tornar uma escravidão, e nos levar não a uma entrega pura e confiante na vida, mas a uma auto-repressão constante, e a um senso de superação crônico. Isso é uma forma de racionalização da fé, um labirinto que acaba por transformar a caminhada espiritual não em uma doce e luminosa experiência, mas em algo doloroso e frio.

Com isso, é importante que percebam que, a fé é um caminho que sendo saudável, abre as dimensões profundas através do amor e da entrega verdadeiras.
Não crêr, não ter fé, em si não é impedimento para nada. É apenas uma vertente, que exige maior atenção ao instante presente, e basta que fiquemos cientes que toda a luz, o amor, o brilho da existência, independente de acreditarmos nela ou não, já estão absolutamente presentes, em nós e através de nós...a cada instante, em tudo e todos a volta...
Basta apenas que mantenhamos nossos olhos abertos e apreciemos conscientemente, e com deleite cada momento, e vivamos intensa e profundamente...isso é a própria espiritualidade viva em ação...
Não precisamos "acreditar" na vida...basta vivermos...verdadeiramente...
Amor
Lilian

29 de janeiro de 2011

Vivência simples...


Tocar a realidade sem julgamentos,
Aceitar aquilo que É,
É como colher flores com um suspiro na alma,
É voar com as borboletas e cantar...

Se o riso acontecer,
Sorria com a alma contente;
Se a lágrima cair,
Banhe-se nela e acalma-te;

Colhe e existência em ti.
Colhe o momento em ti.

Acolha o presente que É,
E vivencia plenamente o simples,
O comum,
O ordinário,
O que humildemente se apresenta,
E que na mais completa pequenês,
Revela para ti o Absoluto.

Nada se pede,
Nem se obriga,
A vivência simples, acontece e flui,
Como uma leve brisa...

A vivência simples não se atem a medos,
Nem anseios,
Nem virtudes,
Nem conflitos,
A vivência simples é pura em si mesma,
Pois já é Absoluta aqui e agora...

Troque as esperanças, pela verdade,
Não se fixe em sonhos dentro de sonhos.
Aqui tudo já é possível como está,
Agora é tudo que há.
Viver o presente é estar plenamente em Deus !

Olhe agora a sua volta,
Veja cada detalhe que se apresenta,
Quem os trouxe até você?
Quem os fez acontecer?
Quem te mantém observando tudo isso acontecer?
Não seria o Todo da existência, se revelando a você nessas pequenas coisas?
Não seria a dimensão divina, se mostrando suavemente a você?

Se foges para o sonho, para o desejo, para a esperança,
Idealizas uma dimensão que não existe,
Crias nuvens de fumaça no céu azul,
Crias sombras em meio a luz....

Retorna agora ao que É.
Retorna simplesmente ao que sempre existiu,
Onipresente, esplendoroso no instante,
Realidade completa,vivência simples,
São pétalas divinas da existência,
Que colhemos com todo amor...

Olhe a volta,
Deus aqui,
Agora,
Em ti,
Olhe a volta,
Deus em tudo que há...

28 de janeiro de 2011

A Eterna música...


"Música, a palavra que usamos em nossa língua diária, não é nada menos que o retrato do Amado. É porque a música é o retrato do nosso Amado.

Mas a pergunta é: O que é nosso Amado, ou onde está nosso Amado?
Nosso Amado é aquele que é nossa fonte e nosso objetivo.

O que nós vemos do nosso Amado diante de nossos olhos físicos é a beleza que está diante de nós. Essa parte do nosso amado que não está manifesta aos nossos olhos é aquela forma interior de beleza da qual nosso Amado nos fala.

Se somente escutássemos a voz de toda a beleza que nos atrai em todo o tipo de formas, nós descobriríamos que em cada aspecto
Ele nos diz que atrás de toda a manifestação está o Espírito perfeito, o Espírito da sabedoria.
O que vemos como a principal expressão da vida na beleza visível diante de nós?
É o movimento. Na linha, na cor, nas mudanças das estações, na formação e na quebra das ondas, no vento, na tempestade, em toda a beleza da natureza há um movimento constante.

É esse movimento que causou o dia e a noite, e mudança nas estações.
Esse movimento deu-nos a compreensão do que chamamos de tempo.
Senão, não haveria nenhum tempo, pois Ele é a eternidade.
Isso nos ensina que tudo que amamos e admiramos, observamos e compreendemos, é a vida escondida por trás, e esta vida é o nosso Ser.
É devido a nossa limitação que não podemos ver todo o ser de Deus, mas tudo o que amamos na cor, na linha e na forma, ou na personalidade - tudo que é amado por nós - pertence à beleza real que é o Amado de tudo.

Quando tentamos descobrir o que nos atrai nesta beleza que vemos em todas as formas, descobrimos que é o movimento da beleza: a música. Todas as formas da natureza, as flores tão perfeitamente formadas e coloridas, os planetas e as estrelas, a terra - todos dão a idéia de harmonia, de música.
O todo da natureza está respirando, não somente as criaturas vivas, mas toda a natureza.
É somente nossa tendência de comparar aquilo que parece estar mais vivo com aquilo que nos parece não tão vivo, que nos faz esquecer que todas as coisas e todos os seres estão vivendo uma vida perfeita.
E o sinal de vida que essa beleza viva dá é a música.

O que faz a alma do poeta dançar? Música.
O que faz o pintor pintar lindos quadros, o músico cantar lindas canções? É a inspiração que a beleza dá. Os Sufis chamaram esta beleza de Saqi, o doador divino, que dá o vinho da vida a tudo.

O que é o vinho do Sufi? Toda a beleza: na forma, na linha e na cor, na imaginação, no sentimento, nas maneiras - em tudo isso ele vê a beleza única. Todas essas formas diferentes são parte do espírito da beleza que é a vida por trás, abençoando sempre.

Igualmente ao que chamamos de música na linguagem diária, para mim arquitetura é música, jardinagem é música, o cultivo da terra é música, a pintura é música, poesia é música.
Em todas as ocupações da vida onde a beleza é a inspiração, onde o vinho divino foi derramado, existe música.
Mas entre todas as artes diferentes, a arte da música foi considerada especialmente divina, porque é a miniatura exata da lei que trabalha através do universo inteiro.

Por exemplo, se estudarmos a nós mesmos perceberemos que as batidas do pulso e do coração, a inalação e a exalação da respiração, são todos trabalho do ritmo.
A vida depende do funcionamento rítmico do mecanismo inteiro do corpo.
A respiração manifestada como a voz, como a palavra, como o som.
O som é continuamente audível, o som fora e o som dentro de nós: isso é música. Isso mostra que há uma música fora e dentro de nós.
A música inspira não somente a alma do grande músico, mas cada criança, no instante que vem ao mundo, começa a mover seus pequenos braços e pernas com o ritmo da música.

Consequentemente, não é nenhum exagero dizer que a música é a linguagem da beleza, a linguagem Daquele a quem cada alma viva tem amado.
E podemos compreender que, se realizamos e reconhecemos a perfeição de toda esta beleza como sendo Deus, nosso Amado, então é natural que essa música que vemos na arte e no universo inteiro, deve ser chamada a Arte Divina.
A Eterna música por Hazrat Inayat Khan

27 de janeiro de 2011

A visão oriental do pecado...


Hoje queria refletir com vocês sobre um tema que creio ser importante, para clarear uma questão que muitas vezes aparece.
A questão do chamado pecado original.
Outro dia me perguntaram qual era a visão oriental sobre o pecado original do cristianismo.

Os orientais não tem esse olhar do "pecado" ( que traduzindo -significa errar o alvo ).

Para os orientais, essa questão do "erro" não é focada na culpa, na responsabilidade pelos próprios atos...é sim muito mais voltada a ignorância da nossa natureza essencial - isto é, de quem nós somos na verdade. A inconsciência da nossa natureza original, é que causa todos os outros conflitos. Todos partem dessa inconsciência...

Para os orientais, quando estamos sonhando, não sabemos que estamos sonhando, tudo é tão vívido, intenso e verdadeiro, que acreditamos que aquilo é mesmo real. Só quando acordamos é que nos damos conta que aquilo era um sonho. Não é que seja um crime, acreditar em um sonho...!!
Isso é apenas uma inconsciência, apenas uma ignorância do que é real e do que não é.
Não é preciso se renunciar ao sonho...basta apenas que se acorde e pronto!

O Osho fala algo interessante sobre isso;. Ele diz que essa questão da inconsciência, é como querer culpar uma pessoa só porque ela só sabe fazer conta de somar...se ela não sabe diminuir, nem multiplicar, ou não sabe matemática pura, nós só podemos ter compaixão por ela, e perceber que aquilo é apenas uma limitação...ela ainda está naquele nível de conhecimento da matemática, por exemplo, só isso...Não quer dizer que ela seja inferior, ou errada, ou qualquer coisa que a discrimine. Não. Ela apenas ainda está naquela consciência, só isso, mas é absolutamente possível para ela, a qualquer momento despertar para níveis mais amplos e profundos...nada a impede...

E isso também vale para nós.
Não somos pobres miseráveis, e sem valor, simplesmente porque acreditamos em um sonho, porque estamos mais interessados no reflexo do que na verdade. Isso faz parte da grande brincadeira divina, da grande e divertida Leela de Deus...
A dualidade faz parte da não-dualidade.
A mente não é ruim em si mesma...pelo contrário é divina, maravilhosa...Mas a identificação com a mente ( ego) , acreditarmos que somos a mente, é acreditar no sonho, isso é o aprisionamento, isso é o reducionismo, isso é a causa do sofrimento.

O acordar também, é algo que não pode ser controlado, premeditado, programado... ele simplesmente acontece, e acontece não porque eu ou você queremos...simplesmente acontece quando tem que acontecer, independente de qualquer vontade, de qualquer desejo...
Quando o acordar acontece, é o Todo da existência que desperta para Si mesma...

Com isso, vemos que a questão do pecado original, para os orientais é bem diferente. Trata-se de uma questão de consciência e de inconsciência. Não envolve punição, nem reprimendas...trata-se apenas da inconsciência do Todo, da Existência, da pura presença divina em tudo e em todos...da ignorância de que nunca fomos nós que vivemos independentes, e sim o Absoluto vivendo, ou melhor, Sendo, em cada um de nós...no eterno aqui-agora...Quando essa consciência acontece, caem por terra todos os "erros", e também todos os "acertos...o ego simplesmente desaparece...pois nunca foi de fato ninguém "sendo", ninguém "fazendo"...sempre foi o Todo...pois só o Todo existe...impessoal...

Gosto muito de uma frase que Leloup ( Jean-Yves Leloup ) diz sobre isso: "Antes do pecado original, existe a Graça original..."
Da graça viemos, graça somos, para a graça voltaremos.. tudo é graça, pois só a Graça existe!
Amor
Lilian

26 de janeiro de 2011

Abandonando histórias...


"Você se conta histórias?
São histórias sobre o que você tem ou não tem, sobre o que você precisa ou não precisa?
São histórias sobre a sua liberdade, seu aprisionamento, suas carências, sua generosidade, suas mágoas, suas alegrias?
São histórias sobre quem você é, sobre o que é alguma outra pessoa?
São histórias sobre o que precisa mudar, sobre o que precisa permanecer como é, ou sobre o que está certo ou errado?

Será que você está disposto a parar de contar sua história pessoal?
Está disposto a contar a verdade sobre se você está mesmo disposto ou não?

Seja lá o que for que você se conte, por mais horrível ou grandioso, não passa de uma história.
Como história, como uma destilação da experiência, poderá ser a verdade relativa, mas não é a verdade final.
Histórias aparecem, mudam e desaparecem.
Quer a sua história trate de quanto você é bom ou mau, mesmo assim ela aparece e desaparece.
A verdade final nada tem a ver com emoções, bioquímica ou mudanças de circunstâncias. Ela é imutável e incondicional.

Você pode parar de contar a sua história em menos de um instante.
Nem que seja uma história boa, pare de se esbaldar em contá-la, e a verdade poderá ser imediatamente vivenciada.
Você não poderá vivenciar a verdade, se continuar a contar a sua história, e não poderá continuar a contar a sua história, se estiver vivenciando a verdade.
É óbvio, não é?

Pare de contar a sua história agora mesmo!
Não depois, quando a história melhorar ou piorar, mas agorinha mesmo.
Quando você pára de contar a sua história agora mesmo, você pára de adiar a constatação da verdade que está além da história.
Todo esforço, toda dificuldade e todo sofrimento contínuo estão em resistência ao "parar".
Essa resistência nutre-se da esperança de que a história vá lhe dar o que você tanto almeja, a esperança de que, se você puder consertar a história e fazer as mudanças necessárias, você obterá o que quer.

Quando você parar de contar a história sobre mim, sobre ele, ela, eles, sobre nós, poderá conhecer em menos de um segundo as verdadeiras profundezas do que significa ser o que você é.
Então, qualquer história que apareça ou desapareça não atingirá quem você é.

Quando você sonha à noite, o seu sonho tem um início, um meio e um fim. Parece real naquele momento, mas, quando se acorda, você sabe que era evidentemente um sonho.
Da mesma forma, você pode acordar do sonho da sua vida.
Pode acordar antes de terminar a história sobre você, já que todas as histórias por fim terminam.
Acordar dentro da história é o que se chama de “sonho lúcido” ou “sonho vívido”.

Normalmente, você acorda de manhã e retoma a história sobre quem você é. Você pode até fazer alguma prática de meditação, mas a prática real é a história corrente sobre quem você é.
A energia e a emoção geradas pela história dão origem a infinitas variações de frustração, deleite, dor ou prazer, todas a orbitar em torno desta prática da história sobre “mim”.

Contar a sua história pessoal é a religião primária da maioria das pessoas no planeta.
A história pessoal localiza-se num corpo, numa tribo, numa nação, numa religião, em “nós”.
É por isso que o planeta está em guerra constante e você está em guerra constante consigo mesmo.
Se puder reconhecer qual é a sua história, então a história será consciente e não mais inconsciente.
Você poderá ver qual é a história, e poderá decidir parar de segui-la como se ela fosse realidade.
A possibilidade é reconhecermos que todas as nossas histórias, por mais complexas e estratificadas que sejam, por mais profundamente implantadas em nossa estrutura genética, são apenas histórias.

A verdade sobre quem você é não é uma história.
A vastidão e a proximidade desta verdade precede a todas as histórias.
Quando você ignora a verdade sobre quem você é por fidelidade a alguma história, você perde uma oportunidade preciosa de auto-reconhecimento.

Como um meio de expor a sua própria história particular, você pode se perguntar honesta e diretamente: Qual é a minha história?
Expor a história não tem o propósito de livrar-se dela ou segui-la.
O propósito é ver quais histórias você está contando sobre quem você pensa que é ou quem você acha que deveria ser.

Quaisquer que sejam as suas respostas, será que você consegue considerar a possibilidade de que tudo é apenas uma história?
Não está certa, não está errada, não é real.

Experimente a possibilidade da irrealidade dela.
Deixe a sua consciência cair de volta naquele espaço onde não há história, onde não há pensamento.
Se surgir um pensamento, veja que ele está simplesmente passando.
Não é certo nem errado.
É apenas um pensamento, que nada tem a ver com a verdade essencial sobre quem você é."
Gangaji em Satsang

25 de janeiro de 2011

"Busca" de Deus...


Um homem caminha calmamente pela rua, em direção ao seu trabalho.
De repente, um outro se aproxima, e nervoso pergunta:
-" Por favor, o senhor sabe aonde eu posso encontrar um pouco de ar? Preciso respirar e me disseram que por aqui havia bastante ar disponível. Procuro por vários lugares, já falei com várias pessoas, mas nenhuma delas soube me indicar o lugar certo. O senhor pode ajudar?
- Mas o senhor deve estar maluco! Tudo isso aqui é cheio de ar, puro ar em todos os lugares.
Como o senhor está falando comigo, se não está respirando? É o ar que respira que o mantém vivo, que lhe permite falar comigo! Simplesmente deixe de procurar por ar...respire!!

Essa históra é mesmo curiosa! Pois bem, é exatamente isso que vivem milhares de pessoas pela busca de Deus, do divino...
Uma "falta" de Deus, uma "busca" de Deus, tantos sacrifícios para se encontrar a Deus...e estão TODOS mergulhados no próprio Deus, sendo o Deus vivo, vivente...e mesmo assim, cegos, buscando longe, em ídolos, no além...ou em alguma dimensão distante, no futuro...algo absolutamente óbvio, absolutamente presente...sempre presente!!
Deus não é uma busca...Deus é o encontro!!

A mente não pode aceitar uma coisa tão simples assim...é muito óbvio demais, é muito simples...não tem nada de extraordinário para que a mente possa realmente ficar impressionada.

Essa "busca", essa projeção, na verdade nos afasta do momento presente, da divina presença, absolutamente presente...e assim muitos vão vivendo com essa imensa "falta" de ar, "falta" de Deus.. É como criar a falta para sofrer, ansiar, pelo encontro...

Buscam um Deus extraordinário, um Deus idealizado, quando tudo, absolutamente tudo em si mesmo, e a sua volta são nada menos que a própria presença daquele Deus que eles tanto procuram...tudo resplandece a divindade, a pura manifestação em todas as coisas...não tem como ser diferente...
Negar o mundo, a vida, o momento presente é criar a falta, criar a busca, criar um hiato ( imaginário) e acreditando nele, buscar, sofrer, se desesperar...por um pouco de ar, por um pouco de Deus...que virá.

Termino com um trecho do Osho, que ilustra lindamente essa consciência:
"O ídolo pode ser de pedra, de madeira ou de palavras- não importa - mas se você pensa que Deus pode ser representado por algo, seja ele qual for, então você está criando um ídolo.
Deus é tudo, e não há maneira de representar o Todo, pois nada existe exceto ele.
Eu lhe digo, eu sou Deus, você é Deus, árvores são Deus, rochas são Deus. Somente Deus é. O estado do ser, e o estado de Deus não são dois fenômenos, mas apenas maneiras de dizer uma coisa ou diferentes maneiras de dizer a mesma coisa.
Todas as imagens criadas pelo homem, serão falsas, pois elas serão pequenas e inadequadas. (...) Aqueles que souberam sempre permaneceram em silencio sobre definir Deus. (...) Esta verdade para ser conhecida ela precisa ser provada, percebida, vivida".
Osho em a Sabedoria das Areias.
Amor
Lilian

24 de janeiro de 2011

Lago profundo da alma...


Lago profundo da alma,
Recanto das areias e dos pássaros,
Moldada pelas eras,
pelo silencio e o sussurrar das noites,
pelos eternos luares...

Lago, sereno lago que abriga a vastidão do Ser,
Imensidão azul, e de todas as cores,
Navegar em si mesmo é perder-se,
Buscar aquela margem, é despir-se,
Encontrar algum limite, é ilusão....

Ah, profundidade mansa,
De onde nascem tantas flores, todas as flores...
Berço do amor em botão,
Em cada botão uma prece, uma aceitação,
E se perdendo se encontra,
E chamando o nome,
Silencia...
As esferas nascidas, são passageiras,
São belas,
Mas mesmo assim, livres,
Nadam e brincam,
Se perdem e se encontram,
nessa imensidão sem lugar...

Lago profundo da alma,
Toda a vida nasce em ti...
Grande mãe geradora cósmica,
Água, terra, fogo e ar,
Sois todas as faces que se apresentam,
Nomes diversos para a mesma beleza de amar...

23 de janeiro de 2011

Imanência...


"Tilopa vê as coisas em sua inteireza, não tem escolha.
Vê tanto a manhã como a noite, juntas,
Vê tanto a dor como o prazer, juntos,
Vê tanto o nascimento como a morte, juntos.
Não tem escolha própria.
Não é pessimista, nem otimista - ele vive sem esperança.

Essa é realmente uma dimensão maravilhosa para nela se viver: viver sem esperança.
Só pelo uso da expressão "sem esperança" sente dentro de você, que isso é algo pessimista, mas isso só acontece por causa da linguagem.
O que Tilopa está dizendo está para além da linguagem.
Ele diz: A suprema realização é compreender a imanência sem esperança.
Você simplesmente compreende a você mesmo em sua total inteireza, tal como é; e simplesmente você é aquilo! Não há necessidade de qualquer melhoramento, desenvolvimento, crescimento - não há necessidade.

Desde que compreenda isso profundamente, de repente, todas as flores e todos os espinhos desaparecerão, o verão e o inverno desaparecerão. Nada ficará - porque o apego desapareceu.
Se você aceita o que é, como é, não há mais problemas, nem perguntas, nada mais a ser solucionado - você simplesmente é aquilo.
Então, vem a celebração, mas não há esperança. Essa celebração é somente um transbordamento de energia. Você começa a florescer não em direção a algo que está no futuro, mas porque não pode agir de outra maneira.
Quando alguém compreende a inteireza do Ser, o florescimento começa; esse alguém vai florescendo, florescendo e celebrando, mas não por qualquer coisa visível.
Por que sou feliz? Que tenho eu que você não tenha? Por que sou sereno e tranquilo? Consegui algo que você não conseguiu? Cheguei a alguma coisa que você não chegou? - Não.
Eu simplesmente relaxei, na inteireza. Seja o que for - bom ou mau, moral ou imoral - seja o que for, simplesmente relaxei nessa inteireza, e abandonei todos os esforços para melhorar e abandonei todo o futuro.
Abandonei a esperança, e com o abandono da esperança tudo desapareceu. Estou sozinho e simplesmente feliz, sem qualquer motivo; simplesmente silencioso agora, sem esperança.
Não sei como criar qualquer perturbação. Sem esperança, como pode criar qualquer perturbação em seu ser?

Lembre-se disso: todo esforço leva-o a um ponto no qual você deixa todo o esforço e fica sem esforço. E toda pesquisa leva-o a um ponto em que simplesmente encolhe os ombros e se senta sob uma árvore instalando-se ali.
Cada viagem termina na mais profunda inteireza do Ser - e você obtém isso a todo momento. Portanto trata-se apenas de uma questão : tornar-se um pouco mais consciente.

Que há de errado com você? Vi milhões de pessoas, mas não vi uma só que realmente tivesse algo errado; ela é que criava o erro. Você é o criador de doenças, erros, problemas.. até que então, os repele - como solucioná-los? Primeiro você os cria, e então começa a expulsá-los. Porque começa por criá-los?

Basta que abandonemos a esperança, o desejo e simplesmente veja o que você é: apenas feche seus olhos e veja que você é, e só! Mesmo num pestanejar é possível fazer isso, não há necessidade de tempo. Se estiver pensando que demanda tempo, crescimento gradual, então isso é coisa da sua mente - você precisará de tempo; mas de outra maneira, o tempo não é necessário.

A suprema realização é compreender a imanência...isso é o que deve ser alcançado, e é inerente a você. Essa é a significação da imanência: tudo o que deve ser alcançado já está dentro de você. Você nasceu perfeito. Isso foi o que Jesus quis dizer quando falou : " Eu e meu Pai somos Um". Que estava ele dizendo? Estava dizendo que você não pode ser senão o Todo, porque você provem do Todo!
Pode tomar um punhado de água do oceano e prová-la: o gosto é o mesmo em todo o oceano. Numa simples gota de água do mar, pode encontrar toda a química do mar. Se compreender uma simples gota de água do mar, compreenderá todos os mares, no passado, no presente e no futuro - porque a pequena gota é uma miniatura do oceano. E você é o Todo em forma de miniatura."
Osho em Tantra a Suprema Compreensão

22 de janeiro de 2011

O Vazio cheio...


"E o vazio não é um vazio frio, escuro e... vazio - mas um vazio rico, cheio e vivo, impregnado com infinitas possibilidades, saturado com... esta intimidade incompreensível que deveria, sem dúvida, ser impossível- e ainda assim, inegavelmente, é.

Nada não é "nada", não é a ausência das coisas, mas também a presença delas - portanto, nada é realmente tudo... de modo que tudo termina não em niilismo, mas em deslumbramento, em fascinação, no tipo de gratidão que parte o seu coração repetidamente.

Sim, tudo que resta é uma simplicidade crítica, que não pode ser ensinada, não pode ser formulada, transformada em algo concreto, sistematizada e, ao fim ao cabo, não pode nem mesmo ser nomeada - mas ainda assim, é tudo que existe, e tudo que sempre existiu, e tudo que é necessário ser, porque somente uma mente separada poderia querer mais."
Jeff Foster - em O Vazio cheio

A dimensão da vacuidade é mesmo algo muito intrigante, quando se trata de uma mente cheia de ideias, conceitos e passado.

Muitos alcançaram esta dimensão, e nunca conseguiram defini-la com palavras, pois está muitíssimo além de qualquer palavra, de qualquer ideia ou mesmo de qualquer outro tipo de indicação que se possa fazer...a vacuidade é o Ser.

Aqui Jeff Foster nos aponta esta dimensão viva em nós...suprema dimensão, eu diria, e ao mesmo tempo original, presente, fonte primordial do qual tudo nasce e para onde tudo se dissolve.
Os antigos padres do deserto, a nomearam simplesmente de vacuidade fértil, um vazio diferente do vazio que conhecemos, pois não se trata da ausência de coisas, mas é mais como um grande útero gerador de todas as coisas, onde toda a criação, toda a existência primordial, absolutamente todas as potencialidades estão plenamente presentes.

Um oceano de amor original, primordial...a dimensão além do espaço, além das dimensões...e ao mesmo tempo imersa, imanente, absolutamente presente em tudo que há...em cada átomo da criação...
Algo tão paradoxal, tão maravilhosamente inexplicável, que fascina, que encanta, e ao mesmo tempo amedronta.
Ali não existimos mais enquanto sequer consciência, sequer percepção ou mesmo observador...ali ( ou aqui !) só mesmo o nada pleno original acontece, sem acontecer, cria sem criar, existe sem existir...
Mas algo que não é uma coisa, é uma não-coisa, permeia essa dimensão, que é uma não-dimensão, e todas as outras dimesões que emergem a partir dali.
Somente o silencio alcança.
Não só alcança, mas permeia, para transpor todas essas dimensões e além delas todas...
Alcançar a dimensão silenciosa em nós, é ao mesmo tempo estar aqui-agora, conscientes e presentes, e mergulhar em todas as dimensões primordiais, fundamentais...é estar instantaneamente na fonte luminosa, amorosa, que se manifesta em nós e através de nós...e que se dá em toda a criação...
Amor
Lilian

21 de janeiro de 2011

Suprema síntese...


"Tente me entender; quando digo que uma pessoa é espiritual, quero dizer que ela está fluindo facilmente tanto no exterior quanto no interior. Ela é inteira.
Nem o Oriente, nem o Ocidente foram espirituais.

O Ocidente tem sido materialista e o Oriente espiritualista - mas não espiritual.
O Ocidente acredita na filosofia do exterior e o Oriente na filosofia do Interior.

A pessoa espiritual é aquela que chega na suprema síntese entre o exterior e o interior, entre o corpo e alma. Na pessoa espiritual real, o Oriente e o Ocidente se encontram e desaparecem.
A pessoa realmente espiritual não é do Oriente nem do Ocidente, ela é global.

Não importa onde ela exista.
Por sua abordagem ser total, sua abordagem é global.
Ela é inteira e por isso a chamamos de sagrada.
Nem o Oriente, nem o Ocidente são inteiros, ambos sofreram.

Ninguém escolheu a REALIDADE TOTAL, como ela é.
A realidade total é enorme, ela contém contradições - por isso ninguém a escolheu.
Se você escolher o interior, fica com medo de escolher o exterior, porque eles parecem opostos.
Você começa a se sentir inconsistente. Se você escolher o exterior, naturalmente começa a negar o interior, pois eles não combinam.
Você aprende um tipo de linguagem - a exterior ou a interior - e nega o outro tipo de linguagem.

Quem é espiritual? A quem chamo de iluminado?
Chamo de iluminado aquele que não está com medo dessas contradições da vida, que a aceita, e nesta aceitação transcende o Oriente- Ocidente, a mente-matéria e todos os tipos de dualidades.

Um Buda não é oriental, nem pode ser.
Cristo não é ocidental, não pode ser.
Eles chegaram ao ápice de consciência de onde a terra inteira é una. (...)
Chamo de iluminado aquele que percebe a vida como inteira.
Eles desabrocharam a floresceram em todos os lugares."
Osho em A Sabedoria das Areias.

Escolher a realidade total é sair da mente. Escolher a realidade é aceitação, pois os paradoxos não são entendidos, eles são transcendidos...
A mente fracionada enxerga apenas antagonismos, polaridades... quando a realidade é simplesmente complementar, os aparentes antagonistas - nunca foram na verdade - sempre foram aspectos complementares da mesma unicidade.
Como se conhece o alto, se não pelo baixo; como se conhece o calor se não pelo frio; o dentro se não pelo fora, e assim vai...
Nunca foram dois aspectos separados, mas apenas manifestações complementares, como os dois lados da mesma moeda.

Se ainda percebemos a realidade de forma dividida, significa que nós é que estamos divididos, isto é, carregando internamente divisões. Todo auto-conhecimento passa pela dissolução destas divisões internas, passa pela recuperação da unicidade original.
Que uma vez alcançada, muda totalmente a maneira com que percebemos e nos relacionamos com a realidade.
Transcender as divisões internas, da mente, é situar-se simplesmente, relaxadamente, na dimensão da consciência, que não é tese nem antítese, é síntese..suprema síntese....

É alcançar a dimensão do Espírito indivisível.
Onde o absolutamente TUDO e o absolutamente NADA, simplesmente são a mesma e única sacralidade...
Amor
Lilian

20 de janeiro de 2011

What is Love?

Contos Zen...


Um discípulo foi ao seu mestre e disse fervorosamente:
"Eu estou ansioso para entender seus ensinamentos e atingir a Iluminação! Quanto tempo vai demorar para eu obter este prêmio e dominar este conhecimento?"
A resposta do mestre foi casual:
"Uns dez anos..."

Impacientemente, o estudante completou:
"Mas eu quero entender todos os segredos mais rápido do que isto! Vou trabalhar duro! Vou praticar todo o dia, estudar e decorar todos os sutras, farei isso dez ou mais horas por dia!! Neste caso, em quanto tempo chegarei ao objetivo?"
O mestre pensou um pouco e disse suavemente:
"Vinte anos."

* * * * *
O velho mestre pediu a um jovem triste que colocasse uma mão cheia de sal dentro de um copo com água e em seguida bebesse.
"Qual é o gosto?" - perguntou o Mestre.
"Ruim " - disse o rapaz.

O Mestre sorriu e pediu ao jovem que pegasse noutra mão cheia de sal e o acompanhasse. Os dois caminharam em silêncio até um lago, onde o velho pediu ao jovem que colocasse o sal na água do lago, dizendo-lhe logo depois:
"Bebe um pouco dessa água".

Enquanto a água escorria pelo queixo do jovem, o mestre perguntou:
"Qual é o gosto?"
"Bom!" - disse o rapaz
"Dá para sentir o gosto do sal?" - perguntou o mestre.
"Não" - disse o jovem.

Então o mestre sentou-se ao lado do jovem, pegou-lhe na mão e disse:

"A dor na vida de uma pessoa não muda. Mas o sabor da dor depende do lugar onde a colocamos. Então quando sentires tristeza ou dor a única coisa que deves fazer é deixar de ser copo e tornares-te lago...

19 de janeiro de 2011

Existência Única...

Quer dizer que meus pensamentos não são meus, e minhas emoções também não são minhas?

"Nós desde pequenos acreditamos que somos autônomos, que controlamos nossa vida, nossa existência, que os atos e pensamentos emoções, partem de nós, nascem em nós, não é verdade?

Foi isso que nos foi "ensinado", é isso que todos pensam.

Mas pare um segundo e reflita comigo: Se você não tem controle sobre o seu corpo, suas funções físicas, se você não se "controlava" antes de nascer, se você não sabe o que lhe acontecerá daqui a um minuto, se você não tem noção do pensamento que estará pensando daqui a um minuto, da emoção que estará sentindo daqui a um minuto...de onde vem tudo isso?

Se realmente os pensamentos e emoções fossem nossos de fato, eles estaríamos conosco todo o tempo, e não apenas passariam por nós...eles realmente seriam fixos.

E no entanto eles são tão fluidos, e imprevisíveis, que ninguém pode advinhar o que virá...e também não conseguimos prendê-los por muito tempo...eles passam, se vão, mesmo que façamos força para prendê-los, eles fluem...e desaparecem...

O Advaita nos aponta esta verdade, que é nova para a maioria das pessoas.

Mas tudo o que você vê, pensa, sente, toca, faz, fala, escreve, lê, imagina, inclusive seu corpo, tudo mesmo, é a mente. Pura mente, isto é, consciência em movimento, consciência que se move, que flui...está em constante transformação...

A consciência que somos nós de verdade, esta não passa, esta É, ela que observa sem qualquer envolvimento, tudo se passando, tudo se modificando, tudo se transformando...

Quando eu sinto medo, na verdade significa que a consciência observa o medo, por exemplo. Os pensamentos, emoções, sentimentos, são apenas observados pela consciência...apenas isso.

Com isso, qualquer tipo de fixação, qualquer tipo de identificação que a mente faça, e se ligue naquilo acreditando que é o agente causador, ou que poderá controlar a situação... isto será causa de dor e sofrimento, porque irá passar...irá se transformar, um dia, uma hora, aquilo deixará de existir, e a dor será inevitável...pois a mente quis prender uma ilusão, uma nuvem, prender-se a algo que não foi feito para ser fixado...pois sempre foi e sempre será puro fluxo...

Quando Buda dizia que viver é sofrer, ele dizia isso; quando nascemos como seres humanos, e ganhamos uma mente, fatalmente em algum momento, iremos nos apegar a coisas que passam, e nos iludiremos que aquilo é o real. Isso irá gerar sofrimento, confusão, e todo tipo de angústia e dor.

A existência é impermanência.
Tudo mudando, tudo passando, tudo se transformando...todo o tempo.

Apegar-se a qualquer coisa, qualquer pessoa, lugar, pensamentos, sentimentos, enfim qualquer coisa, é um sinal de que já estamos no passado, pois a realidade é só o aqui agora, este instante ínfimo...ou seja sempre presente...

Quando estamos no aqui-agora, estamos alinhados com a existência, estamos em sintonia, estamos no fluxo, desapegados...

A consciência observa, acolhe a realidade com amor, tira dela lições e ensinamentos, e nunca se prende, apenas reflete, espelha.
O espelho jamais é sequer tocado pelo reflexo. Não faz escolhas, nem se prende, apenas reflete aquilo que está a sua frente, aquilo que se apresenta...apenas...

Com isso, vemos que a existência é ÚNICA, e sua unicidade é TOTAL, sempre em fluxo, ou seja, a existência é que pensa, sente, faz, age, repousa, cria, destrói, ri e chora, e ama através da aparência que é você...
Amor
Lilian

18 de janeiro de 2011

A consciência pura...


"Não se preocupe!
Desde que seu ser íntimo nunca nasceu, não pode morrer; desde que nunca nasceu, ninguém pode manchá-lo ou obstruí-lo.
É imortal!
E desde que o Todo lhe deu vida, desde que a vida vem do Todo, como pode a parte melhorá-la?
Da fonte tudo provém, deixe que a fonte forneça - e a fonte é eterna.

Você se posta desnecessariamente no caminho, você começa a empurrar o rio que já está fluindo em direção ao mar.
Sua pureza é absoluta! Você não pode manchá-la.
Essa é a essência do Tantra.
Todas as religiões dizem que precisa alcançá-la - o Tantra diz que já a alcançou.
Todas as religiões dizem que tem de trabalhar duramente para isso - o Tantra diz que você a está perdendo por causa de sua atividade.
Relaxe um pouco; só relaxando atingirá o Inatingível.

Você pode ter feito milhões de coisas - não se preocupe com os karmas, porque nenhum ato seu pode manchar ou tornar impuro o seu interior.
Toda a essência é pura, é virgem.
Toda criança nascida, nasce dessa virgindade original, porque a virgindade não pode ser manchada.
Como se pode manchar a virgindade? O ser interior permanece como testemunha, não é parte daquilo que você faz.(...)
Eu lhe digo que nem mesmo uma só criança jamais nasceu de uma mãe que não fosse virgem, pura na essência.

A cada momento, faça o que fizer,você está fora daquilo.
Ação alguma deixa cicatrizes em você, não pode deixar. E desde que relaxe e compreenda isso, não se preocupará sobre o que fazer, ou não fazer.
Deixe as coisas tomarem seu próprio rumo. Flutua simplesmente como uma nuvem.(...)

Dharmata significa que tudo tem sua própria natureza elementar. Se você permanece em sua morada interior, tudo aos poucos se dissolverá em seu próprio elemento natural.
Você é que é agitador.

Se permanecer dentro do seu ser, no alaya, no céu interior, naquela pureza absoluta, então como no céu, as nuvens podem ir e vir e não deixam marcas.
As ações vêm e vão, os pensamentos vêm e vão, muitas coisas acontecem, mas dentro na profundidade nada acontecerá.

Ali você simplesmente é.
Só há existência ali.
As ações não chegam até lá, nem os pensamentos.

Se você permanecer desprendido e natural naquela morada interior gradualmente verá que todos os elementos se movem em sua própria natureza.

O corpo é feito de cinco elementos.
A terra, aos poucos irá para a terra, o ar para o ar, o fogo para o fogo.
Isso é o que acontece quando você morre: cada elemento vai para seu próprio repouso - Dharmata significa a natureza elementar de todas as coisas - tudo se move para a sua própria morada.
Você se move para sua própria morada e então tudo se move para a sua. Não há perturbação.

Há duas maneiras de viver, e duas maneira de morrer.
Uma delas é como toda gente está vivendo: mesclando-se a tudo, esquecendo completamente o céu interior.
A outra forma de viver é o repouso interior e permitindo que as forças elementares façam seu próprio caminho.(...)

O homem iluminado permanece dentro da sua morada.(...)
Se você permanece dentro, verá que tudo acontece por si mesmo.
Até as árvores encontram suas nascentes, sem ego e sem mente. As raízes se movimentam para encontrar uma nascente; às vezes movimentar-se-ão muitas centenas de metros para encontrar uma nascente. E a árvore não possui mente, não tem ego.
Mas devido á existência das forças elementares, a árvore por si própria começa a lançar raízes em direção ao norte ao manancial, e um dia ela encontra.(...)

Por isso Jesus disse: "Considere os lírios do campo que não trabalham, nem fiam; nada fizeram e tudo acontece".
Quando você está no interior de sua morada, suas forças elementares começam a funcionar em sua pureza cristalina. Não saia. (...)
Compreenda isso e terá atingido o Inatingível. Compreenda isso e compreenderá tudo o que há para compreender.

Conservando-te na região não-nascida,
Tua aparência se dissolverá em Dharmata
E o egoísmo e o orgulho se desvanecerão em nada.

E quando ver que as coisas estão acontecendo por si mesmas, como você poderá reunir um ego e gabar-se dele?

Como poderá dizer "eu", quando a fome tem seu próprio caminho,
Satisfaz a si mesma, torna-se saciedade; Quando a vida tem seu próprio caminho, satisfaz a si própria e procura repouso?

Quem é você para dizer "eu sou"?
O orgulho, o eu, o egoísmo, tudo se dissolve.
Então nada faz,
Então nada quer-
Simplesmente fica em seu ser interior
E a relva cresce por si mesma...
E tudo acontece por si mesmo."
Osho em Tantra a suprema compreensão

17 de janeiro de 2011

O Aprendido e o essencial...



"Silêncio" é um nome que indica sem definir.
Nada é definido quando digo "silêncio".

O nome é apenas indicativo. A verdade é que nem o barulho interfere.
Aquilo que não pode ser definido está sendo indicado.
Essa é uma tentativa de indicação, mas quem você é, não pode ser definido.

Tem um você que é definido e um você que é indefinível.
Osho diz: “Existem dois homens comigo, o aprendido e o essencial. Aquele que eu sou antes de qualquer coisa e aquele que eu sou depois de todas as coisas”.

O essencial é aquele que observa, é aquele que está no centro de tudo.
Aquele que foi aprendido está na periferia - são os comportamentos, o corpo, a mente..

Se você chegou até aqui com aquele da periferia é por que ele fez um bom trabalho, agora olhe para o essencial, olhe para o centro e descubra que entre o centro e o periférico existem infinitas milhas de distância.

O que acontece com um, nunca acontece ao outro,
Na verdade, nada acontece para Aquilo que você é.

Isso é dar-se conta do essencial, isso é voltar para casa.
Nisso não existe causa e nada se move.
Não estamos falando do silêncio-objeto, Satsang aponta para o silêncio-não-coisa, para a consciência-não-coisa.

Não estamos falando da consciência-objeto, passível de entendimento.
A Consciência não pode ser entendida, você só pode sê-la e agora, nesse instante, você já é.
Nada precisa ser adicionado, nada precisa ser removido.
Trata-se apenas de um entendimento.

Viver Isso em sua mais completa extensão, deve ser o seu trabalho.
É necessário o reconhecimento e que ele se estabeleça.

Satyaprem em Satsang

16 de janeiro de 2011

Sri Ramana Maharshi - Vida e Ensinamentos.


"Voces já são o Absoluto ....o que mais querem ?!
Se buscais uma realidade espiritual, uma união com Deus ou mesmo uma expansão da consciência, então crede: é hora de cessar vossa busca, este é o fim da estrada. Isto porque já somos tudo o que poderíamos buscar, sempre o fomos e sempre o seremos.
Somos o Self, somos Bhraman, o Divino que está em tudo e em lugar nenhum, a Realidade Única."

Nascido em 1879 no sul da Índia, Sri Ramana Maharshi atingiu a realização do Eu Superior aos 17 anos de idade, sem a ajuda de nenhum guru (no plano físico, pelo menos) e sem seguir nenhum dos tradicionais sistemas espirituais . Uma experiência de quase-morte lhe mostrou que o Ser era mais que o corpo físico, e com o aprofundamento desta constatação, perdeu o medo da morte. A partir de então, manteve-se permanentemente conectado a esta consciência transcendental que a tudo permeia neste mundo.

Depois de ter passado alguns anos recolhido silenciosamente às cavernas do sagrado monte Tiruvannamalai, Sri Ramana Maharshi passou a receber visitas ocasionais de buscadores espirituais. O diálogo transcrito com os mesmos é a fonte que possuímos do seu saber, uma vez que Sri Maharshi não escreveu livro algum. Com o passar dos anos, inúmeras pessoas resolveram permancer nas proximidades do local de recolhimento do grande Ser, donde o surgimento de um ashram. Este foi visitado por milhares de pessoas do mundo inteiro.
Neste mesmo local, em Tiruvannamalai, no ano de 1950, Sri Ramana Maharshi entrou em mahasamadhi.

O ponto central dos ensinamentos de Sri Ramana Maharshi é o auto questionamento: "Quem sou Eu ?".
Mediante a repetição constante desta pergunta, "Quem está pensando estes pensamentos ?".
"Quem deseja estes desejos?", vamos descobrindo que a maioria destes pensamentos e desejos são originários do ego-consciência, da mente-corpo.

Ocorre que a fonte da consciência está além deste patamar, e aprofundando o nosso questionamento, atingiremos o Ser, aquele que é, aquele que a Bíblia afirma "Eu Sou o que Sou". Sri Ramana Maharshi nos mostra uma visão para além da dualidade, uma visão védica advaita.

Ele nos afirma que o corpo físico é apenas uma projeção deste Ser, do puro Self, assim como o mundo fenomênico que "habitamos" também o é.
O ego seria apenas uma ligação, uma ponte entre o corpo e a pura consciência.
A mente é apenas o somatório de pensamentos, e o conteúdo destes pensamentos seria determinado (assim como no Budismo) pelas tendências adquiridas em vidas passadas (hábitos mentais e emocionais ou vasanas e samskaras).

Portanto, diferentemente do que é recomendado por inúmeras escolas de sabedoria oriental, Sri Ramana não aconselha a concentração como técnica de libertação. Ao seu ver, poderíamos até reforçar a dualidade mente-corpo, mente-mundo ao fazê-lo.

A questão é "Quem se concentra?". "A consciência do corpo é o 'Eu' errado. Desista desta consciência-corpo. Isto é feito através da busca da fonte do 'Eu'.
O corpo não diz 'Eu sou'. É você quem diz 'Eu sou o corpo'.

Descubra quem é este 'Eu'.
Procurando a sua fonte, ele irá desaparecer.(...) Seja o que você é. Não existe nada para ser manifestado. Tudo o que é necessário é a perda do ego.(...)
A verdade de si mesmo é a única que vale a pena ser buscada e conhecida.(...)
Realização não é nada a ser adquirido. Ela está sempre aí, mas obstruída por uma tela de pensamentos.
Todos os seus esforços devem ser dirigidos para a superação desta tela, e então a realização é revelada(...)
Realização é simplesmente a perda do ego. Destrua o ego pela procura da sua identidade. Uma vez que o ego não é nenhuma entidade, ele automaticamente desparecerá, e a realidade irá brilhar por si mesma.
Este é o método direto, enquanto todos os outros se concretizam somente através da retenção do ego."

Vimos assim que o método proposto por Sri Ramana Maharshi rumo ao Eu Superior é simples e direto, porém não necessariamente fácil. Ele prescendiria de muitas outras práticas recomendadas (sadhanas) por diversas tradições da sabedoria do Oriente.

A plena atenção constante aliada à pergunta "Quem sou Eu?" pode, segundo este Mestre, levar a este conhecimento direto da Fonte única do Ser que permeia a todos nós.

Concluindo, vejam como estes versos do poeta e santo do Budismo Tibetano, Milarepa, aproximam-se das idéias acima apresentadas de Sri Ramana Maharshi:

"Não há meditador, não há objeto a ser meditado,
Não há sinais de realização,
Não há etapas nem caminho a percorrer,
Não há sabedoria última, não há corpo de Buda.
Também o nirvana não existe.
Tudo isso são apenas palavras, modos de dizer."
Be As You Are. The Teachings of Sri Ramana Maharshi.

15 de janeiro de 2011

O Sutra do Coração...


O Bodhisatva da Compaixão,
Quando em meditação profunda,
Compreendeu a vacuidade dos cinco skandhas
E rompeu os laços que lhe causavam sofrimento.
Assim, então,
Forma é nada mais que vacuidade,
Vacuidade nada mais que forma,
forma é somente vacuidade,
vacuidade é somente forma.
Sensação, pensamento e vontade,
E a própria consciência
Assim também o são.
Tudo é vacuidade primordial,
Impassível de nascer ou perecer;
Que não tem mácula nem é puro,
Não aumenta nem diminui.

Na vacuidade, não há forma,
nem sensação, nem pensamento ou escolha,
Nem tão pouco consciência.
Nem olho, ouvido, nariz, lingua, corpo ou mente;
Nem cor, som, cheiro, sabor ou tacto,
Nada a que a mente possa agarrar-se,
Nem sequer percepção.

Não há ignorância, nem o fim da ignorância,
Nem tudo o que advém da ignorância;
Não há decrepitude nem morte,
Nem o cessar de ambas.

Não há sofrer, nem causa do sofrer,
Nem fim do sofrimento ou senda nobre
Que leve ao fim do sofrimento.
Nem sequer sabedoria a alcançar! _
O alcançar também é vácuo.

Saibam então que o Bodhisatva,
Sem nada a que apegar-se,
Mas habitando a sabedoria Prajiia,
É livre de obstáculos enganosos,
Liberto do temor por eles criados
E atinge o mais puro Nirvana.

Todos os Budhas do passado e do presente,
Budhas do tempo que virá,
Por meio da sabedoria Prajfia,
Chegam à completa e perfeita visão
Ouçam então o grande dharani,
O mantra radiante e sem igual,
Cujas palavras aliviam toda dor;
Ouçam e creiam na sua verdade!

Gate Gate Paragate Parasamgate Bodhi Svaha
Gate Gate Paragate Parasamgate Bodhi.Svaha
Gate Gate Paragate Parasamgate Bodhi Svaha
O Sutra do Coração - Texto Sagrado do Buddhismo Mahayana.

14 de janeiro de 2011

Solidariedade...


Certa vez, li um texto que dizia mais ou menos assim:
Se encontrar pelo caminho, uma lebre faminta, e você compadecido, lhe oferecer o melhor filé, mais tenro e apetitoso, você não o estará ajudando. Pelo contrário, a lebre morrerá de fome
Se encontrar pelo caminho, um cão faminto, e você compadecido, lhe oferecer o melhor alface, mais tenro e apetitoso, você não o estará ajudando. Pelo contrário, o cão morrerá de fome.

A solidariedade nasce nos corações, espontâneamente, é verdade.
Não é algo acontece com segundas intenções, se for é falsa.

A verdadeira solidariedade é natural, como respirar.
E acontece todo o tempo, em qualquer situação, nas mínimas coisas.
Quando estamos conscientes no aqui-agora, é natural percebermos instantes em que um gesto, uma palavra, ou uma ação concreta, ou até mesmo o silencio apenas, é o que a situação nos pede.

Quando a consciência e o coração estão juntos, falando a mesma língua, fica fácil se perceber, e sentir o que a situação REALMENTE nos pede.

Este pequeno texto que coloquei no inicio, da lebre e do cão, mostra claramente o que se passa quando estamos não no momento presente, não naquele que precisa de ajuda, mas nas projeções da nossa mente.
Ali aparecem duas situações: Alimentar uma lebre com carne, é não alimentá-la; alimentar um cão com alface, é não alimentá-lo.
É mais uma projeção de quem "ajuda", e não da consciência atenta, e cuidadosa, com aquele que pede ajuda, o que realmente ele precisa naquele momento.

A vida é múltipla, infinitas faces, infinitas nuances e paisagens, que também mudam o tempo todo.
E muitas vezes, a concretude, a coisa real, é que é necessária, é que é importante naquele momento, não algo subjetivo.
Quando se trata do corpo, da fome, do abrigo, estamos na dimensão da concretude, da matéria mesmo. Ajuda real, trabalho, força, ação.

Por isso, cada vez mais vejo que a consciência afetiva faz toda diferença.
Não se trata de ajudar naquilo que eu acho que será bom...mas ajudar naquilo que realmente a situação pede, realmente a pessoa necessita.
Isso é amar.
Isso é ajudar, partilhar de si de verdade.
Solidariedade também passa pela consciência.
Solidariedade também é amor em ação.
Amor
Lilian

13 de janeiro de 2011

Silencio...


"A receptividade silenciosa de uma noite estrelada de lua cheia, semelhante à de um espelho, reflete-se abaixo no lago coberto de névoa.
O rosto que aparece no céu está em meditação profunda: Uma deusa da noite que traz profundidade, paz e compreensão.

Este é um momento muito precioso.

Será fácil para você repousar internamente, e sondar as origens do seu próprio silêncio interior até o ponto em que ele se confunde com o silêncio do universo. Não há nada para fazer, lugar nenhum aonde ir, e a marca do seu silêncio interior permeias tudo o que você faz.

Isso poderia deixar algumas pessoas sentirem-se desconfortáveis, acostumadas que estão com todo o barulho e atividade do mundo.Não importa.

Procure encontrar as pessoas capazes de entrar em sintonia com o seu silêncio, ou então desfrute a sua solitude.

Este é o momento de reencontrar-se consigo mesmo.
A compreensão e os insights que lhe ocorrem nesses instantes manifestar-se-ão mais tarde, em uma fase de maior extroversão da sua vida.
A energia do todo apossou-se de você.

Você está possuído, você nem mesmo existe mais: O que existe é o todo.

Neste momento, à medida que o silêncio o penetra, você vai sendo capaz de compreender a significância dele, porque ele é o mesmo silêncio vivenciado pelo Buda Gautama. É o mesmo silêncio de Chuang Tzu ou Bodhidharma, de Nansen... O sabor do silêncio é o mesmo.

Os tempos mudam, o mundo continua se transformando, mas a experiência do silêncio, a alegria que vem dele, permanece a mesma.

Essa é a única coisa que você pode confiar, a única coisa que nunca morre.
Esta é a única coisa que você pode chamar de seu próprio Ser."
Silencio, Tarôt Zen do Osho

A dimensão silenciosa em nós, é mesmo uma revelação.
A meditação, vai aos poucos nos situando nesta paisagem silenciosa, e com ela várias revelações vão vindo.

Trata-se de uma paisagem que é ao mesmo tempo fluida, simples, mas vasta, infinita...algo paradoxal, que não dá para descrever, mas a experiência, a vivência é significativa, e impressionante de tão bela.

Meditar é navegar livre, neste vastíssimo oceano do silencio interior.
Ser receptivo e amante.
Ser aberto e includente.
Ser com a vida, e o que vier...

A consciência imersa neste perfume, vibra em ressonância com toda a criação.
Pacífica, amante, repousa tranquila nos braços da existência divina.
Um repouso que nos revela a nós mesmos, a nossa vastidão original, a nossa infinitude...muito além da mente, muito além de qualquer fala, de qualquer forma...muito além de um pequeno "eu" ou de um pequeno "você"...
Amor
Lilian

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